Guerras ao modo antigo: resenha do livro “Fortificar o Nilo”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não possuímos muitos títulos acadêmicos em português sobre a Antiguidade egípcia e quando um surge precisamos aproveitar a oportunidade. Este é o caso da obra “Fortificar o Nilo: a ocupação militar egípcia da Núbia na XII Dinastia (1980-1790 A.C.)”, do historiador e arqueólogo Eduardo Ferreira, que é mestre em História Militar.

Publicado pela Chiado Editora, editora parceira do nosso site, esse livro é o resultado de uma dissertação de mestrado cujo foco são as fortificações egípcias da 12ª Dinastia; como eram usadas, construídas, etc. As fortalezas abordadas são aquelas da Segunda Catarata do Nilo, na Baixa Núbia, atual Sudão, e que passaram por um resgate de emergência na década de 1970, por conta da construção da Represa de Assuã. E é graças a essa represa que alguns desses edifícios hoje encontram-se em baixo da água, estando somente duas ainda visíveis.

O autor, já de início, deixa claro que os pesquisadores, no geral, têm pouco interesse em História Militar, preferindo então focar em temas culturais ou religiosos. Esclarecendo isso é possível entender melhor a importância desta obra.

O livro é dividido em 4 capítulos, todos possuindo subcapítulos. E ao longo de suas páginas vocês encontrarão termos que não são muito comuns para o público não acadêmico, como é o caso de “Grupo C”, “Uauat”, que se refere a Baixa Núbia, “Kerma”, “ta-seti”, que significa “Terra do Arco” e que era um dos nomes dados pelos egípcios para Núbia, etc. No canal do Arqueologia Egípcia no Youtube fiz uma resenha bem completa deste livro. Confira a seguir:

No primeiro capítulo ele fala sobre o papel de alguns faraós da 12ª Dinastia na construção de fortes e a ameaça bélica da Núbia. Também apresenta os medjay e os satu. Os primeiros, a priori, eram relacionados com os núbios, até que o termo se tornou uma designação para qualquer tipo de militar. É tanto que nesse livro são citadas as mulheres medjay, mas isso em relação a sua etnia. E os segundos eram os arqueiros núbios.

Um dos pontos que o autor salienta é que os exércitos núbios, em especial o de Kerma, usualmente são subestimados por alguns pesquisadores, que os tomam como inferiores em relação aos egípcios. É aí que ele explica a sofisticação militar desses povos que, inclusive, faziam uso de frotas.

No segundo capítulo um dos primeiros tópicos abordados é sobre a demografia no Egito e as cidades muradas. E então o autor parte para as fortalezas, explicando que não se sabe muito sobre como os habitantes delas viviam nem sobre a sua organização.

O motivo de se fixar fortes na fronteira com a Núbia também é explicado: em termos simples era para controlar e fixar uma fronteira, além de, claro, servir de apoio e base para as operações militares.

Ele também explica muito brevemente a presença de artefatos arqueológicos pertencentes aos núbios dentro dessas estruturas, e esclarece que algumas populações nativas levantaram residências próximas as fortalezas. A conclusão do autor do porquê da presença dessas pessoas em um “território hostil” como esse é de que essa proximidade com as fortalezas teria relação com a busca por proteção contra outros grupos também nativos da Núbia.

No terceiro capítulo ele trata dos elementos arquitetônicos dessas estruturas, abordado pontos como proteção e captação de água. Assim como questões sobre a vida dos soldados egípcios que viviam nesses lugares. As discussões sobre as formas de acesso, como portas e escadas, claro que também estão inclusas, assim como a existência, ou suposta existência, de espaços como quartel-general, arsenal, celeiros e casas de banho.

Já sobre a residência de generais e dos soldados comuns é uma grande incógnita e em complemento o autor se pergunta quantos indivíduos poderiam viver lá e qual a capacidade agrícola de um lugar desses.

Então no quarto capítulo é levantada a questão de quem eram as pessoas destacadas para ir para os fortes, discutindo o número de contingentes. Que tipo de pessoa aceitaria esse trabalho? O que eles ganhariam em troca? Eles recebiam algum incentivo financeiro? Novos cargos? Sabe-se que no Médio Reino os comandantes possuíam o cargo de “Generalíssimo” e no Novo Império eles passaram a ser vice-reis da Núbia, e isso seria um grande estímulo para ir morar em um lugar tão isolado. Porém, não está comprovado a existência física de um generalíssimo nas fronteiras.

Ele igualmente aborda como o recrutamento era realizado, explicando que a cada 100 jovens de um determinado local, um era levado para servir. E ele complementa falando que os recrutas poderiam exercer funções de policiamento ou escolta. Então temos a apresentação do cargo de patrulheiro, que também eram chamados de “caçadores”. Eles patrulhavam o deserto, as fronteiras e as cidades.

Em seguida ele faz uma abordagem sobre os armamentos, locais para a sua manufatura e materiais usados para fazê-los. Dentre as armas citadas estão as lanças, arcos, flechas, maçãs, machado, punhais e espadas.

E finalmente chegamos as conclusões finais, onde ele faz um resumo do que levantou no livro.

 

Uma abordagem geral sobre “Fortificar o Nilo”:

Em um livro cujo foco está em estruturas arquitetônicas, senti muita falta de boas reconstituições das fortalezas, muralhas, torres de vigia e postos sinaleiros. Na verdade, a obra contém ilustrações, mas algumas estão com a qualidade comprometida ou não possuem muitas informações. Por isso, acredito que quem é só um curioso que está interessado em conhecer um pouco mais sobre a história egípcia pode ter certa dificuldade, enquanto que um acadêmico se sentirá mais à vontade.

Eu também queria ver uma lista com os nomes das fortalezas em um mapa maior e com uma qualidade melhor. Alguns dos encontrados no livro infelizmente possuem letras pequenininhas.

Tirando esses detalhes, a obra é bem referenciada, ou seja, os interessados no assunto terão várias sugestões de bibliografia. Sem contar que ele é uma ótima base para quem quer estudar o tema militar, até porque está em português. É desnecessário dizer que isso é um grande bônus.

Esteticamente é um livro bonito e as folhas amareladas tornam a leitura agradável. Isso me deixa ansiosa para saber qual será a próxima publicação sobre o Egito Antigo da Chiado Editora. Lembrando que eles publicaram também o livro “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico”.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas você poderá ver o faraó pronto para a batalha em seu carro de guerra.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

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Akhenaton e monolatria: um papo sobre este período único no Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

É fácil definir o Período Amarniano, esta época única durante o Novo Império. Ele tem início com o reinado do faraó Amenhotep IV, que mais tarde mudará seu nome para Akhenaton e segue até o reinado do faraó Ay, ou como defende alguns acadêmicos até o de Horemheb.

Estela amarniana. Foto: Kenneth Garrett. Abril de 2001.

Suas principais características é a mudança da capital de Tebas (atual Luxor) para Aketaton (atual Amarna), a arte que sofreu mudanças significativas e a religião, que agora põe em destaque somente um deus, o Aton.

Foi pensando em discutir essa época que o pessoal do Mitografias me convidou para o podcast “Papo Lendário”. Para ouvi-lo é só clicar no play abaixo. E para conhecer o trabalho deles é só acessar o seguinte site: www.mitografias.com.br

Para saber mais: Em meu livro, “Uma viagem pelo Nilo”, dedico um capítulo, “A análise dos talatats de Akhenaton”, para tratar da descoberta dos talatats do templo de Akhenaton em Karnak. Também apresento os principais acontecimentos dessa época em relação a mudança da capital.

 

Partes de múmias roubadas há quase 100 anos retornam ao Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Na semana passada, o Departamento de Repatriamento do Ministério das Antiguidades do Egito anunciou que partes contrabandeadas de múmias (não foi confirmado se é o mesmo corpo ou pessoas diferentes) foram repatriadas. Os membros – um crânio e duas mãos – tinham sido resgatados por investigadores dos EUA na cidade de Manhattan. Eles evitaram que um negociante norte-americano vendesse as peças.

Foto: Repatriation Department/Ministry of Antiquities

Shaa’ban Abdel Gawad, diretor do Departamento de Repatriamento, afirmou que as peças foram roubadas e contrabandeadas ilegalmente para os EUA há 90 anos atrás. De acordo com ele “Em 1927, um turista americano comprou essas peças de vários trabalhadores depois de fazer obras de escavações ilegais em um sítio arqueológico localizado no Vale dos Reis, cidade de Luxor”.

Foto: Repatriation Department/Ministry of Antiquities

Não foram liberadas mais informações sobre como essas partes foram retiradas do Egito e como foram finalmente localizadas quase 100 anos depois. Nem qual será a punição do contrabandista atual.

Foto: Repatriation Department/Ministry of Antiquities

O historiador Bassam el-Shamaa também teceu algumas palavras sobre esse repatriamento falando ao Egypt Today que “Os egípcios devem parar de vender e contrabandear a herança do Egito” e acrescentou “É contra todos os direitos humanos vender partes desmembradas de corpos humanos, mesmo que sejam múmias” rememorando sobre os leilões atuais que ainda possuem essa prática.

Contrabando e venda de múmias têm sido uma ação comum desde o início da Arqueologia Egípcia, mas tornou-se ilegal com o passar das décadas. Hoje é visto não só como algo ilegal, mas antiético, afinal, trata-se do corpo de alguém.

 

Fonte:

Egypt restores parts of dismembered mummies. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/39285/Egypt-restores-parts-of-dismembered-mummies >. Acesso em 07 de janeiro de 2018.

As 9 melhores descobertas arqueológicas de 2017 sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.

Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

 

1: Descoberta de imagens de embarcações:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Foto: Josef Wegner

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

 

2: Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada:

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

 

3: Fragmentos de uma estátua colossal:

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

Foto: Reuters.

4: Descoberta de tumba de princesa egípcia:

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Foto: MSA

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

 

5: Descoberta de faraó pouco conhecido:

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

 

6: Os mais antigos hieróglifos egípcios:

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Foto: MSA.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

 

7: Cabeça de faraó encontrada em Israel:

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

 

8: O maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino:

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Foto: MSA

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

 

9: Descoberta da localização de um templo de Ramsés II

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.

Foto: MSA

A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

 

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:

Agora é a vez de vocês! Qual é a sua descoberta arqueológica do ano de 2017 favorita?

Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Em novembro, a revista científica Nature publicou uma notícia anunciando a descoberta de “espaços vazios” dentro da pirâmide do faraó Khufu (Quéops), a maior do Platô de Gizé.

Aqui no Arqueologia Egípcia possuímos um dossiê sobre o assunto, mas você pode encontrar comentários em vídeo também no nosso canal. Nele falo um pouco sobre esta pesquisa e a controvérsia em que ela está envolvida:

E caso tenha curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a arquitetura egípcia acesse o nosso vídeo sobre o assunto: Arquitetura egípcia | Pirâmides, moradias e o Vale dos Reis.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção das pirâmides.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Templo da deusa Ísis é desenterrado por construtores em Banha (Egito)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

As ruínas de um antigo templo egípcio votivo à deusa Ísis, divindade da magia e protetora do trono real, foram descobertas em medos de novembro (2017) por trabalhadores em um projeto residencial na cidade de Banha, capital da governança de Qalyubiya.

Death and All His Friends

Ísis é a segunda da esquerda para a direita. Imagem meramente ilustrativa.

Os trabalhadores notificaram o ocorrido ao Ministério das Antiguidades, que enviou uma equipe de arqueólogos ao local da descoberta para dar início aos trabalhos de Arqueologia. Tais pesquisas identificaram inscrições que descrevem antigos alimentos egípcios. Também foram identificadas imagens de Ísis e do seu filho, o deus-falcão Hórus.

Horus, Temple of Isis, Philae

Hórus. Imagem meramente ilustrativa.

De acordo com o Egypt Independent, essa descoberta tem a capacidade de colocar esse sítio arqueológico no mapa turístico.

Um historiador local, Ahmed Kamal, professor de História da Universidade de Banha, apontou o potencial histórico dessa área, declarando que é um sítio rico em antiguidades, apesar de ser negligenciado pelo Ministério das Antiguidades. Ele ainda acusou o Ministério de “sabotagem deliberada”, uma vez que, de acordo com ele, o órgão tem negligenciado o local, que possivelmente tem 4.500 anos.

Ísis é uma das divindades mais importantes da Antiguidade egípcia. Seu mito é apresentado quase que na integra na obra “Moralia”, de um grego chamado Plutarco (66 d.E.C.–67 d.E.C.), que visitou o Egito nos anos finais do faraônico. Se você tiver interesse em divindades egípcias no canal do Arqueologia Egípcia irá estrear uma série dedicada aos deuses do Egito Antigo. Fique de olho para conferir. Para saber quando o primeiro capítulo sairá inscreva-se no canal e ative o sino. Link: https://www.youtube.com/arqueologiaegipcia

 

Fonte:

Al-Youm, Al-Masry. Isis temple unearthed by builders in Banha. In: Egypt Independent. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/isis-temple-unearthed-builders-banha/ >. Publicado em 17 de novembro de 2017. Acesso em 8 de dezembro de 2017.

 

Novo livro do Zahi Hawass fala sobre as Pirâmides de Gizé

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No início deste mês, dia 13, os arqueólogos Zahi Hawass e Mark Lehner realizaram uma cerimônia de assinatura do recém lançado livro “Giza and the Pyramids” (2017) na Universidade Americana no Cairo. Durante a ocasião Hawass aproveitou para comentar sobre a existência de um grande vazio na Grande Pirâmide de Khufu em Gizé, anunciado pelo time da Scan Pyramids. Ele explicou que este anúncio não é novo, nem mesmo uma descoberta.

— Saiba mais: A controvérsia diante do anúncio da descoberta de “espaços vazios” na Grande Pirâmide

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass acrescentou que o livro revela muitos segredos e responde questões relacionadas às pirâmides de Gizé, além das últimas teorias e estudos científicos sobre estes monumentos.

Na noite anterior ao lançamento ele recebeu um prémio da Euro-Mediterranean Partnership (EUROMED), concedido pela primeira vez a um egípcio. Esta homenagem é por seu papel na disseminação do conhecimento sobre o patrimônio egípcio em todo o mundo, incluindo a Europa e os países localizados em todo o Mar Mediterrâneo. Este é um dos grandes prêmios europeus dados a profissionais da área das artes e antiguidades, dentre outras.

Fonte:

Book signing of Zahi Hawass’ ‘Giza and the Pyramids’. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/32340/Book-signing-of-Zahi-Hawass%E2%80%99-%E2%80%98Giza-and-the-Pyramids%E2%80%99 >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

464 artefatos arqueológicos egípcios foram recuperados pela polícia

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 09/11 foi divulgada a notícia de que a Polícia de Turismo e de Antiguidades da cidade de Fayum (Egito) conseguiu frustar a ação de bandidos que tinham em sua posse centenas de artefatos arqueológicos. A ideia dos ladrões era contrabandear os objetos para comerciantes de antiguidades no exterior.

Durante a ação policial foram recuperados 464 artefatos que somam mais de trezentos ushabtis, 12 estatuetas, faces de madeira, potes cerâmicos e 66 fragmentos de ataúdes.

Não foi esclarecido a qual período histórico essas peças pertencem.

Fonte: 

464 historical artifacts seized by police in Fayoum. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/31709/464-historical-artifacts-seized-by-police-in-Fayoum >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

 

Arqueólogos no Egito descobrem o maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia). As escavações são coordenadas por Philippe Collombert da Universidade de Genebra.

O objeto possui inscrições que parecem ser o início dos títulos e o nome da rainha. “Ela provavelmente é a primeira rainha a ter Textos das Pirâmides registrados em sua pirâmide”, explicou Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo das Antiguidades, ao Ahram Online. Ainda de acordo com ele antes esses textos eram esculpidos somente nas pirâmides dos reis. Após Ankhnespepy II algumas esposas de Pepi II fizeram o mesmo.

Parte do obelisco da rainha Ankhnespepy II. Foto: Divulgação.

De acordo com Collombert, que também falou ao Ahram Online, a parte do obelisco que foi desenterrada é esculpida em granito vermelho e tem 2,5 metros de altura. Jamais foi encontrado um fragmento desse tipo de artefato desta magnitude proveniente dessa época, embora o Antigo Reino seja a “era de ouro” da construção das grandes pirâmides. “Podemos estimar que o tamanho total do obelisco foi de cerca de cinco metros quando estava intacto”, explicou. Ele ainda aponta que no topo do obelisco existe uma pequena deflexão que indica que a ponta foi coberta com lajes de metal, provavelmente de cobre ou de folha dourada, para que o obelisco brilhasse no sol.

Foto: Divulgação.

O artefato foi encontrado no lado leste da pirâmide da rainha, onde está localizado também o seu complexo funerário, o que sugere que o seu local original era a entrada do seu templo funerário. “As rainhas da 6ª dinastia geralmente tinham dois pequenos obeliscos na entrada do seu templo funerário, mas este obelisco foi encontrado um pouco longe da entrada do complexo de Ankhnespepy II”, apontou Waziri. Ele acredita que isto sugere que o obelisco pode ter sido arrastado por cortadores de pedra de um período posterior, uma vez que a maior parte da necrópole de Saqqara foi usada como uma pedreira durante o Novo Império e Período Final.

Quem foi Ankhnespepy II:

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

Com Merenre ela teve Pepi II, que possuía seis anos quando o seu pai faleceu, o que levou Ankhnespepy II a se tornar co-regente e, por pouco, quase faraó. “Provavelmente é por isso que sua pirâmide é a maior da necrópole depois da pirâmide do próprio rei”, disse Collombert.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção de uma grande estátua.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Archaeologists unearth largest-ever discovered obelisk fragment from Egypt’s Old Kingdom. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/278261.aspx >. Acesso em 05 de outubro de 2017.

O mistério de uma cabeça de estátua de um faraó em Israel

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor [1;2].

Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Trata-se de um artefato genuíno, datado de cerca de 4.300 anos. Esta peça pode ter parado em Israel de variadas maneiras, podendo ter sido presenteada, levada como lembrança ou como espólio de guerra, por exemplo. “A história da estátua é extremamente complexa, e o reino de Hazor deve ter ficado muito orgulhoso de poder exibir um objeto de tanto prestígio, conectado às imagens da realeza egípcia” [1], afirmaram os egiptólogos Dimitri Laboury e Simon Connor, em um relatório publicado no livro ‘Hazor VII: A Era de Bronze das Escavações 1990-2012 (Israel Exploration Society, 2017). De acordo com eles os traços estilísticos do objeto são comuns da 5ª Dinastia, o que intriga mais ainda, já que isto a situa como sendo do Antigo Reino, a época mais recuada do reinado dos faraós [1;2].

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Os pesquisadores também acreditam que o artefato foi destruído em algum momento há 3.300 anos, provavelmente após a invasão liderada pelo rei Joshua [1;2].

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada [2].

 

Fonte:

[1] Estátua de faraó de 4.300 anos intriga arqueólogos e gera série de dúvidas. Disponível em < https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2017/08/30/estatua-de-farao-de-4300-anos-intriga-arqueologos-e-gera-serie-de-duvidas.htm >. Acesso em 30 de agosto de 2017.

[2] 4,300-Year-Old Statue Head Depicts Mystery Pharaoh. Disponível em < https://www.livescience.com/60270-ancient-statue-head-depicts-mystery-pharaoh.html >. Acesso em 30 de agosto de 2017.