A rainha Ahhotep é a protagonista de um game brasileiro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não é nenhuma novidade que o Egito Antigo tem sido usado e reutilizado por mídias da cultura pop. Basta ligar a TV ou abrir alguma revista para encontrá-lo em propagandas, filmes, desenhos e games. Temos o recente Assassin’s Creed Oringis, mas podemos contar com muitos outros, a exemplo do Pharaoh e Luxor.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Aqui no Brasil um grupo de desenvolvedores de games de Francisco Beltrão, Paraná, o Adhoc Games, também tem bebido dessa inspiração. Eles estão organizando o Echoes of the Gods (Ecos dos Deuses), que tem como protagonista a rainha Ahhotep I.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

O game não tem data de lançamento, mas caso queiram dar uma força para o grupo clique aqui para acessar a página deles no Facebook. Abaixo está um vídeo de apresentação de como está ficando o jogo:

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Quem era Ahhotep I:

Esta rainha, que viveu durante o final da 17ª Dinastia (Segundo Período Intermediário) e viu nascer a 18ª Dinastia (Novo Império), foi a esposa do rei Seqenenre Tao II, que possivelmente morreu durante alguma batalha contra os hicsos, que governavam o Norte do Egito. Na época em que eles viveram o país era comandado por ao menos três dinastias: A tebana, a qual Ahhotep I pertencia, a hicsa, no Norte do país e a de Abidos, que não teve uma longa existência.

Em uma tentativa de tomar o controle de todo o Egito Seqenenre Tao II iniciou companhas contra os estrangeiros e com a sua morte foi substituído por seu filho Kamose. Porém, o príncipe não sobreviveu muito, então o seu irmão mais novo, Ahmose, foi declarado o novo rei. Contudo ele ainda era uma criança quando isso ocorreu, então a sua mãe assumiu a regência do reino.

Esse período da história egípcia ainda é muito nebuloso, mas sabemos que a guerra se seguiu por anos e Ahhotep I precisou proteger o seu território não só contra os hicsos, mas também contra os núbios[1], ao sul do Nilo. No fim, Ahmose finalmente chegou até a idade ideal para reinar e ao lado da mãe conseguiu expulsar os estrangeiros e reunificar o país, abrindo o Novo Império e dando inicio a elevação do deus Amon como patrono do Egito.

Por sua atuação, Ahhotep I recebeu, mesmo anos após a sua morte, honrarias divinas e um culto foi estabelecido em sua memória. O seu próprio filho, Ahmose, a definiu em uma estela como sendo “alguém que pacificou o Alto Egito[2] e expulsou os rebeldes”.

 

O colar de ouro da honra:

Em 1859 um colar de 59 centímetros foi encontrado em Dra Abu el-Naga em um lugar em que se acreditava ser a tumba da rainha Ahhotep I. Contudo, por conta da natureza de alguns dos artefatos encontrados no local, que eram de cunho militar, alguns pesquisadores custam a acreditar que essas peças, inclusive o colar, tenha pertencido à rainha. Este colar, que é feito em ouro, possui três pingentes de 9 centímetros que representam moscas.

Foto: EINAUDI, 2009.

Este tipo de joia era dada a pessoas que realizaram proezas militares. Talvez por incapacidade de alguns pesquisadores em acreditar que uma rainha possa ter atuado como comandante leve a tal dúvida, que, por sua vez, não é de toda infundada, uma vez que no local também foram encontrados artefatos com o nome de seus filhos.

Saiba mais: Há alguns anos escrevi um artigo intitulado “Gênero invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, onde discuto como pesquisadores têm subestimado a participação social das mulheres egípcias em sua sociedade. Ele pode ser lido gratuitamente clicando aqui.

Fontes:

DABBS, Gretchen R; SCHAFFER, William C. Akhenaten’s Warrior? An Assessment of Traumatic Injury at the South Tombs Cemetery. Paleopathology Newsletter. No. 142, June, 2008.

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

SINGER, Graciela Noemí Gestoso. Queen Ahhotep and the “Golden Fly”. Cahiers Caribéens d’Egyptologie. nº 12, février-mars, p. 75 – 88, 2009.


[1] Reino que se encontrava onde hoje é o Sudão.

[2] O Alto Egito refere-se ao Sul do país. Ahmose, então, estava falando sobre os núbios.

O que mais você precisa saber sobre o Egito Antigo em Overwatch

Lançado pela Blizzard Entertainment, Overwatch é um game onde os jogadores competem entre si em equipes usando heróis com diferentes características e origens, que exercem funções de defesa, ataque ou cura. A exemplo de muitos outros jogos ele traz algumas inspirações relacionadas com a antiguidade egípcia e foi isso o comentado no post “O Egito Antigo em Overwatch: um dos maiores games do momento” (clique aqui para ler). Depois de ter sido publicado, a leitora Isabella Czamanski pontuou alguns detalhes do jogo que não foram comentados. Abaixo o texto dela:  

Antes de mais nada, adorei sua iniciativa de falar de Overwatch no AE, principalmente por existirem até cenários bem inspirados na antiguidade egípcia no jogo. Mas, como jogadora eventual de Overwatch (mas muito, muito fã), me sinto na obrigação de fazer alguns adendos à sua matéria.

Além da skin normal da Pharah, existem mais duas inspiradas no Anúbis (mudando apenas a cor entre uma e outra, gosto particularmente da preta).

Além disso, existe mais uma personagem egípcia, a Ana, que é mãe da Pharah e também possui uma tatuagem do Olho de Hórus em seu próprio olho.

Fora isto, existe uma skin para o personagem Zenyatta (que é um robô zen) claramente inspirada em Rá e com alguns detalhes muito interessantes, como o nemes e o uso de azul e dourado.

Eu realmente acho interessante a forma como a Blizzard conseguiu inserir história em Overwatch, mesmo se tratando de um futuro distópico. Podemos ver alta tecnologia em meio a cenários outrora históricos, como o templo de Anúbis, sem que pareça forçado ou irreal. As skins dos personagens também foram muito bem construídas.

O Egito Antigo em Overwatch: um dos maiores games do momento

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

De gênero de tiro em primeira pessoa, Overwatch é um dos jogos mais populares do momento. Lançado pela Blizzard Entertainment os jogadores competem entre si em equipes usando heróis com diferentes características e origens, que exercem funções de defesa, ataque, investida ou cura. Até o andamento deste texto o jogo conta com 25 heróis, dentre eles Pharah, cujo o Wedjat (Olho de Hórus) em um dos seus olhos e o seu nome (que vem de pharaoh, “faraó” em inglês) remetem à antiga civilização dos faraós.

 

A personagem Pharah:

“Pharah” é o codinome de uma egípcia chamada Fareeha Amari, uma chefe de segurança responsável por proteger uma instalação de pesquisa de inteligência artificial abaixo do Platô de Gizé, Egito.

No jogo ela tem a posição de ataque, ou seja, é responsável pela ofensiva e a baixa dos inimigos. Possui uma armadura de combate que a torna capaz de soltar foguetes e dar saltos. É possível conhecer um pouco mais sobre Pharah no perfil da personagem no site do próprio Overwatch.

Sobre a coloração da sua armadura, não foi possível saber se foi intencional, mas a cor dourada e azul eram usualmente associadas com o ouro e o lápis-lazuli, considerados a constituição da pele e dos cabelos dos deuses, respectivamente. A máscara mortuária do faraó Tutankhamon, por exemplo, não teve o seu padrão de cores escolhido ao acaso, onde suas sobrancelhas são de cor azul e pele dourada:

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

E algumas peças religiosas, assim como amuletos, também foram representados com uma cor azulada, uma vez que a crença ditava que o azul era uma cor mágica:

Imagem da deusa Hathor feita em lápis-lazuli e ouro. Autor da foto: Desconhecido.

 

Cenários:

Mas, o Egito Antigo não está presente somente em Pharah. Dentre os vários mapas disponíveis, três cenários trazem o Egito como tema e dois deles são inspirados na antiguidade: os fictícios Templo de Anúbis e Necrópole.

Mapa Templo de Anúbis

Mapa Templo de Anúbis

Mapa de Necrópole

Fanarts:

A personagem Pharah ganhou muitos fãs e alguns resolveram demonstrar a sua estima desenhando-a. Confira abaixo alguns exemplos de ilustrações:

Link de consulta: www.zerochan.net

Artista: SirensReverie

 

Link de consulta: comicvine.gamespot.com

Link de consulta: @captain.overwatch

Artista: Raphire

Artista: MonoriRogue

Artista: JhessyJay

Artista: JeongSeok Lee

Curiosidade vinda de terras brasileiras e novidade:

Dentre os heróis temos um personagem brasileiro também. É o Lúcio, cuja função é a de suporte. Se ficou curioso sobre Overwatch clique aqui para acessar a página oficial. E a Blizzard tem uma ótima notícia: nos próximos 22 a 25 de setembro (2017) será possível degustá-lo. Clique aqui para saber mais!

O filme “A Múmia” (2017): comentando o novo trailer

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em pouco mais de um mês o filme “A Múmia” (2017) estará nas telas do cinema do Brasil. No dia 08 de junho o público poderá conferir a nova roupagem do monstro que tanto ajudou a popularizar a cultura egípcia em filmes e desenhos animados.

Recentemente foram liberados mais um pôster e o segundo trailer da produção, que ao contrário do primeiro explica melhor para o público o enredo: agora temos a história da princesa Ahmanet (Sofia Boutella), que após cometer um crime é sepultada viva como punição. Milênios depois ela acaba sendo despertada e começa a espalhar o mal.

Novo pôster. Reprodução.

Agora é a vez de Ahmanet. Foto: Divulgação.

Aqui o protagonista é interpretado pelo Tom Cruise, que viverá um membro das forças especiais que irá para um deserto em busca de terroristas, mas que acaba descobrindo a tumba da princesa. Teremos também a Annabelle Wallis, que interpretará uma arqueóloga e o Russell Crowe vivendo o personagem clássico Henry Jekyll, do livro “O Médico e o Monstro”.

Então, atendendo a pedidos, gravei um vídeo comentando o que, através deste último trailer, eu espero do filme:

Como o leitor Yuri Ribeiro bem lembrou nos comentários do YouTube eu acabei esquecendo de comentar as roupas egípcias. Tudo bem, fica para quando eu comentar o filme completo. E rememoro que já falei sobre as tatuagens da personagem do monstro no vídeo “Franquia de filmes ‘A Múmia’ da Universal Studios”. Deem uma conferida nele também.

A franquia de filmes “A Múmia” da Universal Studios

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quando o cinema surgiu no final do século XIX o público já estava, de certa maneira, acostumado com as imagens da Antiguidade egípcia em detrimento da Egiptomania, surgida graças a invasão napoleônica ao Egito em 1798. Por conta disso, alguns filmes lúdicos foram gravados, todos trazendo um passado cheio de mistério, exotismo e misticismo. Essa ainda era a época do cinema mudo.

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

— Saiba mais: O Antigo Egito e os primórdios do cinema

Em 1922 ocorreu a descoberta da tumba do faraó Tutankhamon o que deu um patamar novo para o passado egípcio no mundo ocidental: esse país não era mais somente um lugar cheio de tesouros arqueológicos, para algumas pessoas os seus artefatos poderiam conter a “maldição da múmia”, ideia popularizada pela morte do Lorde Carnarvon, patrocinador da descoberta do túmulo de Tutankhamon.

Paralelamente, a Universal Studios estava investindo em filmes de horror. Duas das suas grandes realizações tinha sido “Drácula” (1931), com Béla Lugosi e “Frankenstein” (1931) com Boris Karloff. Ambos trazendo atrama de homens que voltaram da morte. Foi com um princípio parecido que “A Múmia”, de 1932, estrelado também por Boris Karloff, foi pensado.

Ambientado na própria década de 1930, a fita conta a história do sacerdote Imhotep, que foi sepultado vivo como uma punição por um crime terrível. Ressuscitado no século XX, ele tenta então trazer a sua amada à vida, custe o que custar.

Anos depois foi lançado “A Mão da Múmia” (1940), onde é a vez do antigo egípcio Kharis despertar. O caminho de maldade de Kharis resultou em mais três filmes: “A Tumba da Múmia” (1942), “O Fantasma da Múmia” (1944) e “A Praga da Múmia” (1944).

“O Fantasma da Múmia” (1944). Foto: Divulgação.

Então, com a chegada de 1955, é a vez da comédia “Abbott e Costello caçando múmias no Egito”. Depois dessa produção o público precisou esperar 44 anos para poder ver “A Múmia” (1999) novamente nas telas do cinema, mas agora com um remake do filme de 1932. O personagem Imhotep foi repaginado com magias muito mais poderosas, novos personagens também foram criados. No entanto, a trama central permanece: ele fará de tudo para trazer de volta ao mundo dos vivos a sua amada. Esse novo “A Múmia” gerou duas continuações: “O Retorno da Múmia” (2001) e “A Múmia: tumba do Imperador Dragão” (2008).

“A Múmia” (1999). Foto: Divulgação.

Como é possível ver, esse monstro parece ser uma fonte inesgotável de inspiração. E é exatamente por isso que a Universal irá estrear nesse ano de 2017 um novo “A Múmia”, em que o monstro será uma princesa egípcia chamada Ahmanet.

“A Múmia” (2017). Foto: Divulgação.

— Veja mais: A espera acabou! Saiu o trailer de “A Múmia”, com Tom Cruise e Sofia Boutella

Em menos de 20 anos essa franquia completará 100 e aparentemente continuará a encontrar as gerações seguintes. Arrecadando milhares de fãs ao redor do mundo ela, apesar de apelar para o lado lúdico e muitas vezes errando feio ao representar a cultura faraônica, tem encantado várias pessoas de diferentes idades, algumas das quais acabaram, inclusive, se apaixonando pela verdadeira história do Egito. De um sacerdote egípcio apaixonado a uma princesa egípcia com sede de vingança, até onde o monstro “A Múmia” nos levará? ☥

 

(Vídeo) Silly Symphony – Egyptian Melodies

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em outra oportunidade cheguei a comentar aqui no A.E. sobre o Antigo Egito e os primórdios do cinema, post que é a tradução de um texto do curador do cinema mudo no British Film Institute, o Bryony Dixon. Nele Dixon rememora como o cinema fixou e reciclou imagens que tomamos como genuinamente advindas da Antiguidade faraônica, mas que em verdade são criações orientalistas.

Egyptian Melodies (Silly Symphony). 1931.

Em 1931 a Walt Disney estreou mundialmente a animação “Egyptian Melodies”, dentro da série “Silly Symphony”, e que nos apresenta uma aranha curiosa que adentra os corredores da Grande Esfinge e se depara com uma cena musical inusitada.

Igualmente a muitas produções de sua época, Egyptian Melodies bebeu da Egiptomania e do Orientalismo, onde somos apresentados ao ambiente do deserto com coqueiros, as pirâmides de Gizé (imagens favoritas naquela época e que costumavam resumir o que era o Egito para o público), inclusive a ideia de uma entrada para o interior da Esfinge, o que permeia a cabeça de muitas pessoas, principalmente aquelas que acreditam em algumas vertentes exotéricas. Abaixo o vídeo completo:

Algumas músicas de Rock inspiradas no Egito Antigo

O Egito Antigo inspirou de várias maneiras a cultura popular e claro que a música não poderia ficar de fora. Um dos gêneros que mais bebeu desta inspiração foi o Rock, estilo musical surgido do Rock and Roll e que tem complementos advindos do Blues, Country e Jazz [1].

Claro que infelizmente a maioria das composições fizeram uso da Egiptomania e de idéias orientalistas. São letras que tratam do misticismo e que por vezes categorizam deuses em funções que não são deles ou citam divindades de outras culturas como pertencentes ao Egito Faraônico.

Há exatamente um ano eu pedi para que os leitores do A.E. que me seguem no Facebook indicassem algumas músicas do gênero e agora elas, ao lado das minhas próprias sugestões, estão compondo este post:

☥ Mercyful Fate – Curse of the Pharaohs

A letra fala sobre a “maldição do faraó”, que tinha o intuito de atingir aqueles que ousassem saquear as tumbas reais. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Mercyful Fate – Egypt

Aqui o tema é o julgamento da alma no tribunal de Osíris. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Xandria – Isis Osiris

Como na letra é citado o poder de cura e a estrela “Sothis” (Sírios) – que no faraônico era chamada de Sopdet – creio que a música está falando especificamente da deusa Ísis. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Karl Sanders – Slavery Unto Nitokris

Na pegada da banda “Nile”, esta música é um instrumental, mas o título é que chama a atenção: Nitokris (Nitócris) foi uma faraó que governou durante o Antigo Reino, 6ª Dinastia.

☥ Septic Flesh – Anubis

Aqui temos a alma de uma pessoa indo para a pesagem do coração no Tribunal de Osíris. O interessante é que não só cita Anúbis, mas a pena de Maat e inclusive o uso de uma máscara mortuária. Clique aqui para ler a tradução.

☥ The Bangles – Walk Like an Egyptian

Já falei sobre elas aqui em outro post. A letra (e o clipe) são um grande exemplo do uso da Egiptomania já que o “caminhar como egípcio” (esta posição aqui) é uma invenção dos dias de hoje para satirizar o estilo artísticos do Período Faraônico. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Kent – Isis & Bast

A banda é sueca, então não foi fácil encontrar uma boa tradução da letra, mas aparentemente a inspiração está mais só no uso do nome de ambas estas divindades (Ísis e Bastet) e da palavra “pirâmide”.

☥ Iron Maiden – Powerslave

A letra fala da morte inerente e uma estrofe até nos dá uma dica de quem é o personagem principal: “Eu não quero morrer, eu sou um Deus”. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Nightwish – Tutankhamen

Esta eu tenho no meu smartphone. A personagem da letra é uma mulher apaixonada pelo Tutankhamon, mas não deixa claro se é a Ankhesenamon. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Metallica – Creeping Death

Na minha humilde opinião esta é uma das melhores composições do gênero com este tema. Fala sobre o mito do Êxodo hebreu no Egito. Clique aqui para ler a tradução.

☥ Therion – Son of the Sun 

Está música é levemente inspirada pelo Período Amarniano, quando Akhenaton instaurou em sua corte o deus Aton como a divindade principal. Escrevo “levemente” porque fala sobre rompantes de loucura e perda da fé por parte do faraó. Clique aqui e leia a tradução.

☥ Nile – Sacrifice Unto Sebek

O interessante desta banda é que eles usam vários exemplos reais e encaixam perfeitamente em suas letras. Nesta, Sacrifice Unto Sebek, tem o trecho “Una novamente seus ossos.” que faz parte do “Texto das Pirâmides”. Claro que rola umas viagens também, mas as músicas são uma verdadeira imersão no mundo do Egito Antigo e é divertido reconhecer uma série de elementos. Clique aqui para ler a tradução.


[1] Não sou especialista no gênero, meu conhecimento é totalmente genérico, por isso irei me ater somente a estas informações.

(Comentários) Trailer do filme “Deuses do Egito” (2016)

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Irá estrear no dia 24 de fevereiro (2016) o filme “Deuses do Egito” (“Gods of Egypt“, no original), que está estrelando Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones) e que cujo o enredo é inspirado na luta entre os deuses Seth e Hórus, um dos mitos mais famosos da Antiguidade egípcia.

Quando o primeiro trailer saiu várias pessoas enviaram mensagens para mim perguntando a minha opinião e eu a dei de forma bem concisa na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, até que eu arranjasse um tempinho para poder sentar e escrever mais acerca. Bom, o momento chegou. Abaixo o trailer (legendado):

Porém, antes de apresentar para vocês os meus comentários, preciso conta-lhes antes o mito das batalhas entre Hórus e Seth.

Ísis e Hórus versus Seth

Tudo tem início com o nascimento dos irmãos Ísis (protetora do trono real e senhora da magia), Osíris (senhor da vegetação e fertilidade), Néftis (protetora do palácio) e Seth (senhor do caos e deserto), que casam entre si, sendo que o casal Ísis e Osíris assumem o trono do Egito. Ambos eram extremamente amados pela população, mas não por Seth, que tinha muita inveja e rancor dos dois, em especial por Osíris.

Fonte dos desenhos: Jeff Dahl.

Seth então prepara uma audaciosa cilada para matar o irmão: ele o convida para um banquete onde pede para que cada um dos convidados entrem em uma maravilhosa e grande caixa. Aquele indivíduo que nela coubesse a ganharia como prêmio.

Todos experimentaram a tal caixa, mas ninguém coube perfeitamente, exceto Osíris, o último a prová-la e que se encaixou impecavelmente. Contudo, o que o rei não sabia é que ela tinha sido confeccionada exatamente com as suas medidas e assim que entrou Seth o trancou e jogou a grande caixa no Nilo, onde morreu afogado.

Ísis descobre o ocorrido e recupera a caixa, despertando a ira de Seth que a rouba e esquarteja o corpo do deus falecido, jogando suas partes por toda a extensão do Nilo. Ísis mais uma vez sai em busca do marido e em uma longa jornada recupera uma a uma as partes do seu corpo, exceto o pênis, que foi comido por um peixe. Usando da sua magia e após longas rezas a deusa se transfigura em um falcão fêmea e com o bater das suas asas dá o sopro de vida necessário para ressuscitar o esposo. Ao mesmo tempo faz surgir o pênis e engravida do seu primeiro e único filho, Hórus, uma divindade com corpo humano e cabeça de falcão.

Neste meio tempo, Seth já tomou para si o trono do Egito, fazendo com que Ísis, protegida por sua irmã Néftis e o deus Anúbis, esconda-se nos juncos do Nilo com o recém-nascido Hórus, onde ela lhe ensina tudo o que é importante para reinar e o prepara para o futuro embate com o tio por seu trono de direito.

Após alguns anos, Hórus vai enfrentar o tio, que por sua vez o acusa de não ser filho de Osíris, afinal, Ísis não estava grávida quando ele estava vivo. Mas com a intervenção dos demais deuses é imposto que Hórus e Seth devem batalhar em uma série de atividades e o vencedor ficaria com a coroa.

Seth usa sempre da sabotagem para tentar vencer o sobrinho, mas todas as vezes é desmascarado por Ísis. Porém, em uma das lutas, Seth arranca um dos olhos de Hórus. A visão lhe é devolvida pelo o deus Thot ou a deusa Hathor, que põe um olho substituto no lugar, enquanto o original torna-se o “Wedjat”, que é oferecido a Osíris como um amuleto para a regeneração.

Voltando ao filme “Deuses do Egito”: observando o trailer

Como dito no início, o enredo baseia-se na luta entre estas duas divindades, mais especificamente na batalha em que Hórus perde o seu olho, séculos antes da unificação do Egito, em algum momento do Pré-Dinástico (que é tipo a “Pré-História” egípcia). No entanto, como nos mostra bem o trailer, no filme Seth arrancará ambos os olhos. Mais tarde um deles será recuperado por um humano. Já vemos então a primeira diferença aí, além de que ambos os deuses serão retratados em uma forma humana.

Hórus.

Seth.

O amuleto “Wedjat” incorporado no filme.

Em termos de roupas senti certa inspiração em “Fúrias de Titãs” e um leitor também citou “300”. Praticamente não há roupagem alguma egípcia. Vi alguns toucados nemes estilizados em um figurante ou outro (muitas produções insistem em por estes toucados em cidadãos comuns sendo que era de uso exclusivo do faraó), uma inspiração na Coroa Azul da rainha Neferiti e uma coroa com um elemento da deusa Hathor. É um dos filmes inspirados no Egito que menos possui fortes elementos egípcios. Conseguiu ganhar até mesmo da série TUT.

Eu acho que consigo ver um indiano e um árabe…

Num futuro (espero não muito distante) pretendo fazer um post detalhado falando sobre as roupas egípcias. Vocês verão que não tem nada a ver com isso.

Na testa dela estão os chifres da deusa Hathor.

Na minha humilde opinião, em termos de narrativa cinematográfica não foi ruim incluir armaduras nos deuses, adicionar monstros enormes e bizarros, batalhas surreais, etc. Isto vai levar os amantes de aventura e ficção para o cinema e quem sabe fazê-los pesquisarem mais tarde. Eu, por exemplo, aprendi a gostar de assuntos relativos às constelações graças aos “Cavaleiros do Zodíaco”, porém, o que achei de péssimo gosto e de grande ignorância, foi incluir alguns artefatos claramente inspirados no universo grego e até mesmo mesoamericano, duas culturas totalmente diferentes da egípcia.

Outro grande problema e que enfureceu muitas pessoas levando aos produtores do filme pedirem desculpas, foi a escolha de um elenco quase exclusivamente caucasiano para representar o Egito Antigo. Entretanto, falar que o Egito era totalmente negro, como os críticos mais ferrenhos apontam, também não é condizente com a realidade. O Egito foi um território que recebeu povos de diferentes lugares ao longo da sua formação, apesar do seu “isolamento” geográfico, que tornava difícil a invasão de exércitos, mas não a entrada de grupos de nômades. Está mais para uma civilização “mestiça”, mas é pouco provável que encontraríamos um Nikolaj Coster-Waldau andando em uma rua do faraônico, muito menos ainda em tempos anteriores a época de unificação, como seria o caso do filme.

Mas também tem uns momentos bacanas que servem como curiosidade para vocês, como a cena abaixo, que mostra um tipo de arquitetura que lembra a egípcia faraônica, mas que não existia no Pré-Dinástico, toda via. Apesar do anacronismo, foi legal eles utilizarem elementos egípcios, mesmo que com leves modificações, porque a arquitetura egípcia é tão bonita e combina muito com o deserto.

A seguinte cena também é interessante. Se eu estiver correta trata-se de uma sepultura. Caso seja, tirando o sarcófago de pedra, uma sepultura de alguém com posses durante o Pré-Dinástico era bem assim. Clicando aqui vocês serão levados para um post onde tem a fotografia de uma.

Mais uma curiosidade para vocês tirarem nota é que no período do filme a escrita hieroglífica ainda não existia. Ela só é desenvolvida durante ou após a unificação do Alto e Baixo Egito.

Outra coisa bem legal, e que espero que tenham mantido no filme, é que eles retratarem Hórus enorme. Na iconografia egípcia deuses ou faraós usualmente eram retratados maiores do que o restante da população, então foi uma ótima sacada.

Dito tudo isso, espero que quem assistir este filme e ficar interessado pela história egípcia que leia este post com carinho. A ideia aqui é ensinar aos interessados em aprender. Se você é fã do filme não sinta-se atacado. E caso algum de vocês creditem que não tem nada a ver uma acadêmica discutir entretenimento, leiam então este meu post: — Arqueologia e ficção: tudo vale em nome do entretenimento?

Ademais, bom filme! E não conversem na sala de cinema.

P.S: Se não gostou do filme não precisa descarregar sua frustração aqui. Não faço parte da produção e nem sou obrigada a ler os mais criativos palavrões. 

Leituras interessantes:

SANTOS. P. V. Religião e sociedade no Egito antigo: uma leitura do mito de Ísis e Osíris na obra de Plutarco (I d.C.). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo.

O Antigo Egito e os primórdios do cinema. Disponível em <http://arqueologiaegipcia.com.br/2014/07/13/antigo-egito-primordio-do-cinema/>.

Série: TUT (2015) – Mais imagens, teaser e trailers

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

A partir de hoje faltam exatamente quatro dias para a estréia da série TUT, a qual irá ao ar no dia 19/07/2015 na Spike TV dos EUA (ainda não existe possibilidade de estréia no Brasil). De acordo com a produção a trama foi pensada tendo como base os resultados do exame de DNA da família real amarniana, divulgados em 2010, onde foi concluído que o faraó tinha malária e sofreu com uma osteonecrose em um dos pés.

O roteiro foi escrito por Michael Vickerman, Bradley Bredeweg e Peter Paige (ambos de “The Fosters“). A produção é das canadenses Muse Entertainment e Sonar Entertainment. A obra dará destaque para o situação política tumultuada que foi plano de fundo do governo do faraó Tutankhamon, mas não se enganem, não se trata de uma biografia, será somente uma ficção inspirada na imagem do faraó. Abaixo o teaser que disponibilizei na página do Arqueologia Egípcia:

Teaser da série #TUTMais um vídeo sobre a série do canal SpikeTV (não disponível no Brasil) inspirada no faraó…

Posted by Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia on Quarta, 20 de maio de 2015

O primeiro trailer liberado:

Finalmente saiu o trailer da série #TUT, a qual anunciei ano passado. “O povo do Egito precisa de um herói, mas só um…

Posted by Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia on Domingo, 26 de abril de 2015

Eu cheguei a comentar que poderia existir um trama de adultério — o que poderá irritar alguns fãs do Tutankhamon e da Ankhesenamon —. Pois bem, de fato há um bom tempo ficou claro que o Tutankhamon trairá Ankhesenamon com a personagem Suhad e Ankhesenamon, por sua vez, irá traí-lo com Ka.

Trailer da série TUTMais um trailer da série do canal SpikeTV* inspirada no faraó Tutankhamon e que estreará no dia…

Posted by Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia on Segunda, 8 de junho de 2015

E o terceiro trailer:

Trailer da série TUTMais um trailer da série do canal SpikeTV* inspirada no faraó Tutankhamon e que estreará no dia 19/07/2015. #TUTNoArqueologiaEgípcia.:: Sobre a série: *Estréia no Brasil: Não existe uma estréia marcada para o Brasil, na verdade nem existe tal possibilidade. Normalmente os programas da Spike TV passam na True TV Brasil, mas não sei se TUT pode ser incluso na proposta do canal.

Posted by Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia on Quarta, 15 de julho de 2015

Reafirmo que nem todos os personagens apresentados na trama realmente existiram. Abaixo algumas imagens da produção:

Em breve estarei disponibilizando também um vídeo no canal do Arqueologia Egípcia no Youtube realizando algumas considerações.

(Comentários) Novela “Os 10 Mandamentos” (Brasil)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde o início deste ano a Rede Record está veiculando a novela “Os Dez Mandamentos”, cujo enredo baseia-se no mito bíblico do êxodo hebreu, que narra os passos de Moisés, um escravo hebreu que é adotado por uma princesa egípcia e que anos depois liberta o seu povo e os lidera em uma fuga pelo Deserto Oriental. Eu assisti a obra em suas primeiras semanas e ao contrário de “José do Egito” o roteiro me agradou muito, ocorreram até alguns momentos de piadas com termos egípcios, misturando com os nossos, como uma fala da personagem de Yunet, “eu não nasci quando Rá nasceu na manhã de ontem”. Entretanto, com o tempo a história ficou um pouco massante e se estava difícil acompanhar tantos erros históricos, pior ainda estava ter que ver o núcleo feminino dos hebreus falando da importância de casar… Todo o tempo. Abandonei a novela e desde então não tive vontade de voltar a assistir.

Cena da coroação do personagem Ramsés II, interpretado por Sergio Marone. Imagem: Reprodução.

Porém, resolvi escrever este post porque a novela está fazendo um grande desserviço para a Egiptologia; é impressionante o número de gente que está escrevendo para mim com as mais variadas perguntas, algumas sem muito sentido. Vale lembrar que esta novela, assim como “José do Egito” trata-se de uma obra de ficção e que muita coisa apresentada não corresponde com a realidade do Egito faraônico. O próprio mito do Êxodo já é um ponto complicado, porque há alguns anos alguns pesquisadores e teólogos resolveram encaixa-lo no início da 19ª Dinastia, porém esta proposta trata-se de especulação, arqueologicamente falando não existe indícios de escravidão hebreia no Egito (para saber mais leia o texto Êxodo hebreu no Egito: aconteceu ou não?). Mas, ignorando a ausência de indícios, entre esses pesquisadores convencionou-se a encaixar a vida de Moisés no reinado de Seti I e Ramsés II, ponto de vista que foi popularizada por obras cinematográficas, inclusive a própria novela em questão.

Então, para fazer um resumo simples, abaixo estão as atrizes e os atores e os respectivos personagens inspirados em figuras históricas que estão representando (por favor, não caiam no erro da achar que todos os atos deles na trama realmente aconteceram):

Com o enredo planejado com a 19ª Dinastia como plano de fundo, vemos então em “Os Dez Mandamentos” uma série de equívocos na trama, são alguns deles:

☥ Coroação de Seti I: no início da novela temos Seti I reinando enquanto, se não me falha a memória, Ramsés era só uma criança de colo. A realidade é que quando ele foi coroado o príncipe já tinha cerca de nove anos de idade;

☥ Filhas de Seti I: Henutmire não é filha única do casal real (embora alguns pesquisadores nem sequer achem que ela era de fato filha deles), existia ainda outra conhecida, Tyie;

☥ Os pais de Nefertari: Este foi mais um devaneio da obra, já que não conhecemos os nomes e os cargos dos seus pais. Esclarecendo: os personagens Yunet e Paser não existiram;

☥ Dança do Ventre: Esta é uma visão orientalista e anacrônica, totalmente irreal. A Dança do Ventre não tem relação alguma com a antiguidade egípcia;

☥ A Grande Esposa Real e a coordenação de trabalhos domésticos: Checar se a limpeza do quarto do rei estava em ordem não era o trabalho de uma rainha.

☥ Coroação e casamento de Ramsés II: Antes de ser coroado faraó, Ramsés II já possuía duas esposas e vários filhos. Inclusive já era casado com Nefertari.

☥ Quando ocorria o casamento real? O Casal Real casava no dia da coroação.

Outra questão problemática são as roupas, as quais a maioria são casos anacrônicos (não esquecerei tão cedo os biquínis e as roupas de Dança do Ventre), com cores que não eram usadas, cortes e costuras inexistentes na época. Acredito que estes erros grosseiros relacionados com o vestuário tem uma explicação: acho que a ideia era criar uma variedade de imagens, “Os Dez Mandamentos” nunca teve uma finalidade educativa, esta é a realidade, os produtores não estão servindo a um propósito de Educação Patrimonial, é entretenimento. Entretanto, por mais que as roupas egípcias ao longo do faraônico não tenham tido uma variedade de cores, existia uma boa variedade de cortes que poderiam ter sido aproveitados, mas que ironicamente nem sequer aparecem na obra. Uma pena, porque esta seria uma ótima oportunidade de mostrar para as pessoas que a moda egípcia não era monótona. Abaixo alguns exemplos absurdos:

A personagem Nefertari (Camila Rodrigues) e sua mãe Yunet (Adriana Garambone). A roupa da Nefertari tem um corte irreal, mas a da Yunet desconsidere totalmente; do corte a cor, nada disso existia. Imagem: Reprodução.

A princesa Henutmire (Vera Zimmermann) e seu pai e faraó Seti I (Zécarlos Machado). Principalmente nela: ignore toda a roupa. Imagem: Reprodução.

Yunet e Seti I. A roupa dele ainda vai, mas a roupa dela é totalmente século XX, desde a roupa de Dança do Ventre ao chador. Puro orientalismo. Imagem: Reprodução.

Um segurança da guarda real e Seti I. Ainda não sei porque insistem em por armaduras nos soldados, enfim. Já a roupa de Seti I… Esta capa já diz tudo. Imagem: Reprodução.

Mais uma vez tudo errado. Sem brincadeira, o que se salva mesmo aí são os leques de pena. Imagem: Reprodução.

Mais uma vez uma capa, mas não bastava, tinha que ser azul. Meus olhos de arqueóloga verteram lágrimas de sangue. Destaque também para estes arbustos que me lembram árvores de festa natalina. Imagem: Reprodução.

As maquiagens femininas também deprimem. O uso de sombras coloridas provavelmente foi inspirado no Egito Hollywoodiano do filme “Cleópatra” de 1963.

Em relação as joias eu devo tecer alguns elogios; nos primeiros dias da novela eu senti uma pobreza em termos de ligação com a antiguidade e até um erro no mínimo engraçado, onde Seti I aparece usando uma tiara igual ao do Tutankhamon, o que é irônico, visto que Seti I o excluiu da lista de faraós, e ver a personagem do faraó usando um artefato réplica de alguém que ele desvinculou da linhagem real é até cômico. Contudo, com o passar da trama a produção começou a por mais elementos ricos, como peitorais com imagens de deuses, tiaras representando flores, etc. Nesse sentido até que fizeram um bom trabalho.

Esse peitoral usado pelo Ramsés II é perfeito. Ele representa o deus Hórus segurando o símbolo “ouro” em ambas as suas patas. Imagem: Reprodução.

Outro aspecto que foi modificado e para o qual também deixo o meu elogio é sobre a tolerância religiosa: No início era retratado um maniqueísmo entre o povo egípcio e os hebreus, mas com o passar da trama o enredo começou a ficar mais brando e até a explicar um pouco sobre a religião egípcia. Achei ótimo, isto mostra para o público deles que nem todos seguem a mesma religião e que isso não é justificativa para destratar uns aos outros.

Eu tentei assistir a novela mais algumas vezes, mas sinceramente não dá mais. O enredo começou a ficar tolo e nem mesmo os personagens mais cômicos salvam do desastre que são os diálogos sexistas, figurinos e cenários que parecem ter saído de algum filme de gosto duvidoso da década de 1930 a 60 e tantas idéias orientalistas que merecem serem analisadas em algum artigo científico.