A franquia de filmes “A Múmia” da Universal Studios

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quando o cinema surgiu no final do século XIX o público já estava, de certa maneira, acostumado com as imagens da Antiguidade egípcia em detrimento da Egiptomania, surgida graças a invasão napoleônica ao Egito em 1798. Por conta disso, alguns filmes lúdicos foram gravados, todos trazendo um passado cheio de mistério, exotismo e misticismo. Essa ainda era a época do cinema mudo.

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

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Em 1922 ocorreu a descoberta da tumba do faraó Tutankhamon o que deu um patamar novo para o passado egípcio no mundo ocidental: esse país não era mais somente um lugar cheio de tesouros arqueológicos, para algumas pessoas os seus artefatos poderiam conter a “maldição da múmia”, ideia popularizada pela morte do Lorde Carnarvon, patrocinador da descoberta do túmulo de Tutankhamon.

Paralelamente, a Universal Studios estava investindo em filmes de horror. Duas das suas grandes realizações tinha sido “Drácula” (1931), com Béla Lugosi e “Frankenstein” (1931) com Boris Karloff. Ambos trazendo atrama de homens que voltaram da morte. Foi com um princípio parecido que “A Múmia”, de 1932, estrelado também por Boris Karloff, foi pensado.

Ambientado na própria década de 1930, a fita conta a história do sacerdote Imhotep, que foi sepultado vivo como uma punição por um crime terrível. Ressuscitado no século XX, ele tenta então trazer a sua amada à vida, custe o que custar.

Anos depois foi lançado “A Mão da Múmia” (1940), onde é a vez do antigo egípcio Kharis despertar. O caminho de maldade de Kharis resultou em mais três filmes: “A Tumba da Múmia” (1942), “O Fantasma da Múmia” (1944) e “A Praga da Múmia” (1944).

“O Fantasma da Múmia” (1944). Foto: Divulgação.

Então, com a chegada de 1955, é a vez da comédia “Abbott e Costello caçando múmias no Egito”. Depois dessa produção o público precisou esperar 44 anos para poder ver “A Múmia” (1999) novamente nas telas do cinema, mas agora com um remake do filme de 1932. O personagem Imhotep foi repaginado com magias muito mais poderosas, novos personagens também foram criados. No entanto, a trama central permanece: ele fará de tudo para trazer de volta ao mundo dos vivos a sua amada. Esse novo “A Múmia” gerou duas continuações: “O Retorno da Múmia” (2001) e “A Múmia: tumba do Imperador Dragão” (2008).

“A Múmia” (1999). Foto: Divulgação.

Como é possível ver, esse monstro parece ser uma fonte inesgotável de inspiração. E é exatamente por isso que a Universal irá estrear nesse ano de 2017 um novo “A Múmia”, em que o monstro será uma princesa egípcia chamada Ahmanet.

“A Múmia” (2017). Foto: Divulgação.

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Em menos de 20 anos essa franquia completará 100 e aparentemente continuará a encontrar as gerações seguintes. Arrecadando milhares de fãs ao redor do mundo ela, apesar de apelar para o lado lúdico e muitas vezes errando feio ao representar a cultura faraônica, tem encantado várias pessoas de diferentes idades, algumas das quais acabaram, inclusive, se apaixonando pela verdadeira história do Egito. De um sacerdote egípcio apaixonado a uma princesa egípcia com sede de vingança, até onde o monstro “A Múmia” nos levará? ☥

 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]