DVD “A Maldição de Tutankamon”: comentários

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em 2014 realizei aqui para o AE a resenha escrita e em vídeo do DVD “A Maldição de Tutankamon*” (The Curse of Tutankhamun) —  *sim, grafaram o nome do rei desta forma mesmo — . É um ótimo post, mas ao menos o vídeo precisei dar uma atualizada, já que na época em que ele foi gravado não existia a estrutura para gravação que possuímos atualmente.

No post original da resenha além de explicar acerca do documentário comentei o contexto da época em que eu o assisti. Vocês podem dar uma olhada nele na caixa ao final dessa postagem ou clicando aqui.

E abaixo o novo vídeo:


(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

Primeiro egiptólogo espanhol ganha documentário

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um documentário sobre o homem considerado o primeiro egiptólogo da Espanha foi organizado por Ramon Masip, Toni e Manuel Vinuesa Orensanz. Denominado de Les 7 vinha d’Eduard Toda a produção conta a história de Eduard Toda (1855-1941) que além de protetor do patrimônio cultural foi empresário, filantropo, escritor, cônsul geral da Espanha no Egito e diplomata na China.

Eduard Toda vestido como uma múmia; Museo de Bulaq (Cairo).

Toda viveu em uma época em que a Egiptologia e a Arqueologia Egípcia estavam se consolidando como ciência. O documentário é uma oportunidade de conhecer um pouco mais deste período além de, claro, tentar desmistificar alguns mitos criados acerca de Toda.

Eduard Toda vestido como uma múmia; Museo de Bulaq (Cairo).

Atualmente o material está disponível na internet, contudo, somente para o território espanhol. Porém a produção possui página no Facebook, então vocês podem participar lá para dar uma força. Abaixo os links:

Les 7 vinha d’Eduard Toda: http://www.ccma.cat/tv3/alacarta/el-documental/les-7-vides-deduard-toda/video/5650835/
Página Les 7 vinha d’Eduard Todahttps://www.facebook.com/Les-set-vides-dEduard-Toda-539906866112504/

Fonte:

El documental sobre la vida del reusense Eduard Toda ya se puede ver online. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/local/reus/20170221/42194587433/documental-sobre-vida-eduard-toda-puede-ver-traves-red.html >. Acesso em 22 de fevereiro de 2017.

“Tutankhamon não merece esta profanação do século 21”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Estas palavras não são minhas, são do Jonathan Jones, jornalista do The Guardian. Ele as proferiu em seu artigo intitulado Tutankhamun does not deserve this 21st-century desecration [1]. Foi o único, entre tantos, que vi criticar em matéria a nova reconstituição do faraó Tutankhamon, desta vez assinada pela BBC, Tutankhamun: The Truth Uncovered (2014), e a qual ele denominou como “grosseira e vulgar”. Faço minha as palavras dele:

Novos métodos de escaneamento e imagens digitais oferecem novas maneiras de ficarmos dentro das múmias egípcias e outras relíquias biológicas, dando face, carne e mesmo órgãos internos para os mortos. Mas igual a qualquer avanço científico, estas técnicas precisam ser usadas com inteligência e sensibilidade. A realização de uma autópsia virtual altamente promovida em Tutankhamon não é uma investigação sensível com a vida, que nos ajuda a imaginar e entender o passado. É um mórbido show de horrores que reduz o mistério deste faraó uma vez esquecido e seu magnífico túmulo em um grosseiro e vulgar material de entretenimento (Tradução nossa).

A BBC está vendendo o seu documentário como uma amostra da verdadeira face de Tutankhamon, extraída de uma autópsia digital de ponta, o que há de mais moderno em tecnologia. Mas aonde vimos algo parecido? Em 2005 quando fomos apresentados para a “real” face de Tutankhamon, ao lado da genuína causa da sua morte que teria sido uma infecção desenvolvida em um ferimento em sua perna. Ou em 2002 quando também nos mostraram o “autêntico” rosto de Tutankhamon e sua terrível morte por assassinato, uma teoria já apresentada anos antes, mas que não tinha tido uma “comprovação” forense.

Nova reconstituição de Tutankhamon. Deu até pena do coitado se apoiando com a bengala do lado errado do corpo. Fonte da imagem: BBC. 2014.

A cada ano estamos (nós público e até mesmo cientistas) incutindo em novos erros em ajudar a propagandear o entretenimento acerca das mazelas que supostamente abateram o faraó Tutankhamon. Estamos levando a diante um mito sobre outro mito a fim de produzir documentários cada vez mais novelísticos, sensacionalistas vestidos como “fidedigno” e cientifico e cada vez mais estamos deixando que seja jogada fora a humanidade de muitos dos nossos mortos, a exemplo do próprio Tutankhamon.

É difícil explicar para o público comum porque muitos desses documentários têm tantas falhas, uma vez que o senso comum acredita fielmente que o que é apresentado é ciência. Os métodos não deixam de ser científicos, mas outros fatores são ignorados, como, por exemplo, o corpo de Tutankhamon passou por um processo tafonomico cruel. A palavra “tafonomia” é estranha para muitos, mas explicando de forma simples tem a ver com as atividades que ocorrem com o corpo após seu sepultamento. No caso do faraó em questão ele foi carbonizado pelos óleos e resinas, o que torna equivocado falar de uma deficiência no seu pé esquerdo e até mesmo a retirada de amostras decentes de DNA para a análise, mas ninguém explicou isto para os espectadores da National Geographic em 2010, quando anunciaram a resposta “conclusiva” para as linhas de parentesco dele e a nova causa “definitiva” da sua morte, a malária.

Somado a isto existe muito dinheiro rondando a imagem de Tutankhamon, não é barato produzir um documentário sobre ele. A Arqueologia hoje tornou-se um bem de consumo e por isso da importância de que seus documentários viralizem. Só para vocês terem uma ideia do quão descabida tornaram-se as pesquisas sobre a causa da morte de Tutankhamon, deem uma olhada nesta modesta lista [2]:

☥ Década de 1920: tumor cerebral;

☥ 1968: golpe na cabeça;

☥ 1993: atropelamento;

☥ 1999: golpe na cabeça, assassinato;

☥ 2002: golpe na cabeça, assassinato. Primeira reconstituição facial;

☥ 2005: ferida infeccionada no joelho esquerdo;

☥ 2010: malária; possível osteonecrose; anemia falciforme;

☥ 2012: epilepsia;

☥ 2014: Deficiência no pé esquerdo.

Dito isto, o que será que teremos para o ano que vem?


[1] Tutankhamun does not deserve this 21st-century desecration. Disponível em < http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/oct/21/tutankhamun-desecration-computer-scan-images-pharoah-archaeological >. Acesso em 22 de outubro de 2014.
[2] Mais uma teoria para Tutankhamon. Disponível em < http://arqueologiaegipcia.com.br/2010/06/25/mais-uma-teoria-para-tutankhamon/ >. Acesso em 22 de outubro de 2014.

(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde mais nova sempre fui aficionada por documentários, mas raramente eu podia assistir algum. Quando comecei a ter acesso à internet procurava saber o que estava passando nas TVs por assinatura para, quem sabe, um dia ter a sorte de encontrar algum deles à venda. Um desses materiais que fizeram parte do meu sonho de consumo foi “A Maldição de Tutankamon” (The Curse of Tutankhamun), da Discovery, que tinha logo no início da sua sinopse a incrível descrição:

Nas margens do Nilo, um rapaz está morto e um homem está morrendo. Duas mortes separadas por mais de 30 séculos e, ainda assim, agourentamente ligadas. O rapaz, um faraó, sepultado com uma fortuna incalculável. O homem, um nobre inglês, no ímpeto de encontrá-lo. Sua busca disparou a maior caça ao tesouro da História e uma reação de mortes em cadeia. Um a um, aqueles que perturbaram a tumba do faraó pereceram. Até hoje, as casualidades crescem. A Ciência segue um assassino esquivo de três mil anos de idade.

Era difícil, como o é hoje, não ficar curiosa depois de ler isso. Contudo, só cheguei a assistir esse documentário quando ingressei na graduação em Arqueologia e anos depois finalmente consegui comprá-lo.

DVD “A Maldição de Tutankamon”, da Discovery. 1998.

Faz muito tempo que me desgostei de documentários, especialmente os ligados à figura de Tutankhamon por sempre romancear as circunstâncias da sua causa de morte, o que, para mim, desgastou e banalizou muito o assunto.  Felizmente, para a minha sorte e paciência, “A Maldição de Tutankamon” ainda não faz parte da belle époque dos documentários sensacionalistas, apesar do assunto abordado, que é a falaciosa maldição da múmia que teria matado uma série de pessoas ligadas ao achado da sepultura. A produção tenta mostrar que a suposta praga não seria um evento espiritual, mas algo que teria sido perfeitamente evitável.

Tutankhamon foi um rei da 18ª Dinastia (Novo Império) e um dos sucessores de Akhenaton, faraó conhecido por sua tentativa de reforma religiosa. Tutankhamon morreu entre seus 18 e 19 anos e foi sepultado no Vale dos Reis. Sua tumba permaneceu praticamente intacta até a sua descoberta, realizada por um arqueólogo, em 1922. A fita se inicia apesentando o contexto da época da abertura do túmulo, o papel do Lorde de Carnarvon (patrocinador da empreitada) e Howard Carter (arqueólogo responsável pelo achado). É narrado também o episódio da entrada fortuita de Carter, Carnarvon, Mace e da Lady Evelyn no sepulcro na calada da noite e a morte de Carnarvon nas semanas seguintes, circunstância que deu espaço para os tabloides ingleses afirmarem a existência de uma maldição.

Sheryl Munson e o marido no Egito em 1995. Fonte: “A Maldição de Tutankamon”, da Discovery. 1998.

O documentário também aponta a morte da turista Sheryl Munson, em 1995, após sua viajem para o Egito. É narrado que, ignorando as ordens de segurança, ela tocou uma pintura parietal de uma tumba acreditando que aquela era uma oportunidade única. Contudo, após retornar para casa ela desenvolveu um quadro de tosse aguda, fraqueza e falta de ar. Com a piora da sua saúde uma biopsia do seu pulmão foi realizada. Foi identificado então o fungo aspergillus níger, que mais tarde assimilariam o contágio com a viajem de Shery para o Egito e o evento de ter tocado em uma parede num sítio arqueológico de caráter funerário. O material ainda explica que Carnarvon teria cometido erro semelhante anos antes, quando entrou desprotegido na tumba, se expôs aos fungos do local e, após um ferimento no rosto que infeccionou graças ao contágio, entrou em óbito em 10 de abril de 1923.

O interessante da fita é que nela aparecem alguns nomes já conhecidos entre egiptólogos e o público comum como David Silverman, Roselie David e Zahi Hawas (que ironicamente em uma das suas participações comenta que a fama é uma maldição). A participação da profa. David é uma das mais esclarecedoras, já que ela explica que, ao contrário do passado, hoje é possível trabalhar com a “exumação” de múmias em segurança, através do uso de raio-x e o endoscópio, evitando assim o risco de contaminação tanto para o pesquisador como para a própria múmia (é importante lembrar que o depósito de bactérias na superfície ou interior de uma múmia pode acelerar a sua degradação).

Imagem frontal da mascara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Imagem frontal da mascara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Mas por que tantas mortes?

Lord Carnarvon.

Quinto Conde de Carnarvon.

Embora uma infecção explique a morte de Carnarvon, a dúvida ainda paira acerca dos outros óbitos que os tabloides relacionaram com a Maldição de Tutankhamon. Mas não existe mistério também nisto: quando a notícia da descoberta da tumba estourou, Carnarvon vendeu os direitos de reportagem para o The Times, um jornal voltado para a elite inglesa. Sem matérias exclusivas e aproveitando o embalo do falecimento do patrocinador, os demais jornais procuravam qualquer definhamento relacionado com algum membro da equipe de escavação, ou mesmo de algum familiar que nem sequer entrou no sepulcro, para assimilar à morte agourenta. Um deles até mesmo inventou que na porta da sepultura existia uma maldição escrita ameaçando todos aqueles que incomodassem o descanso do faraó.

Considerações finais:

Este é um documentário para sanar a curiosidade acerca da Maldição da Múmia, e não apresenta muitos aspectos da vida no Antigo Egito, contudo, faz bem o seu trabalho ao mostrar os riscos de contaminação existentes em túmulos e corpos egípcios.

Meus comentários sobre o DVD “A Maldição de Tutankamon” no Youtube:

Dados do DVD:

Título: A Maldição de Tutankamon

Gênero: Egiptologia, múmias

Diretor: Gary Parker

Distribuidora: Discovery

Ano de Lançamento (Brasil): 1998

Valor: Entre R$19,90 e R$20,90

Especial: “Planeta Egito” no canal The History Channel

 

 

Depois de “Caçador de Múmias”, o canal The History Channel estreará no dia 27 de agosto (2012), no Brasil, a série “Planeta Egito” com os capítulos “O nascimento de um Império” e “Faraós em guerra” respectivamente das 22h00 até 00h00.

Abaixo a descrição:

Por que os egípcios foram a primeira grande civilização e também a de maior duração? Aqui oferecemos uma visão única, desde a primeira dinastia até o final do Novo Império. Cada episódios foca em um dos pilares essenciais na base desta civilização, como a fundação do Império e o surgimento do reino do Nilo (sinopse disponibilizada pelo canal).

 

Documentários: Planeta Egito: O nascimento de um Império / Planeta Egito: Faraós em guerra

Canal: The History Channel (Brasil)

Data: 27 de Agosto de 2012.

Horário: 22h00 até 00h00

 

Reprise:

 

28 de agosto de 2012 de 00h00 até 02h00.

28 de agosto de 2012 de 14h00 até 16h00.

Sinopse dos dois capítulos:

“O nascimento de um Império” e “Faraós em guerra”

Este episódio analisa como o Egito foi fundado. Descobriremos que a paz e a colaboração pacífica foram tão importantes quanto a grande batalha que uniu o Alto e o Baixo Egito, assentando as bases para o sucesso da história egípcia.

Depois veremos como o Egito manteve sua independência com respeito, por quase 3.000 anos. Analisaremos esta questão através de Tutmosis III, que conseguiu conquistar mais terras que qualquer outro faraó, levado pelo desejo de estabelecer a paz e assegurar a estabilidade no país (sinopse disponibilizada pelo canal).

 

Egito Revelado: A tumba de Alexandre

Documentário: Egito Revelado: A tumba de Alexandre

Canal: Discovery Channel (Brasil)

Data: 12 de Abril de 2012.

Horário: 22h00

 

Reprise:

 

13 de Abril de 2012 às 03h00.

13 de Abril de 2012 às 16h00.

15 de Abril de 2012 às 13h00.

 

Abaixo a sinopse disponibilizada pelo canal:

 

 

Alexandre, o Grande, foi o mais temido rei guerreiro. Ele morreu como faraó do Egito e seu túmulo foi visto pela última vez no século 4 d.C., na antiga Alexandria. Desde então, muitos o procuraram, transformando-o no Santo Graal da arqueologia

 

Dica da leitora Natália.

Egito Revelado: Ramsés

 

Documentário: Egito Revelado: Ramsés

Canal: Discovery Channel (Brasil)

Data: 05 de Abril de 2012.

Horário: 22h00

 

Reprise:

 

06 de Abril de 2012 às 03h00.

06 de Abril de 2012 às 16h00.

08 de Abril de 2012 às 13h00.

 

Abaixo a sinopse disponibilizada pelo canal:

 

Existe um faraó egípcio que se destaca dos demais: Ramsés II, um guerreiro formidável, construtor e estadista. Uma nova geração de arqueólogos analisa os vestígios do faraó para descobrir se ele realmente merece ser lembrado como Ramsés, o Grande.

 

Dica da leitora Natália.

Egito Revelado: O Vale dos Reis

Documentário: Egito Revelado: O Vale dos Reis

Canal: Discovery Channel (Brasil)

Data: 09 de Novembro de 2011.

Horário: 23h00

 

Reprise:

10 de novembro de 2011 às 02h00

10 de novembro de 2011 às 15h00

12 de novembro de 2011 às 16h00

  

 

Abaixo a sinopse disponibilizada pelo canal:

 

O Vale dos Reis é o mais famoso cemitério real do mundo. Agora, especialistas estão descobrindo novas evidências para solucionar enigmas enterrados na areia há 3.500 anos. Eles encontram respostas no magnífico templo e na tumba da rainha Hatshepsut.

 

‎[Enquete] DVDs de documentários

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Aos interessados, participem desta enquete da revista História Viva: “Qual dos temas a seguir você gostaria de ver em nossos futuros lançamentos em DVD?”. Votando em “Antigas civilizações” você poderá estar dando a possibilidade da revista trazer para o Brasil mais DVDs de documentários sobre civilizações antigas, dentre elas, claro, o Egito.

O link para a votação: http://www2.uol.com.br/historiaviva/enquete/votar.html

 

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