Novas descobertas arqueológicas em antigos naufrágios egípcios

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O ano de 2017 terminou com o anúncio da descoberta de antigos naufrágios egípcios. E nesses naufrágios foram encontrados alguns artefatos interessantes: um deles foi uma cabeça de cristal que provavelmente retrata o general Marco Antônio, amante da rainha Cleópatra VII.

Cabeça de estátua encontrada em Thonis–Heracleion. Foto: Franck Goddio.

Tutankhamon terá notáveis substitutos no Museu Egípcio do Cairo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Os artefatos retirados da tumba do faraó Tutankhamon são singulares e têm servido para mostrar a grandiosidade do Egito. Desde a sua descoberta, há quase 100 anos, os artefatos de Tutankhamon (18ª Dinastia; Novo Império) têm preenchido o Museu Egípcio do Cairo sendo exibidos lá. Porém, eles mudarão de lar, passando a compor o acervo do Grand Egyptian Museum, em Gizé. Cuja inauguração oficial está prevista para este ano, 2018, após vários adiamentos.

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Estatuetas provenientes da tumba de Yuya e Tuya

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Sarcófagos de Yuya e Tuya.

Isso levou muitos a se questionar se o Museu Egípcio do Cairo irá fechar e a resposta é não. “O Museu Egípcio em Tahrir não morrerá, continuará a receber visitantes durante todo o ano”, afirmou Khaled el-Enani, Ministro de Estado das Antiguidades. De acordo com o seu comunicado, a coleção de Yuya e Tuyu, pais da rainha Tiye, permanecerão no local. Assim como os objetos funerários de Psusennes I, que foram encontrados em 1940 pelo arqueólogo francês Pierre Montet. Esse faraó e reinou muitos anos mais tarde a morte de Tutankhamon, durante a 21ª Dinastia, Terceiro Período Intermediário.

— Saiba mais: Tesouros arqueológicos no porão do Museu Egípcio no Cairo

Face d'orMáscara mortuária de Psusennes I.

Para o Dr. Tarek Tawfik, diretor-geral do Grande Museu Egípcio, esta será uma grande oportunidade de dar mais destaque para outras peças interessantes, mas que foram ofuscadas durante todos esses anos por Tutankhamon. A outra justificativa é dar a cada museu a chance de ter suas próprias peças de destaque.

 

Fonte:

Will the Tanis Collection replace King Tut’s in the Tahrir Museum?. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/39704/Will-the-Tanis-Collection-replace-King-Tut%E2%80%99s-in-the-Tahrir?platform=hootsuite >. Acesso em 23 de janeiro de 2018.

 

464 artefatos arqueológicos egípcios foram recuperados pela polícia

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 09/11 foi divulgada a notícia de que a Polícia de Turismo e de Antiguidades da cidade de Fayum (Egito) conseguiu frustar a ação de bandidos que tinham em sua posse centenas de artefatos arqueológicos. A ideia dos ladrões era contrabandear os objetos para comerciantes de antiguidades no exterior.

Durante a ação policial foram recuperados 464 artefatos que somam mais de trezentos ushabtis, 12 estatuetas, faces de madeira, potes cerâmicos e 66 fragmentos de ataúdes.

Não foi esclarecido a qual período histórico essas peças pertencem.

Fonte: 

464 historical artifacts seized by police in Fayoum. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/31709/464-historical-artifacts-seized-by-police-in-Fayoum >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

 

Cabeça de madeira com mais de 4.000 anos é encontrada em Saqqara

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma cabeça de madeira que provavelmente representa a rainha Ankhnespepy II da 6ª Dinastia foi encontrada em Saqqara, próximo a sua pirâmide. A descoberta foi feita por uma missão de arqueologia encabeçada por um time franco-suíço da Universidade de Genebra.

Foto: MSA

Foi esta mesma equipe que encontrou um grande fragmento de obelisco que provavelmente pertenceu ao templo funerário desta mesma rainha. Esta notícia foi anunciada aqui no Arqueologia Egípcia.

— Saiba mais: Arqueólogos no Egito descobrem o maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino

O Dr. Philip Collombert, coordenador da equipe, falou que a cabeça foi descoberta em uma camada que tinha sido perturbada, a leste a pirâmide da rainha, em uma área onde um piramidion foi encontrado esta semana. Ele ainda salientou que este artefato precisará passar por um trabalho de restauro.

Foto: MSA

O Dr Mostafa Waziry, secretário geral do supremo conselho de antiguidades, explicou que a cabeça tem uma proporção parecida com a humana, porém com um pescoço com quase 30 cm e está enfeitada com brincos de madeira. E ainda fez uma revelação sobre este sítio: “Esta é uma área promissora que pode revelar mais dos seus segredos em breve”.

Fonte:

4000 years old wooden head discovered in Sakkara. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/10/4000-years-old-wooden-head-discovered_18.html >. Acesso em 18 de outubro de 2017.

Veja a Pedra de Rosetta e outros artefatos egípcios sem sair de casa

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Entre meados do século 19ª e início do 20ª os antigos ricos europeus se deleitavam com a possibilidade de conhecer a terra dos faraós e, quem sabe, levar algum artefato como lembrança para casa (algo definitivamente proibido hoje em dia). Entretanto, se visitar a um artefato famoso antes era um privilégio dos endinheirados, atualmente a acessibilidade tem sido o foco de museus em uma tentativa de mostrar um pouco das sociedades passadas para o maior número de pessoas possível. Desta forma, tem se investido muito em acervos digitais através de fotos e vídeos para que curiosos ou acadêmicos de regiões remotas possam ver detalhes de algumas peças. Outro recurso são as imagens em 3D, que estão cada vez mais populares e que por vezes possibilitam que detalhes do objeto possam ser observados. É o que o Museu Britânico tem feito.

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Todos os anos milhares de turistas visitam a Pedra de Rosetta no Museu Britânico.

O turismo (incluindo aqui a visita a museus e a sítios arqueológicos) representa atualmente uma parte significativa da economia em muitos países. Porém, não são todos que possuem o privilégio de pagar por passagens e diárias em hotéis, por exemplo, mas, não é por isso que estes não podem apreciar as construções do passado.

Com um perfil no site Sketchfab o museu tem disponibilizado mais de 200 imagens em 3D que mostram artefatos de diferentes culturas, dentre elas a egípcia antiga. É possível interagir com o objeto fazendo uso de um smartphone ou computador; girá-lo, se aproximar e ver detalhes.

Rosetta Stone in British Museum

Claro que isto não tira a emoção de ver uma peça pessoalmente, mas já é um passo. Tiremos como exemplo a Pedra da Rosetta, a chave para a decifração dos hieróglifos egípcios: para quem não mora na Inglaterra, onde ela encontra-se na atualidade, não é possível visitá-la. Mas, com essa ferramenta o interessado pode vê-la de todos os lados e caso tenha alguma compreensão conhecimento de hieróglifos egípcios, demótico ou grego, poderá testar seus conhecimentos.

Outros artefatos:

3ª Conferência egípcia sobre Tutankhamon ocorrerá próximo sábado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Realizada pelo Ministério das Antiguidades Egípcias, está é a terceira conferência internacional sobre o faraó Tutakhamon a ser organizada no país. Ela ocorrerá no próximo dia 06/05 no Grande Museu Egípcio (GEM), Cairo.

Tut Ankh Amon Sarcophagus, Egyptian Museum, Cairo, Egypt

O evento terá a duração de 3 dias e debaterá sobre vários temas a exemplo do mobiliário do rei, sua múmia e os melhores métodos para preservá-los. Ela contará com a presença de vários pesquisadores de diferentes nacionalidades.

Entretanto, aparentemente as questões em relação às novas pesquisas com radar feitas na tumba não serão abordadas.

 

Fonte:

Tutankhamun conference to be held on Saturday in Cairo. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/268042/Heritage/Ancient-Egypt/Tutankhamun-conference-to-be-held-on-Saturday-in-C.aspx >. Acesso em 03 de maio de 2017.

Curiosidades: 7 coisas que existiam no Egito Antigo e que também usamos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Aqui está mais um vídeo com curiosidades sobre a antiguidade egípcia bem frescas para vocês. Desta vez trago uma modesta lista de coisas que existiam no Egito Antigo e que nós possuímos também.

 

Cama do faraó Tutankhamon. Foto: Harry Burton.

Porém, antes que vocês assistam ao vídeo preciso pontuar algo: Não é somente porque uma coisa existiu no Egito Antigo que quer dizer que foi inventado lá ou que eles exportaram para outras culturas. É comum eu receber mensagens de pessoas que acreditam que o Egito é o “berço da civilização” e que as demais culturas são meras cópias. Isso é um equívoco que além de generalista é reducionista. Quando trabalhamos com a arqueologia descobrimos que as várias e diferentes culturas em sua maioria são únicas e que cada uma desenvolveu seus artefatos e pensamentos de uma forma singular. Fiquem atentos para isso, não pensem de uma forma tão simplista.

Abaixo o vídeo:

(Evento) I Colóquio sobre Ferramentas Arqueológicas (SE)

O Colóquio sobre Ferramentas Arqueológicas é uma iniciativa de ex-alunos da graduação em Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe que atuam diretamente com a análise de ferramentas em sítios arqueológicos em diferentes campos profissionais e acadêmicos. Trazendo a experiência da gestão de projetos, acervos e fiscalização, a comissão organizadora convida a todos para participarem do Colóquio sobre Ferramentas Arqueológicas, a realizar-se no dia 24/02/2017, na Casa do IPHAN em São Cristóvão, Sergipe.” (sinopse disponibilizada pelo site do evento)

As vagas são limitadas e a pré-inscrição precisa ser realizada através do site do evento. Os interessados podem participar como ouvintes ou submetendo seu trabalho para uma comunicação oral.

Datas importantes:
Finalização do período de submissão de resumos – 12/02/2017
Envio das cartas de aceite – 15/02/2017
Divulgação da programação final – 17/02/2017
Publicação online do caderno de resumos – 19/02/2017
Finalização do período de inscrição de ouvintes – 22/02/2017
Realização do Colóquio sobre Ferramentas Arqueológicas – 24/02/2017

Data da realização do evento: 29/02/2017
Horário: 08h as 18h
Local: Casa do IPHAN em São Cristóvão, Sergipe.
Dúvidas: http://cfarqueologicas.wixsite.com/cfarqueo/contato

Link para inscrição: http://cfarqueologicas.wixsite.com/cfarqueo
O evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/195151167623787/

Barba de Tutankhamon: Cera de abelha foi a solução

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Quase um ano após o escândalo da cola epóxi que foi posta na barba da máscara mortuária do faraó Tutankhamon em agosto de 2014, o artefato finalmente encontra-se livre do aderente.

Entenda o caso:

Tudo começou em janeiro de 2015, quando a imprensa mundial ficou ciente de que durante a manutenção do expositor em que a peça fica exposta ocorreu um acidente que fez com que a barba da máscara se soltasse e que, como medida, foi optado por usar uma cola epóxi, o que não era o ideal para o objeto. De acordo com os responsáveis por colar o artefato, a ordem para utilizar tal aderente partiu de superiores.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, foi uma das pessoas que denunciaram o crime. De acordo com ela, cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 todos foram demitidos.

— Leia mais em “Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?“.

Para variar, fotografias dentro do museu até então estavam proibidas, desta forma era difícil convencer as pessoas de que a cola estava lá ou a gravidade da intervenção. Entretanto, com a pressão por parte da imprensa nacional e internacional, o Ministério das Antiguidades se viu obrigado a realizar em 24 de janeiro de 2015, uma reunião com repórteres no Museu Egípcio do Cairo para confirmar o ocorrido e apresentar o conservador alemão Christian Eckmann, que seria o responsável pela remoção do epóxi.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015

O fim e uma descoberta:

Os trabalhos de Eckmann começaram em outubro e após nove semanas a máscara finalmente ficou pronta para ser posta em seu local de exibição no Museu Egípcio do Cairo.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

— Leia mais em “Restauro da máscara mortuária de Tutankhamon está em andamento“.

Apesar das circunstancias, ainda assim foi possível realizar mais uma descoberta arqueológica. De acordo com Mamdouh Eldamaty, ministro das antiguidades, “O processo revelou surpresas. A primeira é que a barba tem um tubo interior que a conecta com o rosto da máscara e a segunda é que a reintegração de 1946 se fez utilizando uma leve soldadura” [1].

Para pôr a barba em seu devido lugar Eckmann e sua equipe fizeram uso de técnicas antigas. Como aderente eles utilizaram cera de abelha, porque era um material comum no Antigo Egito, além de que é uma matéria orgânica que oferece um menor risco de causar danos ao metal da máscara.

1 – Barba separada do seu tubo interno. A seta aponta os resíduos da soldagem feita em 1946. Uma técnica atualmente condenada por restauradores.

2 – A cera de abelha aplicada ao tubo interno.

3 – A cera de abelha aplicada ao tubo interno. Usar técnicas do passado nos trabalhos de conservação é o aconselhado pelos profissionais da área. Assim não retira muito da identidade original do objeto.

4 – Trabalho concluído.

Abaixo o resultado:

Foto: Sahen Ramzy. 2015.

As informações obtidas pelo escaneamento serão apresentadas em um futuro livro.

Fonte:

[1] Regresa la barba de Tutankamón, con cera de abeja. Disponível em < http://www.ngenespanol.com/el-mundo/culturas/15/12/22/restauracion-barba-rey-tutankamon-museo-el-cairo-egipto.html >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Album de Noor Mostafa. Disponível em < https://www.facebook.com/noor.mostafa.19/posts/915316655189980 >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Restauro da máscara mortuária de Tutankhamon está em andamento

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Na noite do dia 10/10/2015, a máscara mortuária do faraó Tutankhamon foi retirada do seu display para passar pela a remoção da cola posta em sua barba e por trabalhos de restauro — Entenda o caso: Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas? —.

Foto: Ahram Online. 2015.

Dez dias depois o Ministério das Antiguidades convidou a imprensa egípcia e estrangeira para registrar as primeiras notícias sobre as atividades realizadas com o artefato.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

O coordenador da equipe, o restaurador alemão Christian Eckmann, declarou que análises microscópicas estão sendo realizadas para estudar uma melhor forma de remover a cola. Ele ainda explicou que após esta fase, a qual ele espera finalizar em uma semana, a remoção começará e alertou que para se livrar de toda a cola sem afetar a integridade do objeto requer muita paciência.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Outro artefato de Tutankhamon foi centro das atenções da mídia esta semana:

A mídia árabe acusou recentemente estudantes que realizavam uma visita ao Museu Egípcio do Cairo de terem danificado a máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que foi negada pelo o supervisor geral do museu, Khaled El-Enany. Ele explicou que um único incidente ocorreu nos últimos dias e foi com uma cabeça de madeira do faraó onde ele é representado ainda criança. De acordo com o supervisor os estudantes, após uma pequena comoção, acabaram se esbarrando na vitrine fazendo o artefato se inclinar um pouco. Um comitê imediatamente foi formado para averiguar se o objeto tinha sofrido algum dano, o que não foi o caso.

Por fim ele esclareceu que a máscara desde que foi retirada do seu display só está sendo visitada pelos especialistas responsáveis por seu restauro.

Fontes:

Restoration of Tutankhamun mask underway at Egyptian Museum. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/161407/Heritage/Ancient-Egypt/Restoration-of-Tutankhamun-mask-underway-at-Egypti.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

Egyptian Museum boss rubbishes reports of Tutankhamun gold mask damage. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/News/161232.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

PHOTO GALLERY: Experts pore over Tutankhamun’s mask as restoration gets underway. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContentMulti/161411/Multimedia.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.