Quer ter camisetas e moletons com o tema Arqueologia e Egito Antigo?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Recentemente o meu canal, o Arqueologia pelo Mundo, se uniu à Lolja e lançou sua primeira linha de camisetas e moletons, todos com temas de arqueologia, sendo três estampas trazendo elementos do Egito Antigo.

A linha foi lançada há alguns meses e quem ficou responsável pelas ilustrações foi a artista Márcia Sandrine, que não por acaso é a minha irmã. Ela gosta da estetica dos anos 80 e foi daí que retirou a inspiração, “Por que não eles no estilo dos anos 80? Como seria?”, ela me falou, meses depois, enquanto explicava sua visão. Depois disso a ideia veio de imediato com uma estampa sobre o faraó Tutankhamon e logo depois a de Nefertiti. Ela sabia exatamente o que queria alcançar, algo “meio um Daft Punk”, nas palavras dela.

Depois foi a vez da Grande Esfinge, a qual ela queria que rememorasse uma capa de um disco de vinil. Já a icônica frase da estampa? Bom, essa aí é uma outra história! Foi ideia de Chico Camargo, do ScienceVlogs, um amigo meu que em uma tarde, ao ver a estampa, soltou a pérola. E de fato, mais retrô que o Egito Antigo? Impossível!

A quarta estampa foi ideia minha, inspirada em uma seguidora que estava tentando me animar em um dia em que eu estava muito mal após receber ataques xenofobicos na internet. Ela me enviou uma mensagem onde dizia que a alqueologia é a minha bandeia. Isso me marcou, porque eu sentia que era exatamente assim que eu enxergava alguns seguidores do canal. Eu sinto que se temos uma bandeia em comum é essa. Então a estampa possui elementos relacionados com o próprio canal e minha própria carreira acadêmica (o crânio, por exemplo, é porque gosto muito de bioarqueologia). 

Essa linha não ficará por muito tempo disponível, infelizmente… Mas, em breve uma nova chegará. E enquanto isso não acontece, vocês podem conferir todas as cores e modelos disponíveis: https://www.lolja.com.br/creators/arqueologia-pelo-mundo

Egito prepara grande procissão fúnebre para múmias de faraós

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito está se preparando para transferir as múmias de alguns dos mais famosos faraós, que estão no Museu Egípcio do Cairo, para o Museu Nacional da Civilização Egípcia de Fustat. No total, 22 múmias reais serão transferidas sendo 4 delas de rainhas. Cada uma em seus próprios transportes, mas não serão transportes quaisquer! Olhem o que foi preparado para o cortejo:

Entre as múmias que serão transferidas estão a de Ramsés II, Seqenenre Tao, Tutmés III, Seti I, Hatshepsut e as rainhas Meritamen e a Ahmose Nefertari. Esses corpos foram encontrados no final do século 19 na TT320, um esconderijo real localizado em Deir el Bahari:

A preparação do Museu Nacional da Civilização Egípcia para receber esses corpos e outros artefatos arqueologicos, é um dos projetos mais importantes realizados pelo governo egípcio em cooperação com a UNESCO.

— Veja também: Novidades sobre o museu que abrigará múmias de faraós

O que sabemos por hora é que a a celebração começará com a iluminação da Praça Tahrir, onde está o Museu Egípcio, e uma cortina será levantada sobre o obelisco e os carneiros circundantes. Nesse momento terá início a grande cerimônia do translado das múmias.

Praça Tahir iluminada.

Ao longo da procissão música será tocada e os prédios localizados no trajeto ganharão um show de luz com destaque para o azul. Lembrando que o azul era uma cor sagrada para os antigos egípcios. 

Cada carro carregará o nome de sua respectiva múmia tanto em egípcio antigo como em árabe egípcio. Todas as fotos que temos no momento foram tiradas por Muhammad Ramadan um graduado do Al-Alsun College. 

 

 
 
 
 
 
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O governo egípcio tem treinado o desfile fúnebre para ter certeza que ocorrerá tudo bem. Lembrando que mesmo mortos há mais de 3000 anos os egípcios ainda consideram esses reis e rainhas como líderes de estado. Já Tutankhamon não fará parte dessa procissão. O corpo desse rei permanecerá no Vale dos Reis. Saiba mais sobre esse assunto:

A data da transferência ainda não foi disponibilizada. Originalmente o governo egípcio esperava convidar a imprensa internacional para acompanhar o cotejo fúnebre. Contudo, devido a pandemia do novo coronavírus, provavelmente esses planos mudarão. 

Fontes: 

Preparations for transfer of 22 royal mummies finalized. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/79668/Preparations-for-transfer-of-22-royal-mummies-finalized >. Acesso em 17 de janeiro de 2020.

Egypt’s min. of tourism & antiquities embarks on an inspecting tour in NMEC. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/88463/Egypt%E2%80%99s-min-of-tourism-antiquities-embarks-on-an-inspecting-tour >. Acesso em 14 de junho de 2020

Disponível em < https://tourismtourism445.blogspot.com/2020/12/blog-post_2.html?m=1&fbclid=IwAR1fPtHxpRmTFRd8412Lq91PGuh-L7PvDZtlNZA-y_AuRtTdOuAIJUa3bVw >. Acesso em 02 de dezembro de 2020. محمد رمضان عشماوي يلتقط صور للاستعدادت الأخيرة لموكب نقل المومياوات الملكية (صور)

Disponível em < http://gate.ahram.org.eg/News/2537682.aspx >. Acesso em 02 de dezembro de 2020. «السياحة والآثار» تضع اللمسات الأخيرة للكشف عن أكبر موكب ملكي | صور

Disponível em < https://www.youm7.com/story/2020/12/2/%D9%85%D9%8A%D8%AF%D8%A7%D9%86-%D8%A7%D9%84%D8%AA%D8%AD%D8%B1%D9%8A%D8%B1-%D8%AD%D8%AF%D9%8A%D8%AB-%D8%A7%D9%84%D8%B3%D8%A7%D8%B9%D8%A9-%D8%B9%D9%84%D9%89-%D9%85%D9%88%D8%A7%D9%82%D8%B9-%D8%A7%D9%84%D8%AA%D9%88%D8%A7%D8%B5%D9%84-%D8%A8%D8%B9%D8%AF-%D8%B8%D9%87%D9%88%D8%B1-%D8%B9%D8%B1%D8%A8%D8%A7%D8%AA/5095752  >. Acesso em 02 de dezembro de 2020 . ميدان التحرير حديث الساعة على مواقع التواصل بعد ظهور عربات نقل المومياوات.. صور

Disponível em < https://www.masrawy.com/news/news_egypt/details/2020/12/2/1923399/%D8%A8%D8%A7%D9%84%D8%B5%D9%88%D8%B1-%D8%A8%D8%B1%D9%88%D9%81%D8%A7%D8%AA-%D8%A7%D9%84%D9%85%D9%88%D9%83%D8%A8-%D8%A7%D9%84%D8%B9%D8%A7%D9%84%D9%85%D9%8A-%D9%84%D9%86%D9%82%D9%84-%D8%A7%D9%84%D9%85%D9%88%D9%85%D9%8A%D8%A7%D9%88%D8%A7%D8%AA-%D8%A7%D9%84%D9%85%D9%84%D9%83%D9%8A%D8%A9-%D9%84%D9%85%D8%AA%D8%AD%D9%81-%D8%A7%D9%84%D8%AD%D8%B6%D8%A7%D8%B1%D8%A9- >. Acesso em 02 de dezembro de 2020. بالصور.. بروفات الموكب العالمي لنقل المومياوات الملكية لمتحف الحضارة

Créditos das fotos: Mohamed Ramadan (2020).

Entenda a tumba do faraó Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Descoberta em 1922 pelo arqueólogo inglês Howard Carter, a tumba de Tutankhamon é uma das descobertas arqueológicas mais importantes da arqueologia egípcia. Um dos motivos? Ela foi encontrada praticamente intacta, ainda lacrada com o selo das necrópoles que foram postos lá há mais de 3000 anos. O outro foi por ter sido amplamente documentada por Carter, coisa que os arqueólogos da época raramente faziam.

E apesar de ser pequena, ela possui informações interessantes sobre o Egito Antigo, além de várias curiosidades. Por exemplo, sabia que no seu interior existia uma parede falsa que leva ao espaço que hoje chamamos de “câmara funerária”? É possível enxergar essa parede na foto que foi tirada por Harry Burton, fotógrafo oficial da missão de arqueologia — veja a foto no vídeo.

Então, que tal fazer um tour virtual por ela? E ainda com uma explicação detalhada de cada imagem presente? Veja o vídeo abaixo do canal Arqueologia pelo Mundo:

— E mais: Já teve curiosidade em saber como seria viver uma estudante de Arqueologia em um jogo? Então acompanhe a série “Aventuras na Arqueologia”:

Entrevista com Zahi Hawass: múmia de Tutankhamon passará por uma nova tomografia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês passado (setembro/2019), entrevistei o maior nome da arqueologia egípcia da contemporaneidade: o professor Zahi Hawass. Ele ficou famoso por ter recebido plena atenção da mídia para a importância da devolução de artefatos arqueológicos — que estavam em museus e coleções particulares estrangeiras — para o seu país original.

Contudo, o Hawass não desejava repatriar todas as peças retiradas do Egito, somente aquelas que saíram do país após a década de 1970 e aquelas que possuem algum significado especial para a história da arqueologia egípcia, tais como a Pedra de Roseta ou o busto da Rainha Nefertiti.

Outro detalhe importante sobre o Hawass é que ele já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades do Egito.

Porém, sua carreira é destacada também por uma série de polêmicas, uma delas foi seu reality show para a History Channel, “Chasing Mummies”, que aqui no Brasil recebeu o título “Caçador de Múmias”. Ela foi amplamente criticada tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra grande polêmica foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios. A questão é que alguns egiptólogos acusavam o Hawass de usar sua posição para furar a fila na burocracia para tirar fotos dos referidos artefatos, fotos estas que eram para fins comerciais e não acadêmicos.

E ainda temos a chegada da Primavera Árabe no Egito, situação em que o Museu Egípcio do Cairo foi invadido na calada da noite. Na época o Hawass negou tal ocorrido e neste meio tempo foi declarado Ministro das Antiguidades — cargo este que foi criado às pressas para tentar aplacar a ira do público —, contudo, ele não ficou muito tempo nesta posição, já que com a queda do até então presidente Hosni Mubarak, Hawass foi exonerado.

E agora ele veio para o Brasil para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e prestigiar a abertura do museu Rei Menino de Ouro: Tutankhamon. Entretanto, antes da abertura deste museu ele disponibilizou uma coletiva de imprensa e o site Arqueologia Egípcia estava presente. Confira abaixo e saiba sobre as novidades que ele trouxe para nós, dentre elas, sobre Tutankhamon:

A ida do AE para a coletiva só foi possível graças as pessoas que participaram de nossa campanha online e ajudaram a pagar as principais despesas da viagem. Então, fica aqui registrado meu agradecimento.

Algumas curiosidades sobre o arqueólogo Zahi Hawass

Márcia Jamille

Em alguns dias o renomado arqueólogo e egiptólogo Zahi Hawass estará em terras brasileiras para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e para a inauguração do museu “Rei Menino de Ouro: Tutankhamon”. Mas, que tal saber um pouco mais sobre este pesquisador?

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass é um arqueólogo egípcio que já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades e Ministro das Antiguidades do Egito. Antes disso ele se graduou em Arqueologia no seu próprio país e quando alcançou 33 anos ganhou uma bolsa para estudar na Universidade da Pensilvânia.

Ele começou a chamar atenção da imprensa quando passou a fazer campanha pelo repatriamento de artefatos arqueológicos que foram roubados do Egito ou saíram do país de forma duvidosa. Além daqueles que possuem algum significado especial para a história da Arqueologia Egípcia.

Hieroglyphic script on Rosetta Stone

Um exemplo é a Pedra de Roseta (foto anterior), que foi retirada do país no século XIX, mas que foi a “chave” para a tradução dos hieróglifos egípcios. Outro é o busto de Nefertiti, que foi retirado de forma sorrateira do Egito em 1912.

O Zahi Hawass também publicou dezenas de livros de egiptologia, alguns com fotografias lindas! Ele também foi host em vários documentários de canais como National Geographic e Discovery Channel. Inclusive teve o seu próprio reality show. Quantos arqueólogos já tiveram um reality? Pois é!

Atualmente ele está escavando no Vale dos Macacos em um trabalho que está sendo acompanhado pela Discovery Channel (ou seja: lá vem documentário!). Estou real ansiosa em saber os resultados desta pesquisa.

Bom, ele já se meteu em várias polêmicas também. Uma foi o já citado reality que foi amplamente criticado tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios, embora seja algo bem burocrático.

Zahi Hawass Collection

Lembro que na época alguns egiptólogos ficaram indignados explicando que eles passavam dias e mais dias esperando que a confirmação de seus pedidos para fotografar saíssem. Porém, de acordo com as acusações, Hawass se utilizava de sua posição para “furar a fila” e fotografar os artefatos para fins comerciais e não acadêmicos.

Então é quando chegamos ao famoso 25 de Janeiro da Primavera Árabe, quando Hawass foi exonerado de seu cargo e agora viaja pelo mundo dando palestras e lançando livros. Além de, claro, realizar escavações arqueológicas.

– A revolta virou contra Hawass

Zahi Hawass

Bom, é este homem o qual irei encontrar em uma coletiva de imprensa em alguns dias!

Obrigada aos que apoiaram, querem apoiar ou que ajudaram a divulgar a nossa vaquinha para que eu possa ir. Como falei em um outro momento o Arqueologia Egípcia não tinha dinheiro em caixa, mas agora a viagem será possível!

Este é o vídeo que gravei anunciando a vinda dele:

Super microscópio é utilizado para ver detalhes em “carros de guerra” de faraó

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A tumba do faraó Tutankhamon foi descoberta em 1922 e em seu interior foram encontrados milhares de artefatos onde se somam aqueles de cunho cotidiano, religioso e militar. 

São peças realmente incríveis que ainda deixam nós arqueólogos assombrados com sua conservação e beleza. Alguns desses artefatos são as carruagens — ou bigas, se assim preferir chamar — que não são simples charretes ou carroças, mas carros de guerra que, apesar do tamanho, são leves e ágeis.

Foto: JICA-GEM

Feitas de madeira, estuque, couro, pedras semi-preciosas e ouro, as carruagens de Tutankhamon, assim como outros artefatos de sua tumba, estão passando agora por um processo de restauro no Grande Museu Egípcio, seu novo lar.

— Pesquisadores estão trabalhando com roupas de Tutankhamon

Neste momento elas estão passando por análises diagnósticas. Como os restauradores estão fazendo isso? Através de um microscópio digital de alta aplicação. Através dele é possível analisar os processos de conservação que foram aplicados pela equipe de Howard Carter, descobridor da tumba, bem como acompanhar e tentar resolver a degradação que, porventura, possa estar ocorrendo, ou seja determinar o tratamento de conservação que será necessário.

Foto: JICA-GEM

Foto: JICA-GEM

Foto: JICA-GEM

Foto: JICA-GEM

Com o microscópio é possível também ver se alguma sujeira “invisível a olho nu” grudou na superfície das carruagens.

As carruagens egípcias eram um meio de transporte ágil, mas que só estavam disponíveis para o alto escalão da nobreza e para a realeza. Eram utilizadas em desfiles religiosos, ou militares, caças ou batalhas. Quer ter uma em sua estante? Clique aqui e confira esta imagem colecionável da Del Prado.

Foram encontradas 4 carruagens na tumba do rei. Todas na antecâmara, desmontadas e espalhadas entre os demais artefatos, como bem nos mostra as fotos da época da descoberta.

Foto: Harry Burton

Fonte:

Digital microscope analysis of King Tutankhamen’s chariots. Disponível em < http://www.jicagem.com/blog/2019/04/digital-microscope-analysis-of-king-tutankhamens-chariots-2/ >. Acesso em 12 de junho de 2019. 

Leilão tentará vender estátua do faraó Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Algo incomum está prestes a acontecer: um artefato de Tutankhamon está para ser vendido em um leilão em Londres (Inglaterra). Trata-se de uma cabeça de quartzito marrom de 28,5 cm de altura e que representa a face do jovem rei como o deus Amon, divindade padroeira da antiga cidade Tebas, atual Luxor.

Foto: casa de leilões Christies

A peça está sob a guarda da casa de leilões Christies e espera-se que ela seja vendida mês que vem por mais de 4 milhões de libras.

Porém, as autoridades egípcias não estão felizes com isto, já que acreditam que a peça foi roubada do templo de Karnak, em Luxor (Egito) e retirada ilegalmente do país depois da década de 1970. Agora o governo egípcio está reunindo evidências para provar isto. É importante ressaltar que a venda e posse de artefatos arqueológicos após este ano, dependendo do contexto, são consideradas ilegais. E em soma o Egito introduziu uma lei em 1983 para regulamentar a posse de antiguidades egípcias, dizendo que quaisquer artefatos antigos descobertos no país são considerados propriedades do Estado com a exceção de antiguidades cuja propriedade ou posse já estava estabelecida no momento em que esta lei entrou em vigor.

Foto: casa de leilões Christies

Um porta voz da casa de leilões disse que “Objetos antigos, por sua natureza, não podem ser rastreados ao longo de milênios” e que “Não iriamos oferecer à venda nenhum objeto em que houvesse preocupação acerca de sua propriedade ou exportação”. De acordo com eles “O lote atual foi adquirido da Heinz Herzer, uma concessionária com sede em Munique em 1985. Antes disso, Joseph Messina, um negociante austríaco, adquiriu-o em 1973-74 da Prinz Wilhelm von Thurn und Taxis, que supostamente o tinha em sua coleção na década de 1960″. Eles ainda se defendem explicando que a estátua já tinha sido exibida na Embaixada Egípcia de Londres antes de entrar para o leilão.

Salário de um arqueólogo, venda de artefatos e estudar Arqueologia

Entretanto, o atual chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Dr. Mostafa Waziri e o ex-ministro das antiguidades do Egito, Dr. Zahi Hawass, não acreditam que a casa de leilões tenham as provas de que a peça saiu do Egito legalmente. Hawass é conhecido mundialmente por ter encabeçado várias campanhas de repatriação de artefatos arqueológicos, além de ter despertado nas pessoas a importância de se preservar a história de seus respectivos países.

Foto: casa de leilões Christies

O Egito possui um escritório voltado exclusivamente para a localização de artefatos arqueológicos roubados — seja nos dias atuais ou em outras décadas — e que sempre está vigiando sites de leilões. Ele é comandado por Shaaban Abdel-Gawad, chefe do departamento antifraude do Ministério de Antiguidades do Egito que neste momento está estudando os arquivos do leilão. “Se for provado que qualquer peça é exportada ilegalmente, todos os procedimentos legais são tomados com a Interpol, em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores do Egito, a fim de garantir seu retorno”, disse Abdel-Gawad em um comunicado para a imprensa. “Não vamos tolerar ou permitir que alguém venda a influência egípcia.”

Se esta peça for vendida em um leilão provavelmente será adquirida por algum colecionador particular e não estará mais disponível para os olhos do público.

Fontes:

Egypt tries to stop sale of Tutankhamun statue in London. Disponível em < https://www.theguardian.com/world/2019/jun/10/egypt-tries-to-stop-sale-tutankhamun-statue-london >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Egypt can demand return of King Tut statue going up for auction: Former antiquities chief. Disponível em < https://abcnews.go.com/International/egypt-demand-return-king-tut-statue-auction-antiquities/story?id=63592464 >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Objetos perdidos de Tutankhamon são encontrados

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A arqueologia é uma ciência cheia de surpresas, em especial graças aos momentos e lugares inusitados em que podem ocorrer descobertas arqueológicas. E foi isto o que ocorreu há algumas semanas no Museu de Luxor: em seu depósito foi encontrada uma misteriosa caixa e dentro dela estavam partes de um dos artefatos encontrados na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. A tumba deste rei foi descoberta em 1922 praticamente intacta e em seu interior foram encontrados mais de 5.300 objetos.

Foto: Museu de Luxor.

Quem encontrou a caixa foi o diretor de arqueologia e comunicação do museu, Mohamed Atwa. Em um comunicado à imprensa ele relatou o seu susto e a emoção de ter a encontrado:

“É a descoberta mais empolgante da minha carreira. É incrível que depois de todos esses anos ainda temos novas descobertas e novos segredos para este rei dourado, Tutankhamon.”

— Saiba mais: Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Ele ainda explicou que encontrou a caixa enquanto estava separando alguns artefatos pertencentes a Tutankhamon e que seriam enviados para o Grande Museu Egípcio. O qual, espera-se, seja inaugurado ano que vem.

Foto: Museu de Luxor.

Dentre os objetos dentro da caixa estava um mastro de madeira, um conjunto de cordinhas e uma cabeça de madeira em miniatura coberta por folhas de ouro. Veja o vídeo abaixo para conhecer mais sobre este artefato e para entender os motivos que levaram os egípcios antigos a colocar embarcações dentro de tumbas:

Outra curiosidade é que estes objetos estavam embrulhados dentro de um jornal datado do dia 5 de novembro de 1933, um domingo. Porém, o museu deu a caixa como desaparecida desde 1973.

Fontes:
This Miniature Boat Was Meant for King Tut’s Fishing Trips in the Afterlife
https://www.livescience.com/64922-lost-king-tut-boat-found.html

Encuentran en el Museo de Luxor una caja con objetos perdidos de la tumba de Tutankamón
https://www.abc.es/cultura/abci-encuentran-museo-luxor-caja-objetos-perdidos-tumba-tutankamon-201903071347_noticia_amp.html?__twitter_impression=true