Entrevista com Zahi Hawass: múmia de Tutankhamon passará por uma nova tomografia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês passado (setembro/2019), entrevistei o maior nome da arqueologia egípcia da contemporaneidade: o professor Zahi Hawass. Ele ficou famoso por ter recebido plena atenção da mídia para a importância da devolução de artefatos arqueológicos — que estavam em museus e coleções particulares estrangeiras — para o seu país original.

Contudo, o Hawass não desejava repatriar todas as peças retiradas do Egito, somente aquelas que saíram do país após a década de 1970 e aquelas que possuem algum significado especial para a história da arqueologia egípcia, tais como a Pedra de Roseta ou o busto da Rainha Nefertiti.

Outro detalhe importante sobre o Hawass é que ele já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades do Egito.

Porém, sua carreira é destacada também por uma série de polêmicas, uma delas foi seu reality show para a History Channel, “Chasing Mummies”, que aqui no Brasil recebeu o título “Caçador de Múmias”. Ela foi amplamente criticada tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra grande polêmica foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios. A questão é que alguns egiptólogos acusavam o Hawass de usar sua posição para furar a fila na burocracia para tirar fotos dos referidos artefatos, fotos estas que eram para fins comerciais e não acadêmicos.

E ainda temos a chegada da Primavera Árabe no Egito, situação em que o Museu Egípcio do Cairo foi invadido na calada da noite. Na época o Hawass negou tal ocorrido e neste meio tempo foi declarado Ministro das Antiguidades — cargo este que foi criado às pressas para tentar aplacar a ira do público —, contudo, ele não ficou muito tempo nesta posição, já que com a queda do até então presidente Hosni Mubarak, Hawass foi exonerado.

E agora ele veio para o Brasil para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e prestigiar a abertura do museu Rei Menino de Ouro: Tutankhamon. Entretanto, antes da abertura deste museu ele disponibilizou uma coletiva de imprensa e o site Arqueologia Egípcia estava presente. Confira abaixo e saiba sobre as novidades que ele trouxe para nós, dentre elas, sobre Tutankhamon:

A ida do AE para a coletiva só foi possível graças as pessoas que participaram de nossa campanha online e ajudaram a pagar as principais despesas da viagem. Então, fica aqui registrado meu agradecimento.

Polícia prende homens que escavavam ilegalmente túmulo do tempo dos faraós

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Há alguns dias a polícia egípcia prendeu quatro membros de uma quadrilha especializada em escavações ilegais, eles estavam em posse de 193 ushabits e um sarcófago — todos artefatos do tempo dos faraós —. O grupo foi preso enquanto escavava ilegalmente um túmulo datado da 4º Dinastia (Antigo Reino), perto da área arqueológica de Gizé. Eles pretendiam vender as peças.

O Ministério Público egípcio e o Ministério das Antiguidades foram notificados e iniciaram os procedimentos legais necessários. 

Um problema constante:

Escavações ilegais em sítios arqueológicos têm sido um problema constante não só no Egito, mas no mundo. O tráfico de artefatos antigos atende a colecionadores dispostos a pagar por objetos de procedência duvidosa (em alguns casos, inclusive, para realizar lavagem de dinheiro), leilões internacionais e até museus.

Em julho deste ano (2019), por exemplo, autoridades egípcias acusaram a casa de leilões Christies de colocar à venda uma estátua do faraó Tutankhamon a qual eles acreditam que foi furtada do Templo de Karnak (Luxor). 

Apesar dos apelos, a imagem foi vendida.

— Saiba mais: Leilão tentará vender estátua do faraó Tutankhamon 

       

Fonte:

Photos| Police arrests gang in possession of pharaonic figurines, sarcophagus. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/photos-police-arrests-gang-in-possession-of-pharaonic-figurines-sarcophagus/ >, acesso em 14 de outubro de 2019.

Algumas curiosidades sobre o arqueólogo Zahi Hawass

Márcia Jamille

Em alguns dias o renomado arqueólogo e egiptólogo Zahi Hawass estará em terras brasileiras para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e para a inauguração do museu “Rei Menino de Ouro: Tutankhamon”. Mas, que tal saber um pouco mais sobre este pesquisador?

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass é um arqueólogo egípcio que já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades e Ministro das Antiguidades do Egito. Antes disso ele se graduou em Arqueologia no seu próprio país e quando alcançou 33 anos ganhou uma bolsa para estudar na Universidade da Pensilvânia.

Ele começou a chamar atenção da imprensa quando passou a fazer campanha pelo repatriamento de artefatos arqueológicos que foram roubados do Egito ou saíram do país de forma duvidosa. Além daqueles que possuem algum significado especial para a história da Arqueologia Egípcia.

Hieroglyphic script on Rosetta Stone

Um exemplo é a Pedra de Roseta (foto anterior), que foi retirada do país no século XIX, mas que foi a “chave” para a tradução dos hieróglifos egípcios. Outro é o busto de Nefertiti, que foi retirado de forma sorrateira do Egito em 1912.

O Zahi Hawass também publicou dezenas de livros de egiptologia, alguns com fotografias lindas! Ele também foi host em vários documentários de canais como National Geographic e Discovery Channel. Inclusive teve o seu próprio reality show. Quantos arqueólogos já tiveram um reality? Pois é!

Atualmente ele está escavando no Vale dos Macacos em um trabalho que está sendo acompanhado pela Discovery Channel (ou seja: lá vem documentário!). Estou real ansiosa em saber os resultados desta pesquisa.

Bom, ele já se meteu em várias polêmicas também. Uma foi o já citado reality que foi amplamente criticado tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios, embora seja algo bem burocrático.

Zahi Hawass Collection

Lembro que na época alguns egiptólogos ficaram indignados explicando que eles passavam dias e mais dias esperando que a confirmação de seus pedidos para fotografar saíssem. Porém, de acordo com as acusações, Hawass se utilizava de sua posição para “furar a fila” e fotografar os artefatos para fins comerciais e não acadêmicos.

Então é quando chegamos ao famoso 25 de Janeiro da Primavera Árabe, quando Hawass foi exonerado de seu cargo e agora viaja pelo mundo dando palestras e lançando livros. Além de, claro, realizar escavações arqueológicas.

– A revolta virou contra Hawass

Zahi Hawass

Bom, é este homem o qual irei encontrar em uma coletiva de imprensa em alguns dias!

Obrigada aos que apoiaram, querem apoiar ou que ajudaram a divulgar a nossa vaquinha para que eu possa ir. Como falei em um outro momento o Arqueologia Egípcia não tinha dinheiro em caixa, mas agora a viagem será possível!

Este é o vídeo que gravei anunciando a vinda dele:

Coletiva de imprensa com Zahi Hawass: estamos QUASE conseguindo!

Em setembro o arqueólogo Zahi Hawass (famoso pesquisador que além de ter sido ministro e diretor do Supremo Conselho de Antiguidades do Egito, apareceu em vários documentários da Discovery Channel e National Geographic) estará aqui no Brasil para a inauguração do museu “Rei Menino de Ouro: Tutankhamon” em Curitiba.  E o site Arqueologia Egípcia irá participar da coletiva de imprensa com ele, que ocorrerá antes da inauguração oficial.

Mas, para tal, estamos realizando há alguns dias uma vaquinha para poder ir. O prazo dela termina em 9 dias e ainda nem batemos sequer 50% da meta. Por isso pedimos sua ajuda. Para saber mais sobre ela assista o vídeo abaixo e para doar qualquer valor acesse este link: catarse.me/ae_hawass

Esta é uma grande oportunidade de trazer um conteúdo exclusivo para vocês, por isso contamos com todo apoio possível — seja financeiramente, seja ajudando a divulgar a campanha —. Como já ganhamos a passagem de ida para Curitiba: tal como expliquei no texto de nossa campanha lá no Catarse, foi possível encaixar uma viagem para São Paulo para a criação de um outro tipo de conteúdo exclusivo (o qual alguns dos nossos apoiadores saberão em breve).

Espero voltar com mais novidades!

O que você precisa saber sobre o Museu Akhenaton!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Egito tem empreendido uma série de restauros e construções de museus e dentre eles está o Museu Akhenaton. Com sua forma triangular parecida com as Grandes Pirâmides de Gizé, trata-se do terceiro maior museu do país. Foi idealizado no ano de 1979 com o objetivo de expor ao público a religião e história do Período Amarniano, assim como alguns aspectos gerais da história egípcia. 

Porém, as obras de construção só tiveram início em 2002 e foram interrompidas após a eclosão da revolução de 25 de janeiro de 2011, uma vez que isso teve um impacto negativo nas condições econômicas e de segurança do país. Em 2014 as obras foram retomadas e agora espera-se que tudo esteja pronto este ano.

O edifício principal fica em uma área de cerca de 5.000 metros quadrados e é cercado por um grupo de bazares, possui 16 salas, uma biblioteca, uma sala de conferência, um teatro e um centro de restauração, que é o maior do Alto Egito.

Akhenaton foi um faraó da XVIII Dinastia (Novo Império). Filho de Amenhotep III com a rainha Tiye ele casou-se com Nefertiti e iniciou uma série de mudanças no âmbito religioso e artístico. Ele provavelmente foi pai do faraó Tutankhamon. 

Fonte:

All you need to know about Akhenaten Museum. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/74041/All-you-need-to-know-about-Akhenaton-Museum >. Acesso em 23 de agosto de 2019.

Museu Egípcio do Cairo está passando por reformas importantes

The Cairo Egyptian Museum

Inaugurado em 1902, o Museu Egípcio no Cairo (Egito) contém a mais prestigiosa coleção de artefatos egípcios do país. Por quase doze décadas o museu tem recebido artefatos catalogados em diferentes línguas e de diferentes épocas. Assim, em poucos anos o porão do edifício começou a ficar abarrotado com peças arqueológicas. 

Pequena parte do porão mostrado na série Chasing Mummies: The Amazing Adventures de Zahi Hawass (2010), da The History Channel.

Tesouros arqueológicos no porão do Museu Egípcio no Cairo

Tutankhamon terá notáveis substitutos no Museu Egípcio do Cairo

Para resolver parte do problema, o governo do país deu início a construção do Grande Museu Egípcio, que mesmo ainda não inaugurado oficialmente, já tem recebido vários artefatos provenientes do Museu Egípcio do Cairo. 

Porém, o que será feito do antigo museu? 

Há alguns dias o Ministro das Antiguidades do Egito, Khaled Anany, se reuniu com os diretores que estão participando da reforma do Museu Egípcio do Cairo. Estes diretores são advindos de diferentes museus pelo mundo, são eles: Museu do Louvre, Museu Egípcio de Turim, Museu Egípcio de Berlim, Museu Britânico e Museu Nacional de Antiguidades de Leiden; Também faz parte do grupo o Instituto Francês de Arqueologia Oriental no Cairo .

A reunião teve como intuito discutir a primeira fase de renovação do museu. Isso terá início assim que toda a coleção de artefatos do faraó Tutankhamon for transferida para o Grande Museu Egípcio. Dentre as renovações previstas está a instalação de novos sistemas de iluminação.

Este plano de renovação visa colocar o Museu Egípcio do Cairo na lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO. 

Fonte:

Renovation of Egyptian Museum to include installing new lighting, display systems. Disponível em < https://ww.dailynewssegypt.com/2019/07/16/renovation-of-egyptian-museum-to-include-installing-new-lighting-display-systems/ >. Acesso em 20 de agosto de 2019.

Antiga tumba egípcia é desmontada pelo governo e gera revolta: entenda!

Em maio deste ano anunciei aqui no Arqueologia Egípcia a descoberta de uma tumba ricamente pintada na cidade de Sohag (cerca de 390 quilômetros ao sul do Cairo). Datada do Período Ptolomaico, esta sepultura pertencia a um casal: a mulher era Ta-Shirit-Iziz e o homem Tutu [1].

Foto: Reuters.

É descoberta no Egito tumba ricamente colorida e repleta de múmias

As imagens parietais retratam os donos da tumba, assim como imagens de procissões fúnebres e a genealogia da família escrita em hieróglifos. O outro grande detalhe é a presença de várias múmias: duas são humanas — um menino com 12 ou 14 anos de idade e  uma mulher de 35 a 50 anos —. [1]

Zahi Hawass e Tutankhamon estarão no Brasil

Mas, a história desta descoberta não acabou por aí, já que este mês o Ministério das Antiguidades do Egito tomou uma decisão que para muitos foi polêmica: o governo resolveu retirar a câmara funerária do seu local original (Sohag,) e transferi-la para o Museu da Nova Capital Administrativa [2].   

Através de um comunicado para imprensa o Ministro disse que esta mudança foi aprovada pelo comitê permanente das Antiguidades Egípcias Antigas. Ele igualmente salientou que as paredes da câmara funerária já foram cortadas [2].

Foto: Reuters.

Ainda de acordo com ele a decisão foi tomada porque o local original da tumba é muito remoto, isolado e suscetível a furtos [1]. Vale lembrar que esta tumba estava sendo saqueada em 2018 e o crime felizmente foi descoberto antes que mais estragos fossem realizados [3].

Mas nem todos concordam que esta foi uma boa decisão, a exemplo da arqueóloga Monica Hanna, que apontou que a tumba não está longe de uma área povoada de Sohag. “A realocação desta tumba é uma clara violação à Carta de Veneza para a restauração de lugares históricos; e o que o ministério está fazendo é destruir essa antiguidade, em vez de salvá-la ”, disse a arqueóloga ao portal ao Daily News. De acordo com a citada carta, “um monumento é inseparável da história a que testemunha e do cenário em que ocorre. A movimentação de todo ou parte de um monumento não pode ser permitida, exceto quando a salvaguarda desse monumento o exigir ou onde for justificado pelo interesse nacional ou internacional de importância primordial”.

Moustafa Waziri, secretário geral do Supremo Conselho de Antiguidades, declarou que no museu no qual a tumba será transferida ela irá atrair uma quantidade maior de turistas do que em sua localização atual. 

Ficarei no aguardo por mais informações. 

   

Fontes: 

[1] Mummified Mice and Falcons Are Found in Egyptian Tomb. Disponível em < https://www.nytimes.com/2019/04/06/world/middleeast/mummified-mice-egypt.html >. Acesso em 07 de  abril de 2019. 

[2]  Relocation of Ptolemaic burial chamber from Sohag to New Administrative Capital faces heavy criticism. Disponível em < https://dailynewsegypt.com/2019/08/07/relocation-of-ptolemaic-burial-chamber-from-sohag-to-new-administrative-capital-faces-heavy-criticism/?fbclid=IwAR1jj1S0RzAo8aj7I4_jBJSlGmMU_gEwnsG-sBvI2jlY_N-Tkkd-W9RLF48 >. Acesso em 12 de agosto de 2019. 

[3] Mummified mice found in ‘beautiful, colourful’ Egyptian tomb. Disponível em < https://www.theguardian.com/world/2019/apr/06/mummified-mice-found-in-beautiful-colourful-egyptian-tomb >. Acesso em 04 de maio de 2019.

Será que o Arqueologia Egípcia irá dominar o mundo um dia?

O combo site e o canal Arqueologia Egípcia é o queridinho de muitas pessoas, não temos como negar isto. E ao longo destes anos recebemos muitas mensagens, carinho e apoio de vocês. Como sempre, muito obrigada!

E agora surgiu a oportunidade de concorremos a um prêmio. Trata-se do Influency.me, que é mais ou menos como um Oscar para criadores de conteúdo e que para a nossa alegria o tema desta versão é “Viajantes do Tempo”. Não tem tema que combine melhor com a gente.

Caso queira nos ajudar com a premiação é só nos indicar na categoria “Conhecimento: Ciências e Curiosidades”. Como é que faz isto? Espera que irei ensinar! Mas, antes deixa eu falar uma coisa! É necessário que vocês possuam uma conta no Facebook, ok?

Então, vamos lá:

Primeiramente entre no seguinte link www.premio.influency.me e já na página inicial, lá no rodapé, você encontrará o botão “INDIQUE“. Clique nele.

Na página seguinte estará um botão onde está escrito “Votar com Facebook”. Clique nele e você será redirecionado para uma página do Facebook, onde irá logar com sua senha.

Na próxima página estarão as regras da votação. Clique em “Iniciar Votação”:

Então você será levado para a primeira categoria da votação. Agora presta atenção aqui: No geral são 20 categorias, mas você pode ir pulando as que você não tem ninguém para indicar clicando em “não quero indicar nesta categoria”. Em cada categoria você pode indicar três nomes, entretanto, mesmo que você tenha somente um favorito para cada categoria é possível sim votar. É só escolher o seu criador de conteúdo favorito e clicar em “Indicar“. Certinho?

E ao clicar em “Indicar” sempre aparecerá uma caixa de diálogo igual a esta:

Vá passando as categorias até chegar em “Conhecimento: Ciências e Curiosidades” (note que tem mais de uma categoria “Conhecimento”, então preste atenção no complemento), daí você indica o Arqueologia Egípcia.

E esta é a última página:

É bem simples na verdade e nem te tomará muitos minutos do seu tempo, mas para nós poderá fazer a maior diferença.

As votações da primeira fase terminam já no dia 18 de agosto! Então quanto mais cedo votar melhor, porque no dia provavelmente o site irá congestionar por conta dos vários acessos. E infelizmente vocês só podem votar uma vez.

E caso você já tenha votado muito obrigada mesmo pelo apoio! Vai que a gente acaba tendo uma boa notícia né… Sei lá… Vai que…

Após 20 horas de viagem monumento dedicado ao faraó Ramsés II ganha novo lar

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Semana passada um obelisco pertencente ao faraó Ramsés II foi retirado do Jardim Al-Andalus, no Cairo, e enviado para El Alamein, na Costa Norte. Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, disse que o obelisco foi intensamente estudado para avaliar sua condição antes que a decisão de movê-lo fosse tomada. E acrescentou que a decisão de realocar o obelisco de Ramsés II foi tomada após a aprovação do Comitê Permanente para Antiguidades Egípcias Antigas. Entretanto, ele não deixou claro dos motivos da decisão de mudar o obelisco de lugar. 

Foram necessários 20 dias para que arqueólogos, restauradores, engenheiros e trabalhadores pudessem desmontar e embalar o obelisco. Para garantir seu transporte seguro, partes do artefato foram cobertas com espumas e colocadas em uma gaiola de ferro para evitar que se movessem. Unidades antivibratórias foram usadas ao longo do trajeto de 300 km (cerca de 20 horas de viagem) até El Alamein.

— Antigas fotografias dos templos de Ramsés II e Nefertari em Abu Simbel

— O faraó Ramsés II tirou um passaporte 3.000 anos após sua morte?

Esculpido em granito vermelho, decorado com os nomes e títulos do rei Ramsés II e possuindo 14 metros de altura e pesando 90 toneladas, não foi a primeira vez que este artefato foi movido. Anteriormente ele se encontrava em Tanis e foi retirado de lá em 1956, momento em que foi enviado para o Jardim Al-Andalus.

Fotos: Ministério das Antiguidades

Fonte: 

In Photos: Ramses II obelisk moved from Cairo’s Andalusia Garden to New Alamein City. Disponível em < https://khentiamentiu.blogspot.com/2019/08/in-photos-ramses-ii-obelisk-moved-from.html?fbclid=IwAR1BQ1tBlx-1yO5ymPZb6LkKQNIuQ_pNOqKlFUCp87a4xosnDmEJUWXpeTw >. Acesso em 11 de agosto de 2019. 

Sarcófago de Tutankhamon será restaurado pela primeira vez

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Na década de 1920, quando o arqueólogo inglês Howard Carter entrou na câmara mortuária do faraó Tutankhamon encontrou o rei descansando dentro de três sarcófagos. Todos ricamente decorados com ouro e pedras preciosas: O sarcófago mais interior (1) é feito em ouro maciço e pesa 110,4 KG, o intermediário (2) é de madeira folheada com ouro e incrustações, já o sarcófago externo (3) foi feito com incrustações de marchetaria e ouro. Algo parecido nunca tinha sido visto na arqueologia egípcia.  

Ao terminar os trabalhos de esvaziar a tumba uma questão importante surgiu: o que seria feita da múmia? 

Todos os corpos de reis encontrados em anos anteriores já estavam desprovidos de suas riquezas, jogados em algum canto por algum ladrão de sepulturas e posteriormente resgatados por arqueólogos e levados para o Museu Egípcio do Cairo. 

Mas, Tutankhamon foi um caso diferente, ele estava em uma tumba praticamente intacta, ou seja, da mesma forma que os antigos egípcios tinham o deixado no passado, ele estava quando Carter o encontrou. 

O garoto que “descobriu” a tumba de Tutankhamon: entenda o caso
O mistério das manchas marrons na tumba de Tutankhamon

E talvez para respeitar isto o arqueólogo e o governo egípcio acharam por bem deixar o rei selado em sua sepultura, dentro de um dos sarcófagos. O escolhido foi o sarcófago exterior, que mais uma vez foi fechado até o ano de 1968, quando foi aberto pelo professor Ronald Harrison para realizar um exame de raio-x em Tutankhamon.

Com a abertura do sarcófago em 1968, Tutankhamon, pela segunda vez na era moderna, ficou visivel às pessoas.

O sarcófago e a múmia foram mexidos novamente, mas em 2005, quando foi realizada uma tomografia no corpo, entretanto Tutankhamon não voltou para o sarcófago, passando a ser exposto na tumba dentro de uma vitrine de vidro. 

Agora, 2019, o sarcófago foi movido mais uma vez. Ele foi enviado para o laboratório de restauros do Grande Museu Egípcio, cuja inauguração espera-se que ocorra em 2020. Em uma análise preliminar já foi constatado que o artefato está apresentando rachaduras, por isso algumas medidas estão sendo tomadas para que ele esteja seguro quando for apresentado oficialmente para a mídia local e internacional. Entretanto, o restauro de fato durará cerca de oito meses. 

Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Fontes:

King Tut’s coffin to be restored for the first time since it was discovered. Disponível em < https://edition.cnn.com/style/article/king-tut-coffin-restoration-scli-intl/index.html >. Acesso em 18 de julho de 2019.

Large coffin of King Tutankhamun under restoration for first time since 1922. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/338149/Heritage/Ancient-Egypt/Large-coffin-of-King-Tutankhamun-under-restoration.aspx >. Acesso em 20 de julho de 2019.