Algumas curiosidades sobre o arqueólogo Zahi Hawass

Márcia Jamille

Em alguns dias o renomado arqueólogo e egiptólogo Zahi Hawass estará em terras brasileiras para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e para a inauguração do museu “Rei Menino de Ouro: Tutankhamon”. Mas, que tal saber um pouco mais sobre este pesquisador?

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass é um arqueólogo egípcio que já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades e Ministro das Antiguidades do Egito. Antes disso ele se graduou em Arqueologia no seu próprio país e quando alcançou 33 anos ganhou uma bolsa para estudar na Universidade da Pensilvânia.

Ele começou a chamar atenção da imprensa quando passou a fazer campanha pelo repatriamento de artefatos arqueológicos que foram roubados do Egito ou saíram do país de forma duvidosa. Além daqueles que possuem algum significado especial para a história da Arqueologia Egípcia.

Hieroglyphic script on Rosetta Stone

Um exemplo é a Pedra de Roseta (foto anterior), que foi retirada do país no século XIX, mas que foi a “chave” para a tradução dos hieróglifos egípcios. Outro é o busto de Nefertiti, que foi retirado de forma sorrateira do Egito em 1912.

O Zahi Hawass também publicou dezenas de livros de egiptologia, alguns com fotografias lindas! Ele também foi host em vários documentários de canais como National Geographic e Discovery Channel. Inclusive teve o seu próprio reality show. Quantos arqueólogos já tiveram um reality? Pois é!

Atualmente ele está escavando no Vale dos Macacos em um trabalho que está sendo acompanhado pela Discovery Channel (ou seja: lá vem documentário!). Estou real ansiosa em saber os resultados desta pesquisa.

Bom, ele já se meteu em várias polêmicas também. Uma foi o já citado reality que foi amplamente criticado tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios, embora seja algo bem burocrático.

Zahi Hawass Collection

Lembro que na época alguns egiptólogos ficaram indignados explicando que eles passavam dias e mais dias esperando que a confirmação de seus pedidos para fotografar saíssem. Porém, de acordo com as acusações, Hawass se utilizava de sua posição para “furar a fila” e fotografar os artefatos para fins comerciais e não acadêmicos.

Então é quando chegamos ao famoso 25 de Janeiro da Primavera Árabe, quando Hawass foi exonerado de seu cargo e agora viaja pelo mundo dando palestras e lançando livros. Além de, claro, realizar escavações arqueológicas.

– A revolta virou contra Hawass

Zahi Hawass

Bom, é este homem o qual irei encontrar em uma coletiva de imprensa em alguns dias!

Obrigada aos que apoiaram, querem apoiar ou que ajudaram a divulgar a nossa vaquinha para que eu possa ir. Como falei em um outro momento o Arqueologia Egípcia não tinha dinheiro em caixa, mas agora a viagem será possível!

Este é o vídeo que gravei anunciando a vinda dele:

Zahi Hawass e Tutankhamon estarão no Brasil

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O famoso arqueólogo e egiptólogo, o Zahi Hawass, está vindo para o Brasil dar a palestra “O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon” que ocorrerá no dia 06 de setembro no Auditório H. Spencer Lewis, em Curitiba. Ele também participará da abertura oficial do museu “O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon”, que será no dia 07 de setembro. Este museu não contará com obras originais, serão réplicas construídas pela empresa italiana “Laboratorio Rosso” e faz parte de uma parceria com Hawass. 

Veja o vídeo abaixo para saber mais detalhes e conhecer minhas opiniões sobre quais os assuntos que Hawass abordará em sua palestra.

E o Arqueologia Egípcia foi convidado a participar da coletiva de imprensa que ocorrerá antes da inauguração oficial. Entretanto, o nosso portal infelizmente não tem dinheiro para tal. Como esta é uma grande oportunidade de trazer um conteúdo exclusivo para vocês, resolvemos pedir sua ajuda através de uma vaquinha online. Acesse este link para saber mais: https://www.catarse.me/ae_hawass . Até o momento que redijo este texto, nossa campanha já conseguiu alcançar 19% da meta!


Palestra: O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon

Local: Auditório H. Spencer Lewis – Ordem Rosacruz, AMORC – Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba, Paraná.

Investimento:

Segundo Lote – Julho: R$ 170,00; Meia R$ 85,00

Terceiro Lote – Agosto: R$ 200,00; Meia R$ 100,00

Transmissão On-line: R$ 50,00

Ingressos pelo site: https://www.eventbrite.com.br/e/palestra-zahi-hawass-tickets-63069021140?fbclid=IwAR19PgctzcuhI1Z5On4cZv8_e4hsoMM2zUzVgKU9WThQdV-kj3H5F4Z0TRI

Zahi Hawass: “Espero encontrar em breve o túmulo de Antônio e Cleópatra”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo Zahi Hawass falou este mês, durante uma conferência na Universidade de Palermo (Sicília), que ele está próximo de encontrar a tumba da rainha Cleópatra VII e seu companheiro, Marco Antônio, que viveram durante o Período Ptolomaico. “Espero encontrar em breve o túmulo de Antônio e Cleópatra. Eu acredito que eles estão enterrados no mesmo túmulo”, disse em relação a trabalhos de escavações que está realizando em Taposiris Magna, quase 30 quilômetros de Alexandria [1]. Contudo, até o mês passado (dezembro de 2018), Hawass apontava estar responsável somente por duas escavações no Vale dos Reis[2]. Nesta missão arqueológica domínico-egípcia, de acordo com a National Geographic, ele seria um supervisor [3].

Zahi Hawass

De acordo com o mito, Cleópatra VII, a emblemática última rainha do Egito, teria se suicidado com a picada de uma cobra venenosa, após a sua derrota contra o Império Romano. O suicídio seria sua saída para evitar que fosse humilhada delas ruas de Roma.

Cleópatra VII. Museu de Berlim.

Em suas declarações Hawass não dá muitos detalhes sobre como tem tanta certeza de onde está a tumba, mas esclarece que o nome de Cleópatra foi encontrado diversas vezes. “Eu acho que encontrei. Estou no caminho certo. Tenho grandes esperanças de encontrá-la em breve. O lugar preciso, nos deu no decorrer das investigações muitos elementos que indubitavelmente nos levam ao túmulo da figura histórica de Cleópatra. Por causa disso, agora sabemos exatamente onde devemos cavar”[4].

Zahi Hawass no centro. Foto: Kathleen Martinez (Twitter).

Porém, existe uma complicação: os hipogeus (tumbas subterrâneas) utilizados durante o Período Ptolomaico estão atualmente preenchidos pela água de um lago próximo. “Tudo está submerso, uma condição que não nos permite escavar bem. Portanto, a primeira coisa que temos que fazer é liberar a área da água, um trabalho que estamos organizando. Esta é a fase mais complexa. Mas o objetivo é confrontá-lo em breve para continuar depois com a investigação e as escavações”[4]. Apesar do Hawass sugerir esvaziar o sítio, se ele utilizasse métodos da Arqueologia Subaquática seria possível sim realizar escavações sem precisar bombear a área. Isso até ajudaria na preservação da integridade de seja lá o que existe no interior desses hipogeus.

A teoria de que a tumba desta rainha egípcia estaria em Taposiris Magna foi sugerida há alguns anos pela arqueóloga dominicana Kathleen Martinez. Por 12 anos ela é a diretora dessa missão arqueológica domínico-egípcia. Por sua dedicação ganhou em dezembro de 2018 do governo de seu país uma placa de reconhecimento “por suas grandes contribuições para cultura universal e por ter colocado a República Dominicana no mapa mundial da comunidade intelectual”[5].

Kathleen Martinez

Suas pesquisas levaram a descoberta de mais de 800 peças arqueológicas que foram exibidas pela National Geographic nos mais importantes museus pelo mundo.

Corpo de estátua que se acredita ser do rei Ptolomeu IV, parente de Cleópatra VII. Foto: Crédito na imagem.

Fontes:

[1] Tomb of Antony and Cleopatra to be uncovered soon. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/63389/Tomb-of-Antony-and-Cleopatra-to-be-uncovered-soon >. Acesso em 14 de janeiro de 2019.

[2] ‘Não sabemos o que foi perdido no Museu Nacional’, diz arqueólogo mais importante do Egito. Disponível em < https://oglobo.globo.com/sociedade/historia/nao-sabemos-que-foi-perdido-no-museu-nacional-diz-arqueologo-mais-importante-do-egito-23329918 >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

[3] Headless Egypt King Statue Found; Link to Cleopatra’s Tomb?. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/news/2010/05/100519-science-ancient-egypt-cleopatra-tomb-marc-antony/ >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

[4] Zahi Hawass: “He encontrado la tumba de Cleopatra”. Disponível em < https://www.abc.es/cultura/abci-zahi-hawass-encontrado-tumba-cleopatra-201901150154_noticia.html >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

[5] Miguel Vargas reconoce a arqueóloga dominicana Kathleen Martínez. Disponível em < https://www.elcaribe.com.do/2018/12/20/panorama/pais/miguel-vargas-reconoce-a-arqueologa-dominicana-kathleen-martinez/ >. Acesso em 16 de janeiro de 2019.

Aliens construíram as pirâmides!

Esta é a minha tradução do texto Aliens built the pyramids!” (Aliens construíram as pirâmides!) escrito pelo arqueólogo egípcio Zahi Hawass para o site Egypt Independent. Aqui o Hawass discute sobre o fascínio de algumas pessoas em relação às pirâmides egípcias e sobre a descoberta dos Papiros Wadi al-Jarf, que falam sobre a construção da Grande Pirâmide.

Aliens construíram as pirâmides!

Por Zahi Hawass

Pirâmides do Paltô de Gizé. Foto: Ricardo Liberato.

As pirâmides ainda estimulam a imaginação das pessoas de todo o mundo e geram fãs que ficam obcecados com elas dia após dia!

Muitos, especialmente nos EUA, acreditam que existem criaturas espaciais que vieram de Marte e construíram as pirâmides. Isso não é científico de forma alguma. As teorias ainda aparecem em um show transmitido e produzido pelo canal norte americano History[1], intitulado “Ancient Aliens”[2].

Muitos cidadãos dos EUA e de outros países me enviam e-mails (como qualquer pessoa pode fazer através do meu site). Acusam-me de mascarar todos os fatos que descubro e que, no seu ponto de vista, mostram que os egípcios não são os construtores das pirâmides! Eles erroneamente acreditam que sob a Esfinge estão evidências de Atlântida! Todas essas mentiras levantam a muitas ideias falsas sobre as pirâmides e os fatos reais e contos associados.

E eu escavo embaixo da Esfinge não apenas para saber o nível das águas subterrâneas, mas para provar a ausência de qualquer evidência para essa bobagem.

Infelizmente, alguns egípcios também pregam temas infundados como a “mentira da segunda Esfinge” e outras mentiras que distorcem a grande civilização egípcia antiga, nas mãos de alguns de seus filhos que anseiam por uma fama que não é baseada em trabalho duro, ciência e diligência. Deus salve o Egito e seus grandes monumentos dessas pessoas imprudentes!

Há uma semana, fiz uma ligação para um canal estrangeiro. Expliquei que, infelizmente, o público em toda parte não sabe nada sobre a maior descoberta arqueológica do século 21, que é a descoberta dos papiros “Wadi al-Jarf” perto de Suez.

É o maior e mais antigo papiro em todo o mundo, que remonta ao reinado do rei Khufu, e a primeira descrição conhecida de como a pirâmide de Khufu foi construída. Este papiro foi escrito tanto em linguagem hieroglífica como hierática, e publicado com tradução. Atualmente está no Museu Egípcio em Tahrir.

Nela, o inspetor Merer transcreve o diário de seu trabalho na construção da Grande Pirâmide. Merer era o chefe de 40 trabalhadores, que ele levou para as pedreiras de Tora.

Por sua descrição, Merer preparou um grande barco para transportar as pedras pelo Nilo. Ele descreve o método de transporte até as pedras atingirem a área de construção em Gizé. Ele indica que o peso da pedra chega a 2,5 toneladas cada, e registra que essas pedras, que foram cortadas, foram arrastadas para os barcos.

Então ele nos conta sobre o rei Khufu, e que ele estava morando em seu palácio em Gizé – em vez de viver em Memphis, como alguns livros de história afirmam. Merer aponta que ele tinha um chefe chamado Dede e que o principal responsável pela entrada das pedras e itens alimentares era Ankh-Haf.

A área ao redor da pirâmide foi denominada “Ankh – Khufu”, que significa “a vida do rei Khufu”, enquanto as áreas de sepultamento foram denominadas “Akht Khufu”, que significa “horizonte de Khufu”.

O trabalho foi registrado durante o vigésimo sétimo ano do governo do rei Khufu, o que pode indicar que Khufu governou por cerca de 32 anos.

Isso é o que a ciência nos diz sobre o maior edifício do Egito faraônico, a Grande Pirâmide.

Por outro lado, infelizmente, alguns falam palavras estranhas sem nenhuma evidência científica, como a de que a pirâmide foi usada para gerar eletricidade! Existe quem diga que o rei estava armazenando trigo dentro da pirâmide para uso em tempos de fome! Essas alegações são inválidas, porque há evidências escritas indicando que a pirâmide foi feita especificamente para enterrar o rei e transformá-lo em um deus na vida após a morte.

Eu diria também que a pirâmide foi o projeto nacional do Egito, e que as pirâmides construíram o Egito.

Alguém pode dizer então que existem aliens espaciais que construíram as pirâmides?

Eu digo a todos aqueles que estão obcecados com as pirâmides do Egito: você tem o direito de se surpreender e até mesmo se impressionar com as nossas pirâmides atemporais, mas não vamos permitir que você distorça nossos monumentos, que é a nossa mais querida posse. Pare com esse absurdo. Deus te abençoe!


[1] Provavelmente ele está falando do canal History Channel.

[2] “Alienígenas do Passado”, aqui no Brasil.

Texto original: 

Aliens built the pyramids! Disponível em < https://www.egyptindependent.com/aliens-built-the-pyramids/ >. Acesso em 11 de novembro de 18.

Zahi Hawass estará aqui no Brasil para realizar palestras

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O famoso arqueólogo e egiptólogo Zahi Hawass virá para o Brasil em dezembro para um evento exclusivo organizado pela Hórus Viagens. Ele passará por São Paulo e Rio de Janeiro apresentando a palestra “Múmias, pirâmides e Cleópatra: novas descobertas”.

Zahi Hawass. Foto: Divulgação.

Dentre os assuntos abordados estarão a identificação da múmia da faraó Hatshepsut, a família de Tutankhamon e a morte de Ramsés III. Vale ressaltar que ele atualmente está trabalhando no Vale dos Macacos, em um local onde possivelmente está uma tumba que pode ser da rainha Ankhensenamon. Saiba mais sobre este trabalho no vídeo abaixo:

A palestra será em inglês, mas possuirá tradução simultânea com fones de ouvido. Para saber como se inscrever ou retirar suas dúvidas:

www.zahihawassnobrasil.com.br

www.facebook.com/horusviagens

contato@horusviagens.com


Nota: As fontes oficiais de Hawass ainda não confirmaram em suas redes a sua vinda para o Brasil e nem ocorreu atualização em sua agenda de eventos. Desta forma, o Arqueologia Egípcia está aguardando por mais informações.

Atualização – 17/09; 09h53: Enviei um e-mail para o Zahi Hawass e ele além de confirmar a vinda dele para o Brasil irá atualizar o seu site com a atualização.

Novo livro do Zahi Hawass fala sobre as Pirâmides de Gizé

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No início deste mês, dia 13, os arqueólogos Zahi Hawass e Mark Lehner realizaram uma cerimônia de assinatura do recém lançado livro “Giza and the Pyramids” (2017) na Universidade Americana no Cairo. Durante a ocasião Hawass aproveitou para comentar sobre a existência de um grande vazio na Grande Pirâmide de Khufu em Gizé, anunciado pelo time da Scan Pyramids. Ele explicou que este anúncio não é novo, nem mesmo uma descoberta.

— Saiba mais: A controvérsia diante do anúncio da descoberta de “espaços vazios” na Grande Pirâmide

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass acrescentou que o livro revela muitos segredos e responde questões relacionadas às pirâmides de Gizé, além das últimas teorias e estudos científicos sobre estes monumentos.

Na noite anterior ao lançamento ele recebeu um prémio da Euro-Mediterranean Partnership (EUROMED), concedido pela primeira vez a um egípcio. Esta homenagem é por seu papel na disseminação do conhecimento sobre o patrimônio egípcio em todo o mundo, incluindo a Europa e os países localizados em todo o Mar Mediterrâneo. Este é um dos grandes prêmios europeus dados a profissionais da área das artes e antiguidades, dentre outras.

Fonte:

Book signing of Zahi Hawass’ ‘Giza and the Pyramids’. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/32340/Book-signing-of-Zahi-Hawass%E2%80%99-%E2%80%98Giza-and-the-Pyramids%E2%80%99 >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

Buscando pela tumba da esposa de Tutankhamon… Ou não!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês de julho (2017) foi lançada a notícia de que o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, teria encontrado evidências que apontam para a existência de uma tumba não analisada, próximo a área do Vale dos Reis, famoso sítio arqueológico que abriga as tumbas dos faraós do Novo Império. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. “Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações”[1], fundações estas que seriam caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos tais como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas, nas palavras do próprio arqueólogo.

Ancient Egypt Dr. zahi Hawass

Dr. Zahi Hawass na tumba da rainha Nefertari

A área visada por Hawass é o chamado Vale Oeste (ou Vale Ocidental), um espaço um pouco mais afastado das tumbas principais do Vale dos Reis, tais como a do faraó Tutankhamon (KV-62), Seti I (KV-17), Ramsés II (KV-7), etc. Embora o Vale Oeste seja pouco conhecido pelo público comum, é lá onde foram sepultados o faraó Amehotep III (WV22) e ainda mais afastado o Ay (WV23), esta última é a mais próxima desta possível tumba identificada por Hawass.

Dada a esta proximidade com a WV23, Hawass sugeriu em entrevista que o dono do sepulcro poderia ser a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon. Esta sugestão não é infundada, já que existem ao menos três fatores que apontam para ela ser a melhor possibilidade como a dona do local:

Pair Statue of Tutankhamun and AnkhesenamunTutankhamon e Ankhsenamon

☥ A proximidade com a tumba de Ay que possivelmente foi seu esposo ou co-regente;

☥ Que a tumba de Ay, a priori, pode ter pertencido a Tutankhamon;

☥ Ela não foi sepultada no Vale das Rainhas, porque este cemitério possivelmente foi inaugurado pela rainha Sitra (QV-38), consorte de Ramsés I.

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

Mas, é importante que não se leve esta possibilidade como a única, como o próprio Hawass salientou no início de agosto: “Quero deixar claro, porque se tem publicado informações erradas nos últimos dias. A escavação não começou e nem ocorreu descoberta alguma ainda[2]. Eu confio em poder iniciar a missão em breve e que os trabalhos nos levem a este enterramento escondido” [3].

137 In the Valley of the KingsVale dos Reis

Existe alguma possibilidade de que esta tumba esteja intacta?

Sim, existe. Entretanto, ao longo dos séculos vários saques ocorreram em sítios arqueológicos egípcios, a exemplo do Vale dos Reis e o Vale Oeste, que foram duas das áreas mais visadas pelos ladrões de antiguidades. Por isso, é pouco provável que caso exista uma sepultura neste espaço ela esteja intacta. Porém, nunca se sabe, já que a Arqueologia é sempre cheia de surpresas.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[3] En busca de la tumba de la esposa de Tutankamón. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia-y-salud/ciencia/2017/08/09/5989f96946163f3c418b45d4.html >. Acesso em 10 de agosto de 2017.


[2] Negrito meu.

 

Esposa de Tutankhamon talvez foi sepultada em tumba recém-descoberta

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo e ex-ministro das Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, com a sua equipe de pesquisadores, afirma ter evidências de que encontrou uma tumba que possivelmente pertenceu a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon — cuja sepultura foi descoberta praticamente intacta em 1922 — e filha do casal Nefertiti e Akhenaton.

Ankhesenamon e Tutankhamon e Ankhesenamon. Foto: Fonte: STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

A tumba, que está localizada no Vale dos Reis, próximo a sepultura do faraó Ay [1] (a qual alguns egiptólogos acreditam que a priori pertenceria a Tutankhamon), ainda não foi escavada, mas existe um projeto para tal.

Ankhesenamon em Luxor. Foto: Lionel Leruste. 2007.

Em 7 de julho a National Geographic italiana publicou um artigo que sugere que uma equipe liderada por Hawass tinha encontrado uma nova tumba no Vale dos Reis e agora o pesquisador confirmou esta descoberta. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. Apesar disso ele afirmou que acredita se tratar da tumba de Ankhesenamon dada a proximidade com a tumba de Ay[1], com quem ela possivelmente foi casada após a morte de Tutankhamon.

“Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações” e complementou explicando que estas fundações seriam “caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas como um sinal de que uma construção de uma tumba foi iniciada”. Um contexto parecido já foi encontrado em outros lugares, como o próprio Hawass explica: “Os antigos egípcios usualmente faziam quatro ou cinco fundações depósitos sempre que iniciavam a construção de um túmulo”[1].

 

Quem foi Ankhesenamon?

Não é tarefa fácil saber o que ocorreu durante os anos finais da vida da rainha Ankhesenamon: sabemos que ela sobreviveu a Tutankhamon e que o sepultou. Com ele teve certamente um bebê que só viveu alguns dias e um possível natimorto (ambas as crianças foram sepultadas com Tutankhamon) (DAVID; DAVID, 1992; BUNSON, 2002; HAWASS et al, 2010). Um anel encontrado na década de 1920 mostra o nome dela ao lado do nome de Ay, sucessor do seu marido, o que propõe uma co-regencia ou que ela casou-se com ele. Contudo, na tumba dele não há indícios dela como sua esposa, mas sim Ty, sua mulher desde a época do reinado de Akhenaton (CARTER; MARCE, 1977; GRIMAL, 2012).

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

A busca pela tumba desta rainha já perdura há alguns anos. A priori acreditou-se que ela poderia ter sido sepultada na KV-63, sugestão que foi abandonada após se descobrir que o local era um cache de mumificação [2]. Depois que teria sido na KV-21 (PÉREZ-ACCINO, 2003; PARRA, 2011). Agora temos esta possível KV-65. A resposta? Teremos que esperar mais algum tempo para descobrir.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[2] Documentários: King Tut’s Mystery Tomb Opened (Discovery Channel; 2006); Egypt’s Mystery Chamber (Discovery Channel; 2009).

BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts on File, 2002.

CARTER, Howard; MACE, Arthur. The Discovery of the Tomb of Tutankhamen. London: Dover Publications, 1977.

DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

HAWASS, Zahi;  GAD, Yehia Z;  ISMAIL, Somaia; KHAIRAT, Rabab; FATHALLA, Dina; HASAN, Naglaa; AHMED, Amal; ELLEITHY, Hisham; BALL, Markus; GABALLAH, Fawzi; WASEF, Sally; FATEEN, Mohamed; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; SELIM, Ashraf; ZINK, Albert; PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón. “Primeros cuerpos, primeras tumbas. En torno a los orígenes del valle de los Reyes”. In: POLO, Miguel Ángel Molinero. Arte y sociedad del Egipto antiguo. Encontro, 2000.