7 coisas que você precisa saber sobre os 59 sarcófagos lacrados encontrados no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 3 de outubro (2020) o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito realizou uma conferência de imprensa em Saqqara, terra que os egípcios há mais de 2000 anos transformaram em cidade dos mortos e a qual hoje é uma das paisagens arqueológicas mais importantes do país. 

Naquele dia ele anunciou para uma plateia ansiosa que uma equipe de arqueologia do Supremo Conselho de Antiguidades do país tinha desenterrado um total de 59 ataúdes (sarcófagos, como se habituou a chamar aqui no Brasil). Descoberta essa que deixou muitos egiptólogos extremamente animados, mas muitas pessoas na internet levantando várias especulações e mitos. 

Para te deixar atualizado de tudo o que ocorreu, separei 7 pontos importantes a ver com essa descoberta:

1 – Saqqara foi durante o início da era dos faraós parte da capital do Egito e após perder o seu posto tornou-se uma cidade de grande importância religiosa, além de possuir uma das mais significativas necrópoles do país. É lá onde, inclusive, está a mais antiga pirâmide do Egito: a Pirâmide de Djoser;

2 – Os sarcófagos não foram encontrados em uma única tumba, mas em diferentes poços funerários: todos eles foram encontrados divididos em três diferentes poços, cuja profundidade varia entre 10 e 12 metros. Ou seja, o Ministério de Turismo e Antiguidades somaram as descobertas;

3 – Não é a primeira vez que vários sarcófagos foram encontrados juntos: uma descoberta desse tipo ocorreu no final de 2019 em Luxor, onde 30 sarcófagos foram localizados. Outra foi a do esconderijo das múmias de Deir el-Bahari, no século XIX, onde mais de 40 múmias foram encontradas, mas infelizmente muitas delas já tinham sido saqueadas por ladrões de tumbas. Temos vídeos sobre ambas essas descobertas:

4 – Todos esses sarcófagos estão lacrados, o que permitirá reunir muitos detalhes sobre a vida no Egito Antigo. Mas, é preciso salientar que “lacrado” não quer dizer “trancado”. Quer dizer que ele está fechado exatamente como foram deixados há mais de 2000 anos e que os corpos não foram perturbados por ladrões de tumbas; 

5 – Os corpos, ao contrário dos muitos boatos levantados na internet, não serão desenfaixados. Quando um sarcófago com uma múmia é encontrado de fato o sarcófago é aberto, mas a múmia em seu interior não é mexida. O que é feito é ver a integridade das bandagens e se precisa de algum restauro. Mas, se existir a necessidade de ver o que tem dentro da múmia, um tomógrafo ou um raio-x é utilizado (são muito raras as exceções em que uma múmia precisa ser desenfaixada). 

6 – Outro boato que surgiu é que essas múmias irão para museus europeus. Porém, há décadas o governo egípcio proíbe que arqueólogos e governos estrangeiros retirem artefatos arqueológicos do país. O máximo que ocorre é serem emprestados para exposições temporárias e seguindo uma série de regras;

7 – E não! Não existe risco de liberar vírus antigos ou epidemias ao abrir sarcófagos egípcios! Isso é mito! A temperatura do Egito não propícia que isso ocorra.

Quer saber mais detalhes sobre cada um desses pontos? Assista ao vídeo que gravei para o Arqueologia pelo Mundo:

No Egito estrada por onde caminharam faraós está sendo renovada para receber turistas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Entre os dias 5 e 6 de novembro ocorreu uma obra na Avenida das Esfinges (Estrada Kebbash), que nada mais é que um corredor de esfinges que conecta o Complexo de Templos de Karnak com o Templo de Luxor, ambos extremamente importantes durante a era dos faraós. Por ela passaram vários festivais relevantes, a exemplo da Bela Festa Opet.

Foto: Hiveminer

Aberta ao público desde 2013, essa estrada tem 2,7 quilômetros de extensão. É uma caminhada rodeada por cerca de 1.200 crioesfinges (esfinges com cabeças de carneiro) esculpidas em arenito, alinhadas em cada lado da estrada.

Veja a extensão da estrada saindo do Templo de Luxor para Karnak. Fonte: Google Earth.

O secretário-geral do Supremo Conselho de Antiguidades, Mostafa Waziri, inspecionou as obras e explicou que essa será a maior passarela para museus a céu aberto do mundo. Ele também afirmou que 70% da obra da estrada foi concluída.

Foto: Mostafa Waziri supervisiona a obra.

A renovação da Avenida das Esfinges tem como objetivo enaltecer ainda mais Luxor (e Karnak) no mapa turístico, atraindo cada vez mais turistas.

Fonte:

Egypt’s Mostafa Waziri inspects work at Kebbash road. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/93955/Egypt%E2%80%99s-Mostafa-Waziri-inspects-work-at-Kebbash-road >. Acesso em 06 de novembro de 2020.

SILIOTTI, Alberto. Egito (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Editora, 2006.

Egito anunciará em breve o que declaram como “a maior descoberta arqueológica de 2020”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito declarou essa semana que anunciará aquela que definiu como “a maior descoberta arqueológica de 2020”. Tal anúncio será feito em uma conferência de imprensa que será realizada na necrópole de Saqqara nos próximos dias.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito

No início de outubro foi anunciada a descoberta de 59 sarcófagos na região, o que por si só já é notável e histórico. Todos esses caixões estão bem preservados e contendo suas respectivas múmias em seu interior. Saiba mais sobre essa descoberta assistindo ao vídeo abaixo:

Então, isso faz com que nos perguntemos que tipo de descoberta superaria a dos 59 sarcófagos.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito
Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito

Através de algumas fotografias disponibilizadas pelo próprio Ministério é possível ver alguns artefatos em um ótimo estado de conservação, incluindo o que parece ser uma máscara de cartonagem coberta por folhas de ouro.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito

Ficaremos no aguardo por mais notícias.

“A maior descoberta arqueológica”:

Embora insistam em utilizar o termo “maior descoberta arqueológica”, isso é problemático no sentido de que isso acaba colocando um valor “quantitativo” em descobertas arqueológicas. Que quanto “maior” e “mais enfeitado”, melhor. O que não é verdade. A Arqueologia é uma ciência indiciária, e quanto mais informações tivermos, independente do volume ou “qualidade artística”, melhor.

Espero abordar esse assunto em breve no canal Arqueologia pelo Mundo. Clique aqui e se inscreva nele para não perder nenhum vídeo.

Fonte:
Egypt to announce biggest archaeological discovery of 2020 soon. Disponível em < https://dailynewsegypt.com/2020/11/09/egypt-to-announce-biggest-archaeological-discovery-of-2020-soon/ >. Acesso em 09 de novembro de 2020.
Egypt to announce biggest archaeological discovery in 2020 in few days. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/391380.aspx >. Acesso em 09 de novembro de 2020.

Tumba de mais de 3.000 de um “tesoureiro real” é descoberta no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Esta semana tivemos mais um anúncio de uma descoberta arqueológica realizada no Egito, desta vez é na área de Tuna Al-Gabal em Minya. Lá uma equipe egípcia de arqueologia descobriu a tumba de um supervisor do tesouro real chamado Ba di ist.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades

Mustafa Waziry, Secretário-Geral do Supremo Conselho de Antiguidades e chefe da missão, explicou que o túmulo consiste em um poço de sepultamento que contém 10 metros de profundidade. Tal poço leva a uma grande sala com nichos esculpidos na rocha. Nesse espaço foram encontradas duas estátuas: uma representando uma mulher e outra representando o deus Ápis, divindade em forma de um touro.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades

O grande destaque está em quatro jarros canópicos (recipientes onde os órgãos das múmias eram guardados) feitos com alabastro e que estão em ótimo estado de conservação. Caso queria conhecer um pouco sobre o que são vasos canópicos e sua serventia, tem um vídeo no nosso canal:

Outros artefatos foram encontrados, dentre eles 400 ushabtis de faiança azul e verde com o nome do falecido. Ushabtis são estatuetas que eram colocadas nos túmulos para que pudessem exercer trabalhos manuais no além em nome do morto.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades

Não ficou de todo claro no comunicado de imprensa, mas aparentemente mais seis sepultamentos de membros da família de Ba di ist — contendo cerca de 1.000 ushabtis de faiança e outros grupos jarros canópicos, foram encontrados na região. Além disso, 4 sarcófagos de pedra foram descobertos intactos, ainda selados com argamassa. Esses sepultamentos foram datados como pertencentes a 26ª e 30ª dinastias.

Fonte:

Egypt- Tomb of ancient Royal Treasury Supervisor uncovered in Minya Governorate. Disponível em < https://menafn.com/1101011944/Egypt-Tomb-of-ancient-Royal-Treasury-Supervisor-uncovered-in-Minya-Governorate >, acesso em 28 de outubro de 2020.

A Máscara Mortuária de Tutankhamon mudará sim de museu… Mas, não agora

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Apesar da pandemia da COVID-19 ter feito com que uma série de eventos ao redor do mundo foi cancelado ou atrasado, a exemplo da Olimpíada que ocorreria esse ano em Tóquio, os preparativos para a inauguração do Grande Museu Egípcio não pararam.

Em verdade a sua inauguração oficial estava agendada para o final desse ano de 2020, mas, devido a pandemia, ela também foi cancelada e o número de empreiteiros que estão trabalhando em sua construção diminuído. Entretanto, isso não impediu o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito de continuar a realizar a transferência dos artefatos arqueológicos escolhidos para o acervo do museu.

Dentre esses artefatos estão aqueles pertencentes ao faraó Tutankhamon, que têm sido gradativamente transferidos do Museu Egípcio, e outros museus menores, para o Grande Museu. O que gerou em 2019 a descoberta inusitada de uma caixa com pedaços de artefatos que outrora pertenciam a tumba dele. A caixa foi encontrada no depósito do Museu de Luxor e quando os objetos em seu interior foram analisados, foi descoberto que possuíam pedaços de uma maquete de embarcação do rei:

Porém, uma pergunta ficou no ar durante os últimos meses: quando a máscara mortuária dele, que atualmente encontra-se no Museu Egípcio do Cairo, será transferida? Alias, ela será transferida? A resposta saiu recentemente, quando o Ministério de Turismo e Antiguidades confirmou que de fato a máscara mortuária mudará de lar, sendo transferida para o Grande Museu Egípcio, mas somente após a inauguração do mesmo.

Sempre foi uma desconfiança de que a famosa máscara mortuária seria o último objeto dele a ser transferido, mas as circunstâncias nunca foram reveladas. Por isso, ficaremos no aguardo.

Fonte:

Egypt’s Tourism Minister: Grand Egyptian Museum to house Tutankhamun’s mask upon inaugration. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/egypts-tourism-minister-grand-egyptian-museum-to-house-tutankhamuns-mask-upon-inaugration/ >. Acesso em 05 de outubro de 2020.

6 antigas revistas sobre o Egito Antigo despertam nostalgia entre curiosos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Recentemente o Arqueologia pelo Mundo passou por mais uma mudança, mas dessa vez não foi na estrutura do canal, mas em seu cenário: mudamos para um ambiente novo, mais espaçoso e mais fresco — decisão necessária, visto que o final de ano é o período mais quente em Aracaju, onde moro.

Foi em meio a essa mudança onde olhei com mais atenção a minha coleção de revistas sobre Arqueologia, História Geral e especificamente Egito Antigo. Sim! Há alguns anos foram vendidas revistas exclusivas sobre o tema! E uma dessas coleções era “A Magia do Egito”, publicada pela Editora Escala.

As revistas que encontrei vão do volume 1 ao 6 e não localizei informações sobre se essa é a coleção completa ou se ela teve continuidade.

De uma forma geral essas revistas possuíam algumas informações bem equivocadas, mas, precisamos reconhecer que elas foram a única oportunidade de contato com o Egito Antigo para muitas pessoas. No início dos anos 2000, quando elas foram publicadas, o YouTube nem sonhava em existir, os documentários se resumiam a poucos canais fechados e a internet era um terreno praticamente inexplorado. Sites sobre o Egito Antigo eram totalmente raros e igualmente pouco confiáveis.

Alguns dos nossos seguidores deixaram seus comentários sobre essas revistas:

Folhear essas revistas me levou de volta à era de ouro das bancas, quando foi um passatempo comum olhar as capas e novidades disponíveis. Hoje, jornais e revistas têm migrado para o meio digital, outros, nem essa oportunidade tiveram, acabando por falir. No Brasil, recentemente perdemos a National Geographic, um dos maiores títulos do mundo.

Espero em breve trazer para vocês a análise de cada uma dessas revistas da coleção. Eu só cheguei a dar uma olhada superficial, então será interessante saber o que está guardado em algumas dessas folhas.

— E mais: Já teve curiosidade em saber como seria viver uma estudante de Arqueologia em um jogo? Então acompanhe a série “Aventuras na Arqueologia”:

27 sarcófagos lacrados foram descobertos em necrópole do Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Foi anunciada a descoberta de 27 sarcófagos na cidade de Saqqara, Egito. Esse achado deixou os arqueólogos do país em polvorosa, porque é um dos maiores desse tipo. Tratam-se de ataúdes (caixões) de madeira bem coloridos e que ainda estão lacrados, de acordo com um comunicado do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito. No mesmo comunicado o ministro, Khaled El-Enany, agradeceu aos trabalhadores da escavação por operarem em condições difíceis, enquanto aderiam às novas medidas de segurança relacionadas ao coronavírus.

No início desse mês de setembro (2020) tinha sido anunciado o descobrimento de 13 sarcófagos. E agora o anúncio é referente a descoberta de mais 14 os quais foram encontrados no fim de um segundo poço com cerca de 11 metros de profundidade. Não se sabe ainda quem são as pessoas dentro dos ataúdes, mas por terem sido encontradas em Saqqara, e ainda por cima em caixões de madeira tão bem decorados, provavelmente tratam-se de indivíduos relacionados de alguma forma à nobreza. Porém, pesquisas adicionais serão necessárias para se saber tanto a identidade daqueles que estão no caixão, como para saber se existem mais sarcófagos nas proximidades.

Os arqueólogos também encontraram vários artefatos no poço, incluindo pequenas estátuas e um obelisco de madeira com pouco mais de 30 centímetros de altura.

A cidade de Saqqara um dia foi a localização da mais antiga capital do Egito e que após perder o seu posto tornou-se uma cidade de grande importância religiosa, além de possuir uma das mais significativas necrópoles do país. É lá onde está a mais antiga pirâmide do Egito, a Pirâmide de Djoser.

Outra descoberta do tipo:

Em 2019 uma descoberta muito parecida tinha sido feita, porém em Luxor. Nessa ocasião 30 sarcófagos tinham sido encontrados na vila de Al-Assasif:

— Saiba mais: Dezenas de sarcófagos foram encontrados selados no Egito

Fonte:

Egypt tomb: Sarcophagi buried for 2,500 years unearthed in Saqqara. Disponível em < https://www.bbc.com/news/world-middle-east-54227282 > Acesso em 22 de setembro de 2020.

Aeroporto do Cairo ganha museu com múmias egípcias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 26 de julho de 2020 (dia do arqueólogo aqui no Brasil… Ok, informação irrelevante no momento, mas está aí a curiosidade), a equipe que trabalha no Museu do Aeroporto do Cairo, mais especificamente no Terminal 3, montou mais painéis para a exibição de antiguidades egípcias. Quando for inaugurado, esse museu repaginado contará com 70 artefatos arqueológicos exibindo, inclusive, múmias egípcias.

Eles foram escolhidos a dedo para representar os diferentes aspectos da civilização egípcia antiga, indo desde a era faraônica, à cultura copta e islâmica.

Sobre as múmias, as informações dadas é que uma remonta à Época Tardia e trata-se de um homem com os braços cruzados no peito, posição típica de faraós. Já a outra remota à era romana e ainda possui sua máscara mortuária.

Esse museu é uma oportunidade dos viajantes, só de chegarem ao aeroporto, serem impactados pela história do Egito, além de dar uma oportunidade aos que só estão fazendo escala no país. Essa é também uma forma de receber de braços abertos os turistas que futuramente visitarão o Egito após o fim da pandemia da COVID-19.

Em soma, um novo salão de exposições está sendo preparado no Terminal 2 e esse contará com uma área de aproximadamente 150 metros.

— E mais: Já teve curiosidade em saber como seria viver uma estudante de Arqueologia em um jogo? Então acompanhe a série “Aventuras na Arqueologia”:

Fonte:

In Pics: Final touches placed on Cairo’s Airport Terminal 3 museum ahead of opening. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/90139/In-Pics-Final-touches-placed-on-Cairo’s-Airport-Terminal-3 >, acesso em 04 de agosto de 2020.

Todas as fotos desse post são de autoria do Ministério das Antiguidades e Turismo do Egito.

Egito anuncia descoberta arqueológica da época de Ramsés II

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Egito tem tentado controlar o avanço da COVID-19 no país e paralelamente tem retomado as pesquisas arqueológicas — com uma série de restrições as quais já sitei aqui no site —. Então, agora em agosto, o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito anunciou a descoberta de artefatos que datam do reinado de Ramsés II — um dos reis mais famosos da 19ª Dinastia —, além de restos de estruturas pertencentes aos coptas. Tudo isso em Mit Rahina, que no passado ficava nas proximidade da antiga Mênfis.

A importância dessa descoberta está no fato de que Mênfis foi por muitos séculos capital do Egito e mesmo quando perdeu esse posto, continuou a ter relevância religiosa.

Foram encontrados vários blocos e estátuas de pedra esculpidas, dentre elas está uma feita em granito preto representando uma mulher. Já os blocos são feitos de calcário e pertencem à era copta, que em nada tem a ver com o tempo dos faraós. Os coptas tratam-se de uma das comunidades cristãs mais antigas do Oriente Médio. Desta forma, os arqueólogos responsáveis pelas pesquisas acreditam que esses blocos seriam reutilizações de partes de templos da época dos faraós.

O artefato do faraó Ramsés II encontrado é uma estátua, que estava acompanhada por várias estátuas representando diferentes divindades como Sekhmet, Hathor e Ptah. Tem curiosidade em conhecer mais sobre os deuses da antiguidade egípcia? Assista ao vídeo “Deuses do Egito Antigo: O que você precisa saber!“:

E quer conhecer um dos feitos mais famosos de Ramsés II? Veja ao vídeo “Deslocamento dos Templos de Abu Simbel: Ramsés II e Nefertari“:

Os trabalhos de escavações nesse sítio de Mit Rahina continuarão até que todos os artefatos e estruturas arqueológicas tenham passado por um trabalho de conservação.

Fonte:

Egypt announces new archaeological discovery from Ramses II era. Disponível em <https://dailynewsegypt.com/2020/07/28/egypt-announces-new-archaeological-discovery-from-ramses-ii-era/ >. Acesso em 04 de agosto de 2020.

Egito reabre aeroportos e recebe turistas em pirâmides

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Atenção: não é porque alguns países estão reabrindo que quer dizer que o Brasil tem condições de reabrir também. Fique em casa, obedeça a quarentena. Assim você ajudará a salvar várias vidas. Assista a esse vídeo para entender como até a arqueologia aponta a importância do isolamento social: Qual A Mais Antiga Epidemia?.

Foto: REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Após mais de 3 meses em quarentena devido à pandemia da COVID-19 (o novo coronavírus), o Egito reiniciou o recebimento de voos internacionais e reabriu alguns sítios arqueológicos para visitação turística, um deles é o platô de Gizé, onde se encontra a Grande Pirâmide.

O país tinha fechado aeroportos e atrações turísticas em meados de março e iniciou uma extensa campanha de conscientização e prevenção contra o coronavírus, incluindo o isolamento social para conter a propagação do vírus e higienização de sítios arqueológicos e hotéis. É importante salientar que parte da economia do Egito gira em torno do turismo, mais especificamente do turismo arqueológico.

Foto: REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

De acordo com a agência de notícias Reuters, os voos que estão chegando ao país ainda são poucos, assim como poucos visitantes passaram pelo Platô de Gizé. O ministro do turismo e antiguidades, Khaled al-Anany, disse que dois voos fretados chegaram na manhã da quarta-feira (01/07) a aeroportos no Sinai do Sul e no Mar Vermelho. Eles transportavam turistas da Ucrânia. Essas áreas ao longo da costa do Mar Vermelho e Marsa Matrouh, no Mediterrâneo, foram autorizadas a reabrir, pois possuem os números mais baixos de infectados até agora. Até o momento em que escrevo essa notícia o Ministério da Saúde egípcio registrou 71.299 casos de infectados pelo novo coronavírus e 3.120 mortes.

Desde o início de junho o ministro afirmava que estava esperando a curva de contágio do país se estabilizar e, aparentemente, esse momento chegou.
Dentre as medidas de segurança para essa abertura gradual do país está um regulamento explicando como as equipes de arqueologia devem se portar. Já os hotéis devem fornecer máscaras e desinfetantes a todos os hóspedes, enquanto as áreas comuns devem ser desinfetadas regularmente e o uso de elevadores limitado a 50% da capacidade.

Auxílio emergencial:

De acordo com o portal Middle East, o governo egípcio preferiu manter os hotéis fechados no auge da pandemia no país, acrescentando em comunicado que “não poderia correr o risco” de abrir qualquer coisa considerada imprópria. “Prefiro apoiar esses hotéis do que abri-los”, declarou o ministro de turismo e antiguidades.

Não foram liberados os dados oficiais sobre perdas econômicas este ano, mas o ministro do planejamento, Hala al-Saeed, disse em abril que essas perdas poderiam chegar a US$ 5 bilhões.

Ainda de acordo com o portal, o banco central destinou até 50 bilhões de libras egípcias em empréstimos para apoiar o setor de turismo. Os recursos foram destinados ao pagamento de salários dos funcionários que ficaram em casa em quarentena e a reforma de hotéis, ônibus, navios de cruzeiro e agências de viagens. Em soma, o Egito garantiu um pacote de ajuda urgente de US$ 2,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional para compensar a crise econômica. Também concordou com o FMI em outro acordo de reserva de US$ 5,2 bilhões “para manter a estabilidade macroeconômica em meio ao impacto da COVID-19”.

Em 2021, as autoridades contam com a inauguração do Grande Museu Egípcio, que fica no no platô de Gizé, para estimular o turismo.

Fontes:
Egypt gearing up to welcome back tourists. Disponível em < https://middle-east-online.com/en/egypt-gearing-welcome-back-tourists >. Acesso em 10 de junho de 2020.

Egypt reopens airports and welcomes tourists to pyramids after COVID closure. Disponível em < https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-egypt-idUSKBN2426VX >. Acesso em 1 de julho de 2020.