A Rainha Cleópatra versus a História

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Cleópatra VII foi uma rainha que viveu durante o Período Ptolomaico, cuja história inspirou vários mitos, filmes e documentários. Embora muitas biografias pitorescas tenham sido inventadas por seus desafetos, aparentemente a real Cleópatra VII foi uma líder única, educada com as melhores fontes de informação e articulada.

No vídeo abaixo, que faz parte do TED-Ed (um projeto que reúne educadores com animadores), temos um resumo das realizações dessa rainha e como a história tem sido muito injusta com ela. Vale muito a pena assistir. Ele está em inglês, mas é possível habilitar a legenda para o português, é só ir na aba do play que vocês encontrarão um quadradinho ao lado de uma engrenagem: clique nela e escolha o idioma do seu interesse.

Sugiro também que leiam o meu artigo “Como a Arqueologia tem minimizado o papel das mulheres egípcias que viveram na Antiguidade faraônica”. Em um dado momento uso a Cleópatra como exemplo.

(Vídeo) Horrible Histories – Cleopatra Song

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este vídeo foi enviado pelo estudante de Arqueologia, o Marcel Raely Fontes, que estuda na mesma instituição em que me formei. Quando o abri demorei um pouco para processar as informações (eu ficava pensando “se tem gente que achou o clipe da Katy Perry ruim, imagina só isto!”) até perceber que se trata de um programa de humor que faz paródias com figuras históricas.

Na música Cleópatra é a mulher mais poderosa do seu tempo, mas também “rainha dos romances ruins”. O clipe está em inglês, mas possui legenda para o português. No Brasil os vídeos dessa coleção passam atualmente na TV Escola no “Deu a Louca na História”.

A letra da música foi inspirada na propaganda anti-Cleopatra de Otavio, então naturalmente cita vários aspectos da sua lenda.

(Vídeo) Tesoros sumergidos de Egipto

Este breve documentário em espanhol fala sobre as pesquisas de Arqueologia Subaquática que estão ocorrendo na baía de Alexandria e na baía de Abukir sob a coordenação do pesquisador Franck Goddio. Também fala sobre a criação e a queda da cidade de Alexandria na antiguidade, e os seus celebres edifícios como a Biblioteca de Alexandria e o Farol de Pharos.

 

Foram os ossos da irmã de Cleópatra VII encontrados? O mais provável é que não

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Link enviado por Jacy Martins via Facebook [4].

Na ultima semana de fevereiro (2013), a arqueóloga da Austrian Academy of Sciences, Hilke Thür, durante sua palestra Who Murdered Cleopatra’s Sister? And Other Tales from Ephesus, no Museum of History in Raleigh na Carolina do Norte, afirmou ter identificado os ossos da irmã de Cleópatra VII, Arsinoe IV, princesa que de acordo com a historiografia teria traído a irmã e organizado uma rebelião se proclamando rainha. No entanto, Cleópatra VII venceu Arsinoe IV e com o auxílio de Júlio Cesar a enviou para o exílio, mas por ser uma rival ao trono teria sido assassinada em 41 antes da Era Cristã, sob as ordens da irmã e Marco Antônio.

Imagem do documentário Cleopatra: Portrait of a Killer (BBC). Disponível em < http://alexiabassi.blogspot.com.br/2010/09/assista-bbc-cleopatra-portrait-of.html >. Acesso em 14 de março de 2013.

Os ossos foram encontrados em 1926 nas ruínas de Éfeso, uma antiga cidade grega na Turquia, especificamente dentro de uma estrutura arquitetônica denominada “O Octógono”, e teve o crânio separado do restante do conjunto. O corpo só foi reencontrado em 1985, já o crânio está desaparecido.

 

Uma polêmica desde 2009:

De acordo com a pesquisa, a mulher, hora identificada pela impressa como uma jovem de 15 a 16 anos, hora como uma de 18 a 20, teria vivido em algum momento no século I antes da Era Cristã, período em que Cleópatra VII viveu, e Éfeso seria o local em que a princesa teria sido exilada. Munida destas informações, Thür deduziu que tais ossos seriam Arsinoe IV porque eles foram sepultados em uma localização ilustre e pelo desenho octogonal da tumba ele remeteria ao formato do farol da ilha de Pharos, o hoje chamado “Farol de Alexandria”. Porém, suas evidencias são circunstanciais.

Ossos encontrados em Éfeso. Imagem disponível em < http://bonesdontlie.wordpress.com/2013/02/28/have-archaeologists-found-cleopatras-half-sister/ >. Acesso em 03 de março de 2013.

A professora de assuntos clássicos de Cambridge, Mary Beard, confirma que a princesa teria sido assassinada em Éfeso, mais especificamente na escada do templo de Diana, mas este seria o único episódio que a ligaria ao local. Já a tumba octogonal, que não faz inferência nominal acerca de quem a ocupa, não tem o que remeta de fato ao farol de Alexandria [2].

Para aumentar a polêmica, o crânio foi submetido a uma reconstituição facial realizada pela equipe do Scotland’s University Of Dundee. A imagem foi lançada em 2009 no documentário Cleopatra: Portrait of a Killer (BBC), apresentada como sendo Arsinoe IV, mesmo sem nenhum dado conclusivo.

Reconstituição facial do crânio encontrado na Turquia apresentada no documentário “Cleopatra: Portrait of a Killer” (2009) da BBC. Imagem disponível em < http://www.huffingtonpost.com/2013/02/26/cleopatra-half-sister-bones-murdered_n_2766739.html?utm_hp_ref=fb&src=sp&comm_ref=false >. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.

A equipe também tentou aplicar testes de DNA, mas os ossos estão contaminados devido a manipulação por parte de várias pessoas.

De acordo com o classicista David Meadows tal reconstituição foi realizada com dados de medidas do crânio retiradas em 1920 [3], uma vez que sua atual localização é desconhecida desde a Segunda Guerra Mundial. Isto nos dá mais um problema metodológico. Em seu blog www.rogueclassicism.com, em 2009, ele realiza um apanhado de artigos de jornais que comentaram sobre o crânio e fez questão de denotar a importância da impressa para a disseminação equivocada (embora “irresponsável” seja a melhor definição) desta notícia.

 

Minha opinião:

Dado o que foi apresentado pela a equipe é impossível não concordar com os demais pesquisadores que não aceitam a proposta de Thür e seus colegas. As evidencias organizadas são extremamente circunstanciais e deixa uma “dúvida razoável” entre os leigos e isto justamente com um assunto tão polêmico, já que se trata de algo associado com Cleópatra VII.

Quando indagada acerca das críticas que vem recebendo dos colegas, Thür afirma que se trata de ciúmes[1][4]. Inveja na academia é um dos sentimentos mais corriqueiros, mas nesta situação os questionamentos e críticas possuem validade.

David Meadows, ainda em seu post, faz uma abordagem interessante e que precisa ser levada em conta: não se sabe como se deu o sepultamento. Teria sido da forma tradicional egípcia ou não? E aqui deixo o meu complemento: mesmo que ela não tenha recebido um sepultamento egípcio, o acompanhamento funerário poderia dizer algo acerca, no entanto, aparentemente não foi divulgado nada sobre.

Meadows faz outra chamada: de acordo com a descrição o crânio teria sofrido um tratamento de alongamento durante a infância, mas são traços encontrados em crânios da Turquia e Arsinoe IV nasceu e cresceu em Alexandria. Existem debates acerca da prática do alongamento craniano entre os egípcios e até onde posso afirmar nenhum entre sociedades influenciadas pela cultura grega (como foi a família ptolomaica).

O irônico na teoria de Hilke Thür é que ela está se empenhando muito em defender que se trata de Arsinoe IV, mas ignora a possibilidade de que esta descoberta possa vir a esclarecer um pouco da história de outro indivíduo que em nada tem relação com a sociedade egípcia e que graças a esta exploração da história da princesa exilada continuará sem identidade.

 

Fonte da notícia:

[1] Bones Of Cleopatra’s Murdered Half-Sister Identified, Archaeologist Says. Disponível em < http://www.huffingtonpost.com/2013/02/26/cleopatra-half-sister-bones-murdered_n_2766739.html?utm_hp_ref=fb&src=sp&comm_ref=false >. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.

[2] The skeleton of Cleopatra’s sister? Steady on. Disponível em < http://timesonline.typepad.com/dons_life/2009/03/the-skeleton-of.html >. Acesso em 02 de março de 2013.

[3] Cleopatra, Arsinoe, and the Implications. Disponível em < http://rogueclassicism.com/2009/03/15/cleopatra-arsinoe-and-the-implications/ >. Acesso em 02 de março de 2013.

[4] Archaeologist: Bones found in Turkey are probably those of Cleopatra’s half-sister. < http://www.newsobserver.com/2013/02/24/2697973/archaeologist-says-bones-found.html#storylink=rss >. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.

Have Archaeologists Found Cleopatra’s Half-Sister?. Disponível em < http://bonesdontlie.wordpress.com/2013/02/28/have-archaeologists-found-cleopatras-half-sister/ >. Acesso em 03 de março de 2013.

Julho na NatGeo: Em busca de Cleópatra

Estará nas bancas neste mês de julho, como matéria de capa na National Geographic, o artigo “Em busca de Cleópatra”, escrita por Chip Brown. A capa está simplesmente genial e já pode ser visualizada no site da National Geographic Brasil.

Em Busca de Cleópatra - NatGeo 2011

As fotografias estão assinadas por Kenneth Garrett, que é bastante popular entre os egiptólogos, já que é o responsável pela maioria das imagens da National relacionadas ao Egito.

A National Geographic Brasil já liberou a matéria em seu site. Clieque aqui e confira.

Convite para o lançamento de “Cleópatra”

 

Convite para o lançamento do livro Cleópatra

 

A Editora Contexto está convidando os leitores do Arqueologia Egípcia residentes em São Paulo para o lançamento do livro Cleópatra de Arlete Salvador, que ocorrerá no dia 10 de Maio de 11. A entrada é franca.

A Editora Contexto está em parceria com o Arqueologia Egípcia, montando uma promoção para os leitores do site. Clique aqui e saiba como participar e aqui para saber sobre a segunda promoção (referente ao desconto para todo o catálogo de livros).

[Vídeo] Livro Cleópatra

Arlete Salvador, autora do livro “Cleópatra” (que está em promoção para os leitores do Arqueologia Egípcia. Clique aqui e saiba como participar) fala sobre o seu livro neste vídeo publicado pela Editora Contexto.

 

Sinopse do livro  

 

 

A famosa rainha egípcia ganhou uma biografia escrita pela jornalista Arlete Salvador e está em uma promoção exclusiva para os leitores do Arqueologia Egípcia.

 

Reproduzida pelos pintores, biografada por escritores, representada por estrelas de cinema, Cleópatra é um dos grandes mitos da História. Optando por um olhar inovador e contemporâneo, a autora deste livro capta uma Cleópatra sedutora e fascinante, mas também culta e inteligente, uma mulher do nosso tempo no Egito de 20 séculos atrás. Cleópatra possuía uma cultura invejável: grande negociante, estrategista militar, falava pelo menos oito línguas e era versada em filosofia, alquimia e matemática. Distante da imagem de simples objeto sexual, que certos filmes e livros tentaram passar, Cleópatra era uma política hábil e uma líder respeitável, em um período fundamental para a consolidação do poder de Roma.
Ao optar por um olhar desmistificador, Arlete Salvador, jornalista especializada em política, nos apresenta um livro fascinante. Ao se decidir por uma narrativa leve, sem erudição desnecessária, nos revela uma rainha mais próxima do leitor, com dúvidas e inquietações que poderiam ser de qualquer um(a) de nós. Daí que o livro, escrito com surpreendente bom humor, é daqueles que se deixa ler com grande prazer (Ed. Contexto). 

 

Promoção para leitores: Livro Cleópatra

 

Esta é uma promoção exclusiva para leitores do Arqueologia Egípcia.

De 08/04/2011 até 08/05/2011 a Editora Contexto está lançando uma promoção especial para os leitores do Arqueologia Egípcia: Aqueles que comprarem no site da editora o recém lançado livro “Cleópatra” escrito pela jornalista Arlete Salvador terão 20% de desconto. Para tal é extremamente importante que usem o código aegipcia no ato da aquisição online.

A famosa rainha egípcia ganhou uma biografia escrita pela jornalista Arlete Salvador e está em uma promoção exclusiva para os leitores do Arqueologia Egípcia.

 

Como participar da promoção:

– Entre no site da Editora Contexto e localize o livro “Cleópatra” de Arlete Salvador;

– Ao colocar o livro no carrinho de compras digite o código de desconto aegipcia.

 

Esta é uma promoção exclusiva e por tempo limitado.

 

Sinopse do livro

Reproduzida pelos pintores, biografada por escritores, representada por estrelas de cinema, Cleópatra é um dos grandes mitos da História. Optando por um olhar inovador e contemporâneo, a autora deste livro capta uma Cleópatra sedutora e fascinante, mas também culta e inteligente, uma mulher do nosso tempo no Egito de 20 séculos atrás. Cleópatra possuía uma cultura invejável: grande negociante, estrategista militar, falava pelo menos oito línguas e era versada em filosofia, alquimia e matemática. Distante da imagem de simples objeto sexual, que certos filmes e livros tentaram passar, Cleópatra era uma política hábil e uma líder respeitável, em um período fundamental para a consolidação do poder de Roma.
Ao optar por um olhar desmistificador, Arlete Salvador, jornalista especializada em política, nos apresenta um livro fascinante. Ao se decidir por uma narrativa leve, sem erudição desnecessária, nos revela uma rainha mais próxima do leitor, com dúvidas e inquietações que poderiam ser de qualquer um(a) de nós. Daí que o livro, escrito com surpreendente bom humor, é daqueles que se deixa ler com grande prazer (Ed. Contexto).

 

 

 

Cleópatra em Aventuras na História

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Está disponível neste mês (Abril de 2011) na revista Aventuras na História da Editora Abril uma matéria sobre a rainha Cleópatra.

 

 

Capa da revista de Abril de 2011 da revista Aventuras na História.

 

Escrito por Cláudia de Castro Lima, o texto possui comentários de vários egiptólogos, inclusive os brasileiros Maurício Schneider e Júlio Gralha (este último já mencionado aqui no site). Esta primeira parte não traz nenhuma novidade sobre as últimas pesquisas realizadas em sítios egípcios, mas obviamente é atraente para os amantes da história da rainha ou para quem ainda não a conhece, e é neste ponto onde o material torna-se bem útil já que em poucas páginas a autora explana muito bem alguns dos acontecimentos da vida desta figura do final do período faraónico.

 

 

Páginas da revista Aventuras na História. Matéria sobre a rainha Cleópatra. Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

A segunda parte da matéria é escrita por Maria Thereza David João (cuja dissertação está disponível aqui no Arqueologia Egípcia). Ela escreveu um texto muito moderno no que diz respeito ao estudo da figura feminina no Egito, tal vertente de pesquisa que hoje está sendo abordado com mais atenção pelos egiptólogos.
Sobre os desenhos foi usada a mesma formula da edição de agosto de 2008 que trouxe o faraó Tutankhamon na capa, inclusive as ilustrações da matéria pertencem a Sattu (ver mais aqui).

 

 

Revistas Aventuras na História. Capa com Tutankhamon (Agosto de 2008) e Cleópatra (Abril de 2011). Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

É uma matéria ótima, principalmente porque trouxe pontos e opniões de pesquisadores diferentes. Observem a bibliografia recomendada, o primeiro livro, devido as expectativas, provavelmente será bem recebido pelo o público brasileiro.

 

Ficha técnica:

Título: A última faraó

Revista: Aventuras na História

Autor:  Cláudia de Castro Lima e Maria Thereza David João

Ano de publicação (Brasil): 2011

Distribuição: Editora Abril

Tema: Egiptologia, Antigo Egito, Cleópatra VII

História Viva especial Arqueologia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Está disponível nas bancas neste mês a revista História Viva especial Arqueologia. Olhei o material de uma forma geral, não me preocupei em observar os textos que não dizem respeito à Arqueologia Egípcia, então assim elaborei meus comentários. De antemão deixo claro que a edição foi dividida em partes de acordo com a geografia: a primeira é dedicada a Arqueologia Européia, e segunda a Arqueologia Americana, e a terceira a Arqueologia Africana e Asiática.

 

Capa da revista História Viva especial Arqueologia. A capa anima... Já o conteúdo nem tanto.

 

Logo de cara não gostei das primeiras palavras que li no momento da apresentação da revista (no texto Os Indiana Jones pós-modernos), não foi interessante encarar aqueles que escavam por conta própria como algo normal, principalmente por que não só aqui no Brasil, mas em outras partes do mundo (a exemplo do próprio Egito) é crime fazer escavações em sítios sem permissão. O trabalho de arqueologia vai muito além de amor e curiosidade, é uma ação que requer responsabilidade e qualificação.

Em Mapas do tesouro foi feito algo bem bacana: colocaram um mapa e pontos mostrando as descobertas mais recentes da Arqueologia com um quadro de informações e o número da página em que se encontra a matéria.

O texto A tumba de Cleópatra, de Claudine Le Tourneur d’lson, fala sobre as pesquisas da arqueóloga dominicana Kathleen Martinez no sítio onde está situado o templo Taposiris Magna. Infelizmente, para um texto que deveria ser só informativo, tratou o SCA e Zahi Hawass como se fossem figuras presunçosas (embora, no caso do último tenha sido mesmo, ao alertar a imprensa sobre a suposta presença do túmulo de Cleópatra na região – erro levemente semelhante ao provocado em 2003 pela pesquisadora Joann Fletcher no caso do documentário “Nefertiti Revelada”, produzido e distribuído pela Discovery Channel). A chamada para o texto de cara não me agradou nenhum pouco, nele estão os dizeres “Os pesquisadores têm certeza de que estão prestes a encontrar a sepultura da rainha egípcia e de seu ilustre amante. Seria a descoberta mais importante desde a do túmulo de Tutancâmon” e no meio do texto a autora menciona que seria “uma descoberta mais fabulosa do que a de Tutancâmon” de acordo com o Zahi Hawass -. Independente de quem tenha sido a opinião, é muito triste que alguém publique isto, não é saudável aplicar valores a descoberta “x” ou “y” como se a arqueologia fosse um jogo de caça ao tesouro. O assunto “Cleópatra” é um tema polêmico, e quando a egiptóloga Claudine põe em um dos pontos que a então princesa Cleópatra vivia a sombra do pai e era a sua filha favorita também não me agradou, não sabemos de detalhes precisos da vida da governante, o que chegou até nós são frutos de opiniões de segunda mão, por que encher os leitores com ilusões? Acho que seria mais interessante se ela deixasse obvio no texto que o que ela escreveu faz parte da lenda, e não o reflexo de uma realidade que nem sequer sabemos qual era. São aspectos assim que não me agradam em um texto. 

 

Páginas da revista História Viva especial Arqueologia. Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

Em Indiscrições da família real logo em sua chamada encontrei um problema, lá fala que os bebês de Tutankhamon eram gêmeos. Esta é uma teoria de uma segunda equipe a qual ainda não tenho confirmação se foi tomado como verdade. A matéria é composta por somente duas páginas com um breve resumo dos resultados do exame de DNA feito com amostras retiradas do faraó Tutankhamon e outras múmias desconhecidas. Muito curto? Sim. Impreciso? Não. Gostei, pois em poucas palavras mostrou as deduções atuais acerca da pesquisa feita com o corpo do faraó e sua família. Só uma correção, a XVIII Dinastia termina com Horemheb, sucessor de Ay, que por sua vez foi sucessor de Tutankhamon, não sei qual foi a intenção da revista ao fechar a dinastia com os bebês mortos do faraó.

 

Páginas da revista História Viva especial Arqueologia. Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

Em Funeral Egípcio, também muito curto, dava para colocar mais informações, decepcionou um pouquinho, mas apontaram a descoberta recente da cama para desidratação encontrada na KV-63, o que de certa forma me animou.

Estas três foram as únicas matérias sobre descobertas recentes feitas no Egito. Se eu precisasse dar uma nota para o conteúdo daria 7,5. Tentei, mas não consegui me agradar com o texto A tumba de Cleópatra. Se a revista tivesse trazido somente esta matéria eu confesso que seria decepcionante. Mas preciso fazer uma ressalva importante: História Viva especial Arqueologia trouxe para nós uma entrevista com o arqueólogo Jean-Paul Jacob, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas arqueológicas Preventivas da França. Isto ajudou, até certo ponto, a perdoar os erros iniciais.  

     

Ficha técnica:

 

Título: História Viva especial Arqueologia

Autor: Vários

Ano de publicação (Brasil): 2011

Distribuição: Duetto

Tema: Arqueologia, descobertas recentes, Arqueologia Mundial