Recebi réplicas (incríveis) de artefatos egípcios

Se tem uma coisa que apoio muito é a confecção de réplicas de artefatos, uma vez que sou TOTALMENTE CONTRA a venda de objetos arqueológicos. E quando são coisas usáveis melhor ainda 😀

Então, há alguns meses um amigo e colega da arqueologia, o Adolfo Okuyama, enviou para mim dois pingentes inspirados em artefatos arqueológicos: um semi-lunar e uma ponta de flecha (clique aqui para ver fotos deles). O Adolfo manda muito bem fazendo esses tipos de objetos e desta vez ele fez dois inspirados na Antiguidade egípcia, então aproveitei para fazer um unboxing.

Gostei muito de ambas as peças. O escaravelho, como já cansei de falar, é uma das minhas formas amuléticas egípcias favoritas. Eu sinceramente não sei explicar o quão legal eu os considero. Os pequeninos detalhes estão lá. Foi necessário o olhar analítico de um arqueólogo para reproduzir algo tão bem. Não me canso de olhá-lo.

Ah! E a melhor parte: ele é um carimbo com o símbolo do AE:

Já o tiyet tornou-se o meu bebê. Esta forma amulética não é muito usada nas reproduções atuais, por isso que fiquei muito feliz de ter uma em mãos. Este objeto é vulgarmente chamado de “nó de Ísis” e tinha na antiguidade algumas finalidades de cunho funerário, entre elas a de proteger o corpo.

Quer ver o que mais chegou na minha Caixa Postal? Então clique aqui.

Meu endereço:

Márcia Jamille
Caixa Postal 1702
CEP 49046970
Aracaju – SE

Eu, meu livro e Arqueologia no programa “Expressão”

No dia 11/07/2014 (já faz um tempinho né) fui convidada pelo o programa “Expressão” da TV Aperipê para falar sobre Arqueologia e o meu livro publicado na época: o “Uma viagem pelo Nilo”. Foi algo da noite para o dia: recebi alguns telefonemas durante a tarde e no dia seguinte eu já estava me arrumando para ir ao programa.

Raramente assisto TV aberta e não seria novidade alguma eu não conhecer de fato o canal TV Aperipê, não tem problemas eu falar isso na internet porque eles sabiam disso. Então fui com a cara e a coragem.

Gente, é sério! Tem lugares para onde já fui que eu simplesmente perdi a oportunidade de mostrar para vocês e a TV Aperipê é um deles. Todos os funcionários que me atenderam foram extremamente atenciosos comigo. Como acompanhante levei a minha própria irmã e eles também fizeram o máximo para deixá-la confortável. Também tive a oportunidade de conversar com os outros entrevistados. Foi bem legal.

Eu nunca tinha ido para um programa de estúdio (nunca fui para programa algum, para início de conversa) e só posso dizer que é bem legal. Minha irmã tirou algumas fotos pelo o celular, por isso a qualidade não é a das melhores, mas dá para vocês terem uma ideia:

O Pasqual também foi muito legal. Quando sentei eu estava extremamente desconcertada e ele começou a puxar assunto enquanto não começavam as gravações. A gente falou sobre várias coisas.

Já a entrevista acabou saindo muito da pauta, o que me assustou bastante. A nossa conversa informal antes das gravações tinha mais a ver com a proposta original do que a entrevista em si (eu até recebi mensagens de dois colegas/amigos reclamando depois), mas mesmo assim foi bacana. Abaixo está a entrevista na integra (podem pular a parte dos golfinhos, porque é looooonga):

Bom, no dia em que a entrevista foi ao ar eu não poderia assistir porque coincidia com o horário do lançamento do meu livro em Aracaju, porém, disponibilizei um link para os leitores poderem assistir “ao vivo” pela internet. E no dia seguinte ao lançamento eu tinha que pegar a estrada para ir a um trabalho de campo (ainda lembro da minha pessoa morrendo de sono precisando assinar livros em casa enquanto tinha que arrumar as malas). Passei semanas quase que totalmente incomunicável até agosto! Foi quando pude ver o resultado. 

Eu não achei este vídeo listado no Youtube (acho que ele não está disponível para a busca 🙁 ), então eu resolvi publicá-lo no Facebook cortado, tirando aquela parte dos golfinhos.

(Comentários) I Semana de Arqueologia da CAJUFS

Desde a abertura do curso de Arqueologia na UFS tornou-se comum a elaboração de eventos para mostrar e discutir os aspectos plurais da Arqueologia do nosso país. Posso rememorar com alegria que participei da maioria como ouvinte e em ao menos três deles apresentando as atividades para o público, então fiquei imensamente feliz quando recebi o convite da empresa júnior CAJUFS para participar da “I Semana de Arqueologia da CAJUFS”, que ocorreu entre os dias 13 e 18 de abril na cidade de Laranjeiras (SE).

No evento ocorreram palestras, mesas redondas, apresentações de comunicações, minicursos, uma assembléia de estudantes, exposição de banners e passeios guiados. Em relação a minha participação eu estava lá para expor para a venda o meu livro, Uma viagem pelo Nilo. Como não existia a possibilidade do evento conseguir um staff para mim o João Carlos (Museu Nacional) foi extremamente simpático e auxiliou nas vendas, assim como a Dalila Souza (Universidade Federal de Sergipe) e o Roberval Jr.. O pessoal da Contextos Arqueologia também ajudou muito, não só montando todo o espaço como também cuidando do transporte dos livros.

Por conta desta minha atividade eu não assisti todas as comunicações e nem vi todas as palestras, mas estava óbvio que existem alguns alunos extremamente interessados em discutir as questões acadêmicas que os rodeiam, entretanto só lamento que durante a assembléia de estudantes poucas foram as pessoas que compareceram e para variar de todo o departamento somente dois professores estavam presentes.

Retomando ao assunto das palestras: assisti somente três (não compareci na quarta e na quinta-feira), mas achei que alguns dos temas abordados eram maduros de mais para estudantes recém-ingressos na graduação. A de abertura foi com a arqueóloga e presidenta da SAB, Marcia Bezerra, que nos falou sobre as peculiaridades da Arqueologia Pública e a Educação Patrimonial, embora, sinceramente, eu — e acredito que metade dos ouvintes — estivesse esperando que ela falasse bem mais da IN do IPHAN, mas foram palavras realmente instrutivas.

A segunda palestra foi com o arqueólogo Gilson Rambelli, com “A versão molhada da Arqueologia” e que ao final deixou disponíveis aparelhos de mergulho e algumas das ferramentas utilizadas para a realização da Arqueologia subaquática para os alunos poderem dar uma olhada.  A da quarta e da quinta não participei e a da sexta só assisti da metade para o final.

Gostei de todas as mesas redondas as quais participei, mas especialmente a “Z-14: Pescando memórias”, onde um dos membros da associação de pescadores de Laranjeiras (SE) relatou como a Educação Patrimonial mudou a sua vida, fazendo-o perceber que ele tinha uma identidade cultural. Eu gravei um vídeo sobre o momento em que ele relata isso e verei posteriormente como disponibilizarei para vocês.

As comunicações dos estudantes foram com temas bem plurais (rolou até Arqueologia dos fantasmas!), o que eu gosto muito na verdade porque o evento vira uma “feira de novidades” e não um monólogo.

Eu estava morta de saudades de assistir eventos de Arqueologia e espero que os alunos da UFS continuem com esta energia (e que continuem a receber apoio) para realizar mais outras atividades.


Agradeço a organização da CAJUFS, especialmente a figura da Érika Castro, pelo o convite para participar da semana. 😀

Em busca do livro perdido: conclusão

Em um dos posts anteriores relatei para vocês nossa dificuldade para encontrar o único livro que conta a história de Umbaúba, cidade que apesar de não entrar no nosso mapa de prospecções vai entrar no nosso levantamento histórico. Ao visitar a única biblioteca da cidade e descobrir que o tal livro estava sumido fomos convidados para retornar à prefeitura no dia seguinte uma vez que eles queriam nos ajudar a procurar.

Fomos lá e eles realmente foram bem prestativos, porque depois de alguns telefonemas nos indicaram ir para a Casa de Cultura para procurar Sônia (que não estava disponível para nos atender) e o Edvânio Alves (Diretor de Cultura de Umbaúba), que foi totalmente simpático. Ele nos informou que o “tal livro” não estava lá, mas bateu um papo com a gente e comentou sobre a sua disposição em tentar historiar ao máximo o passado do município e se ofereceu para nos levar para a antiga casa grande do engenho Campinhos (cuja visita já comentei aqui).

Algumas antigas fotografias mostradas pelo Edivânio.

Ele também entrou em contato com o pesquisador Joaquim Francisco Soares Guimarães (Secretário de Educação), que coincidentemente estava falando com outra parte da equipe. Ambos marcaram um horário para aquele mesmo dia para visitar Campinhos.

Durante nosso trabalho de reconhecimento da área do sítio arqueológico de Campinhos e a entrevista da Dona Maria de Lourdes soubemos que não era um livro sobre a história de Umbaúba que estava desaparecido, mas dois, fora a conclusão de curso do próprio Joaquim que ainda não estava na lista. Fomos informados também que as obras eram na verdade dois TCCs, ambos em capa dura, escritos respectivamente pelo hoje arqueólogo Marcel Raely Fontes Gonçalves Nascimento e pela historiadora Ivonete de Jesus Clemente.

Felizmente o Marcel disponibilizou a pesquisa dele antes mesmo de começarmos os trabalhos e já está sabendo do sumiço da cópia doada por ele.

Casa da fazenda Sabiá, onde existia o engenho Sabiá (Umbaúba).

O Joaquim e o Edivânio então marcaram para nos encontrar novamente, mas desta vez na escola Benedito Barreto do Nascimento (BBN) e com a presença da Ivonete, a qual entrevistamos e que nos informou que ela tinha feito várias cópias da sua pesquisa e as distribuído pela cidade… E todas estão sumidas atualmente, sobrando somente uma, a que pertence a ela, nem mesmo a versão digital existe mais. Contudo ela irá disponibilizar a obra para tirarmos uma cópia, só precisamos definir quando.

O que falar sobre uma cidade que engole sua própria história e depois bate na tecla de que não tem uma? É difícil apontar um culpado, esta é a verdade! E não adianta generalizar porque neste pouco tempo que ficamos lá vimos exemplos de pessoas que têm se esforçado para registrar o seu passado.

Parece um canavial, mas provavelmente existe um sítio arqueológico aí: se a memória oral estiver correta aí estão os restos da casa grande do engenho Triunfo (Umbaúba).

E qual o meu interesse em contar para vocês este malabarismo em busca deste livro (que agora são “os livros”)? A priori é passar a mensagem de que na Arqueologia nem sempre é fácil encontrar registros históricos de determinadas cidades, independente do seu tamanho, mas depois de uma breve reflexão acredito que também é importante que vocês saibam que se já é difícil passar para as pessoas informações sobre o seu passado é pior ainda quando situações como essas acontece. Tanto a Ivonete como o Marcel fizeram dois trabalhos impares (um em História e o outro em Arqueologia) e tentaram organizar e depois repassar o conhecimento deles acerca de Umbaúba, mas infelizmente foram tratados de forma tão descortês.

A conclusão é que não cheguei até nenhuma conclusão. Acho que ainda preciso de mais vivências em trabalhos de campo para tentar entender como funcionam estes mecanismos de desvalorização do passado por parte de uma parcela da população. Eu já li e reli sobre o assunto na Universidade, mas ao vivo é outra história, mas uma coisa eu já sei: as vezes não é por maldade; eu cresci sabendo que devemos valorizar nosso patrimônio (seja ele edificado ou um artefato contemporâneo a nós, como um livro), mas muitas destas pessoas não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive ou que os pesquisadores citados tiveram.

O que podemos fazer para resolver isso? Organizar um banco de dados online não é a solução, afinal nem todos têm acesso a internet. O que fazer? Eu realmente não sei!


Todas as fotos são de minha autoria. 2015.

O Senado aprovou a regulamentação da profissão de arqueólogo, mas…

No dia 25/03 o senador Romário Faria (PSB-RJ) nos brindou com a notícia de que a Comissão de Assuntos Sociais tinha naquele mesmo dia aprovado o projeto que regulamenta a profissão de arqueólogo, algo que a categoria vem lutando há muitos anos e sem sucesso, mas que desta vez foi encabeçado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Veja abaixo o vídeo do momento da votação (vale a pena assistir, principalmente para entender algumas questões relacionadas com a profissão):

O projeto está indo agora (ou já foi) para a Câmara de Deputados*, para depois receber a assinatura da presidenta, foi nesta fase que no passado, quando o projeto quase foi aprovado, que o presidente Fernando Henrique Cardoso vetou o mesmo se baseando na inconstitucionalidade por vício de iniciativa, porque existiam planos para se criar conselhos federais para fiscalizar os profissionais, o que é inconstitucional.

Foto: João Carlos Moreno de Sousa. 2013.

Mas agora excluído tais planos, com um maior esclarecimento da população (em comparação com aquela época), cada vez mais multas sendo aplicadas para aqueles que andam destruindo sítios arqueológicos (principalmente as grande empreiteiras) e um posicionamento mais político da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), começamos a acreditar que desta vez a regulamentação seria aprovada. Mas a surpresinha veio poucas horas depois.

Escrevi a pouco que as grandes empreiteiras estavam recebendo multas por destruir patrimônios arqueológicos. Guardem esta informação; Ainda no dia 25/03 saiu a Instrução Normativa nº 1, de 25 de Março de 2015 (IN-01) que derruba a Portaria 230 do IPHAN de 17 de dezembro de 2002. Essa Portaria, explicando de modo bem simples, determina que a obtenção da licença em qualquer empreendimento no território nacional deve se adequar aos parâmetros do patrimônio arqueológico, ou seja, deve ser feita uma avaliação arqueológica antes de por as máquinas para funcionar porque nós podemos avaliar o potencial arqueológico de um lugar e trabalhando antes podemos evitar muitos desastres como tem ocorrido no país desde sempre: sítios arqueológicos sendo destruídos por tratores.

E agora esta IN-01 revoga, ou seja, cancela a Portaria 230 do IPHAN, vocês podem observá-la no CAPITULO VI, Artigo 62 (clique aqui e leia o documento na integra).

Foto: Márcia Jamille. 2010.

Foi uma atitude sinistra e baixa e que pegou muitos de surpresa. A SAB já analisou o documento e lançou uma carta para os sócios no dia 30/04 que transcrevo abaixo na integra (grifo meu):

Caros/as Sócios/as,

30/03/2015

Entre os dias 25 e 26 de março fomos surpreendidos com a publicação de dois documentos que impactam, de maneira significativa, a preservação do patrimônio arqueológico e a prática profissional da arqueologia no país: a Portaria Interministerial nº 60, de 24 de Março de 2015, que estabelece procedimentos administrativos que disciplinam a atuação dos órgãos e entidades da administração pública federal em processos de licenciamento ambiental de competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA e revoga a Portaria Interministerial nº 419/2011; e a Instrução Normativa nº 1, de 25 de Março de 2015, que estabelece procedimentos administrativos a serem observados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional nos processos de licenciamento ambiental dos quais participe, revogando a Portaria nº 230/2002.

Como é de conhecimento de todos, o processo de construção da Instrução Normativa nº 1, de 25 de Março de 2015, conduzido pelo Estado, provocou forte reação por parte de nossa comunidade e de outros segmentos da sociedade civil, o que culminou na convocação, por parte do Ministério Público, da Audiência Pública Patrimônio Cultural no Licenciamento Ambiental, realizada no dia 13 de outubro de 2014, na sede da Procuradoria da República do Rio de Janeiro. Anteriormente, a SAB havia encaminhado considerações da Diretoria e de arqueólogos de todo o país sobre o documento, como resultado de nossa reivindicação de participação na discussão e elaboração da IN.

Embora reconheçamos no texto publicado da IN a incorporação de algumas das contribuições enviadas pela SAB, por diversos arqueólogos e pelo Ministério Público Federal para o Iphan, lamentamos profundamente o fato de o Poder Executivo, mais uma vez, ao invés de valorizar e promover a aproximação e o diálogo com a principal comunidade que implementará na prática as novas normativas, ter optado por não compartilhar conosco a versão final do documento e sequer ter se importado em nos comunicar sobre a sua iminente publicação.

O descaso do Poder Executivo com relação à construção democrática das políticas públicas voltadas para a arqueologia e o desrespeito com a comunidade arqueológica é decepcionante e revela o desinteresse em aproveitar esta oportunidade para consolidar relações simétricas entre instituições e comunidades envolvidas no estudo e na gestão do patrimônio arqueológico.

Contudo, lembramos que nosso amadurecimento político, nossa coesão e nossa capacidade de articulação mostraram uma capacidade de união que nos dá mais força para enfrentar problemas semelhantes no futuro. Nesse sentido, agradecemos a todos pelo apoio, pelas críticas e, sobretudo, pela demonstração de união nos últimos meses. Precisamos continuar unidos e organizados em prol da arqueologia e da preservação do patrimônio arqueológico, uma vez que as mudanças provocadas com essas normativas fragilizam a proteção do patrimônio arqueológico brasileiro, favorecendo a implantação de empreendimentos sem qualquer avaliação profissional sobre os riscos à sua preservação.

Por isso, conclamamos a todos que compareçam em massa à assembleia da SAB que ocorrerá durante o nosso XVIII Congresso, entre os dias 27 de setembro e 02 de outubro, no campus da PUC-Goiás, em Goiânia. Vamos todos juntos avaliar e refletir sobre os rumos da Arqueologia no Brasil e sobre o nosso papel enquanto comunidade científica perante o Estado, o qual, evidentemente, quer nos manter afastados das decisões que afetam diretamente a nossa prática profissional e, por conseguinte, o patrimônio arqueológico.

Só fiquei sabendo da revogação da Portaria Interministerial nº 419/2011 neste texto e para vocês terem uma ideia a anulação da 230 tem como consequência beneficiar mais (ou seria exclusivamente?) as empreiteiras do que a cultura. A população precisa de hidrelétricas sim, de adutoras, metrôs, sistema de esgoto descente, casas comunitárias etc, mas precisam saber também que possuem uma identidade e um passado incrível que deve ser valorizado.

UPDATE – Errata – 06/04/2015

Mensagem enviada pelo o Manuel Rolph Cabeceiras:

Márcia (ou Jamille ou Márcia Jamille, como prefere?) na forma como vc deu a notícia da regulamentação da profissão do arqueólogo há algum equívoco. Não é por ter sido aprovado na CAS do Senado que vai o projeto para a Câmara dos Deputados e depois para sanção da Presidente. Temos de ver no sítio do Congresso o trâmite para saber para onde foi encaminhado o projeto se para outra comissão (duvido) ou plenário do Senado (se já passou por todas comissões). Como o Projeto nasceu no Senado, só após a aprovação em plenário do Senado é que vai para a Câmara dos Deputados e, caso esta faça alterações, deve retornar ao Senado. Da Câmara vai direto à Presidente, apenas se a Câmara não fizer alterações.

Quem quiser acompanhar o andamento do projeto é só seguir por este endereço (não o inclui antes no post porque o link estava quebrado): PLS 1/2014  http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=115983

Conhecendo Campinhos, a casa mais antiga de Umbaúba

Quando eu estava procurando o tal livro com a história de Umbaúba fui até a Casa de Cultura da cidade com um colega de equipe e fomos apresentados ao Diretor de Cultura de Umbaúba, o Edvânio Alves, a gentileza em pessoa, e que nos mostrou fotos antigas de eventos e residências da cidade, contou sobre os aspectos principais da memória oral e se ofereceu para nos levar para a casa mais antiga de Umbaúba que ainda está de pé. Naturalmente ficamos muito felizes e agradecidos pela proposta.

Eu em frente da Casa Grande do antigo Engenho Campinhos; Umbaúba (SE). Foto: Evaney Simões. 2015.

Coincidentemente a outra parte da equipe também recebeu semelhante convite, mas por parte do Secretário de Educação, o Joaquim Francisco Soares Guimarães e acabou que resolvemos ir todos juntos.

Fomos no horário da tarde (pela manhã visitamos o povoado Guararema… Tema para outro post) e a expectativa era enorme, já que era uma antiga casa de engenho, uma das marcas da economia sergipana no século XIX. Quando chegamos estava lá, a residência de Campinhos, em pé, só não saudável. O edifício possui muitos problemas estruturais e a família está fazendo o que pode para manter a memória do local viva.

A presença de vidro nas janelas é um dos sinais da grande distinção econômica desta casa entre os séculos XIX e início do XX.

Infelizmente foi aproveitando essa fragilidade que um dos artefatos históricos guardados no local sofreu um furto (daí tem gente que ainda escreve para mim perguntando como comprar artefatos arqueológicos… Tenha dó! Alguns destes objetos não são furtados somente de sítios, mas também da casa de pessoas indefesas, como é o caso da dona Maria), mas que felizmente foi recuperado pela polícia.

Os cabelos desta imagem são humanos.

Fragmento de faiança fina encontrada na área onde existia o grande salão.

Lá é genuinamente um sítio arqueológico, deste a própria estrutura da casa principal até artefatos encontrados fragmentados no chão. Eu realmente fiquei assombrada com a qualidade da residência, naturalmente ela recebeu algumas intervenções modernas, mas foi interessante esbarrar em alguma coisa ou outra do XIX… Inteira!

Uma das paredes da cozinha.

Uma das paredes da cozinha.

O grande salão do casario não existe mais, ele colapsou na contemporaneidade, assim como a Igreja centenária da propriedade, uma pena… Dela só sobraram ruínas; observamos o local (eu filmei um pouco, verei como mostrarei para vocês) e deu para saber como ocorreu o evento do desmoronamento, só não pudemos ver o que sobrou embaixo, afinal ali é um sítio arqueológico, não iremos sair por aí remexendo em tudo sem permissão.

O que sobrou em pé da Igreja.

Vista das ruínas da Igreja.

Depois sentamos para entrevistar a dona Maria de Lourdes que falou de muitos detalhes de sua infância e até de um eclipse solar em sua juventude. Demos também uma passada pelo terreno e catalogamos o antigo cemitério (que já está desativado há anos) onde identificamos um pedaço de tíbia humana.

Dona Maria de Lourdes.

Foi uma tarde extremamente agradável e todas as pessoas que conheci ficarão na minha memória, mas não somente pela simpatia do Joaquim, a gentileza do Edvânio, a receptividade da dona Maria e do Neuzito,  mas pela jaca que ganhei 😀

Parte da equipe da Contextos Arqueologia que está participando deste trabalho. Foto: Evaney Simões. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Brincando de “Orgulho e Preconceito” e “Downton Abbey”

São felix 3 - 2015

Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

Anunciei na página do Facebook do Arqueologia Egípcia que recentemente estou trabalhando no diagnóstico e prospecção arqueológica da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru (SE) (resumindo: estamos estudando a área e realizando “pequenas escavações” para saber qual o potencial arqueológico do lugar) e durante os trabalhos nós visitamos também lugares históricos da região — Leia aqui o primeiro texto que escrevi acerca no #AEgípcia —.

São felix 2 - 2015

Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

São felix 1 - 2015

Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

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Fazenda São Félix em Santa Luzia. Foto: Evaney Simões. 2015.

Claro que graças ao trabalho, que pega muito tempo e energia, eu estou negligenciando todas as atualizações relacionadas com o Arqueologia Egípcia. Entretanto o Café Neftís foi o que recebeu o maior impacto porque trata de assuntos variados (e a coisa mais “variada” pela a qual passei foi quase ser atropelada por várias vacas), mas como ainda possui um público consideravelmente menor não doeu tanto nas estatísticas.

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Fazenda Campinhos em Umbaúba (município onde estamos sediados). Os cabelos desta santa são feitos com fios humanos. 2015.

Mas apesar de não estar gerando muito material escrito estou fotografando tudo o que posso! Vi muita cena inusitada e em uma determinada situação me senti até a Elizabeth Bennet entrando na casa do Darcy (a casa do antigo engenho Felix é linda e com uma vista muito “uau”!) e também notei que os antigos engenhos usualmente eram tanto um ponto de referência espacial (antigas descrições apontam tais residências como “delimitadores” de territórios e alguns possivelmente formaram atuais povoados… Por isso muita gente ainda hoje comenta sobre eles), centros culturais e locais de acontecimentos sociais importantíssimos (bailes, chegadas de bispos etc), ao estilo de Downton Abbey. Eu andava por algumas destas casas e só pensava “Oh nossa, esta gente tinha muito dinheiro!”.

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Fazenda Antas. Santa Luzia. 2015.

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“Orange is the new black” na Fazenda Castelo, em Santa Luzia. Foto: Fernanda Libório. 2015.

Gravei alguns vídeos, mas como o canal do AE é somente sobre o Egito os carregarei em outro espaço, só preciso pensar onde, mas irá demorar de qualquer forma porque segunda que vem (23/03) já estou pegando a estrada novamente. Aparentemente tempo mesmo só terei depois do dia 03/04, mas enquanto é isso fiquem com essas fotos.

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Cadela com heterocromia que encontramos em Estância.  2015.

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Santuário Santa Luzia. Neste terreno, de acordo com a memória oral, foi realizada em 1575 a primeira missa de Sergipe. 2015.

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Santuário Santa Luzia. Edição: Almir Brito Jr. 2015.

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Embarcações no Rio Piauí, povoado Crasto em Santa Luzia. 2015.

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Crasto. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Em busca do livro perdido: Parte 1*

Como avisei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, neste exato momento estou realizando com a Contextos o diagnóstico, e em breve a prospecção, da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru, sendo os três município do interior de Sergipe. Ao decorrer das pesquisas realizaremos a educação patrimonial e Umbaúba (SE) também será contemplada com a atividade. Outra das nossas propostas nesse município é registrar ao máximo informações históricas da cidade e apresentar para a população a importância da Arqueologia, por isso estamos sediados temporariamente aqui.

Igreja Matriz de Umbaúba. Antes dela neste local existia uma capela dedicada a Nossa Sra. da Guia.

No nosso primeiro dia viramos a novidade do momento (o bom de trabalhar no interior é que no primeiro dia existe um estranhamento, mas no segundo praticamente todo mundo já sabe o que estamos fazendo) e até duas pessoas se aproximaram e puxaram assunto sobre a Arqueologia. Fizemos um reconhecimento do local e batemos papo com os idosos da “Praça é Nossa”, um espaço onde eles se reúnem para conversar.

Um dos entrevistados do primeiro dia.

No segundo dia de trabalho (12/03) dividimos a equipe em dois trios e enquanto um saiu para realizar as entrevistas o outro – onde eu estava – seguiu para a pesquisa em documentos históricos, livros etc. Entretanto, e é necessário deixar isto claro, em cidades do interior e povoados não é incomum que os documentos antigos sejam jogados fora ou enviados para a capital, mas tentamos a sorte mesmo assim e como não sabíamos onde ficava a biblioteca resolvemos ir para a prefeitura para pegar informações acerca.

Entrevistar estes senhores foi uma experiencia maravilhosa… Nem parecia que estávamos trabalhando.

Ao chegar fomos informados que existia somente um livro sobre a história da cidade e que estava justamente na tal biblioteca, para onde fomos encaminhados e muito bem recebidos, entretanto para a nossa surpresa lá não encontramos o referido livro, pelo contrário, ele estava perdido, não sabiam onde ele estava, o que foi um pouco surreal, mas são os percalços da Arqueologia…


*Escrevi este texto no dia 13/03, mas somente hoje foi que notei que o título ficou meio “Indiana Jones”, mas na segunda parte este texto creio que ficará mais obvio que encontrar este livro foi no final uma mini aventura (entretanto sem nativos raivosos, espiões, nazistas etc).

**Todas as fotos que estão neste post são da minha autoria.

Eventos de Arqueologia: fevereiro a abril de 2015

A pesquisa arqueológica na Rodovia SE-100, Pirambu e Pacatuba, Sergipe

Está agendada mais uma palestra online organizada pela Contextos Arqueologia, mas não serei a ministrante, desta vez serão os mestres Fernanda Libório e Luis Felipe, que comentarão sobre a pesquisa de Arqueologia realizada em Pacatuba e Pirambu. Abaixo mais sobre o evento:

“Dessa vez o tema está inserido na temática Arqueologia Brasileira. Iremos apresentar os resultados e discussões obtidos em um projeto de Arqueologia Preventiva realizado pela Contextos Arqueologia em 2014.

Foram identificados 17 sítios no litoral norte sergipano, alguns em ambientes dunares.

Será transmitido um resumo de todas as etapas realizas e interpretações decorrentes. Quem se interessar por Arqueologia da Paisagem, Arqueologia litorânea, geoarqueologia, povoamento do estado de Sergipe e história de Sergipe, não pode perder!!

Acessem o link abaixo e já podem enviar suas perguntas! A transmissão será ao vivo pelo Youtube Live e as perguntas serão respondidas durante a transmissão.

Marquem na agenda: 25/02/2015, às 19:00 (horário de Brasília). Para quem estiver em Aracaju, existem 7 vagas presenciais na sede da Contextos Arqueologia. Venham conhecer como funciona o projeto Contextos Live para ajudar a difundir essa proposta!

Ajudem a divulgar! A participação de todos é muito importante, somente juntos podemos construir uma Arqueologia democrática e responsável.

https://m.youtube.com/watch?v=yNgraJF1s8E


Arqueologia e Antropologia: outros tempos, outros mundos

Já este esvento não trata-se de uma palestra, é um curso presencial que ocorrerá no Rio de Janeiro e será ministrado pelo Dr. Leonarno Carvalho e pela Me. Marina Buffa. Valor: R$150,00
Segue as informações:

“Gostaria de divulgar o curso “Arqueologia e Antropologia: Outros Tempos, Outros Mundos” que vou ministrar nas quintas-feiras de março e abril no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, centro do Rio, com a arqueóloga Marina Buffa. A ideia é conversar com os alunos inscritos apresentando a partir de sete sessões temáticas questões que propõem interseções entre teorias/etnografias antropológicas e arqueológicas. São elas:

05/03 Do Exótico ao Outro do Outro: Diferenças Antropológicas
12/03 O Lixo da História: A Invenção da Arqueologia
19/03 O Estatuto das Coisas: Antropologia, Objetos e Pessoas
26/03 Entre a “Diferonça” e o Estado: Povos Indígenas do/no Brasil
02/04 Memórias do Rio Antigo: Ruínas da Arqueologia Fluminense
09/04 Museus Etnográficos: De Templos Tribais a Fóruns Globais
16/04 Artefatos da Morte: Cosmologias do Egito Antigo

As inscrições já estão abertas e se encerram assim que as 30 vagas forem completadas. Informações e inscrições no e-mail: archeccjf@gmail.com.”


II Segunda Semana de Arqueologia “História e Cultura Material: desafios da contemporaneidade”

“Entre os dias 23 e 28 de Março de 2015, realizar-se-á na Universidade Estadual de Campinas a Segunda Semana de Arqueologia “História e Cultura Material: desafios da contemporaneidade”, promovida pelo Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte, e cuja direção científica e administrativa está a cargo do prof. Pedro Paulo A. Funari. A Segunda Semana passa a contar com comissão científica de renome e com o apoio de órgãos de fomento à pesquisa, como a Fapesp e o Faepex/Unicamp. O evento será uma reunião científica de cinco dias que contará com especialistas do país e algumas personalidades estrangeiras. Nesse evento, os alunos de graduação e pós-graduação, bem como jovens pesquisadores, poderão participar de comunicações, mesas-redondas, mini-cursos e oficinas, quer como ouvintes, quer como palestrantes ou proponentes de posters, estimulando debates, divulgando trabalhos de pesquisa e estabelecendo laços profissionais”.