Foi descoberta a tumba de Imhotep?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Imhotep é um nome versado na Egitoptologia — ciência que estuda o Egito Antigo —, sendo o arquiteto responsável pela construção da primeira pirâmide egípcia, a Pirâmide de Djoser. Séculos mais tarde foi adotado como um deus por conta dos seus feitos e no final da Era Faraônica passou a ser comparado com Asklepios, deus grego da medicina e da sabedoria.

Foto: Charles J Sharp

A Pirâmide de Djoser, também chamada de Pirâmide Escalonada ou Pirâmide de Degraus, foi feita com adobe e pedra calcária e localiza-se em Saqqara. Mais de 5.000 anos após sua construção ela ainda se encontra de pé. É um grande feito por ser o primeiro edifício monumental construído no Egito e possivelmente em toda África. Ela também foi a inspiração para as demais pirâmides espalhadas pelo país, inclusive a Grande Pirâmide, que foi construída décadas mais tarde.

O nome de Imhotep significa “Aquele que vem em paz”, mas pouco sabemos sobre a sua vida e família. Ele foi o vizir e arquiteto do rei Djoser da 3ª Dinastia (Antigo Reino). Acredita-se que nasceu no Alto Egito e seu pai chamava-se Kanofer. Sua importância é notada também graças a uma estátua de Djoser em que o arquiteto é citado: “O Chanceler do Rei do Baixo Egito, o primeiro depois do Rei do Alto Egito, administrador do Grande Palácio, Senhor hereditário, Sumo Sacerdote de Heliópolis, Imhotep, o construtor, o escultor, o criador de vasos de pedra.” (RICE, 1999)

Pés da estátua de Djoser acompanhada de citação ao nome de Imhotep.

O arqueólogo Dr. Zahi Hawass em entrevista ao SeeEgy apontou outras titulações onde se somam registrador de anuários e secretário dos selos[1].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed.

Dada a sua notoriedade é um sonho para alguns acadêmicos encontrar sua tumba. Dentre estes pesquisadores estava o egiptólogo britânico Walter Emery (1902 – 1971), que dedicou parte da sua vida a buscar pela sepultura do arquiteto em Saqqara, sem sucesso. Uma equipe escocesa, a Saqqara Geophysical Survey Project, sob a liderança de Ian Mathieson (1927-2010) encontrou, através do uso de um radar, o sinal de um possível túmulo ao redor da pirâmide de degraus, túmulo este que Mathieson acreditava ser do próprio Imhotep. Hawass concorda com esta suposição. De acordo com ele:

“Em primeiro lugar, a pirâmide do rei Djoser é a única pirâmide do Antigo Reino onde as rainhas foram enterradas; em segundo lugar, o rei concedeu a Imhotep um status elevado; assim, o lugar normal para enterrá-lo é com o rei a quem ele serviu. É por isso que espera-se que ele viva com ele na vida após a morte. Descobri que o lado oeste da pirâmide é o único lado onde Emery não escavou, pois estava repleto de areia e pedras. Na verdade, uma Missão de Pesquisa Egípcia foi formada para escavar na parte oeste da pirâmide e surpreendentemente encontraram um túmulo que remonta à 2ª Dinastia, mas paramos as escavações por causa dos incidentes do 25 de janeiro”[1].

Os incidentes aos quais ele se refere foi a chegada da Primavera Árabe ao Egito em 2011, e que pausou várias pesquisas arqueológicas que se sucediam pelo país.

— Leia também: Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Mas e agora? Os egípcios desistiram de procurar? A resposta é certamente “não”. A descoberta da tumba de Imhotep seria um grande trunfo para o Egito, contudo, após séculos de saques é difícil ter esperança de que ao menos uma sepultura adornada será encontrada.

Fontes:

[1] Where is Imhotep’s Tomb?. Disponível em < http://see.news/where-is-the-tomb-of-imhotep/ >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

New URL for Saqqara/Imhotep story. Disponível em < http://egyptology.blogspot.com/2007/12/new-url-for-saqqaraimhotep-story.html >. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

Ian Mathieson. Disponível em < https://www.telegraph.co.uk/news/obituaries/technology-obituaries/7880008/Ian-Mathieson.html>. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]