O coronavírus atrasou a inauguração de um dos maiores museus de antiguidades do mundo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Há mais de uma década a comunidade de arqueologia, em especial a egípcia e a clássica, tem esperado ansiosamente pela abertura do Grande Museu Egípcio, que já possui o título de o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização da antiguidade.  

O museu não está totalmente pronto, mas alguns dos seus laboratórios já estão em funcionamento. Contudo, sua abertura oficial foi cancelada vária vezes e tínhamos a garantia de que ela iria ocorrer agora no final de 2020. Isso, inclusive, foi muito bem salientado pelo arqueólogo Zahi Hawass durante a entrevista que fiz com ele no momento da abertura do museu “Tutankhamon” em Curitiba. 

Entrevistei o arqueólogo Zahi Hawass (Vídeo)

Grande Museu Egípcio. Foto: Getty Imagens

Porém, graças à pandemia da CODVID-19 (coronavírus) a sua inauguração oficial foi mais uma vez cancelada, passado agora para o início de 2021. Atraso necessário, visto que uma das formas de contágio deste vírus é através da aglomeração de pessoas. Uma data ainda não foi definida, uma vez que o governo egípcio está focando em observar alterações no status da pandemia. 

Trabalho de conservação em um dos artefatos da tumba de Tutankhamon. Foto: Getty Imagens
Trabalho de conservação em um dos artefatos da tumba de Tutankhamon. Foto: Getty Imagens

E é uma grata surpresa saber que a arquitetura do museu de antemão já tinha como um dos objetivos justamente evitar aglomerações entre os visitantes. O Dr. Tarek Tawfik, professor associado da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo e o primeiro ex-diretor geral do projeto do Grande Museu Egípcio, em declaração para a Forbes, explicou que a amplitude do museu beneficia o distanciamento social. “Obviamente, a higiene é um grande problema”, explicou Tawfik, “mas com esse espaço, teremos um bom fluxo de visitantes e opções como a capacidade de baixar comentários com códigos QR diretamente no seu dispositivo pessoal em vez de usar o equipamento do museu”. Basicamente o visitante só precisará baixar as informações das peças em exibição diretamente em seu celular, sem a necessidade de tocar em botões ou equipamentos da exposição do museu, evitando assim algum tipo de contágio. 

Vista a partir do museu para uma das pirâmides do Platô de Gizé. Foto: Getty Imagens.

O Grande Museu Egípcio tem vista para as pirâmides do Platô de Gizé e dentro dele os visitantes encontrarão restaurantes, lojas, auditório e áreas recreativas, além das exposições de arqueologia, claro. Vários artefatos de grande valor simbólico e histórico foram transferidos para lá, tais como a maioria dos artefatos relacionados ao faraó Tutankhamon (exceto sua máscara mortuária, que será transferida do Museu do Cairo para o Grande Museu durante uma cerimônia solene) e os 30 ataúdes de madeira encontrados na vila de Al-Assasif (próxima da cidade de Luxor).  

(…) mas com esse espaço, teremos um bom fluxo de visitantes e opções como a capacidade de baixar comentários com códigos QR diretamente no seu dispositivo pessoal em vez de usar o equipamento do museu

Certamente em breve teremos mais novidades.  

Fontes:

You Won’t Have To Wait An Eternity To See King Tut At The Grand Egyptian Museum (GEM). Disponível em < https://www.forbes.com/sites/gretchenkelly/2020/04/26/you-wont-have-to-wait-an-eternity-to-see-king-tut-at-the-grand-egyptian-museum-gem/#7a1333367760 >. Acesso em 23 de maio de 2020.

Pesquisadores estão tentando identificar fragmentos antigos de tinta em uma múmia egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Ao contrário do que possa parecer, pelo fato da antiguidade egípcia ser uma das sociedades antigas mais populares entre os fãs de história, sabemos pouco sobre as pessoas que viveram às margens do Nilo.

Estamos falando de uma civilização que passou por grandes períodos históricos onde mudanças culturais — pequenas, porém relevantes — ocorreram. E que cujos remanescentes, a exemplo de seus mortos, foram privados de sua identidade durante as explorações a tumbas que ocorreram há alguns séculos. Um exemplo foi o que ocorreu com uma múmia que chegou à América no início do século 19.

Atualmente pertencente ao acervo do Art Institute de Chicago, essa múmia foi exibida primeiro no Art Institute e depois no Children’s Museum de Indianápolis dentro de um caixão de madeira, que por sua vez é dedicado a uma mulher chamada Wenuhotep. Entretanto, ao retornar para Chicago em 2007, foi descoberto que o caixão não pertence originalmente a essa múmia, cuja verdadeira identidade se perdeu com o tempo.

Contudo, apesar da ausência do verdadeiro nome dessa pessoa, os arqueólogos responsáveis por sua análise não se intimidaram e descobriram alguns detalhes interessantes sobre esse indivíduo: A primeira descoberta, graças a tomografias recentes[1], é a de que essa pessoa era do sexo masculino. A segunda, foi através da identificação do método de mumificação e o estilo da decoração aplicada em seu invólucro, o que tornou possível saber que essa pessoa viveu durante o Período Ptolomaico (cerca de 332 a 30 aEC), época em que o Egito foi governado por faraós de descendência grega. Já o sarcófago é datado da 26ª Dinastia, ou seja, é cerca de 500 anos mais velho.

Essa múmia chegou à coleção acompanhada de quase uma centena de artefatos faraônicos que foram comprados no Egito em 1892 por Henry H. Getty e Charles L. Hutchinson, os dois primeiros administradores do local. Vale salientar que nos dias de hoje a venda e posse de artefatos arqueológicos é crime em alguns países, a exemplo do Egito e do próprio Brasil.

Em 1941, ela foi emprestada ao Oriental Institute da Universidade de Chicago. De lá, viajou para Indianápolis, para o Children’s Museum, em 1959, onde permaneceu em exibição até 2007.

Agora a múmia está passando por uma série de estudos para se conhecer mais acerca deste homem e procurar meios que possibilitem a conservação das pinturas que decoram os objetos que foram encontrados juntos ao corpo: uma máscara funerária, uma cobertura para os pés e dois painéis — os quais um cobria seu tronco e o outro as pernas —. Ambos os painéis foram decorados com cenas funerárias e imagens de divindades. Esses artefatos são feitos com cartonagem, que basicamente é um material feito com tecido de linho coberto com finas camadas de gesso.

O estado da múmia foi documentado cuidadosamente antes que a equipe pudesse iniciar o tratamento nas pinturas, que passaram por uma análise de Luminescência Induzida Visível (VIL). Essa técnica não invasiva (ou seja, que não prejudica a múmia ou qualquer outro tipo de artefato onde ela for aplicada) foi desenvolvida pelo cientista de imagem do Art Institute, Giovanni Verri. Através dela uma câmera digital com um sensor modificado para detectar radiação infravermelha pode determinar se o azul egípcio (um tipo de pigmento artificial criado pelos egípcios antigos para substituir a cor do lápis-lazúli) está presente. O VIL é uma ferramenta útil até mesmo quando apenas alguns grãos minúsculos de tintura sobreviveram ao passar do tempo ou se o pigmento não aparenta mais ser azul devido à descoloração.

Outro ponto importante dessa pesquisa foi a tentativa de remoção da sujeira que estava cobrindo a superfície da múmia e seus artefatos. Mas, como muitos tratamentos de conservação de artefatos arqueológicos, isso está provando ser mais fácil dizer do que fazer. Os conservadores realizaram testes em com vários solventes em um local discreto de uma das cartonagens para saber até onde ia sua capacidade de remover a sujeira sem afetar a tinta. O resultado foi desanimador: as soluções aquosas de fato removem a sujeira, mas também afetam a tinta, que é altamente sensível à água.

Os trabalhos ainda não estão finalizados e a equipe de conservação do museu espera trazer em um futuro não tão distante mais novidades sobre essa pesquisa.

Fontes:

Wenuhotep: Mystery Mummy. Disponível em < https://www.artic.edu/articles/451/wenuhotep-mystery-mummy >. Acesso em 19 de maio de 2020.

Solving a Mummy Mystery. Disponível em < https://www.artic.edu/articles/459/solving-a-mummy-mystery >. Acesso em 19 de maio de 2020.

The Secrets of a Mummy Emerge. Disponível em < https://www.artic.edu/articles/819/the-secrets-of-a-mummy-emerge >. Acesso em 19 de maio de 2020.


[1] Em 1988, enquanto estava emprestada ao Children’s Museum de Indianápolis a múmia passou por uma tomografia, cujo resultado foi inconclusivo. Retornou para Chicago em 2007, onde os dados coletados em 1988 foram reexaminados pela egiptóloga Dra. Emily Teeter, do Oriental Institute da Universidade de Chicago. Ela descobriu que a múmia não era a verdadeira dona do sarcófago, assim como que também trata-se de um homem.  

De acordo com jornais, Museu Egípcio do Cairo reabrirá, porém sob rigorosas medidas anti-coronavírus

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Devido à pandemia da COVID19 (coronavírus), muitos museus ao redor do planeta têm fechado suas portas e disponibilizado passeios virtuais. Um dos países que têm adotado essa medida foi o Egito, que criou passeios virtuais de uma série de sítios e edifícios arqueológicos e atrasou a inauguração do Grande Museu Egípcio. Localizado no platô de Gizé, sua abertura oficial estava prevista para o final desse ano de 2020.

Contudo, uma notícia recente está apontando que o diretor do Museu Egípcio do Cairo teria revelado no último domingo, dia 10 de maio, que museu será reaberto aos visitantes. Porém, aplicando rigorosas medidas contra a COVID19.

The Cairo Egyptian Museum
Museu Egípcio. Foto: Planes and Places (https://flic.kr/p/8dRfKL)

O Museu Egípcio ainda não se pronunciou em suas redes sociais, entretanto, alguns veículos da mídia egípcia têm veiculado o assunto. De acordo com os portais Zawya e o Daily Newss Egypt, por exemplo, parte da famosa coleção do museu será exibida nas quatro salas que outrora abrigavam as 22 múmias reais. Múmias essas que já foram transferidas antes da pandemia para o Museu Nacional da Civilização Egípcia em Fustat.

E é importante mencionar que os visitantes não poderão ver parte dos artefatos arqueológicos que foram retirados da tumba do faraó Tutankhamon. Eles já foram transferidos para o Grande Museu Egípcio.

Rosto de um dos sarcófagos do Faraó Tutankhamon. Foto pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

Vale salientar que o museu têm se preparado para o translado dos artefatos de Tutankhamon há mais de dois anos. Aqui no site noticiei em 2018 que eles já sabiam quais artefatos iriam substituí-lo na exposição e em 2019 o museu passou por reformas importantes.

Também foi acrescentado que atualmente está sendo preparanda uma proposta para registrar o Museu Egípcio como Patrimônio Mundial da UNESCO, uma vez que é um dos mais antigos museus do oriente. Também é salientado que novas placas com explicações sobre as exposições serão feitas visando mostrar os locais e as datas das descobertas dos artefatos arqueológicos que estarão disponíveis para visitação.

Permaneceremos no aguardo de um pronunciamento para imprensa internacional por parte do Ministério das Antiguidades e Turismo do Egito.

Fontes:

Egyptian Museum to re-open visitors under strict anti-coronavirus measures. Disponível em < https://wwww.dailynewssegypt.com/2020/05/10/egyptian-museum-to-re-open-visitors-under-strict-anti-coronavirus-measures/ >. Acesso em 13 de maio de 2020.

Egyptian Museum to re-open visitors under strict anti-coronavirus measures. Disponível em < https://www.zawya.com/mena/en/life/story/Egyptian_Museum_to_reopen_visitors_under_strict_anticoronavirus_measures-SNG_174221588/ >. Acesso em 13 de maio de 2020.

Arqueólogos espanhóis encontram múmia de adolescente enterrada há 3.600 anos no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi anunciada recentemente* que em Dra Abu el Naga (antiga Tebas, atual Luxor), ocorreu a descoberta de um ataúde de madeira que contém em seu interior o corpo mumificado de uma garota.

Foto: José Manuel Galán

A menina, que possuía cerca de 1,59 metros de altura, tinha entre 15 e 16 anos antes de falecer. A descoberta foi realizada pelo Proyecto Djehuty, uma equipe composta por arqueólogos espanhóis e que realiza escavações no Egito há anos.

A moça viveu em algum momento da 17ª Dinastia, Segundo Período Intermediário, um momento em que o Egito passava por uma guerra civil, onde os egípcios tentavam expulsar do país uma dinastia estrangeira, os hicsos.

O seu sepultamento é modesto, mas mostra algumas das posses que ela possuía em vida: seu ataúde é feito de madeira de sicômoro — esculpido em um único tronco — , e a sua múmia, como apontam os raio-x, está vestida com um par de brincos (ambos no lóbulo da orelha esquerda), dois anéis e quatro colares os quais não estavam em volta do seu pescoço, mas amontoados entre as bandagens de linho. Isso nos leva a acreditar que a pessoa (ou as pessoas) que pagou por seu sepultamento queria garantir que ela tivesse em sua pós-vida alguns dos seus bens mais queridos, ou mais valiosos.

Foto: Proyecto Djehuty

O seu sepultamento estava a poucos metros da capela dedicada a um homem chamado Djehuty, que foi supervisor do Tesouro e Artesanato da faraó Hatshepsut (18º Dinastia).

Mulheres Faraós e o Egito Antigo

Para a arqueologia essa é uma descoberta especial, porque poderá nos trazer algumas informações relevantes. Mas aparentemente para os saqueadores de tumbas do passado esse sarcófago nem valia o esforço, já que ele simplesmente foi ignorado quando o local foi invadido e saqueado.

Na necrópole onde a múmia foi encontrada, também tinham sido enterrados três reis da 17ª dinastia, alguns membros de suas famílias e cortesãos. Mas, o detalhe adicional sobre esse cemitério é preocupante. De acordo com o coordenador das pesquisas, José Manuel Galán, “No local, uma dúzia de caixões foram encontrados deixados no chão sem proteção, o que é incomum, e a porcentagem de enterros de crianças e mulheres também é maior do que em outras partes da necrópole”.

Essa mesma equipe de Galán também realizou outras descobertas arqueológicas interessantes, como a de dois túmulos do Segundo Período Intermediário e a de um pequeno jardim funerário. Ambas essas notícias foram veiculadas aqui no Arqueologia Egípcia.

Fontes da notícia:

Arqueólogos españoles hallan en Luxor la momia de una joven enterrada hace 3.600 años con un valioso ajuar. Disponível em < https://www.heraldo.es/noticias/ocio-y-cultura/2020/04/24/arqueologos-espanoles-hallan-en-luxor-la-momia-de-una-joven-enterrada-hace-3-600-anos-con-un-valioso-ajuar-1371442.html >. Acesso em 25 de abril de 2020.

La momia de la chica del ataúd de sicomoro. Disponível em < https://elpais.com/cultura/2020-04-24/la-momia-de-la-chica-del-ataud-de-sicomoro.html >. Acesso em 25 de abril de 2020.


*A notícia foi lançada há alguns dias, mas a descoberta foi realizada entre janeiro e fevereiro.

Como está a Arqueologia no Egito durante a quarentena

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Parte da economia do Egito gira em torno do turismo, mais especificamente do turismo arqueológico. Contudo, assim como muitos outros países, o Egito está obedecendo a quarentena sugerida para evitar a propagação do COVID-19 (coronavírus).

Assim sendo, alguns cidadãos e órgãos governamentais têm feito campanhas se utilizando da arqueologia realizada no país para pedir que as pessoas fiquem em casa. Um exemplo é esta campanha com a imagem de Rahotep e Nofret, um casal que viveu durante o Antigo Reino.

Outro exemplo é essa mensagem ao lado da face do faraó Tutankhamon elaborada pelo Ministério das Antiguidades e Turismo: “Por milhares de anos eu vi tudo, e aprendi que o sol sempre brilha após a tempestade. #FiqueEmCasa #FiqueSalvo”.

E só a título de curiosidade: sabemos que durante o reinado do faraó Tutankhamon ocorreu uma epidemia na região da Crescente Fértil. Infelizmente não temos muitos detalhes.

Desde o início da pandemia o Ministério das Antiguidades tem usado as pirâmides do platô de Gizé para enviar mensagens de apoio aos egípcios e pedindo que as pessoas fiquem em casa.

“Fique em Casa”

Paralelamente hotéis e áreas arqueológicas (ambos permanecem fechados, mas algumas equipes de arqueologia ainda estão trabalhando no país) estão sendo esterilizados por uma equipe especializada e de acordo com os padrões internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e com materiais certificados pelo Ministério da Saúde. 

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na tumba da rainha Nefertari (Vale das Rainhas)

E está sendo uma exigência os pagamentos aos trabalhadores da área de turismo que estão em quarentena. Inclusive o Ministério cancelou recentemente as licenças de dois hotéis nas cidades de Hurghada e Sharm al-Sheikh, porque o primeiro não tinha pago as dívidas dos trabalhadores e o segundo tinha demitido alguns trabalhadores.

Fonte das notícias e fotos: Comunicado de Imprensa do Ministério das Antiguidades. 

Poço com mais de 300 artefatos dos tempos dos faraós é encontrado no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Como foi anunciado em um post anterior, algumas escavações arqueológicas continuam a ocorrer no Egito (mas com os trabalhadores a distâncias seguras, segundo o Ministério das Antiguidades) assim como algumas descobertas. Uma das mais recentes foi a de um poço contendo mais de 300 artefatos de cunho funerário em Saqqara.

A entrada do poço onde os artefatos foram encontrados.

Saqqara é uma região extremamente importante para a Arqueologia porque é um dos lugares mais antigos do Egito ocupados durante a era dos faraós. Foi lá onde a primeira pirâmide do país, a Pirâmide de Djoser, foi construída.

O poço descoberto tem de 120 x 90 centímetros e 11 metros de profundidade e dentre os objetos encontrados estavam:

  • Cinco sarcófagos de pedra selados;
  • Quatro caixões de madeira com enterros humanos em seu interior;
  • Um caixão maciço de madeira antropoide, com hieróglifos escritos em pigmento amarelo;
  • 365 ushabtis (estatuetas funerárias) feitas em faiança;
  • Um pequeno obelisco de madeira com cerca de 40 cm de altura, cujo todos os quatro lados exibem cenas pintadas representando algumas divindades;
  • E vasos canópicos em formato cilíndrico (assista ao vídeo para entender o que eles são).
Na parte inferior é possível ver vasos canópicos. Assista ao vídeo “O que são vasos canópicos” para saber mais sobre eles. — https://youtu.be/1zKSl44LA6Q

Mais de 360 ushabtis foram encontrados.

Alguns dos artefatos já foram removidos do poço para passar por restauros antes de serem guardados nos armazéns do Ministério, que também explicou em seu comunicado que os trabalhos não terminaram ainda. A datação exata dos artefatos não foi anunciada.

Fontes das fotografias (no link tem mais):

Egypt’s Antiquities Ministry Announces New Discovery In Saqqara. Disponível em < https://archaeologynewsnetwork.blogspot.com/2020/04/egypts-antiquities-ministry-announces.html >. Acesso em 23 de abril de 2020.

Arqueólogos descobrem “área oculta” em templo do faraó Ramsés II em Abidos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Atualmente o Egito está se resguardando por conta da pandemia causada pelo Coronavírus, embora algumas escavações arqueológicas continuem ocorrendo no país, com os trabalhadores “em uma distância segura”, de acordo com o Ministério das Antiguidades. Assim sendo, algumas descobertas continuam a ser anunciadas, uma delas foi a realizada por uma missão de arqueologia da Universidade de Nova York [1][2].

Templo de Ramsés II em Abidos. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Os arqueólogos da missão encontraram alguns restos de artefatos dentro de depósitos construídos na fundação do templo de Ramsés II (19º Dinastia; Novo Império) em Abidos, a noroeste do templo de seu pai, Seti I. Esses depósitos foram enterrados intencionalmente há mais de 3.000 anos, durante as cerimônias de construção do templo [1][2].

A ideia era justamente que esse espaço ficasse oculto pelo resto da existência do edifício. É importante citar que esta equipe já tinha anunciado a descoberta de um palácio de Ramsés II bem ao lado desse mesmo templo, em março do ano passado [3].

Templo de Ramsés II em Abidos.

Os materiais encontrados incluem ofertas de alimentos, placas com o nome do trono de Ramsés II pintado em azul ou verde, pequenos modelos de ferramentas de construção em cobre, vasos de cerâmica com inscrições hieráticas e pedras de amolar de quartzito em formato oval.

Artefatos encontrados no depósito escondido no templo de Ramsés II.

A missão também descobriu dez grandes armazéns de tijolos de barro anexados ao palácio do templo, originalmente cobertos com tetos abobadados. Esse tipo de estrutura era utilizada como celeiros. Veja um exemplo de como eles são abaixo:

Celeiros da época de Ramsés II. Esses da foto estão no Ramesseum.

Porém, existe mais uma informação importante aqui: As inscrições nos materiais de construção apontam que o templo foi construído durante o período de reinado de Ramsés II, e não do seu pai, como muitos egiptólogos acreditam.

Outras descobertas notáveis foram a de doze cabeças e ossos de touros provenientes de sacrifícios. Eles foram datados como pertencentes ao Período Ptolomaico e estavam dentro de nichos cortados nas paredes dos depósitos. O uso deste templo durante o Período Ptolomaico, ou seja, séculos após a morte de Ramsés II, aponta que o edifício ainda era considerado como um lugar sagrado. É importante mencionar que Abidos, durante a antiguidade, foi considerada a cidade onde o deus Osíris teria sido sepultado.

Veja também:

Fontes:

[1] New discovery of foundation deposits and the storerooms of Ramses II’s temple in Abydos. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/84453/New-discovery-of-foundation-deposits-and-the-storerooms-of-Ramses >. Acesso em 08 de abril de 2020.

[2] Egypt unearths construction material, warehouses of Ramesses II temple. Disponível em < https://africa.cgtn.com/2020/04/08/egypt-unearths-construction-material-warehouses-of-ramesses-ii-temple/ >. Acesso em 08 de abril de 2020.

[3] Ancient Egypt: archaeologists discover hidden palace marked with symbols of ramesses the great. Disponível em < https://www.newsweek.com/ancient-egypt-palace-ramesses-ii-archaeology-1378627 >. Acesso em 19 de abril de 2020.

Quer saber mais sobre esse templo?

The Cenotaph Temple of Ramesses II at Abydos: http://www.touregypt.net/featurestories/ramessesiiabydos.htm

Ainda vale a pena estudar Arqueologia? | #MulherADA TEC

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Por quase 300 anos arqueólogos têm escavado lugares antigos em busca da história da humanidade. Como consequência, sempre vemos revistas, sites e documentários anunciando descobertas incríveis, o que leva as pessoas a me questionar o seguinte: ainda existem descobertas sensacionais para ser feitas?

Paralelamente, em um mundo cada vez mais digital muitos se questionam se ainda existe espaço para escavações arqueológicas no futuro, afinal, está tudo documentado nas redes-sociais. 

Para responder a ambas estas questões irei para Campinas (SP) onde participarei do encontro MulherADA TEC. Este é um evento de tecnologia que está sendo organizado pela agência NuminaLabs, com o patrocínio do iFood, Instituto Serrapilheira e com o apoio do Instituto Pavão Cultural e Chopp Com Ciência. 

Este evento é para entusiastas da ciência, então, venha sem medo! O ingresso custa R$30,00 e eles são limitados

Que conhecer todas as palestrantes do MulherADA TEC? Segue:

Ana Carolina da Hora (Computação Da Hora) –  “Pensamento Computacional como estratégia da cidadania digital”.

Virgínia Fernandes e Camila Laranjeira (Peixe Babel) – “O que competições tec podem te ensinar?”

Rita WU – “Inteligências tecnológicas: abordagens criativas para um futuro menos distópico”.

Márcia Jamille (Arqueologia Egípcia) – “O Futuro pertence à Arqueologia?”.

Sandra Ávila – “Inteligência artificial tornando a medicina mais humana”.

Local: 

Instituto Pavão Cultural; 

Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708;

Cidade Universitária, Campinas

Fone (19) 3397-0040

Ingressos: R$ 30,00 (lugares limitados)

Compre aqui: https://www.sympla.com.br/encontro-mulherada-tec__791827

Realização: NuminaLabs

Patrocinadores: Instituto Serrapilheira / iFood

Apoio: Instituto Pavão Cultural

Menção ao faraó Ramsés II é encontrada em templo em Israel

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um templo cananeu com cerca de 3.200 anos foi descoberto onde outrora se encontrou a cidade bíblica de Laquis, que durante a antiguidade passou alguns tempos sob o domínio do império egípcio. A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos liderada pelo professor Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e pelo professor Michael Hasel, da Universidade Adventista do Sul, no Tennessee.

Equipe de arqueologia trabalhando no local

E uma das coisas que mais chamou a atenção nesta pesquisa foi o descobrimento de caldeirões de bronze, punhais, cabeças de machados, escaravelhos e uma garrafa banhada a ouro com o nome do faraó Ramsés II, que viveu durante o Novo Império, 19ª Dinastia. 

Fundo dos escaravelhos egípcios encontrados

Eles também descobriram um amuleto aparentemente inspirado na deusa Hathor, divindade egípcia do amor, festas e alegria. “Aparentemente” porque na imagem o que vemos é uma figura feminina nua com o típico cabelo em arco da deusa.

Suposta imagem da deusa Hathor

Agora, o que tem a ver o Egito com Israel? Por que o nome de Ramsés II foi encontrado neste templo em Laquis? 

Laquis é uma antiga cidade que se encontra no centro de Israel. Surgida por volta de 1800 a. E. C., cerca de 400 anos mais tarde foi atacada e destruída pelo faraó Tutmés III (Novo Império, 18ª Dinastia). Décadas depois, durante o Período Amarniano (Novo Império, 18ª Dinastia), o governo de Laquis troca correspondências com o governo egípcio através das atualmente chamadas “Cartas de Amarna”. E o link entre os dois países continua a existir durante o governo de Ramsés II. 

Fonte: 

Ancient Canaanite Temple With Statues of Baal Found in Southern Israel. Disponível em < https://www.haaretz.com/archaeology/.premium.MAGAZINE-ancient-canaanite-temple-with-statues-of-baal-and-standing-stones-found-at-lachish-1.8551716 >. Acesso em 18 de fevereiro de 2020. 

83 sepulturas com cerca de 5 mil anos foram encontradas no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão de pesquisa do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, anunciou esta semana a descoberta de oitenta e três sepulturas durante escavações arqueológicas na província de Daqahliya, que fica a cerca de 70 km da antiga cidade de Buto, atual Tell el-Fara’in. 

Daqahliya está situada no Delta do Nilo, que graças às suas grandes áreas cultiváveis é uma região povoada já desde o Período Pré-Dinástico — época anterior à unificação do Alto e Baixo Egito —. E é justamente desta época que são datadas essas covas recém-abertas. 

Um detalhe muito intrigante é que quando os arqueólogos iniciaram a limpeza do local perceberam que, pela posição de alguns ossos, aparentemente os mortos tinham sido enterrados de cócoras, em vez da posição clássica deitada. Juntamente com os ossos estavam objetos funerários, incluindo conchas de ostras.

Outra descoberta notável foram a de dois caixões feitos com argila, algo extremamente raro nesta região e período. Outro detalhe é que em três dos sepultamentos foram encontradas duas tigelas contendo kohl, um cosmético egípcio utilizado para fazer o clássico delineado negro ao redor dos olhos.

Passado e Presente: Tubo para guardar kohl

Esta pesquisa é extremamente importante porque a área do delta do Nilo, por conta da presença de vários braços de rios e consequentemente a umidade, costuma ser menos propícia para a conservação de artefatos tão antigos. Então, o descobrimento de 83 sepulturas nos dará detalhes sobre como era a vida nesta região, o que as pessoas comiam nesta época, doenças, taxas de mortalidade e ascendência. 

Fontes:

83 ancient graves discovered in Egypt’s Nile Delta. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/363414/Heritage/Ancient-Egypt/-ancient-graves-discovered-in-Egypts-Nile-Delta-.aspx >. Acesso em 12 de fevereiro de 2020. 

83 ancient graves discovered in Egypt’s Daqahliya Governorate. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/83-ancient-graves-discovered-in-egypts-daqahliya-governorate/ >. Acesso em 13 de fevereiro de 2020.