06 September 2010

Nefertiti… Falsificada?

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 19 - agosto - 2010 ADD COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa

 

Em 2009 uma notícia preocupou arqueólogos e egiptólogos e trouxe a tona esquemas de uma das mais famosas ações de contrabando ligada à arqueologia egípcia. Um historiador suíço chamado Henri Stierlin lançou para a impressa que o famoso busto da rainha Nefertiti, que está na Alemanha, seria uma falsificação.

 

Rainha Nefertiti. Foto: M. Busing.

 

De acordo com ele o afamado objeto foi copiado em 1912 pelos alemães para testar os antigos pigmentos utilizados pelos egípcios, Stierlin acredita que o busto que conhecemos foi feito por um artista chamado Gerardt Marks, contratado pelo o próprio descobridor da peça, Ludwig Borchardt.

 

Primeira foto do busto de Nefertiti. Seu descobridor, em carta ao patrocinador da expedição, teria pedido discrição para que o busto não chamasse atenção das autoridades egípcias.

 

A idéia de usar o busto como se fosse verdadeiro, de acordo com o historiador, partiu quando o príncipe alemão, Johann Georg, acreditou que o busto seria realmente antigo. Envergonhado, Borchardt não assumiria ao seu senhor a verdade.

Stierlin acredita que o busto é falso devido à própria aparência do objeto. Ele aponta a falta de um dos olhos como uma evidência, para ele um egípcio antigo jamais teria permitido ter uma imagem sua – que era como se fosse seu duplo – reproduzida faltando um pedaço. Também aponta o corte dos ombros da peça, que é em estilo vertical, algo que ele acredita ter surgido somente no século XIX na Europa. Ele também menciona a ausência de descrição do artefato em relatórios científicos durante a avaliação para sua saída do Egito, o que para ele é uma prova de que o objeto nem sequer esteve lá alguma vez.

 

Rainha Nefertiti. Foto: Hirmer Verlag.

 

As conclusões de Stierlin foram publicadas em seu livro Le Buste de Nefertiti – une Imposture de l’Egyptologie (2009). Outro autor e historiador que apoiou a afirmação foi o alemão Edrogan Ercivan em seu livro Missing Link in Archaeology, publicado também em 2009. Além de afirmar que o busto é falso ainda diz que a imagem foi baseada na própria esposa de Borchardt.

 

Le Buste de Nefertiti – une Imposture de l'Egyptologie. Autor: Henri Stierlin.

 

No entanto o busto passou por testes radiológicos, o que provou que ele realmente tem mais de 3.000 anos de idade. Os exames mostraram uma face oculta, como se fosse um núcleo para apoiar a estrutura de gesso, exatamente da forma como as esculturas de faces da cidade de Aketaton eram feitas. Mesmo assim Stierlin permanece imputável, para ele como o exame de Carbono 14 não é possível de ser realizado o busto não pode ser datado.

 

 

Imagens dos testes radiológicos no busto da rainha Nefertiti.

 

 

Questionado pelo o jornal The Guardian, o diretor do Museu Egípcio de Berlim, Dietrich Wildung, negou as acusações. “Uma mulher bonita e um suposto escândalo… Isso sempre vende”, comentou. Ele mesmo encomendou o teste para saber a autenticidade da peça e concluiu que de fato era antiga.

 

Curiosidades sobre o busto e seu descobridor:

- Em 1895, Ludwig Borchardt chegou ao Egito. Ele utilizava a fotografia para documentar sua viajem, o que acabou combinado, de forma gratificante, à arqueologia: um dos seus trabalhos mais importantes foi o cadastro fotográfico do acervo do Museu Egípcio do Cairo;

- O busto da rainha Nefertiti foi descoberto em 1912 na oficina do artista Tutmoses – local onde foram encontradas outras peças que retratavam pessoas da corte do faraó Akhenaton -. Para sair do Egito a imagem da governante ficou oculta dos inspetores enquanto Borchardt apresentava as peças mais chamativas. Este acontecimento foi subentendido pelo o próprio arqueólogo em uma de suas cartas;

- Com medo de represálias egípcias Borchardt e seu patrocinador mantiveram a peça escondida até 1924;

- Em 1933, Hitler proibiu a saída de Nefertiti da Alemanha, boatos nos anos 80 falariam que o ditador encomendou um segundo busto a fim de tentar enganar os egípcios.  

 

Para saber mais:

Documentário: Nefertiti’s Odyssey (No Brasil “Nefertiti”)

Canal: National Geografic Channel

 

* Fonte da notícia (conclusões de Stierlin): AFP

Bubastis: a antiga capital dos gatos

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 31 - julho - 2010 ADD COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa

 

O Egito, ao longo de seus séculos de existência, possuiu várias capitais onde se destacaram Tebas, Mênfis, Akhetaton e atualmente o Cairo. Dentre estas uma floresceu no Baixo – Egito e só teve sua decadência nos primórdios do período cristão: Bubastis.

Bubastis encontrava-se próximo a Aváris e Tânis, duas das cidades mais prosperas da antiguidade egípcia. Sua posição estratégica permitia controlar as rotas de Mênfis ao Sinai e consequentemente as vias que levavam à Síria (MALEK, 2008). Na literatura clássica o local era chamado de Bubasteion, mas dentre os egípcios a cidade era conhecida como Per-Bastet, “casa de Bastet” ou “pertencente à Bastet”. Já hoje, o lugar chama-se Tell-Basta e é popular pelas pesquisas na necrópole dos gatos. Importantes descobertas foram realizadas nos sítios arqueológicos da cidade como as sepulturas de alguns dos nobres da época do faraó Akhenaton e da tumba semi-rupestre de um dos dignitários de Ramsés II, Netcherouymes, que foi, possivelmente, um dos homens envolvidos no tratado de paz assinado entre os egípcios e hititas.

 

 

Relevo com imagem do faraó Osorkon II durante a festa 'heb-Sed'. Terceiro Período Intermediário, XXII Dinastia. Foto: Dietrich Wildung

 

Sua acessão como sede do governo se deu durante o Terceiro Período Intermediário (cerca de 1076 – 712 a.C, XXI – XXIV Dinastias), num tempo em que várias famílias de diferentes governantes comandaram simultaneamente o Egito. Foram os invasores líbios que transformaram Bubastis na capital, na medida em que a antiga sede, Tebas, entrava em declínio. (SIILIOTTI, 2006)

Embora a cidade seja relacionada à deusa Bastet, em sua necrópole também existiam múmias de outros animais além do gato, cujo culto tornou-se popular durante a Baixa Época e principalmente período Ptolomaico. A figura do gato desempenhava um papel importante na cultura religiosa egípcia: além de representar a doçura ele também poderia ser considerado um dos símbolos do combate do bem contra o mal, já que existem representações de felinos lutando contra a serpente maligna Apophis.

 

Imagem de ruínas de um templo de Ramsés III em Bubastis. Foto: Dietrich Wildung.

 

Tamanha era a estima dos antigos egípcios pelos gatos que quando mumificados o corpo destes animais era depositado em pequenos esquifes de madeira, não raramente com o seu exterior coberto de estuque e pintado imitando-o em vida, e guardados em catacumbas. Devido ao culto muitos deste tipo de múmias eram vendidos a devotos que esperavam que o bichano intercedesse por eles aos deuses, o que acabou por se tornar uma atividade extremamente rentável aos sacerdotes.

 

Esquife de gato na coleção de Eva Klabin. Foto: Sérgio Zales. OBS: foto com o fundo modificado.

 

Bubastis experimentou a decadência com o início da era cristã no Egito, quando as antigas crenças dos faraós tornaram-se blasfêmias. A cidade não mais seria conhecida pelo o culto aos gatos e as pequenas múmias destes felídeos acabaram por ser negligenciadas nos séculos seguintes sendo vendidas como souvenir ou fertilizante e não muito raramente deixadas para traz pelos pesquisadores responsáveis pelas áreas de necrópoles de animais durante parte do século XIX. Apesar de abandonada outrora, hoje a cidade recebe a dedicação merecida por parte da academia, a exemplo da Missão Arqueológica Francesa (MafB) e seu trabalho no local. Já as múmias felinas hoje não são usadas mais como adubo, e sim como importantes objetos de estudo tal como as múmias humanas e até recebem tratamento não invasivo. O progresso no campo da arqueologia não alcançou só homens e mulheres, mas também os animais que conviveram com eles em sua capital.   

 

Referências:

MÁLEK, J; BAINES, J. Deuses templos e faraós: atlas cultural do Antigo Egito. Barcelona: Ediciones Folio, p 174 – 175. 2008

SILIOTTI, A. Egito. Barcelona: Ediciones Folio, p 59. 2006

Cleópatra, a última rainha do Egito

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 20 - junho - 2010 6 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa (Lançado no ar em 12/07/09)

 

Introdução:

 

Qualquer fato relacionado à vida de Cleópatra VII tornou-se, na atualidade, algo questionável. Teria mesmo a última rainha do Egito se suicidado com uma serpente? Uma naja realmente teria veneno suficiente para matar a rainha e duas de suas servas? Suas artimanhas seriam meras lendas ou fatos reais?

Pesquisas no templo Taposiris Magna, localizado próximo ao Lago Abusir (antigo Lago Mariut – tendo a Norte a cidade de Alexandria), construído durante o reinado de Ptolomeu II (282-246 aC) revelaram achados que podem indicar o local como o túmulo da rainha Cleópatra, despertando mais uma vez a curiosidade sobre a vida desta mulher.

Escavação em Taposiris Magna. Foto: Supreme Council of Antiquities.

Escavação em Taposiris Magna. Foto: Supreme Council of Antiquities.

 

Este material é um resumo da biografia conhecida da rainha Cleópatra realizada pelo grego Plutarco (45 – 120 d.C) – que também fizera uma síntese sobre o mito de Ísis e Osíris -, mas para tal utilizei como base o trabalho da professora aposentada E. D. Benchley da Oxford University.

 

1.0 – Raízes gregas

 

Com a morte de Alexandre Magno em 331 a.C e a ausência de descendentes legítimos para herdar seu reino, seus generais disputaram suas conquistas. Nesta época o Egito, uma terra rica e produtiva, já estava em mãos gregas. No momento da divisão de bens foi Ptolomeu, conselheiro e um dos generais de Alexandre, quem ficou com o local, tornando-se o primeiro faraó da dinastia ptolomaica em 304 a.C governando na então capital Alexandria, que foi planejada pelo grego Dinocrates. Quem chegava à cidade pelo o mar se deparava com um grande farol de cerca de 100 metros de altura erguido na ilha próxima ao porto chamada de Faros. Segundo os documentos o farol era decorado com mármore branco, e sua exuberância, além de tamanho nada convencional, lhe garantiu ser uma das sete maravilhas do mundo.  

Ptolomeu teve varias esposas, mas uma se destacou: Berenice, a mãe do então herdeiro, embora ele não fosse o filho mais velho do faraó. Sugere-se que ela era irmã do rei, o que só demonstra que casamento consangüíneo da era Ptolomaica permaneceu fiel a tradição dos antigos governantes egípcios que imitavam seus deuses, casando-se com parentes próximos para manter a “pureza” divina.

 

Árvore genealógica: por ser bastante desgastante acompanhar o nome dos antepassados de Cleópatra lanço este gráfico para um melhor segmento.

O herdeiro chamou-se Ptolomeu II, que se casou com a meia irmã Arsinoe que lhe deu o filho Ptolomeu III Evergetes, depois se casou com uma irmã sanguineamente mais próxima chamada também Arsinoe.

Ptolomeu III se casa então com a irmã Berenice e da união nasce Ptolomeu IV Filopator, considerado a primeira “semente ruim” ptolomaica, uma vez que era impiedoso e lhe é atribuído o assassinato do pai e da mãe. Com a sua morte sua esposa acende ao trono, mas é morta pelos os ministros e substituída por seu filho Ptolomeu V Epifanes.

Como não tinha irmãs, Ptolomeu V se casa com Cleópatra I que deu a luz a Ptolomeu VI que se une matrimonialmente com a irmã Cleópatra II que dá a luz a Ptolomeu VII Neo Filopator.

O casal ainda divide o poder com o irmão Ptolomeu VIII, mas com a morte de Ptolomeu VI o trono passa para o sobrinho Ptolomeu VII. Ptolomeu VIII e a viúva Cleópatra II casam-se e tem um filho, mas o esposo trai a rainha com a filha desta chamada Cleópatra III.

Ptolomeu VIII demonstra um caráter particularmente mais desprezível quando assassina o filho com medo de que este venha a ser uma ameaça ao trono. Com a morte da rainha ele e Cleópatra III reinam juntos sob matrimonio e após a sua morte a moça escolhe seu filho mais novo, o Ptolomeu X, pondo de lado o primogênito Ptolomeu IX Soter que assumiu o governo da ilha do Chipre.

Ptolomeu X casou-se com a sobrinha Cleópatra IV Berenice, que após a morte do marido e do pai (que também chegou a torna-se faraó) permaneceu no poder casando-se com o seu filho Ptolomeu XI, mas depois de duas semanas e meia de casados ele mata a mãe/esposa, mas é assassinado por uma turba enfurecida.

Ptolomeu XI teve somente filhos ilegítimos, contraídos fora de um casamento monárquico, aos quais a dois deles lhes foi concedidos os reinos do Egito e Chipre. O que ficou com o primeiro foi Ptolomeu XII, que se casou com a sua irmã Cleópatra V. Nesta época o Império Romano já estava encontrando o seu auge e afirmava ter o testamento de Ptolomeu XI onde se afirmava que o Egito era a herança que ele deixava para Roma, muito embora não tenha sido apresentada a cópia de tal documento.

Com o medo da ameaça abusiva do Império Romano o faraó Ptolomeu XII teve que pagar enormes quantias para Roma, afim de que seus soldados não invadissem o Egito, um medo que se tornava mais latente quando Chipre foi tomada. Assim sendo os egípcios optaram por se desfazer de Ptolomeu XII exilando-o em Roma no ano 59 a.C e pondo no trono sua filha Berenice.

Em Roma o rei foi bem acolhido por Pompeu, Crasso e Julio César, principalmente pelo o primeiro que o recebeu em sua própria casa e apoiou os direitos monárquicos do exilado, embora saibamos que esta atitude não foi por amizade e nem compaixão e sim por dinheiro: Ptolomeu XII teve que pagar uma considerável quantia tanto a Pompeu como a Julio César que garantiram o retorno, sob escolta, do rei ao Egito.

 

Julio César

Julio César

 

Ao chegar a Alexandria, Ptolomeu XII ordena a execução da filha, nesta época a nossa Cleópatra (Cleópatra VII), a qual é dedicado o assunto deste trabalho, tinha quatorze anos quando sua irmã mais velha foi assassinada e tornou-se a próxima na sucessão. Diz-se que também foi na chegada da escolta romana que a pequena tinha visto pela a primeira vez Marco Antônio.

 

2.0 – A ascensão de Cleópatra VII ao trono

 

Não se sabe quem é a mãe de Cleópatra VII, então se especula que seja filha de uma segunda esposa de Ptolomeu XII.
Ela na verdade não se destaca na história egípcia somente devido aos seus romances, mas sim por ter sido a primeira da família ptolomaica a falar o idioma egípcio, ao contrário dos demais governantes da dinastia que só falavam grego.

Além da vantagem de ser poliglota, parece ter sido bastante astuta, o que lhe conferiu tornar-se alvo de interesse de duas cabeças importantes de Roma. Seu empenho pelos estudos não ficou somente nas línguas, ela interessava-se também por ciências e literatura.

Quando Ptolomeu XII morreu em 51 a.C e Cleópatra alcançará a idade de quinze anos e seus irmãos dez e sete anos, Pompeu tornou-se tutor dos príncipes egípcios. De acordo com o testamento do rei falecido, a princesa deveria então casar com o seu irmão Ptolomeu XIII para que governassem juntos, no entanto, vendo que a jovem não planejava de fato dividir o poder com o irmão um eunuco chamado Potino e um político chamado Áquilas resolveram unir-se ao garoto para derrubar a irmã. Depois de afastar a rainha eles ambicionavam governar usando o menino como fantoche.

 

Cleópatra

Cleópatra

 

Neste meio tempo, em Roma, o choque de idéias entre Pompeu e César, o qual estava cada vez mais ganhando popularidade, fez com que se ocorresse uma ruptura de aliança e os dois travaram batalha.

Acreditando ser Pompeu o mais forte, a rainha Cleópatra lhe envia então apoio através de reforços navais e cereais para alimentar o seu exército.

Provavelmente aproveitando a insatisfação egípcia por sua governante estar ajudando a odiada Roma, Ptolomeu XIII, já com quatorze anos de idade e instigado por seus conselheiros, iniciou incitações ao povo para desmoralizar o prestigio de Cleópatra.

O objetivo foi alcançado e Cleópatra mais sua irmã Arsinoe fugiram para a Síria.

César derrota Pompeu na batalha de Farsália no ano de 48 a.C e torna-se o governante total de Roma.

Pompeu segue então para o Egito acreditando que receberia asilo, assim como fez anos antes com um dos ptolomeus, mas foi assassinado e teve tua cabeça cortada para ser presenteada a César, a autoridade maior romana que chegou à Alexandria muitos dias depois no encalço de Pompeu. Ser presenteado com a cabeça do outrora amigo e principalmente cidadão romano deixou César decepcionado.

Depois de sepultar Pompeu, César percebeu a realidade do governo egípcio e enviou mensagens pedindo que os irmãos se reconciliassem, mas ambos tinham planos diferentes do dele.

Cleópatra aproveitou a estadia de Júlio Cesar em Alexandria e resolveu vê-lo, mas em um momento em que o irmão não estivesse presente para não influenciar na sua conversa com o comandante romano. Ela navegou de volta a capital egípcia em uma embarcação simples e foi enrolada em um tapete para que se passasse por uma encomenda. Carregado por um empregado o “pacote” é levado para os aposentos de Julio César.

De acordo com Plutarco os dois tiveram relações sexuais naquela mesma noite e no outro dia Ptolomeu XIII apresentou-se para ter uma reunião com César e quando viu a irmã ao lado do governador percebeu que Cleópatra estava um passo a sua frente.

Em determinado momento de sua estádia no Egito, César deixou bem claro para os dois irmãos que deveriam governar juntos, como estava no testamento de Ptolomeu XII. No entanto, apesar de promover a união dos dois ele continuava a dormir com a rainha, o que provocava o descontentamento entre os egípcios já que sua soberana traia o faraó com um estrangeiro de forma extremamente descarada.

O descontentamento provocou uma revolta civil que implicou no uso do exercito por Potino e Áquilas, os conselheiros mais próximos de Ptolomeu XIII, mesmo que o seu rei não lhes desse a ordem de insinuar uma batalha contra os romanos.

O conflito armado ocorreu na própria Alexandria, Arsinoe, que até então estava encarcerada na prisão do palácio junto a Ptolomeu XIII, conseguiu escapar e juntou-se a turba que a aclamou como a nova rainha do Egito.
Áquilas, que estava no comando do exército que invadiu a cidade, teve sua morte encomendada por Arsinoe que declarou o seu eunuco Ganímedes o novo general. Já no palácio, César mandou executar Potino e libertou Ptolomeu XIII da prisão. Quando se viu livre sua primeira medida foi se unir a Arsinoe, o que, travou o seu destino.

Quando os alexandrinos tomaram a ilha de Faros, César receou que os nativos tomassem sua frota naval e mandou que ela fosse incendiada. As chamas provocadas por esta ação durou dias e se espalhou tomando alguns pontos da cidade, inclusive a biblioteca de Alexandria, conhecida por ter possuído milhares de volumes sobre a civilização grega, ciências e literatura.

A certa altura César conseguiu recuperar a ilha de Faros, mesmo com o auxilio de sua reduzida tropa, mas os egípcios, que estavam em uma força consideravelmente maior, continuaram ferozes. Em fim, quando reforços chegaram de Roma a batalha, que durou seis meses, pode em fim chegar ao fim. Ptolomeu XIII tentou escapar dos romanos pelo o rio, mas sua embarcação foi a pique e o rei morreu afogado.

 

3.0 – César e a rainha Cleópatra

 

Com a vitória, César ordenou o restauro da cidade e entregou o poder a rainha Cleópatra e seu irmão mais novo, Ptolomeu XIV, que tinha onze anos. Com o novo casamento a vida monárquica egípcia poderia continuar. Já a rainha dos rebeldes, Arsinoe, foi exilada em Roma.
Cleópatra então engravidou, mas como não podia, e nem queria, declarar que a criança pertencia a Ptolomeu XIV, ela teve uma idéia. Todos no Egito sabiam que o pai era Júlio César, logo ela se reuniu aos sacerdotes e pediu que eles afirmassem à população que o governador romano era a reencarnação do deus Amon, assim, não teria problema algum que a rainha engravidasse dele. A criança que Cleópatra esperava seria o único filho de César, já que nenhuma das esposas que ele tivera em Roma lhes deu um.

 

Imagem em moeda de Cleópatra segurando seu primeiro filho.

 

Com o passar dos dias a pressão para voltar a Roma só continuou a aumentar, e após passar uns tempos com a rainha egípcia navegando pelo o Nilo para conhecer a cultura do norte da África, César retornou para os romanos. Semanas depois o seu filho nasce. Presunçosamente a criança ganhou o nome de Cesarion, e Cleópatra mandou que se cunhassem moedas com a sua imagem segurando o menino.

 

Cesarion

Cesarion

 

Quando Cesarion alcançou os dois anos de idade, Cleópatra e o esposo foram para Roma durante as celebrações de triunfo das guerras de César. Quando chegou teve que assistir a sua irmã Arsinoe desfilar de forma humilhante e acorrentada pelas as ruas, apresentada como um troféu do governador.

 

A rainha egípcia ficou hospedada num bairro periférico e era tratada como uma convidada especial de César, o qual ia visitá-la freqüentemente, mas, apesar de ter conhecido o filho pessoalmente, não o reconheceu como seu herdeiro legítimo, muito pelo o contrário, ele definiu em seu testamento que caso ele não tivesse um filho seus bens teriam que passar para o seu sobrinho Otávio, filho de Átia, e irmão de Otávia.

Com o aumento de seu poder Júlio César tornou-se Imperador e Ditador Vitalício, mas o senado não estava contente com o seu governo acreditando que por receber tal poder ele seria uma ameaça. Dois nomes do senado começaram a tramar uma conspiração: Cássio e Brutos, sendo que este último era alguém ao qual César depositava total confiança.

O plano foi posto em prática durante uma tarde quando, ao chegar ao senado, o ditador foi surpreendido por adagas que estavam escondidas nas togas dos companheiros. Os demais senadores que não faziam parte da trama só puderam assistir ao assassinato do imperador.

 

Depois de Júlio César o homem mais poderoso de Roma era Marco Antônio, e este, quando soube do assassinato fugiu disfarçado de escravo até a sua casa onde mandou uma mensagem para a esposa de César lhe pedido os documentos administrativos. Os papeis, desde então, ficariam em poder de Antônio.
Quando o testamento do imperador foi a público o povo romano soube que também eram herdeiros do ditador, pois ele deixará uma quantia considerável de dinheiro para cada cidadão e que Brutos, um dos seus assassinos, deveria ser o tutor do filho que César poderia vir a ter. Tomando ciência destes fatos os romanos decidiram condenar o grupo de conspiradores.     

Otávio, o herdeiro legítimo do tio, ficou sabendo do ocorrido só semanas depois, mas durante este período Marco Antônio já estava disposto a torna-se o substituto de César no poder.

 

4.0 – Antônio: a nova opção de Cleópatra

 

Cleópatra ainda estava em Roma quando o imperador foi morto, mas conseguiu voltar em segurança ao Egito, mas não sem antes envenenar o esposo que nesta época tinha quinze anos.

 

Marco Antônio

Marco Antônio

Otávio e Marco Antônio resolveram se unir e lutar contra os assassinos de César. Ao vencerem a batalha dividiram entre si os territórios conquistados por Roma. O segundo ficou com as partes orientais, o que incluía o Egito. Ele parte então em uma viajem por suas terras para arrecadar tributos para Roma. Em determinado momento, quando estava em Tarso, solicitou varias vezes a presença da rainha Cleópatra, mas ela cancelava todas as visitas, ação contrária aos dos demais governantes orientais que atendiam ao pedido de Marco Antônio com presteza.

Depois de receber vários convites Cleópatra então resolve encontrar Marco Antônio, mas ela prepararia uma grande frota de navios e se estabeleceria em uma embarcação especialmente extravagante para ir a Tarso apresentando-se como uma deusa.  

Marco Antônio e Cleópatra manteriam então relações amorosas daquele dia em diante, e a pedido da rainha ele executa Arsinoe. Mas para exaltar sua afeição para com a egípcia ele ainda lhe presenteia com a ilha de Chipre.

Um ano depois os dois se reencontraram em Alexandria, onde Marco Antônio ficou hospedado despreocupadamente e até adotou alguns costumes do local, como vestir-se igual a um grego, por exemplo. Ele passava os dias entre jogatinas, bebedeira e exercícios e quando recebia alguma mensagem pedindo para que retornasse a Roma ele a ignorava.

Devido ao seu descuido, Marco Antônio começou a perder algumas terras e teve que abandonar o seu refúgio e ir para a Grécia e assim montar os planos para a futura batalha. Sua esposa Fúlvia foi ao seu encontro. Enquanto ele esteve fora, ela e Lúcio, irmão mais novo de Marco Antônio, travavam uma guerra civil contra Otávio. Enquanto esteve com o esposo, Fúlvia adoeceu, mas ele a abandona para ir a Roma. Ao chegar ao seu destino o general recebe a mensagem que anuncia que ela morrera após sua partida.

Lúcio tem o seu exercito subjugado por Otávio que, apesar de tudo, continua em aliança de paz com Marco Antônio.

Os dois resolveram reforçar a divisão do império entre eles, mas desta vez o Egito é posto como território independente.

Marco Antônio foi então obrigado a casar-se com Otávia, irmã de Otávio, para intensificar a aliança entre os dois. A esta altura Cleópatra estava grávida e acabou por dar a luz a gêmeos: uma menina chamada Cleópatra Selene e um garoto chamado Alexandre Hélios.

 

Otavia

 

Antônio e Cleópatra passaram quatro anos sem se ver, mas se reencontraram após ele lhe enviar uma mensagem pedindo-lhe que fosse vê-lo na Síria. Quando se encontram ele a presenteia com quase toda a bacia do Mediterrâneo e reconhece Cesarion como herdeiro legítimo de Júlio César.

Enquanto Marco Antônio preparava-se para a batalha contra os partos (de origem Indo-europeia), Cleópatra descobre que está grávida mais uma vez, era um menino ao qual deu o nome de Ptolomeu Filadelfo.

 

5.0 – A guerra eminente contra Roma

 

Esperava-se que se utilizando de um grande exercito Marco Antônio derrotaria facilmente os partos, mas depois de meses separados a rainha começa a receber cartas de súplicas do amante lhe pedindo dinheiro e reforços, e assim que vai encontrá-lo depara-se com um exército faminto sob o comando de um homem declinado. Na vontade de proteger Cleópatra de possíveis retaliações Antônio alimenta o exército e deixa claro que o dinheiro que os nutre é da rainha egípcia.

Otávia em Roma estava abandonada, e juntamente ao seu irmão ficou sabendo da alarmante situação financeira do marido. Ela então vai à Grécia com uma grande quantia de dinheiro e manda uma mensagem para Antônio mandando que ele vá encontrá-la. Esta ação, em verdade, era um truque de Otávio, se por acaso Antônio se negasse a ir os romanos poderiam interpretar como de fato abandono a Roma e lealdade a Cleópatra.

Influenciado por um suposto ataque de tristeza que teria abalado a saúde psicológica de Cleópatra, Antônio escreve a esposa pedindo-lhe que retorne para casa, pois ele não pode buscá-la uma vez que estaria se preparando para a guerra o que seria potencialmente perigoso para ela. A opinião pública, olhando a nobreza de caráter de Otávia e paciência em esperar fielmente o marido começou a repudiar Marco Antônio.

A certa altura da sua vida ao lado de Cleópatra, Marco Antônio em um festival em Alexandria afirmou publicamente que o Império do Oriente estava totalmente independente de Roma, e que ele, mas a rainha e seus filhos seriam os senhores.

Dar os domínios orientais para a rainha egípcia foi o extremo para o povo romano. Marco Antônio era então um inimigo oficial do império.

Otávio e seus partidários iniciaram uma serie de propagandas degenerativas contra Cleópatra.

Logo o Egito e o império romano começaram a prepararem-se para se confrontarem. Aqueles que eram partidários de Marco Antônio foram para o Egito ficar ao seu lado. Cleópatra insistiu que a guerra contra Roma deveria ocorrer, ela estava no anseio de torna-se governante também do ocidente e usaria o seu exército e o exército de Marco Antônio para tal. Ele estava tão dominado por ela que seguindo o seu pedido separou-se oficialmente da sua esposa Otávia. Nesta época ele estava com cinqüenta e oito anos, e a rainha com trinta e nove.

Diante da submissão pública que Marco Antônio demonstrava por Cleópatra ele começou a perder partidários. O que continuou a seguir foram demonstrações cada vez maiores de abandono ao Império de Roma, dentre eles o seu testamento onde estava afirmado que quando morresse queria ser velado no fórum romano, mas o seu corpo deveria ser enviado a Alexandria para lá ser sepultado. Uma afirmação desta vindo de um dos lideres de Roma era um insulto, e ele foi exonerado de todos os seus cargos oficiais e a guerra foi enfim declarada contra Cleópatra.

Em 31 a.C, Marco Antônio concentrou sua infantaria e suas forças navais na Grécia, mais especificamente em Áccio. Otávio tomou a iniciativa e atacou as tropas de Antônio primeiro e o fez com sucesso.

Após um longo período de batalha a fio no mar e as tropas de Otávio prestes a se tornarem vitoriosas os navios de Cleópatra içaram as velas e fugiram. Marco Antônio logo passa para um navio menor e segue a rainha. Sem comando, as suas tropas se rendem e a batalha é tida como terminada. Cleópatra ansiava retornar o mais breve possível para Alexandria antes que os egípcios descobrissem a sua derrota, mas Marco Antônio decidiu permanecer em uma cidade costeira chamada Paretonium (atual Marsa Matrouh) onde ficou sabendo que a Grécia prestara homenagens a Otávio.

A rainha, por sua vez, voltou para casa com toda a pompa de uma governante vitoriosa, mas, ciente da sua situação, ela enviou um emissário a Otávio munido de alguns presentes (um cetro e uma coroa), na busca de uma negociação: ela lhe entregaria seu reino se ele permitisse que os príncipes egípcios herdassem o trono. Otávio então deixa claro que aceitaria a oferta se a rainha se livrasse de Marco Antônio, executando-o ou expulsando-o do reino. Cleópatra não segue o pedido e Otávio interpreta esta ação como uma recusa.

Numa última investida ela usa o seu filho Cesarion para denotar a sua ascendência de Roma preparando para ele a cerimônia da maioridade, que era de considerável importância na sociedade romana, na época ele tinha dezessete anos de idade e vestia a toga dos adultos. Otávio, ao saber da celebração, ressentiu-se, pois ele deveria ser o único herdeiro de Julio César, e o seu rival egípcio ter tornado-se adulto era uma ameaça a sua posição.

Após ter passado um ano Otávio descobre que a rainha está preparando um mausoléu. Devido a este fato ele começou a imaginar que ela pensava em suicídio, o que não ia de acordo com os planos dele, já que ansiava que a rainha viesse a desfilar nas ruas de Roma como o seu triunfo. Assim ele inicia um joguete insinuando-se apaixonado pela egípcia e ela aceita esta oportunidade.

Neste ponto da história a personalidade de Cleópatra apresenta-se mais dúbia, ela troca cartas secretamente com Otávio, enquanto este pedia que a rainha executasse seu amante. O fato de ela manter estas mensagens em segredo parece apontar que matar Marco Antônio fosse realmente uma possibilidade aceitável.

Ela então envia para fora do Egito Cesarion, a fim de protegê-lo até que a sua situação estivesse segura, e depois se tranca no próprio mausoléu com duas criadas mandando que informassem a Marco Antônio que ela tinha se matado. Este logo reagiu e após enfiar uma espada no próprio peito descobre de alguma forma que Cleópatra estava viva e pediu para que o levasse até ela.

A rainha estava encerrada em seu mausoléu e se negou a abrir-lo, os presentes tiveram que transpassar o romano por um orifício com o auxilio de cordas e roldanas. As fontes relacionadas aos últimos momentos de Cleópatra e Marco Antônio são contraditórias. Mas o que está escrito é que ele morreu em seus braços, ficando ambos trancados no local. Ainda segundo as fontes escritas disponíveis, soldados de Otávio chegam ao mausoléu, e em um determinado momento durante as negociações com a rainha pelas frestas da tumba um dos oficiais romanos conseguiu entrar no recinto e prender Cleópatra. O povo de Alexandria não foi punido e a cidade não foi saqueada. Os filhos gêmeos da governante foram enviados a Roma onde foram adotados por Otávia.

Otávio permitiu que Cleópatra mumificasse Antônio, cita-se que neste período ela ficou doente e negou-se a se alimentar, mas, após saber que se não comesse seus filhos seriam executados voltou a cuidar da saúde. Otávio mostrou-se o tempo todo prestativo a rainha, mas ele foi desmascarado quando um dos seus séqüitos o traiu contando a Cleópatra que ele planejava levá-la a Roma para ser exibida nas ruas.

Ela então reconsiderou o suicídio e pediu permissão para visitar a tumba de Marco Antônio para fazer oferendas. De acordo com os textos ela teria tomado um último banho e se vestiu com indumentárias ligadas a deusa Isís, e enquanto fazia sua refeição um homem entrou na sala com um cesto cheio de figos e ofereceu aos soldados, depois os levou a rainha. Ela, em contrapartida, escreveu uma mensagem a Otávio, onde pedia para ser sepultada ao lado de Marco Antônio. Ao receber a mensagem Otávio se dirigiu rapidamente ao local e encontrou Cleópatra morta na cama e suas duas criadas Iras e Charmion agonizando aos seus pés.
  
 
Veja mais:

Benchley, Elizabeth. Cleópatra. Editora Folio, 2007.

Sobre os trabalhos em Taposiris Magna:

Terrae Antiqvae, 24/04/2009. < http://terraeantiqvae.blogia.com/2008/042401-egipto-buscara-mediante-un-radar-las-tumbas-de-cleopatra-y-marco-antonio.php >