Hawass e Cleópatra: a notícia era uma mentira!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em janeiro saiu uma matéria anunciando que o arqueólogo Zahi Hawass estava prestes a encontrar a tumba da rainha Cleópatra VII. Inclusive esta notícia foi veiculada aqui no Arqueologia Egípcia. De acordo com a fonte o arqueólogo teria dito durante uma conferência na Universidade de Palermo (Itália) que “Espero encontrar em breve o túmulo de Antônio e Cleópatra. Eu acredito que eles estão enterrados no mesmo túmulo”. O local de sepultamento seria Taposiris Magna.

Zahi Hawass e Kathleen Martinez

Entretanto, de acordo com o próprio Hawass, esta notícia é falsa. Veja o vídeo para saber sobre o desdobramento desta história:

Novos países receberão artefatos de Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito aprovou a realização de exposições temporárias sobre o faraó Tutankhamon em 10 cidades de sete países europeus (não foram informadas quais). A primeira cidade a receber uma delas foi a Califórnia (EUA) que durante o ano de 2018 organizou a exposição “King Tut: Treasures Of The Golden Pharaoh” (Rei Tut: Tesouros do Faraó Dourado), que foi lançada no California Science Center (Centro de Ciências da Califórnia) em 24 de março de 2018, e arrecadou 5 milhões de dólares. Ela foi visitada por cerca de 700.000 pessoas e o ministério arrecadou 4 dólares por cada ingresso.

Foto: “King Tut: Treasures Of The Golden Pharaoh”

A coleção de 150 artefatos exibida no California Science Center é a maior coleção de artefatos da tumba do faraó Tutankhamon a ser mostrada fora do Egito. Agora a exposição será transferida da Califórnia para o Grand Lafayette Hall em Paris (França) e lá permanecerá de 18 de março de 2019 a 30 de setembro de 2019.

Merchandise. Foto: “King Tut: Treasures Of The Golden Pharaoh”

Estas exposições visam promover a cultura egípcia e construir laços entre o Egito e o mundo, ao mesmo tempo que poderá impulsionar o turismo internacional no país.

Além da França, irão ocorrer exposições no Japão, Canadá, Austrália e Coréia do Sul.

Foto: “King Tut: Treasures Of The Golden Pharaoh”

Fonte:
Tutankhamun exhibition to be held in 10 European cities. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/63108/Tutankhamun-exhibition-to-be-held-in-10-European-cities >. Acesso em 21 de janeiro de 2018.

Zahi Hawass: “Espero encontrar em breve o túmulo de Antônio e Cleópatra”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo Zahi Hawass falou este mês, durante uma conferência na Universidade de Palermo (Sicília), que ele está próximo de encontrar a tumba da rainha Cleópatra VII e seu companheiro, Marco Antônio, que viveram durante o Período Ptolomaico. “Espero encontrar em breve o túmulo de Antônio e Cleópatra. Eu acredito que eles estão enterrados no mesmo túmulo”, disse em relação a trabalhos de escavações que está realizando em Taposiris Magna, quase 30 quilômetros de Alexandria [1]. Contudo, até o mês passado (dezembro de 2018), Hawass apontava estar responsável somente por duas escavações no Vale dos Reis[2]. Nesta missão arqueológica domínico-egípcia, de acordo com a National Geographic, ele seria um supervisor [3].

Zahi Hawass

De acordo com o mito, Cleópatra VII, a emblemática última rainha do Egito, teria se suicidado com a picada de uma cobra venenosa, após a sua derrota contra o Império Romano. O suicídio seria sua saída para evitar que fosse humilhada delas ruas de Roma.

Cleópatra VII. Museu de Berlim.

Em suas declarações Hawass não dá muitos detalhes sobre como tem tanta certeza de onde está a tumba, mas esclarece que o nome de Cleópatra foi encontrado diversas vezes. “Eu acho que encontrei. Estou no caminho certo. Tenho grandes esperanças de encontrá-la em breve. O lugar preciso, nos deu no decorrer das investigações muitos elementos que indubitavelmente nos levam ao túmulo da figura histórica de Cleópatra. Por causa disso, agora sabemos exatamente onde devemos cavar”[4].

Zahi Hawass no centro. Foto: Kathleen Martinez (Twitter).

Porém, existe uma complicação: os hipogeus (tumbas subterrâneas) utilizados durante o Período Ptolomaico estão atualmente preenchidos pela água de um lago próximo. “Tudo está submerso, uma condição que não nos permite escavar bem. Portanto, a primeira coisa que temos que fazer é liberar a área da água, um trabalho que estamos organizando. Esta é a fase mais complexa. Mas o objetivo é confrontá-lo em breve para continuar depois com a investigação e as escavações”[4]. Apesar do Hawass sugerir esvaziar o sítio, se ele utilizasse métodos da Arqueologia Subaquática seria possível sim realizar escavações sem precisar bombear a área. Isso até ajudaria na preservação da integridade de seja lá o que existe no interior desses hipogeus.

A teoria de que a tumba desta rainha egípcia estaria em Taposiris Magna foi sugerida há alguns anos pela arqueóloga dominicana Kathleen Martinez. Por 12 anos ela é a diretora dessa missão arqueológica domínico-egípcia. Por sua dedicação ganhou em dezembro de 2018 do governo de seu país uma placa de reconhecimento “por suas grandes contribuições para cultura universal e por ter colocado a República Dominicana no mapa mundial da comunidade intelectual”[5].

Kathleen Martinez

Suas pesquisas levaram a descoberta de mais de 800 peças arqueológicas que foram exibidas pela National Geographic nos mais importantes museus pelo mundo.

Corpo de estátua que se acredita ser do rei Ptolomeu IV, parente de Cleópatra VII. Foto: Crédito na imagem.

Fontes:

[1] Tomb of Antony and Cleopatra to be uncovered soon. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/63389/Tomb-of-Antony-and-Cleopatra-to-be-uncovered-soon >. Acesso em 14 de janeiro de 2019.

[2] ‘Não sabemos o que foi perdido no Museu Nacional’, diz arqueólogo mais importante do Egito. Disponível em < https://oglobo.globo.com/sociedade/historia/nao-sabemos-que-foi-perdido-no-museu-nacional-diz-arqueologo-mais-importante-do-egito-23329918 >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

[3] Headless Egypt King Statue Found; Link to Cleopatra’s Tomb?. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/news/2010/05/100519-science-ancient-egypt-cleopatra-tomb-marc-antony/ >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

[4] Zahi Hawass: “He encontrado la tumba de Cleopatra”. Disponível em < https://www.abc.es/cultura/abci-zahi-hawass-encontrado-tumba-cleopatra-201901150154_noticia.html >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

[5] Miguel Vargas reconoce a arqueóloga dominicana Kathleen Martínez. Disponível em < https://www.elcaribe.com.do/2018/12/20/panorama/pais/miguel-vargas-reconoce-a-arqueologa-dominicana-kathleen-martinez/ >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

Peça arqueológica com mais de 3000 anos foi pregada na parede para “evitar roubos”?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Esta imagem está se espalhando timidamente pela internet, mas tem despertado a ira e descrença por parte de algumas pessoas. Não se sabe ao certo, mas as primeiras informações apontam que estas fotos mostram uma estátua do tempo dos faraós que está em exposição no Museu Nacional de Sohag, Egito. Inaugurado ano passado, como vocês podem conferir em um post do nosso site.

Ainda de acordo com estas informações a atual gestão do museu, para evitar roubos, usou um método nada convencional: pregou a peça arqueológica na parede. Um dos procedimentos corretos seria colocá-la em uma base e de forma alguma interferir em sua integridade.

A imagem retrata o rosto de um faraó e que de acordo com a fonte entrou no acervo do museu há cerca de cinco meses.

Mas, existe a possibilidade desta fotografia não retratar a realidade, em especial em um mundo onde cada vez mais as pessoas se sentem confortáveis em fabricar notícias falsas, ignorando as consequências legais.

Estarei no aguardo de mais informações.

Fonte:

لمنع السرقة ..” خبورين” في رأس تمثال آثري !!. Disponível em < http://www.wataninet.com/ >. Acesso em 12 de janeiro de 2018.

O faraó Ramsés II tirou um passaporte 3.000 anos após sua morte?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Ramsés II. Foto: Creative Commons

O Egito Antigo parece possuir um dom, que é sempre nos abrilhantar com notícias de teor no mínimo… Único. Perto do final do ano passado, por exemplo, viralizou, juntamente com a imagem abaixo, a notícia de que o faraó Ramsés II teria um passaporte. Na imagem em questão podemos ver o nome “Ramsés II”, ao lado de uma fotografia da múmia do rei. Ambos acompanhados por outros dados como nacionalidade, data de aniversário (1303 Antes da Era Cristã) e ocupação, que aqui é descrita como “Rei (morto)”.

Naturalmente as redes sociais do Arqueologia Egípcia receberam várias e várias vezes esta imagem, o que me levou a publicar o seguinte vídeo (onde, inclusive explico um pouco sobre quem é Ramsés II:

Bom, a questão é que juntamente com o viral surgiu uma outra imagem do suposto passaporte do faraó, que é a seguinte:

Esta é muito mais convincente contendo alguns códigos e marca d’água. Entretanto, esta imagem, como bem explico no vídeo, é falsa.

Contudo, a história de que Ramsés II teria um passaporte é verdadeira. Ele recebeu um quando a múmia do rei precisou ser enviada para França em 26 de setembro de 1976. Isso porque corpos transportados por empresas aéreas precisam de uma identificação e múmias, antes de curiosidades históricas que vocês visitam em museus, são corpos de pessoas mortas.

Múmia de Ramsés II. Fotos: G. Elliot Smith

O motivo da tal viagem é porque a múmia estava se decompondo e exalando um mau cheiro, coisas que não são muito comuns em múmias egípcias. Em sua chegada ao Museu do Homem de Paris foi descoberto que o que estava causando este transtorno era uma colônia de fungos que foram devidamente exterminados com raios gama. A causa da morte rei também foi descoberta, assim como o estado de saúde dele. Estas e outras curiosidades vocês podem conferir em nosso vídeo.

Como foi a Arqueologia no Egito em 2018

O Ministério das Antiguidades do Egito liberou uma lista com as principais conquistas no ramo da Arqueologia Egípcia no ano de 2018. Tais conquistas englobam tento descobertas arqueológicas, como projetos para a preservação do patrimônio egípcio [1]. Confira abaixo:

Descobertas arqueológicas notáveis:

1) Descoberta do túmulo de Hetpet, próximo às Pirâmides de Gizé.

2) Sepulturas familiares em Al Gharifa, na província de Minya.

3) Uma oficina de mumificação no sul da pirâmide de Unas, Saqqara.

4) Uma esfinge e pinturas parietais durante um projeto de redução de água subterrânea no templo de Kom Ombo.

5) Três túmulos em Luxor que pertencem ao Médio Reino. Essas tumbas foram reutilizadas mais tarde como um cemitério de gatos. Outras quatro tumbas, que pertencem ao Antigo Reino, também foram descobertas. Em Al Aasasif, ainda em Luxor, foram encontrados algumas tumbas.

Foto: Luxor Times

No ramo do restauro estão:

1) Restauração de três edifícios arqueológicos em Bab Al Wazir.

2) Trono do Príncipe Mami Al Siefi em Al Gammaliya.

De inaugurações temos:

1) A abertura do museu aberto para o obelisco Mataria.

2) Inauguração do Museu Arqueológico de Matrouh.

3) Santuário de Sidi Ali Zein Al Abidin em Al Saida Zeinab.

4) Museu dos Monumentos de Tal-Basta.

5) Inauguração do projeto de restauração da mesquita Al Azhar.

6) A parte sul da mesquita arqueológica SaadZaghloul na cidade de Rashid.

7) Mesquita Al Abasi em Port Said.

8) Inauguração do Museu Nacional Sohag.

9) Mesquita de Anga Hanem em Alexandria.

10) Mesquita de Ttndy na vila de Shali no oásis de Siwa.

11) Novas exibições sobre o casal Yuya e Thuya no aniversário do Museu Egípcio.

Em relação a exposições temporárias no exterior estão: 

1) Exposição temporária para monumentos islâmicos no Canadá.

2) Monumentos submersos em dois estados dos Estados Unidos da América.

3) Alguns dos monumentos de Tutankhamon em Los Angeles

4) Réplicas de monumentos na Itália.

5) Exposição intitulada “O ouro e os tesouros do Antigo Egito” no Principado de Mônaco por dois meses.

Foto: Ministry of Antiquities

E metas para 2019:

1) Abertura de um grupo de mesquitas monumentais em cooperação com o Ministério Awqaf e alguns monumentos em Darb Al Ahmar.

2) Restauração e manutenção de mosteiros em cooperação com a Igreja e conclusão do projeto do local monumental de Abu Mina.

3) Inauguração do Centro Zoar Abidos.

4) Reduzir a água subterrânea em Al Ozirion, em KomOmbo e em Koum Al Shokafa.

5) Abertura de três salões centrais para expor as múmias reais.

6) Continuação da restauração da pirâmide de Djoser.

7) Projeto de proteção e iluminação do banco ocidental em Luxor.

8) Restauração da sinagoga Eliyahu Hanavi em Alexandria.

9) Abertura de um museu em parceria com o setor privado em Hurghada.

10) Inauguração do Museu de Tanta

11) Inauguração do Museu dos Veículos Reais em Boulak

12) Abertura do palácio do Príncipe Joseph Kamal em Nagee Hamady.

13) Inauguração da primeira fábrica para réplicas de monumentos.

14) Abertura do quiosque El Gabalia no palácio de Mohamed Ali em Shobra.

15) Museu de Sharm El Sheikh (primeiro estágio).

16) Museu Kafr El Sheikh.

17) Palácio do Barão Empain (provisoriamente).

18) Museu Greco-Romano em Alexandria (provisoriamente).

19) Desenvolvimento da zona das pirâmides: O projeto está quase pronto. Um contrato foi assinado com a Orascom Investment Holding para fornecer e operar na zona.

Fonte:

Discover 2018’s Egyptian Archaeological Achievements. Disponível em < http://see.news/discover-2018s-egyptian-archaeological-achievements/ >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

Tumba com mais de 4400 anos é encontrada no Egito ainda com suas pinturas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Fotos: Ministério das Antiguidades

Um dos últimos descobrimentos arqueológicos ocorridos no Egito em 2018 foi a de uma tumba que permaneceu fechada por quase 4.400 anos e que têm deixado as autoridades egípcias em polvorosa. A animação ficou refletida durante uma conferência feita para imprensa organizada exclusivamente para anunciar a descoberta. A tumba, que está localizada em Saqqara, pertenceu a um homem chamado Wahtye e que possuía os títulos de “sacerdote real da purificação”, “supervisor real” e “inspetor dos barcos sagrados”. Ele foi um empregado do rei Neferrirkare, que governou durante o Antigo Reino, na 5ª Dinastia.

Fotos: Ministério das Antiguidades

De acordo com Mostafa Waziri, secretário geral do Supremo Concelho de Antiguidades, “A cor está quase intacta apesar da tumba ter quase 4400 anos”. As paredes da galeria estão cobertas por pinturas em relevo, esculturas e inscrições. Tudo isto, apesar de ter se passado tantos milênios, está em um ótimo estado de conservação. As pinturas representam cenas da vida cotidiana e imagens de cunho funerário e religioso. Já as estátuas, que preenchem 18 nichos, representam o proprietário da sepultura e a sua família. Enquanto 26 nichos menores perto do chão possuem estátuas de uma pessoa (ainda não identificada) em pé ou sentada com as pernas cruzadas, como um escriba.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas são retratados personagens realizando a atividade descrita aqui: a pintura em parede.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

— Leia também: A “Lei da Frontalidade”: entendendo as pinturas egípcias

O local está sendo pesquisado por uma equipe de arqueólogos egípcios, os quais encontraram cinco poços em seu interior. Um deles já foi aberto, mas nada foi encontrado, mas existe uma certa esperança de que os demais possam conter alguma coisa, quem sabe até o ataúde do dono da tumba.

Fonte:

Untouched 4,400-year-old tomb discovered at Saqqara, Egypt. Disponível em < https://www.nationalgeographic.com/culture/2018/12/relief-statues-discovered-priest-royal-purification-tomb-saqqara-pyramid-egypt/ >. Acesso em 15 de dezembro de 2018.

Explosão mortal atinge ônibus de turismo perto das pirâmides de Gizé, no Egito

Esta é uma tradução integral da matéria do jornal Egyptian Streets “Is Egypt Safe? What You Should Know About the Giza Tour Bus Bombing” (Egito é seguro? O que você deve saber sobre a explosão de um ônibus de turismo em Gizé):

Na noite de sexta-feira (28/12/2018), um dispositivo explosivo improvisado (DEI) foi detonado quando um ônibus que transportava turistas passou por Gizé, no Egito. A explosão matou quatro pessoas e feriu 11 outras.

Aqui está o que você precisa saber sobre a explosão — incluindo se o Egito é seguro para visitar.

O que você precisa saber sobre as vítimas:

Primeiro-ministro do Egito visitando vítimas no hospital na sexta-feira, 28 de dezembro de 2018.

Quatro pessoas foram mortas, incluindo três turistas vietnamitas e um egípcio que era o guia turístico. Onze outras pessoas, incluindo 10 turistas vietnamitas e seu motorista de ônibus egípcio, ficaram feridas.

Todas as vítimas foram transportadas para o Hospital El-Haram, nas proximidades, para tratamento.

As autoridades não publicaram os nomes das vítimas. No entanto, a Embaixada do Vietnã no Cairo foi notificada e autoridades egípcias e vietnamitas visitaram as vítimas no hospital.

Onde foi a explosão? Foi perto das pirâmides?

A explosão ocorreu às 18h no corredor El-Maryoutiya, no distrito de Hiram, em Gizé, a aproximadamente sete quilômetros do complexo das Pirâmides e da Esfinge.

A área é frequentemente ocupada com autocarros turísticos que viajam de e para as pirâmides, bem como para outros locais históricos nas proximidades.

No entanto, o primeiro-ministro do Egito, Mostafa Madbouly, disse que o ônibus da excursão “se desviou” da estrada segura pré-determinada sem notificar os funcionários de segurança.

O primeiro-ministro explicou que todos os ônibus de turismo e suas rotas são altamente monitorados e garantidos pelo Ministério do Interior.

Mais informações sobre se o ônibus da turnê de fato “se desviou” de qualquer rota oficial — e por que isso importaria, dado o incidente ocorrido em Gizé — ainda não estão claras.

Quem é responsável?

Membros das forças especiais da polícia no Cairo, Egito, 7 de agosto de 2016. Crédito da foto: Reuters

Ninguém assumiu a responsabilidade pela explosão do DEI.

O Ministério do Interior explicou que o DEI estava escondido ao lado de uma parede, mas não revelou se há algum suspeito.

Fontes disseram ao Egyptian Streets que parece que o DEI foi colocado em um temporizador e não foi controlado remotamente. Isso pode indicar que o ônibus da turnê não era necessariamente um alvo. No entanto, isso não está confirmado no momento.

O Procurador-Geral do Egito já abriu uma investigação urgente sobre o incidente e as autoridades estão no processo de determinar se existe algum risco adicional para o público.

A segurança do Egito geralmente está em alerta máximo contra o terrorismo, já que, nos últimos anos, terroristas têm visado instituições públicas e religiosas em feriados como o Natal.

O Egito é seguro para turistas?

Embora tenha havido uma série de ataques terroristas no Egito nos últimos anos, o número de ataques contra turistas estrangeiros foi mínimo.

Terroristas, incluindo os grupos afiliados ao EI (Estado Islâmico) no norte do Sinai, concentraram seus ataques em forças de segurança e cristãos coptas.

O Egito considera seu setor de turismo como um segmento crucial de sua economia — com o número de turistas em 2018 e deverá atingir novos patamares em 2019 — e, como tal, implementou medidas de segurança rígidas para evitar qualquer perturbação ou ataques.

Em junho de 2018, a Gallup Global Law and Order classificou o Egito como o 16º país mais seguro do mundo, superando tanto os Estados Unidos, o Reino Unido e todo o continente africano. O Egito também foi considerado mais seguro do que destinos turísticos europeus populares, como França, Itália, Turquia e Alemanha.

Em geral, o terrorismo ocorre em todo o mundo e muitas vezes é difícil de evitar. No entanto, as forças de segurança no Egito garantiram que os ataques são mínimos em comparação com outros países ao redor do mundo.

Além disso, com os egípcios conhecidos por sua hospitalidade, o próprio povo egípcio desempenhou um papel fundamental na erradicação do extremismo e na garantia de que os turistas pudessem ver com segurança e alegria os maiores tesouros do Egito.

Texto original:

Is Egypt Safe? What You Should Know About the Giza Tour Bus Bombing. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2018/12/29/is-egypt-safe-what-you-should-know-about-the-giza-tour-bus-bombing/ >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

Foi descoberta a tumba de Imhotep?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Imhotep é um nome versado na Egitoptologia — ciência que estuda o Egito Antigo —, sendo o arquiteto responsável pela construção da primeira pirâmide egípcia, a Pirâmide de Djoser. Séculos mais tarde foi adotado como um deus por conta dos seus feitos e no final da Era Faraônica passou a ser comparado com Asklepios, deus grego da medicina e da sabedoria.

Foto: Charles J Sharp

A Pirâmide de Djoser, também chamada de Pirâmide Escalonada ou Pirâmide de Degraus, foi feita com adobe e pedra calcária e localiza-se em Saqqara. Mais de 5.000 anos após sua construção ela ainda se encontra de pé. É um grande feito por ser o primeiro edifício monumental construído no Egito e possivelmente em toda África. Ela também foi a inspiração para as demais pirâmides espalhadas pelo país, inclusive a Grande Pirâmide, que foi construída décadas mais tarde.

O nome de Imhotep significa “Aquele que vem em paz”, mas pouco sabemos sobre a sua vida e família. Ele foi o vizir e arquiteto do rei Djoser da 3ª Dinastia (Antigo Reino). Acredita-se que nasceu no Alto Egito e seu pai chamava-se Kanofer. Sua importância é notada também graças a uma estátua de Djoser em que o arquiteto é citado: “O Chanceler do Rei do Baixo Egito, o primeiro depois do Rei do Alto Egito, administrador do Grande Palácio, Senhor hereditário, Sumo Sacerdote de Heliópolis, Imhotep, o construtor, o escultor, o criador de vasos de pedra.” (RICE, 1999)

Pés da estátua de Djoser acompanhada de citação ao nome de Imhotep.

O arqueólogo Dr. Zahi Hawass em entrevista ao SeeEgy apontou outras titulações onde se somam registrador de anuários e secretário dos selos[1].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed.

Dada a sua notoriedade é um sonho para alguns acadêmicos encontrar sua tumba. Dentre estes pesquisadores estava o egiptólogo britânico Walter Emery (1902 – 1971), que dedicou parte da sua vida a buscar pela sepultura do arquiteto em Saqqara, sem sucesso. Uma equipe escocesa, a Saqqara Geophysical Survey Project, sob a liderança de Ian Mathieson (1927-2010) encontrou, através do uso de um radar, o sinal de um possível túmulo ao redor da pirâmide de degraus, túmulo este que Mathieson acreditava ser do próprio Imhotep. Hawass concorda com esta suposição. De acordo com ele:

“Em primeiro lugar, a pirâmide do rei Djoser é a única pirâmide do Antigo Reino onde as rainhas foram enterradas; em segundo lugar, o rei concedeu a Imhotep um status elevado; assim, o lugar normal para enterrá-lo é com o rei a quem ele serviu. É por isso que espera-se que ele viva com ele na vida após a morte. Descobri que o lado oeste da pirâmide é o único lado onde Emery não escavou, pois estava repleto de areia e pedras. Na verdade, uma Missão de Pesquisa Egípcia foi formada para escavar na parte oeste da pirâmide e surpreendentemente encontraram um túmulo que remonta à 2ª Dinastia, mas paramos as escavações por causa dos incidentes do 25 de janeiro”[1].

Os incidentes aos quais ele se refere foi a chegada da Primavera Árabe ao Egito em 2011, e que pausou várias pesquisas arqueológicas que se sucediam pelo país.

— Leia também: Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Mas e agora? Os egípcios desistiram de procurar? A resposta é certamente “não”. A descoberta da tumba de Imhotep seria um grande trunfo para o Egito, contudo, após séculos de saques é difícil ter esperança de que ao menos uma sepultura adornada será encontrada.

Fontes:

[1] Where is Imhotep’s Tomb?. Disponível em < http://see.news/where-is-the-tomb-of-imhotep/ >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

New URL for Saqqara/Imhotep story. Disponível em < http://egyptology.blogspot.com/2007/12/new-url-for-saqqaraimhotep-story.html >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

Ian Mathieson. Disponível em < https://www.telegraph.co.uk/news/obituaries/technology-obituaries/7880008/Ian-Mathieson.html>. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

Filme com cena de sexo no topo da Grande Pirâmide? O governo egípcio está investigando! (+12)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Na tarde de ontem foi liberada a notícia de que um vídeo contendo uma cena de sexo foi enviado para um procurador egípcio. A grande questão aqui é que o citado vídeo supostamente foi gravado no topo da Grande Pirâmide de Gizé, que além de ser uma estrutura arqueológica com mais de 3.000 anos é Patrimônio da Humanidade. Escaladas até o topo destas e das demais pirâmides do platô de Gizé são totalmente proibidas não somente por conta da importância histórica destes edifícios, mas por conta do perigo.

O vídeo teria sido feito por um fotógrafo dinamarquês chamado Andreas Hvid, que por sua vez o postou no YouTube. Em seu Instagram, Hvid se define com os seguintes termos: “Exploração urbana; Arte nua; Coisas de viagens”. E dentre as fotografias presentes na rede social e em seu site estão algumas tiradas do topo de edifícios e mulheres seminuas.

Publicação de Hvid, mas que posteriormente foi apagada. Fonte: Identity Mag.

De fato, existe um vídeo circulando pela internet cuja autoria é dada a Hvid. Nele o vemos juntamente com uma mulher escalando a Grande Pirâmide na calada da noite e ao chegar no topo tiram uma fotografia lado a lado. Em um outro momento do vídeo ela retira e blusa e no momento seguinte uma fotografia é mostrada onde o casal parece estar em um enlaço sexual.

Andreas Hvid e companheira. Esta fotografia ainda está disponível no site dele.

Até o momento em que concluo este texto não achei nenhuma declaração vinda do próprio Hvid. Porém, de acordo com o site Egypt Today ele teria declarado o seguinte na descrição do vídeo original: “No final de novembro de 2018, uma amiga e eu escalamos a Grande Pirâmide de Gizé (também conhecida como Pirâmide de Khufu, Pirâmide de Quéops). Temendo ser notado pelos muitos guardas, não filmei por várias horas enquanto esgueirava-me no Planalto de Gizé, o que levou à subida “. Ainda de acordo com o site o diretor da área arqueológica das pirâmides de Gizé, Asharf Mohey, irá apresentar um relatório à promotoria exigindo uma investigação oficial sobre o vídeo. Ele não acredita que o vídeo seja real, alegando que é impossível escalar as pirâmides devido a grande segurança que existe atualmente no local. Ele ainda salientou que suspeita da autenticidade das imagens porque as luzes que aparecem na gravação não se assemelham a visão real que o sítio arqueológico tem.

 

Esta não foi a 1ª vez: um filme pornográfico russo foi gravado na região

Em 2015 foi liberada a notícia de que um curto filme contendo cenas de sexo explícito foi gravado ilegalmente na região das Pirâmides de Gizé, o que levou o governo egípcio a abrir uma investigação para apurar o caso. O vídeo é russo, mas contém legendas em inglês. Nele uma atriz chamada Aurita reclama de ter que visitar os locais históricos. “Esta p***a é uma porcaria”, disse ela em relação às Pirâmides. “O que tem para olhar? É realmente uma porcaria, até nossos resorts são melhores”.

Aurita em screenshot do vídeo citado.

Enquanto isso, a co-estrela masculina, que não é identificada, expressa descontentamento semelhante, dizendo que ele queria que as pirâmides fossem destruídas. “O que há para ver? Eu odeio estas p***as de pirâmides”. Ele também usa termos homofóbicos para descrever os vendedores que atuavam na área das pirâmides.

Aurita em screenshot do vídeo citado.

Fonte:

Egypt investigates porn video allegedly shot atop Giza Pyramid. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/1/61567/Egypt-investigates-porn-video-allegedly-shot-atop-Giza-Pyramid >. Acesso em 07 de dezembro de 2018.

“Porn Filmed At Egypt’s Pyramids Sparks Outrage”. Disponível em < http://egyptianstreets.com/2015/03/07/porn-filmed-at-egypts-pyramids-sparks-outrage/ >. Acesso em 07/03/2015.