A vida cotidiana às margens do Nilo

Nada como um dia após o outro: a vida cotidiana às margens do Nilo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

A vida do povo comum retratada das formas mais inusitadas é o que mais chama a minha atenção na arte egípcia. Normalmente vemos a pescaria, caça a hipopótamos, colheitas, etc, mas poucas vezes podemos observar o lado mais humano como as brincadeiras de roda, e até as brigas. Algumas destas imagens são retratações tanto de momentos trágicos, alegres ou cômicos. Veja abaixo algumas delas:

O rei beija uma figura feminina: na representação abaixo Akhenaton (Novo Império) beija uma garota (uma de suas esposas ou filhas). É notavel a ternura do beijo, que é vista através dos braços dos dois que se tocam com cainho.

Arqueologia egípcia: Akhenaton beija uma pequena dama 

Cirandinha: na tumba de Mereruka (Saqqara, VI Dinastia) vemos crianças brincando de algo que lembra a nossa ciranda.

Arqueologia egípcia: ciranda 

Jovens lixam um rapaz que está no chão: Na tumba de Ptahhotep (Saqqara, V Dinastia) quatro jovens espancam um quinto que está no chão. O mais interessante são os hieróglifos que dão voz as ações: enquanto o que está no chão reclama da dor um dos que está em pé grita “toma”. 

Arqueologia egípcia: briga
 

Embelezando as unhas: na tumba de Ankhmahor (Saqqara, XVI Dinastia) ocorre, ao que parece, uma cena de manicure. Sabemos que os egípcios realmente tinham este tipo de cuidado, por exemplo, a múmia que hoje é citada no Museu do Cairo como pertencente à rainha/faraó Hatshepsut possui as unhas das mãos pintadas.

Arqueologia egípcia: manicure 

Tirando uma nota: músicos com instrumentos de sopro tocam acompanhando os homens da frente que lhes passam o tom. Note que o que está à esquerda tampa um dos ouvidos enquanto faz um gesto com a mão.

Arqueologia egípcia: músicos 

Aplausos: na imagem completa estão algumas dançarinas com cabelos longos trançados e um pendente circular nas pontas. Enquanto fazem o passo espectadoras parecem aplaudir (ou dar a música?). 

Arqueologia egípcia: dançarinas 

Trabalhando bêbado: um dos estocadores dos vinhos (guardados nos grandes vasos) senta-se pondo a mão na cabeça, embriagado, enquanto um dos que está em pé reclama “Está dormindo”, um outro complementa “Está bêbado de vinho” e o que está alcoolizado devolve “Eu não estou dormindo”. 

Arqueologia egípcia: vinho
 

Álcool em excesso: uma dama servida em um banquete sente-se indisposta ao ingerir muito álcool e vomita, sendo então auxiliada por uma das empregadas da residência.

Arqueologia egípcia: dama indisposta 

Bibliografia:
Tallet, Pierre. A culinária no antigo Egito. 2006Casson, Lionel. O Antigo Egito. José Olympio. 1981Strouhal, Eugen. A vida no Antigo Egito. 2007

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]