Tumba de tesoureiro do faraó Ramsés II é encontrada em Saqqara

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em Saqqara, área que na antiguidade foi a primeira capital do Egito, uma equipe de pesquisa da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo, chefiada pela arqueóloga Ola El-Ajezy, escavou a região onde está a tumba de Ptah-M-Wia, homem que era tesoureiro-chefe do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia).

A descoberta foi anunciada por Mustafa Waziri, Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades, que explicou que no local outras tumbas foram identificadas, como a do governador de Mênfis, Ptah-Mas, o Embaixador Real de Países Estrangeiros, Basir, e o Comandante Supremo do Exército, Eurkhi.

No caso de Ptah-M-Wia a sua descoberta é de grande interesse porque ele possuía cargos importantes como “tesoureiro chefe”, “escriba real”, “supervisor chefe do gado” e “responsável pelas oferendas divinas” no templo de Ramsés II em Tebas.

Pesquisas arqueológicas desde a década de 70:

Ahmed Ragab, Reitor da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo, explicou para imprensa que as escavações da faculdade tiveram início na década de 1970 e o objetivo inicial era procurar e estudar mosteiros coptas. Entretanto, sepulcros dos tempos dos faraós começaram a surgir, fazendo com que o foco da pesquisa mudasse. Isso levou a equipe direto para a descoberta de muitas tumbas do Período Ramséssida, incluindo a tumba do vizir real Nefer-Ranpet.

Já a missão chefiada pela Ola Al-Ajezi, começou em 2005 e segue firme até os dias de hoje. Ela explicou que esse cemitério tem um estilo próprio, denominado tumba-templo, pois consiste numa entrada em forma de edifício, seguida de um ou mais pátios.

No caso da sepultura de Ptah-M-Wia o descoberto até o momento foi uma entrada de pedra (onde foram esculpidas cenas mostrando o dono do túmulo) e um corredor com paredes de gesso pintadas e coloridas onde é possível ver uma procissão mostrando oferendas, que termina com o abate de um bezerro.

Além das paredes a equipe também encontrou restos de blocos de pedra contendo inscrições, assim como fragmentos de colunas osirianas. Tudo isso será examinado e restaurado ao longo da pesquisa.

Fonte:

Cairo Uni. Mission Discovers Tomb of Treasury Chief during King Ramses II Reign. Disponível em < https://see.news/cairo-uni-mission-discovers-tomb-of-treasury-chief-during-king-ramses-ii-reign/ >. Acesso em 30 de outubro de 2021.

7 coisas que você precisa saber sobre os 59 sarcófagos lacrados encontrados no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 3 de outubro (2020) o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito realizou uma conferência de imprensa em Saqqara, terra que os egípcios há mais de 2000 anos transformaram em cidade dos mortos e a qual hoje é uma das paisagens arqueológicas mais importantes do país. 

Naquele dia ele anunciou para uma plateia ansiosa que uma equipe de arqueologia do Supremo Conselho de Antiguidades do país tinha desenterrado um total de 59 ataúdes (sarcófagos, como se habituou a chamar aqui no Brasil). Descoberta essa que deixou muitos egiptólogos extremamente animados, mas muitas pessoas na internet levantando várias especulações e mitos. 

Para te deixar atualizado de tudo o que ocorreu, separei 7 pontos importantes a ver com essa descoberta:

1 – Saqqara foi durante o início da era dos faraós parte da capital do Egito e após perder o seu posto tornou-se uma cidade de grande importância religiosa, além de possuir uma das mais significativas necrópoles do país. É lá onde, inclusive, está a mais antiga pirâmide do Egito: a Pirâmide de Djoser;

2 – Os sarcófagos não foram encontrados em uma única tumba, mas em diferentes poços funerários: todos eles foram encontrados divididos em três diferentes poços, cuja profundidade varia entre 10 e 12 metros. Ou seja, o Ministério de Turismo e Antiguidades somaram as descobertas;

3 – Não é a primeira vez que vários sarcófagos foram encontrados juntos: uma descoberta desse tipo ocorreu no final de 2019 em Luxor, onde 30 sarcófagos foram localizados. Outra foi a do esconderijo das múmias de Deir el-Bahari, no século XIX, onde mais de 40 múmias foram encontradas, mas infelizmente muitas delas já tinham sido saqueadas por ladrões de tumbas. Temos vídeos sobre ambas essas descobertas:

4 – Todos esses sarcófagos estão lacrados, o que permitirá reunir muitos detalhes sobre a vida no Egito Antigo. Mas, é preciso salientar que “lacrado” não quer dizer “trancado”. Quer dizer que ele está fechado exatamente como foram deixados há mais de 2000 anos e que os corpos não foram perturbados por ladrões de tumbas; 

5 – Os corpos, ao contrário dos muitos boatos levantados na internet, não serão desenfaixados. Quando um sarcófago com uma múmia é encontrado de fato o sarcófago é aberto, mas a múmia em seu interior não é mexida. O que é feito é ver a integridade das bandagens e se precisa de algum restauro. Mas, se existir a necessidade de ver o que tem dentro da múmia, um tomógrafo ou um raio-x é utilizado (são muito raras as exceções em que uma múmia precisa ser desenfaixada). 

6 – Outro boato que surgiu é que essas múmias irão para museus europeus. Porém, há décadas o governo egípcio proíbe que arqueólogos e governos estrangeiros retirem artefatos arqueológicos do país. O máximo que ocorre é serem emprestados para exposições temporárias e seguindo uma série de regras;

7 – E não! Não existe risco de liberar vírus antigos ou epidemias ao abrir sarcófagos egípcios! Isso é mito! A temperatura do Egito não propícia que isso ocorra.

Quer saber mais detalhes sobre cada um desses pontos? Assista ao vídeo que gravei para o Arqueologia pelo Mundo:

Múmias raras de leões são encontradas em cemitério do Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Os egípcios cuidaram, veneraram e mumificaram uma série de diferentes animais. Nesta lista podemos incluir gatos, cães, aves, crocodilos e até escaravelhos. Os motivos eram variados indo desde estima, para servirem de alimentos no além e veneração, afinal, uma variedade de bichinhos eram vistos como mensageiros das divindades ou era uma divindade propriamente dita.

No Egito Antigo os leões representavam a realeza e a força.

Entretanto, apesar de existir uma gama tão extensa de animais que foram mumificados, alguns são mais raros que outros. Um deles é o escaravelho, o inseto mais sagrado para os egípcios antigos. Eles encarnavam o deus Khepri, uma importante divindade solar, e até mesmo compunham nomes de alguns faraós. Mas as suas múmias são extremamente escarças. Por isto foi quase um milagre a descoberta de alguns espécimes mumificados encontrados dentro de um pequeno sarcófago de calcário em 2018.

Outros tipos de múmias de animais raríssimos são as de leões. Bom, estes animais pareciam ter uma posição bastante privilegiada em relação aos símbolos e simbolismos da tradição egípcia antiga, uma vez que eram uma das representações da realeza. Mas, não era só isto! Simbolizavam também a força. É tanto que era uma das caracterizações do deus Mahes, assim como da deusa Sekhmet, uma das divindades mais importantes do panteão egípcio. Eles também integravam partes de animais míticos, tais como as esfinges que usualmente tinham um corpo de leão com a cabeça de um humano ou de um carneiro. Parte de leões formavam igualmente o corpo de Ammut, “A Devoradora” que comia os falecidos que não passassem no teste da pesagem do coração.

Sekhmet, uma deusa com cabeça de leoa, era um símbolo de destruição, mas também de saúde.

Os leões não estavam somente na mitologia, mas também compunham partes de mobiliários, artigos de guerras, etc. Eles estavam literalmente em todo lugar, embora no Egito atual não sejam nem vistos e há alguns anos somente dois corpos remanescentes do Egito Antigo tenham sido encontrados[1]… Até agora.

Ontem foi anunciada oficialmente a notícia de que alguns leões mumificados foram descobertos em uma tumba em Saqqara, na necrópole de Bubasteion. “É a primeira vez que uma múmia completa de um leão ou filhote de leão é encontrada no Egito”, disse o Ministro das Antiguidades em uma coletiva para imprensa [2][3].

Não se sabe ainda se estas são as citadas múmias de leões anunciadas na coletiva de imprensa. Foto: Ministério das Antiguidades.

Bubasteion foi por um período capital do Egito durante a antiguidade e dentre os egípcios era chamada de Per-Bastet, “casa de Bastet” ou “pertencente à Bastet”. Lá se consolidou um forte culto a deusa gata Bastet e consequentemente a cidade ganhou uma necrópole dedicada aos bichanos.

Ainda não se sabe quantos leões foram encontrados, afinal, as múmias ainda estão sob análise, mas o que foi liberado é que foram encontradas múmias de grandes felídeos e que existe 95% de certeza de que dois deles são leões. Esses animais têm cerca de 1 metro de comprimento, o que poderia indicar que ainda não eram adultos quando morreram, talvez até tendo entre oito meses de idade[2][3].

Pesquisador mostra, através de seu celular, fotografia da tomografia de um dos leões.

Foi a Salima Ikram, arqueóloga da Universidade Americana do Cairo, quem realizou a tomografia computadorizada nestas duas múmias e confirmou tratarem-se de leões. Ela disse para a National Geographic que o significado da descoberta é “extremamente importante”, pois dará aos pesquisadores novas ideias sobre como os leões foram capturados no Egito antigo e se foram criados ou comercializados [3].

Outras descobertas na área:

Outras três múmias pertencentes a gatos grandes (a espécie exata ainda não está clara) foram encontradas perto dos dois leões. Elas podem pertencer a leopardos, guepardos ou outras formas de felinos. Isso só o tempo — e naturalmente pesquisas em arqueologia — poderá nos dizer.

Múmias de gatos que foram também encontradas no local. Foto: Ministério das Antiguidades.
Múmia de gato. Foto: Ministério das Antiguidades.

Também foram encontrados no local cerca de 200 artefatos arqueológicos, incluindo múmias. São alguns deles:

☥ 75 estátuas de gatos;

☥ 25 caixas de madeira com gatos mumificados dentro;

☥ Várias estátuas de madeira representando diferentes tipos de animais e divindades;

☥ Um grande escaravelho de pedra;

☥ 2 pequenos escaravelhos de madeira e arenito;

☥ 3 estátuas de crocodilos dentro das quais foram encontrados restos de múmias de pequenos crocodilos;

☥ 73 estatuetas de bronze representando o deus Osíris;

☥ 6 estátuas de madeira do deus Ptah-Sokar;

☥ 11 estátuas de madeira e faiança da deusa leoa Sekhmet;

☥ Uma estátua da deusa Neith.

Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.

Também foi descoberto um relevo com o nome de rei Psamético I, além de uma coleção de estátuas de cobras, amuletos de faiança de diferentes formas e tamanhos, máscaras mortuárias de madeira e argila e uma coleção de papiros decorados com desenhos mostrando a deusa Tawert.

Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.

Achou que esta descoberta foi incrível? Pois bem, o ministro das antiguidades do Egito prometeu durante a coletiva de imprensa que o anúncio de hoje não foi a última descoberta do ano. Nas próximas semanas, no mês de dezembro, haverá outro anúncio e ele promete que será algo incrível. Basicamente será um presente para as comemorações do Natal.


[1] Um deles é datado da Dinastia 0 e o outro é datado do Período Helenístico e foi encontrado em Saqqara em 2001.

Fonte:

[2] Two Lion Cub Mummies Discovered in Egypt for the First Time

https://www.livescience.com/lion-cub-mummies-saqqara-egypt.html

[3] Very rare lion mummies discovered in Egypt. Disponível em < https://www.nationalgeographic.com/history/2019/11/rare-lion-mummy-discovered-Egypt/ >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

In Photos: Cat statues, mummies among large collection unearthed in Saqqara’s animals necropolis. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/356444.asp >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

Details of New Archaeological Discovery in Saqqara (Photos). Disponível em < https://see.news/details-of-new-archaeological-discovery-in-saqqara-photos/?fbclid=IwAR3prCi4q0wkJKtQmoyKl1nHz3bHdB5zm5d2ZD7p8XAlk3I04SBsIuqUJbE >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

Arqueólogos encontram várias múmias próximo de pirâmide egípcia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Arqueólogos poloneses descobriram algumas múmias nas imediações da Pirâmide de Djozer, em Saqqara. A equipe trabalha na região há mais de 20 anos através de uma concessão de escavação concedida ao Centro de Arqueologia Mediterrânea da Universidade de Varsóvia.

Foto: Dąbrowski / PCMA

Esta descoberta recente compreende uma área entre a Pirâmide de Djozer e a parte ocidental do chamado “fosso seco”, que nada mais é que uma vala profunda que circunda a área sagrada da pirâmide.

Foto: Dąbrowski / PCMA

“A maioria das múmias que descobrimos na temporada passada eram muito modestas, elas só foram submetidas a tratamentos básicos de bálsamo e então envoltas em ataduras e colocadas diretamente em cavidades escavadas na areia”, disse Kamil Kuraszkiewicz, coordenador das escavações e que integra o Departamento de Egiptologia, na Universidade de Varsóvia da Faculdade de Estudos Orientais.

Foto: Maciej Jawornicki/ Samorząd Studentów Wydziału Orientalistycznego UW/Facebook

Foto: Dąbrowski / PCMA

Uma das parte mais intrigantes desta descoberta é um dos ataúdes de madeira, que apresenta marcas que lembram inscrições hieroglíficas, mas que em verdade é só uma tentativa de imitação. Basicamente “O artesão que pintou aparentemente não sabia ler e talvez tentou reproduzir algo que já havia visto antes. Em qualquer caso, alguns dos caracteres pintados não são sinais hieroglíficos da escrita hieroglífica e o todo não cria um texto inteligível”, explicou Kuraszkiewicz.

Fonte:

Dozens of mummies dating back 2,000 years found next to world’s oldest pyramid. Disponível em < https://www.thefirstnews.com/article/dozens-of-mummies-dating-back-2000-years-found-next-to-worlds-oldest-pyramid-6545 >. Acesso em 28 de junho de 2019.

Foi descoberta a tumba de Imhotep?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Imhotep é um nome versado na Egitoptologia — ciência que estuda o Egito Antigo —, sendo o arquiteto responsável pela construção da primeira pirâmide egípcia, a Pirâmide de Djoser. Séculos mais tarde foi adotado como um deus por conta dos seus feitos e no final da Era Faraônica passou a ser comparado com Asklepios, deus grego da medicina e da sabedoria.

Foto: Charles J Sharp

A Pirâmide de Djoser, também chamada de Pirâmide Escalonada ou Pirâmide de Degraus, foi feita com adobe e pedra calcária e localiza-se em Saqqara. Mais de 5.000 anos após sua construção ela ainda se encontra de pé. É um grande feito por ser o primeiro edifício monumental construído no Egito e possivelmente em toda África. Ela também foi a inspiração para as demais pirâmides espalhadas pelo país, inclusive a Grande Pirâmide, que foi construída décadas mais tarde.

O nome de Imhotep significa “Aquele que vem em paz”, mas pouco sabemos sobre a sua vida e família. Ele foi o vizir e arquiteto do rei Djoser da 3ª Dinastia (Antigo Reino). Acredita-se que nasceu no Alto Egito e seu pai chamava-se Kanofer. Sua importância é notada também graças a uma estátua de Djoser em que o arquiteto é citado: “O Chanceler do Rei do Baixo Egito, o primeiro depois do Rei do Alto Egito, administrador do Grande Palácio, Senhor hereditário, Sumo Sacerdote de Heliópolis, Imhotep, o construtor, o escultor, o criador de vasos de pedra.” (RICE, 1999)

Pés da estátua de Djoser acompanhada de citação ao nome de Imhotep.

O arqueólogo Dr. Zahi Hawass em entrevista ao SeeEgy apontou outras titulações onde se somam registrador de anuários e secretário dos selos[1].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed.

Dada a sua notoriedade é um sonho para alguns acadêmicos encontrar sua tumba. Dentre estes pesquisadores estava o egiptólogo britânico Walter Emery (1902 – 1971), que dedicou parte da sua vida a buscar pela sepultura do arquiteto em Saqqara, sem sucesso. Uma equipe escocesa, a Saqqara Geophysical Survey Project, sob a liderança de Ian Mathieson (1927-2010) encontrou, através do uso de um radar, o sinal de um possível túmulo ao redor da pirâmide de degraus, túmulo este que Mathieson acreditava ser do próprio Imhotep. Hawass concorda com esta suposição. De acordo com ele:

“Em primeiro lugar, a pirâmide do rei Djoser é a única pirâmide do Antigo Reino onde as rainhas foram enterradas; em segundo lugar, o rei concedeu a Imhotep um status elevado; assim, o lugar normal para enterrá-lo é com o rei a quem ele serviu. É por isso que espera-se que ele viva com ele na vida após a morte. Descobri que o lado oeste da pirâmide é o único lado onde Emery não escavou, pois estava repleto de areia e pedras. Na verdade, uma Missão de Pesquisa Egípcia foi formada para escavar na parte oeste da pirâmide e surpreendentemente encontraram um túmulo que remonta à 2ª Dinastia, mas paramos as escavações por causa dos incidentes do 25 de janeiro”[1].

Os incidentes aos quais ele se refere foi a chegada da Primavera Árabe ao Egito em 2011, e que pausou várias pesquisas arqueológicas que se sucediam pelo país.

— Leia também: Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Mas e agora? Os egípcios desistiram de procurar? A resposta é certamente “não”. A descoberta da tumba de Imhotep seria um grande trunfo para o Egito, contudo, após séculos de saques é difícil ter esperança de que ao menos uma sepultura adornada será encontrada.

Fontes:

[1] Where is Imhotep’s Tomb?. Disponível em < http://see.news/where-is-the-tomb-of-imhotep/ >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

New URL for Saqqara/Imhotep story. Disponível em < http://egyptology.blogspot.com/2007/12/new-url-for-saqqaraimhotep-story.html >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

Ian Mathieson. Disponível em < https://www.telegraph.co.uk/news/obituaries/technology-obituaries/7880008/Ian-Mathieson.html>. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

Tumba com mais de 4.000 anos é aberta à visitação

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Após quase passar 80 anos fechada, a notável tumba de um oficial de alta patente chamado Mehu finalmente foi aberta ao público. Esta sepultura localizada em Saqqara chama a atenção porque possui ilustrações em suas paredes mostrando vários aspectos da vida cotidiana durante o Egito Antigo da 6ª Dinastia, Antigo Reino. Ela possui um longo corredor que leva a seis câmaras.

Foto: ahram.org

Foto: ahram.org

“A tumba é uma das mais belas da Necrópole de Saqqara, porque ainda mantém suas cores vivas e cenas distintas”, disse Khaled El-Enany, ministro das antiguidades, acrescentando que entre as cenas mais peculiares da tumba está uma representando o casamento entre crocodilos na presença de uma tartaruga.

Esta sepultura foi descoberta em 1940 pelo egiptólogo Zaki Saad, mas, foi fechada para a visitação do público tempos depois. Agora, após trabalhos de restauros e a inclusão de um sistema de iluminação ela está pronta para receber turistas. A sua reabertura contou com a presença de embaixadores de alguns países, incluso o Brasil.

Foto: ahram.org

Os trabalhos de arqueologia constataram que além de vizir Mahu também era escriba dos documentos reais e chefe dos júris. Igualmente foi descoberto que lá também foram sepultados Mery Raankh, filho de Mehu, e seu neto Hetep Kha II.

Mais fotos:

Foto: EFE

Foto: EFE

Foto: EFE

Tenha em casa: Quer ter uma imagem que remeta aos antigos artistas egípcios? A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é justamente a de artistas desenhando uma imagem parietal tal como devem ter feito na tumba desta rainha.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

Fontes:

4,000-year-old Egyptian Tomb of Mehu opens to the public for the first time. Disponível em < https://edition.cnn.com/travel/article/egypt-tomb-mehu-africa/index.html >. Acesso em 14 de setembro.

Egypt inaugurates tomb of sixth dynasty Vizier Mehu’s in Saqqara Necropolis 8 decades after its discovery. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/311129.aspx >. Acesso em 14 de setembro.

Breathtaking Ancient Egyptian tombs dating back to the Sixth Dynasty are reopened to the public for the first time since they were discovered nearly 80 years ago. Disponível em < https://www.dailymail.co.uk/news/article-6146741/Breathtaking-Ancient-Egyptian-reopened-public.html >. Acesso em 14 de setembro.

Abren por primera vez la espectacular tumba de Mehu en Egipto. Disponível em < https://www.abc.es/cultura/abci-abren-primera-espectacular-tumba-301339124902-20180908170317_galeria.html >. Acesso em 14 de setembro.

As 9 melhores descobertas arqueológicas de 2017 sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.

Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

 

1: Descoberta de imagens de embarcações:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Foto: Josef Wegner

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

 

2: Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada:

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

 

3: Fragmentos de uma estátua colossal:

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

Foto: Reuters.

4: Descoberta de tumba de princesa egípcia:

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Foto: MSA

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

 

5: Descoberta de faraó pouco conhecido:

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

 

6: Os mais antigos hieróglifos egípcios:

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Foto: MSA.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

 

7: Cabeça de faraó encontrada em Israel:

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

 

8: O maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino:

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Foto: MSA

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

 

9: Descoberta da localização de um templo de Ramsés II

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.

Foto: MSA

A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

 

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:

Agora é a vez de vocês! Qual é a sua descoberta arqueológica do ano de 2017 favorita?

Cabeça de madeira com mais de 4.000 anos é encontrada em Saqqara

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma cabeça de madeira que provavelmente representa a rainha Ankhnespepy II da 6ª Dinastia foi encontrada em Saqqara, próximo a sua pirâmide. A descoberta foi feita por uma missão de arqueologia encabeçada por um time franco-suíço da Universidade de Genebra.

Foto: MSA

Foi esta mesma equipe que encontrou um grande fragmento de obelisco que provavelmente pertenceu ao templo funerário desta mesma rainha. Esta notícia foi anunciada aqui no Arqueologia Egípcia.

— Saiba mais: Arqueólogos no Egito descobrem o maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino

O Dr. Philip Collombert, coordenador da equipe, falou que a cabeça foi descoberta em uma camada que tinha sido perturbada, a leste a pirâmide da rainha, em uma área onde um piramidion foi encontrado esta semana. Ele ainda salientou que este artefato precisará passar por um trabalho de restauro.

Foto: MSA

O Dr Mostafa Waziry, secretário geral do supremo conselho de antiguidades, explicou que a cabeça tem uma proporção parecida com a humana, porém com um pescoço com quase 30 cm e está enfeitada com brincos de madeira. E ainda fez uma revelação sobre este sítio: “Esta é uma área promissora que pode revelar mais dos seus segredos em breve”.

Fonte:

4000 years old wooden head discovered in Sakkara. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/10/4000-years-old-wooden-head-discovered_18.html >. Acesso em 18 de outubro de 2017.

Arqueólogos no Egito descobrem o maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia). As escavações são coordenadas por Philippe Collombert da Universidade de Genebra.

O objeto possui inscrições que parecem ser o início dos títulos e o nome da rainha. “Ela provavelmente é a primeira rainha a ter Textos das Pirâmides registrados em sua pirâmide”, explicou Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo das Antiguidades, ao Ahram Online. Ainda de acordo com ele antes esses textos eram esculpidos somente nas pirâmides dos reis. Após Ankhnespepy II algumas esposas de Pepi II fizeram o mesmo.

Parte do obelisco da rainha Ankhnespepy II. Foto: Divulgação.

De acordo com Collombert, que também falou ao Ahram Online, a parte do obelisco que foi desenterrada é esculpida em granito vermelho e tem 2,5 metros de altura. Jamais foi encontrado um fragmento desse tipo de artefato desta magnitude proveniente dessa época, embora o Antigo Reino seja a “era de ouro” da construção das grandes pirâmides. “Podemos estimar que o tamanho total do obelisco foi de cerca de cinco metros quando estava intacto”, explicou. Ele ainda aponta que no topo do obelisco existe uma pequena deflexão que indica que a ponta foi coberta com lajes de metal, provavelmente de cobre ou de folha dourada, para que o obelisco brilhasse no sol.

Foto: Divulgação.

O artefato foi encontrado no lado leste da pirâmide da rainha, onde está localizado também o seu complexo funerário, o que sugere que o seu local original era a entrada do seu templo funerário. “As rainhas da 6ª dinastia geralmente tinham dois pequenos obeliscos na entrada do seu templo funerário, mas este obelisco foi encontrado um pouco longe da entrada do complexo de Ankhnespepy II”, apontou Waziri. Ele acredita que isto sugere que o obelisco pode ter sido arrastado por cortadores de pedra de um período posterior, uma vez que a maior parte da necrópole de Saqqara foi usada como uma pedreira durante o Novo Império e Período Final.

Quem foi Ankhnespepy II:

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

Com Merenre ela teve Pepi II, que possuía seis anos quando o seu pai faleceu, o que levou Ankhnespepy II a se tornar co-regente e, por pouco, quase faraó. “Provavelmente é por isso que sua pirâmide é a maior da necrópole depois da pirâmide do próprio rei”, disse Collombert.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção de uma grande estátua.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Archaeologists unearth largest-ever discovered obelisk fragment from Egypt’s Old Kingdom. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/278261.aspx >. Acesso em 05 de outubro de 2017.

Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada, diz arqueóloga

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

É em Saqqara, antiga Menphis, que se encontra um dos principais cemitérios do Egito, que existiu deste a época da unificação do país, sendo utilizado ainda por muitos anos após a era dos faraós. Lá, além de pessoas comuns foram sepultados mulheres e homens ilustres. É onde se encontra também a primeira pirâmide do país: a pirâmide de Djozer.

Recentemente a Dra. Iwona Kozieradzka-Ogunmakin, da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido de grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Duplo sepultamento de crianças com 4 ou 5 anos de idade. Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

A equipe trabalha no local desde 2006, com o objetivo de estudar restos humanos mumificados ou esqueletizados e assim realizar uma análise acerca da relação entre o status social e a saúde física da antiga população de Saqqara durante o Período Ptolmaico, além de tentar entender o efeito do ambiente sobre a saúde humana.

“Dada a estreita dependência dos antigos sistemas agrícolas egípcios no rio Nilo, flutuações ambientais podem ter tido impacto adverso sobre a saúde da população no antigo vale do Nilo”, disse ela ou IBTimes. “Meu estudo foi baseado em um pequeno agrupamento de 29 indivíduos com 12 anos ou menos no momento da morte e que foram recuperados de um cemitério ptolomaico em Saqqara. Embora a aglomeração seja bastante pequena, ela apresenta uma importante contribuição para o corpo de pesquisa sobre as populações da época ptolomaica do Egito que até agora permanecem não estudadas”.

A saúde das crianças:

Através dos seus estudos, Kozieradzka-Ogunmakin foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos. A partir de observações macroscópicas — ou seja, a olho nu —, ela foi capaz de aprender mais sobre suas dietas e o tipo de ambientes em que elas teriam vivido.

Suas análises revelaram a presença dos indicadores de estresse fisiológico [1]: Olhando para os ossos orbitais, ela descobriu que elas estavam porosas em 70% das crianças — uma condição conhecida como cribra orbitalia. Isso pode ser indicativo de anemia causada por uma deficiência de minerais, como ferro ou vitamina B12 e B9.

Duplo sepultamento: Uma mulher com cerca de 30 a 40 anos de idade e uma criança com 7 anos de idade. Foto: Polish Centre of Mediterranean Archaeology (PCMA)

Como metade dessas crianças tinham entre três e cinco anos, a arqueóloga acredita que a doença pode ter surgido quando deixaram de ser amamentadas e mudaram para uma dieta mais pobre e insalubre. Sua conclusão bate com o contexto geral do Egito Antigo, cuja mortalidade dos infantes está várias vezes relacionada com a deficiência em vitaminas causadas durante esse período de transição alimentar.

— Saiba mais: Ser criança no Egito Antigo 

“Práticas de alimentação e desmame espalhadas por todo o antigo Egito poderia ter sido em grande parte responsável pela alta prevalência da cribra orbitalia no atual conjunto de esqueletos. Desmamar um lactente colocou-os em risco, incluindo aumento da morbidade e mortalidade como resultado de doenças infecciosas e parasitárias”.

A outra hipótese é que a cribra orbitalia foi causada por uma doença parasitária como a malária, tão comum durante a antiguidade egípcia.

Kozieradzka-Ogunmakin também descobriu evidências de cárie dentária entre os corpos. “Um quarto das crianças com dentição preservada foram afetadas pela deterioração dentária, e a maioria eram indivíduos com idade entre três a cinco anos no momento da morte. Um dos alimentos básicos na dieta egípcia antiga foi pão; dietas onde os açúcares são misturados com amidos poderia ser mais cariogênicas do que o açúcar por conta própria”, salientou.

Múmia parcial de uma criança de 8 meses de idade. Foto: Polish Centre of Mediterranean Archaeology (PCMA)

A pesquisadora também encontrou indícios de que algumas dessas crianças podem ter sofrido de sinusite crônica.

Kozieradzka-Ogunmakin poderia descobrir muito mais, se fosse capaz de realizar estudos moleculares ou exame histológico dos tecidos moles. Porém, o Ministério das Antiguidades não permitiu que os restos fossem enviados para fora do país.

Fonte:

Graves of ancient Egypt’s last children reveal widespread malnutrition. Disponível em < http://www.ibtimes.co.uk/ancient-egypts-children-died-young-suffered-anaemia-tooth-decay-1602859 >. Acesso em 14 de fevereiro de 2017.


[1] Efeito desfavorável de fatores ambientais sobre as funções fisiológicas de um determinado organismo.