Sarcófagos de mulheres são encontrados em cemitério do Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma missão coordenada pelo Instituto Francês de Arqueologia Oriental e pela Universidade de Estrasburgo descobriu três ataúdes de madeira no pátio do túmulo de uma pessoa chamada Padiaménopé[1] (TT 33), em Tebas.

Estes caixões são datados da 18ª Dinastia, Novo Império, e estão em um ótimo estado de conservação.

Um deles pertence a uma mulher chamada Ti e mede 1,95 m, o outro pertence a uma mulher chamada Rau e possui 1,90 m. Já o terceiro caixão o sexo do seu dono ainda não foi esclarecido para a imprensa, mas possui 1,80 m.

Como é de se esperar, todos os caixões possuem ilustrações com motivos religiosos e embora sejam desenhos simples, possuem cores vibrantes.

Não foram dadas informações sobre qual será o destino destes ataúdes, se irão permanecer em um armazém ou irão compor a exposição de algum museu. Igualmente não foi dito se eles guardam alguma múmia.


[1] O seu sexo e época em que viveu não foram apontados.

Fonte:

French Archaeologists Unearth Ancient Egyptian Wooden Coffins. Disponível em < http://luxortimes.com/2019/11/french-archaeologists-unearth-ancient-egyptian-wooden-coffins/ >. Acesso em 27 de novembro de 2019.

Múmias raras de leões são encontradas em cemitério do Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Os egípcios cuidaram, veneraram e mumificaram uma série de diferentes animais. Nesta lista podemos incluir gatos, cães, aves, crocodilos e até escaravelhos. Os motivos eram variados indo desde estima, para servirem de alimentos no além e veneração, afinal, uma variedade de bichinhos eram vistos como mensageiros das divindades ou era uma divindade propriamente dita.

No Egito Antigo os leões representavam a realeza e a força.

Entretanto, apesar de existir uma gama tão extensa de animais que foram mumificados, alguns são mais raros que outros. Um deles é o escaravelho, o inseto mais sagrado para os egípcios antigos. Eles encarnavam o deus Khepri, uma importante divindade solar, e até mesmo compunham nomes de alguns faraós. Mas as suas múmias são extremamente escarças. Por isto foi quase um milagre a descoberta de alguns espécimes mumificados encontrados dentro de um pequeno sarcófago de calcário em 2018.

Outros tipos de múmias de animais raríssimos são as de leões. Bom, estes animais pareciam ter uma posição bastante privilegiada em relação aos símbolos e simbolismos da tradição egípcia antiga, uma vez que eram uma das representações da realeza. Mas, não era só isto! Simbolizavam também a força. É tanto que era uma das caracterizações do deus Mahes, assim como da deusa Sekhmet, uma das divindades mais importantes do panteão egípcio. Eles também integravam partes de animais míticos, tais como as esfinges que usualmente tinham um corpo de leão com a cabeça de um humano ou de um carneiro. Parte de leões formavam igualmente o corpo de Ammut, “A Devoradora” que comia os falecidos que não passassem no teste da pesagem do coração.

Sekhmet, uma deusa com cabeça de leoa, era um símbolo de destruição, mas também de saúde.

Os leões não estavam somente na mitologia, mas também compunham partes de mobiliários, artigos de guerras, etc. Eles estavam literalmente em todo lugar, embora no Egito atual não sejam nem vistos e há alguns anos somente dois corpos remanescentes do Egito Antigo tenham sido encontrados[1]… Até agora.

Ontem foi anunciada oficialmente a notícia de que alguns leões mumificados foram descobertos em uma tumba em Saqqara, na necrópole de Bubasteion. “É a primeira vez que uma múmia completa de um leão ou filhote de leão é encontrada no Egito”, disse o Ministro das Antiguidades em uma coletiva para imprensa [2][3].

Não se sabe ainda se estas são as citadas múmias de leões anunciadas na coletiva de imprensa. Foto: Ministério das Antiguidades.

Bubasteion foi por um período capital do Egito durante a antiguidade e dentre os egípcios era chamada de Per-Bastet, “casa de Bastet” ou “pertencente à Bastet”. Lá se consolidou um forte culto a deusa gata Bastet e consequentemente a cidade ganhou uma necrópole dedicada aos bichanos.

Ainda não se sabe quantos leões foram encontrados, afinal, as múmias ainda estão sob análise, mas o que foi liberado é que foram encontradas múmias de grandes felídeos e que existe 95% de certeza de que dois deles são leões. Esses animais têm cerca de 1 metro de comprimento, o que poderia indicar que ainda não eram adultos quando morreram, talvez até tendo entre oito meses de idade[2][3].

Pesquisador mostra, através de seu celular, fotografia da tomografia de um dos leões.

Foi a Salima Ikram, arqueóloga da Universidade Americana do Cairo, quem realizou a tomografia computadorizada nestas duas múmias e confirmou tratarem-se de leões. Ela disse para a National Geographic que o significado da descoberta é “extremamente importante”, pois dará aos pesquisadores novas ideias sobre como os leões foram capturados no Egito antigo e se foram criados ou comercializados [3].

Outras descobertas na área:

Outras três múmias pertencentes a gatos grandes (a espécie exata ainda não está clara) foram encontradas perto dos dois leões. Elas podem pertencer a leopardos, guepardos ou outras formas de felinos. Isso só o tempo — e naturalmente pesquisas em arqueologia — poderá nos dizer.

Múmias de gatos que foram também encontradas no local. Foto: Ministério das Antiguidades.

Múmia de gato. Foto: Ministério das Antiguidades.

Também foram encontrados no local cerca de 200 artefatos arqueológicos, incluindo múmias. São alguns deles:

☥ 75 estátuas de gatos;

☥ 25 caixas de madeira com gatos mumificados dentro;

☥ Várias estátuas de madeira representando diferentes tipos de animais e divindades;

☥ Um grande escaravelho de pedra;

☥ 2 pequenos escaravelhos de madeira e arenito;

☥ 3 estátuas de crocodilos dentro das quais foram encontrados restos de múmias de pequenos crocodilos;

☥ 73 estatuetas de bronze representando o deus Osíris;

☥ 6 estátuas de madeira do deus Ptah-Sokar;

☥ 11 estátuas de madeira e faiança da deusa leoa Sekhmet;

☥ Uma estátua da deusa Neith.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Também foi descoberto um relevo com o nome de rei Psamético I, além de uma coleção de estátuas de cobras, amuletos de faiança de diferentes formas e tamanhos, máscaras mortuárias de madeira e argila e uma coleção de papiros decorados com desenhos mostrando a deusa Tawert.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Ministério das Antiguidades.

Achou que esta descoberta foi incrível? Pois bem, o ministro das antiguidades do Egito prometeu durante a coletiva de imprensa que o anúncio de hoje não foi a última descoberta do ano. Nas próximas semanas, no mês de dezembro, haverá outro anúncio e ele promete que será algo incrível. Basicamente será um presente para as comemorações do Natal.


[1] Um deles é datado da Dinastia 0 e o outro é datado do Período Helenístico e foi encontrado em Saqqara em 2001.

Fonte:

[2] Two Lion Cub Mummies Discovered in Egypt for the First Time

https://www.livescience.com/lion-cub-mummies-saqqara-egypt.html

[3] Very rare lion mummies discovered in Egypt. Disponível em < https://www.nationalgeographic.com/history/2019/11/rare-lion-mummy-discovered-Egypt/ >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

In Photos: Cat statues, mummies among large collection unearthed in Saqqara’s animals necropolis. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/356444.asp >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

Details of New Archaeological Discovery in Saqqara (Photos). Disponível em < https://see.news/details-of-new-archaeological-discovery-in-saqqara-photos/?fbclid=IwAR3prCi4q0wkJKtQmoyKl1nHz3bHdB5zm5d2ZD7p8XAlk3I04SBsIuqUJbE >. Acesso em 23 de novembro de 2019.

A múmia de Akhenaton foi encontrada?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Akhenaton foi um faraó que reinou durante o Novo Império, na 18ª Dinastia, inaugurando o Período Amarniano. Ele foi casado com a rainha Nefertiti e com ela teve seis filhas. Ambos reinaram juntos em uma cidade chamada Aketaton, na atual Amarna, onde está localizada a tumba dele. Mas na época em que o sepulcro foi descoberto ele estava vazio. O seu corpo não foi encontrado lá.

Akhenaton

Nefertiti e Akhenaton

Em verdade não tínhamos corpos comprovados de pessoas advindas desta época, exceto Tutankhamon e suas filhas. Contudo, existia certa desconfiança em relação a um esqueleto encontrado em uma sepultura localizada em 1912, a KV-55. Dentro dela foram encontrados vários artefatos remanescentes do Período Amarniano, dentre eles um sarcófago sem identificação, mas que continha um esqueleto em seu interior. Para variar todas as áreas do caixão onde ficaria o nome do falecido estão destruídas, aparentemente propositalmente.

Ataúde encontrado na KV-55

Esta parte danificada era onde deveria estar o nome do falecido.

Durante as últimas décadas pesquisadores divergiram sobre quem poderia ser este indivíduo. Alguns sugeriram que poderia ser uma mulher idosa, outros que seriam uma mulher jovem e hoje existe um consenso de que é um homem, até porque estes ossos passaram por um exame de DNA coordenado pelo arqueólogo Zahi Hawas entre 2007 e 2009.

Zahi Hawass e o esqueleto da KV-55

Durante o exame estes ossos tiveram seu material genético comparados com outros dez corpos, dentre eles a múmia de Tutankhamon. São eles:

☥ Os dois bebês encontrados na tumba de Tutankhamon;

☥ Os avôs de Akhenaton: Yuya e Tuya;

☥ Duas múmias de identidades desconhecidas encontradas em uma tumba chamada KV-21;

☥ E três corpos encontrados em um esconderijo da KV-35.

O resumo é que a equipe identificou os ossos da KV-55 e uma das múmias da KV-21 como sendo os pais de Tutankhamon. Mas, como escrevi anteriormente, não sabemos a identidade de quem foi sepultado na KV-55, já que os nomes no caixão foram arrancados.

Então, de onde o Zahi Hawass tirou que ali trata-se de Akhenaton? Ele e sua equipe apontam que estes ossos só poderiam ser de Akhenaton por conta de uma inscrição encontrada em um pedaço de relevo na atual em El Ashmunein, antiga área de Hermópolis.

A inscrição fala de Tutankhamon, que é apontado como “o filho do corpo do rei”, relacionando-o, obviamente, a algum faraó, no entanto, não temos a parte do nome do rei. Porém, temos o resto da inscrição, só que desta vez está falando da esposa do Tutankhamon, Ankhesenamon, e é dito “a filha do rei, do seu corpo, seu grande desejo do rei das Duas Terras”. Desta forma, devido a ambos terem a paternidade mencionada no mesmo parágrafo, foi sugerido que fossem filhos do mesmo pai.

Tutankhamon e Ankhesenamon

No entanto, alguns pesquisadores defendem que a análise osteológica — o estudo dos ossos — do corpo encontrado na KV-55 aponta que esta pessoa teria falecido ainda quando era jovem.  Este poderia ser um indicativo de que os ossos da KV-55 não era Akhenaton, mas um outro rei que governou antes de Tutankhamon: Smenkhará.

Ou seja: para alguns a dúvida ainda paira no ar.

Antigos túmulos são abertos para visitas turísticas no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito abriu para visitação na segunda-feira passada duas tumbas na área arqueológica de Gizé, onde se encontram as Grandes Pirâmides do Egito. Estas sepulturas pertencem, cada uma, a um homem chamado Qar e a outra a Idu. Elas estavam em um processo de restauro e com os trabalhos concluídos podem agora receber turistas[1].

O diretor da área arqueológica das pirâmides, Ashraf Mohie-Eldin, disse que a restauração no túmulo de Qar, por exemplo, incluía limpeza, fortalecimento do teto e o restauro das paredes do salão principal. Esculpido em rocha, o sepulcro remonta à 6ª Dinastia, mais especificamente o reinado do rei Pepi I. Os títulos de Qar incluíam “diretor das cidades das pirâmides de Khufu e Menkaura”, “inspetor dos sacerdotes wab da pirâmide de Khafren” e “diretor da pirâmide de Pepi I Meryre”[1].

A tumba de Idu, que era filho de Qar, também foi submetida a limpeza e o telhado foi reforçado. Igualmente ao do pai, a sua sepultura foi esculpida em rocha e é da época de Pepi I. Os títulos de Idu incluíam “o escriba dos documentos reais na presença do rei”, “inquilino da pirâmide de Pepi I Meryre” e “inspetor dos sacerdotes wab das pirâmides de Khufu e Khafren” [1].

O que ocorrerá agora:

Com as tumbas de Qar e Idu liberadas para os turistas, o governo egípcio fechou agora as de Seshem-Nefer IV e Khufukhaf I. O intuito é também realizar trabalhos de restauros e futuramente abri-los para visitas[2].

Seshem-Nefer IV possuía os títulos de “superintendente dos dois assentos da Casa da Vida” e de “guardião dos segredos do rei”. Sua tumba é a maior de Gizé e contém cenas funerárias, de caçadas e de oferendas, além de uma descrição da vida cotidiana de Seshem-Nefer [2].

Já Khufukhaf era um sacerdote que viveu durante a 4ª Dinastia. Sua tumba é uma mastaba dupla cuja uma das capelas é dedicada à sua esposa (cujo nome não foi anunciado no comunicado da imprensa) e a outra a si mesmo. A única parte decorada do vestíbulo é a parede ocidental a partir da qual um corredor leva à câmara principal[2].

Fontes:

[1] Photos: Egypt opens Old Kingdom tombs Idu, Qar for visitation. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/photos-egypt-opens-old-kingdom-tombs-idu-qar-for-visitation/ >. Acesso em 20 de novembro de 2019.

[2] Giza tombs of Qar and son Idu open after restoration. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/356136/Heritage/Ancient-Egypt/Giza-tombs-of-Qar-and-son-Idu-open-after-restorati.aspx >. Acesso em 20 de novembro de 2019.

Os egípcios antigos acreditavam em demônios?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O medo de grandes forças ocultas acompanha a humanidade desde os primórdios. Nem precisamos olhar com atenção para trás para observar representações do mal como criaturas que abitam o plano espiritual. Cada cultura ao redor do globo criou uma personificação dos seus temores e paranoias e com os antigos egípcios não poderia ser diferente.

Recentemente anunciei em meu Twitter que estou me empenhando na pesquisa das representações de seres malignos no Egito Antigo. Porém, ao contrário do que muitos devem imaginar, eles não são demônios, ao menos não no sentido católico. A palavra “demônio” vem do latim “daemon“, que por sua vez vem do grego “daímôn“, cujo significado, no que diz respeito a definição de Platão, seria “ser intermediário”. Porém, ao longo dos séculos a sua essência mudou, a exemplo da tradição cristã, que transforma os demônios na contraparte dos anjos.

Assim sendo, a adoção do termo “demônio” para entidades do mal no Egito Antigo, ao menos no sentido grego, não seria errada. Entretanto, o Brasil, apesar de ser um país laico, tem raízes bastante católicas. Desta forma, para evitar desvirtuar do que de fato eles eram, é mais válido chamar tais entidades de “espíritos malignos” (e benignos), do que de “demônios”.

Como eles eram?

Não sabemos muito sobre aparência e nomes de espíritos malignos egípcios. Mas sabemos, por exemplo, que existia um chamado “Sehaqeq” que é este menininho da imagem. Ele causava fortes dores de cabeça em suas vítimas.

Em uma fórmula mágica entoada para afastar doenças de crianças, temos a dica das características de outro destes seres: “Sai visitante das trevas, que te arrastas com o nariz e o rosto atrás da cabeça, sem saber por que estais aqui” (STROUHAL, 2007, p 24).

Contudo, apesar de não termos muitas informações sobre estas entidades, podemos identificá-las em antigos textos egípcios: tanto entidades malignas, como enfermidades, usualmente eram mencionadas em textos grafados em vermelho.

Formas de afastá-los:

Bom, os egípcios adotaram uma série de medidas para tentar afastar estes espíritos malignos. Infelizmente não conhecemos todas, afinal, muito dos significados da materialidade egípcia está no campo da especulação. Mas, uma delas, aparentemente era uma máscara do deus Bés.

— Veja também: Antigos feitiços egípcios prometiam trazer a pessoa amada

Bés era uma divindade egípcia representada por um homem com nanismo fazendo uma careta. Sua função era proteger as crianças e mulheres (especialmente durante o parto), afastar os maus sonhos e os maus espíritos.

Conhecemos a existência de amuletos representando Bés, assim como máscaras com o seu rosto, como foi o caso de uma encontrada em uma estátua feminina. Esta estátua foi descoberta no pátio do Ramesseum (Luxor), durante o século 19. Na mesma época uma máscara propriamente dita — a qual alguns acreditam representar esta divindade ou sua esposa, Beset — foi descoberta em Kahun (imagem).

A finalidade destas máscaras é uma grande incógnita. Alguns acadêmicos acreditam que elas poderiam ser vestidas durante rituais mágicos para a invocação de espíritos protetores. Estes protetores resguardariam as mulheres e as crianças afastando delas os espíritos malignos.

Também existiram fórmulas mágicas e poções que entoadas acreditava-se que poderia proteger, por exemplo, uma criança:

“Fiz uma poção que a protege, uma poção com a erva venenosa de afat e alho, que é ruim para ti, com mel, que é doce para o vivo, mas amargo para o morto, com restos e entranhas de peixes e bestas e com espinhos de perca.” (STROUHAL, 2007, p 24)

E Apophis? Ele era um espírito maligno?

Esta é uma pergunta bastante frequente sempre que comento algo sobre as entidades malignas, afinal, Apophis é uma grande serpente que todas as noites tentava devorar o deus sol, Rá. De acordo com alguns dos principais pesquisadores do assunto, Apophis, que é a variação grega do nome egípcio Apep, não seria uma entidade maligna e muito menos uma divindade. A posição dele na mitologia egípcia ainda é meio confusa… Em verdade ainda temos muito o que aprender sobre o mundo religioso egípcio.

Gostou deste tema? Então saiba mais sobre ele assistindo a este vídeo:

Fontes:

CASTEL, Elisa. Gran Diccionario de Mitología Egipcia. Madrid: Aldebarán, 2001.
Demons (benevolent and malevolent); Rita Lucarelli; UCLA Encyclopedia of Egyptology
STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

Dezenas de sarcófagos foram encontrados selados no Egito

Saiba tudo sobre o esconderijo de sarcófagos recém-encontrado

Em outubro a internet foi bombardeada com a descoberta de um aglomerado de 30 sarcófagos na vila de Al-Assasif, próxima da cidade de Luxor. Eles foram encontrados por uma missão de arqueologia do Ministério das Antiguidades do Egito. Todos estão em um ótimo estado de conservação, mantendo ainda suas cores e inscrições e o mais interessante: estavam lacrados, o que traz a possibilidade de que todos ainda possuam múmias. [1][2][3]

A necrópole de Assasif é um local de enterro conhecido, do qual os túmulos e caixões descobertos datam do Novo Reino e, especialmente, do Período Tardio [2][3]. Contudo, no caso desta descoberta, provavelmente estaremos falando do Terceiro Período Intermediário [4].

O Terceiro Período Intermediário foi um intervalo histórico em que vemos a ascensão de diferentes famílias dinásticas reinando ao mesmo tempo. Uma delas é a 22ª Dinastia, que era composta por líbios, estrangeiros que assumiram a cidade de Tânis como capital. A outra é a 23ª Dinastia, também de líbios, que assumem a cidade de Leontópolis e a 24ª Dinastia, também de líbios, na cidade de Sais. E Finalmente a 25ª Dinastia, época em que o Egito é governado pelos Núbios. Se quiser saber mais sobre os Períodos Intermediários, você poderá fazê-lo através do vídeo abaixo:

O anúncio oficial da descoberta foi feito no dia 19 de outubro (2019) em uma grande tenda montada pelo Ministério das Antiguidades em frente ao templo da faraó Hatshepsut. Com um púlpito no centro, bem em frente a um amplo corredor ladeado por todos os caixões ainda fechados, a imprensa aguardou. Além dos jornalistas e blogueiros estavam presentes pesquisadores e os demais funcionários do Ministério. A promessa era que além de liberar mais informações sobre a descoberta, eles abririam dois dos sarcófagos.

Os ataúdes estavam sobre mesas baixas cobertas por tecidos brancos, dentro de uma área protegida por fitas de isolamento que só estavam lá de forma ilustrativa. Afinal, assim que o ministro das antiguidades e Zahi Hawass (famoso arqueólogo que além de dezenas de livros publicados, fez centenas de descobertas arqueológicas pelo país) chegaram, alguns membros da imprensa puderam transpassa-la. O que mais tarde gerou uma cena um tanto embaraçosa de vários cinegrafistas se acotovelando para poder pegar uma boa imagem dos invólucros das múmias que tinham acabado de ser revelados.

Com o início da coletiva de imprensa, eles fizeram um resumo sobre as pesquisas da equipe e explicaram que dos 30 sarcófagos, 23 são de homens, 5 de mulheres e 2 de crianças. Todos, como já apontado, lacrados. Eles foram enterrados um metro abaixo da areia, um sobre o outro e dispostos em duas fileiras. Agora, o conjunto está sendo chamado de “Esconderijo* de Assasif” (“Assasif Cachette”).

Ele é o primeiro esconderijo de caixões a ser descoberto por uma missão egípcia, depois de séculos de escavações arqueológicas lideradas por estrangeiros. Com o bônus de ser o único até o momento no século 21. O que torna a escolha da coletiva de imprensa ter ocorrido em frente ao templo da rainha Hatshepsut ainda mais emblemática. Já que o mais famoso esconderijo de múmias, a TT320, foi descoberto nas proximidades em 1871 por ladrões de tumbas. Foi na TT320 onde foram descobertas as múmias de alguns dos faraós mais famosos tais como Seti I, Ramsés II, Ramsés III, Seqenenre Tao II e Tutmés III. Sem contar a rainha Ahmés-Nefertari e a divina adoradora de Amon, a Maatkare.

O destino dos ataúdes será o Grande Museu Egípcio (que terá sua abertura oficial no final de 2020), onde serão cuidados e possivelmente postos em exposição.

Perguntas que não querem calar!

Estas são algumas das dúvidas enviadas por nossos seguidores através do meu Instagram (clique aqui para seguir):

Foram encontrados artefatos arqueologicos juntos?

As múmias não foram exumadas (e torceremos para que isto não seja necessário). Contudo, se elas passarem por um exame de tomografia certamente encontrarão indícios de amuletos de proteção e adereços tais como bijuterias ou joias.

Eram da mesma família?

Não se sabe. Entretanto, olhando a descoberta artificialmente, este parece ser o caso. Esperaremos informações futuras.

Por que foram encontrados tantos no mesmo lugar?

Não sabemos. Se olharmos exemplos de outros esconderijos poderíamos falar que se trata de um enterro para proteger os corpos após algum roubo… Ou, poderíamos falar que é era um enterro familiar e de gerações. São questões que só poderão ser respondidas no futuro, após pesquisas de arqueologia mais aprofundadas.

Quem são estas pessoas?

Já foi apontado que se tratam de sacerdotes, mas vamos esperar mais informações.

Por que estão preservados?

O solo do Egito é propício para a conservação de materiais orgânicos tais como restos humanos e madeira. Sem contar que aparentemente estas pessoas foram sepultadas com sarcófagos de ótima qualidade.

É um esconderijo clandestino?

Não sabemos ainda.

Quão frequente é este tipo de descoberta?

É raríssima! Como apontei no texto é a única no século 21! E só para vocês terem uma ideia, as últimas do tipo ocorreram somente durante o século 19!

Fonte:

[1] Antiquities Releases Images of Colored Coffins Found at Luxor. Disponível em < https://see.news/antiquities-ministry-releases-images-of-colored-coffins-found-at-luxor/ >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[2] Egypt archaeologists find 20 ancient coffins near Luxor. Disponível em < https://www.bbc.com/news/world-middle-east-50068575 >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[3] 20 Intact Coffins Unearthed in Asasif Necropolis. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2019/10/17/20-intact-coffins-unearthed-in-asasif-necropolis/ >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[4] Archaeologists unearth 20 preserved wooden coffins Egypt. Disponível em < https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-7577157/Archaeologists-unearth-20-preserved-wooden-coffins-Egypt.html >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

Egypt unveils discovery of 30 ancient coffins with mummies inside. Disponível em < https://edition.cnn.com/2019/10/19/middleeast/egypt-discovers-coffins-mummies-trnd/index.html >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

Archaeologists discover 30 ancient coffins in Luxor. Disponível em <  https://www.theguardian.com/world/2019/oct/19/archaeologists-discover-30-ancient-coffins-with-mummies-in-luxor >. Acesso em 10 de novembro de 2019.

30 Perfectly Preserved Coffins Holding Ancient Egyptian Priest Mummies Discovered. Disponível em < https://www.livescience.com/cachette-of-priests-egypt-mummies-discovered.html >. Acesso em 10 de novembro de 2019.


*Tomei a liberdade de traduzir desta forma para padronizar com os outros esconderijos que já foram encontrados.

Tumba da rainha Nefertiti poderá ser descoberta em breve: é o que afirma arqueólogo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este é um tema bastante recorrente nas últimas décadas, ao menos na história da arqueologia egípcia: onde está o sepulcro da rainha Nefertiti?

Muitos arqueólogos sonham encontrar o local do último descanso de uma das rainhas mais famosas do Egito — e a qual alguns acreditam que também foi faraó —. Se você é um ávido leitor deste site já se debateu com uma série de hipóteses sobre este assunto… Inclusive a mais afamada! Que era a sugestão de que ela estaria sepultada dentro de uma câmara oculta na tumba do seu possível enteado — mas certamente genro — Tutankhamon. Sugestão esta que se provou infundada.

Nefertiti

Um dos que mantêm a esperança de encontrar a sepultura da governante é o arqueólogo egípcio Zahi Hawass que, no auge dos seus 72 anos, acumula em seu caminho centenas de descobertas arqueológicas. E é encontrar a sepultura dela um dos objetivos de suas escavações no Vale dos Macacos, uma das áreas mais periféricas do Vale dos Reis. Ao menos foi isso o que ele me disse durante a entrevista que fiz com ele em setembro deste ano (2019). Quando perguntei o que poderíamos esperar em relação a estas escavações ele respondeu que está procurando pelos túmulos da rainha Nefertiti e de sua filha, Ankhesenamon.

Nefertiti e Ankhesenamon

Nefertiti governou ao lado do seu esposo, o faraó Akhenaton, durante o Antigo Império, mais especificamente no Período Amarniano, 18ª Dinastia. Com ele teve seis filhas, a qual a terceira, Ankhesenamon, casou-se com Tutankhamon.

A sugestão de que o último descanso destas duas rainhas pode está neste local faz todo sentido, afinal, como ele bem me disse, o Vale das Rainhas só teve início na 19ª Dinastia. Ele, inclusive, fez uma ressalva em relação a todas as rainhas da 18ª Dinastia que ainda não foram encontradas, afirmando que “agora penso o tempo todo onde estas rainhas podem estar sepultadas”.

Escavação no Vale dos Macacos. Foto: Discovery Channel

A arqueologia egípcia tem vários mistérios, este é um deles. De fato, não temos nem sombra da localização da maioria das tumbas das esposas dos faraós desta época e muito menos dos seus filhos.

Porém, Nefertiti ou sua filha podem ser uma fagulha de esperança, “esta é a maior escavação no Vale dos Reis desde Howard Carter”, ele comenta. Carter foi o responsável pela descoberta do sepulcro praticamente intacto de Tutankhamon em 1922.

Howard Carter e auxiliar de campo investigando sarcófago de Tutankhamon.

Nefertiti é enigmática em todos os sentidos porque não sabemos exatamente a sua origem. Quem foram seus pais afinal? Alguns afirmam que poderia ser um vizir chamado Ay com sua esposa Ty; Nefertiti, que significa “A Bela Chegou”, foi desde sempre seu nome? Ela tornou-se, ou não, faraó? Quando foi que faleceu? Como faleceu? São várias questões em relação a uma única personagem histórica, questões estas as quais algumas poderão ser respondidas se seu túmulo for um dia descoberto.

Perguntas que não querem calar!

Estas são algumas das dúvidas mais comuns enviadas para mim por nossos seguidores:

☥ É certeza que o local em que Hawass está escavando é a tumba de Nefertiti?

Não! Embora ele esteja encontrando vários artefatos arqueológicos no local, ele e ninguém tem 100% de certeza do que será encontrado. Na verdade, nem se sabe se ele encontrará alguma sepultura mesmo.

☥ Se a tumba dela estiver mesmo no Vale dos Macacos, ela estará intacta?

É outra questão cuja resposta não sabemos. A grande possibilidade é de que não, já que os túmulos dos faraós Amenhotep III e Ay, que estão localizadas no mesmo lugar, foram saqueadas na antiguidade.

☥ Quanto tempo mais esta pesquisa durará?

O tempo que for necessário ou enquanto existir patrocínio.

☥ Quem está pagando por esta pesquisa?

A Discovery Channel. Então, aguardem um documentário!

Tutankhamon ganhará uma série com vídeos exclusivos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Você gostaria de assistir a uma série de vídeos exclusiva sobre o faraó Tutankhamon? Então, eu através do Arqueologia Egípcia estou organizando há alguns meses uma. Nela, tratarei de alguns dos assuntos mais curiosos acerca do reinado deste rei que faleceu aos 18 ou 19 anos de idade e cuja tumba foi encontrada intacta em 1922.

Ela será indicada tanto para os curiosos em saber um pouco mais sobre Tutankhamon, como para aqueles interessados em conhecer como funciona os trabalhos de arqueologia. Em termos visuais será bem parecida com os vídeos que vocês já estão habituados a ver lá no nosso canal.

Imagens: The Griffith Institute | Colorização: Dynamichrome

Ela ainda não tem data de lançamento, mas os vídeos já estão em etapa de edição. Assim sendo, caso queira saber em primeira mão o valor, lista exata de temas que serão abordados e dia em que estes vídeos serão disponibilizados, preencha o formulário abaixo:

Atenção: o preenchimento deste formulário em hipótese alguma significa obrigatoriedade de realizar uma futura compra da série!

Cidades brasileiras receberão exposição sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde 12 de outubro (2019) o Egito Antigo voltou a fazer parte do cotidiano dos cariocas. Isto está ocorrendo graças a exposição “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade” que está exibindo 140 peças advindas do Museu Egípcio de Turim, Itália. Dentre os artefatos inclusos estão papiros, amuletos, esculturas e até mesmo reconstruções em 3D de alguns monumentos. Ela está ocorrendo no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro e a entrada é franca.

A mostra comemora os 30 anos do CCBB-RJ e passará ainda por São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Ela foi dividida entre vida cotidiana, religião e eternidade e possui espaços para brincadeiras e fotografias.

Informações gerais:

De 12 de outubro a 27 de janeiro

CCBB Rio de Janeiro, Rua Primeiro de Março, 66, Centro

Datas paras as outras cidades:

CCBB São Paulo: 19/02/2020 a 11/05/2020

CCBB Distrito Federal: 02/06/2020 a 30/08/2020

CCBB Belo Horizonte: 16/09/2020 a 23/11/2020

Site oficial da exposição: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/egito-antigo-do-cotidiano-a-eternidade/

Halloween em Overwatch traz Ana como uma múmia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Halloween está chegando e embora o Brasil não comemore esta festividade vários estabelecimentos comerciais estão enfeitados durante esta época. É neste período também que vemos vários youtubers preparando vídeos temáticos, canais de TV colocando em sua grade de programação filmes de suspense e horror e jogos online atualizando seus cenários e skins (visual) dos personagens. A ideia é deixar o público no clima do Dia das Bruxas.

Dentre os jogos online que estão curtindo este período está Overwatch, game que foi lançado em 2016 pela Blizzard e que desde então vem arrecadando vários fãs ao redor do mundo. Até alguns dos mapas do jogo foram enfeitados para entrar na brincadeira. Um deles é “Hollywood”, cujo cinema e a área de estúdio de gravações conta com a presença de abóboras assustadoras, teias de aranha, morcegos e outros detalhes arrepiantes.

Já entre as skins temos homenagens a monstros clássicos como vampiros, a noiva de Frankenstein e a múmia. Esta última trata-se da nova skin da personagem Ana, uma sniper egípcia. Ana é a mãe da Pharah, personagem a qual já ganhou um post aqui no Arqueologia Egípcia. Vejam que beleza esta skin a qual a Blizzard apelidou de “Faraó”:

Skin “Faraó” da Ana.

Como sempre a Blizzard não poupa nos detalhes: No peito da Ana está um escaravelho alado (símbolo da ressurreição) e a sua arma ostenta a cabeça de uma naja, usualmente utilizadas como símbolo de proteção da realeza egípcia.

Até a granada biótica (parte inferior da imagem abaixo) foi enfeitada com o tema egípcio e fica uma curiosidade aqui: a granada biótica é basicamente um recipiente com um líquido que pode tanto retirar como renovar a vida dos oponentes. E aqui ela está com uma imagem de um escaravelho, que como falei anteriormente é um simbolo de renascimento, assim como hieróglifos que representam a água. Ótima sacada Blizzard!

Mais detalhes da skin:

E mais detalhes da arma:

Para conseguir obter esta skin é necessário que o jogador use 3.000 coins (créditos do jogo) ou a encontre nas caixas de itens que o jogador venha a ganhar (ou comprar) ao longo do evento de Halloween.

Outro item temático é o spray da Ana como múmia:

Eu sou jogadora de Overwatch, mas até o momento não consegui nem o spray e muito menos a skin Faraó… Mas, eu e os demais jogadores temos até o dia 04 de novembro (2019) para conseguir. 🎃