464 artefatos arqueológicos egípcios foram recuperados pela polícia

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 09/11 foi divulgada a notícia de que a Polícia de Turismo e de Antiguidades da cidade de Fayum (Egito) conseguiu frustar a ação de bandidos que tinham em sua posse centenas de artefatos arqueológicos. A ideia dos ladrões era contrabandear os objetos para comerciantes de antiguidades no exterior.

Durante a ação policial foram recuperados 464 artefatos que somam mais de trezentos ushabtis, 12 estatuetas, faces de madeira, potes cerâmicos e 66 fragmentos de ataúdes.

Não foi esclarecido a qual período histórico essas peças pertencem.

Fonte: 

464 historical artifacts seized by police in Fayoum. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/31709/464-historical-artifacts-seized-by-police-in-Fayoum >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

 

Sítios arqueológicos e a arte dos turistas sem noção

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Semana passada algumas fotos turísticas foram publicadas pelo o usuário do Facebook د. محمد قاسم em um grupo de discussões sobre o antigo Egito. A problemática de tais fotografias é que nelas são mostradas pessoas aproveitando a sua visita ao país para fazer poses que consideraram “legais” com artefatos arqueológicos, tocando-os (ignorando as faixas de contenção) e até mesmo subindo neles.

No referido grupo a atitude dessas pessoas foi criticada porque elas não estariam respeitando o teor sagrado de tais peças. Eu acho essa uma justificativa lúdica, mas não dou razão de forma alguma para essas turistas e muito menos tiro a responsabilidade do governo egípcio em vários aspectos como de segurança nas áreas históricas para evitar atos de vandalismo e a ausência de projetos de “educação patrimonial” efetivos. — Clique aqui e leia mais sobre Sítios arqueológicos em perigo.

As mensagens passadas pela a organização turística no Egito são dúbias, por exemplo, em Gizé é permitido aos visitantes subirem alguns degraus da Grande Pirâmide (mas são proibidos subir todo o edifício por motivos de segurança). Em uma pequena escala não existe risco para a estrutura, mas como explicar aos visitantes mais desavisados que não podem fazer a mesma coisa em outros lugares?

Muitos turistas só querem conhecer uma cultura nova, realizar o sonho de conhecer o Egito, mas é inegável que existem aqueles com a “síndrome do aventureiro”, inspirados por filmes como Indiana Jones e Tomb Raider. Por outro lado também temos as relações de poder que vem de meados do século XVIII e foram se desenvolvendo, como podemos observar várias e várias vezes nos registros fotográficos históricos e até mesmo em ilustrações, onde temos o turista ou o explorador mostrando sua superioridade ou simplesmente sua insensibilidade apoiando os pés sobre um artefato arqueológico.

Rememoremos o caso da estátua centenária do filólogo francês Jean-François Champollion (1790 — 1832), que está em exibição no Collège de France, em Paris. Embora esteja no local desde 1878, a imagem causou em 2013 grande comoção entre alguns egípcios e em especial no Ministério de Antiguidades porque o pesquisador foi retratado pisando na cabeça de uma imagem faraônica. Esta representação foi vista como um ataque à dignidade e a reputação do patrimônio cultural e arqueológico do Egito [1].

Fonte: commons.wikimedia.org

Fonte: French Post-Colonial Arrogance prompts Cultural Row with Egypt

Queixar-se sobre esse tipo de representação não é exagero; essa atitude de pisar ou subir em artefatos arqueológicos foi por muitos anos utilizada como um discurso que vendia a imagem de um poder cultural e/ou econômico de uma classe diletante que se considerava superior em relação ao Egito, além de uma falsa ideia de posse. Esse último creio que é o caso dessas turistas

Update 22 de agosto de 2015 – Mensagem enviada por Juliana Paraizo, via Facebook:

Estive no Egito em julho e é exatamente isso o que acontece, infelizmente os próprios funcionários que trabalham nos templos, sarcófagos e pirâmides autorizam e ate incentivam esse tipo de atitude em troca de dinheiro, os poucos policiais que ali trabalham tentam conter esse assedio por parte dos funcionários, porem o numero de policiais e pequeno. O problema e que esse tipo de turista não tem a real noção da importância desses monumentos.


‘Derogatory’ Champollion statue in Paris angers Egyptians. Acesso em 18 de agosto de 2015. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/65660/Heritage/Ancient-Egypt/De%20rogatory-Champollion-statue-in-Paris-angers-Egyp.aspx>.

Sítio arqueológico em Alexandria é destruído e vendido para construtora

Por Márcia Jamille | Instagram | Twitter

De acordo com o Egypt’s Heritage Task Force um sítio arqueológico helenístico do distrito de Shizar, em Alexandria, foi demolido pelo proprietário do local porque ele queria vendê-lo para uma empresa de construção. O mais chocante é que de acordo com a denúncia a venda do sítio foi aprovada pelo próprio Ministério das Antiguidades porque, de acordo com o diretor de antiguidades de Alexandria, o local ameaçava a estabilidade arquitetônica de edifícios das proximidades. Abaixo fotos do sítio anteriormente:

E atualmente:

Fotos disponibilizadas pelo Egypt’s Heritage Task Force.

Guindaste se choca em antiga tumba egípcia

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Na segunda-feira, 9 de fevereiro (2015), uma antiga tumba no Sul do Egito, datada da dinastia dos Fatímidas (que governou o Egito entre 909 até 1171), foi parcialmente destruída quando um guindaste se chocou contra a cúpula do edifício, anunciou autoridades na última terça-feira,10 de fevereiro (2015).

Foto: AFP. 2015.

O acidente ocorreu quando operários manobravam o guindaste para mover grandes blocos de pedra para a cidade de Aswan, onde uma exposição internacional para esculturas está sendo realizada.

“O guindaste que transportava pesados blocos de pedra bateu na cúpula e a danificou severamente”, disse através de um comunicado um representante do Ministério das Antiguidades do Egito.

Ainda de acordo com ele conservadores alemães que trabalham na manutenção desse tipo de estrutura em Aswan foram chamados para ajudar no restauro do mausoléu.

Fonte:
Crane crashes into ancient tomb in Egypt. Disponível em < http://english.alarabiya.net/en/life-style/art-and-culture/2015/02/10/Crane-crashes-into-ancient-tomb-in-Egypt-.html >. Acesso em 10 de fevereiro de 2015.

Múmias em seus sarcófagos são encontradas flutuando em esgoto no Egito

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

De acordo com o “The Daily News Egypt” três ataúdes datados do período greco-romano foram encontrados flutuando no canal Nasseriya, no povoado de Auda Basha, próximo da cidade de Minya. Para o ministro das antiguidades do Egito, Youssef Khalifa, as múmias foram descobertas provavelmente durante uma escavação ilegal realizada por caçadores de tesouros. O abandono poderia ter sido resultado de descarte por parte dos próprios ladrões, que tentaram se livrar dos furtos provavelmente por medo de serem descobertos pela polícia.

Foto via Monica Hanna. 2015.

Assaltantes de sítios arqueológicos só realizam este tipo de atividade porque possuem compradores, seja um turista qualquer nas ruas do Egito, algum museu mal intencionado ou (e principalmente) pessoas influentes financeiramente.

Os objetos são feitos totalmente em madeira e mantêm parte da sua coloração original. Infelizmente nenhum deles contém textos hieroglíficos, mas dentro de dois foram encontradas múmias envoltas em linho, o terceiro estava vazio.

AFP

Os ataúdes estão em um péssimo estado de conservação, possivelmente devido ao seu contato com o esgoto e agora estão passando por um processo de restauro. Após essa intervenção os sarcófagos e suas respectivas múmias serão enviados para o Minya’s Hermopolis Museum.

Fonte:
Holy sh*t! Mummies float in Egyptian sewage! Disponível em < http://www.greenprophet.com/2015/02/holy-sht-mummies-float-in-egyptian-sewage/ >. Acesso em 09 de fevereiro de 2015.
Múmias são encontradas no esgoto no Egito. Disponível em < http://noticias.terra.com.br/mundo/africa/mumias-sao-encontradas-no-esgoto-no-egito,a727ef9a7296b410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html >. Acesso em 09 de fevereiro de 2015.
Aparecen flotando en un canal de Minya (Egipto) tres sarcófagos de época greco-romana. Disponível em < http://terraeantiqvae.com/profiles/blogs/aparecen-flotando-en-un-canal-de-minya-egipto-tres-sarcofagos-de-#.VNkaDvnF8_b >. Acesso em 09 de fevereiro de 2015.
New mummies discovered floating in sewage in Upper Egypt. Disponível em < http://www.dailynewsegypt.com/2015/02/03/new-mummies-discovered-floating-sewage-upper-egypt/ >. Acesso em 09 de fevereiro de 2015.
Múmias são encontradas no esgoto no Egito. Disponível em < http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/02/mumias-sao-encontradas-no-esgoto-no-egito.html >. Acesso em 09 de fevereiro de 2015.

Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias comentei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook que esta semana foi realizada uma denuncia sobre a possibilidade de terem posto cola epóxi (um tipo de super cola) na máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que o Ministério de Antiguidades negou estar ciente, mas que segundo as fontes da denuncia eles já sabiam há meses.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Máscara mortuária de Tutankhamon antes da intervenção de 2014. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015.

De acordo com os denunciantes, restauradores que preferem permanecer anônimos, durante a manutenção do expositor da peça a barba da máscara mortuária soltou e foi colada de volta em seu lugar com um material inadequado, uma super cola. Ainda nas palavras deles a ordem de intervenção na peça partiu de superiores.

Caso esses eventos sejam reais o incidente é trágico por tais motivos:

O uso de um material inadequado para o restauro, a cola epóxi, já que uma das regras mais básicas do restauro é que sejam utilizados materiais de fácil remoção e que não comprometa a integridade da peça. O que não é o caso da epóxi.

As pessoas que manipularam o artefato para por a barba no lugar, de acordo com as denuncias tentaram suavizar a aparência da cola lixando a área e assim teriam arranhado o queixo da imagem.

A ignorância em acreditar que a peça estava quebrada ao ponto de colar o objeto no lugar, visto que a barba é um item que já foi removido na década de 1920, como aponta os registros fotográficos. Porém, caso esse fato já fosse conhecido no momento da intervenção, então a ordem partiu da má fé.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em Acesso em 26 de setembro de 2011.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Visita do rei Farouk I ao Museu Egípcio do Cairo em 1949. Nesta época a barba ainda era exposta separada. Disponível em < https://www.flickr.com/photos/kelisli/8511041153/in/photostream/ >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Barba e colar de Tutankhamon separados da máscara mortuária. Arquivo Griffith Institute. Disponível em < http://www.griffith.ox.ac.uk/php/am-makepage1.php?&db=burton&view=gall&burt&card&desc=mask&strt=1&what=Search&cpos=15&s1=imagename&s2=cardnumber&s3&dno=25 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

A ausência de sensibilidade daqueles que deram a ordem para colar a peça. Isso pode ser um reflexo de um dos grandes problemas do turismo arqueológico, que é quando o artefato deixa de ser um registro para a ciência e passa a ser um bem de consumo. Quantas vezes vocês já não ouviram ou leram semelhante frase “A tumba de Tutankhamon é tão pequena e sem graça que não valeu o dinheiro que paguei”?

Com a polêmica, no sábado, 24 de janeiro de 2015, ocorreu no Museu Egípcio do Cairo uma conferência para a imprensa onde foi apresentada a questão da intervenção com a super cola na máscara mortuária. O conservador alemão, Christian Eckmann, especialista em conservação de materiais arqueológicos feitos de vidro e metal, analisou na manhã daquele mesmo sábado a máscara para saber que tipo de aderente de fato foi utilizado e garantiu durante a reunião que mesmo sem saber especificamente qual o tipo da super cola o material utilizado neste caso está de acordo com as normas internacionais de restauro, ou seja, seu uso é reversível, porém ainda não é possível relatar se o objeto sofreu algum dano, a exemplo dos arranhões; no caso deles será realizada uma investigação para saber se são antigos ou se foram feitos no momento em que colocaram a cola.

Eckmann ainda esclareceu que a cola anterior, que foi colocada no objeto em 1941 (caso a visita do rei Farouk I tenha sido mesmo em 1949 então existe um equivoco nessa afirmação) para fixar barba, pode ter simplesmente se deteriorado e que por isso o item teria caído.

Durante o evento o Ministério das Antiguidades e os coordenadores do Museu Egípcio do Cairo pediram desculpas pelo o ocorrido e ao final os representantes de ambos pediram ponderação à imprensa ao relatar o acontecimento e que as pessoas parem com as especulações agressivas.

Entretanto, essa questão parece ir mais além. Jackie Rodriguez, uma turista que visitou o Museu Egípcio em 12 de agosto de 2014, forneceu para a agência de notícias AP uma fotografia de dois homens que estão a executar os trabalhos de reparo no artefato, enquanto a galeria estava aberta. “Todo o trabalho parecia palhaçada”, disse ela que complementou “Foi desconcertante porque o procedimento ocorreu em frente a uma grande multidão e, aparentemente, sem as ferramentas adequadas”.

Registro fotográfico realizado pela turista Jacqueline Rodriguez em 2014. Foto: AP.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, também realizou denuncias: através do seu Twitter comentou que cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 eles foram demitidos.

Horas após a reunião entrei em contato com a Hanna para saber se os ativistas egípcios do Egypt’s Heritage Task ainda têm planos de denunciar o Museu Egípcio para o Ministério Público e ela respondeu que sim, eles irão seguir em frente com a denúncia.

Composta por incrustações de vidro e pedras semipreciosas, a máscara mortuária de Tutankhamon é um objeto feito em ouro maciço martelado e somente a barba pesa cerca de 2 quilos. Ela foi vista pela primeira vez por olhos modernos em 1926 — quatro anos após a descoberta da KV-62 —, protegendo a cabeça e os ombros do faraó Tutankhamon.

Fonte:

Máscara de Tutancâmon é danificada após restauração com material errado. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/mascara-de-tutancamon-danificada-apos-restauracao-com-material-errado-15118812?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O+Globo >. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
Botched repair of Tut mask ‘reversible’: German conservator. Disponível em < http://www.france24.com/en/20150124-botched-repair-tut-mask-reversible-german-conservator/?aef_campaign_date=2015-01-24&aef_campaign_ref=partage_aef&ns_campaign=reseaux_sociaux&ns_linkname=editorial&ns_mchannel=social&ns_source=twitter >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.
Archaeologists Want Egyptian Officials Charged for Damage to Tutankhamen’s Burial Mask. Disponível em < http://www.nytimes.com/2015/01/24/world/middleeast/archaeologists-want-egyptian-officials-charged-for-damage-to-tutankhamens-burial-mask.html?smid=tw-NYTOpenSource&seid=auto&_r=0 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde o mês de setembro (2014) uma grande polêmica está rondando a Pirâmide Escalonada, locada em Saqqara. Um grupo de ativistas e egiptólogos tem denunciado para a imprensa a suposta rápida degradação do edifício causada por uma empresa de construção que deveria cuidar do restauro do monumento.

A Pirâmide de Saqqara é a percussora de todas as outras pirâmides do país, sendo o edifício edificado deste tipo mais antigo do Egito, mas o que era uma estrutura bem distinguível, com o tempo perdeu sua camada exterior e sua base interna sofreu com uma grande rachadura, o que pode um dia levá-la ao seu colapso. Dado aos seus problemas estruturais foi iniciado em 2006 os trabalhos de restauro no monumento, ocasião em que uma empresa de Gales, a Cintec, trabalhou no local para tentar assegurar a sua integridade. “Nós enfrentamos um problema pouco comum: contar com toneladas de pedras irregulares aparelhadas na pressão da abertura de 8 metros quadrados que forma o teto da câmara funerária” explicou na época o diretor da Cintec, Peter James, ao jornal EL Mundo. “A questão era como proteger os blocos sem mover nem modificar nenhuma das forças que agem sobre ela. Qualquer mudança poderia ter provocado um colapso imediato”, concluiu.

Pirâmide de Djoser. Imagem disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Para segurar toda a estrutura e aliviar a pressão foi adotado então o uso de airbags, que consistem em bolsas de água, cada uma fabricada de acordo com a forma da câmara funerária para não deformar o edifício.

Bolsões de água foram usados para estabilizar a pressão na pirâmide. Foto retirada de < http://www.walesonline.co.uk/news/need-to-read/2011/07/13/airbags-to-the-rescue-of-egypt-s-oldest-pyramid-91466-29041624/ >. Acesso em 15 de julho de 2011.

Uma das estruturas mais antigas do mundo está sendo restaurada para não entrar em colapso. Foto retirada de < http://estaticos04.cache.el-mundo.net/elmundo/imagenes/2011/07/13/ciencia/1310579192_extras_ladillos_2_0.jpg >. Acesso em 15 de julho de 2011.

No entanto, com a chegada da primavera árabe em 2011 e os protestos pela saída do ditador Hosni Mubarak os trabalhos sofreram uma pausa, uma breve retomada e novamente uma pausa em fevereiro de 2013 por “motivos administrativos” o que, de acordo com o engenheiro Mishiar Farid, não conferiram risco algum de desmoronamento do edifício, exceto no caso da ocorrência de um terremoto [1][2].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Então em meados de setembro (2014) o porta-voz da associação egípcia Non-stop Robberies (cujo objetivo é a proteção dos monumentos do país) lançou um comunicado onde denunciou que a empresa de construção Al-Shorbagy, que deveria cuidar da restauração da pirâmide, em verdade está acelerando o seu processo de degradação, além de ter adicionado mais de 5% de novas estruturas a ela, que vai contra os padrões internacionais de conservação de patrimônios. Ainda de acordo com o documento a empresa nunca antes tinha trabalhado com a conservação de monumentos arqueológicos (PARRA, 2014). Para variar, egiptólogos também questionaram a forma de trabalho da empresa, a exemplo de José Miguel Parra, que falou ao EL Mundo:

“O resultado, tenho que reconhecer, era um pouco chocante, porque estavam preenchendo as brechas com cal branco… É certo que atualmente se fazem todos os esforços para que as modificações e o monumento original se diferenciem, mas tanto?” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

E ainda mencionou um acontecimento inusitado que ocorreu com um amigo da área:

“(…) um professor universitário amigo meu comentou para mim acerca de uma viagem por estes lugares e que, enquanto levava um grupo de alunos para visitar a pirâmide, um dos “capatazes” que se encarregava da obra se aproximou dele e lhe perguntou com tristeza se sabia como encontrar os cantos teóricos do monumento… Inacreditável, mas verdadeiro!” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

Contudo, mesmo com as criticas, Kamal Wahid, Diretor das Antiguidades de Saqqara e Gizé, afirmou que a empresa está qualificada como classe A pelo governo e ainda complementou que os trabalhos estavam indo de acordo com o que foi aprovado pela UNESCO e o Ministério de Antiguidades (PARRA, 2014), ou seja, todos estariam sabendo do que estava ocorrendo em Saqqara. Para variar, o trabalho estaria sendo supervisionado por consultores do Ministério de Antiguidades sob a coordenação do arquiteto Hassan Fahmy e revisada por um comitê de arquitetura dirigido por Mustafa Al-Ghamrawi e cinquenta professores de arquitetura das Universidades do Cairo e Ain Shams (PARRA, 2014). Mas o que dá para perceber por esta primorosa lista de arquitetos renomados? Que, como bem salientou Parra (2014), não estão inclusos na equipe arqueólogos com especialização em Egiptologia ou mesmo restauradores, que seriam o suporte principal para subsidiar e fazer o trabalho funcionar.

Pirâmide de Djoser. Foto: AFP.

Para rebater as críticas o ministro das antiguidades, Mamduh al Dalmati, defendeu os trabalhos citando a corroboração da UNESCO e a existência da supervisão tanto no lado externo como interno da pirâmide e ainda sugeriu, para não restar mais nenhuma dúvida acerca dos trabalhos realizados, que se criasse uma “comissão de peritos internacionais independentes” para avaliar se a pirâmide está em perigo ou não[1][2]. No vídeo abaixo é possível ver mais imagens:

Referências:

PARRA, José Miguel. La destructiva restauración de la pirámide de Sakkara. Disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[1] ONG egipcias denuncian daños en la restauración de la pirámide de Saqqara que el Gobierno niega. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[2] Polémica en Egipto sobre el estado de la pirámide de Saqqara. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/20140917/abci-peligro-piramide-saqara-201409161956.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

‘Airbags’ para salvar a la madre de las pirámides de Egipto. Retirado de <http://www.elmundo.es/elmundo/2011/07/13/ciencia/1310579192.html>. Acesso em 14 de Julho de 2011.

Welsh technology helps save Egypt’s oldest pyramid. Retirado de <http://www.bbc.co.uk/blogs/waleshistory/2011/07/welsh_technology_helps_save_eg.html>. Acesso em 15 de Julho de 2011.

Polícia egípcia recupera três múmias roubadas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

 

A Polícia Turística e de Antiguidades recuperou uma coleção de 11 artefatos faraônicos furtados de um sítio arqueológico em Fayum. Os itens estavam em posse de uma gangue especialista neste tipo de crime.

A crença de que estes objetos saíram diretamente de um sítio arqueológico está no fato de as peças não estão registradas nos documentos do Supremo Conselho de Antiguidades, ou seja, saíram de alguma escavação clandestina.

Coleção recuperada pela Polícia Turística e de Antiguidades. 2014.

Em meio à coleção apreendida estão três múmias datadas do Período Greco-Romano: duas mulheres e um homem, todos adultos.

Os demais artefatos compreendem rostos de sarcófagos arrancados do seu lugar original.

Os saques a sítios arqueológicos têm sido um problema endêmico no Egito desde a chegada dos europeus no país e a popularização dos antiquários e dos gabinetes de curiosidade. A prática atualmente é considerada crime, mas o comércio destes tipos de itens movimentam milhões no mercado negro.

Fonte:

Egyptian police confiscate three mummies from smuggling gang. Disponívem em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/98836/Heritage/Ancient-Egypt/Egyptian-police-confiscate-three-mummies-from-smug.aspx >. Acesso em 13 de abril de 2014.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo

Por Márcia Jamile | @MJamille | Instagram

 

Roubada no dia 14 de agosto de 2013, a estatueta da filha de Akhenaton, a até então princesa Ankhesenpaaton, esteve desaparecida até ter sido confirmado o seu retorno ontem (08 de dezembro de 2013).

Abaixo imagens do objeto, que estava levemente danificado quando foi encontrado:

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

 

A princesa Ankhesenpaaton foi uma das herdeiras de Akhenaton. Ao abandonar a cidade idealizada por seu pai trocou seu nome por “Ankhesenamon”. Foi casada com o faraó Tutankhamon.

Estátua de filha de Akhenaton roubada do Museu de Mallawi foi recuperada

Por Márcia Jamile | @MJamille | Instagram

Saqueado em 14 de agosto de 2013, durante os protestos pró e contra o ex-presidente Mohamed Mursi, o Museu de Mallawi teve 1040 objetos roubados dos 1089 que estavam no museu. 49 ainda permaneciam no edifício quando o mesmo foi incendiado ainda naquela semana.

Dentre os artefatos roubados estava uma estatueta de uma das filhas de Akhenaton, identificada como Ankhesenpaaton (futura Ankhesenamon), um dos objetos mais famosos da coleção:

http://www.elaosboa.com/show.asp?id=7107&vnum=elaosboa&page=Arts#.UgwJEWQ_n-u Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid=675137912516273&set=a. 675090315854366.1073741831. 648057078557690&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Ao longo dos meses, com o auxilio da INTERPOL, mais da metade dos objetos saqueados já tinham sido recuperados (800 no total), exceto a estatueta amarniana. No entanto, hoje (08 de dezembro de 2013), foi confirmada a notícia de que este artefato finalmente foi encontrado, mas não foi divulgado onde ele estava.

Na ocasião da invasão do Museu de Mallawi, além das perdas físicas, um guarda que tentava proteger o local foi assassinado.

Fonte da notícia:

Statue of Pharaoh Tutankhamun’s sister recovered. Disponível em < http://english.alarabiya.net/en/life-style/art-and-culture/2013/12/08/Statue-of-Pharaoh-Tutankhamun-s-sister-recovered.html >. Acesso em 08 de dezembro de 2013.