Escaravelhos carnívoros no Egito Antigo? Entenda!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Quando o filme “A Múmia” (1999) estreou arrecadou milhares de fãs ao redor do mundo e junto com a fama veio alguns estereótipos: foi graças a esta obra de aventura que muitos dos amantes da antiga cultura egípcia vieram a se familiarizar com a imagem dos escaravelhos sagrados que, apesar de pequenos, eram extremamente mortais: em todos os seus momentos de tela eles aparecem devorando carne humana viva.

Entretanto, este animal jamais existiu!

Escaravelho sagrado egípcio.

Existem várias espécies de escaravelhos, com diferentes colorações e formatos. E algumas de fato comem carne humana, mas somente em decomposição. No caso do Egito além de ser insetos inofensivos, possuíam um papel extremamente importante, sendo considerados uma das imagens de uma importante divindade criadora, o Khepri.

Neste vídeo explico melhor sobre os escaravelhos sagrados, suas múmias — sim, foram encontradas múmias de escaravelhos — e como você pode estudá-los:

Sarcófagos e múmias de escaravelhos. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

Khepri era tido como a manifestação do sol nascente, ou seja, ele era uma divindade solar e uma das formas do deus Rá. Para variar, os antigos egípcios achavam que não existiam fêmeas entre os escaravelhos e que eles nasciam “do nada” de dentro das bolas de estrume que eles carregam de um lado para o outro. Este seria um dos motivos para os egípcios adotar Khepri como um deus criador.  

Escaravelho com uma bola de estrume.

Deus Khepri.

Fontes:

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

IKRAM, Salima. Divine Creatures: Animal Mummies in Ancient Egypt. Cairo: The American University in Cairo, 2005.

SHAFER, Byron. Sociedade, moralidade e práticas religiosas (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

Ancient Egyptian tombs yield rare find of mummified scarab beetles. < https://www.reuters.com/article/us-egypt-archaeology-discovery/ancient-egyptian-tombs-yield-rare-find-of-mummified-scarab-beetles-idUSKCN1NF0KY >. Acesso em 10 de novembro de 2018.

Descoberta arqueológica única comprova relato de Heródoto

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Heródoto foi um viajante e pesquisador grego que visitou o Egito durante o século 5 a.E.C. Foi dele de onde saiu uma das frases mais emblemáticas sobre o país: “O Egito é uma dádiva do Nilo”. Entretanto, embora seja um dos principais referenciais no que diz respeito ao registro da vida na Antiguidade, Heródoto já foi assumido — e com razão — por muitos historiadores e arqueólogos como alguém pouco confiável, uma vez que os seus textos não raramente tendem para a fantasia.

Imagem: G Nimatallah/De Agostini/Getty Images

Porém, recentemente foi anunciada para a imprensa que no Egito ocorreu a descoberta de um meio de transporte que foi citado em sua obra “Histórias”, mas que até então não tinha sido encontrado: trata-se de uma embarcação de carga. Ela foi descoberta durante uma escavação arqueológica submersa na antiga área portuária de Thonis-Heracleion, próximo de Alexandria.

Thonis-Heracleion foi uma antiga cidade portuária que acabou ficando submersa graças a uma série de desastres naturais. Ela, ao lado de Alexandria, tem rendido uma série de importantes descobertas arqueológicas acerca do Período Greco-Romano.   

“Foi só quando descobrimos esse naufrágio que percebemos que Heródoto estava certo”, disse Damian Robinson, diretor do Centro de Arqueologia Marítima de Oxford, que publicou uma monografia recente detalhando o achado. E complementou “O que Heródoto descreveu foi o que estávamos olhando”.

No seu livro “Histórias”, Heródoto descreve a construção de um cargueiro do Nilo. Em seu relato ele fala da criação de barcos de “acácia espinhosa” (espinheiro) que “dada a forte correnteza, não podem subir o rio, a menos que sejam impelidos por forte vento”.

Imagem: Christoph Gerigk/Franck Goddio/Hilti Foundation.

Ele relatou que os construtores “do espinheiro tiram pranchas de dois côvados de comprimento [1], que ajustam umas às outras, da mesma maneira por que arrumam os tijolos [2], prendendo-as com cavilhas fortes e longas. Colocam depois as vigas, sem se servirem de cavernas, consolidando o arcabouço pelo lado de dentro com ligas de biblos [3]”.

Imagem: Christoph Gerigk/Franck Goddio/Hilti Foundation.

A embarcação naufragada recebeu o nome de “Embarcação 17”. É feita com acácia e de acordo com as análises provavelmente possuía uns 92 pés. Os pesquisadores responsáveis pela descoberta explicam que ela foi construída em algum momento no século 6 a.E.C, mas que naufragou no século 5 a.E.C.

Alexander Belov, autor do livro “Ship 17: a Baris from Thonis-Heracleion”, é ousado em uma de suas colocações afirmando que a arquitetura náutica do naufrágio está tão próxima da descrição de Heródoto que poderia ter sido feita no próprio estaleiro que ele visitou.

Cargueiros para blocos de pedra:

Embora a “Embarcação 17” provavelmente tenha sido utilizada para transportar grandes mercadorias a exemplos de sacas de grãos. Na iconografia egípcia de tempos anteriores a esta descoberta podemos ver embarcações transportando coisas ainda maiores e mais pesadas, tais como blocos de pedra. Um ótimo exemplo é a embarcação retratada na tumba de um homem chamado Ipi (5ª Dinastia), localizada em Saqqara.

— Veja também: Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

O Egito era uma civilização extremamente fluvial e desde o Período Pré-Dinástico vemos exemplos de imagens que nos remetem à embarcações. E não só isso: em diferentes momentos históricos e variados contextos foram encontradas embarcações propriamente ditas. Dois exemplos são os “barcos de Dashur” e a embarcação solar do faraó Khufu (Quéops).

Clique aqui para conferir a imagem colecionável “A Barca Solar de Queóps” da Del Prado.

Dashur BoatUm dos barcos de Dashur

Khufu solar boatBarca solar de Khufu

A Arqueologia Subaquática:

No nosso canal possuímos um vídeo explicando como se dá uma pesquisa arqueológica subaquática, dificuldades e oportunidades de trabalho:

Fontes:

Wreck of Unusual Ship Described by Herodotus Recovered From Nile Delta. Acesso em < https://www.smithsonianmag.com/smart-news/wreck-unusual-ship-described-herodotus-recovered-nile-delta-180971762/ >. Disponível em 12 de abril de 2019.

Nile shipwreck discovery proves Herodotus right – after 2,469 years. Acesso em <  https://www.theguardian.com/science/2019/mar/17/nile-shipwreck-herodotus-archaeologists-thonis-heraclion >. Disponível em 12 de abril de 2019.

Livro “Histórias” de Heródoto.


[1] cerca de 100 cm.

[2] as organizam como tijolos.

[3] papiro.

Descubra como eram feitas as múmias egípcias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Certamente as múmias são um dos elementos mais reconhecíveis da cultura da Era dos Faraós. Elas são tão queridas e instigantes que acabaram se tornando o tema de muitos documentários. Além de muito presentes na cultura popular: nós as vemos em filmes, séries, literatura, histórias em quadrinhos, games, brinquedos e revistas.

E não é difícil encontrá-las em alguns museus de antiguidades. Até no nosso Brasil possuíamos algumas. A maioria estava no Museu Nacional e foram destruídas no incêndio ocorrido no dia 2 de setembro de 2018. Incêndio este que arrasou todo o interior do edifício. E em Curitiba, no Museu Egípcio e Rosacruz, possuímos uma cabeça feminina que foi apelidada pelos pesquisadores como Thotmea.

Mas, como é que eram feitas as múmias egípcias? Quais ingredientes eram utilizados? E por que os egípcios passaram a mumificar? Estas e outras perguntas são respondidas neste vídeo exclusivo produzido pelo Arqueologia Egípcia:

As múmias egípcias significam várias coisas. Desde um dos passos necessários do morto para alcançar a eternidade a um vínculo do falecido com o mundo dos vivos. Porém, a mumificação foi muito além.

O aperfeiçoamento da sua prática acabou possibilitando notáveis avanços na medicina nos tempos dos faraós. Já que o conhecimento do corpo tornou possível que os médicos egípcios pudessem ter uma visão mais geral dos ferimentos e enfermidades.

Clique aqui para conferir a imagem colecionável “A Mumificação” da Del Prado.

E graças às pesquisas arqueológicas nós conhecemos alguns dos artefatos utilizados durante a mumificação. Na imagem abaixo é possível ver uma cama para o descanso do corpo no natrão, uma máscara do deus Anúbis e uma paleta de mumificador.

E nos dias de hoje é graças à boa conservação de muitas múmias que nós arqueólogos podemos arrecadar dados que nos possibilitam ler detalhes sobre a vida no Antigo Egito como doenças, alimentação, idade média de vida e causas comuns de morte em uma determinada comunidade.

Fontes do vídeo:

AUFDERHEIDE, Arthur. The Scientific Study of Mummies. Nova York: University of Cambridge, 2010.
BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.
BIERBRIER, Morris L. Historical dictionary of Ancient Egypt. Maryland: The Scarecrow Press, Inc, 2008.
HARRIS, James. “Scientific study of mummies”.In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.
JIRÁSKOVÁ, L. Damage and repair of the Old Kingdom canopic jars: the case at Abusir. PES XV, 2015.
MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.
STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

Site:
A Pigment from the Depths: https://www.harvardartmuseums.org/article/a-pigment-from-the-depths

(Evento – SE) I Encontro Nacional de Estudantes de Arqueologia

Entre os dias 22 e 27 de abril de 2019 acontecerá, na Universidade Federal de Sergipe, Campus de Laranjeiras, o I Encontro Nacional de Estudantes de Arqueologia (ENEArqueo). Se utilizando do lema “Arqueologia sob novos olhares” o evento terá como propósito estimular reflexões e despertar questionamentos sobre assuntos de grande relevância para a prática arqueológica.

Abaixo a programação:

É possível se inscrever de forma gratuita através do SIGAAA.

Para mais informações:

https://enearqueo.wixsite.com/enearqueo2019

Objetos perdidos de Tutankhamon são encontrados

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A arqueologia é uma ciência cheia de surpresas, em especial graças aos momentos e lugares inusitados em que podem ocorrer descobertas arqueológicas. E foi isto o que ocorreu há algumas semanas no Museu de Luxor: em seu depósito foi encontrada uma misteriosa caixa e dentro dela estavam partes de um dos artefatos encontrados na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. A tumba deste rei foi descoberta em 1922 praticamente intacta e em seu interior foram encontrados mais de 5.300 objetos.

Foto: Museu de Luxor.

Quem encontrou a caixa foi o diretor de arqueologia e comunicação do museu, Mohamed Atwa. Em um comunicado à imprensa ele relatou o seu susto e a emoção de ter a encontrado:

“É a descoberta mais empolgante da minha carreira. É incrível que depois de todos esses anos ainda temos novas descobertas e novos segredos para este rei dourado, Tutankhamon.”

— Saiba mais: Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Ele ainda explicou que encontrou a caixa enquanto estava separando alguns artefatos pertencentes a Tutankhamon e que seriam enviados para o Grande Museu Egípcio. O qual, espera-se, seja inaugurado ano que vem.

Foto: Museu de Luxor.

Dentre os objetos dentro da caixa estava um mastro de madeira, um conjunto de cordinhas e uma cabeça de madeira em miniatura coberta por folhas de ouro. Veja o vídeo abaixo para conhecer mais sobre este artefato e para entender os motivos que levaram os egípcios antigos a colocar embarcações dentro de tumbas:

Outra curiosidade é que estes objetos estavam embrulhados dentro de um jornal datado do dia 5 de novembro de 1933, um domingo. Porém, o museu deu a caixa como desaparecida desde 1973.

As embarcações eram extremamente importantes para os antigos egípcios, tão importantes que eram representadas em tumbas em forma de maquetes ou pinturas parietais. Até o deus sol Rá utilizava uma embarcação para cruzar o céu. Então confira a imagem colecionável “A Barca Solar de Quéops” da Coleções DelPrado. Comprando através do nosso link o Arqueologia Egípcia ganha uma comissão. Clique aqui para adquirir a sua ou aqui para ver mais colecionáveis.

Fontes:
This Miniature Boat Was Meant for King Tut’s Fishing Trips in the Afterlife
https://www.livescience.com/64922-lost-king-tut-boat-found.html

Encuentran en el Museo de Luxor una caja con objetos perdidos de la tumba de Tutankamón
https://www.abc.es/cultura/abci-encuentran-museo-luxor-caja-objetos-perdidos-tumba-tutankamon-201903071347_noticia_amp.html?__twitter_impression=true

Múmias são encontradas em Aeroporto do Cairo (Egito)

Há algumas semanas, no Aeroporto Internacional do Cairo (Egito), foram encontrados dentro de caixas de alto-falantes fragmentos de múmias egípcias. A descoberta foi feita quando os objetos estavam passando pela varredura de raio-x. Até aquele momento a equipe de segurança não sabia do que se tratavam, por isto que eles foram enviados para a unidade de arqueologia do aeroporto. Foi então quando os pedaços foram identificados como restos humanos datados da era dos faraós. O destino do contrabando era a cidade de Bruxelas, na Bélgica.

A equipe de arqueologia também salientou que as partes, em verdade, eram advindas de dois corpos e estavam em frangalhos porque foram quebrados propositalmente para caber dentro das caixas. Eles identificaram: dois pés, duas pernas, a parte inferior de uma mão esquerda, um braço e parte do tronco. Todos eles estão agora em um laboratório do Museu Egípcio para serem estudados e restaurados.

O tráfico de artefatos arqueológicos não é incomum e no Egito isto é quase uma epidemia. De acordo com as autoridades, são barradas anualmente a saída de cerca de 2000 a 3000 artefatos.

Fotos: divulgação.

Fontes:

Los restos de dos momias faraónicas, recuperados de unos altavoces en el aeropuerto de El Cairo. Disponível em < https://www.elmundo.es/cultura/2019/02/27/5c759954fdddffa4208b468d.html >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Mummy body parts discovered in passenger’s luggage at Cairo airport. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/326115/Heritage/Ancient-Egypt/Mummy-body-parts-discovered-in-passengers-luggage-.aspx >. Acesso em 18 de mar de 2019.

(Evento – SP) VI Semana Internacional de Arqueologia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos dias 20 a 24 de maio de 2019, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, ocorrerá a VI Semana Internacional de Arqueologia Discentes do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. O evento tem a proposta de pensar a Arqueologia como práticas sociais e políticas, sobretudo em contextos marginalizados e de conflitos. Trata-se de um evento científico internacional que ocorre a cada dois anos e que promove o debate das pesquisas realizadas por estudantes de pós-graduação, de graduação e recém-formados, tanto do MAE/USP quanto de outras instituições.

O lema deste ano é “Museus existem e resistem”, uma clara alusão ao momento grave que os museus brasileiros têm enfrentado.

Caso queira participar do evento estes são os valores:

Saiba mais: https://www.vi-sia.org/

Você é um estudante carente ou pretende ajudar um a ir ao evento?

Mensagem enviada pela comissão organizadora:

A VI Semana Internacional de Arqueologia – Discentes MAE/USP é um evento organizado pelos alunos para discutir questões atuais da arqueologia. Esse ano trazemos temas sobre a ciência brasileira nesse novo quadro político, arqueologia da resistência, indígena, quilombola e queer.

Recebemos, nestes últimos dias, diversas solicitações de ajuda para participação no evento, porém nosso orçamento é limitado e com regras rígidas para a utilização.

Sabemos das dificuldades que a ciência vem enfrentando nos últimos anos e, consciente dos temas propostos nessa edição, temos a responsabilidade de entender e enfrentar as dificuldades impostas principalmente para estudantes indígenas, quilombolas e também de pessoas trans.

Temos muita clareza que não somos uma agência de fomento e, provavelmente, não conseguiremos atender a todos interessados, mas acreditamos que esse diálogo fortalecerá a comunidade arqueológica como um coletivo.

Dessa maneira, nós da comissão organizadora da VI Semana de Arqueologia – discentes MAE/USP decidimos solicitar contribuições voluntárias para que o maior número de alunos, de diferentes partes do Brasil, possa participar do evento.

Caso você seja um estudante que precisa de ajuda, preencha o formulário e nos ajude a entender a demanda: https://docs.google.com/forms/u/2/d/1kF8UDAdHSirBvuuI6wwsYFEKMq4yZ0WTI3Kmyh6gJXE/edit?usp=forms_home&ths=true

Se você gostaria de ajudar, adote um estudante, faça sua doação e nos ajude a proporcionar a vinda de mais estudantes. Não há valor mínimo para contribuição: http://vaka.me/506726

Não tem interesse, mas conhece alguém que precisa ou que gostaria de ajudar? Por favor, compartilhe. Ajude a divulgar!

Para mais informações entre no nosso site: http://www.vi-sia.org/

Red Hot Chilli Peppers transmitirá show ao vivo nas pirâmides do Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

As pirâmides do platô de Gizé são o cartão postal do Egito há décadas. Várias celebridades as visitaram e registraram suas passagens por lá. Mas, quantas vezes você ouviu falar de shows ao vivo transmitidos de lá através do YouYube? Nenhuma, porque isto nunca foi feito.

Entretanto, a banda Red Hot Chili Peppers realizará esta façanha inédita nesta próxima sexta-feira, dia 15. Eles tocarão em frente as pirâmides e tudo será transmitido em 4k através do canal da banda no YouTube.

Red Hot Chili Peppers (Foto: Julio Cortez / AP)

“Meu coração está agitado e alegre com a perspectiva de tocar no Egito.” Chegou a declarar o baixista Flea no site oficial do grupo, “Eu estou muito grato e feliz pela experiência que virá. As pirâmides… É inacreditável, a gente só pulou de cabeça na oportunidade. Eu sempre fui fascinado pelo Egito, e é uma região no mundo que estou muito animado para ir.”

Contudo, não foram esclarecidas quais serão as providencias tomadas pela produção e o governo egípcio para que as atividades do show não impactem de alguma forma os sítios arqueológicos que se encontram nas proximidades.

Caso queira assistir ao show, ele será transmitido por meio do vídeo abaixo, às 15h (horário de Brasília):

Mas, caso você esteja no Egito, os ingressos estão sendo vendidos através do site ticketsmarche.com.

Grande esfinge de faraó é encontrada no Sul do Egito

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Uma missão sueco-egípcia sob a coordenação da Universidade de Lund realizou a descoberta de uma oficina de esculturas de arenito datada do Novo Império. Este sítio arqueológico está localizado nas pedreiras de Gebel El-Silsila, Aswan; onde as escavações revelaram que ela também funcionava como o lar dos trabalhadores das pedreiras (juntamente com suas famílias)[1][2][3].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Dentre os artefatos encontrados no local está uma grande crioesfinge, que em termos simples é uma esfinge com cabeça de carneiro, um dos símbolos do deus Amon, padroeiro da cidade de Tebas. Ela foi esculpida em um bloco de arenito pesando possivelmente 10 toneladas [3] e possui cerca de 3,5 metros de altura, 5 metros de comprimento e 1,5 de largura. Provavelmente é datada do reinado de Amenhotep III (Novo Império). Não se sabe exatamente os motivos para a crioesfinge ter sido abandonada na pedreira. Uma das sugestões é a de que ela acabou sendo quebrada durante o seu transporte, a outra, e a mais provável, é a de que Amenhotep III teria morrido antes dela ter sido concluída e que por isto não existia motivos para finalizá-la[1][2][3].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Na base da estátua, a equipe encontrou uma escultura quebrada de uma cobra uraeus, símbolo da realeza. No local também foi encontrada uma pequena esfinge a qual acredita-se que tenha sido feita por um aprendiz que estava pondo em prática o que estava aprendendo. “Encontrar uma peça de prática em menor escala, esculpida por um aprendiz, juntamente com a esfinge em grande escala, é igualmente excepcional“, diz Maria Nilsson, uma das líderes da missão[1].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

Também foram descobertos vários fragmentos de hieróglifos provenientes de um naos (pequeno templo em formato retangular) nominado a Amenhotep III. Assim como restos tanto de uma escultura de um falcão, como de um obelisco [1][2][3].

Foto: Gebel El-Silsila Project (2019)

A descoberta foi documentada por uma equipe de filmagem da National Geographic e aparece no episódio 5 da série “The Lost Treasures of Egypt”. Imagens da descoberta também serão mostradas no programa “Secrets of Egypt’s Valley of the Kings”, no Canal 4, no Reino Unido, em março [3].

No Egito Antigo a elaboração de grandes esculturas era um trabalho feito em conjunto onde cada pessoa ficava responsável por cada detalhe. Você gostaria de ter uma lembrança disto em sua estante? Então confira a imagem colecionável “Execução de uma escultura real” da Coleções DelPrado. Comprando através do nosso link o Arqueologia Egípcia ganha uma comissão. Clique aqui para adquirir a sua.

Fontes:

[1] New Kingdom workshop discovered in Egypt’s Gebel El-Silsila. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/326232/Heritage/Ancient-Egypt/New-Kingdom-workshop-discovered-in-Egypts-Gebel-El.aspx >. Acesso em 28 de fevereiro de 2019.

[2] Descubierta una esfinge inacabada con cabeza de carnero y otras piezas egipcias. Disponível em < https://www.nationalgeographic.com.es/historia/actualidad/descubierta-esfinge-inacabada-cabeza-carnero-y-otras-piezas-egipcias_13943/1 >. Acesso em 28 de fevereiro de 2019.

[3] Ram-Headed Sphinx Abandoned by King Tut’s Grandfather Found in Egypt. Disponível em < https://www.livescience.com/64870-ram-headed-sphinx-egypt.html >. Acesso em 03 de março de 2019.

Dois artefatos arqueológicos exclusivos são expostos no Museu do Cairo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma máscara mortuária dourada e uma estela pintada são os dois artefatos arqueológicos que agora fazem parte da exposição do Museu Egípcio do Cairo. A máscara outrora pertencia a um homem egípcio que vive na França e que a doou ao museu, onde foi restaurada. A procedência anterior do artefato não foi informada e nem o seu período, mas pela fotografia o que é possível sugerir é que ela é feita em madeira com um revestimento em ouro.

A segunda peça é uma estela funerária. Ela foi descoberta em 1915 pela missão do Museu Metropolitano de Artes na necrópole de Assasif, na margem ocidental de Luxor. Ela é datada do Médio Reino e trás quatro figuras: duas mulheres e dois homens.

A exposição destes dois artefatos faz parte de um projeto do museu em trazer novidades a sua exposição, que está sendo amplamente impactada pela transferência de vários artefatos para o Grande Museu Egípcio (veja o vídeo).

Fonte:
Two exclusive pieces displayed at Egyptian Museum this week. Disponível em < https://ww.egyptindependent.com/two-exclusive-pieces-displayed-at-egyptian-museum-this-week/ >. Acesso em 27 de fevereiro de 2019.