Por que as pessoas do passado mumificavam?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

As múmias mais famosas do mundo certamente são as egípcias. Graças a elas sabemos detalhes sobre a vida no Egito Antigo, tais como dieta, meio ambiente, causas de morte comuns e taxas de mortalidade. E estas múmias só existem pelo simples e puro fato de que os antigos egípcios acreditavam na vida após a morte e que os corpos mumificados seriam uma “parte da existência” necessária para tornar esta “continuação da vida” possível. A propósito: as múmias no Egito eram chamadas de “Sah”.

Múmia egípcia

Mas, não existiram múmias somente no Egito, certo? Em vários lugares pelo mundo múmias foram encontradas e as finalidades delas nem sempre eram parecidas as dos egípcios — ou seja, vida após a morte —. Algumas não possuíam finalidade alguma, sendo somente acidentes da natureza.

É onde entra aqui o que nós arqueólogos chamamos de “mumificação antrópica” — também chamada de cultural — e “mumificação natural”. O primeiro tipo é aquele que foi construído por pessoas e o segundo tipo o que foi feito pela natureza. Exemplo:

As antrópicas são aquelas múmias feitas com o uso de artifícios que visam preservar o corpo tais como o “banho” de natrão, banho de vapor, etc… Onde pessoas pensaram em alternativas para a conservação. Ótimos exemplos são algumas egípcias, chinesas e amazônicas.

Múmia de Papua Nova Guiné

As naturais são aquelas que se formaram de forma acidental, porque o corpo foi colocado em um ambiente propício para a conservação, ou seja, não existia um desejo pela mumificação, ela simplesmente ocorreu. Alguns exemplos são as do Everest, as de San Bernado e Otzi.

Homem de Tollund

Múmia de San Bernado

Já teve curiosidade em saber os motivos das pessoas terem mumificado seus entes queridos ao longo dos séculos? Ou quantos tipos de múmias existiram? Assista a este vídeo:

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]