O mistério das manchas marrons na tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quem já visitou a tumba do faraó Tutankhamon ou viu fotografias certamente notou que as pinturas que enfeitam as paredes estão cobertas por estranhas manchas amarronzadas. Por anos algumas suposições foram levantas buscando entender o que seriam estas marcas. A mais famosa é que seriam o resultado da umidade acumulada por conta da visita de muitos turistas, tal como foi o caso da tumba da rainha Nefertari, que precisou ser fechada para ser preservada. Ou seja, seriam microrganismos que estariam destruindo as imagens pouco a pouco. Agora, os pesquisadores do Getty Conservation Institute de Los Angeles acreditam ter desvendado o mistério.

Fotos da época da descoberta foram comparadas com as dos dias de hoje e o que se viu é que essas manchas tinham tomado novas áreas. Naturalmente isso preocupou os cientistas que entraram em ação com estudos de DNA, análises químicas e microscópicas. Eles confirmaram o que muitos temiam: de fato as manchas são de origem microbiológica. Em termos simples, tratam-se de mofo e fungos. Porém, a ótima notícia é que eles estão mortos e não são mais uma ameaça.

Este estudo, que está sendo realizado há quase uma década, é fruto de uma associação entre o Getty Conservation Institute e o Ministério das Antiguidades do Egito. O seu objetivo é avaliar as condições da tumba do rei e assim ajudar a evitar que ela se deteriore. Por conta desses trabalhos melhorias foram aplicadas no tumulo tal como a construção de uma rampa e trilhos para controlar o acesso de visitantes, regras para determinar o numero máximo de pessoas que podem entrar e a instalação de um sistema de ventilação. Eles também estabilizaram a perda dos pigmentos pretos e vermelhos dos murais.

O diretor do projeto explicou que em um dado momento dos trabalhos foi necessário mover a múmia do rei. Isso ocorreu em meados de outubro de 2016, período em que a tumba foi fechada por um mês para a visita de turistas.

Sobre as manchas, elas não serão removidas. Isso porque os cientistas perceberam que elas penetraram totalmente as tintas de tal forma que qualquer tentativa de remoção acabará acarretando na destruição das pinturas.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas são retratados personagens realizando a atividade descrita aqui: a pintura em parede.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Getty Completes Study of Paintings at King Tut’s Tomb. Disponível em < https://www.nytimes.com/2018/03/26/arts/design/king-tut-getty-egypt-conservation.html?partner=rss&emc=rss&smtyp=cur&smid=tw-nytimesscience >. Acesso em 31 de março de 2018.

Comentando o trailer de “A Maldição dos Faraós” (Assassin’s Creed Origins)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último dia 13/03/18, a Ubisoft lançou mais uma extensão para o jogo Assassin’s Creed Origins, o A Maldição dos Faraós. Aqui nos reencontramos como o medjay Bayek que desta vez precisará enfrentar faraós zumbis e monstros terríveis.

Na noite anterior ao lançamento gravei um vídeo comentando alguns pontos curiosos do trailer. O Egito Antigo mais uma vez foi magistralmente representado e nem mesmo as licenças poéticas retiraram o tato da Ubisoft ao representar novamente a civilização egípcia. Assista abaixo aos meus comentários e não deixe de se inscrever no canal (clique aqui).

E quer saber quais foram os meus comentários mais gerais acerca de Assassin’s Creed Origins? Assista o vídeo abaixo:

Abaixo veja algumas imagens de “A Maldição dos Faraós”:

 

Mais uma necrópole é descoberta por arqueólogos no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Arqueólogos descobriram no Egito uma necrópole da época dos faraós que possui os restos mumificados de um sumo sacerdote do deus Thoth, senhor da sabedoria, patrono dos escribas e personificação da lua. Essa divindade era representada como um homem com cabeça de íbis, uma íbis de fato ou um babuíno.

— Deuses do Egito Antigo: O que você precisa saber! #0

Foto: Reuters/Mohamed Abd El Ghany

Esse grande cemitério foi descoberto em Atum al-Gaba, um vasto local à beira do deserto, próximo a Minya, ao sul da capital do Cairo. De acordo com o Ministério das Antiguidades os trabalhos de pesquisa nesta localidade têm a capacidade de durar cinco anos. “Este é apenas o início de uma nova descoberta”, disse o ministro das antiguidades, Khaled al-Anani. E Mostafa Waziri, chefe da missão arqueológica, falou que oito túmulos foram descobertos até agora e que ele espera que mais sejam encontrados em breve.

Em relação ao sepulcro do sacerdote, foram encontrados mais de mil estátuas e quatro vasos canópicos de alabastro, feitos para manter os órgãos internos dele. Já a sua múmia está decorada com contas azuis e vermelhas, enrolada em lençóis dourados de bronze.

— Vasos canópicos #AntigoEgito

Foto: EPA/IBRAHIM YOUSSEF

Além de parte do equipamento funerário do sacerdote, quarenta sarcófagos, os quais alguns possuem ainda o nome dos seus donos, igualmente foram encontrados.

Foto: Reuters/Mohamed Abd El Ghany

Foto: EPA/IBRAHIM YOUSSEF

Foto: EPA/IBRAHIM YOUSSEF

Reuters/Mohamed Abd El Ghany

Os pesquisadores iniciaram os trabalhos de escavações na área no final do ano passado em uma busca para encontrar o restante do cemitério de um nomo antigo. Isso porque esta área já era conhecida por conter antigas catacumbas datadas tanto do Período Tardio, como da Dinastia Ptolomaica, incluindo uma grande necrópole para milhares de íbis e babuínos mumificados. Somado a isso ano passado o Ministério das Antiguidades anunciou que nessa região foi encontrada uma necrópole com pelo menos 17 múmias.

 

Fonte:

Ancient necropolis discovered by archaeologists in Egypt: ‘This is only the beginning’. Disponível em < http://www.independent.co.uk/news/world/africa/ancient-necropolis-egypt-archeologists-mummy-tuna-al-gabal-a8226891.html >. Acesso em 14 de março de 2018.

A rainha Ahhotep é a protagonista de um game brasileiro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não é nenhuma novidade que o Egito Antigo tem sido usado e reutilizado por mídias da cultura pop. Basta ligar a TV ou abrir alguma revista para encontrá-lo em propagandas, filmes, desenhos e games. Temos o recente Assassin’s Creed Oringis, mas podemos contar com muitos outros, a exemplo do Pharaoh e Luxor.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Aqui no Brasil um grupo de desenvolvedores de games de Francisco Beltrão, Paraná, o Adhoc Games, também tem bebido dessa inspiração. Eles estão organizando o Echoes of the Gods (Ecos dos Deuses), que tem como protagonista a rainha Ahhotep I.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

O game não tem data de lançamento, mas caso queiram dar uma força para o grupo clique aqui para acessar a página deles no Facebook. Abaixo está um vídeo de apresentação de como está ficando o jogo:

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Quem era Ahhotep I:

Esta rainha, que viveu durante o final da 17ª Dinastia (Segundo Período Intermediário) e viu nascer a 18ª Dinastia (Novo Império), foi a esposa do rei Seqenenre Tao II, que possivelmente morreu durante alguma batalha contra os hicsos, que governavam o Norte do Egito. Na época em que eles viveram o país era comandado por ao menos três dinastias: A tebana, a qual Ahhotep I pertencia, a hicsa, no Norte do país e a de Abidos, que não teve uma longa existência.

Em uma tentativa de tomar o controle de todo o Egito Seqenenre Tao II iniciou companhas contra os estrangeiros e com a sua morte foi substituído por seu filho Kamose. Porém, o príncipe não sobreviveu muito, então o seu irmão mais novo, Ahmose, foi declarado o novo rei. Contudo ele ainda era uma criança quando isso ocorreu, então a sua mãe assumiu a regência do reino.

Esse período da história egípcia ainda é muito nebuloso, mas sabemos que a guerra se seguiu por anos e Ahhotep I precisou proteger o seu território não só contra os hicsos, mas também contra os núbios[1], ao sul do Nilo. No fim, Ahmose finalmente chegou até a idade ideal para reinar e ao lado da mãe conseguiu expulsar os estrangeiros e reunificar o país, abrindo o Novo Império e dando inicio a elevação do deus Amon como patrono do Egito.

Por sua atuação, Ahhotep I recebeu, mesmo anos após a sua morte, honrarias divinas e um culto foi estabelecido em sua memória. O seu próprio filho, Ahmose, a definiu em uma estela como sendo “alguém que pacificou o Alto Egito[2] e expulsou os rebeldes”.

 

O colar de ouro da honra:

Em 1859 um colar de 59 centímetros foi encontrado em Dra Abu el-Naga em um lugar em que se acreditava ser a tumba da rainha Ahhotep I. Contudo, por conta da natureza de alguns dos artefatos encontrados no local, que eram de cunho militar, alguns pesquisadores custam a acreditar que essas peças, inclusive o colar, tenha pertencido à rainha. Este colar, que é feito em ouro, possui três pingentes de 9 centímetros que representam moscas.

Foto: EINAUDI, 2009.

Este tipo de joia era dada a pessoas que realizaram proezas militares. Talvez por incapacidade de alguns pesquisadores em acreditar que uma rainha possa ter atuado como comandante leve a tal dúvida, que, por sua vez, não é de toda infundada, uma vez que no local também foram encontrados artefatos com o nome de seus filhos.

Saiba mais: Há alguns anos escrevi um artigo intitulado “Gênero invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, onde discuto como pesquisadores têm subestimado a participação social das mulheres egípcias em sua sociedade. Ele pode ser lido gratuitamente clicando aqui.

Fontes:

DABBS, Gretchen R; SCHAFFER, William C. Akhenaten’s Warrior? An Assessment of Traumatic Injury at the South Tombs Cemetery. Paleopathology Newsletter. No. 142, June, 2008.

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

SINGER, Graciela Noemí Gestoso. Queen Ahhotep and the “Golden Fly”. Cahiers Caribéens d’Egyptologie. nº 12, février-mars, p. 75 – 88, 2009.


[1] Reino que se encontrava onde hoje é o Sudão.

[2] O Alto Egito refere-se ao Sul do país. Ahmose, então, estava falando sobre os núbios.

Civilizações antigas e realidade aumentada: esta é a aposta da BBC

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A agência de notícias BBC lançou o seu primeiro aplicativo de realidade aumentada, o Civilisations AR. Ele foi desenvolvido pela BBC Research & Development, juntamente com a BBC Arts e a Nexus Studios.

Imagem: Divulgação.

O aplicativo possui mais de 30 artefatos arqueológicos cadastrados pertencentes a diferentes coleções de museus do Reino Unido. Essas peças foram digitalizadas e agora estão disponíveis para ser visualizadas em 3D. Esta ferramenta foi criada para acompanhar o lançamento da série “Civilisations”, da BBC, que acompanhará os apresentadores Simon Schama, Mary Beard e David Olusoga enquanto eles viajam o mundo para encontrar respostas para questões fundamentais sobre a criatividade humana. Assim que a série for totalmente exibida, estará disponível na BBC iPlayer.

Imagem: Divulgação.

No aplicativo o usuário poderá observar artefatos de diferentes culturas e épocas indo desde o Egito Antigo até a Itália do século 14. Ele conta com narrações, anotações e a função Raio-X, que permite aos usuários ver por dentro das peças.

Imagem: Divulgação.

“Estamos entusiasmados por ter iniciado nossa jornada de realidade aumentada com a Civilisations AR. O aplicativo permite que os usuários explorem uma incrível variedade de exposições, ao mesmo tempo em que a equipe de R & D da BBC deve experimentar uma nova tecnologia e testar como um novo formato pode complementar um show linear. No entanto, esta é apenas a primeira saída para o aplicativo. Nós criamos e o construímos para ser um produto totalmente reutilizável, e estaremos de olho para desenvolver mais AR projetos no futuro, uma vez que teremos a chance de analisar os dados deste.”, disse Eleni Sharp, gerente de produto executivo da R & D da BBC à reportagem da própria BBC. Assista a previa do produto:

De acordo com a reportagem o Civilisations AR está disponível para download gratuito no iOS e Android, porém, mesmo alguns aparelhos modernos não estão compatíveis com ele. De qualquer forma, caso tenha interesse clique aqui para baixar.

 

Fonte:

BBC launches its first augmented reality app – Civilisations AR. Disponível em < http://www.bbc.co.uk/mediacentre/latestnews/2018/civilisations-ar-launches?platform=hootsuite >. Acesso em 03 de março de 2018.

A descoberta de duas múmias que impressionou os cientistas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A mumificação egípcia é uma técnica que foi inventada em algum momento entre a transição do Pré-dinástico (época anterior a unificação do Egito) e se aperfeiçoou ao longo do Período Faraônico. Antes disso o que existia na região eram esporádicas múmias naturais, ou seja, um tipo de múmia que não contou com a intervenção humana, existente graças ao ambiente propicio. Saiba mais sobre o assunto através do vídeo abaixo:

E é graças à mumificação que conhecemos alguns detalhes interessantes da vida e da cultura egípcia tais como alimentação, saúde e modificações corporais a exemplo de perfurações nas orelhas e tatuagens. Sim, durante a Antiguidade egípcia existiam tatuagens e este foi um assunto já abordado no nosso canal, no vídeo “Tatuagens no Egito Antigo”.

Como comento no vídeo em questão, algumas múmias com tatuagens foram encontradas no Egito, mas elas são espécimes raros. Contudo, para a nossa boa sorte ocorreu mais uma descoberta recente que envolve não só uma, mas duas múmias tatuadas, ambas datadas do Pré-dinástico e mumificadas naturalmente. Tatuagens, até então eram encontrados em múmias mais novas. Isso muda muitas coisas sobre como os arqueólogos entendiam a cultura em termos de modificação corporal das pessoas que viveram naquela época.

A descoberta dessas múmias em si, que estão no Museu Britânico, Londres, ocorreu há cerca de 100 anos em Gebelein, mas, descobrir que elas possuem tatuagens é um acontecimento recente. Isso ocorreu quando uma equipe de cientistas usou scanners de infravermelho nos corpos e fez o achado. Os resultados de suas pesquisas foram publicados na revista de arqueologia Journal of Archaeological Science.

“Estamos aprendendo aspectos que não sabíamos sobre a vida dessas pessoas (cujas múmias) sobreviveram bastante bem, parece incrível, mas mostra que as tatuagens na África apareceram mil anos antes do que pensávamos”, disse Daniel Antoine, um dos principais autores do trabalho e curador de Antropologia Física no Museu Britânico à BBC.

A outra grande surpresa não foi somente a idade, mas o fato de uma das múmias ser de um homem. Até então somente corpos mumificados de mulheres foram encontrados, o que se levou a pensar que se tratava de uma prática exclusivamente feminina.

Em um dos braços do homem, apelidado de “Gebelein Man A” (“Homem Gebelein A”), foram encontradas figuras sobrepostas de dois animais. Um parece ser um touro selvagem (Bos primigenius) e o outro um carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia). Sobre ele uma descoberta anterior – e mais chocante – tinha sido feita: ele morreu quando tinha entre 18 e 21 anos de idade com uma facada nas costas.

Foto: Museu Britânico

Já a mulher, apelidada de “Gebelein Woman” (Mulher Gebelein), possui quatro marcas paralelas no ombro esquerdo que lembram a letra “S”. Ela tem uma outra tatuagem, mas não está claro o que pode se tratar, se seria um bastão curvo que possivelmente simboliza o poder ou um bastão cerimonial utilizado em danças rituais. De qualquer forma, ambos os símbolos tatuados na mulher já foram vistos em cerâmicas do mesmo período:

Foto: Museu Britânico

Cerâmica Pré-dinástica. Foto: Museu Britânico

Como eram feitas as tatuagens:

Como explico no vídeo “Tatuagens no Egito Antigo”, as tatuagens eram feitas através da injeção subcutânea de um pigmento escuro, indo do preto para azulado, feito de fuligem e óleo. Elas seriam feitas com um instrumento perfurante como pontas de bronze ou espinha de peixe. Coincidentemente, pesquisadores também descobriram um antigo kit de ferramentas que data do Pré-dinástico em Gebelein. Ele foi encontrado na sepultura de uma mulher que possuía entre 40 e 50 anos de idade quando tinha morrido.

O kit inclui uma paleta em forma de pássaro provavelmente usada para moer minérios, acompanhada de pedras arredondadas. Agulhas de ossos também estavam inclusas.

 

Fontes:

El sorprendente hallazgo en dos momias egipcias de hace 5.000 años que revoluciona lo que los científicos sabían sobre el Antiguo Egipto. Disponível em < https://www.msn.com/es-xl/noticias/mundo/el-sorprendente-hallazgo-en-dos-momias-egipcias-de-hace-5000-a%C3%B1os-que-revoluciona-lo-que-los-cient%C3%ADficos-sab%C3%ADan-sobre-el-antiguo-egipto/ar-BBJKWlS?q=14 >. Acesso em 03 de março de 2018.

Oldest Tattooed Woman Is an Egyptian Mummy. Disponível em < https://www.livescience.com/61916-oldest-tattoos-egyptian-mummies.html >. Acesso em 03 de março de 2018.

 

Oportunidade para estudar em um sítio arqueológico no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Você estudante de Arqueologia que tem interesse em se especializar em Arqueologia Egípcia, o Projeto Amen-Hotep Huy está abrindo vagas para estudantes e profissionais da área interessados em estudar em uma escola de campo de Arqueologia no Egito.

Capela de Amenhotep Huy. Proyecto Visir Amen-Hotep Huy.

Caso queira competir por uma vaga envie o seu currículo para o e-mail citado no banner:

Tenham em mente que não se trada de uma bolsa de estudos, o interessado precisará arcar com as despesas.

Busca por novas evidências ocultas na tumba de Tutankhamon tem início

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após quase um ano de espera o Ministério das Antiguidades do Egito finalmente liberou a realização de mais uma analise para a busca por câmaras ocultas na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. Localizada no Vale dos Reis, a  sua descoberta ocorreu em 1922, pelo egiptólogo britânico Howard Carter.

Tut Ankh Amon Sarcophagus, Egyptian Museum, Cairo, Egypt

A nova pesquisa será feita com um radar (GPR) de uma equipe da Universidade Politécnica de Turim, coordenada pelo Francesco Porcelli. Também participarão uma equipe egípcia, a Universidade de Turim e três empresas privadas, a Geostudi Astier, 3DGeoimaging e Terravision.

KV-62. As partes amareladas são sugestões do que existiria atrás das paredes. Imagem: Theban Mapping Project (com adições).

A esperança é que esta seja a última de três pesquisas realizadas na sepultura. A proposta desse novo trabalho é sustentar ou desmentir de vez a teoria do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, lançada em 2015, sobre a possibilidade de existência de câmaras ocultas por trás das paredes da KV-62. Isso porque as duas pesquisas anteriores (uma feita em 2015 e a outra em 2016) foram consideradas inconclusivas e discordavam entre si, como vocês podem conferir no vídeo abaixo e através do artigo “Tutankhamon, Zahi Hawass e Nicholas Reeves: quais são as últimas novidades sobre a tumba do faraó”:

Apesar das esperanças contidas nesse projeto, os especialistas advertem que um radar só pode apontar anomalias, ou seja, “espaços vazios”. Pesquisas adicionais são necessárias para definir se tais anomalias seriam câmaras ocultas ou não.

Eles já estão trabalhando no Vale dos Reis há um tempo. As análises ocorrem no horário da noite, quando o lugar está fechado para turistas. As medidas já começaram no último dia 31 de janeiro (2018) e seguiram até o dia 06 de fevereiro. Segundo o professor Porcelli, três diferentes sistemas de radar de última geração serão usados ​​para revelar estruturas escondidas com 99% de confiabilidade. As medidas do GPR serão comparadas com dados obtidos em maio passado usando uma técnica não-invasiva, com base no mapeamento tridimensional do subsolo localizado ao redor do túmulo.

Trabalho realizado pela National Geograhic em 2016. Foto: Kenneth Garrett.

É importante explicar que as pesquisas de maio sugeriram a presença de cavidades suspeitas na rocha a poucos metros da tumba. O GPR ajudará a entender se essas cavidades suspeitas são reais e se elas estão diretamente conectadas a KV62.

Depois que esses dados são coletados, leva semanas para que eles sejam processados e analisados. Como comentei no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”. A ciência é demorada assim mesmo.

Para saber o que mais publiquei aqui no Arqueologia Egípcia sobre o assunto clique aqui.

 

Fontes:

Exclusive Photos: Search Resumes for Hidden Chambers In King Tut’s Tomb. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/2018/02/king-tut-tomb-hidden-chamber-scan-egypt/ >. Acesso em 02 de fevereiro de 2018.

Luz verde para encontrar cámaras secretas en la tumba de Tutankamón. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20180201/44451753981/camara-secreta-tumba-tutankamon-egipto.html >. Acesso em 02 de fevereiro de 2018.

Arqueólogos descobrem tumba de sacerdotisa egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi anunciado no último sábado a descoberta de uma tumba que provavelmente pertence a uma oficial de alto escalão que viveu durante a 5º Dinastia (Antigo Reino). Ela se chamava Hatbet e possuía os títulos de “sacerdotisa da deusa Hathor” e “alta funcionária ligada à realeza”. Sua sepultura encontra-se na área do Cemitério Ocidental a oeste da Grande Pirâmide do Platô de Gizé[1][2].

Foto: AFP/Mohamed El-Shahed

A notícia foi dada durante uma conferência do Ministério das Antiguidades no platô, onde foi dito que blocos do túmulo foram desenterrados em 1909 por um explorador britânico que os enviou para Berlim e Frankfurt. “O túmulo nunca foi descoberto até outubro de 2017, quando a missão egípcia começou a escavação no cemitério ocidental de Gizé”, disse o Ministro das Antiguidades, Khaled El-Enany[2].

Foto: AFP/Mohamed El-Shahed

O ministro também explicou que o cemitério já havia sido escavado por várias missões arqueológicas desde 1843 e as mais destacadas e importantes foram feitas pelo ex-ministro das antiguidades, Zahi Hawass[2].

O sepulcro possui alguns detalhes interessantes, a exemplo da iconografia de um macaco doméstico dançando em frente a uma banda. Assim como inscrições únicas e imagens cotidianas como cenas de pastoreio, abates, bandas musicais e dançarinas[1][2]. Outro detalhe é que ele é feito de tijolos de barro com uma camada de argamassa. Por conta deste pormenor o Secretário Geral do Conselho Supremo das Antiguidades, Mostafa Waziri, acredita que esse não é o túmulo principal da Hatbet[1]. Então, existe a esperança de se encontrar outra estrutura funerária também pertencente a essa mulher[3].

Foto: AFP/Mohamed El-Shahed

O Platô de Gizé hospeda algumas das mais antigas tumbas do Egito. A maioria delas eram destinadas a reis e suas esposas, assim como funcionários de alto escalão e sacerdotes, como é o caso da Hatbet[1].

 

Fonte:

[1] 4,400 year-old tomb of top pharaoh official discovered in Egypt. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/4400-year-old-tomb-of-top-pharaoh-official-discovered-in-egypt/ >. Acesso em 03 de fevereiro de 2018.

[2]Tomb of 5th Dynasty top official Hetpet discovered near Pyramid of Khafre on Giza Plateau. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/289277/Heritage/Ancient-Egypt/Tomb-of-th-Dynasty-top-official-Hetpet-discovered-.aspx >. Acesso em 04 de fevereiro de 2018.

[3]Egypt says 4,400-year-old tomb discovered outside Cairo. Disponível em < http://abcnews.go.com/Technology/wireStory/egypt-4400-year-tomb-discovered-cairo-52814551 >. Acesso em 04 de fevereiro de 2018.

Egypt: Archaeologists discover priestess’ 4,400-year-old tomb near pyramids outside Cairo. Disponível em < http://www.independent.co.uk/news/science/archaeology/egypt-pyramid-giza-4400-tomb-hetpet-cairo-archeology-a8192926.html >. Acesso em 04 de fevereiro de 2018.

Mãe de Tutankhamon é tema de documentário

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Recentemente foi anunciada a estreia de um documentário que falará sobre a mãe do faraó Tutankhamon e a nova reconstituição facial feita para ela. Será um especial dividido em duas partes para o programa Expedition Unknown, da Travel Channel. Ainda não existe uma data prevista para o Brasil.

No Egito foram descobertos alguns esconderijos onde estavam múmias da realeza. O mais famoso é o de Deir el-Bahari, o qual já foi comentado aqui no Arqueologia Egípcia. Já um dos menos conhecidos  é o que foi descoberto em 1898, na KV-35. Neste foi encontrada a múmia da mulher cujo exames genéticos apontam como sendo a mãe de Tutankhamon. É ela um dos focos do documentário:

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