Como eram escritos os nomes dos faraós

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Os hieróglifos egípcios foram desenvolvidos em algum momento entre o Período Pré-Dinástico e a Época Tinita (também chamada de Arcaica). Em verdade, existe um consenso entre os acadêmicos de que esta complexa escrita egípcia surgiu justamente durante a época de unificação do Alto e Baixo Egito.

E os nomes próprios do Egito Antigo usualmente falavam de algum aspecto do indivíduo como “A Bela Chegou”, “Aquele que Vive para Amon”, etc. Mas, os nomes dos membros da realeza tinham um adicional especial: durante os primeiros séculos da era dos faraós os nomes dos reis eram representados dentro de símbolos retangulares chamados “serekh”. Com o tempo a tradição mudou e os nomes dos reis, assim como das rainhas, princesas e príncipes passaram a ser escritos dentro do que nós convencionamos a chamar de “cartuches” palavra francesa para cartucho.

Cartuche com o nome da faraó Hatshepsut.

Por que cartuche? Por que em francês?

Esse foi um apelido dado pelos soldados franceses durante a invasão napoleônica ao Egito no século 18. De acordo com eles o símbolo oval com um tracinho em sua ponta lembrava os cartuchos das balas de suas espingardas.

Já o motivo do seu formato provavelmente tem a ver com o “shen”, símbolo da eternidade ou a amplitude do domínio real. Mas é certo que, ao contrário do que dizem alguns, nada tem a ver com o ouroboros, serpente que morde a cauda.

Serekh com o nome de Djet.

Saiba mais: Serekh: o mais antigo abrigo conhecido para o nome real

Tal como o serekh, a finalidade de se escrever um nome real dentro de um cartuche era conferir proteção divina. Contudo, se fosse de interesse de um rival político ou um desafeto destruir a memória de um faraó, era só apagar o seu nome, não raramente juntamente com seu cartuche.

Mas o cartuche não era usado unicamente colocar um nome, mas como motivo estilístico também. Como é o caso deste porta unguento encontrado na tumba do faraó Tutankhamon:

Ainda vale a pena estudar Arqueologia? | #MulherADA TEC

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Por quase 300 anos arqueólogos têm escavado lugares antigos em busca da história da humanidade. Como consequência, sempre vemos revistas, sites e documentários anunciando descobertas incríveis, o que leva as pessoas a me questionar o seguinte: ainda existem descobertas sensacionais para ser feitas?

Paralelamente, em um mundo cada vez mais digital muitos se questionam se ainda existe espaço para escavações arqueológicas no futuro, afinal, está tudo documentado nas redes-sociais. 

Para responder a ambas estas questões irei para Campinas (SP) onde participarei do encontro MulherADA TEC. Este é um evento de tecnologia que está sendo organizado pela agência NuminaLabs, com o patrocínio do iFood, Instituto Serrapilheira e com o apoio do Instituto Pavão Cultural e Chopp Com Ciência. 

Este evento é para entusiastas da ciência, então, venha sem medo! O ingresso custa R$30,00 e eles são limitados

Que conhecer todas as palestrantes do MulherADA TEC? Segue:

Ana Carolina da Hora (Computação Da Hora) –  “Pensamento Computacional como estratégia da cidadania digital”.

Virgínia Fernandes e Camila Laranjeira (Peixe Babel) – “O que competições tec podem te ensinar?”

Rita WU – “Inteligências tecnológicas: abordagens criativas para um futuro menos distópico”.

Márcia Jamille (Arqueologia Egípcia) – “O Futuro pertence à Arqueologia?”.

Sandra Ávila – “Inteligência artificial tornando a medicina mais humana”.

Local: 

Instituto Pavão Cultural; 

Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708;

Cidade Universitária, Campinas

Fone (19) 3397-0040

Ingressos: R$ 30,00 (lugares limitados)

Compre aqui: https://www.sympla.com.br/encontro-mulherada-tec__791827

Realização: NuminaLabs

Patrocinadores: Instituto Serrapilheira / iFood

Apoio: Instituto Pavão Cultural

Menção ao faraó Ramsés II é encontrada em templo em Israel

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um templo cananeu com cerca de 3.200 anos foi descoberto onde outrora se encontrou a cidade bíblica de Laquis, que durante a antiguidade passou alguns tempos sob o domínio do império egípcio. A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos liderada pelo professor Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e pelo professor Michael Hasel, da Universidade Adventista do Sul, no Tennessee.

Equipe de arqueologia trabalhando no local

E uma das coisas que mais chamou a atenção nesta pesquisa foi o descobrimento de caldeirões de bronze, punhais, cabeças de machados, escaravelhos e uma garrafa banhada a ouro com o nome do faraó Ramsés II, que viveu durante o Novo Império, 19ª Dinastia. 

Fundo dos escaravelhos egípcios encontrados

Eles também descobriram um amuleto aparentemente inspirado na deusa Hathor, divindade egípcia do amor, festas e alegria. “Aparentemente” porque na imagem o que vemos é uma figura feminina nua com o típico cabelo em arco da deusa.

Suposta imagem da deusa Hathor

Agora, o que tem a ver o Egito com Israel? Por que o nome de Ramsés II foi encontrado neste templo em Laquis? 

Laquis é uma antiga cidade que se encontra no centro de Israel. Surgida por volta de 1800 a. E. C., cerca de 400 anos mais tarde foi atacada e destruída pelo faraó Tutmés III (Novo Império, 18ª Dinastia). Décadas depois, durante o Período Amarniano (Novo Império, 18ª Dinastia), o governo de Laquis troca correspondências com o governo egípcio através das atualmente chamadas “Cartas de Amarna”. E o link entre os dois países continua a existir durante o governo de Ramsés II. 

Fonte: 

Ancient Canaanite Temple With Statues of Baal Found in Southern Israel. Disponível em < https://www.haaretz.com/archaeology/.premium.MAGAZINE-ancient-canaanite-temple-with-statues-of-baal-and-standing-stones-found-at-lachish-1.8551716 >. Acesso em 18 de fevereiro de 2020. 

83 sepulturas com cerca de 5 mil anos foram encontradas no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão de pesquisa do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, anunciou esta semana a descoberta de oitenta e três sepulturas durante escavações arqueológicas na província de Daqahliya, que fica a cerca de 70 km da antiga cidade de Buto, atual Tell el-Fara’in. 

Daqahliya está situada no Delta do Nilo, que graças às suas grandes áreas cultiváveis é uma região povoada já desde o Período Pré-Dinástico — época anterior à unificação do Alto e Baixo Egito —. E é justamente desta época que são datadas essas covas recém-abertas. 

Um detalhe muito intrigante é que quando os arqueólogos iniciaram a limpeza do local perceberam que, pela posição de alguns ossos, aparentemente os mortos tinham sido enterrados de cócoras, em vez da posição clássica deitada. Juntamente com os ossos estavam objetos funerários, incluindo conchas de ostras.

Outra descoberta notável foram a de dois caixões feitos com argila, algo extremamente raro nesta região e período. Outro detalhe é que em três dos sepultamentos foram encontradas duas tigelas contendo kohl, um cosmético egípcio utilizado para fazer o clássico delineado negro ao redor dos olhos.

Passado e Presente: Tubo para guardar kohl

Esta pesquisa é extremamente importante porque a área do delta do Nilo, por conta da presença de vários braços de rios e consequentemente a umidade, costuma ser menos propícia para a conservação de artefatos tão antigos. Então, o descobrimento de 83 sepulturas nos dará detalhes sobre como era a vida nesta região, o que as pessoas comiam nesta época, doenças, taxas de mortalidade e ascendência. 

Fontes:

83 ancient graves discovered in Egypt’s Nile Delta. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/363414/Heritage/Ancient-Egypt/-ancient-graves-discovered-in-Egypts-Nile-Delta-.aspx >. Acesso em 12 de fevereiro de 2020. 

83 ancient graves discovered in Egypt’s Daqahliya Governorate. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/83-ancient-graves-discovered-in-egypts-daqahliya-governorate/ >. Acesso em 13 de fevereiro de 2020.

Múmias de sacerdotes do deus Thot são encontradas em grande tumba; filho de faraó também está lá!

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito divulgou na última quinta-feira a descoberta de tumbas na província de Minya. A maioria pertence a sacerdotes que viveram há 3.00 anos no Egito. No total são 16 túmulos contendo 20 sarcófagos, cinco dos quais são feitos talhados na pedra calcária. A descoberta foi feita por uma missão arqueológica liderada por Mustafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Tratam-se de sepulturas compartilhadas das quais algumas eram de sacerdotes que trabalhavam a serviço ao deus Thot, divindade da escrita. As demais são de altos funcionários do Período Tardio.

No local também foram encontrados 10.000 ushabtis, alguns de cor azul (cor símbolo da divindade) e outros de cor verde (cor símbolo da fertilidade). Ushabtis são pequenas estátuas funerárias que eram colocadas em túmulos para servir ou substituir o falecido em tarefas cotidianas no além mundo. 

Também foram encontrados recipientes canópicos (onde os egípcios colocavam os órgãos mumificados) feitos com calcário pintado (e ao menos um deles pertencia a uma mulher) e 700 amuletos; alguns representando escaravelhos.

Muitos vasos de cerâmica de diferentes formas e tamanhos, usados ​​para fins funerários e religiosos, também foram desenterrados juntamente com ferramentas para cortar pedras e mover caixões, como martelos de madeira.

Durante um comunicado para imprensa, Waziri disse que um dos sarcófagos de pedra pertence ao filho do rei Psamético (não foi esclarecido qual deles), que assumiu o título de chefe do tesouro real. Ele possuía muitos títulos, dos quais um dos mais importantes era o de sacerdote de Osíris e Nut.

Fonte: 

Sarcophagus dedicated to sky god among latest ancient Egypt trove. Disponível em < https://phys.org/news/2020-01-sarcophagus-dedicated-sky-god-latest.html >. Acesso em 30 de janeiro de 2020. 

In photos: Communal tombs for high priests uncovered Upper Egypt. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/362609/Heritage/Ancient-Egypt/In-photos-Communal-tombs-for-high-priests-uncovere.aspx >. Acesso em 30 de janeiro de 2020. 

16 ancient Egyptian burial shafts see the light in Minya. Disponível em < https://wwww.dailynewssegypt.com/2020/01/30/16-ancient-egyptian-burial-shafts-see-the-light-in-minya/ >. Acesso em 30 de janeiro de 2020. 

A verdade por trás da história da voz da múmia de um sacerdote egípcio

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

“O som de um indivíduo mumificado de 3000 anos de idade foi reproduzido com precisão com um tipo de som de vogal”, é assim que começa o artigo que revelou ao mundo que  uma equipe de acadêmicos de diferentes universidades (a maioria advindas do Reino Unido) teria reproduzido a voz de um sacerdote egípcio [1]. O nome deste homem da antiguidade é Nesyamun e ele viveu durante o reinado do faraó Ramsés XI, que por sua vez reinou por volta do início do século 11 aC.

Foto: Leeds Museums and Galleries

A múmia de Nesyamun, que atualmente está no Leeds City Museum, foi desembrulhada em 1824 e trabalhos subsequentes revelaram que ele estava na casa dos 50 anos quando morreu. Alguns chegaram a sugerir que ele teria falecido por estrangulamento, mas hoje acredita-se que ele padeceu por conta de uma reação alérgica, possivelmente resultado de uma picada de inseto na língua [1]. 

Foto: Leeds Museums and Galleries

De acordo com o texto, a partir dos dados obtidos de uma tomografia computadorizada, foram conseguidas as medições exatas do trato vocal (que compreende as cavidades faríngea, oral e nasal) do falecido. Foi assim que surgiu a ideia de se realizar uma reprodução do trato em 3D e tentar ouvir como seria a voz de um sacerdote egípcio falecido [1]. 

Como justificativa para o trabalho, os pesquisadores afirmam que a proposta da pesquisa é dar oportunidade de levar as pessoas a se envolver com o passado. Ainda de acordo com o artigo, questões éticas foram levantadas pela equipe, assim como seus possíveis resultados para o patrimônio. Os pesquisadores concluíram que os benefícios potenciais superavam as preocupações, principalmente porque “as próprias palavras de Nesyamun expressavam seu desejo de ‘falar de novo’” [1]. 

“Falar de novo” faz parte da tradição religiosa egípcia e tem a ver com o Ritual de Abertura da Boca. Em tal ritual a boca do morto era aberta magicamente para que ele pudesse comer novamente, respirar e falar. Usar esta antiga tradição como justificativa para uma pesquisa científica que se propõe ser séria não é válida, até porque, se for para seguir os desejos de Nesyamun certamente ele não desejaria que seu corpo estivesse na Inglaterra sendo exposto para estranhos, mas em sua tumba no Egito.

Imagem disponível em: Howard, D.M., Schofield, J., Fletcher, J. et al. Synthesis of a Vocal Sound from the 3,000 year old Mummy, Nesyamun ‘True of Voice’. Sci Rep 10, 45000 (2020). https://doi.org/10.1038/s41598-019-56316-y

Outra parte problemática desta pesquisa é que eles estão usando o corpo de alguém que está morto há 3000 anos e que passou por uma mumificação severa (que é a egípcia) onde músculos e órgãos, dentre eles a língua e os pulmões (este último foi removido do corpo durante a mumificação) viraram um amontoado de carne enrugada e seca. Mesmo com um tomógrafo não é possível ter exatidão para saber como eram estas partes do corpo quando o indivíduo estava vivo. Só este detalhe já tornaria irreal a frase de abertura do artigo, “O som de um indivíduo mumificado (…) reproduzido com precisão”.

Inclusive o David Howard, um dos acadêmicos por trás do projeto, esclareceu para a CNN que “Na verdade, não é um som que ele provavelmente teria feito na prática porque a maior parte da sua língua não existe” [2]. 

Não bastassem estes problemas iniciais, até a forma como o som foi “resgatado” é controverso. A equipe utilizou uma ferramenta de síntese de fala chamada Vocal Tract Organ [3], que reconstrói o som que sairia de um trato vocal. Basicamente o trato vocal impresso em 3D de Nesyamun foi conectado a um alto-falante e os pesquisadores emitiram um sinal eletrônico imitando o som de uma “saída acústica da laringe humana”.  O resultado? O som que saiu foi algo que lembra um sonoro“eh”, um simples gemido, mas que exageradamente alguns sugeriram que poderiam ser as palavras em inglês “bed” (cama) ou “bad” (mau). A múmia do sacerdote não “falou” como muitas mídias chegaram a veicular, tão pouco a “voz” que saiu não foi de um sacerdote morto há 3000 anos, foi um som artificial criado pela própria equipe. Escute o som: 

Alguns pesquisadores que não participaram da equipe e que foram consultados por veículos da imprensa também esclareceram que existem pontos preocupantes nesta pesquisa. Um deles é Daniel Bodony, especialista em aeroacústica da Universidade de Illinois, que explicou ao portal Post que a aproximação eletrônica da equipe “parece pequena” porque a múmia de Nesyamun não possui cordas vocais completas capazes de adicionar “riqueza e emoção” às palavras de alguém [3]. Outro é Rudolf Hagen, especialista em reconstrução do tórax, ouvido, nariz e garganta do Hospital Universitário de Wuerzburg, Alemanha. Ele expressou ceticismo explicando que até a medicina de ponta luta para dar às pessoas vivas sem tórax uma voz “normal” [4]. 

Então explicando algumas das falhas dessa pesquisa ponto a ponto:  

  • A equipe utilizou uma interpretação distorcida das práticas religiosas dos antigos egípcios para justificar sua pesquisa. E ainda falou que isso é uma justificativa ética. Distorcer as falas de uma cultura não é ético. 
  • A voz de alguém do passado não dará nenhuma informação sobre a cultura e nem mesmo sobre a linguagem da sociedade em que ele viveu. 
  • Qual o benefício real para a sociedade atual? Embora a Arqueologia trabalhe com o passado, as pesquisas têm como uma de suas principais intenções entender mais sobre a nossa identidade. Então saber como era a voz de um sacerdote morto há 3000 está mais para uma curiosidade mórbida, do que uma informação útil. 
  • Mesmo que os autores do artigo falem que escutar a voz de Nesyamun seja uma oportunidade de chamar as pessoas para museus, o que elas ouvirão não é a voz dele. É uma recriação eletrônica e artificial. Afirmar que é a voz real dele chega a ser irresponsável para com a sociedade.     

Fontes:

[1] Synthesis of a Vocal Sound from the 3,000 year old Mummy, Nesyamun ‘True of Voice’. Disponível em < https://www.nature.com/articles/s41598-019-56316-y  >. Acesso em 23 de janeiro de 2020. 

[2] Voice of a 3,000-year-old Egyptian mummy reproduced by 3-D printing a vocal tract. Disponível em < https://edition.cnn.com/2020/01/23/world/egyptian-mummy-voice-from-the-dead-scn/index.html >. Acesso em 26 de janeiro de 2020. 

[3] Listen to the Recreated Voice of a 3,000-Year-Old Egyptian Mummy. Disponível em < https://www.smithsonianmag.com/smart-news/listen-recreated-voice-3000-year-old-egyptian-mummy-180974048/ >. Acesso em 26 de janeiro de 2020. 

Talk like an Egyptian: mummy’s voice heard 3,000 years after death. Disponível em < https://www.theguardian.com/science/2020/jan/23/talk-like-an-egyptian-mummys-voice-heard-3000-years-after-death >. Acesso em 23 de janeiro de 2020. 

Scientists Recreate The Voice of a 3,000-Year-Old Egyptian Priest’s Mummy. Disponível em < https://www.sciencealert.com/egyptian-mummy-from-3-000-years-ago-finally-makes-its-voice-heard >. Acesso em 24 de janeiro de 2020. 

[4] The mummy speaks: Ancient Egyptian priest’s voice recreated by scientists. Disponível em < https://www.cbc.ca/news/technology/mummy-voice-1.5438831 >. Acesso em 24 de janeiro de 2020. 

Attempts to Reconstruct a Mummy’s Voice Are Cursed. Disponível em < https://hyperallergic.com/539573/attempts-to-reconstruct-a-mummys-voice-are-cursed/ >. Acesso em 27 de janeiro de 2020. 

Instagramer é preso por escalar Grande Pirâmide do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Parece que está ficando cada vez mais recorrente as pessoas estarem mais desinibidas em mostrar seus crimes na internet. Nos últimos anos tivemos alguns casos famosos de turistas estrangeiros se aventurando a subir nas pirâmides do platô de Gizé (onde se encontra a Grande Pirâmide) e tirar uma selfie no topo. 

Em 2013 russos aproveitaram a distração dos guardas que trabalhavam na área turística das pirâmides e escalaram a sepultura do faraó Khufu. Lá tiraram fotos que rodaram o mundo, arrancando comentários elogiosos que desconhecem que tais russos precisaram lançar um pedido de desculpas ao povo egípcio por terem subido em um Patrimônio da Humanidade. E em 2018 um instagramer e sua amiga subiram também da pirâmide de Khufu e além de uma selfie, eles tiraram uma fotografia simulando um ato sexual. 

Vandalismo em sítios arqueológicos no Egito: Ding Jinhao não é o único caso

Filme com cena de sexo no topo da Grande Pirâmide? O governo egípcio está investigando! 

Agora em 2020 é a vez do instagramer Vitaly Zdorovetskiy, que possui 3,1 milhões de seguidores no Instagram. Ele compartilhou em seu perfil uma foto em que ele está no topo da pirâmide com a seguinte legenda: “Nenhuma palavra pode explicar o que acabei de passar nos últimos cinco dias. Já estive na prisão muitas vezes, mas essa foi de longe a pior. Vi coisas horríveis e não desejo isso a ninguém.”, mas qualquer traço de susto ou simples arrependimento são inexistentes, já que ele continua a seguir “Valeu a pena? Fod*-se, sim!” (imagem 1).

Depois ele compartilhou um vídeo se justificando, explicando que este ato na verdade tinha uma justificativa por trás: “Fiz isso por uma boa causa e fiquei 5 noites na prisão egípcia. Mesmo que eu já tenha sido preso pelo mundo várias vezes por minhas cenas de ação anteriores, essa foi a experiência mais horrível da minha vida. Vamos nos unir e doar para a Austrália. Espero que o mundo me ouça!” (imagem 2).

Em uma das postagens está uma fotografia onde tem uma placa com os dizeres em inglês “Não Escale”:

Tem quem tenha elogiado tal ato, agradecendo por dar visibilidade aos incêndios na Austrália. Porém, nem todo mundo comprou esta ideia:

“Você precisa respeitar as culturas das pessoas porque isso não é legal” e “Como você promove ajudar um país desrespeitando outro”

O egiptólogo Thomas Greiner também teceu um comentário sobre o assunto: “o influenciador “King Vitaly” foi preso recentemente por sua escalada na Grande Pirâmide em #Giza. Ele passou cinco dias na prisão, mas não deveria haver punições mais duras pelo uso das antiguidades do Egito por seu golpe publicitário?”

O colunista Stewart Perrie para o site LadBible explica que Vitaly já apareceu na mídia por uma outra polêmica. Ele incentivou a namorada Kinsey Wolanski a invadir uma partida da Liga dos Campeões em Madri, vestindo apenas um maiô. O motivo? Promover o negócio dele: um site de pornografia. Ela teve uma breve passagem pela cadeia, já ele? Saiu no lucro por ter feito propaganda totalmente de graça no horário nobre. 

E é uma estranha coincidência do destino que mais ou menos na mesma semana em que ele postou as fotos e vídeo em seu perfil se vangloriando de ter escalado a pirâmide, eu gravei o vídeo abaixo para o nosso canal:

Em alguns momentos eu falo sobre o turismo consciente e faço um apelo para que aqueles que tiverem o privilégio de visitar sítios arqueológicos não tirem fotos com flash, não joguem lixo no chão e… Não subam nas estruturas arqueológicas. Só para vocês terem uma ideia do quão frequente estas coisas acontecem. 

O que as pessoas não fazem por likes e atenção nas redes sociais. 

Fontes:

Instagram Influencer Jailed For Climbing Pyramids In Egypt. Disponível em < https://www.independent.co.uk/travel/news-and-advice/vitaly-egypt-jail-prison-pyramids-climb-giza-arrest-instagram-youtube-a9288051.html >. Acesso em 20 de janeiro de 2020.

Social Media Influencer Was Thrown In Jail For Climbing Pyramids Of Giza. Disponível em < https://www.ladbible.com/news/news-influencer-was-thrown-in-jail-for-climbing-egyptian-pyramids-20200115 >. Acesso em 16 de janeiro de 2020.

A busca por “espaços vazios” na Grande Pirâmide do Egito continua

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em 2017 a revista Nature anunciou que físicos descobriram um espaço vazio dentro da Grande Pirâmide de Gizé. De acordo com a matéria, esse espaço foi encontrado através da detecção de múons. A Grande Pirâmide foi o túmulo do faraó Khufu (Queóps), que reinou durante a IV Dinastia (há cerca de 4500 anos) e foi feita com pedra calcária e granito.

Porém, ao contrário do que foi dito pela Nature, muitos veículos de imprensa anunciaram erroneamente que este achado se tratava de uma “câmara oculta”, dando a impressão de que novas salas teriam sido encontradas dentro da tumba. A Grande Pirâmide já possui câmaras identificadas, são elas a “Câmara da Rainha”, a “Câmara do Rei” e as “câmaras de descarga” ou “câmaras de alívio”.  Mas este espaço vazio anunciado em 2017 poderia ser uma série de coisas, inclusive, na pior das hipóteses, uma rachadura na estrutura do edifício. 

A controvérsia diante do anúncio da descoberta de “espaços vazios” na Grande Pirâmide

E agora em 2020 um grupo de pesquisadores japoneses da Universidade de Kyushu planejam realizar novamente a pesquisa com múons para tentar entender o que é este espaço vazio. “A cavidade descoberta anteriormente é muito grande do ponto de vista arqueológico”, disse Sakuji Yoshimura, que lidera o projeto de pesquisa geral envolvendo outras universidades. “Estamos muito interessados ​​em verificar as descobertas.”

Pirâmide de Khufu. Foto: Nina Aldin Thune via Wikimedia Commons.

Espera-se que os resultados dessas pesquisas sejam divulgados por volta do final do ano.

Fonte:

Team to re-scan Great Pyramid of Giza to pinpoint hidden chamber. Disponível em <http://www.asahi.com/ajw/articles/AJ202001110001.html>, acesso em 13 de Janeiro de 2020.

Antiga estátua quebrada em invasão a museu do Egito passou por restauro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No ano de 2013, o Egito presenciou tristes acontecimentos. O Museu de Mallawi foi invadido, saqueado e em seguida parcialmente incendiado no início do mês de agosto pelo grupo auto intitulado Irmandade Muçulmana. Vários artefatos foram avariados ou totalmente destruídos, assim como um dos seguranças do local foi assassinado. 

Soma-se a tragédia o roubo de 1040 objetos arqueológicos dos 1089 que estavam no prédio; nos dias seguintes a própria população local saiu em busca das peças roubados, conseguindo recuperar algumas.

Hoje, quase 7 anos após o ocorrido, o Museu de Mallawi continua a se reerguer e até criou atividades, a exemplo da competição do “artefato do mês”. Nela, quatro artefatos estavam competindo nas páginas oficiais do museu nas mídias sociais. A peça vencedora é uma estátua de pedra calcária representado um homem e uma mulher sentados e que remonta à 6ª Dinastia (Antigo Reino). Mas ela tem algo muito especial: é um dos artefatos que tinham sido danificados durante a invasão de 2013

Imagem publicada nas redes sociais do museu.

No nosso post da época é possível ver fotografias tiradas horas após o incêndio ter sido contido e dentre os artefatos avariados ou totalmente destruídos está ela, a estátua em questão. Ela está tombada de lado coberta por cinzas e chamuscada. As faces do homem e da mulher estão quebradas e as partes arrancadas estão espalhadas pelo chão. 

Porém, a equipe de restauro conseguiu cuidar do objeto e dar quase o mesmo brilho que ele tinha antes da invasão. 

Agora, a estátua está disponível para visitação no próprio museu. 

O Museu do Mallawi foi fundado em 23 de junho de 1962 em Minya durante o governo do presidente Gamal Abdel Nasser. Ele tinha dois andares com quatro salas mostrando artefatos da era faraônica e períodos greco-romano, assim como coptas e do Egito medieval. Foram necessários mais de três anos para restaurar o museu, que foi reaberto em 22 de setembro de 2017. Agora ele contém 944 artefatos, incluindo 441 das exposições antigas.

Fonte:

Ancient statue damaged by MB restored, exhibited in Malawi Museum. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/79432/Ancient-statue-damaged-by-MB-restored-exhibited-in-Malawi-Museum >. Acesso em 11 de janeiro de 2020.