Descobertas em Saqqara: o que sabemos sobre os 100 sarcófagos lacrados?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Sob um sol escaldante no final do ano de 2020, mais especificamente em 14 de novembro, o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito reuniu um pomposo grupo de jornalistas para anunciar aquela que estava sendo definida como a “maior descoberta arqueológica” do ano: o descobrimento em Saqqara de mais de 100 sarcófagos em ótimo estado de conservação… E com o bônus de que ainda estavam lacrados. Essa história eu contei nesse vídeo do Arqueologia pelo Mundo:

Inclusive, durante a conferência de imprensa, a equipe separou uma das múmias encontradas para realizar um exame de raio-x ali mesmo, em frente a todos, para mostrar que na atualidade não existe a necessidade de se exumar (desenfaixar) múmias. Uma clara resposta aos boatos que rondaram a internet naquela época, de que os arqueólogos estavam “perturbando” os mortos. 

Porém, não foram dados muitos detalhes sobre essa descoberta, afinal, aquela conferência de imprensa tinha um outro intuito, que era o de anunciar um documentário que estava sendo produzido para o Smithsonian Channel. Ou seja, basicamente o que foi mostrado na conferência era literalmente um teaser do programa, com direito a um trailer do show rodando ao final da amostra, o que foi, de certa maneira, frustrante. 

Mas, isso meio que acabou explicando o porquê do uso insistente do termo “maior descoberta arqueológica de 2020”. O que pareceu é que isso foi uma tentativa de chamar atenção para o programa.

Não custa nada rememorar que falar que “essa” ou “aquela” descoberta arqueológica é a “maior”, “mais importante”, acaba, por vezes, dando um “valor” não raramente quantitativo para pesquisas de arqueologia (ou seja, quando mais antigo ou quanto mais coisas encontradas, melhor), o que não é legal. 

De qualquer forma, a espera chegou ao fim, já que recentemente saiu no Smithsonian Magazine um artigo dando detalhes do que foi encontrado. Além da estreia da série documental não só nos EUA, como aqui no Brasil, no canal Smithsonian Channel*. 

Confira os principais detalhes desta pesquisa. 

O local da descoberta:

O local onde foi feita a descoberta fica nas proximidades da pirâmide de Djoser, em Saqqara**, famosa não só por sua antiguidade – ela foi construída há mais de 4 mil anos -, mas por ter sido o primeiro edifício em pedra construído na África e possivelmente no restante do mundo, além de ser a primeira pirâmide do Egito. 

E foi não muito longe dela onde no final de 2020 o arqueólogo egípcio Mohammed Youssef adentrou em um poço funerário fechado há mais de 2.000 anos e lá se deparou com a imagem de um deus egípcio, o Ptah- Sokar-Osíris. Para quem não está habituado com os nomes de antigos deuses, Ptah-Sokar- Osíris pode soar como algo estranho, mas essa era uma divindade bastante respeitada durante a antiguidade egípcia. Ele surgiu  de um sincretismo entre os deuses Osíris, Sokar e Ptah e era associado com a criação e a morte.

Restaurador trabalha na estátua do deus Ptah-Sokar-Osiris. Foto: Roger Anis

Mas, esta estátua não estava sozinha lá no poço funerário, nos arredores estavam outras imagens de madeira e máscaras mortuárias douradas. Isso levou os arqueólogos da equipe a achar que tinham se deparado com uma tumba de uma família. Porém, estavam todos enganados. Eles, como perceberam mais tarde, estavam diante de um depósito de múmias: o que foi descoberto nesse poço funerário foram dezenas de ataúdes (o que aqui no Brasil chamamos de “sarcófago”), ainda com corpos dentro, empilhados uns sobre os outros, indo até o teto. Até o chão estava coberto por restos de linho de mumificação e ossos humanos! Outro detalhe curioso é que todos esses ataúdes de madeira estavam sobre quatro grandes sarcófagos de pedra.

Pesquisador analisa um dos ataúdes de madeira encontrados. Foto:Roger Anis
Centenas de ataúdes foram endontrados dentro de um poço funerário. Os arqueólogos ainda não sabem a extenção da descoberta. Foto: Roger Anis

Uma “megatumba”: 

Esse poço funerário, que hoje sabemos que trata-se de uma entrada para câmaras funerárias, recebeu o apelido de “megatumba”, um nome bem apropriado para esses tipos de sepultamentos numerosos que têm sido encontrados nos últimos meses em Saqqara. 

Contudo, esse sepultamento aqui se difere dos demais por conta de um enorme detalhe: o número de ataúdes. Não são 20 ou 50, mas dentro dessa megatumba foram contados mais de 100 caixões e é possível que existam mais.

No final do ano passado, quando ainda não possuíamos muitas informações sobre a descoberta, eu tinha especulado que os arqueólogos poderiam ter encontrado os ataúdes em locais separados (mas ainda estando na área do sítio arqueológico) e somado as descobertas para criar mais impacto na imprensa, mas eu estava enganada.

Após o descobrimento, um laboratório foi montado no local e retiraram o primeiro caixão visível, que estava selado com resina preta. Dentro dele estava um segundo caixão, que possuía uma máscara mortuária folheada a ouro e com os típicos olhos delineados. Já o corpo do caixão é de cor azul, verde e vermelho, com motivos florais e uma representação da deusa céu, Nut, que está com asas estendidas.

E o ataúde também possui hieróglifos, o que deu informações valiosas sobre a pessoa que ainda descansa em seu interior: Trata-se de uma mulher que viveu no início do Período Tardio, entre os séculos VI ou VII, chamada Ta-Gemi-En-Aset.

Seu nome, de acordo com Campbell Price, curador do acervo do Egito Antigo e Sudão do Museu de Manchester (Inglaterra), significa “Aquela que foi encontrada por Ísis”.

Ainda, de acordo com as inscrições, sua mãe era uma cantora e acredita-se que, devido a presença da imagem de um sistro e um chocalho usado em templos, a Ta-Gemi-En-Aset pode ter pertencido a um culto à deusa Ísis.

Outra história do passado também foi revelada por um outro caixão, que dessa vez pertence a um homem. Ele também possuía uma máscara mortuária folheada a ouro, só que aqui o falecido é retratado com uma espessa barba. Seu nome era Psamético, uma possível homenagem aos faraós de nome “Psamético” que reinaram naquele período. 

A princípio se achou que Psamético e Ta-Gemi-En-Aset eram parentes, já que os nomes dos seus pais eram iguais (se chamando Hórus), mas as mães tinham nomes diferentes. É possível que fossem meio-irmãos? Sim, mas quando a equipe de arqueologia pesquisou mais a fundo observou que talvez não fosse esse o caso.

A questão é que o poço funerário levava a uma segunda caverna também cheia de caixões de diferentes tamanhos e estilos, além de entulhos de antigos desmoronamentos. 

Ou seja, essa não era uma tumba familiar, mas um tipo de sepultamento coletivo, algo que não era incomum no Egito Antigo, porém a diferença aqui é que temos uma centena de corpos, algo que não tinha sido visto até então. 

Vários restos humanos esqueletizados foram encontrados no local. Foto: Roger Anis

Mas, porque essas megatumbas existem? E por que estão sendo encontradas justamente em Saqqara?

Durante o Reino Antigo, as elites prezavam por enterros mais privativos, mas, no Período Tardio, 2.000 anos depois, a elite não viu problemas em sepulturas coletivas e lotadas. Isso se deu possivelmente por conta de mudanças políticas ocorridas em meados de 1000 a.E.C, quando o governo dos reis enfrentavam instabilidades durante o que chamamos de Terceiro Período Intermediário. Porém, quando Psamético I assumiu o trono e estabeleceu a ordem, a prática dos sepultamentos coletivos permaneceu. A essa altura não era mais uma necessidade econômica, era algo cultural. 

Por outro lado, isso criou um “negócio dos mortos”, toda uma lucrativa operação comercial, resultando em um mercado de enterros onde a hierarquia estava definindo quão próximo das pirâmides de Saqqara o indivíduo teria direito de estar por toda a eternidade. Já os mais pobres eram relegados à solidão do deserto, enterrados diretamente na areia. Entretanto, aqueles que estavam no meio termo, entre a elite e os desafortunados, tinham como opção os poços funerários compartilhados. Esta era a possibilidade para quem tinha recursos, mas não o bastante para um sepultamento privado próximo de alguma pirâmide.

Por outro lado, isso era algo muito vantajoso para os agentes funerários da época, os sacerdotes encarregados dos enterros, já que não precisavam cavar mais e mais poços funerários, colocando neles o máximo de caixões que pudessem, podendo sempre amontoar os falecidos uns sobre os outros.

Olhando sob a terra:

Atualmente os arqueólogos têm utilizado na área técnicas de geofísica, sonares de varredura lateral, para ver se é possível localizar mais sepulturas sob o solo. Mas, o que foi encontrado superou as expectativas: o arqueólogo Campbell Price identificou restos de vários templos ao longo da rota processional para o Serapeum (necrópole animal dedicada ao Boi Ápis) de Saqqara. Porém, essa técnica ainda não possibilita ler nomes em artefatos ou paredes enterradas, por isso que escavações arqueológicas têm sido realizadas. Até porque os pesquisadores querem entender o lado “social”dos antigos enterros: quem eram aquelas pessoas? Por que foram enterradas lá? Quais suas crenças? Que tipo de gente trabalhava nos templos? Qual era a dinâmica social?

São muitas as perguntas, mas, ao menos uma coisa os pesquisadores já sabem: que esses cemitérios não eram lugares silenciosos e sinistros, mas centros econômicos vibrantes, onde o caminho para a eternidade estava disponível, ao menos dependendo do quanto você pudesse pagar.

Fonte:

Inside the tombs of Saqqara. Disponível em < https://www.smithsonianmag.com/history/inside-tombs-saqqara-180977932/https://www.smithsonianmag.com/history/inside-tombs-saqqara-180977932/ >. Acesso em 16 de julho de 2021. 

Dicas de leitura:

“Arqueologia”, de Pedro Paulo Funari: https://amzn.to/3yoAE3N

“História do Egito Antigo”, de Nicolas Grimal: https://amzn.to/3frWcW1

“Egito Antigo”, de Sophie Desplancques: https://amzn.to/2Vq8yXm 

*Todos os detalhes dessa descoberta foram mostradas no documentário “Tomb Hunters”, uma série com quatro capítulos do Smithsonian Channel.

** Foi em Saqqara onde em 2018 a tumba de um sacerdote egípcio chamado Wahtye foi descoberta. Ele, inclusive, virou “figura principal” do documentário “Os Segredos de Saqqara” da Netflix (2020).

Múmia egípcia de 2,5 mil anos chama atenção de cientistas no Brasil

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A identificação de uma cabeça de uma múmia egípcia no Brasil em 2017 chamou a atenção de pesquisadores. Apelidada de a “Múmia de Cerro Largo” (ou Ireti-Neferet, como os responsáveis pela pesquisa decidiram nomeá-la), esta cabeça permaneceu anônima no museu Centro Cultural 25 de Julho em Cerro Largo, no Rio Grande do Sul. Entretanto, ela foi notada pelo historiador Édison Hüttner, que conseguiu permissão para estudá-la na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Foto: Bruno Todeschini

Durante um ano ela passou por diferentes tipos de pesquisas, uma delas foi uma análise por radiocarbono feita nos Estados Unidos (no laboratório Beta Analytic). Ela também passou por uma tomografia computadorizada no Instituto do Cérebro da PUCRS. Já a parte da arqueologia ficou por conta do arqueólogo Moacir Elias Santos.

Graças as análises, foi possível descobrir que o crânio pertence a uma mulher que morreu com cerca de 40 anos e que viveu no Egito entre 768 a 476 a.E.C, época situada entre o final do Terceiro Período Intermediário e o início do Período Tardio. 

Também sabe-se que ela não teve uma mumificação de qualidade — ao menos levando em consideração o padrão egípcio — já que não ocorreu a conservação total dos tecidos moles e não foram encontrados resquícios de resina dentro da caixa craniana. 

Outro detalhe importante é que foi descoberto que ela possuía uma incrustação feita em pedra no lugar de um dos olhos, assim como chumaços de linho preenchendo a área dos glóbulos oculares. 

Um rosto milenar

E as pesquisas continuam a avançar: em 2019 o crânio recebeu uma reconstituição facial realizada pelo artista forense Cícero Moraes — responsável também pela reconstituição da face da múmia Thotmea —. 

Reconstituição facial da “Múmia de Cerro Largo”

O resultado foi então apresentado para o público em agosto de 2019, durante o evento “Achados sobre a múmia Ireti-Neferet”, no auditório Ir. José Otão do Hospital São Lucas da PUCRS. E espera-se que em breve uma cópia da reconstituição seja feita e posta em exposição. 

Tem curiosidade em saber como esta múmia veio parar no Brasil? Assista o vídeo abaixo:

Múmias raras de leões são encontradas em cemitério do Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Os egípcios cuidaram, veneraram e mumificaram uma série de diferentes animais. Nesta lista podemos incluir gatos, cães, aves, crocodilos e até escaravelhos. Os motivos eram variados indo desde estima, para servirem de alimentos no além e veneração, afinal, uma variedade de bichinhos eram vistos como mensageiros das divindades ou era uma divindade propriamente dita.

No Egito Antigo os leões representavam a realeza e a força.

Entretanto, apesar de existir uma gama tão extensa de animais que foram mumificados, alguns são mais raros que outros. Um deles é o escaravelho, o inseto mais sagrado para os egípcios antigos. Eles encarnavam o deus Khepri, uma importante divindade solar, e até mesmo compunham nomes de alguns faraós. Mas as suas múmias são extremamente escarças. Por isto foi quase um milagre a descoberta de alguns espécimes mumificados encontrados dentro de um pequeno sarcófago de calcário em 2018.

Outros tipos de múmias de animais raríssimos são as de leões. Bom, estes animais pareciam ter uma posição bastante privilegiada em relação aos símbolos e simbolismos da tradição egípcia antiga, uma vez que eram uma das representações da realeza. Mas, não era só isto! Simbolizavam também a força. É tanto que era uma das caracterizações do deus Mahes, assim como da deusa Sekhmet, uma das divindades mais importantes do panteão egípcio. Eles também integravam partes de animais míticos, tais como as esfinges que usualmente tinham um corpo de leão com a cabeça de um humano ou de um carneiro. Parte de leões formavam igualmente o corpo de Ammut, “A Devoradora” que comia os falecidos que não passassem no teste da pesagem do coração.

Sekhmet, uma deusa com cabeça de leoa, era um símbolo de destruição, mas também de saúde.

Os leões não estavam somente na mitologia, mas também compunham partes de mobiliários, artigos de guerras, etc. Eles estavam literalmente em todo lugar, embora no Egito atual não sejam nem vistos e há alguns anos somente dois corpos remanescentes do Egito Antigo tenham sido encontrados[1]… Até agora.

Ontem foi anunciada oficialmente a notícia de que alguns leões mumificados foram descobertos em uma tumba em Saqqara, na necrópole de Bubasteion. “É a primeira vez que uma múmia completa de um leão ou filhote de leão é encontrada no Egito”, disse o Ministro das Antiguidades em uma coletiva para imprensa [2][3].

Não se sabe ainda se estas são as citadas múmias de leões anunciadas na coletiva de imprensa. Foto: Ministério das Antiguidades.

Bubasteion foi por um período capital do Egito durante a antiguidade e dentre os egípcios era chamada de Per-Bastet, “casa de Bastet” ou “pertencente à Bastet”. Lá se consolidou um forte culto a deusa gata Bastet e consequentemente a cidade ganhou uma necrópole dedicada aos bichanos.

Ainda não se sabe quantos leões foram encontrados, afinal, as múmias ainda estão sob análise, mas o que foi liberado é que foram encontradas múmias de grandes felídeos e que existe 95% de certeza de que dois deles são leões. Esses animais têm cerca de 1 metro de comprimento, o que poderia indicar que ainda não eram adultos quando morreram, talvez até tendo entre oito meses de idade[2][3].

Pesquisador mostra, através de seu celular, fotografia da tomografia de um dos leões.

Foi a Salima Ikram, arqueóloga da Universidade Americana do Cairo, quem realizou a tomografia computadorizada nestas duas múmias e confirmou tratarem-se de leões. Ela disse para a National Geographic que o significado da descoberta é “extremamente importante”, pois dará aos pesquisadores novas ideias sobre como os leões foram capturados no Egito antigo e se foram criados ou comercializados [3].

Outras descobertas na área:

Outras três múmias pertencentes a gatos grandes (a espécie exata ainda não está clara) foram encontradas perto dos dois leões. Elas podem pertencer a leopardos, guepardos ou outras formas de felinos. Isso só o tempo — e naturalmente pesquisas em arqueologia — poderá nos dizer.

Múmias de gatos que foram também encontradas no local. Foto: Ministério das Antiguidades.
Múmia de gato. Foto: Ministério das Antiguidades.

Também foram encontrados no local cerca de 200 artefatos arqueológicos, incluindo múmias. São alguns deles:

☥ 75 estátuas de gatos;

☥ 25 caixas de madeira com gatos mumificados dentro;

☥ Várias estátuas de madeira representando diferentes tipos de animais e divindades;

☥ Um grande escaravelho de pedra;

☥ 2 pequenos escaravelhos de madeira e arenito;

☥ 3 estátuas de crocodilos dentro das quais foram encontrados restos de múmias de pequenos crocodilos;

☥ 73 estatuetas de bronze representando o deus Osíris;

☥ 6 estátuas de madeira do deus Ptah-Sokar;

☥ 11 estátuas de madeira e faiança da deusa leoa Sekhmet;

☥ Uma estátua da deusa Neith.

Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.

Também foi descoberto um relevo com o nome de rei Psamético I, além de uma coleção de estátuas de cobras, amuletos de faiança de diferentes formas e tamanhos, máscaras mortuárias de madeira e argila e uma coleção de papiros decorados com desenhos mostrando a deusa Tawert.

Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.
Foto: Ministério das Antiguidades.

Achou que esta descoberta foi incrível? Pois bem, o ministro das antiguidades do Egito prometeu durante a coletiva de imprensa que o anúncio de hoje não foi a última descoberta do ano. Nas próximas semanas, no mês de dezembro, haverá outro anúncio e ele promete que será algo incrível. Basicamente será um presente para as comemorações do Natal.


[1] Um deles é datado da Dinastia 0 e o outro é datado do Período Helenístico e foi encontrado em Saqqara em 2001.

Fonte:

[2] Two Lion Cub Mummies Discovered in Egypt for the First Time

https://www.livescience.com/lion-cub-mummies-saqqara-egypt.html

[3] Very rare lion mummies discovered in Egypt. Disponível em < https://www.nationalgeographic.com/history/2019/11/rare-lion-mummy-discovered-Egypt/ >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

In Photos: Cat statues, mummies among large collection unearthed in Saqqara’s animals necropolis. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/356444.asp >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

Details of New Archaeological Discovery in Saqqara (Photos). Disponível em < https://see.news/details-of-new-archaeological-discovery-in-saqqara-photos/?fbclid=IwAR3prCi4q0wkJKtQmoyKl1nHz3bHdB5zm5d2ZD7p8XAlk3I04SBsIuqUJbE >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

Dezenas de sarcófagos foram encontrados selados no Egito

Saiba tudo sobre o esconderijo de sarcófagos recém-encontrado

Em outubro a internet foi bombardeada com a descoberta de um aglomerado de 30 sarcófagos na vila de Al-Assasif, próxima da cidade de Luxor. Eles foram encontrados por uma missão de arqueologia do Ministério das Antiguidades do Egito. Todos estão em um ótimo estado de conservação, mantendo ainda suas cores e inscrições e o mais interessante: estavam lacrados, o que traz a possibilidade de que todos ainda possuam múmias. [1][2][3]

A necrópole de Assasif é um local de enterro conhecido, do qual os túmulos e caixões descobertos datam do Novo Reino e, especialmente, do Período Tardio [2][3]. Contudo, no caso desta descoberta, provavelmente estaremos falando do Terceiro Período Intermediário [4].

O Terceiro Período Intermediário foi um intervalo histórico em que vemos a ascensão de diferentes famílias dinásticas reinando ao mesmo tempo. Uma delas é a 22ª Dinastia, que era composta por líbios, estrangeiros que assumiram a cidade de Tânis como capital. A outra é a 23ª Dinastia, também de líbios, que assumem a cidade de Leontópolis e a 24ª Dinastia, também de líbios, na cidade de Sais. E Finalmente a 25ª Dinastia, época em que o Egito é governado pelos Núbios. Se quiser saber mais sobre os Períodos Intermediários, você poderá fazê-lo através do vídeo abaixo:

O anúncio oficial da descoberta foi feito no dia 19 de outubro (2019) em uma grande tenda montada pelo Ministério das Antiguidades em frente ao templo da faraó Hatshepsut. Com um púlpito no centro, bem em frente a um amplo corredor ladeado por todos os caixões ainda fechados, a imprensa aguardou. Além dos jornalistas e blogueiros estavam presentes pesquisadores e os demais funcionários do Ministério. A promessa era que além de liberar mais informações sobre a descoberta, eles abririam dois dos sarcófagos.

Os ataúdes estavam sobre mesas baixas cobertas por tecidos brancos, dentro de uma área protegida por fitas de isolamento que só estavam lá de forma ilustrativa. Afinal, assim que o ministro das antiguidades e Zahi Hawass (famoso arqueólogo que além de dezenas de livros publicados, fez centenas de descobertas arqueológicas pelo país) chegaram, alguns membros da imprensa puderam transpassa-la. O que mais tarde gerou uma cena um tanto embaraçosa de vários cinegrafistas se acotovelando para poder pegar uma boa imagem dos invólucros das múmias que tinham acabado de ser revelados.

Com o início da coletiva de imprensa, eles fizeram um resumo sobre as pesquisas da equipe e explicaram que dos 30 sarcófagos, 23 são de homens, 5 de mulheres e 2 de crianças. Todos, como já apontado, lacrados. Eles foram enterrados um metro abaixo da areia, um sobre o outro e dispostos em duas fileiras. Agora, o conjunto está sendo chamado de “Esconderijo* de Assasif” (“Assasif Cachette”).

Ele é o primeiro esconderijo de caixões a ser descoberto por uma missão egípcia, depois de séculos de escavações arqueológicas lideradas por estrangeiros. Com o bônus de ser o único até o momento no século 21. O que torna a escolha da coletiva de imprensa ter ocorrido em frente ao templo da rainha Hatshepsut ainda mais emblemática. Já que o mais famoso esconderijo de múmias, a TT320, foi descoberto nas proximidades em 1871 por ladrões de tumbas. Foi na TT320 onde foram descobertas as múmias de alguns dos faraós mais famosos tais como Seti I, Ramsés II, Ramsés III, Seqenenre Tao II e Tutmés III. Sem contar a rainha Ahmés-Nefertari e a divina adoradora de Amon, a Maatkare.

O destino dos ataúdes será o Grande Museu Egípcio (que terá sua abertura oficial no final de 2020), onde serão cuidados e possivelmente postos em exposição.

Perguntas que não querem calar!

Estas são algumas das dúvidas enviadas por nossos seguidores através do meu Instagram (clique aqui para seguir):

Foram encontrados artefatos arqueologicos juntos?

As múmias não foram exumadas (e torceremos para que isto não seja necessário). Contudo, se elas passarem por um exame de tomografia certamente encontrarão indícios de amuletos de proteção e adereços tais como bijuterias ou joias.

Eram da mesma família?

Não se sabe. Entretanto, olhando a descoberta artificialmente, este parece ser o caso. Esperaremos informações futuras.

Por que foram encontrados tantos no mesmo lugar?

Não sabemos. Se olharmos exemplos de outros esconderijos poderíamos falar que se trata de um enterro para proteger os corpos após algum roubo… Ou, poderíamos falar que é era um enterro familiar e de gerações. São questões que só poderão ser respondidas no futuro, após pesquisas de arqueologia mais aprofundadas.

Quem são estas pessoas?

Já foi apontado que se tratam de sacerdotes, mas vamos esperar mais informações.

Por que estão preservados?

O solo do Egito é propício para a conservação de materiais orgânicos tais como restos humanos e madeira. Sem contar que aparentemente estas pessoas foram sepultadas com sarcófagos de ótima qualidade.

É um esconderijo clandestino?

Não sabemos ainda.

Quão frequente é este tipo de descoberta?

É raríssima! Como apontei no texto é a única no século 21! E só para vocês terem uma ideia, as últimas do tipo ocorreram somente durante o século 19!

Fonte:

[1] Antiquities Releases Images of Colored Coffins Found at Luxor. Disponível em < https://see.news/antiquities-ministry-releases-images-of-colored-coffins-found-at-luxor/ >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[2] Egypt archaeologists find 20 ancient coffins near Luxor. Disponível em < https://www.bbc.com/news/world-middle-east-50068575 >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[3] 20 Intact Coffins Unearthed in Asasif Necropolis. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2019/10/17/20-intact-coffins-unearthed-in-asasif-necropolis/ >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[4] Archaeologists unearth 20 preserved wooden coffins Egypt. Disponível em < https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-7577157/Archaeologists-unearth-20-preserved-wooden-coffins-Egypt.html >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

Egypt unveils discovery of 30 ancient coffins with mummies inside. Disponível em < https://edition.cnn.com/2019/10/19/middleeast/egypt-discovers-coffins-mummies-trnd/index.html >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

Archaeologists discover 30 ancient coffins in Luxor. Disponível em <  https://www.theguardian.com/world/2019/oct/19/archaeologists-discover-30-ancient-coffins-with-mummies-in-luxor >. Acesso em 10 de novembro de 2019.

30 Perfectly Preserved Coffins Holding Ancient Egyptian Priest Mummies Discovered. Disponível em < https://www.livescience.com/cachette-of-priests-egypt-mummies-discovered.html >. Acesso em 10 de novembro de 2019.


*Tomei a liberdade de traduzir desta forma para padronizar com os outros esconderijos que já foram encontrados.

Múmias são encontradas em Aeroporto do Cairo (Egito)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Há algumas semanas, no Aeroporto Internacional do Cairo (Egito), foram encontrados dentro de caixas de alto-falantes fragmentos de múmias egípcias. A descoberta foi feita quando os objetos estavam passando pela varredura de raio-x. Até aquele momento a equipe de segurança não sabia do que se tratavam, por isto que eles foram enviados para a unidade de arqueologia do aeroporto. Foi então quando os pedaços foram identificados como restos humanos datados da era dos faraós. O destino do contrabando era a cidade de Bruxelas, na Bélgica.

A equipe de arqueologia também salientou que as partes, em verdade, eram advindas de dois corpos e estavam em frangalhos porque foram quebrados propositalmente para caber dentro das caixas. Eles identificaram: dois pés, duas pernas, a parte inferior de uma mão esquerda, um braço e parte do tronco. Todos eles estão agora em um laboratório do Museu Egípcio para serem estudados e restaurados.

O tráfico de artefatos arqueológicos não é incomum e no Egito isto é quase uma epidemia. De acordo com as autoridades, são barradas anualmente a saída de cerca de 2000 a 3000 artefatos.

Fotos: divulgação.

Fontes:

Los restos de dos momias faraónicas, recuperados de unos altavoces en el aeropuerto de El Cairo. Disponível em < https://www.elmundo.es/cultura/2019/02/27/5c759954fdddffa4208b468d.html >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Mummy body parts discovered in passenger’s luggage at Cairo airport. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/326115/Heritage/Ancient-Egypt/Mummy-body-parts-discovered-in-passengers-luggage-.aspx >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Múmias intactas de cantora de Amon e sacerdote são encontradas em sala selada

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma equipe composta por arqueólogos egípcios encontrou um túmulo com cerca de 3.000 anos contendo vários ataúdes intactos em Luxor, Egito. As pesquisas arqueológicas na área tinham ocorrido entre março e maio (2018) e retomado em agosto (2018) até o momento.

Foto: Luxor Times

Durante os trabalhos de escavações mais de 300 metros cúbicos de detritos foram retirados. Dentre as descobertas estão representações da rainha “Ahmos-Nefertari” e seu filho “Amenhotep I”, que governaram durante do Primeiro Período Intermediário.

Foto: Luxor Times

Em uma conferência de imprensa, o Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Dr. Mostafa Waziri, revelou qual era o nome do dono da sepultura: era um homem chamado “Shu En Khet.ef” que significa “Vento Norte nas suas costas”, que era um “Escriba da capela de mumificação no templo Mut”.

Foto: Luxor Times

No local foram encontrados 1000 ushabtis, máscaras mortuárias de madeira, estatuetas de faiança e papiros contendo parte do capítulo 125 do Livro dos Mortos. E em uma sala lateral selada com tijolos de barro foram encontrados dois caixões de madeira cobertos com flores. Ambos os caixões são datados da 25ª ou 26ª dinastias, que estão situadas no final do Novo Império, centenas de anos após o fim do Primeiro Período Intermediário. Ambos os ataúdes não são do dono da tumba e sim de um sumo sacerdote de Amon chamado “Padiese” e de uma mulher que era cantora de Amon.

Foto: Luxor Times

Fonte:

Breaking News: 3000-year Tomb Contains Intact Coffins discovered in Luxor. Disponível em <https://luxortimesmagazine.blogspot.com/2018/11/breaking-news-3000-year-tomb-contains.html >. Acesso em 24 de novembro de 2018.

 

Descoberta rara de várias múmias de escaravelhos chama atenção de arqueólogos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último sábado (10/11/18) arqueólogos divulgaram a descoberta de um conjunto de escaravelhos mumificados, algo que é extremamente raro. Os besouros estavam entre os artefatos encontrados em sete tumbas descobertas nos últimos seis meses, à beira do complexo da pirâmide do rei Userkaf (Antigo Reino), na antiga necrópole de Saqqara, onde se encontrava a primeira capital do Egito: Memphis.

Foto: REUTERS / Mohamed Abd El Ghany

Dentro de um sarcófago de calcário com uma tampa abobadada e decorada estavam dois grandes escaravelhos envoltos em linho. Assim como dentro de um sarcófago pequeno estava uma coleção de múmias de escaravelhos menores. De acordo com a antiga religião egípcia, os escaravelhos eram a representação do deus Khepri, uma das formas do deus Sol.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

Os antigos egípcios mumificavam os humanos para preservar seus corpos para a vida após a morte, enquanto múmias de animais eram feitas para um dos três propósitos a seguir: servir como alimento no além, fazer companhia para seus donos ou como oferendas religiosas. Os escaravelhos, nesta situação, poderiam servir como este último.

 

Uma possível tumba intacta:

Enquanto preparavam o local para apresentar estas recentes descobertas, a equipe de arqueologia acabou encontrando a porta de mais um túmulo, que por sua vez ainda está lacrada. Esta sepultura data da 5º Dinastia (Antigo Reino), dinastia seguinte a construção da Grande Pirâmide e da Grande Esfinge. Os pesquisadores planejam abrir o sepulcro nas próximas semanas.

 

Fonte:

Ancient Egyptian tombs yield rare find of mummified scarab beetles. < https://www.reuters.com/article/us-egypt-archaeology-discovery/ancient-egyptian-tombs-yield-rare-find-of-mummified-scarab-beetles-idUSKCN1NF0KY >. Acesso em 10 de novembro de 2018.

A descoberta de duas múmias que impressionaram os cientistas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A mumificação egípcia é uma técnica que foi inventada em algum momento entre a transição do Pré-dinástico (época anterior a unificação do Egito) e se aperfeiçoou ao longo do Período Faraônico. Antes disso o que existia na região eram esporádicas múmias naturais, ou seja, um tipo de múmia que não contou com a intervenção humana, existente graças ao ambiente propicio. Saiba mais sobre o assunto através do vídeo abaixo:

E é graças à mumificação que conhecemos alguns detalhes interessantes da vida e da cultura egípcia tais como alimentação, saúde e modificações corporais a exemplo de perfurações nas orelhas e tatuagens. Sim, durante a Antiguidade egípcia existiam tatuagens e este foi um assunto já abordado no nosso canal, no vídeo “Tatuagens no Egito Antigo”.

Como comento no vídeo em questão, algumas múmias com tatuagens foram encontradas no Egito, mas elas são espécimes raros. Contudo, para a nossa boa sorte ocorreu mais uma descoberta recente que envolve não só uma, mas duas múmias tatuadas, ambas datadas do Pré-dinástico e mumificadas naturalmente. Tatuagens, até então eram encontrados em múmias mais novas. Isso muda muitas coisas sobre como os arqueólogos entendiam a cultura em termos de modificação corporal das pessoas que viveram naquela época.

A descoberta dessas múmias em si, que estão no Museu Britânico, Londres, ocorreu há cerca de 100 anos em Gebelein, mas, descobrir que elas possuem tatuagens é um acontecimento recente. Isso ocorreu quando uma equipe de cientistas usou scanners de infravermelho nos corpos e fez o achado. Os resultados de suas pesquisas foram publicados na revista de arqueologia Journal of Archaeological Science.

“Estamos aprendendo aspectos que não sabíamos sobre a vida dessas pessoas (cujas múmias) sobreviveram bastante bem, parece incrível, mas mostra que as tatuagens na África apareceram mil anos antes do que pensávamos”, disse Daniel Antoine, um dos principais autores do trabalho e curador de Antropologia Física no Museu Britânico à BBC.

A outra grande surpresa não foi somente a idade, mas o fato de uma das múmias ser de um homem. Até então somente corpos mumificados de mulheres foram encontrados, o que se levou a pensar que se tratava de uma prática exclusivamente feminina.

Em um dos braços do homem, apelidado de “Gebelein Man A” (“Homem Gebelein A”), foram encontradas figuras sobrepostas de dois animais. Um parece ser um touro selvagem (Bos primigenius) e o outro um carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia). Sobre ele uma descoberta anterior – e mais chocante – tinha sido feita: ele morreu quando tinha entre 18 e 21 anos de idade com uma facada nas costas.

Foto: Museu Britânico

Já a mulher, apelidada de “Gebelein Woman” (Mulher Gebelein), possui quatro marcas paralelas no ombro esquerdo que lembram a letra “S”. Ela tem uma outra tatuagem, mas não está claro o que pode se tratar, se seria um bastão curvo que possivelmente simboliza o poder ou um bastão cerimonial utilizado em danças rituais. De qualquer forma, ambos os símbolos tatuados na mulher já foram vistos em cerâmicas do mesmo período:

Foto: Museu Britânico

Cerâmica Pré-dinástica. Foto: Museu Britânico

Como eram feitas as tatuagens:

Como explico no vídeo “Tatuagens no Egito Antigo”, as tatuagens eram feitas através da injeção subcutânea de um pigmento escuro, indo do preto para azulado, feito de fuligem e óleo. Elas seriam feitas com um instrumento perfurante como pontas de bronze ou espinha de peixe. Coincidentemente, pesquisadores também descobriram um antigo kit de ferramentas que data do Pré-dinástico em Gebelein. Ele foi encontrado na sepultura de uma mulher que possuía entre 40 e 50 anos de idade quando tinha morrido.

O kit inclui uma paleta em forma de pássaro provavelmente usada para moer minérios, acompanhada de pedras arredondadas. Agulhas de ossos também estavam inclusas.

Fontes:

El sorprendente hallazgo en dos momias egipcias de hace 5.000 años que revoluciona lo que los científicos sabían sobre el Antiguo Egipto. Disponível em < https://www.msn.com/es-xl/noticias/mundo/el-sorprendente-hallazgo-en-dos-momias-egipcias-de-hace-5000-a%C3%B1os-que-revoluciona-lo-que-los-cient%C3%ADficos-sab%C3%ADan-sobre-el-antiguo-egipto/ar-BBJKWlS?q=14 >. Acesso em 03 de março de 2018.

Oldest Tattooed Woman Is an Egyptian Mummy. Disponível em < https://www.livescience.com/61916-oldest-tattoos-egyptian-mummies.html >. Acesso em 03 de março de 2018.