Túmulo de soldado que viveu no Egito Antigo traz revelações incríveis

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Recentemente foi anunciada a descoberta da tumba de um soldado que viveu durante o Egito Antigo, mais especificamente durante a décima sétima dinastia, embora artefatos de outros períodos também tenham sido encontrados.

Seu nome era Djehuty Shed e sua tumba foi encontrada em uma cidade que atualmente chamamos de Dr Abu el Naga. O túmulo é composto por um pátio de 55 metros de largura e 18 entradas, algo, até o momento, extremamente único em Luxor. Ela também possui dois poços de 11 metros de profundidade.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Apesar do sítio em que ela está localizada ter sido escavado por cerca de 200 anos, essa tumba até então era desconhecida. Agora, graças às pesquisas realizadas nela, os arqueólogos que trabalharam no registro na região apontam que sua descoberta ajudará a mudar o mapa histórico e arqueológico da necrópole de Dr Abu el Naga. Especialmente porque em suas proximidades mais 6 tumbas foram evidenciadas. Uma delas pertence a um escriba de um faraó.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

50 selos funerários também foram encontrados e pertencem a pessoas cujas tumbas ainda não foram localizadas.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Já sobre esta nova descoberta, infelizmente ainda nós não possuímos imagens de dentro da tumba, mas as autoridades egípcias garantem que as ilustrações do seu interior são lindas.

Fonte:

Ancient Egyptian Soldier’s Tomb Discovered in Luxor. Disponível em < http://luxortimes.com/2019/04/ancient-egyptian-soldiers-tomb-discovered-in-luxor/ >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Leilão tentará vender estátua do faraó Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Algo incomum está prestes a acontecer: um artefato de Tutankhamon está para ser vendido em um leilão em Londres (Inglaterra). Trata-se de uma cabeça de quartzito marrom de 28,5 cm de altura e que representa a face do jovem rei como o deus Amon, divindade padroeira da antiga cidade Tebas, atual Luxor.

Foto: casa de leilões Christies

A peça está sob a guarda da casa de leilões Christies e espera-se que ela seja vendida mês que vem por mais de 4 milhões de libras (cerca de 19 bilhões de reais) .

Porém, as autoridades egípcias não estão felizes com isto, já que acreditam que a peça foi roubada do templo de Karnak, em Luxor (Egito) e retirada ilegalmente do país depois da década de 1970. Agora o governo egípcio está reunindo evidências para provar isto. É importante ressaltar que a venda e posse de artefatos arqueológicos após este ano, dependendo do contexto, são consideradas ilegais. E em soma o Egito introduziu uma lei em 1983 para regulamentar a posse de antiguidades egípcias, dizendo que quaisquer artefatos antigos descobertos no país são considerados propriedades do Estado com a exceção de antiguidades cuja propriedade ou posse já estava estabelecida no momento em que esta lei entrou em vigor.

Foto: casa de leilões Christies

Um porta voz da casa de leilões disse que “Objetos antigos, por sua natureza, não podem ser rastreados ao longo de milênios” e que “Não iriamos oferecer à venda nenhum objeto em que houvesse preocupação acerca de sua propriedade ou exportação”. De acordo com eles “O lote atual foi adquirido da Heinz Herzer, uma concessionária com sede em Munique em 1985. Antes disso, Joseph Messina, um negociante austríaco, adquiriu-o em 1973-74 da Prinz Wilhelm von Thurn und Taxis, que supostamente o tinha em sua coleção na década de 1960″. Eles ainda se defendem explicando que a estátua já tinha sido exibida na Embaixada Egípcia de Londres antes de entrar para o leilão.

Salário de um arqueólogo, venda de artefatos e estudar Arqueologia

Entretanto, o atual chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Dr. Mostafa Waziri e o ex-ministro das antiguidades do Egito, Dr. Zahi Hawass, não acreditam que a casa de leilões tenham as provas de que a peça saiu do Egito legalmente. Hawass é conhecido mundialmente por ter encabeçado várias campanhas de repatriação de artefatos arqueológicos, além de ter despertado nas pessoas a importância de se preservar a história de seus respectivos países.

Foto: casa de leilões Christies

O Egito possui um escritório voltado exclusivamente para a localização de artefatos arqueológicos roubados — seja nos dias atuais ou em outras décadas — e que sempre está vigiando sites de leilões. Ele é comandado por Shaaban Abdel-Gawad, chefe do departamento antifraude do Ministério de Antiguidades do Egito que neste momento está estudando os arquivos do leilão. “Se for provado que qualquer peça é exportada ilegalmente, todos os procedimentos legais são tomados com a Interpol, em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores do Egito, a fim de garantir seu retorno”, disse Abdel-Gawad em um comunicado para a imprensa. “Não vamos tolerar ou permitir que alguém venda a influência egípcia.”

Se esta peça for vendida em um leilão provavelmente será adquirida por algum colecionador particular e não estará mais disponível para os olhos do público.

Fontes:

Egypt tries to stop sale of Tutankhamun statue in London. Disponível em < https://www.theguardian.com/world/2019/jun/10/egypt-tries-to-stop-sale-tutankhamun-statue-london >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Egypt can demand return of King Tut statue going up for auction: Former antiquities chief. Disponível em < https://abcnews.go.com/International/egypt-demand-return-king-tut-statue-auction-antiquities/story?id=63592464 >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Google homenageia descoberta arqueológica do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No último dia 26 de maio (2019), foi comemorado os 65 anos da descoberta da barca solar do faraó Khufu, que reinou durante a 4ª dinastia (Antigo Reino). Encontrada dentro de um fosso de pedra durante uma limpeza de rotina próxima a Grande Pirâmide (Gizé) em 1954, ela estava desmontada ao lado de uma outra embarcação, também desmontada.

Khufu solar boatBarca solar de Khufu exposta no Museu da Barca Solar de Gizé

O trabalho de montagem ficou sob a coordenação do restaurador egípcio Hag Ahmed Youssef Moustafa. Apesar da sua experiência de duas décadas trabalhando na restauração de tumbas tebanas, ele acreditava que seus conhecimentos e os conhecimentos de seus colegas cientistas seriam limitados ao lidar com a montagem de uma embarcação tão antiga.

Ele então passou três meses visitando artesãos egípcios na tentativa de identificar algo que parecesse com as técnicas de seus antepassados. Entretanto, não encontrou nada que o ajudasse diretamente, mas isso lhe deu segurança para enfim escolher a embarcação melhor preservada e dar início aos seus trabalhos. Dentre as 1200 peças que tinha que juntar estavam tábuas de cedro, esteiras de junco e cordas de linho.

Mais uma parte de uma das embarcações de Khufu é encontrada

Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Porém, o trabalho em si não foi fácil, uma vez que ele não sabia a disposição real das peças, o que acabou o obrigando a montar e desmontar a embarcação quatro vezes. A reviravolta desta história veio quando um dos seus ajudantes percebeu que a dica do que fazer estava ali o tempo todo, deixada de presente pelos antigos egípcios: as peças que se encaixavam possuíam símbolos comuns que pareciam servir como guia para montagem.

Museu-Barco-Farao-Queops-Khufu-Ship-Piramide-Gize-Cairo-Egipto (16)

E assim, após dezesseis anos de trabalho, Hag Ahmed Youssef Moustafa e equipe conseguiram montar toda a embarcação.

Museu-Barco-Farao-Queops-Khufu-Ship-Piramide-Gize-Cairo-EgiptoÁrea externa do Museu da Barca Solar de Gizé, onde a embarcação encontra-se exposta.

Este feito foi tão notável que este ano o Google Doodles homenageou a descoberta. Representado a barca solar em um papiro, ela foi desenhada sendo mostrada de lado e de cima, enquanto é acompanhada pelo nome “Google” cujos os “o” são substituídos por um cartouche — nome dado para um desenho em forma oval em que eram postos os nomes dos faraós — com o nome do faraó Khufu em hieróglifos. A imagem de um arqueólogo também é retratada, assim como as pirâmides do Platô de Gizé e o ano da descoberta da barca.

Infelizmente a visualização deste doodle não estava disponível no território brasileiro (somente para parte da África, Europa e Ásia).

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a “barca solar de Quéops.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007.

Múmias de grandes reis e rainhas do Egito terão novo lar

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Há alguns dias foi anunciada a notícia de que as múmias de alguns dos maiores faraós e rainhas do Egito serão migradas do Museu Egípcio do Cairo para o Museu Nacional da Civilização Egípcia (não para o Grande Museu Egípcio, como antes se especulava), em Al Fustat. Ainda não está totalmente claro quais múmias irão para este novo local, mas são 20 das que foram encontradas no esconderijo de Deir el-Bahari (TT320).

De acordo com o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, o translado será feito no dia 15 de julho (2019) e para comemorar ocorrerá um cortejo para mostrar o prestígio dos antigos governantes egípcios.

• O surpreendente esconderijo de múmias de faraós encontrado no século XIX em Deir el-Bahari (TT320)

• Pesquisa de genoma em múmias egípcias aponta parentesco com Oriente Próximo

Múmia do faraó Ramsés II. Fotografo desconhecido (Wikimedia Commons).

Além da chegada destes reis, o  Museu Nacional da Civilização Egípcia ganhará novas salas para abrigar exposições que apresentarão desde a história anterior a Era dos Faraós até os dias atuais.

Fontes:

Royal mummies to be transfered from Egyptian Museum to NMEC on June.15. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/70284/Royal-mummies-to-be-transfered-from-Egyptian-Museum-to-NMEC >. Acesso em 24 de maio de 2019.

Pharaohs’ Mummies to Settle into NMEC. Disponível em < http://see.news/pharaohs-mummies-to-settle-into-nmec/?fbclid=IwAR3ggYLZnlhVs9Yiy655MqVI3lABqFU7GhS25-QF8C0AUVq0FADXvMMLOfo >. Acesso em 24 de maio de 2019.

Descubra o que o Egito Antigo e Game of Thrones têm em comum

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Game of Thrones trata-se de uma série produzida pelo canal HBO e que é uma adaptação para TV de uma franquia de livros intitulados “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Seu enredo está envolto de várias questões e uma delas é que está ocorrendo uma guerra civil dinástica entre várias famílias poderosas, que estão lutando pelo controle dos Sete Reinos ou de ao menos uma parte dele.

Entretanto, o que tem a ver Game of Thrones com o Egito Antigo? Pois bem, e se eu disser para vocês que no Egito ocorreu algo parecido — guerras civis dinásticas — não uma, mas três vezes? Isso se passou durante os chamados “Períodos Intermediários”.

A história da época dos faraós é dividida por nós acadêmicos em grandes conjuntos de períodos dinásticos:  Período Tinita, Antigo Reino, Primeiro Período Intermediário, Médio Reino, Segundo Período Intermediário, Novo Império, Terceiro Período Intermediário, Baixa Época e Período Grego.

E cada um destes grandes períodos eram divididos em várias dinastias, que por sua vez são separadas pelos egiptólogos por famílias ou associações políticas. A estrutura básica destas dinastias foi sugerida pela primeira vez por um estudioso chamado Manetho. Ele era um sacerdote nascido no Egito no século III antes da Era Cristã. A lista dele é complementada e corrigida até hoje pelos egiptólogos.

E esses citados “períodos intermediários” aconteceram três vezes na história do país graças ao enfraquecimento do poder central — causado por diversos motivos indo desde grande corrupção, desentendimentos dentro da família real e crises econômicas —.

Durante os “Períodos Intermediários” a soberania territorial dos faraós foi fragmentada.

Então, este enfraquecimento favoreceu a ascensão de poderes locais que certamente estavam mais organizados tanto politicamente como militarmente. Talvez alguns fãs de Game of Thrones já conseguiram realizar algumas associações: Na série quando ocorre um certo acontecimento no final da 1ª Temporada, o caos político é desencadeado, o que leva algumas famílias locais a cobiçar o Trono de Ferro e consequentemente o poder central é enfraquecido.

O Primeiro Período Intermediário:

O Antigo Reino, que é aquela época em que foi construída a Grande Pirâmide, tem fim com a fragmentação do poder dos reis no norte do país, onde ficava justamente a sua capital, Memphis. Foi assim que teve início o Primeiro Período Intermediário.

Ele é composto pela 7ª, 8ª, 9ª e 10ª Dinastia, onde Memphis, Herakleopolis e Tebas assumem o poder.

O Segundo Período Intermediário:

No Segundo Período Intermediário novamente a integridade territorial do país e perdida, mas, ao contrário do Primeiro Período Intermediário, aqui temos a presença de estrangeiros tomando o poder. Eles eram os hicsos, que se estabeleceram em Avaris.

Temos a 13ª, 14ª, 15ª, 16ª e 17ª Dinastia, sem contar a Dinastia de Abidos. As principais cidades envolvidas são Aváris e Tebas.

O Terceiro Período Intermediário:

Com o fim do Novo Império temos a chegada do Terceiro Período Intermediário. E mais uma vez vemos a ascensão de diferentes dinastias paralelas que reinam em Tânis, Leontópolis e Sais. Para variar também ocorre a invasão kushita. Estes governos estão espalhados pela 21ª, 22ª, 23ª, 24ª e 25ª Dinastia.

Quer saber mais? Assista ao nosso vídeo:

Fontes:

ASTON, D. A. Third Intermediate Period, overview. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

NAUNTON, Christopher. Libyans and Nubians. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

Pesquisadores estão trabalhando com roupas de Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A tumba do faraó Tutankhamon foi descoberta praticamente intacta em 1922 e até os dias atuais os artefatos retirados de seu interior estão rendendo questionamentos e pesquisas. Um ótimo exemplo são os objetos feitos de tecido, que devido a sua fragilidade, estão agora nas mãos de restauradores do Grande Museu Egípcio, que por sua vez, trata-se de uma das principais promessas museológicas do país, uma vez que será o maior museu do mundo dedicado exclusivamente à história do Egito.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Contudo, sua inauguração foi cancelada várias vezes por motivos de verbas escassas e instabilidades políticas:

Entretanto, alguns dos seus laboratórios já estão funcionando, a exemplo daqueles justamente dedicados a conservação e restauro de peças arqueológicas, como é o caso dos artefatos retirados da tumba do faraó Tutankhamon.

— Veja também: Restauradores egípcios estão recuperando roupa de Tutankhamon

Artefatos de origem têxteis saídos de sítios arqueológicos tendem a se fragmentar com mais facilidade e por isto são de difícil manipulação e conservação. Mesmo os encontrados na tumba de Tutankhamon não fogem a regra. Desta forma, para evitar sua fragmentação, os pesquisadores têm construído suportes com encaixes internos (como se fossem negativos) para eles, com materiais livres de ácido ou qualquer outro material que os danifique.

Eles basicamente estão medindo e traçando cada artefato fazendo uso do Auto CAD para construir moldes que comportem com exatidão os formatos e tamanhos das peças. Tais moldes permitirão não só a exibição destes artefatos nas vitrines do museu, como também a sua conservação por muito mais anos.

Fonte:

The mounting process starts for Tutankhamun’s textiles. Disponível em < http://www.jicagem.com/blog/2019/04/the-mounting-process-starts-for-tutankhamuns-textiles >. Acesso em 03 de maio de 2019

É descoberta no Egito tumba ricamente colorida e repleta de múmias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Imagine uma tumba totalmente colorida, como se acabasse de ter sido pintada e ainda com o bônus de conter algumas múmias —- tanto de humanos, como de outros animais —. Imaginou? Este sonho de muitos arqueólogos se concretizou nos últimos meses na cidade de Sohag (cerca de 390 quilômetros ao sul do Cairo), Egito: lá uma equipe de Arqueologia está desenvolvendo pesquisas na tumba de um casal do Período Ptolomaico: a mulher era Ta-Shirit-Iziz e o homem Tutu [1][2]. As análises visam entender quem foram eles, sua família e a sociedade em que viveram.

Foto: Reuters.

Entretanto, nós da modernidade quase perdemos tudo isso, uma vez que não foram arqueólogos os responsáveis pela descoberta, mas um grupo de ladrões e contrabandistas de artefatos arqueológicos. O crime foi descoberto por autoridades egípcias em outubro do ano passado (2018) antes que mais estragos fossem feitos [1][2]. Dentre os artefatos salvos estão fragmentos de máscaras funerárias [2].  

Foto: Reuters.

As imagens parietais retratam os donos da tumba, assim como imagens de procissões fúnebres e a genealogia da família escrita em hieróglifos. Em várias partes as cores vermelho, azul e amarelo ainda estão nítidas, como se tivessem acabado de ser postas no local. “É uma das descobertas mais emocionantes da região”, disse Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito [1].

O outro grande detalhe da tumba é a presença de várias múmias: duas são humanas — um menino com 12 ou 14 anos de idade e a outra uma mulher de 35 a 50 anos —. 

Múmias da criança e a mulher. Foto: Ministério das Antiguidades.

Múmias da criança e a mulher. Foto: Ministério das Antiguidades.

Foto: Reuters.

As demais são de 50 outros animais onde estão inclusos falcões e ratos [1].

Foto: Reuters.

Múmias falcões. Foto: Ministério das Antiguidades.

Múmias de ratos em destaque. Foto: Reuters.

Fontes: 

[1] Mummified Mice and Falcons Are Found in Egyptian Tomb. Disponível em < https://www.nytimes.com/2019/04/06/world/middleeast/mummified-mice-egypt.html >. Acesso em 07 de  abril de 2019.

[2] Mummified mice found in ‘beautiful, colourful’ Egyptian tomb. Disponível em < https://www.theguardian.com/world/2019/apr/06/mummified-mice-found-in-beautiful-colourful-egyptian-tomb >. Acesso em 04 de maio de 2019.

Egypt tomb: Mummified mice found in ‘beautiful’ ancient chamber. Disponível em < https://www.bbc.com/news/world-middle-east-47838077 >. Acesso em 04 de maio de 2019.

Escaravelhos carnívoros no Egito Antigo? Entenda!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Quando o filme “A Múmia” (1999) estreou arrecadou milhares de fãs ao redor do mundo e junto com a fama veio alguns estereótipos: foi graças a esta obra de aventura que muitos dos amantes da antiga cultura egípcia vieram a se familiarizar com a imagem dos escaravelhos sagrados que, apesar de pequenos, eram extremamente mortais: em todos os seus momentos de tela eles aparecem devorando carne humana viva.

Entretanto, este animal jamais existiu!

Escaravelho sagrado egípcio.

Existem várias espécies de escaravelhos, com diferentes colorações e formatos. E algumas de fato comem carne humana, mas somente em decomposição. No caso do Egito além de ser insetos inofensivos, possuíam um papel extremamente importante, sendo considerados uma das imagens de uma importante divindade criadora, o Khepri.

Neste vídeo explico melhor sobre os escaravelhos sagrados, suas múmias — sim, foram encontradas múmias de escaravelhos — e como você pode estudá-los:

Sarcófagos e múmias de escaravelhos. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

Khepri era tido como a manifestação do sol nascente, ou seja, ele era uma divindade solar e uma das formas do deus Rá. Para variar, os antigos egípcios achavam que não existiam fêmeas entre os escaravelhos e que eles nasciam “do nada” de dentro das bolas de estrume que eles carregam de um lado para o outro. Este seria um dos motivos para os egípcios adotar Khepri como um deus criador.  

Escaravelho com uma bola de estrume.

Deus Khepri.

Fontes:

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

IKRAM, Salima. Divine Creatures: Animal Mummies in Ancient Egypt. Cairo: The American University in Cairo, 2005.

SHAFER, Byron. Sociedade, moralidade e práticas religiosas (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

Ancient Egyptian tombs yield rare find of mummified scarab beetles. < https://www.reuters.com/article/us-egypt-archaeology-discovery/ancient-egyptian-tombs-yield-rare-find-of-mummified-scarab-beetles-idUSKCN1NF0KY >. Acesso em 10 de novembro de 2018.

Descoberta arqueológica única comprova relato de Heródoto

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Heródoto foi um viajante e pesquisador grego que visitou o Egito durante o século 5 a.E.C. Foi dele de onde saiu uma das frases mais emblemáticas sobre o país: “O Egito é uma dádiva do Nilo”. Entretanto, embora seja um dos principais referenciais no que diz respeito ao registro da vida na Antiguidade, Heródoto já foi assumido — e com razão — por muitos historiadores e arqueólogos como alguém pouco confiável, uma vez que os seus textos não raramente tendem para a fantasia.

Imagem: G Nimatallah/De Agostini/Getty Images

Porém, recentemente foi anunciada para a imprensa que no Egito ocorreu a descoberta de um meio de transporte que foi citado em sua obra “Histórias”, mas que até então não tinha sido encontrado: trata-se de uma embarcação de carga. Ela foi descoberta durante uma escavação arqueológica submersa na antiga área portuária de Thonis-Heracleion, próximo de Alexandria.

Thonis-Heracleion foi uma antiga cidade portuária que acabou ficando submersa graças a uma série de desastres naturais. Ela, ao lado de Alexandria, tem rendido uma série de importantes descobertas arqueológicas acerca do Período Greco-Romano.   

“Foi só quando descobrimos esse naufrágio que percebemos que Heródoto estava certo”, disse Damian Robinson, diretor do Centro de Arqueologia Marítima de Oxford, que publicou uma monografia recente detalhando o achado. E complementou “O que Heródoto descreveu foi o que estávamos olhando”.

No seu livro “Histórias”, Heródoto descreve a construção de um cargueiro do Nilo. Em seu relato ele fala da criação de barcos de “acácia espinhosa” (espinheiro) que “dada a forte correnteza, não podem subir o rio, a menos que sejam impelidos por forte vento”.

Imagem: Christoph Gerigk/Franck Goddio/Hilti Foundation.

Ele relatou que os construtores “do espinheiro tiram pranchas de dois côvados de comprimento [1], que ajustam umas às outras, da mesma maneira por que arrumam os tijolos [2], prendendo-as com cavilhas fortes e longas. Colocam depois as vigas, sem se servirem de cavernas, consolidando o arcabouço pelo lado de dentro com ligas de biblos [3]”.

Imagem: Christoph Gerigk/Franck Goddio/Hilti Foundation.

A embarcação naufragada recebeu o nome de “Embarcação 17”. É feita com acácia e de acordo com as análises provavelmente possuía uns 92 pés. Os pesquisadores responsáveis pela descoberta explicam que ela foi construída em algum momento no século 6 a.E.C, mas que naufragou no século 5 a.E.C.

Alexander Belov, autor do livro “Ship 17: a Baris from Thonis-Heracleion”, é ousado em uma de suas colocações afirmando que a arquitetura náutica do naufrágio está tão próxima da descrição de Heródoto que poderia ter sido feita no próprio estaleiro que ele visitou.

Cargueiros para blocos de pedra:

Embora a “Embarcação 17” provavelmente tenha sido utilizada para transportar grandes mercadorias a exemplos de sacas de grãos. Na iconografia egípcia de tempos anteriores a esta descoberta podemos ver embarcações transportando coisas ainda maiores e mais pesadas, tais como blocos de pedra. Um ótimo exemplo é a embarcação retratada na tumba de um homem chamado Ipi (5ª Dinastia), localizada em Saqqara.

— Veja também: Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

O Egito era uma civilização extremamente fluvial e desde o Período Pré-Dinástico vemos exemplos de imagens que nos remetem à embarcações. E não só isso: em diferentes momentos históricos e variados contextos foram encontradas embarcações propriamente ditas. Dois exemplos são os “barcos de Dashur” e a embarcação solar do faraó Khufu (Quéops).

Clique aqui para conferir a imagem colecionável “A Barca Solar de Queóps” da Del Prado.

Dashur BoatUm dos barcos de Dashur

Khufu solar boatBarca solar de Khufu

A Arqueologia Subaquática:

No nosso canal possuímos um vídeo explicando como se dá uma pesquisa arqueológica subaquática, dificuldades e oportunidades de trabalho:

Fontes:

Wreck of Unusual Ship Described by Herodotus Recovered From Nile Delta. Acesso em < https://www.smithsonianmag.com/smart-news/wreck-unusual-ship-described-herodotus-recovered-nile-delta-180971762/ >. Disponível em 12 de abril de 2019.

Nile shipwreck discovery proves Herodotus right – after 2,469 years. Acesso em <  https://www.theguardian.com/science/2019/mar/17/nile-shipwreck-herodotus-archaeologists-thonis-heraclion >. Disponível em 12 de abril de 2019.

Livro “Histórias” de Heródoto.


[1] cerca de 100 cm.

[2] as organizam como tijolos.

[3] papiro.

Descubra como eram feitas as múmias egípcias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Certamente as múmias são um dos elementos mais reconhecíveis da cultura da Era dos Faraós. Elas são tão queridas e instigantes que acabaram se tornando o tema de muitos documentários. Além de muito presentes na cultura popular: nós as vemos em filmes, séries, literatura, histórias em quadrinhos, games, brinquedos e revistas.

E não é difícil encontrá-las em alguns museus de antiguidades. Até no nosso Brasil possuíamos algumas. A maioria estava no Museu Nacional e foram destruídas no incêndio ocorrido no dia 2 de setembro de 2018. Incêndio este que arrasou todo o interior do edifício. E em Curitiba, no Museu Egípcio e Rosacruz, possuímos uma cabeça feminina que foi apelidada pelos pesquisadores como Thotmea.

Mas, como é que eram feitas as múmias egípcias? Quais ingredientes eram utilizados? E por que os egípcios passaram a mumificar? Estas e outras perguntas são respondidas neste vídeo exclusivo produzido pelo Arqueologia Egípcia:

As múmias egípcias significam várias coisas. Desde um dos passos necessários do morto para alcançar a eternidade a um vínculo do falecido com o mundo dos vivos. Porém, a mumificação foi muito além.

O aperfeiçoamento da sua prática acabou possibilitando notáveis avanços na medicina nos tempos dos faraós. Já que o conhecimento do corpo tornou possível que os médicos egípcios pudessem ter uma visão mais geral dos ferimentos e enfermidades.

Clique aqui para conferir a imagem colecionável “A Mumificação” da Del Prado.

E graças às pesquisas arqueológicas nós conhecemos alguns dos artefatos utilizados durante a mumificação. Na imagem abaixo é possível ver uma cama para o descanso do corpo no natrão, uma máscara do deus Anúbis e uma paleta de mumificador.

E nos dias de hoje é graças à boa conservação de muitas múmias que nós arqueólogos podemos arrecadar dados que nos possibilitam ler detalhes sobre a vida no Antigo Egito como doenças, alimentação, idade média de vida e causas comuns de morte em uma determinada comunidade.

Fontes do vídeo:

AUFDERHEIDE, Arthur. The Scientific Study of Mummies. Nova York: University of Cambridge, 2010.
BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.
BIERBRIER, Morris L. Historical dictionary of Ancient Egypt. Maryland: The Scarecrow Press, Inc, 2008.
HARRIS, James. “Scientific study of mummies”.In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.
JIRÁSKOVÁ, L. Damage and repair of the Old Kingdom canopic jars: the case at Abusir. PES XV, 2015.
MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.
STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

Site:
A Pigment from the Depths: https://www.harvardartmuseums.org/article/a-pigment-from-the-depths