Instagramer é preso por escalar Grande Pirâmide do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Parece que está ficando cada vez mais recorrente as pessoas estarem mais desinibidas em mostrar seus crimes na internet. Nos últimos anos tivemos alguns casos famosos de turistas estrangeiros se aventurando a subir nas pirâmides do platô de Gizé (onde se encontra a Grande Pirâmide) e tirar uma selfie no topo. 

Em 2013 russos aproveitaram a distração dos guardas que trabalhavam na área turística das pirâmides e escalaram a sepultura do faraó Khufu. Lá tiraram fotos que rodaram o mundo, arrancando comentários elogiosos que desconhecem que tais russos precisaram lançar um pedido de desculpas ao povo egípcio por terem subido em um Patrimônio da Humanidade. E em 2018 um instagramer e sua amiga subiram também da pirâmide de Khufu e além de uma selfie, eles tiraram uma fotografia simulando um ato sexual. 

Vandalismo em sítios arqueológicos no Egito: Ding Jinhao não é o único caso

Filme com cena de sexo no topo da Grande Pirâmide? O governo egípcio está investigando! 

Agora em 2020 é a vez do instagramer Vitaly Zdorovetskiy, que possui 3,1 milhões de seguidores no Instagram. Ele compartilhou em seu perfil uma foto em que ele está no topo da pirâmide com a seguinte legenda: “Nenhuma palavra pode explicar o que acabei de passar nos últimos cinco dias. Já estive na prisão muitas vezes, mas essa foi de longe a pior. Vi coisas horríveis e não desejo isso a ninguém.”, mas qualquer traço de susto ou simples arrependimento são inexistentes, já que ele continua a seguir “Valeu a pena? Fod*-se, sim!” (imagem 1).

Depois ele compartilhou um vídeo se justificando, explicando que este ato na verdade tinha uma justificativa por trás: “Fiz isso por uma boa causa e fiquei 5 noites na prisão egípcia. Mesmo que eu já tenha sido preso pelo mundo várias vezes por minhas cenas de ação anteriores, essa foi a experiência mais horrível da minha vida. Vamos nos unir e doar para a Austrália. Espero que o mundo me ouça!” (imagem 2).

Em uma das postagens está uma fotografia onde tem uma placa com os dizeres em inglês “Não Escale”:

Tem quem tenha elogiado tal ato, agradecendo por dar visibilidade aos incêndios na Austrália. Porém, nem todo mundo comprou esta ideia:

“Você precisa respeitar as culturas das pessoas porque isso não é legal” e “Como você promove ajudar um país desrespeitando outro”

O egiptólogo Thomas Greiner também teceu um comentário sobre o assunto: “o influenciador “King Vitaly” foi preso recentemente por sua escalada na Grande Pirâmide em #Giza. Ele passou cinco dias na prisão, mas não deveria haver punições mais duras pelo uso das antiguidades do Egito por seu golpe publicitário?”

O colunista Stewart Perrie para o site LadBible explica que Vitaly já apareceu na mídia por uma outra polêmica. Ele incentivou a namorada Kinsey Wolanski a invadir uma partida da Liga dos Campeões em Madri, vestindo apenas um maiô. O motivo? Promover o negócio dele: um site de pornografia. Ela teve uma breve passagem pela cadeia, já ele? Saiu no lucro por ter feito propaganda totalmente de graça no horário nobre. 

E é uma estranha coincidência do destino que mais ou menos na mesma semana em que ele postou as fotos e vídeo em seu perfil se vangloriando de ter escalado a pirâmide, eu gravei o vídeo abaixo para o nosso canal:

Em alguns momentos eu falo sobre o turismo consciente e faço um apelo para que aqueles que tiverem o privilégio de visitar sítios arqueológicos não tirem fotos com flash, não joguem lixo no chão e… Não subam nas estruturas arqueológicas. Só para vocês terem uma ideia do quão frequente estas coisas acontecem. 

O que as pessoas não fazem por likes e atenção nas redes sociais. 

Fontes:

Instagram Influencer Jailed For Climbing Pyramids In Egypt. Disponível em < https://www.independent.co.uk/travel/news-and-advice/vitaly-egypt-jail-prison-pyramids-climb-giza-arrest-instagram-youtube-a9288051.html >. Acesso em 20 de janeiro de 2020.

Social Media Influencer Was Thrown In Jail For Climbing Pyramids Of Giza. Disponível em < https://www.ladbible.com/news/news-influencer-was-thrown-in-jail-for-climbing-egyptian-pyramids-20200115 >. Acesso em 16 de janeiro de 2020.

Antiga estátua quebrada em invasão a museu do Egito passou por restauro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No ano de 2013, o Egito presenciou tristes acontecimentos. O Museu de Mallawi foi invadido, saqueado e em seguida parcialmente incendiado no início do mês de agosto pelo grupo auto intitulado Irmandade Muçulmana. Vários artefatos foram avariados ou totalmente destruídos, assim como um dos seguranças do local foi assassinado. 

Soma-se a tragédia o roubo de 1040 objetos arqueológicos dos 1089 que estavam no prédio; nos dias seguintes a própria população local saiu em busca das peças roubados, conseguindo recuperar algumas.

Hoje, quase 7 anos após o ocorrido, o Museu de Mallawi continua a se reerguer e até criou atividades, a exemplo da competição do “artefato do mês”. Nela, quatro artefatos estavam competindo nas páginas oficiais do museu nas mídias sociais. A peça vencedora é uma estátua de pedra calcária representado um homem e uma mulher sentados e que remonta à 6ª Dinastia (Antigo Reino). Mas ela tem algo muito especial: é um dos artefatos que tinham sido danificados durante a invasão de 2013

Imagem publicada nas redes sociais do museu.

No nosso post da época é possível ver fotografias tiradas horas após o incêndio ter sido contido e dentre os artefatos avariados ou totalmente destruídos está ela, a estátua em questão. Ela está tombada de lado coberta por cinzas e chamuscada. As faces do homem e da mulher estão quebradas e as partes arrancadas estão espalhadas pelo chão. 

Porém, a equipe de restauro conseguiu cuidar do objeto e dar quase o mesmo brilho que ele tinha antes da invasão. 

Agora, a estátua está disponível para visitação no próprio museu. 

O Museu do Mallawi foi fundado em 23 de junho de 1962 em Minya durante o governo do presidente Gamal Abdel Nasser. Ele tinha dois andares com quatro salas mostrando artefatos da era faraônica e períodos greco-romano, assim como coptas e do Egito medieval. Foram necessários mais de três anos para restaurar o museu, que foi reaberto em 22 de setembro de 2017. Agora ele contém 944 artefatos, incluindo 441 das exposições antigas.

Fonte:

Ancient statue damaged by MB restored, exhibited in Malawi Museum. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/79432/Ancient-statue-damaged-by-MB-restored-exhibited-in-Malawi-Museum >. Acesso em 11 de janeiro de 2020. 

Descoberta rara: foi encontrada uma Estátua Ka de Ramsés II

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No início deste mês de dezembro, o Ministério das Antiguidades do Egito anunciou que uma equipe de arqueologia desenterrou uma Estátua Ka feita em granito vermelho e que pertence ao rei Ramsés II (19ª dinastia). O artefato possui 105 cm de altura, 55 cm de largura e 45 cm de espessura.

Descoberta da Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

O achado foi realizado durante escavações em terras de propriedade privada na vila de Mit Rahina. Isso ocorreu após denúncias de que o proprietário estava realizando escavações ilegais no local a fim de encontrar artefatos arqueológicos.

Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

De acordo com a legislação egípcia (assim como a brasileira) artefatos arqueologicos são bens da União, ou seja, são de responsabilidade do governo. Desenterrar, vender ou manter ilegalmente em casa objetos arqueologicos são considerados crimes.

Saiba mais detalhes sobre esta notícia: 

Um achado extremamente importante

Estátuas Ka, como bem aponta o nome, são artefatos que representam o ka da pessoa retratada. De acordo com a tradição egípcia, o corpo de um indivíduo era dividido em várias partes tais como ba, sah, ankh, etc. E o ka era uma destas partes sendo uma espécie de força vital.

Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

E no caso dessa descoberta em questão, ela é importante porque, de acordo com o Ministério das Antiguidades do Egito, só existem duas Estátuas Ka registradas até o momento. A mais famosa é a do rei Hor Awibre, que viveu durante a 13ª dinastia e que no momento está em exposição no Museu Egípcio do Cairo.

Estátua Ka de Hor Awibre. Foto: Getty.

A outra é esta recentemente encontrada e que será exposta em um museu a céu aberto na própria Mit Rahina.

Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

Fontes:

Unique red granite bust of Ramses II unearthed on private land in Giza. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/357585/Heritage/Ancient-Egypt/Unique-red-granite-bust-of-Ramses-II-unearthed-on-.aspx >. Acesso em 12 de dezembro.

É descoberta no Egito tumba ricamente colorida e repleta de múmias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Imagine uma tumba totalmente colorida, como se acabasse de ter sido pintada e ainda com o bônus de conter algumas múmias —- tanto de humanos, como de outros animais —. Imaginou? Este sonho de muitos arqueólogos se concretizou nos últimos meses na cidade de Sohag (cerca de 390 quilômetros ao sul do Cairo), Egito: lá uma equipe de Arqueologia está desenvolvendo pesquisas na tumba de um casal do Período Ptolomaico: a mulher era Ta-Shirit-Iziz e o homem Tutu [1][2]. As análises visam entender quem foram eles, sua família e a sociedade em que viveram.

Foto: Reuters.

Entretanto, nós da modernidade quase perdemos tudo isso, uma vez que não foram arqueólogos os responsáveis pela descoberta, mas um grupo de ladrões e contrabandistas de artefatos arqueológicos. O crime foi descoberto por autoridades egípcias em outubro do ano passado (2018) antes que mais estragos fossem feitos [1][2]. Dentre os artefatos salvos estão fragmentos de máscaras funerárias [2].  

Foto: Reuters.

As imagens parietais retratam os donos da tumba, assim como imagens de procissões fúnebres e a genealogia da família escrita em hieróglifos. Em várias partes as cores vermelho, azul e amarelo ainda estão nítidas, como se tivessem acabado de ser postas no local. “É uma das descobertas mais emocionantes da região”, disse Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito [1].

O outro grande detalhe da tumba é a presença de várias múmias: duas são humanas — um menino com 12 ou 14 anos de idade e a outra uma mulher de 35 a 50 anos —. 

Múmias da criança e a mulher. Foto: Ministério das Antiguidades.

Múmias da criança e a mulher. Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Reuters.

As demais são de 50 outros animais onde estão inclusos falcões e ratos [1].

Foto: Reuters.

Múmias falcões. Foto: Ministério das Antiguidades.

Múmias de ratos em destaque. Foto: Reuters.

Fontes: 

[1] Mummified Mice and Falcons Are Found in Egyptian Tomb. Disponível em < https://www.nytimes.com/2019/04/06/world/middleeast/mummified-mice-egypt.html >. Acesso em 07 de  abril de 2019.

[2] Mummified mice found in ‘beautiful, colourful’ Egyptian tomb. Disponível em < https://www.theguardian.com/world/2019/apr/06/mummified-mice-found-in-beautiful-colourful-egyptian-tomb >. Acesso em 04 de maio de 2019.

Egypt tomb: Mummified mice found in ‘beautiful’ ancient chamber. Disponível em < https://www.bbc.com/news/world-middle-east-47838077 >. Acesso em 04 de maio de 2019.

Múmias são encontradas em Aeroporto do Cairo (Egito)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Há algumas semanas, no Aeroporto Internacional do Cairo (Egito), foram encontrados dentro de caixas de alto-falantes fragmentos de múmias egípcias. A descoberta foi feita quando os objetos estavam passando pela varredura de raio-x. Até aquele momento a equipe de segurança não sabia do que se tratavam, por isto que eles foram enviados para a unidade de arqueologia do aeroporto. Foi então quando os pedaços foram identificados como restos humanos datados da era dos faraós. O destino do contrabando era a cidade de Bruxelas, na Bélgica.

A equipe de arqueologia também salientou que as partes, em verdade, eram advindas de dois corpos e estavam em frangalhos porque foram quebrados propositalmente para caber dentro das caixas. Eles identificaram: dois pés, duas pernas, a parte inferior de uma mão esquerda, um braço e parte do tronco. Todos eles estão agora em um laboratório do Museu Egípcio para serem estudados e restaurados.

O tráfico de artefatos arqueológicos não é incomum e no Egito isto é quase uma epidemia. De acordo com as autoridades, são barradas anualmente a saída de cerca de 2000 a 3000 artefatos.

Fotos: divulgação.

Fontes:

Los restos de dos momias faraónicas, recuperados de unos altavoces en el aeropuerto de El Cairo. Disponível em < https://www.elmundo.es/cultura/2019/02/27/5c759954fdddffa4208b468d.html >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Mummy body parts discovered in passenger’s luggage at Cairo airport. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/326115/Heritage/Ancient-Egypt/Mummy-body-parts-discovered-in-passengers-luggage-.aspx >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Peça arqueológica com mais de 3000 anos foi pregada na parede para “evitar roubos”?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Esta imagem está se espalhando timidamente pela internet, mas tem despertado a ira e descrença por parte de algumas pessoas. Não se sabe ao certo, mas as primeiras informações apontam que estas fotos mostram uma estátua do tempo dos faraós que está em exposição no Museu Nacional de Sohag, Egito. Inaugurado ano passado, como vocês podem conferir em um post do nosso site.

Ainda de acordo com estas informações a atual gestão do museu, para evitar roubos, usou um método nada convencional: pregou a peça arqueológica na parede. Um dos procedimentos corretos seria colocá-la em uma base e de forma alguma interferir em sua integridade.

A imagem retrata o rosto de um faraó e que de acordo com a fonte entrou no acervo do museu há cerca de cinco meses.

Mas, existe a possibilidade desta fotografia não retratar a realidade, em especial em um mundo onde cada vez mais as pessoas se sentem confortáveis em fabricar notícias falsas, ignorando as consequências legais.

Estarei no aguardo de mais informações.

Fonte:

لمنع السرقة ..” خبورين” في رأس تمثال آثري !!. Disponível em < http://www.wataninet.com/ >. Acesso em 12 de janeiro de 2018.

464 artefatos arqueológicos egípcios foram recuperados pela polícia

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 09/11 foi divulgada a notícia de que a Polícia de Turismo e de Antiguidades da cidade de Fayum (Egito) conseguiu frustar a ação de bandidos que tinham em sua posse centenas de artefatos arqueológicos. A ideia dos ladrões era contrabandear os objetos para comerciantes de antiguidades no exterior.

Durante a ação policial foram recuperados 464 artefatos que somam mais de trezentos ushabtis, 12 estatuetas, faces de madeira, potes cerâmicos e 66 fragmentos de ataúdes.

Não foi esclarecido a qual período histórico essas peças pertencem.

Fonte: 

464 historical artifacts seized by police in Fayoum. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/31709/464-historical-artifacts-seized-by-police-in-Fayoum >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

 

Sítios arqueológicos e a arte dos turistas sem noção

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Semana passada algumas fotos turísticas foram publicadas pelo o usuário do Facebook د. محمد قاسم em um grupo de discussões sobre o antigo Egito. A problemática de tais fotografias é que nelas são mostradas pessoas aproveitando a sua visita ao país para fazer poses que consideraram “legais” com artefatos arqueológicos, tocando-os (ignorando as faixas de contenção) e até mesmo subindo neles.

No referido grupo a atitude dessas pessoas foi criticada porque elas não estariam respeitando o teor sagrado de tais peças. Eu acho essa uma justificativa lúdica, mas não dou razão de forma alguma para essas turistas e muito menos tiro a responsabilidade do governo egípcio em vários aspectos como de segurança nas áreas históricas para evitar atos de vandalismo e a ausência de projetos de “educação patrimonial” efetivos. — Clique aqui e leia mais sobre Sítios arqueológicos em perigo.

As mensagens passadas pela a organização turística no Egito são dúbias, por exemplo, em Gizé é permitido aos visitantes subirem alguns degraus da Grande Pirâmide (mas são proibidos subir todo o edifício por motivos de segurança). Em uma pequena escala não existe risco para a estrutura, mas como explicar aos visitantes mais desavisados que não podem fazer a mesma coisa em outros lugares?

Muitos turistas só querem conhecer uma cultura nova, realizar o sonho de conhecer o Egito, mas é inegável que existem aqueles com a “síndrome do aventureiro”, inspirados por filmes como Indiana Jones e Tomb Raider. Por outro lado também temos as relações de poder que vem de meados do século XVIII e foram se desenvolvendo, como podemos observar várias e várias vezes nos registros fotográficos históricos e até mesmo em ilustrações, onde temos o turista ou o explorador mostrando sua superioridade ou simplesmente sua insensibilidade apoiando os pés sobre um artefato arqueológico.

Rememoremos o caso da estátua centenária do filólogo francês Jean-François Champollion (1790 — 1832), que está em exibição no Collège de France, em Paris. Embora esteja no local desde 1878, a imagem causou em 2013 grande comoção entre alguns egípcios e em especial no Ministério de Antiguidades porque o pesquisador foi retratado pisando na cabeça de uma imagem faraônica. Esta representação foi vista como um ataque à dignidade e a reputação do patrimônio cultural e arqueológico do Egito [1].

Fonte: commons.wikimedia.org

Fonte: French Post-Colonial Arrogance prompts Cultural Row with Egypt

Queixar-se sobre esse tipo de representação não é exagero; essa atitude de pisar ou subir em artefatos arqueológicos foi por muitos anos utilizada como um discurso que vendia a imagem de um poder cultural e/ou econômico de uma classe diletante que se considerava superior em relação ao Egito, além de uma falsa ideia de posse. Esse último creio que é o caso dessas turistas

Update 22 de agosto de 2015 – Mensagem enviada por Juliana Paraizo, via Facebook:

Estive no Egito em julho e é exatamente isso o que acontece, infelizmente os próprios funcionários que trabalham nos templos, sarcófagos e pirâmides autorizam e ate incentivam esse tipo de atitude em troca de dinheiro, os poucos policiais que ali trabalham tentam conter esse assedio por parte dos funcionários, porem o numero de policiais e pequeno. O problema e que esse tipo de turista não tem a real noção da importância desses monumentos.


‘Derogatory’ Champollion statue in Paris angers Egyptians. Acesso em 18 de agosto de 2015. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/65660/Heritage/Ancient-Egypt/De%20rogatory-Champollion-statue-in-Paris-angers-Egyp.aspx>.

Sítio arqueológico em Alexandria é destruído e vendido para construtora

Por Márcia Jamille | Instagram | Twitter

De acordo com o Egypt’s Heritage Task Force um sítio arqueológico helenístico do distrito de Shizar, em Alexandria, foi demolido pelo proprietário do local porque ele queria vendê-lo para uma empresa de construção. O mais chocante é que de acordo com a denúncia a venda do sítio foi aprovada pelo próprio Ministério das Antiguidades porque, de acordo com o diretor de antiguidades de Alexandria, o local ameaçava a estabilidade arquitetônica de edifícios das proximidades. Abaixo fotos do sítio anteriormente:

E atualmente:

Fotos disponibilizadas pelo Egypt’s Heritage Task Force.

Guindaste se choca em antiga tumba egípcia

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Na segunda-feira, 9 de fevereiro (2015), uma antiga tumba no Sul do Egito, datada da dinastia dos Fatímidas (que governou o Egito entre 909 até 1171), foi parcialmente destruída quando um guindaste se chocou contra a cúpula do edifício, anunciou autoridades na última terça-feira,10 de fevereiro (2015).

Foto: AFP. 2015.

O acidente ocorreu quando operários manobravam o guindaste para mover grandes blocos de pedra para a cidade de Aswan, onde uma exposição internacional para esculturas está sendo realizada.

“O guindaste que transportava pesados blocos de pedra bateu na cúpula e a danificou severamente”, disse através de um comunicado um representante do Ministério das Antiguidades do Egito.

Ainda de acordo com ele conservadores alemães que trabalham na manutenção desse tipo de estrutura em Aswan foram chamados para ajudar no restauro do mausoléu.

Fonte:
Crane crashes into ancient tomb in Egypt. Disponível em < http://english.alarabiya.net/en/life-style/art-and-culture/2015/02/10/Crane-crashes-into-ancient-tomb-in-Egypt-.html >. Acesso em 10 de fevereiro de 2015.