Antiga estátua quebrada em invasão a museu do Egito passou por restauro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No ano de 2013, o Egito presenciou tristes acontecimentos. O Museu de Mallawi foi invadido, saqueado e em seguida parcialmente incendiado no início do mês de agosto pelo grupo auto intitulado Irmandade Muçulmana. Vários artefatos foram avariados ou totalmente destruídos, assim como um dos seguranças do local foi assassinado. 

Soma-se a tragédia o roubo de 1040 objetos arqueológicos dos 1089 que estavam no prédio; nos dias seguintes a própria população local saiu em busca das peças roubados, conseguindo recuperar algumas.

Hoje, quase 7 anos após o ocorrido, o Museu de Mallawi continua a se reerguer e até criou atividades, a exemplo da competição do “artefato do mês”. Nela, quatro artefatos estavam competindo nas páginas oficiais do museu nas mídias sociais. A peça vencedora é uma estátua de pedra calcária representado um homem e uma mulher sentados e que remonta à 6ª Dinastia (Antigo Reino). Mas ela tem algo muito especial: é um dos artefatos que tinham sido danificados durante a invasão de 2013

Imagem publicada nas redes sociais do museu.

No nosso post da época é possível ver fotografias tiradas horas após o incêndio ter sido contido e dentre os artefatos avariados ou totalmente destruídos está ela, a estátua em questão. Ela está tombada de lado coberta por cinzas e chamuscada. As faces do homem e da mulher estão quebradas e as partes arrancadas estão espalhadas pelo chão. 

Porém, a equipe de restauro conseguiu cuidar do objeto e dar quase o mesmo brilho que ele tinha antes da invasão. 

Agora, a estátua está disponível para visitação no próprio museu. 

O Museu do Mallawi foi fundado em 23 de junho de 1962 em Minya durante o governo do presidente Gamal Abdel Nasser. Ele tinha dois andares com quatro salas mostrando artefatos da era faraônica e períodos greco-romano, assim como coptas e do Egito medieval. Foram necessários mais de três anos para restaurar o museu, que foi reaberto em 22 de setembro de 2017. Agora ele contém 944 artefatos, incluindo 441 das exposições antigas.

Fonte:

Ancient statue damaged by MB restored, exhibited in Malawi Museum. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/79432/Ancient-statue-damaged-by-MB-restored-exhibited-in-Malawi-Museum >. Acesso em 11 de janeiro de 2020. 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]