Cidades brasileiras receberão exposição sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde 12 de outubro (2019) o Egito Antigo voltou a fazer parte do cotidiano dos cariocas. Isto está ocorrendo graças a exposição “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade” que está exibindo 140 peças advindas do Museu Egípcio de Turim, Itália. Dentre os artefatos inclusos estão papiros, amuletos, esculturas e até mesmo reconstruções em 3D de alguns monumentos. Ela está ocorrendo no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro e a entrada é franca.

A mostra comemora os 30 anos do CCBB-RJ e passará ainda por São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Ela foi dividida entre vida cotidiana, religião e eternidade e possui espaços para brincadeiras e fotografias.

Informações gerais:

De 12 de outubro a 27 de janeiro

CCBB Rio de Janeiro, Rua Primeiro de Março, 66, Centro

Datas paras as outras cidades:

CCBB São Paulo: 19/02/2020 a 11/05/2020

CCBB Distrito Federal: 02/06/2020 a 30/08/2020

CCBB Belo Horizonte: 16/09/2020 a 23/11/2020

Site oficial da exposição: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/egito-antigo-do-cotidiano-a-eternidade/

Entrevista com Zahi Hawass: múmia de Tutankhamon passará por uma nova tomografia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês passado (setembro/2019), entrevistei o maior nome da arqueologia egípcia da contemporaneidade: o professor Zahi Hawass. Ele ficou famoso por ter recebido plena atenção da mídia para a importância da devolução de artefatos arqueológicos — que estavam em museus e coleções particulares estrangeiras — para o seu país original.

Contudo, o Hawass não desejava repatriar todas as peças retiradas do Egito, somente aquelas que saíram do país após a década de 1970 e aquelas que possuem algum significado especial para a história da arqueologia egípcia, tais como a Pedra de Roseta ou o busto da Rainha Nefertiti.

Outro detalhe importante sobre o Hawass é que ele já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades do Egito.

Porém, sua carreira é destacada também por uma série de polêmicas, uma delas foi seu reality show para a History Channel, “Chasing Mummies”, que aqui no Brasil recebeu o título “Caçador de Múmias”. Ela foi amplamente criticada tanto por arqueólogos, como pelo público. Outra grande polêmica foi sua linha de roupas, cujas fotografias foram tiradas ao lado de artefatos egípcios. A questão é que alguns egiptólogos acusavam o Hawass de usar sua posição para furar a fila na burocracia para tirar fotos dos referidos artefatos, fotos estas que eram para fins comerciais e não acadêmicos.

E ainda temos a chegada da Primavera Árabe no Egito, situação em que o Museu Egípcio do Cairo foi invadido na calada da noite. Na época o Hawass negou tal ocorrido e neste meio tempo foi declarado Ministro das Antiguidades — cargo este que foi criado às pressas para tentar aplacar a ira do público —, contudo, ele não ficou muito tempo nesta posição, já que com a queda do até então presidente Hosni Mubarak, Hawass foi exonerado.

E agora ele veio para o Brasil para dar uma palestra sobre o faraó Tutankhamon e prestigiar a abertura do museu Rei Menino de Ouro: Tutankhamon. Entretanto, antes da abertura deste museu ele disponibilizou uma coletiva de imprensa e o site Arqueologia Egípcia estava presente. Confira abaixo e saiba sobre as novidades que ele trouxe para nós, dentre elas, sobre Tutankhamon:

A ida do AE para a coletiva só foi possível graças as pessoas que participaram de nossa campanha online e ajudaram a pagar as principais despesas da viagem. Então, fica aqui registrado meu agradecimento.

Descubra o que o Egito Antigo e Game of Thrones têm em comum

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Game of Thrones trata-se de uma série produzida pelo canal HBO e que é uma adaptação para TV de uma franquia de livros intitulados “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Seu enredo está envolto de várias questões e uma delas é que está ocorrendo uma guerra civil dinástica entre várias famílias poderosas, que estão lutando pelo controle dos Sete Reinos ou de ao menos uma parte dele.

Entretanto, o que tem a ver Game of Thrones com o Egito Antigo? Pois bem, e se eu disser para vocês que no Egito ocorreu algo parecido — guerras civis dinásticas — não uma, mas três vezes? Isso se passou durante os chamados “Períodos Intermediários”.

A história da época dos faraós é dividida por nós acadêmicos em grandes conjuntos de períodos dinásticos:  Período Tinita, Antigo Reino, Primeiro Período Intermediário, Médio Reino, Segundo Período Intermediário, Novo Império, Terceiro Período Intermediário, Baixa Época e Período Grego.

E cada um destes grandes períodos eram divididos em várias dinastias, que por sua vez são separadas pelos egiptólogos por famílias ou associações políticas. A estrutura básica destas dinastias foi sugerida pela primeira vez por um estudioso chamado Manetho. Ele era um sacerdote nascido no Egito no século III antes da Era Cristã. A lista dele é complementada e corrigida até hoje pelos egiptólogos.

E esses citados “períodos intermediários” aconteceram três vezes na história do país graças ao enfraquecimento do poder central — causado por diversos motivos indo desde grande corrupção, desentendimentos dentro da família real e crises econômicas —.

Durante os “Períodos Intermediários” a soberania territorial dos faraós foi fragmentada.

Então, este enfraquecimento favoreceu a ascensão de poderes locais que certamente estavam mais organizados tanto politicamente como militarmente. Talvez alguns fãs de Game of Thrones já conseguiram realizar algumas associações: Na série quando ocorre um certo acontecimento no final da 1ª Temporada, o caos político é desencadeado, o que leva algumas famílias locais a cobiçar o Trono de Ferro e consequentemente o poder central é enfraquecido.

O Primeiro Período Intermediário:

O Antigo Reino, que é aquela época em que foi construída a Grande Pirâmide, tem fim com a fragmentação do poder dos reis no norte do país, onde ficava justamente a sua capital, Memphis. Foi assim que teve início o Primeiro Período Intermediário.

Ele é composto pela 7ª, 8ª, 9ª e 10ª Dinastia, onde Memphis, Herakleopolis e Tebas assumem o poder.

O Segundo Período Intermediário:

No Segundo Período Intermediário novamente a integridade territorial do país e perdida, mas, ao contrário do Primeiro Período Intermediário, aqui temos a presença de estrangeiros tomando o poder. Eles eram os hicsos, que se estabeleceram em Avaris.

Temos a 13ª, 14ª, 15ª, 16ª e 17ª Dinastia, sem contar a Dinastia de Abidos. As principais cidades envolvidas são Aváris e Tebas.

O Terceiro Período Intermediário:

Com o fim do Novo Império temos a chegada do Terceiro Período Intermediário. E mais uma vez vemos a ascensão de diferentes dinastias paralelas que reinam em Tânis, Leontópolis e Sais. Para variar também ocorre a invasão kushita. Estes governos estão espalhados pela 21ª, 22ª, 23ª, 24ª e 25ª Dinastia.

Quer saber mais? Assista ao nosso vídeo:

Fontes:

ASTON, D. A. Third Intermediate Period, overview. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

NAUNTON, Christopher. Libyans and Nubians. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

Descubra como eram feitas as múmias egípcias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Certamente as múmias são um dos elementos mais reconhecíveis da cultura da Era dos Faraós. Elas são tão queridas e instigantes que acabaram se tornando o tema de muitos documentários. Além de muito presentes na cultura popular: nós as vemos em filmes, séries, literatura, histórias em quadrinhos, games, brinquedos e revistas.

E não é difícil encontrá-las em alguns museus de antiguidades. Até no nosso Brasil possuíamos algumas. A maioria estava no Museu Nacional e foram destruídas no incêndio ocorrido no dia 2 de setembro de 2018. Incêndio este que arrasou todo o interior do edifício. E em Curitiba, no Museu Egípcio e Rosacruz, possuímos uma cabeça feminina que foi apelidada pelos pesquisadores como Thotmea.

Mas, como é que eram feitas as múmias egípcias? Quais ingredientes eram utilizados? E por que os egípcios passaram a mumificar? Estas e outras perguntas são respondidas neste vídeo exclusivo produzido pelo Arqueologia Egípcia:

As múmias egípcias significam várias coisas. Desde um dos passos necessários do morto para alcançar a eternidade a um vínculo do falecido com o mundo dos vivos. Porém, a mumificação foi muito além.

O aperfeiçoamento da sua prática acabou possibilitando notáveis avanços na medicina nos tempos dos faraós. Já que o conhecimento do corpo tornou possível que os médicos egípcios pudessem ter uma visão mais geral dos ferimentos e enfermidades.

Clique aqui para conferir a imagem colecionável “A Mumificação” da Del Prado.

E graças às pesquisas arqueológicas nós conhecemos alguns dos artefatos utilizados durante a mumificação. Na imagem abaixo é possível ver uma cama para o descanso do corpo no natrão, uma máscara do deus Anúbis e uma paleta de mumificador.

E nos dias de hoje é graças à boa conservação de muitas múmias que nós arqueólogos podemos arrecadar dados que nos possibilitam ler detalhes sobre a vida no Antigo Egito como doenças, alimentação, idade média de vida e causas comuns de morte em uma determinada comunidade.

Fontes do vídeo:

AUFDERHEIDE, Arthur. The Scientific Study of Mummies. Nova York: University of Cambridge, 2010.
BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.
BIERBRIER, Morris L. Historical dictionary of Ancient Egypt. Maryland: The Scarecrow Press, Inc, 2008.
HARRIS, James. “Scientific study of mummies”.In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.
JIRÁSKOVÁ, L. Damage and repair of the Old Kingdom canopic jars: the case at Abusir. PES XV, 2015.
MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.
STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

Site:
A Pigment from the Depths: https://www.harvardartmuseums.org/article/a-pigment-from-the-depths

Objetos perdidos de Tutankhamon são encontrados

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A arqueologia é uma ciência cheia de surpresas, em especial graças aos momentos e lugares inusitados em que podem ocorrer descobertas arqueológicas. E foi isto o que ocorreu há algumas semanas no Museu de Luxor: em seu depósito foi encontrada uma misteriosa caixa e dentro dela estavam partes de um dos artefatos encontrados na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. A tumba deste rei foi descoberta em 1922 praticamente intacta e em seu interior foram encontrados mais de 5.300 objetos.

Foto: Museu de Luxor.

Quem encontrou a caixa foi o diretor de arqueologia e comunicação do museu, Mohamed Atwa. Em um comunicado à imprensa ele relatou o seu susto e a emoção de ter a encontrado:

“É a descoberta mais empolgante da minha carreira. É incrível que depois de todos esses anos ainda temos novas descobertas e novos segredos para este rei dourado, Tutankhamon.”

— Saiba mais: Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Ele ainda explicou que encontrou a caixa enquanto estava separando alguns artefatos pertencentes a Tutankhamon e que seriam enviados para o Grande Museu Egípcio. O qual, espera-se, seja inaugurado ano que vem.

Foto: Museu de Luxor.

Dentre os objetos dentro da caixa estava um mastro de madeira, um conjunto de cordinhas e uma cabeça de madeira em miniatura coberta por folhas de ouro. Veja o vídeo abaixo para conhecer mais sobre este artefato e para entender os motivos que levaram os egípcios antigos a colocar embarcações dentro de tumbas:

Outra curiosidade é que estes objetos estavam embrulhados dentro de um jornal datado do dia 5 de novembro de 1933, um domingo. Porém, o museu deu a caixa como desaparecida desde 1973.

As embarcações eram extremamente importantes para os antigos egípcios, tão importantes que eram representadas em tumbas em forma de maquetes ou pinturas parietais. Até o deus sol Rá utilizava uma embarcação para cruzar o céu. Então confira a imagem colecionável “A Barca Solar de Quéops” da Coleções DelPrado. Comprando através do nosso link o Arqueologia Egípcia ganha uma comissão. Clique aqui para adquirir a sua ou aqui para ver mais colecionáveis.

Fontes:
This Miniature Boat Was Meant for King Tut’s Fishing Trips in the Afterlife
https://www.livescience.com/64922-lost-king-tut-boat-found.html

Encuentran en el Museo de Luxor una caja con objetos perdidos de la tumba de Tutankamón
https://www.abc.es/cultura/abci-encuentran-museo-luxor-caja-objetos-perdidos-tumba-tutankamon-201903071347_noticia_amp.html?__twitter_impression=true

Arqueologia no YouTube NextUp 2018

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Caros seguidores, o canal Arqueologia Egípcia é um dos ganhadores do Youtube NextUp 2018. O NextUp é uma premiação organizada anualmente pelo YouTube onde são escolhidos canais os quais acredita-se que possuam potencial de agregar algo de inovador para a plataforma.

Como um dos prêmios, passarei uma semana no Rio de Janeiro, no YouTube Space Rio, para participar do acampamento de criadores onde ocorrerá workshops de produção, aulas sobre técnicas de câmera, iluminação e som, além de consultorias individuais sobre estratégia de canais. Infelizmente não poderei encontrar nenhum seguidor por conta do horário apertado.

Este é um grande feito pelo fato de que, de acordo com o próprio YouTube Brasil, ocorreu um recorde de inscrições.

Para entender do que se trata este prêmio e a sua importância acesse este link: https://brasil.googleblog.com/2018/11/youtube-nextup-2018.html

Um passeio pela tumba da rainha Nefertari

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este ano a empresa Experius VR lançou um passeio virtual para que o público possa “caminhar” pela tumba de Nefertari, rainha que reinou no Egito durante o Novo Império, na 19ª Dinastia. Não se sabe qual a sua origem, mas é certo que ela se casou com o faraó Ramsés II antes da coroação dele e que possivelmente foi mãe de quatro meninas e quatro meninos.

Foto via.

Alguns egiptólogos acreditam que ela faleceu no 25º ano do reinado de Ramsés II, contudo, as circunstâncias são um mistério. Porém, ao menos se sabe que ela foi sepultada em uma necrópole que fica ao lado do Vale dos Reis, o chamado atualmente de Vale das Rainhas. A sua tumba foi encontrada por um arqueólogo italiano chamado Ernesto Schiaparelli (1856 – 1928) em 1904 e foi tombada como a QV-66. Infelizmente ela já tinha sido saqueada ainda na antiguidade e a múmia da governante possivelmente destruída [1].

Por ser ricamente decorada a QV-66 chamou a atenção de vários visitantes, mas, tragicamente alguns vandalizaram as imagens. Isso levou o Serviço de Antiguidades do Egito (atualmente o Ministério das Antiguidades) a permitir que 1986 fosse realizado um trabalho de restauro por parte do Instituto Getty de Conservação de Los Angeles. Ele se seguiu por cinco anos e a equipe recusou-se a fazer, por mais mínima que fosse, uma intervenção moderna nas pinturas (completar desenhos faltosos, por exemplo) para não abalar a integridade delas.

Entretanto, para preservá-las pós-restauro, a tumba foi fechada para visitações por alguns anos. Mas, atualmente ela se encontra aberta, porém a visita pode durar somente alguns minutos.

Já aqueles que não podem ir ao Egito tem outras alternativas para “conhecer” o lugar. São os passeios virtuais tais como da Experius VR (que exige o uso de óculos de realidade virtual HTC Vive) ou do Patola Games, um site de jogos educacionais hoje inexistente, mas, cujo arquivo do passeio ainda pode ser rodado mesmo em sistemas operacionais mais novos, tais como Windows 10. Saiba mais sobre ele no vídeo a seguir:

As imagens na tumba de Nefertari são belíssimas e totalmente dignas da esposa mais amada de Ramsés II, cujo nome significa “A Mais bela de Todas”. Mas, estas ilustrações não foram desenhadas sozinhas. Várias pessoas precisaram trabalhar nelas durante dias.

Então, se você quiser rememorar este momento e for um ávido colecionador de imagens a Coleções DelPrado possui uma cena que retrata os antigos pintores egípcios durante um trabalho em uma tumba. Tem alguns homens fazendo rabiscos na parede, preenchendo alguns hieróglifos com tinta e uma mesinha próxima com uns potinhos. Confiram clicando aqui.

Leia outros textos sobre a rainha Nefertari:

[1] A múmia da Rainha Nefertari foi mesmo encontrada?

http://arqueologiaegipcia.com.br/2016/12/03/a-mumia-da-rainha-nefertari-foi-mesmo-encontrada/

A restauração na tumba de Nefertari

http://arqueologiaegipcia.com.br/2010/10/13/a-restauracao-na-tumba-de-nefertari/

Veja estas fotos impressionantes da tumba da rainha Nefertari

http://arqueologiaegipcia.com.br/2017/04/21/veja-estas-fotos-impressionantes-da-tumba-da-rainha-nefertari/

Saiba como as crianças se divertiam no tempo dos faraós

A infância é uma época lúdica, mesmo no Egito Antigo onde existia uma separação tênue entre a tenra idade e a idade adulta, esta normalmente estabelecida a partir do momento em que a criança casava ou tinha forças para trabalhar. Esta transição era pronunciada pelo corte da trança lateral, símbolo dos infantes.

 

Porém, as brincadeiras geralmente não tinham idade. É tanto que podemos ver em relevos mesmo adultos participando de folguedos.

E tal como outras sociedades, nos sítios arqueológicos do Egito foram encontrados brinquedos e no vídeo abaixo vocês poderão conferir alguns deles.

Ou você poderá conferir no post 10 brinquedos do Egito Antigo que você precisa conhecer.

A ciência e a presidência do Brasil: participe deste evento histórico!

Ocorrerá no próximo dia 29 de julho (2018) o evento “Conhecer – Eleições Presidenciais 2018”, onde pré-candidatos à Presidência estarão frente a frente com sabatinadores. A parte importante é que os sabatinadores serão criadores de conteúdo sobre ciência na internet e pesquisadores.

O evento será realizado na Casa de Portugal (Avenida da Liberdade, 602), em São Paulo. Não está aberto ao público, mas serão realizadas lives: uma no canal do ScienceVlogs Brasil (que reúne em seu selo de qualidade 37 canais, incluindo o Arqueologia Egípcia) no Youtube e na página do Dispersciência no Facebook. Não estarei presente na sabatina, mas, por favor, deem todo apoio ao pessoal que estará lá!

Mas, e o que isto tem a ver com a Arqueologia? Tudo! Afinal, Arqueologia também é ciência e saber das propostas dos presidenciáveis sobre o seu futuro é de suma importância. Em tempos de destruição de sítios arqueológicos o que esperar deles sobre tombamentos de patrimônios históricos, Arqueologia de contrato ou fomentação de pesquisas?

Contamos com a presença de vocês, que poderão enviar suas perguntas através do Facebook (http://bit.ly/ConhecerEleições) ou da hashtag #ConhecerEleições2018. E para inspirá-los gravei um vídeo convite:

Hoje a pessoa do Science Vlogs Brasil que divulga o evento é a Márcia Jamille!Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia: https://www.youtube.com/channel/UCKR7fdwXSVNBJVXVVMyE3iA

Publicado por Dispersciência em Terça-feira, 10 de julho de 2018

E clique aqui para confirmar a sua participação.

— Aproveite e leia também: Presidenciáveis enfrentarão pesquisadores e divulgadores em debate sobre Ciência

Informações importantes:

Organização: Conhecer, ScienceVlogs Brasil (https://www.youtube.com/channel/UCqiD87j08pe5NYPZ-ncZw2w), Dispersciência (https://www.facebook.com/dispersciencia/)

Apoio: Vocs, HuffPost Brasil

Patrocínio: Eppendorf

Guerras ao modo antigo: resenha do livro “Fortificar o Nilo”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não possuímos muitos títulos acadêmicos em português sobre a Antiguidade egípcia e quando um surge precisamos aproveitar a oportunidade. Este é o caso da obra “Fortificar o Nilo: a ocupação militar egípcia da Núbia na XII Dinastia (1980-1790 A.C.)”, do historiador e arqueólogo Eduardo Ferreira, que é mestre em História Militar.

Publicado pela Chiado Editora, editora parceira do nosso site, esse livro é o resultado de uma dissertação de mestrado cujo foco são as fortificações egípcias da 12ª Dinastia; como eram usadas, construídas, etc. As fortalezas abordadas são aquelas da Segunda Catarata do Nilo, na Baixa Núbia, atual Sudão, e que passaram por um resgate de emergência na década de 1970, por conta da construção da Represa de Assuã. E é graças a essa represa que alguns desses edifícios hoje encontram-se em baixo da água, estando somente duas ainda visíveis.

O autor, já de início, deixa claro que os pesquisadores, no geral, têm pouco interesse em História Militar, preferindo então focar em temas culturais ou religiosos. Esclarecendo isso é possível entender melhor a importância desta obra.

O livro é dividido em 4 capítulos, todos possuindo subcapítulos. E ao longo de suas páginas vocês encontrarão termos que não são muito comuns para o público não acadêmico, como é o caso de “Grupo C”, “Uauat”, que se refere a Baixa Núbia, “Kerma”, “ta-seti”, que significa “Terra do Arco” e que era um dos nomes dados pelos egípcios para Núbia, etc. No canal do Arqueologia Egípcia no Youtube fiz uma resenha bem completa deste livro. Confira a seguir:

No primeiro capítulo ele fala sobre o papel de alguns faraós da 12ª Dinastia na construção de fortes e a ameaça bélica da Núbia. Também apresenta os medjay e os satu. Os primeiros, a priori, eram relacionados com os núbios, até que o termo se tornou uma designação para qualquer tipo de militar. É tanto que nesse livro são citadas as mulheres medjay, mas isso em relação a sua etnia. E os segundos eram os arqueiros núbios.

Um dos pontos que o autor salienta é que os exércitos núbios, em especial o de Kerma, usualmente são subestimados por alguns pesquisadores, que os tomam como inferiores em relação aos egípcios. É aí que ele explica a sofisticação militar desses povos que, inclusive, faziam uso de frotas.

No segundo capítulo um dos primeiros tópicos abordados é sobre a demografia no Egito e as cidades muradas. E então o autor parte para as fortalezas, explicando que não se sabe muito sobre como os habitantes delas viviam nem sobre a sua organização.

O motivo de se fixar fortes na fronteira com a Núbia também é explicado: em termos simples era para controlar e fixar uma fronteira, além de, claro, servir de apoio e base para as operações militares.

Ele também explica muito brevemente a presença de artefatos arqueológicos pertencentes aos núbios dentro dessas estruturas, e esclarece que algumas populações nativas levantaram residências próximas as fortalezas. A conclusão do autor do porquê da presença dessas pessoas em um “território hostil” como esse é de que essa proximidade com as fortalezas teria relação com a busca por proteção contra outros grupos também nativos da Núbia.

No terceiro capítulo ele trata dos elementos arquitetônicos dessas estruturas, abordado pontos como proteção e captação de água. Assim como questões sobre a vida dos soldados egípcios que viviam nesses lugares. As discussões sobre as formas de acesso, como portas e escadas, claro que também estão inclusas, assim como a existência, ou suposta existência, de espaços como quartel-general, arsenal, celeiros e casas de banho.

Já sobre a residência de generais e dos soldados comuns é uma grande incógnita e em complemento o autor se pergunta quantos indivíduos poderiam viver lá e qual a capacidade agrícola de um lugar desses.

Então no quarto capítulo é levantada a questão de quem eram as pessoas destacadas para ir para os fortes, discutindo o número de contingentes. Que tipo de pessoa aceitaria esse trabalho? O que eles ganhariam em troca? Eles recebiam algum incentivo financeiro? Novos cargos? Sabe-se que no Médio Reino os comandantes possuíam o cargo de “Generalíssimo” e no Novo Império eles passaram a ser vice-reis da Núbia, e isso seria um grande estímulo para ir morar em um lugar tão isolado. Porém, não está comprovado a existência física de um generalíssimo nas fronteiras.

Ele igualmente aborda como o recrutamento era realizado, explicando que a cada 100 jovens de um determinado local, um era levado para servir. E ele complementa falando que os recrutas poderiam exercer funções de policiamento ou escolta. Então temos a apresentação do cargo de patrulheiro, que também eram chamados de “caçadores”. Eles patrulhavam o deserto, as fronteiras e as cidades.

Em seguida ele faz uma abordagem sobre os armamentos, locais para a sua manufatura e materiais usados para fazê-los. Dentre as armas citadas estão as lanças, arcos, flechas, maçãs, machado, punhais e espadas.

E finalmente chegamos as conclusões finais, onde ele faz um resumo do que levantou no livro.

 

Uma abordagem geral sobre “Fortificar o Nilo”:

Em um livro cujo foco está em estruturas arquitetônicas, senti muita falta de boas reconstituições das fortalezas, muralhas, torres de vigia e postos sinaleiros. Na verdade, a obra contém ilustrações, mas algumas estão com a qualidade comprometida ou não possuem muitas informações. Por isso, acredito que quem é só um curioso que está interessado em conhecer um pouco mais sobre a história egípcia pode ter certa dificuldade, enquanto que um acadêmico se sentirá mais à vontade.

Eu também queria ver uma lista com os nomes das fortalezas em um mapa maior e com uma qualidade melhor. Alguns dos encontrados no livro infelizmente possuem letras pequenininhas.

Tirando esses detalhes, a obra é bem referenciada, ou seja, os interessados no assunto terão várias sugestões de bibliografia. Sem contar que ele é uma ótima base para quem quer estudar o tema militar, até porque está em português. É desnecessário dizer que isso é um grande bônus.

Esteticamente é um livro bonito e as folhas amareladas tornam a leitura agradável. Isso me deixa ansiosa para saber qual será a próxima publicação sobre o Egito Antigo da Chiado Editora. Lembrando que eles publicaram também o livro “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico”.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas você poderá ver o faraó pronto para a batalha em seu carro de guerra.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

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