Novo livro do Zahi Hawass fala sobre as Pirâmides de Gizé

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No início deste mês, dia 13, os arqueólogos Zahi Hawass e Mark Lehner realizaram uma cerimônia de assinatura do recém lançado livro “Giza and the Pyramids” (2017) na Universidade Americana no Cairo. Durante a ocasião Hawass aproveitou para comentar sobre a existência de um grande vazio na Grande Pirâmide de Khufu em Gizé, anunciado pelo time da Scan Pyramids. Ele explicou que este anúncio não é novo, nem mesmo uma descoberta.

— Saiba mais: A controvérsia diante do anúncio da descoberta de “espaços vazios” na Grande Pirâmide

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass acrescentou que o livro revela muitos segredos e responde questões relacionadas às pirâmides de Gizé, além das últimas teorias e estudos científicos sobre estes monumentos.

Na noite anterior ao lançamento ele recebeu um prémio da Euro-Mediterranean Partnership (EUROMED), concedido pela primeira vez a um egípcio. Esta homenagem é por seu papel na disseminação do conhecimento sobre o patrimônio egípcio em todo o mundo, incluindo a Europa e os países localizados em todo o Mar Mediterrâneo. Este é um dos grandes prêmios europeus dados a profissionais da área das artes e antiguidades, dentre outras.

Fonte:

Book signing of Zahi Hawass’ ‘Giza and the Pyramids’. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/32340/Book-signing-of-Zahi-Hawass%E2%80%99-%E2%80%98Giza-and-the-Pyramids%E2%80%99 >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

Buscando pela tumba da esposa de Tutankhamon… Ou não!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês de julho (2017) foi lançada a notícia de que o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, teria encontrado evidências que apontam para a existência de uma tumba não analisada, próximo a área do Vale dos Reis, famoso sítio arqueológico que abriga as tumbas dos faraós do Novo Império. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. “Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações”[1], fundações estas que seriam caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos tais como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas, nas palavras do próprio arqueólogo.

Ancient Egypt Dr. zahi Hawass

Dr. Zahi Hawass na tumba da rainha Nefertari

A área visada por Hawass é o chamado Vale Oeste (ou Vale Ocidental), um espaço um pouco mais afastado das tumbas principais do Vale dos Reis, tais como a do faraó Tutankhamon (KV-62), Seti I (KV-17), Ramsés II (KV-7), etc. Embora o Vale Oeste seja pouco conhecido pelo público comum, é lá onde foram sepultados o faraó Amehotep III (WV22) e ainda mais afastado o Ay (WV23), esta última é a mais próxima desta possível tumba identificada por Hawass.

Dada a esta proximidade com a WV23, Hawass sugeriu em entrevista que o dono do sepulcro poderia ser a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon. Esta sugestão não é infundada, já que existem ao menos três fatores que apontam para ela ser a melhor possibilidade como a dona do local:

Pair Statue of Tutankhamun and AnkhesenamunTutankhamon e Ankhsenamon

☥ A proximidade com a tumba de Ay que possivelmente foi seu esposo ou co-regente;

☥ Que a tumba de Ay, a priori, pode ter pertencido a Tutankhamon;

☥ Ela não foi sepultada no Vale das Rainhas, porque este cemitério possivelmente foi inaugurado pela rainha Sitra (QV-38), consorte de Ramsés I.

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

Mas, é importante que não se leve esta possibilidade como a única, como o próprio Hawass salientou no início de agosto: “Quero deixar claro, porque se tem publicado informações erradas nos últimos dias. A escavação não começou e nem ocorreu descoberta alguma ainda[2]. Eu confio em poder iniciar a missão em breve e que os trabalhos nos levem a este enterramento escondido” [3].

137 In the Valley of the KingsVale dos Reis

Existe alguma possibilidade de que esta tumba esteja intacta?

Sim, existe. Entretanto, ao longo dos séculos vários saques ocorreram em sítios arqueológicos egípcios, a exemplo do Vale dos Reis e o Vale Oeste, que foram duas das áreas mais visadas pelos ladrões de antiguidades. Por isso, é pouco provável que caso exista uma sepultura neste espaço ela esteja intacta. Porém, nunca se sabe, já que a Arqueologia é sempre cheia de surpresas.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[3] En busca de la tumba de la esposa de Tutankamón. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia-y-salud/ciencia/2017/08/09/5989f96946163f3c418b45d4.html >. Acesso em 10 de agosto de 2017.


[2] Negrito meu.

 

Esposa de Tutankhamon talvez foi sepultada em tumba recém-descoberta

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo e ex-ministro das Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, com a sua equipe de pesquisadores, afirma ter evidências de que encontrou uma tumba que possivelmente pertenceu a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon — cuja sepultura foi descoberta praticamente intacta em 1922 — e filha do casal Nefertiti e Akhenaton.

Ankhesenamon e Tutankhamon e Ankhesenamon. Foto: Fonte: STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

A tumba, que está localizada no Vale dos Reis, próximo a sepultura do faraó Ay [1] (a qual alguns egiptólogos acreditam que a priori pertenceria a Tutankhamon), ainda não foi escavada, mas existe um projeto para tal.

Ankhesenamon em Luxor. Foto: Lionel Leruste. 2007.

Em 7 de julho a National Geographic italiana publicou um artigo que sugere que uma equipe liderada por Hawass tinha encontrado uma nova tumba no Vale dos Reis e agora o pesquisador confirmou esta descoberta. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. Apesar disso ele afirmou que acredita se tratar da tumba de Ankhesenamon dada a proximidade com a tumba de Ay[1], com quem ela possivelmente foi casada após a morte de Tutankhamon.

“Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações” e complementou explicando que estas fundações seriam “caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas como um sinal de que uma construção de uma tumba foi iniciada”. Um contexto parecido já foi encontrado em outros lugares, como o próprio Hawass explica: “Os antigos egípcios usualmente faziam quatro ou cinco fundações depósitos sempre que iniciavam a construção de um túmulo”[1].

 

Quem foi Ankhesenamon?

Não é tarefa fácil saber o que ocorreu durante os anos finais da vida da rainha Ankhesenamon: sabemos que ela sobreviveu a Tutankhamon e que o sepultou. Com ele teve certamente um bebê que só viveu alguns dias e um possível natimorto (ambas as crianças foram sepultadas com Tutankhamon) (DAVID; DAVID, 1992; BUNSON, 2002; HAWASS et al, 2010). Um anel encontrado na década de 1920 mostra o nome dela ao lado do nome de Ay, sucessor do seu marido, o que propõe uma co-regencia ou que ela casou-se com ele. Contudo, na tumba dele não há indícios dela como sua esposa, mas sim Ty, sua mulher desde a época do reinado de Akhenaton (CARTER; MARCE, 1977; GRIMAL, 2012).

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

A busca pela tumba desta rainha já perdura há alguns anos. A priori acreditou-se que ela poderia ter sido sepultada na KV-63, sugestão que foi abandonada após se descobrir que o local era um cache de mumificação [2]. Depois que teria sido na KV-21 (PÉREZ-ACCINO, 2003; PARRA, 2011). Agora temos esta possível KV-65. A resposta? Teremos que esperar mais algum tempo para descobrir.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[2] Documentários: King Tut’s Mystery Tomb Opened (Discovery Channel; 2006); Egypt’s Mystery Chamber (Discovery Channel; 2009).

BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts on File, 2002.

CARTER, Howard; MACE, Arthur. The Discovery of the Tomb of Tutankhamen. London: Dover Publications, 1977.

DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

HAWASS, Zahi;  GAD, Yehia Z;  ISMAIL, Somaia; KHAIRAT, Rabab; FATHALLA, Dina; HASAN, Naglaa; AHMED, Amal; ELLEITHY, Hisham; BALL, Markus; GABALLAH, Fawzi; WASEF, Sally; FATEEN, Mohamed; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; SELIM, Ashraf; ZINK, Albert; PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón. “Primeros cuerpos, primeras tumbas. En torno a los orígenes del valle de los Reyes”. In: POLO, Miguel Ángel Molinero. Arte y sociedad del Egipto antiguo. Encontro, 2000.

Grandes estátuas de Ramsés II e Seti II são encontradas na “Cidade do Sol”: mas, existem alguns probleminhas…

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. As pesquisas estão sendo coordenadas pela Universidade de Leipzig em cooperação com o Ministério das Antiguidades do Egito [1].

Ambas, no momento da descoberta, estavam cobertas com lama argilosa. Partes delas já foram removidas do local e de acordo com o Ministro das Antiguidades, serão levadas para o Grande Museu Egípcio, cuja inauguração — cancelada várias vezes  — espera-se que ocorra em 2018 [1].

Uma delas, feita em pedra calcária, é a parte superior de uma imagem do rei Seti II (identificado por um cartucho em seu ombro direito) e mede cerca de 80 cm de altura.

Estátua de Seti II. Foto: Luxor Times.

Estátua de Seti II. Foto: Luxor Times.

A segunda é feita de quartzito. Não se sabe quem ela representa, embora a sugestão é de que possa ser Ramsés II — um ligeiro antecessor de Seti II —. Esta imagem deveria ter tido cerca de 8 metros de altura.

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

“Estou bastante certo de que [os quadris e pernas] estarão lá”, disse Dietrich Raue, diretor da equipe alemã, “mas o problema é que estamos no meio da cidade e a parte inferior pode estar muito perto das residências. É perigoso escavar mais perto das casas, assim provavelmente nós não teremos a parte inferior” [3]

O templo foi destruído no Período Greco-romano e as antiguidades foram saqueadas e enviadas para Alexandria ou Europa. Em épocas posteriores alguns elementos dos edifícios foram reciclados como material de construção no Cairo[3].

Controvérsias:

Em meio a várias notícias comemorando a descoberta, algumas fotos têm circulado por algumas mídias sociais criado uma grande polêmica no Egito. A questão tem relação com a utilização de uma escavadeira para extrair as estátuas da terra, o que levou a acusações de que essa metodologia teria prejudicado a integridade dos objetos e que, inclusive, teria quebrado um deles.

Em um comunicado, o Ministério das Antiguidades comentou o escândalo, garantindo que os artefatos não sofreram avarias e que estão recebendo acompanhamento de especialistas. Mahmoud Afify, chefe do Setor de Antiguidades Egípcias, disse que apenas parte da estátua, a cabeça, foi levantada com uma escavadeira devido ao seu peso excessivo, o restante permanece no local. Ainda de acordo com o mesmo, para retirá-la foram utilizados tarugos de madeira e cortiça para separá-la do metal do guindaste. Uma grande quantidade de argila também foi retirada com a peça durante o levantamento [2][3].

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

Zahi Hawass, ex-ministro as antiguidades, defendeu a metodologia adotada por seus colegas afirmando que “Se não for transportada deste modo, então ela nunca será transportada. Este é o método usado em todos os países do mundo para mover quaisquer artefatos arqueológicos desse tamanho (…). Portanto, garanto que o que foi feito pela missão foi um trabalho científico integrado em salvar a escultura descoberta e que não há outra maneira para a missão a não ser usar essas máquinas que preservaram a estátua” e complementou “Estou muito feliz com o transporte desta imagem e sua descoberta, porque tem gerado grande publicidade no mundo inteiro” [4].

Outros pontos foram levantados pela arqueóloga e ativista Monica Hanna em sua página em uma rede social. Ela explicou que o verdadeiro problema é que essas grandes estátuas foram encontradas em um terreno cedido pelos Ministério das Antiguidades. Em um outro momento o até então chefe de arqueologia da região afirmou, erroneamente, que o espaço não tinha nenhum interesse histórico e o deu para a Unidade Local para construir um mercado. Ela ainda salientou a questão do esgoto no sítio e falou sobre a possibilidade de drenar toda a água. Também comentou sobre como grandes artefatos são erguidos: “(…) objetos pesados são geralmente levantados usando cintos/cordas ou são acolchoados para evitar o contato com as partes metálicas da escavadeira, pois existe sempre risco de choque, mesmo que mínimo, durante a difícil operação. Das imagens, parece que a estátua não foi quebrada durante a operação, como algumas pessoas temiam”. [5]

Esgoto e lixo: péssima mistura não só em um sítio arqueológico, mas em uma área residencial. Foto: Luxor Times.

Contudo, de fato algumas fotografias compartilhadas por alguns egípcios realmente são preocupantes. Aparentemente a cabeça da estátua ainda está no local em que a equipe a deixou após retirá-la do buraco. Exceto a primeira, as duas outras fotografias, até o momento, são de autores desconhecidos:

Alguns jornais e portais noticiaram que as estátuas seriam enviadas para o Grande Museu Egípcio, mas não falaram que a suposta cabeça de Ramsés II ainda permanecia no local. Foto: Mohamed Abd El Ghany / Reuter.

Esta foto de crianças brincando sobre a cabeça é preocupante, principalmente porque uma delas (círculo vermelho) está apoiada na orelha da estátua. Foto: Autor desconhecido.

Homens da própria região parecem ter tomado uma iniciativa e coberto a cabeça para protegê-la. Foto: Autor desconhecido.

Up-date: 15h09 | 11/03/2017

Saiu na mídia egípcia que agora a cabeça está “protegida” com fitas amarelas de proteção. Já é alguma coisa:

Foto: Past Preservers

Área alagada: qual seria a melhor maneira de trabalhar nessa situação?

A priori pode parecer impossível realizar um trabalho de arqueologia em um sítio alagado, mas não é. Nessa situação, por exemplo, foi possível realizar um trabalho de dragagem. Porém, nenhumas das notícias deixam claro se ocorreu alguma preocupação em se procurar por pequenos artefatos, só nos é possível ver os trabalhadores lavando as partes das estátuas e depois as removendo com uma escavadeira.

Foto: Mohamed Abd El Ghany / Reuter

Talvez com a publicação oficial da missão isso seja, ou já tenham sido, respondido. Porém, aproveitei para entrar em contato com um colega brasileiro, o Luis Felipe Freire, que é especialista em Arqueologia Subaquática. Perguntei para ele como nesta situação, a de um sítio arqueológico coberto por lama, poderíamos procurar por pequenos artefatos, já que não é possível realizar uma escavação por camadas. Sua resposta foi a seguinte:

“Vai depender da área, o ideal seria estar drenando a água para começar a retirar o sedimento, peneirando o mesmo com a técnica de peneira molhada. No entanto, vai depender das condições do local, porque se for à beira de um rio/lago/mar a água poderá continuar minando com muita velocidade. Geralmente o pessoal faz isso. Drenagem da água e escavação a níveis artificiais para ter o mínimo de controle estratigráfico”.

Falei para ele que ocorreu uma tentativa de drenagem, mas que por algum motivo ainda tinha muita água. Então ele pontuou:

“Realmente, daria para fazer algo com um maior controle e registro arqueológico. Porque mesmo com muita água minando, ainda dá para criar um sistema de drenagem que controle o surgimento da água, enquanto é feita a escavação. Tanto que o pessoal já fez escavação no meio do mar drenando a água e escavando os sítios na lama. Só que é uma logística cara, possivelmente eles não queriam ter muito esforço (gastar dinheiro)”.

Outras descobertas importantes:

Heliópolis, conhecida como Iunu em egípcio antigo (On em copta e na Bíblia), foi um importante nomo do Egito. Atualmente parte dessa antiga cidade compreende o subúrbio do Cairo. O nome “Heliopolis” (Cidade do Sol, traduzido do grego) tem relação com os templos do deus Sol Rá, Amon-Rá ou Rá-Harakhty. Aton, uma das representações de Rá, também foi cultuado no local.

Em Souq Al-Khamis foram encontrados os restos dos templos dos faraós Tutmés III, Akhenaton e o próprio Ramsés II, todos do Novo Império.

— Abaixo vocês poderão conferir alguns vídeos e entrevistas realizados no local em que foram encontradas as estátuas (legendas em inglês):

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção de uma grande estátua.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

[1] Ramesses II colossus discovered in old Heliopolis. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/03/ramesses-ii-colossus-discovered-in-old.html >. Acesso em 09 de fevereiro.

Egipto recupera del fango dos grandes estatuas de la época ramésida. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/abci-egipto-recupera-fango-grandes-estatuas-epoca-ramesida-201703091530_noticia.html >. Acesso em 09 de fevereiro.

[2] Officials deny any damage to newly-discovered king Ramses II statue during excavation. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/news/officials-deny-any-damage-newly-discovered-king-ramses-ii-statue-during-excavation >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[3] Colossal 3,000-year-old statue unearthed from Cairo pit. Disponível em < http://edition.cnn.com/2017/03/10/africa/ramses-ii-ozymandias-statue-cairo/ >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[4] Zahi Hawass fires back at criticism of colossus’ salvation. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/03/zahi-hawass-fires-back-at-criticism-of.html >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[5] Comentários da Monica Hanna. Disponível em < https://www.facebook.com/monicahanna/posts/960545308686 >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

Massive Statue of Ancient Egyptian Pharaoh Found in City Slum. Disponível em < http://news.nationalgeographic.com/2017/03/egypt-pharaoh-ramses-statue-discovered-cairo/ >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

Estátua de Ramsés II encontrada no Cairo é uma das descobertas arqueológicas mais importantes da história. Disponível em < http://www.hypeness.com.br/2017/03/estatua-de-ramses-ii-recem-achada-em-uma-favela-do-cairo-e-uma-das-descobertas-arqueologicas-mais-importantes-da-historia/ >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

Tutankhamon, Zahi Hawass e Nicholas Reeves: quais são as últimas novidades sobre a tumba do faraó

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Ministro das Antiguidades do Egito, Jaled al Anani, deu no início de fevereiro uma entrevista para o jornal El Mundo falando sobre a nova fase das pesquisas na tumba do faraó Tutankhamon (KV-62), cujo objetivo é procurar por espaços vazios que estariam atrás de suas paredes. A possibilidade da existência desses espaços foi sugerida pelo egiptólogo britânico, Nicholas Reeves, em um artigo acadêmico que pontuava sinais que indicariam lugares ocos por trás de duas paredes da câmara funerária do rei, e que eles seriam um segundo túmulo. Ele ainda declarou que o proposto sepulcro poderia pertencer a ninguém menos que a rainha Nefertiti, figura celebre do Período Amarniano.

— Saiba mais sobre essa governante: Nefertiti e Akhenaton: Rainha e faraó

Tutankhamon, Hawass e Reeves.

Embora tais indícios sejam circunstanciais, o anterior Ministro das Antiguidades, Mamdouh al-Damaty, resolveu averiguar, dando início a um verdadeiro hype, deixando a imprensa internacional em polvorosa. Nesse período duas inspeções com radar foram realizadas: a primeira, feita por um pesquisador chamado Hirokatsu Watanabe no início de 2016, apontou a certeza da existência de câmaras ocultas, porém a apresentação do resultado dos seus estudos não convenceu arqueólogos e especialistas em radar ao redor do mundo. Então uma segunda equipe, organizada pela National Geographic, foi averiguar a tumba. Porém, ao contrário do Watanabe, eles foram proibidos de liberar seus resultados.

golden mask king tutMáscara mortuária de Tutankhamon.

Foi nesse meio tempo que o Ministro das Antiguidades foi mudado e dessa vez a pesquisa entrou nos eixos. Isso porque o atual exerceu o seu papel como cientista, pensando como um arqueólogo e não como um correspondente para a imprensa.

Tempos depois uma mesa em um evento de arqueologia foi realizada no Cairo para debater o assunto. Nela participaram o próprio Watanabe, o ex-ministro, Yasser El Shayb, Nicholas Reeves e Zahi Hawass. Na ocasião Watanabe acabou expondo que o seu aparelho tinha sido customizado e por isso os seus pares não seriam capazes de analisar as informações coletados por ele. Esse tipo de comentário no meio cientifico é impensável. Não é análise científica se somente uma pessoa é capaz de ler os dados. Isso é um quesito básico na nossa profissão: desenvolver métodos e técnicas que sejam possíveis de serem utilizados e entendidos por outros profissionais.

Tomb of TutEntrada para a tumba do faraó.

A situação ficou mais complicada quando dias após o evento o jornalista Owen Jarus lançou uma matéria explicando que os dados da National Geographic não tinham sido liberados porque a analise deles apontou que não existia espaços ocos algum. No vídeo abaixo fiz um resumo de tudo isso o que falei aqui, utilizando, inclusive, algumas imagens:

Agora em 2017, meses após essa conferência, foi anunciada que uma equipe italiana iria investigar também a tumba. Outra novidade é a de que Reeves não fará parte desse novo estudo. “A teoria foi elaborada por Reeves, mas a tumba de Tutankhamon pertence ao Egito”[1], declarou o ministro acerca desse assunto. “O projeto não foi cancelado, mas prefiro tratar com instituições científicas. Nos chegou uma proposta séria da Itália. O comitê permanente a estudou e ela foi aprovada” [1]. E ele continuou “Tem que se diferenciar entre a teoria e a pessoa que a formulou. Estamos trabalhando sobre a tese de que pode existir algo”[1], ainda expôs “O senhor Reeves não está relacionado com o novo projeto e não está desenvolvendo nenhuma investigação sobre a tumba no momento, mas, como qualquer outro especialista, pode enviar uma solicitação e será examinada. Até o momento não recebemos nenhuma proposta de uma instituição que leve o nome de Reeves. Para nós é crucial tratar com instituições”.[1]

O ministro também confirmou que a pesquisa teria início no final de fevereiro e começo de março (2017) e ela realizará uma varredura com um radar nas paredes da tumba.

Inside the tomb of the boy king, TutankhamenCâmara funerária da KV-62.

As experiencias anteriores deixaram o público empolgado, mas, muitos arqueólogos preocupados. A arqueologia é uma ciência social que trata do passado da humanidade e não deve ser tratada como uma notícia caça-níquel; ela requer muita paciência e cuidado em suas análises, algo que pode durar meses ou anos e esse foi o erro crucial no caso dessas buscas por câmaras ocultas na tumba de Tutankhamon. Misturar a pressa e até mesmo o sensacionalismo com a Arqueologia pode acabar enterrando carreiras. Essa parece ser uma preocupação semelhante a do atual ministro, que na mesma entrevista salientou: “Temos que dar tempo para a ciência e seus métodos. As expectativas ou os sentimentos não funcionam aqui. Minha esperança é encontrar algo na [tumba] de Tutankhamon e em qualquer outra sepultura do Egito, mas tem que se distinguir entre esperanças e emoções. É tão possível que existam essas cavidades como não ter nada” e continuou “Eu sou um acadêmico. Primeiro teremos que certificar que existe cavidade e, se existe, devemos especificar se é simplesmente um espaço vazio ou uma tumba. No caso do segundo, o seguinte seria investigar a quem pode pertencer”[1].

ToutânkhamonReconstituição da localização dos artefatos encontrados na tumba de Tutankhamon, que foi descoberta em 1922 praticamente intacta pelo arqueólogo inglês Howard Carter.

Ele ainda falou do seu antecessor e suas afirmativas sobre a sua certeza acerca da existência de uma segunda sepultura na KV-62: “Eu sou somente responsável por minhas palavras, mas creio que existe uma diferença entre o que ele disse e o que se entendeu. Al Damati me disse que jamais havia dito dos 90% nesses termos. Simplesmente se limitou a informar de que o especialista do radar afirmava que tinha essa porcentagem de probabilidades de existir algo”[1]. Por fim ele deixou um recado sensato “os procedimentos científicos devem ser respeitados e seguidos com cuidado porque teremos uma credibilidade no mundo”[1].

O jornal El Mundo ainda tentou contato com o professor Reeves, mas não obteve resposta. Fui averiguar no site do pesquisador, mas desde a minha consulta no dia 11 de fevereiro (2017) até o momento ele permanece fora do ar.

Zahi Hawass:

O mundialmente famoso arqueólogo egípcio Zahi Hawass nos últimos dias teceu em sua página no Facebook algumas palavras acerca da possibilidade de existir câmaras ocultas na tumba de Tutankhamon. Abaixo sua mensagem na integra (tradução nossa):

Ancient Egypt Dr. zahi HawassZahi Hawass

Você acredita que a múmia de Nefertiti está no Museu do Cairo, nas câmaras ocultas no túmulo do rei Tut, ou ainda está para ser descoberta?

Eu realmente não acho que a rainha Nefertiti está na KV-62 — o túmulo de Tutankhamon — por muitas razões: um, eu não acho que os sacerdotes de Amon jamais deixariam a rainha que seguiu seu marido Akhenaton ao adorar o Aton ser enterrada no Vale dos Reis; Dois, por que o rei Tut seria enterrado em um túmulo que pertencia à sua mãe? E três: o estilo do túmulo e a cena do Imyduat é exatamente o mesmo estilo encontrado no túmulo de Ay; isto poderia provar que este túmulo foi feito originalmente para Ay e quando Tutankhamon morreu repentinamente, ele deu-lhe essa tumba. Além disso, por que alguém entraria no túmulo e bloquearia o que estava por trás? — isso nunca aconteceu. A evidência mais importante que refuta esta teoria é que quando eu peguei as leituras de radar japonês e as dei a um especialista em radar americano, ele me escreveu oficialmente dizendo que essa leitura não mostra nada. Eu realmente acredito que Nefertiti foi originalmente enterrada em Amarna, e assim como o esqueleto na KV-55 — que descobrimos ser Akhenaton — foi movida, sua múmia poderia ter sido movida mais tarde para algum lugar no Vale dos Reis. Talvez eu esteja certo, talvez eu esteja errado, mas acho que a múmia com uma cabeça encontrada na KV-21 poderia ser Nefertiti. Por quê? Porque os egípcios sempre enterraram uma mãe e uma filha, como na KV-35 onde a múmia da rainha Tiye foi enterrada ao lado de sua filha, a mãe de Tutankhamon. Encontramos algumas evidências de que a múmia sem cabeça na KV-21 poderia ser Ankhesenamon. Portanto, talvez a outra múmia seja Nefertiti.

Para saber o que mais publiquei aqui no Arqueologia Egípcia sobre o assunto clique aqui.

Fontes:

[1] Egipto aparta al arqueólogo Reeves de la investigación de la tumba de Tutankamón. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia/2017/02/10/589c9bf7ca4741f1318b4639.html >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[2] Question 10 – Do you believe Nefertiti’s mummy is in the Cairo Museum, in the hidden chambers in King Tut’s tomb, or it is yet to be discovered? Disponível em < https://www.facebook.com/112384738789408/photos/a.195047590523122.52414.112384738789408/1538410116186856/?type=3&theater >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

 

Zahi Hawass estreará novo programa de TV

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Se você é um avido consumidor de documentários, revistas e programas sobre a Antiguidade egípcia provavelmente já ouviu falar de Zahi Hawass. Arqueólogo, egiptólogo, escritor, já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades e Ministro das Antiguidades do Egito. Este homem conseguiu arrecadar uma legião de fãs e desafetos. Ficou mundialmente famoso quando protagonizou a divulgação da Arqueologia realizada no Egito e a importância de repatriar artefatos arqueológicos notáveis para a Egiptologia tais como a Pedra de Roseta (que permitiu a tradução dos hieróglifos egípcios) e o busto da Rainha Nefertiti, retirado do país em circunstancias pouco admiráveis.

Zahi Hawass. Via.

Em 2011 Hawass foi o foco de um “reality” (entre aspas mesmo porque anos mais tarde, em entrevista, ele revelou que algumas das situações ocorridas na série foram plantadas pela a equipe de produção) intitulado “Caçador de Múmias” (Chasing Mummies, no original), para a The History Channel. O programa tinha o objetivo de levar os espectadores para o incrível mundo de descobertas que era a vida de Hawass, mas suscitou em opiniões divergentes entre o público.

Contudo, para a nossa surpresa, o famoso arqueólogo revelou no último dia 29 de setembro (2016) que protagonizará mais uma vez um programa de TV: o Kashef Al-Asrar, em português “Revelador de Segredos”.

A ideia é que o ex-ministro das antiguidades use sua influência para promover o turismo e aumentar a consciência sobre a importância cultural do Egito. O programa contará com a colaboração de egiptólogos de renome e será lançado no canal egípcio de satélite Al-Ghad e posteriormente lançado no exterior.

Divulgação do programa em conferência de imprensa. Foto: Ahram.

Falando de uma forma mais pessoal, o que notei é que ao contrário de “Caçador de Múmias” aparentemente teremos a oportunidade de ver um Zahi Hawass verdadeiramente acadêmico, e não um showman de um programa excêntrico e apelativo, como foi o caso da produção da The History. Com “Revelador de Segredos” ele falará curiosidades sobre a cultura egípcia tais como costumes e cotidiano.

A ideia e conceito do programa partiu do próprio Hawass. Em uma conferência de imprensa ele disse que tinha tido o vislumbre em 2007, mas por conta do alto custo precisou deixar sua proposta de lado.

Oito episódios já foram gravados e dependendo da receptividade do público Hawass gravará mais temporadas, mas, desta vez, expandindo os temas da Arqueologia egípcia, mostrando para o público a história das sociedades copta e islâmica.

O programa estreará já este mês, no dia 20 (outubro/2016). Ainda não fui informada sobre o interesse de alguma emissora brasileira em transmiti-lo.

Fonte:

‘Revealer of Secrets’: Zahi Hawass’s new TV show on archaeology to launch in October. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/244857/Heritage/Ancient-Egypt/Revealer-of-Secrets-Zahi-Hawasss-new-TV-show-on-ar.aspx >. Acesso em 29 de setembro de 2016.

 

Ramsés III foi morto durante um ataque de mais de um assassino, diz pesquisadores

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Dada a proteção palaciana e a existência de um corpo de guardas especial dedicado a cuidar da integridade física dos faraós que viveram durante o Novo Império é difícil imaginar que um destes governantes poderia ser assassinado. Entretanto, existe um documento judicial dos tempos faraônicos que chegou até nós que explica detalhes de um complô para matar o faraó Ramsés III. Este episódio atualmente é chamado de forma romanceada como “A conspiração do harém” e trata da rainha Tiye, que com o auxílio de cúmplices arquiteta um plano para dar fim a vida do rei.

Ramsés III. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20121218/54358078686/ ramses-iii-murio-golpe-estado-rajaron-garganta.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

O papiro não está completo, estando faltando justamente a parte que contaria se o plano deu certo. Em complemento, a múmia de Ramsés III já é conhecida deste o século XIX e suas primeiras análises não apontaram nenhum tipo de violência.

Múmia de Ramsés III. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Contudo, em 2012 escrevi um post explicando que uma equipe de bioarqueologos tinha descoberto, através de tomografias computadorizadas, que ele teria sido morto com um corte na garganta que alcançou sua traqueia.

Leia mais detalhes aqui: — Ramsés III foi assassinado com corte na garganta.

Neste ano de 2016 uma publicação no livro “Scanning the Pharaohs: CT Imaging of the New Kingdom Royal Mummies”, escrito pelo arqueólogo egiptólogo Zahi Hawass e o radiologista Sahar Saleem, aponta que reanalisando o corpo de Ramsés III foi possível encontrar mais evidências de ataques. Um deles está em um dos pés, que possui fraturas, além de um dos dedos, que foi decepado.

Ainda de acordo com a publicação, Saleem destaca indícios que o levou a acredita que as feridas no pé foram feitas por um machado, e que o rei também foi atacado de frente por uma espada e um outro assassino o atacou pelas costas com uma faca.

Fonte:

Pharaoh Ramesses III Killed by Multiple Assailants, Radiologist Says. Disponível em < http://www.livescience.com/54100-pharaoh-ramesses-iii-killed-by-multiple-assailants-egyptologists-say.html >. Acesso em 21 de março de 2016.

(Resenha – Artigo em revista) “Os Mistérios de Tutancâmon”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Neste mês (novembro), foram comemorados 91 anos de descoberta da tumba do faraó Tutankhamon e para solenizar a revista História Ilustrada publicou o texto “Os Mistérios de Tutancâmon” (Ano 2, n°5 – 2013). Em comemoração ao evento, esta edição veio com uma capa com um desenho ilustrando o faraó através da sua polêmica reconstituição facial lançada em 2005.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.

Para discutir o tema “Tutankhamon”, o editorial dedicou oito páginas para ele, com os pontos de debates bem distribuídos e bem confortáveis para ler, porém, em termos de conteúdo, a matéria possui alguns problemas e são eles:

▸ O artigo inicia com uma chamada equivocada (página 26), afirmando que a tumba do faraó foi encontrada no dia 26 de novembro de 1922, mas neste dia o que ocorreu foi a abertura da parede que levava para a primeira câmara e o pronunciamento da famosa frase do arqueólogo Howard Carter, “Vejo coisas maravilhosas”, quando ele observou o que existia dentro do túmulo pela primeira vez. Em verdade, a tumba foi descoberta semanas antes, no dia 04 de novembro.

▸Tutankhamon não foi o faraó mais jovem a assumir o trono, mas provavelmente Pepi II (VI Dinastia), o qual acredita-se que começou a reinar aos seis anos.

▸ Ao contrário do que a matéria apresenta, a tumba estava perfeitamente identificada já na parede inicial que lacrava o sepulcro. A princípio Carter não sabia a quem pertencia porque não tinha retirado todo o entulho que cobria a primeira parede antes do dia 24 de Novembro.

▸ O resultado dos trabalhos de Hawass, citado na página 30, não saíram em 2012, mas em Fevereiro de 2010.

▸ A múmia da KV-21, no relatório original da pesquisa, não foi confirmada como sendo Ankhesenamon, a esposa de Tutankhamon, mas como alguém de vínculo sanguíneo próximo.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

▸ Somente uma das crianças encontradas na KV-62 foi confirmada como sendo filha de Tutankhamon, a outra não tinha material genético suficiente para a análise.

 

Para quem ficou na curiosidade:

▸ Na página 27, no quadro “A Maldição do Faraó”, a lenda da frase com o agouro foi inventada pelos veículos de imprensa, que queriam tirar lucros vendendo histórias sobre a tumba.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

▸ Na página 28 o Vale dos Reis é descrito como o local de sepultamento dos reis, mas isto foi somente durante um período (especificamente durante o Novo Império), posteriormente, nos tempos mais tardios, algumas das tumbas seriam reutilizadas por plebeus. Em complemento, mesmo no Novo Império, o local serviu para sepultar também outros membros da realeza e pessoas da nobreza.

▸ Na página 29, a cama ritual apresentada (chamada no texto de “baú”) embora tenha ligação com a deusa Hathor ela é referente a outra divindade chamada Mehet-Weret.

No geral, embora possua estes equívocos, a matéria visualmente é bem convidativa. Alguns dos nomes egípcios não foram convencionados para a grafia adotada no Brasil, o que pode gerar um grande estranhamento. Por fim, vale ressaltar que já surgiram novas teorias de como se deu a morte do faraó e o grau de parentesco das múmias utilizadas nos exames para identificar membros da sua família. Muitas das propostas lançadas por Hawass e sua equipe de 2010, as quais os resultados da pesquisa foram listados na matéria, não são aceitas unanimemente pela a academia e inclusive existe uma série de artigos questionando a viabilidade das conclusões apresentadas. Infelizmente tais réplicas não ganharam espaço na imprensa.

 

Revistas de novembro que serão comentadas:

Dr. Zahi Hawass diz se arrepender de ter assumido Ministério em 2011

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Mais de dois anos após assumir o Ministério das Antiguidades Egípcias e ser exonerado semanas depois, o Dr. Zahi Hawass finalmente comentou acerca da sua decisão de assumir o cargo oferecido pelo ex-ditador Hosni Mubarak, “O posto de Ministro do Estado para as Antiguidades foi a pior coisa que aconteceu na minha vida” afirmou nesta terça-feira (09 de julho de 2013).

Acusado de crimes de corrupção e contrabando de peças arqueológicas, Dr. Zahi Hawass foi inocentado pela justiça egípcia, mas ainda sofre por ter sido partidário do ex-ditador e por ter sonegado informações acerca dos artefatos roubados no Museu Egípcio do Cairo durante as manifestações de 2011.