Sarcófagos de mulheres são encontrados em cemitério do Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma missão coordenada pelo Instituto Francês de Arqueologia Oriental e pela Universidade de Estrasburgo descobriu três ataúdes de madeira no pátio do túmulo de uma pessoa chamada Padiaménopé[1] (TT 33), em Tebas.

Estes caixões são datados da 18ª Dinastia, Novo Império, e estão em um ótimo estado de conservação.

Um deles pertence a uma mulher chamada Ti e mede 1,95 m, o outro pertence a uma mulher chamada Rau e possui 1,90 m. Já o terceiro caixão o sexo do seu dono ainda não foi esclarecido para a imprensa, mas possui 1,80 m.

Como é de se esperar, todos os caixões possuem ilustrações com motivos religiosos e embora sejam desenhos simples, possuem cores vibrantes.

Não foram dadas informações sobre qual será o destino destes ataúdes, se irão permanecer em um armazém ou irão compor a exposição de algum museu. Igualmente não foi dito se eles guardam alguma múmia.


[1] O seu sexo e época em que viveu não foram apontados.

Fonte:

French Archaeologists Unearth Ancient Egyptian Wooden Coffins. Disponível em < http://luxortimes.com/2019/11/french-archaeologists-unearth-ancient-egyptian-wooden-coffins/ >. Acesso em 27 de novembro de 2019.

Antigos túmulos são abertos para visitas turísticas no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito abriu para visitação na segunda-feira passada duas tumbas na área arqueológica de Gizé, onde se encontram as Grandes Pirâmides do Egito. Estas sepulturas pertencem, cada uma, a um homem chamado Qar e a outra a Idu. Elas estavam em um processo de restauro e com os trabalhos concluídos podem agora receber turistas[1].

O diretor da área arqueológica das pirâmides, Ashraf Mohie-Eldin, disse que a restauração no túmulo de Qar, por exemplo, incluía limpeza, fortalecimento do teto e o restauro das paredes do salão principal. Esculpido em rocha, o sepulcro remonta à 6ª Dinastia, mais especificamente o reinado do rei Pepi I. Os títulos de Qar incluíam “diretor das cidades das pirâmides de Khufu e Menkaura”, “inspetor dos sacerdotes wab da pirâmide de Khafren” e “diretor da pirâmide de Pepi I Meryre”[1].

A tumba de Idu, que era filho de Qar, também foi submetida a limpeza e o telhado foi reforçado. Igualmente ao do pai, a sua sepultura foi esculpida em rocha e é da época de Pepi I. Os títulos de Idu incluíam “o escriba dos documentos reais na presença do rei”, “inquilino da pirâmide de Pepi I Meryre” e “inspetor dos sacerdotes wab das pirâmides de Khufu e Khafren” [1].

O que ocorrerá agora:

Com as tumbas de Qar e Idu liberadas para os turistas, o governo egípcio fechou agora as de Seshem-Nefer IV e Khufukhaf I. O intuito é também realizar trabalhos de restauros e futuramente abri-los para visitas[2].

Seshem-Nefer IV possuía os títulos de “superintendente dos dois assentos da Casa da Vida” e de “guardião dos segredos do rei”. Sua tumba é a maior de Gizé e contém cenas funerárias, de caçadas e de oferendas, além de uma descrição da vida cotidiana de Seshem-Nefer [2].

Já Khufukhaf era um sacerdote que viveu durante a 4ª Dinastia. Sua tumba é uma mastaba dupla cuja uma das capelas é dedicada à sua esposa (cujo nome não foi anunciado no comunicado da imprensa) e a outra a si mesmo. A única parte decorada do vestíbulo é a parede ocidental a partir da qual um corredor leva à câmara principal[2].

Fontes:

[1] Photos: Egypt opens Old Kingdom tombs Idu, Qar for visitation. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/photos-egypt-opens-old-kingdom-tombs-idu-qar-for-visitation/ >. Acesso em 20 de novembro de 2019.

[2] Giza tombs of Qar and son Idu open after restoration. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/356136/Heritage/Ancient-Egypt/Giza-tombs-of-Qar-and-son-Idu-open-after-restorati.aspx >. Acesso em 20 de novembro de 2019.

Os egípcios antigos acreditavam em demônios?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O medo de grandes forças ocultas acompanha a humanidade desde os primórdios. Nem precisamos olhar com atenção para trás para observar representações do mal como criaturas que abitam o plano espiritual. Cada cultura ao redor do globo criou uma personificação dos seus temores e paranoias e com os antigos egípcios não poderia ser diferente.

Recentemente anunciei em meu Twitter que estou me empenhando na pesquisa das representações de seres malignos no Egito Antigo. Porém, ao contrário do que muitos devem imaginar, eles não são demônios, ao menos não no sentido católico. A palavra “demônio” vem do latim “daemon“, que por sua vez vem do grego “daímôn“, cujo significado, no que diz respeito a definição de Platão, seria “ser intermediário”. Porém, ao longo dos séculos a sua essência mudou, a exemplo da tradição cristã, que transforma os demônios na contraparte dos anjos.

Assim sendo, a adoção do termo “demônio” para entidades do mal no Egito Antigo, ao menos no sentido grego, não seria errada. Entretanto, o Brasil, apesar de ser um país laico, tem raízes bastante católicas. Desta forma, para evitar desvirtuar do que de fato eles eram, é mais válido chamar tais entidades de “espíritos malignos” (e benignos), do que de “demônios”.

Como eles eram?

Não sabemos muito sobre aparência e nomes de espíritos malignos egípcios. Mas sabemos, por exemplo, que existia um chamado “Sehaqeq” que é este menininho da imagem. Ele causava fortes dores de cabeça em suas vítimas.

Em uma fórmula mágica entoada para afastar doenças de crianças, temos a dica das características de outro destes seres: “Sai visitante das trevas, que te arrastas com o nariz e o rosto atrás da cabeça, sem saber por que estais aqui” (STROUHAL, 2007, p 24).

Contudo, apesar de não termos muitas informações sobre estas entidades, podemos identificá-las em antigos textos egípcios: tanto entidades malignas, como enfermidades, usualmente eram mencionadas em textos grafados em vermelho.

Formas de afastá-los:

Bom, os egípcios adotaram uma série de medidas para tentar afastar estes espíritos malignos. Infelizmente não conhecemos todas, afinal, muito dos significados da materialidade egípcia está no campo da especulação. Mas, uma delas, aparentemente era uma máscara do deus Bés.

— Veja também: Antigos feitiços egípcios prometiam trazer a pessoa amada

Bés era uma divindade egípcia representada por um homem com nanismo fazendo uma careta. Sua função era proteger as crianças e mulheres (especialmente durante o parto), afastar os maus sonhos e os maus espíritos.

Conhecemos a existência de amuletos representando Bés, assim como máscaras com o seu rosto, como foi o caso de uma encontrada em uma estátua feminina. Esta estátua foi descoberta no pátio do Ramesseum (Luxor), durante o século 19. Na mesma época uma máscara propriamente dita — a qual alguns acreditam representar esta divindade ou sua esposa, Beset — foi descoberta em Kahun (imagem).

A finalidade destas máscaras é uma grande incógnita. Alguns acadêmicos acreditam que elas poderiam ser vestidas durante rituais mágicos para a invocação de espíritos protetores. Estes protetores resguardariam as mulheres e as crianças afastando delas os espíritos malignos.

Também existiram fórmulas mágicas e poções que entoadas acreditava-se que poderia proteger, por exemplo, uma criança:

“Fiz uma poção que a protege, uma poção com a erva venenosa de afat e alho, que é ruim para ti, com mel, que é doce para o vivo, mas amargo para o morto, com restos e entranhas de peixes e bestas e com espinhos de perca.” (STROUHAL, 2007, p 24)

E Apophis? Ele era um espírito maligno?

Esta é uma pergunta bastante frequente sempre que comento algo sobre as entidades malignas, afinal, Apophis é uma grande serpente que todas as noites tentava devorar o deus sol, Rá. De acordo com alguns dos principais pesquisadores do assunto, Apophis, que é a variação grega do nome egípcio Apep, não seria uma entidade maligna e muito menos uma divindade. A posição dele na mitologia egípcia ainda é meio confusa… Em verdade ainda temos muito o que aprender sobre o mundo religioso egípcio.

Gostou deste tema? Então saiba mais sobre ele assistindo a este vídeo:

Fontes:

CASTEL, Elisa. Gran Diccionario de Mitología Egipcia. Madrid: Aldebarán, 2001.
Demons (benevolent and malevolent); Rita Lucarelli; UCLA Encyclopedia of Egyptology
STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

Cidades brasileiras receberão exposição sobre o Egito Antigo

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Desde 12 de outubro (2019) o Egito Antigo voltou a fazer parte do cotidiano dos cariocas. Isto está ocorrendo graças a exposição “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade” que está exibindo 140 peças advindas do Museu Egípcio de Turim, Itália. Dentre os artefatos inclusos estão papiros, amuletos, esculturas e até mesmo reconstruções em 3D de alguns monumentos. Ela está ocorrendo no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro e a entrada é franca.

A mostra comemora os 30 anos do CCBB-RJ e passará ainda por São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Ela foi dividida entre vida cotidiana, religião e eternidade e possui espaços para brincadeiras e fotografias.

Informações gerais:

De 12 de outubro a 27 de janeiro

CCBB Rio de Janeiro, Rua Primeiro de Março, 66, Centro

Datas paras as outras cidades:

CCBB São Paulo: 19/02/2020 a 11/05/2020

CCBB Distrito Federal: 02/06/2020 a 30/08/2020

CCBB Belo Horizonte: 16/09/2020 a 23/11/2020

Site oficial da exposição: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/egito-antigo-do-cotidiano-a-eternidade/

Halloween em Overwatch traz Ana como uma múmia

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O Halloween está chegando e embora o Brasil não comemore esta festividade vários estabelecimentos comerciais estão enfeitados durante esta época. É neste período também que vemos vários youtubers preparando vídeos temáticos, canais de TV colocando em sua grade de programação filmes de suspense e horror e jogos online atualizando seus cenários e skins (visual) dos personagens. A ideia é deixar o público no clima do Dia das Bruxas.

Dentre os jogos online que estão curtindo este período está Overwatch, game que foi lançado em 2016 pela Blizzard e que desde então vem arrecadando vários fãs ao redor do mundo. Até alguns dos mapas do jogo foram enfeitados para entrar na brincadeira. Um deles é “Hollywood”, cujo cinema e a área de estúdio de gravações conta com a presença de abóboras assustadoras, teias de aranha, morcegos e outros detalhes arrepiantes.

Já entre as skins temos homenagens a monstros clássicos como vampiros, a noiva de Frankenstein e a múmia. Esta última trata-se da nova skin da personagem Ana, uma sniper egípcia. Ana é a mãe da Pharah, personagem a qual já ganhou um post aqui no Arqueologia Egípcia. Vejam que beleza esta skin a qual a Blizzard apelidou de “Faraó”:

Skin “Faraó” da Ana.

Como sempre a Blizzard não poupa nos detalhes: No peito da Ana está um escaravelho alado (símbolo da ressurreição) e a sua arma ostenta a cabeça de uma naja, usualmente utilizadas como símbolo de proteção da realeza egípcia.

Até a granada biótica (parte inferior da imagem abaixo) foi enfeitada com o tema egípcio e fica uma curiosidade aqui: a granada biótica é basicamente um recipiente com um líquido que pode tanto retirar como renovar a vida dos oponentes. E aqui ela está com uma imagem de um escaravelho, que como falei anteriormente é um simbolo de renascimento, assim como hieróglifos que representam a água. Ótima sacada Blizzard!

Mais detalhes da skin:

E mais detalhes da arma:

Para conseguir obter esta skin é necessário que o jogador use 3.000 coins (créditos do jogo) ou a encontre nas caixas de itens que o jogador venha a ganhar (ou comprar) ao longo do evento de Halloween.

Outro item temático é o spray da Ana como múmia:

Eu sou jogadora de Overwatch, mas até o momento não consegui nem o spray e muito menos a skin Faraó… Mas, eu e os demais jogadores temos até o dia 04 de novembro (2019) para conseguir. 🎃

Entrevista com Zahi Hawass: múmia de Tutankhamon passará por uma nova tomografia

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No mês passado (setembro/2019), entrevistei o maior nome da arqueologia egípcia da contemporaneidade: o professor Zahi Hawass. Ele ficou famoso por ter recebido plena atenção da mídia para a importância da devolução de artefatos arqueológicos — que estavam em museus e coleções particulares estrangeiras — para o seu país original.

Contudo, o Hawass não desejava repatriar todas as peças retiradas do Egito, somente aquelas que saíram do país após a década de 1970 e aquelas que possuem algum significado especial para a história da arqueologia egípcia, tais como a Pedra de Roseta ou o busto da Rainha Nefertiti.

Outro detalhe importante sobre o Hawass é que ele já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades do Egito.

Porém, sua carreira é destacada também por uma série de polêmicas, uma delas foi seu reality show para a History Channel, “Chasing Mummies”, que aqui no Brasil recebeu o título “Caçador de Múmias”. Ela foi amplamente criticada tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra grande polêmica foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios. A questão é que alguns egiptólogos acusavam o Hawass de usar sua posição para furar a fila na burocracia para tirar fotos dos referidos artefatos, fotos estas que eram para fins comerciais e não acadêmicos.

E ainda temos a chegada da Primavera Árabe no Egito, situação em que o Museu Egípcio do Cairo foi invadido na calada da noite. Na época o Hawass negou tal ocorrido e neste meio tempo foi declarado Ministro das Antiguidades — cargo este que foi criado às pressas para tentar aplacar a ira do público —, contudo, ele não ficou muito tempo nesta posição, já que com a queda do até então presidente Hosni Mubarak, Hawass foi exonerado.

E agora ele veio para o Brasil para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e prestigiar a abertura do museu Rei Menino de Ouro: Tutankhamon. Entretanto, antes da abertura deste museu ele disponibilizou uma coletiva de imprensa e o site Arqueologia Egípcia estava presente. Confira abaixo e saiba sobre as novidades que ele trouxe para nós, dentre elas, sobre Tutankhamon:

A ida do AE para a coletiva só foi possível graças as pessoas que participaram de nossa campanha online e ajudaram a pagar as principais despesas da viagem. Então, fica aqui registrado meu agradecimento.

Descubra o que o Egito Antigo e Game of Thrones têm em comum

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Game of Thrones trata-se de uma série produzida pelo canal HBO e que é uma adaptação para TV de uma franquia de livros intitulados “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Seu enredo está envolto de várias questões e uma delas é que está ocorrendo uma guerra civil dinástica entre várias famílias poderosas, que estão lutando pelo controle dos Sete Reinos ou de ao menos uma parte dele.

Entretanto, o que tem a ver Game of Thrones com o Egito Antigo? Pois bem, e se eu disser para vocês que no Egito ocorreu algo parecido — guerras civis dinásticas — não uma, mas três vezes? Isso se passou durante os chamados “Períodos Intermediários”.

A história da época dos faraós é dividida por nós acadêmicos em grandes conjuntos de períodos dinásticos:  Período Tinita, Antigo Reino, Primeiro Período Intermediário, Médio Reino, Segundo Período Intermediário, Novo Império, Terceiro Período Intermediário, Baixa Época e Período Grego.

E cada um destes grandes períodos eram divididos em várias dinastias, que por sua vez são separadas pelos egiptólogos por famílias ou associações políticas. A estrutura básica destas dinastias foi sugerida pela primeira vez por um estudioso chamado Manetho. Ele era um sacerdote nascido no Egito no século III antes da Era Cristã. A lista dele é complementada e corrigida até hoje pelos egiptólogos.

E esses citados “períodos intermediários” aconteceram três vezes na história do país graças ao enfraquecimento do poder central — causado por diversos motivos indo desde grande corrupção, desentendimentos dentro da família real e crises econômicas —.

Durante os “Períodos Intermediários” a soberania territorial dos faraós foi fragmentada.

Então, este enfraquecimento favoreceu a ascensão de poderes locais que certamente estavam mais organizados tanto politicamente como militarmente. Talvez alguns fãs de Game of Thrones já conseguiram realizar algumas associações: Na série quando ocorre um certo acontecimento no final da 1ª Temporada, o caos político é desencadeado, o que leva algumas famílias locais a cobiçar o Trono de Ferro e consequentemente o poder central é enfraquecido.

O Primeiro Período Intermediário:

O Antigo Reino, que é aquela época em que foi construída a Grande Pirâmide, tem fim com a fragmentação do poder dos reis no norte do país, onde ficava justamente a sua capital, Memphis. Foi assim que teve início o Primeiro Período Intermediário.

Ele é composto pela 7ª, 8ª, 9ª e 10ª Dinastia, onde Memphis, Herakleopolis e Tebas assumem o poder.

O Segundo Período Intermediário:

No Segundo Período Intermediário novamente a integridade territorial do país e perdida, mas, ao contrário do Primeiro Período Intermediário, aqui temos a presença de estrangeiros tomando o poder. Eles eram os hicsos, que se estabeleceram em Avaris.

Temos a 13ª, 14ª, 15ª, 16ª e 17ª Dinastia, sem contar a Dinastia de Abidos. As principais cidades envolvidas são Aváris e Tebas.

O Terceiro Período Intermediário:

Com o fim do Novo Império temos a chegada do Terceiro Período Intermediário. E mais uma vez vemos a ascensão de diferentes dinastias paralelas que reinam em Tânis, Leontópolis e Sais. Para variar também ocorre a invasão kushita. Estes governos estão espalhados pela 21ª, 22ª, 23ª, 24ª e 25ª Dinastia.

Quer saber mais? Assista ao nosso vídeo:

Fontes:

ASTON, D. A. Third Intermediate Period, overview. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

NAUNTON, Christopher. Libyans and Nubians. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

Objetos perdidos de Tutankhamon são encontrados

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A arqueologia é uma ciência cheia de surpresas, em especial graças aos momentos e lugares inusitados em que podem ocorrer descobertas arqueológicas. E foi isto o que ocorreu há algumas semanas no Museu de Luxor: em seu depósito foi encontrada uma misteriosa caixa e dentro dela estavam partes de um dos artefatos encontrados na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. A tumba deste rei foi descoberta em 1922 praticamente intacta e em seu interior foram encontrados mais de 5.300 objetos.

Foto: Museu de Luxor.

Quem encontrou a caixa foi o diretor de arqueologia e comunicação do museu, Mohamed Atwa. Em um comunicado à imprensa ele relatou o seu susto e a emoção de ter a encontrado:

“É a descoberta mais empolgante da minha carreira. É incrível que depois de todos esses anos ainda temos novas descobertas e novos segredos para este rei dourado, Tutankhamon.”

— Saiba mais: Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Ele ainda explicou que encontrou a caixa enquanto estava separando alguns artefatos pertencentes a Tutankhamon e que seriam enviados para o Grande Museu Egípcio. O qual, espera-se, seja inaugurado ano que vem.

Foto: Museu de Luxor.

Dentre os objetos dentro da caixa estava um mastro de madeira, um conjunto de cordinhas e uma cabeça de madeira em miniatura coberta por folhas de ouro. Veja o vídeo abaixo para conhecer mais sobre este artefato e para entender os motivos que levaram os egípcios antigos a colocar embarcações dentro de tumbas:

Outra curiosidade é que estes objetos estavam embrulhados dentro de um jornal datado do dia 5 de novembro de 1933, um domingo. Porém, o museu deu a caixa como desaparecida desde 1973.

As embarcações eram extremamente importantes para os antigos egípcios, tão importantes que eram representadas em tumbas em forma de maquetes ou pinturas parietais. Até o deus sol Rá utilizava uma embarcação para cruzar o céu. Então confira a imagem colecionável “A Barca Solar de Quéops” da Coleções DelPrado. Comprando através do nosso link o Arqueologia Egípcia ganha uma comissão. Clique aqui para adquirir a sua ou aqui para ver mais colecionáveis.

Fontes:
This Miniature Boat Was Meant for King Tut’s Fishing Trips in the Afterlife
https://www.livescience.com/64922-lost-king-tut-boat-found.html

Encuentran en el Museo de Luxor una caja con objetos perdidos de la tumba de Tutankamón
https://www.abc.es/cultura/abci-encuentran-museo-luxor-caja-objetos-perdidos-tumba-tutankamon-201903071347_noticia_amp.html?__twitter_impression=true

Grande esfinge de faraó é encontrada no Sul do Egito

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Uma missão sueco-egípcia sob a coordenação da Universidade de Lund realizou a descoberta de uma oficina de esculturas de arenito datada do Novo Império. Este sítio arqueológico está localizado nas pedreiras de Gebel El-Silsila, Aswan; onde as escavações revelaram que ela também funcionava como o lar dos trabalhadores das pedreiras (juntamente com suas famílias)[1][2][3].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Dentre os artefatos encontrados no local está uma grande crioesfinge, que em termos simples é uma esfinge com cabeça de carneiro, um dos símbolos do deus Amon, padroeiro da cidade de Tebas. Ela foi esculpida em um bloco de arenito pesando possivelmente 10 toneladas [3] e possui cerca de 3,5 metros de altura, 5 metros de comprimento e 1,5 de largura. Provavelmente é datada do reinado de Amenhotep III (Novo Império). Não se sabe exatamente os motivos para a crioesfinge ter sido abandonada na pedreira. Uma das sugestões é a de que ela acabou sendo quebrada durante o seu transporte, a outra, e a mais provável, é a de que Amenhotep III teria morrido antes dela ter sido concluída e que por isto não existia motivos para finalizá-la[1][2][3].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Na base da estátua, a equipe encontrou uma escultura quebrada de uma cobra uraeus, símbolo da realeza. No local também foi encontrada uma pequena esfinge a qual acredita-se que tenha sido feita por um aprendiz que estava pondo em prática o que estava aprendendo. “Encontrar uma peça de prática em menor escala, esculpida por um aprendiz, juntamente com a esfinge em grande escala, é igualmente excepcional“, diz Maria Nilsson, uma das líderes da missão[1].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Também foram descobertos vários fragmentos de hieróglifos provenientes de um naos (pequeno templo em formato retangular) nominado a Amenhotep III. Assim como restos tanto de uma escultura de um falcão, como de um obelisco [1][2][3].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

A descoberta foi documentada por uma equipe de filmagem da National Geographic e aparece no episódio 5 da série “The Lost Treasures of Egypt”. Imagens da descoberta também serão mostradas no programa “Secrets of Egypt’s Valley of the Kings”, no Canal 4, no Reino Unido, em março [3].

No Egito Antigo a elaboração de grandes esculturas era um trabalho feito em conjunto onde cada pessoa ficava responsável por cada detalhe. Você gostaria de ter uma lembrança disto em sua estante? Então confira a imagem colecionável “Execução de uma escultura real” da Coleções DelPrado. Comprando através do nosso link o Arqueologia Egípcia ganha uma comissão. Clique aqui para adquirir a sua.

Fontes:

[1] New Kingdom workshop discovered in Egypt’s Gebel El-Silsila. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/326232/Heritage/Ancient-Egypt/New-Kingdom-workshop-discovered-in-Egypts-Gebel-El.aspx >. Acesso em 28 de fevereiro de 2019.

[2] Descubierta una esfinge inacabada con cabeza de carnero y otras piezas egipcias. Disponível em < https://www.nationalgeographic.com.es/historia/actualidad/descubierta-esfinge-inacabada-cabeza-carnero-y-otras-piezas-egipcias_13943/1 >. Acesso em 28 de fevereiro de 2019.

[3] Ram-Headed Sphinx Abandoned by King Tut’s Grandfather Found in Egypt. Disponível em < https://www.livescience.com/64870-ram-headed-sphinx-egypt.html >. Acesso em 03 de março de 2019.

Dois artefatos arqueológicos exclusivos são expostos no Museu do Cairo

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Uma máscara mortuária dourada e uma estela pintada são os dois artefatos arqueológicos que agora fazem parte da exposição do Museu Egípcio do Cairo. A máscara outrora pertencia a um homem egípcio que vive na França e que a doou ao museu, onde foi restaurada. A procedência anterior do artefato não foi informada e nem o seu período, mas pela fotografia o que é possível sugerir é que ela é feita em madeira com um revestimento em ouro.

A segunda peça é uma estela funerária. Ela foi descoberta em 1915 pela missão do Museu Metropolitano de Artes na necrópole de Assasif, na margem ocidental de Luxor. Ela é datada do Médio Reino e trás quatro figuras: duas mulheres e dois homens.

A exposição destes dois artefatos faz parte de um projeto do museu em trazer novidades a sua exposição, que está sendo amplamente impactada pela transferência de vários artefatos para o Grande Museu Egípcio (veja o vídeo).

Fonte:
Two exclusive pieces displayed at Egyptian Museum this week. Disponível em < https://ww.egyptindependent.com/two-exclusive-pieces-displayed-at-egyptian-museum-this-week/ >. Acesso em 27 de fevereiro de 2019.