É oficial: Tumba do faraó Tutankhamon não possui câmaras ocultas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após anos de espera finalmente possuímos uma resolução acerca dos trabalhos de busca por câmaras ocultas na tumba do faraó Tutankhamon, que reinou durante a 18ª Dinastia (Novo Império).

Desde 2015 o público acadêmico e curiosos têm esperado uma conclusão acerca desta teoria, que surgiu após a publicação de um artigo do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, que sugeriu que a pequena tumba do rei, tombada como “KV-62”, possuiria indícios de entradas para outras câmaras funerárias. Ainda, de acordo com a teoria, estas câmaras seriam nada mais, nada menos, que pertencentes ao sepultamento da rainha Nefertiti, sogra do jovem governante.

Apesar de ser uma sugestão um tanto excêntrica o Ministério das Antiguidades do Egito a considerou plausível e por isso autorizou análises com radares na sepultura. A primeira ocorreu em 2016, liderada pelo próprio Reeves e apontou que existiria “70% de chances”, nas palavras do Ministro das Antiguidades da época, de que existiria câmaras ocultas na sepultura. No entanto, os resultados desta pesquisa foram questionados devido a sua imprecisão e a negativa do seu executor, o Hirokatsu Watanabe em liberar seus dados para que pudessem ser apreciados por outros acadêmicos e a imprensa (o que é comum com pesquisas científicas). Então uma segunda análise foi feita, desta vez pela National Geographic, que desconsiderou qualquer hipótese de existência de tais espaços vazios. Ambas estas pesquisas foram comentadas no nosso vídeo “Sobre as supostas câmaras ocultas na tumba de Tutankhamon” (clique aqui para assistir).

Então no final de 2017 o Ministério aprovou uma nova análise, desta vez liderada por uma equipe italiana. As pesquisas tiveram início em fevereiro (2018) e suas conclusões foram disponibilizadas agora no início de maio (2018) (e já comentada em nossa página no Facebook). O resultado? Não existem câmaras ocultas alguma na sepultura.

Agora poderemos fechar mais um capítulo relacionado com as pesquisas realizadas na tumba de Tutankhamon. Mas, vindo deste rei, agora é só esperar qual nova teoria surgirá sobre ele.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas você poderá ver egípcios pintando a parede de uma tumba, tal como teriam pintado as paredes da sepultura de Tutankhamon.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

Supreme Council of Antiquities denies claims of new discovery in King Tutankhamun’s tomb. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/290670.aspx >. Acesso em 09 de fevereiro de 2018.
Desvendado o grande mistério sobre as câmaras secretas na tumba de Tutancâmon. Disponível em < http://www.bbc.com/portuguese/internacional-44029049 >. Acesso em 07 de maio de 2018.

Fotos: Wikimedia Commons.

Conheça as novas atrações turísticas da cidade de Akhenaton

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito deu início a um projeto para desenvolver o Centro de Visitantes de Amarna, em Minya, em parceria com o Instituto McDonald de Pesquisa Arqueológica da Universidade de Cambridge.

O projeto intitulado “Entrega de Estratégias do Patrimônio Sustentável para o Egito Rural: Comunidade e Arqueologia” é financiado pelo Fundo Newton-Mosharafa e organizado pelo British Council juntamente com o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

english.ahram.org.eg

A principal finalidade do projeto é desenvolver, dentre várias coisas o centro de visitantes existente em Amarna, que tinha sido inaugurado em 2016. Também um adequado treinamento para funcionários do centro de visitantes, o desenvolvimento de programas de extensão, a preparação de um guia local, material educativo para crianças, um filme e um aplicativo para uso no local em associação com o centro.

É em Amarna onde outrora esteve a cidade do faraó Akhenaton, que reinou no Egito durante uma época chamada de Período Amarniano. Destacado pelas mudanças artística e a elevação do deus Aton, as iniciativas tomadas durante o Período Amarniano levou, erroneamente, a crença de muitos de que Akhenaton teria sido monoteísta.

O suposto monoteísmo de Akhenaton inclusive foi tema de um dos vídeos do nosso projeto no Apoia.se: www.arqueologiaegipcia.com.br/apoie/

Uma das coisas que certamente chamará a atenção dos visitantes é a réplica da tumba do rei, assim como a exibição dos palácios e casas do distrito real de Amarna. Isso porque os sítios arqueológicos de Amarna não são tão chamativos quanto os demais do Egito. Poder ter algo para visualizar tornará mais fácil aos visitantes entender a magnitude daquela época e ter uma ideia dos ambientes dos edifícios do tempo dos faraós. E já adianto que podemos esperar boas novidades desse local.

Akhenaton, Nefertiti e três das suas seis filhas. Foto: Wikimedia Commons.

 

Fonte:

Tel Al-Amarna Visitors’ Centre in Minya to receive upgrade. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/300133.aspx >. Acesso em 27 de maio de 2018.

(Curso) Re-Conhecendo o Egipto: Metodologias e Problemáticas em Egiptologia

A partir do dia 3 de setembro (2018) será realizado o curso “Re-Conhecendo o Egipto: Metodologias e Problemáticas em Egiptologia”, que visará os profissionais, estudantes e curiosos pelo Egito Antigo, em especial no âmbito da História, cultura e patrimônios arqueológicos.

A inscrição deve ser feita através do formulário. Consulte o site dos ministrantes para saber mais e fique de olho nos prazos e formas de pagamento.

O Programa

1. A descoberta do Egipto Antigo:

1.1. Os primórdios da arqueologia egípcia e da Egiptologia
1.2. A Egiptologia em Portugal

2. A Egiptologia na atualidade:

2.1 Instituições de ensino e de investigação
2.2. Museus
2.3. Congressos e Publicações
2.4. Principais recursos online

3. A Construção do Conhecimento em Egiptologia: O Uso das Fontes (estudos de caso)

3.1. Arqueologia
3.2. Arquitetura
3.2.1. Templos
3.2.2. Cidades
3.3. Literatura
3.4. Arte
3.5 Cultura material
3.5.1 Túmulos e seus Conteúdos
3.5.2 Amuletos

Link: http://fcsh.unl.pt/formacao-ao-longo-da-vida/escola-de-verao/cursos-2018/re-conhecendo-o-egipto-metodologias-e-problematicas-em-egiptologia

 

Incêndio destruiu parte do Grande Museu Egípcio: as causas ainda são desconhecidas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último dia 29 de abril (2018), como anunciado na nossa página no Facebook, um incêndio irrompeu em um dos prédios do Grande Museu Egípcio, cuja inauguração está prevista para este ano de 2018. As chamas tiveram início ainda pela manhã e atingiu a área do prédio de conferências e um guindaste próximo. O fogo foi contido 1 hora depois pelo o corpo de bombeiros do próprio museu com o auxílio do caminhão dos bombeiros da Segurança Civil.

Proposta de como seria o GEM totalmente pronto.

Felizmente não existem vítimas, nenhum artefato arqueológico foi danificado e no geral a estrutura do prédio está bem.

GEM em 2013. Foto: Neal Spencer. 2013.

A causa do desastre ainda é desconhecida e uma investigação foi aberta.

O Grande Museu Egípcio foi construído com a finalidade de ser o maior do Egito e abrigará algumas das peças arqueológicas mais importantes do país, a exemplo daquelas pertencentes a tumba do faraó Tutankhamon, que foi descoberta praticamente intacta em 1922. Veja abaixo algumas imagens.

 

Fontes:

No one hurt, no artefacts damaged in scaffolding fire outside Grand Egyptian Museum: Ministry. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/298579.aspx >. Acesso em 29 de abril de 2018.

Investigations still under way into Grand Egyptian Museum’s fire. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/investigations-still-under-way-into-grand-egyptian-museums-fire/ >. Acesso em 29 de abril de 2018.

 

Sobre a notícia de papagaios mumificados no Egito: ela é falsa!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias começou a circular na internet uma foto mostrando o que parecem ser papagaios mumificados e sempre acompanhada pela legenda “papagaios mumificados, Egito”. Estes compartilhamentos estão surgindo em contas de redes sociais estrangeiras, mas não duvido nada que possam chegar ao nosso Brasil.

A questão é que esta imagem em nada tem a ver com o Egito Antigo e em verdade nem mesmo são múmias! Tratam-se de peças artísticas feita por uma mulher chamada Eline ‘t Sant. Ela fez estes papagaios com látex, tecido, argila, algodão, couro, ossos, acrílico, pigmentos naturais e pinturas [1]. Existem mais dessas pecinhas, só que em diferentes modelos:

E tem em outras cores:

Ou seja: esse é mais um caso celebre de hoax, bait, em palavras simples uma notícia falsa. Sem contar que papagaios têm como habitat florestas úmidas, bosques e matas. Seria no mínimo interessante encontrá-los no deserto do Saara.

 

Fonte:

[1] Eline ‘t Sant – Parrots Installations and Assemblages. Disponível em < http://blog.kiwitan.com/2010/05/eline-t-sant-parrots-installations-and.html >. Acesso em 23 de abril de 2018.

Zahi Hawass e a busca por uma nova tumba (a qual espera-se que seja de Ankhesenamon)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde janeiro (2018) uma equipe de arqueologia liderada pelo o arqueólogo egípcio Zahi Hawass está procurando por uma tumba no Vale Oeste (também chamado de Vale dos Macacos), uma área mais periférica do Vale dos Reis. Essas escavações estão sendo financiadas pela Discovery Channel e como eu já tinha previsto aqui no Arqueologia Egípcia a empresa está fazendo isso porque lançará uma série de documentários sobre o assunto. A série deve estrear ainda este ano na Discovery Channel e no Science Channel.

— Saiba mais: Arqueólogo Zahi Hawass inicia busca pela tumba da esposa de Tutankhamon

As escavações estão ocorrendo sob sigilo, para manter a exclusividade da descoberta, mas a Discovery liberou uma foto dessas escavações:

Foto: Discovery Channel

Esta pesquisa começou depois que a equipe de Hawass encontrou objetos funerários nesta região e devido a proximidade com os túmulos dos faraós Amenhotep III e Ay, especulou-se que ali poderia estar a tumba da rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon.

Mas por hora nada é certo.

Saiba um pouco mais sobre esta pesquisa através deste vídeo que gravei para o canal do Arqueologia Egípcia:

E conheça a rainha Ankhensenamon e o seu esposo assistindo a este vídeo:

Fonte:

Has Tutankhamun’s tragic teenage wife been found? Documentary on the dig for the body of Ankhesenamun who ‘married her father, her grandfather AND her half-brother’ could reveal new clues. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-5602817/Discovery-Channel-filming-archaeologists-digging-body-Tutankhamuns-wife-Ankhesenamun.html >. Acesso em 23 de abril de 2018.

Have Archaeologists Discovered the Tomb of King Tut’s Wife? Maybe. Disponível em < https://www.livescience.com/62264-search-king-tut-wife-tomb.html >. Acesso em 23 de abril de 2018.

 

O mistério das manchas marrons na tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quem já visitou a tumba do faraó Tutankhamon ou viu fotografias certamente notou que as pinturas que enfeitam as paredes estão cobertas por estranhas manchas amarronzadas. Por anos algumas suposições foram levantas buscando entender o que seriam estas marcas. A mais famosa é que seriam o resultado da umidade acumulada por conta da visita de muitos turistas, tal como foi o caso da tumba da rainha Nefertari, que precisou ser fechada para ser preservada. Ou seja, seriam microrganismos que estariam destruindo as imagens pouco a pouco. Agora, os pesquisadores do Getty Conservation Institute de Los Angeles acreditam ter desvendado o mistério.

Fotos da época da descoberta foram comparadas com as dos dias de hoje e o que se viu é que essas manchas tinham tomado novas áreas. Naturalmente isso preocupou os cientistas que entraram em ação com estudos de DNA, análises químicas e microscópicas. Eles confirmaram o que muitos temiam: de fato as manchas são de origem microbiológica. Em termos simples, tratam-se de mofo e fungos. Porém, a ótima notícia é que eles estão mortos e não são mais uma ameaça.

Este estudo, que está sendo realizado há quase uma década, é fruto de uma associação entre o Getty Conservation Institute e o Ministério das Antiguidades do Egito. O seu objetivo é avaliar as condições da tumba do rei e assim ajudar a evitar que ela se deteriore. Por conta desses trabalhos melhorias foram aplicadas no tumulo tal como a construção de uma rampa e trilhos para controlar o acesso de visitantes, regras para determinar o numero máximo de pessoas que podem entrar e a instalação de um sistema de ventilação. Eles também estabilizaram a perda dos pigmentos pretos e vermelhos dos murais.

O diretor do projeto explicou que em um dado momento dos trabalhos foi necessário mover a múmia do rei. Isso ocorreu em meados de outubro de 2016, período em que a tumba foi fechada por um mês para a visita de turistas.

Sobre as manchas, elas não serão removidas. Isso porque os cientistas perceberam que elas penetraram totalmente as tintas de tal forma que qualquer tentativa de remoção acabará acarretando na destruição das pinturas.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas são retratados personagens realizando a atividade descrita aqui: a pintura em parede.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Getty Completes Study of Paintings at King Tut’s Tomb. Disponível em < https://www.nytimes.com/2018/03/26/arts/design/king-tut-getty-egypt-conservation.html?partner=rss&emc=rss&smtyp=cur&smid=tw-nytimesscience >. Acesso em 31 de março de 2018.

Comentando o trailer de “A Maldição dos Faraós” (Assassin’s Creed Origins)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último dia 13/03/18, a Ubisoft lançou mais uma extensão para o jogo Assassin’s Creed Origins, o A Maldição dos Faraós. Aqui nos reencontramos como o medjay Bayek que desta vez precisará enfrentar faraós zumbis e monstros terríveis.

Na noite anterior ao lançamento gravei um vídeo comentando alguns pontos curiosos do trailer. O Egito Antigo mais uma vez foi magistralmente representado e nem mesmo as licenças poéticas retiraram o tato da Ubisoft ao representar novamente a civilização egípcia. Assista abaixo aos meus comentários e não deixe de se inscrever no canal (clique aqui).

E quer saber quais foram os meus comentários mais gerais acerca de Assassin’s Creed Origins? Assista o vídeo abaixo:

Abaixo veja algumas imagens de “A Maldição dos Faraós”:

 

Mais uma necrópole é descoberta por arqueólogos no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Arqueólogos descobriram no Egito uma necrópole da época dos faraós que possui os restos mumificados de um sumo sacerdote do deus Thoth, senhor da sabedoria, patrono dos escribas e personificação da lua. Essa divindade era representada como um homem com cabeça de íbis, uma íbis de fato ou um babuíno.

— Deuses do Egito Antigo: O que você precisa saber! #0

Foto: Reuters/Mohamed Abd El Ghany

Esse grande cemitério foi descoberto em Atum al-Gaba, um vasto local à beira do deserto, próximo a Minya, ao sul da capital do Cairo. De acordo com o Ministério das Antiguidades os trabalhos de pesquisa nesta localidade têm a capacidade de durar cinco anos. “Este é apenas o início de uma nova descoberta”, disse o ministro das antiguidades, Khaled al-Anani. E Mostafa Waziri, chefe da missão arqueológica, falou que oito túmulos foram descobertos até agora e que ele espera que mais sejam encontrados em breve.

Em relação ao sepulcro do sacerdote, foram encontrados mais de mil estátuas e quatro vasos canópicos de alabastro, feitos para manter os órgãos internos dele. Já a sua múmia está decorada com contas azuis e vermelhas, enrolada em lençóis dourados de bronze.

— Vasos canópicos #AntigoEgito

Foto: EPA/IBRAHIM YOUSSEF

Além de parte do equipamento funerário do sacerdote, quarenta sarcófagos, os quais alguns possuem ainda o nome dos seus donos, igualmente foram encontrados.

Foto: Reuters/Mohamed Abd El Ghany

Foto: EPA/IBRAHIM YOUSSEF

Foto: EPA/IBRAHIM YOUSSEF

Reuters/Mohamed Abd El Ghany

Os pesquisadores iniciaram os trabalhos de escavações na área no final do ano passado em uma busca para encontrar o restante do cemitério de um nomo antigo. Isso porque esta área já era conhecida por conter antigas catacumbas datadas tanto do Período Tardio, como da Dinastia Ptolomaica, incluindo uma grande necrópole para milhares de íbis e babuínos mumificados. Somado a isso ano passado o Ministério das Antiguidades anunciou que nessa região foi encontrada uma necrópole com pelo menos 17 múmias.

 

Fonte:

Ancient necropolis discovered by archaeologists in Egypt: ‘This is only the beginning’. Disponível em < http://www.independent.co.uk/news/world/africa/ancient-necropolis-egypt-archeologists-mummy-tuna-al-gabal-a8226891.html >. Acesso em 14 de março de 2018.

A rainha Ahhotep é a protagonista de um game brasileiro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não é nenhuma novidade que o Egito Antigo tem sido usado e reutilizado por mídias da cultura pop. Basta ligar a TV ou abrir alguma revista para encontrá-lo em propagandas, filmes, desenhos e games. Temos o recente Assassin’s Creed Oringis, mas podemos contar com muitos outros, a exemplo do Pharaoh e Luxor.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Aqui no Brasil um grupo de desenvolvedores de games de Francisco Beltrão, Paraná, o Adhoc Games, também tem bebido dessa inspiração. Eles estão organizando o Echoes of the Gods (Ecos dos Deuses), que tem como protagonista a rainha Ahhotep I.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

O game não tem data de lançamento, mas caso queiram dar uma força para o grupo clique aqui para acessar a página deles no Facebook. Abaixo está um vídeo de apresentação de como está ficando o jogo:

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Quem era Ahhotep I:

Esta rainha, que viveu durante o final da 17ª Dinastia (Segundo Período Intermediário) e viu nascer a 18ª Dinastia (Novo Império), foi a esposa do rei Seqenenre Tao II, que possivelmente morreu durante alguma batalha contra os hicsos, que governavam o Norte do Egito. Na época em que eles viveram o país era comandado por ao menos três dinastias: A tebana, a qual Ahhotep I pertencia, a hicsa, no Norte do país e a de Abidos, que não teve uma longa existência.

Em uma tentativa de tomar o controle de todo o Egito Seqenenre Tao II iniciou companhas contra os estrangeiros e com a sua morte foi substituído por seu filho Kamose. Porém, o príncipe não sobreviveu muito, então o seu irmão mais novo, Ahmose, foi declarado o novo rei. Contudo ele ainda era uma criança quando isso ocorreu, então a sua mãe assumiu a regência do reino.

Esse período da história egípcia ainda é muito nebuloso, mas sabemos que a guerra se seguiu por anos e Ahhotep I precisou proteger o seu território não só contra os hicsos, mas também contra os núbios[1], ao sul do Nilo. No fim, Ahmose finalmente chegou até a idade ideal para reinar e ao lado da mãe conseguiu expulsar os estrangeiros e reunificar o país, abrindo o Novo Império e dando inicio a elevação do deus Amon como patrono do Egito.

Por sua atuação, Ahhotep I recebeu, mesmo anos após a sua morte, honrarias divinas e um culto foi estabelecido em sua memória. O seu próprio filho, Ahmose, a definiu em uma estela como sendo “alguém que pacificou o Alto Egito[2] e expulsou os rebeldes”.

 

O colar de ouro da honra:

Em 1859 um colar de 59 centímetros foi encontrado em Dra Abu el-Naga em um lugar em que se acreditava ser a tumba da rainha Ahhotep I. Contudo, por conta da natureza de alguns dos artefatos encontrados no local, que eram de cunho militar, alguns pesquisadores custam a acreditar que essas peças, inclusive o colar, tenha pertencido à rainha. Este colar, que é feito em ouro, possui três pingentes de 9 centímetros que representam moscas.

Foto: EINAUDI, 2009.

Este tipo de joia era dada a pessoas que realizaram proezas militares. Talvez por incapacidade de alguns pesquisadores em acreditar que uma rainha possa ter atuado como comandante leve a tal dúvida, que, por sua vez, não é de toda infundada, uma vez que no local também foram encontrados artefatos com o nome de seus filhos.

Saiba mais: Há alguns anos escrevi um artigo intitulado “Gênero invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, onde discuto como pesquisadores têm subestimado a participação social das mulheres egípcias em sua sociedade. Ele pode ser lido gratuitamente clicando aqui.

Fontes:

DABBS, Gretchen R; SCHAFFER, William C. Akhenaten’s Warrior? An Assessment of Traumatic Injury at the South Tombs Cemetery. Paleopathology Newsletter. No. 142, June, 2008.

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

SINGER, Graciela Noemí Gestoso. Queen Ahhotep and the “Golden Fly”. Cahiers Caribéens d’Egyptologie. nº 12, février-mars, p. 75 – 88, 2009.


[1] Reino que se encontrava onde hoje é o Sudão.

[2] O Alto Egito refere-se ao Sul do país. Ahmose, então, estava falando sobre os núbios.