Entenda a tumba do faraó Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Descoberta em 1922 pelo arqueólogo inglês Howard Carter, a tumba de Tutankhamon é uma das descobertas arqueológicas mais importantes da arqueologia egípcia. Um dos motivos? Ela foi encontrada praticamente intacta, ainda lacrada com o selo das necrópoles que foram postos lá há mais de 3000 anos. O outro foi por ter sido amplamente documentada por Carter, coisa que os arqueólogos da época raramente faziam.

E apesar de ser pequena, ela possui informações interessantes sobre o Egito Antigo, além de várias curiosidades. Por exemplo, sabia que no seu interior existia uma parede falsa que leva ao espaço que hoje chamamos de “câmara funerária”? É possível enxergar essa parede na foto que foi tirada por Harry Burton, fotógrafo oficial da missão de arqueologia — veja a foto no vídeo.

Então, que tal fazer um tour virtual por ela? E ainda com uma explicação detalhada de cada imagem presente? Veja o vídeo abaixo do canal Arqueologia pelo Mundo:

— E mais: Já teve curiosidade em saber como seria viver uma estudante de Arqueologia em um jogo? Então acompanhe a série “Aventuras na Arqueologia”:

Egito reabre aeroportos e recebe turistas em pirâmides

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Atenção: não é porque alguns países estão reabrindo que quer dizer que o Brasil tem condições de reabrir também. Fique em casa, obedeça a quarentena. Assim você ajudará a salvar várias vidas. Assista a esse vídeo para entender como até a arqueologia aponta a importância do isolamento social: Qual A Mais Antiga Epidemia?.

Foto: REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Após mais de 3 meses em quarentena devido à pandemia da COVID-19 (o novo coronavírus), o Egito reiniciou o recebimento de voos internacionais e reabriu alguns sítios arqueológicos para visitação turística, um deles é o platô de Gizé, onde se encontra a Grande Pirâmide.

O país tinha fechado aeroportos e atrações turísticas em meados de março e iniciou uma extensa campanha de conscientização e prevenção contra o coronavírus, incluindo o isolamento social para conter a propagação do vírus e higienização de sítios arqueológicos e hotéis. É importante salientar que parte da economia do Egito gira em torno do turismo, mais especificamente do turismo arqueológico.

Foto: REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

De acordo com a agência de notícias Reuters, os voos que estão chegando ao país ainda são poucos, assim como poucos visitantes passaram pelo Platô de Gizé. O ministro do turismo e antiguidades, Khaled al-Anany, disse que dois voos fretados chegaram na manhã da quarta-feira (01/07) a aeroportos no Sinai do Sul e no Mar Vermelho. Eles transportavam turistas da Ucrânia. Essas áreas ao longo da costa do Mar Vermelho e Marsa Matrouh, no Mediterrâneo, foram autorizadas a reabrir, pois possuem os números mais baixos de infectados até agora. Até o momento em que escrevo essa notícia o Ministério da Saúde egípcio registrou 71.299 casos de infectados pelo novo coronavírus e 3.120 mortes.

Desde o início de junho o ministro afirmava que estava esperando a curva de contágio do país se estabilizar e, aparentemente, esse momento chegou.
Dentre as medidas de segurança para essa abertura gradual do país está um regulamento explicando como as equipes de arqueologia devem se portar. Já os hotéis devem fornecer máscaras e desinfetantes a todos os hóspedes, enquanto as áreas comuns devem ser desinfetadas regularmente e o uso de elevadores limitado a 50% da capacidade.

Auxílio emergencial:

De acordo com o portal Middle East, o governo egípcio preferiu manter os hotéis fechados no auge da pandemia no país, acrescentando em comunicado que “não poderia correr o risco” de abrir qualquer coisa considerada imprópria. “Prefiro apoiar esses hotéis do que abri-los”, declarou o ministro de turismo e antiguidades.

Não foram liberados os dados oficiais sobre perdas econômicas este ano, mas o ministro do planejamento, Hala al-Saeed, disse em abril que essas perdas poderiam chegar a US$ 5 bilhões.

Ainda de acordo com o portal, o banco central destinou até 50 bilhões de libras egípcias em empréstimos para apoiar o setor de turismo. Os recursos foram destinados ao pagamento de salários dos funcionários que ficaram em casa em quarentena e a reforma de hotéis, ônibus, navios de cruzeiro e agências de viagens. Em soma, o Egito garantiu um pacote de ajuda urgente de US$ 2,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional para compensar a crise econômica. Também concordou com o FMI em outro acordo de reserva de US$ 5,2 bilhões “para manter a estabilidade macroeconômica em meio ao impacto da COVID-19”.

Em 2021, as autoridades contam com a inauguração do Grande Museu Egípcio, que fica no no platô de Gizé, para estimular o turismo.

Fontes:
Egypt gearing up to welcome back tourists. Disponível em < https://middle-east-online.com/en/egypt-gearing-welcome-back-tourists >. Acesso em 10 de junho de 2020.

Egypt reopens airports and welcomes tourists to pyramids after COVID closure. Disponível em < https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-egypt-idUSKBN2426VX >. Acesso em 1 de julho de 2020.

Em meio a surto do coronavírus, o Egito lança novo regulamento para equipes de arqueologia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Aqui no Arqueologia Egípcia apresentei algumas das determinações do governo egípcio em relação à pandemia do novo coronavírus, para saber mais sobre o assunto clique aqui. E agora neste mês de junho o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito emitiu algumas novas normas visando evitar a propagação do vírus, mas dessa vez entre os trabalhadores da arqueologia, ou seja, arqueólogos e auxiliares de campo.

Abaixo estão os pontos do novo regulamento:

  • Todas as ferramentas de escavação devem ser desinfetadas regularmente;
  • O número de trabalhadores não deve exceder 30 pessoas em locais ao ar livre e quatro pessoas dentro de cada tumba ou poço de sepultamento (contando com o inspetor de arqueologia);
  • As missões arqueológicas devem fornecer os desinfetantes necessários antes do início do trabalho para garantir a segurança e a higiene durante as escavações;
  • Máscaras e luvas devem ser usadas durante o horário de trabalho o tempo todo;
  • O distanciamento físico deve ser observado durante o horário de trabalho e o chefe da missão e o inspetor devem lembrar regularmente os trabalhadores e membros da missão dos perigos do coronavírus. E também salientar as medidas de precaução que devem ser tomadas.
  • As temperaturas dos trabalhadores e membros da missão devem ser medidas todos os dias antes do trabalho, e todos devem seguir os regulamentos de saúde e preventivos, além de trazer seus próprios itens pessoais.
  • Os utensílios para comer e beber não podem ser compartilhados.

Fonte:
Egypt introduces regulations for archaeological missions amid coronavirus outbreak. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/372102/Heritage/Ancient-Egypt/Egypt-introduces-regulations-for-archaeological-mi.aspx >. Acesso em 15 de junho de 2020.

Apesar do adiamento da inauguração, obras do Grande Museu Egípcio não pararam: entenda o caso!

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Apesar da pandemia causada pela covid-19, as obras para finalizar o Grande Museu Egípcio não pararam. Esperava-se que esse grande edifício fosse oficialmente inaugurado no final desse ano de 2020. Entretanto, por motivos de segurança, a inauguração foi cancelada para o início de 2021. Inclusive o ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, Khaled al-Anani, visitou as obras do museu no início de abril, para verificar o andamento do projeto.

Entretanto, por que os trabalhadores do museu não estão em quarentena?

De acordo com o ministro, o número de trabalhadores e especialistas em restauro que atuam no local foi reduzido e outras medidas preventivas foram implementadas visando limitar a propagação do coronavírus. Mais de 1.700 trabalhadores estão atuando no local para concluir cerca de 50% das tarefas diárias. Ainda de acordo com o ministro, os trabalhadores estão efetuando suas funções a distâncias seguras, além de suas temperaturas serem medidas sempre durante a chegada e saída do trabalho. Em soma, segundo o supervisor geral do Grande Museu Egípcio, Atef Moftah, as instalações estão sendo esterilizadas duas vezes por dia e os trabalhadores são obrigados a usar máscaras médicas. 

E em uma tentativa de impedir a propagação do coronavírus, o Egito fechou os sítios arqueológicos para visitação. Essa medida está tendo um enorme impacto no setor turístico, que é extremamente importante para a economia do país. 

Fontes:

Work continues for opening of Grand Egyptian Museum. Disponível em < https://travel.manoramaonline.com/travel/travel-news/2020/04/16/work-continues-opening-grand-egyptian-museum.html >. Acesso em 25 de maio de 2020.

O coronavírus atrasou a inauguração de um dos maiores museus de antiguidades do mundo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Há mais de uma década a comunidade de arqueologia, em especial a egípcia e a clássica, tem esperado ansiosamente pela abertura do Grande Museu Egípcio, que já possui o título de o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização da antiguidade.  

O museu não está totalmente pronto, mas alguns dos seus laboratórios já estão em funcionamento. Contudo, sua abertura oficial foi cancelada vária vezes e tínhamos a garantia de que ela iria ocorrer agora no final de 2020. Isso, inclusive, foi muito bem salientado pelo arqueólogo Zahi Hawass durante a entrevista que fiz com ele no momento da abertura do museu “Tutankhamon” em Curitiba. 

Entrevistei o arqueólogo Zahi Hawass (Vídeo)

Grande Museu Egípcio. Foto: Getty Imagens

Porém, graças à pandemia da CODVID-19 (coronavírus) a sua inauguração oficial foi mais uma vez cancelada, passado agora para o início de 2021. Atraso necessário, visto que uma das formas de contágio deste vírus é através da aglomeração de pessoas. Uma data ainda não foi definida, uma vez que o governo egípcio está focando em observar alterações no status da pandemia. 

Trabalho de conservação em um dos artefatos da tumba de Tutankhamon. Foto: Getty Imagens
Trabalho de conservação em um dos artefatos da tumba de Tutankhamon. Foto: Getty Imagens

E é uma grata surpresa saber que a arquitetura do museu de antemão já tinha como um dos objetivos justamente evitar aglomerações entre os visitantes. O Dr. Tarek Tawfik, professor associado da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo e o primeiro ex-diretor geral do projeto do Grande Museu Egípcio, em declaração para a Forbes, explicou que a amplitude do museu beneficia o distanciamento social. “Obviamente, a higiene é um grande problema”, explicou Tawfik, “mas com esse espaço, teremos um bom fluxo de visitantes e opções como a capacidade de baixar comentários com códigos QR diretamente no seu dispositivo pessoal em vez de usar o equipamento do museu”. Basicamente o visitante só precisará baixar as informações das peças em exibição diretamente em seu celular, sem a necessidade de tocar em botões ou equipamentos da exposição do museu, evitando assim algum tipo de contágio. 

Vista a partir do museu para uma das pirâmides do Platô de Gizé. Foto: Getty Imagens.

O Grande Museu Egípcio tem vista para as pirâmides do Platô de Gizé e dentro dele os visitantes encontrarão restaurantes, lojas, auditório e áreas recreativas, além das exposições de arqueologia, claro. Vários artefatos de grande valor simbólico e histórico foram transferidos para lá, tais como a maioria dos artefatos relacionados ao faraó Tutankhamon (exceto sua máscara mortuária, que será transferida do Museu do Cairo para o Grande Museu durante uma cerimônia solene) e os 30 ataúdes de madeira encontrados na vila de Al-Assasif (próxima da cidade de Luxor).  

(…) mas com esse espaço, teremos um bom fluxo de visitantes e opções como a capacidade de baixar comentários com códigos QR diretamente no seu dispositivo pessoal em vez de usar o equipamento do museu

Certamente em breve teremos mais novidades.  

Fontes:

You Won’t Have To Wait An Eternity To See King Tut At The Grand Egyptian Museum (GEM). Disponível em < https://www.forbes.com/sites/gretchenkelly/2020/04/26/you-wont-have-to-wait-an-eternity-to-see-king-tut-at-the-grand-egyptian-museum-gem/#7a1333367760 >. Acesso em 23 de maio de 2020.

Pesquisadores estão tentando identificar fragmentos antigos de tinta em uma múmia egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Ao contrário do que possa parecer, pelo fato da antiguidade egípcia ser uma das sociedades antigas mais populares entre os fãs de história, sabemos pouco sobre as pessoas que viveram às margens do Nilo.

Estamos falando de uma civilização que passou por grandes períodos históricos onde mudanças culturais — pequenas, porém relevantes — ocorreram. E que cujos remanescentes, a exemplo de seus mortos, foram privados de sua identidade durante as explorações a tumbas que ocorreram há alguns séculos. Um exemplo foi o que ocorreu com uma múmia que chegou à América no início do século 19.

Atualmente pertencente ao acervo do Art Institute de Chicago, essa múmia foi exibida primeiro no Art Institute e depois no Children’s Museum de Indianápolis dentro de um caixão de madeira, que por sua vez é dedicado a uma mulher chamada Wenuhotep. Entretanto, ao retornar para Chicago em 2007, foi descoberto que o caixão não pertence originalmente a essa múmia, cuja verdadeira identidade se perdeu com o tempo.

Contudo, apesar da ausência do verdadeiro nome dessa pessoa, os arqueólogos responsáveis por sua análise não se intimidaram e descobriram alguns detalhes interessantes sobre esse indivíduo: A primeira descoberta, graças a tomografias recentes[1], é a de que essa pessoa era do sexo masculino. A segunda, foi através da identificação do método de mumificação e o estilo da decoração aplicada em seu invólucro, o que tornou possível saber que essa pessoa viveu durante o Período Ptolomaico (cerca de 332 a 30 aEC), época em que o Egito foi governado por faraós de descendência grega. Já o sarcófago é datado da 26ª Dinastia, ou seja, é cerca de 500 anos mais velho.

Essa múmia chegou à coleção acompanhada de quase uma centena de artefatos faraônicos que foram comprados no Egito em 1892 por Henry H. Getty e Charles L. Hutchinson, os dois primeiros administradores do local. Vale salientar que nos dias de hoje a venda e posse de artefatos arqueológicos é crime em alguns países, a exemplo do Egito e do próprio Brasil.

Em 1941, ela foi emprestada ao Oriental Institute da Universidade de Chicago. De lá, viajou para Indianápolis, para o Children’s Museum, em 1959, onde permaneceu em exibição até 2007.

Agora a múmia está passando por uma série de estudos para se conhecer mais acerca deste homem e procurar meios que possibilitem a conservação das pinturas que decoram os objetos que foram encontrados juntos ao corpo: uma máscara funerária, uma cobertura para os pés e dois painéis — os quais um cobria seu tronco e o outro as pernas —. Ambos os painéis foram decorados com cenas funerárias e imagens de divindades. Esses artefatos são feitos com cartonagem, que basicamente é um material feito com tecido de linho coberto com finas camadas de gesso.

O estado da múmia foi documentado cuidadosamente antes que a equipe pudesse iniciar o tratamento nas pinturas, que passaram por uma análise de Luminescência Induzida Visível (VIL). Essa técnica não invasiva (ou seja, que não prejudica a múmia ou qualquer outro tipo de artefato onde ela for aplicada) foi desenvolvida pelo cientista de imagem do Art Institute, Giovanni Verri. Através dela uma câmera digital com um sensor modificado para detectar radiação infravermelha pode determinar se o azul egípcio (um tipo de pigmento artificial criado pelos egípcios antigos para substituir a cor do lápis-lazúli) está presente. O VIL é uma ferramenta útil até mesmo quando apenas alguns grãos minúsculos de tintura sobreviveram ao passar do tempo ou se o pigmento não aparenta mais ser azul devido à descoloração.

Outro ponto importante dessa pesquisa foi a tentativa de remoção da sujeira que estava cobrindo a superfície da múmia e seus artefatos. Mas, como muitos tratamentos de conservação de artefatos arqueológicos, isso está provando ser mais fácil dizer do que fazer. Os conservadores realizaram testes em com vários solventes em um local discreto de uma das cartonagens para saber até onde ia sua capacidade de remover a sujeira sem afetar a tinta. O resultado foi desanimador: as soluções aquosas de fato removem a sujeira, mas também afetam a tinta, que é altamente sensível à água.

Os trabalhos ainda não estão finalizados e a equipe de conservação do museu espera trazer em um futuro não tão distante mais novidades sobre essa pesquisa.

Fontes:

Wenuhotep: Mystery Mummy. Disponível em < https://www.artic.edu/articles/451/wenuhotep-mystery-mummy >. Acesso em 19 de maio de 2020.

Solving a Mummy Mystery. Disponível em < https://www.artic.edu/articles/459/solving-a-mummy-mystery >. Acesso em 19 de maio de 2020.

The Secrets of a Mummy Emerge. Disponível em < https://www.artic.edu/articles/819/the-secrets-of-a-mummy-emerge >. Acesso em 19 de maio de 2020.


[1] Em 1988, enquanto estava emprestada ao Children’s Museum de Indianápolis a múmia passou por uma tomografia, cujo resultado foi inconclusivo. Retornou para Chicago em 2007, onde os dados coletados em 1988 foram reexaminados pela egiptóloga Dra. Emily Teeter, do Oriental Institute da Universidade de Chicago. Ela descobriu que a múmia não era a verdadeira dona do sarcófago, assim como que também trata-se de um homem.  

De acordo com jornais, Museu Egípcio do Cairo reabrirá, porém sob rigorosas medidas anti-coronavírus

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Devido à pandemia da COVID19 (coronavírus), muitos museus ao redor do planeta têm fechado suas portas e disponibilizado passeios virtuais. Um dos países que têm adotado essa medida foi o Egito, que criou passeios virtuais de uma série de sítios e edifícios arqueológicos e atrasou a inauguração do Grande Museu Egípcio. Localizado no platô de Gizé, sua abertura oficial estava prevista para o final desse ano de 2020.

Contudo, uma notícia recente está apontando que o diretor do Museu Egípcio do Cairo teria revelado no último domingo, dia 10 de maio, que museu será reaberto aos visitantes. Porém, aplicando rigorosas medidas contra a COVID19.

The Cairo Egyptian Museum
Museu Egípcio. Foto: Planes and Places (https://flic.kr/p/8dRfKL)

O Museu Egípcio ainda não se pronunciou em suas redes sociais, entretanto, alguns veículos da mídia egípcia têm veiculado o assunto. De acordo com os portais Zawya e o Daily Newss Egypt, por exemplo, parte da famosa coleção do museu será exibida nas quatro salas que outrora abrigavam as 22 múmias reais. Múmias essas que já foram transferidas antes da pandemia para o Museu Nacional da Civilização Egípcia em Fustat.

E é importante mencionar que os visitantes não poderão ver parte dos artefatos arqueológicos que foram retirados da tumba do faraó Tutankhamon. Eles já foram transferidos para o Grande Museu Egípcio.

Rosto de um dos sarcófagos do Faraó Tutankhamon. Foto pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

Vale salientar que o museu têm se preparado para o translado dos artefatos de Tutankhamon há mais de dois anos. Aqui no site noticiei em 2018 que eles já sabiam quais artefatos iriam substituí-lo na exposição e em 2019 o museu passou por reformas importantes.

Também foi acrescentado que atualmente está sendo preparanda uma proposta para registrar o Museu Egípcio como Patrimônio Mundial da UNESCO, uma vez que é um dos mais antigos museus do oriente. Também é salientado que novas placas com explicações sobre as exposições serão feitas visando mostrar os locais e as datas das descobertas dos artefatos arqueológicos que estarão disponíveis para visitação.

Permaneceremos no aguardo de um pronunciamento para imprensa internacional por parte do Ministério das Antiguidades e Turismo do Egito.

Fontes:

Egyptian Museum to re-open visitors under strict anti-coronavirus measures. Disponível em < https://wwww.dailynewssegypt.com/2020/05/10/egyptian-museum-to-re-open-visitors-under-strict-anti-coronavirus-measures/ >. Acesso em 13 de maio de 2020.

Egyptian Museum to re-open visitors under strict anti-coronavirus measures. Disponível em < https://www.zawya.com/mena/en/life/story/Egyptian_Museum_to_reopen_visitors_under_strict_anticoronavirus_measures-SNG_174221588/ >. Acesso em 13 de maio de 2020.

Arqueólogos espanhóis encontram múmia de adolescente enterrada há 3.600 anos no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi anunciada recentemente* que em Dra Abu el Naga (antiga Tebas, atual Luxor), ocorreu a descoberta de um ataúde de madeira que contém em seu interior o corpo mumificado de uma garota.

Foto: José Manuel Galán

A menina, que possuía cerca de 1,59 metros de altura, tinha entre 15 e 16 anos antes de falecer. A descoberta foi realizada pelo Proyecto Djehuty, uma equipe composta por arqueólogos espanhóis e que realiza escavações no Egito há anos.

A moça viveu em algum momento da 17ª Dinastia, Segundo Período Intermediário, um momento em que o Egito passava por uma guerra civil, onde os egípcios tentavam expulsar do país uma dinastia estrangeira, os hicsos.

O seu sepultamento é modesto, mas mostra algumas das posses que ela possuía em vida: seu ataúde é feito de madeira de sicômoro — esculpido em um único tronco — , e a sua múmia, como apontam os raio-x, está vestida com um par de brincos (ambos no lóbulo da orelha esquerda), dois anéis e quatro colares os quais não estavam em volta do seu pescoço, mas amontoados entre as bandagens de linho. Isso nos leva a acreditar que a pessoa (ou as pessoas) que pagou por seu sepultamento queria garantir que ela tivesse em sua pós-vida alguns dos seus bens mais queridos, ou mais valiosos.

Foto: Proyecto Djehuty

O seu sepultamento estava a poucos metros da capela dedicada a um homem chamado Djehuty, que foi supervisor do Tesouro e Artesanato da faraó Hatshepsut (18º Dinastia).

Mulheres Faraós e o Egito Antigo

Para a arqueologia essa é uma descoberta especial, porque poderá nos trazer algumas informações relevantes. Mas aparentemente para os saqueadores de tumbas do passado esse sarcófago nem valia o esforço, já que ele simplesmente foi ignorado quando o local foi invadido e saqueado.

Na necrópole onde a múmia foi encontrada, também tinham sido enterrados três reis da 17ª dinastia, alguns membros de suas famílias e cortesãos. Mas, o detalhe adicional sobre esse cemitério é preocupante. De acordo com o coordenador das pesquisas, José Manuel Galán, “No local, uma dúzia de caixões foram encontrados deixados no chão sem proteção, o que é incomum, e a porcentagem de enterros de crianças e mulheres também é maior do que em outras partes da necrópole”.

Essa mesma equipe de Galán também realizou outras descobertas arqueológicas interessantes, como a de dois túmulos do Segundo Período Intermediário e a de um pequeno jardim funerário. Ambas essas notícias foram veiculadas aqui no Arqueologia Egípcia.

Fontes da notícia:

Arqueólogos españoles hallan en Luxor la momia de una joven enterrada hace 3.600 años con un valioso ajuar. Disponível em < https://www.heraldo.es/noticias/ocio-y-cultura/2020/04/24/arqueologos-espanoles-hallan-en-luxor-la-momia-de-una-joven-enterrada-hace-3-600-anos-con-un-valioso-ajuar-1371442.html >. Acesso em 25 de abril de 2020.

La momia de la chica del ataúd de sicomoro. Disponível em < https://elpais.com/cultura/2020-04-24/la-momia-de-la-chica-del-ataud-de-sicomoro.html >. Acesso em 25 de abril de 2020.


*A notícia foi lançada há alguns dias, mas a descoberta foi realizada entre janeiro e fevereiro.

Como está a Arqueologia no Egito durante a quarentena

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Parte da economia do Egito gira em torno do turismo, mais especificamente do turismo arqueológico. Contudo, assim como muitos outros países, o Egito está obedecendo a quarentena sugerida para evitar a propagação do COVID-19 (coronavírus).

Assim sendo, alguns cidadãos e órgãos governamentais têm feito campanhas se utilizando da arqueologia realizada no país para pedir que as pessoas fiquem em casa. Um exemplo é esta campanha com a imagem de Rahotep e Nofret, um casal que viveu durante o Antigo Reino.

Outro exemplo é essa mensagem ao lado da face do faraó Tutankhamon elaborada pelo Ministério das Antiguidades e Turismo: “Por milhares de anos eu vi tudo, e aprendi que o sol sempre brilha após a tempestade. #FiqueEmCasa #FiqueSalvo”.

E só a título de curiosidade: sabemos que durante o reinado do faraó Tutankhamon ocorreu uma epidemia na região da Crescente Fértil. Infelizmente não temos muitos detalhes.

Desde o início da pandemia o Ministério das Antiguidades tem usado as pirâmides do platô de Gizé para enviar mensagens de apoio aos egípcios e pedindo que as pessoas fiquem em casa.

“Fique em Casa”

Paralelamente hotéis e áreas arqueológicas (ambos permanecem fechados, mas algumas equipes de arqueologia ainda estão trabalhando no país) estão sendo esterilizados por uma equipe especializada e de acordo com os padrões internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e com materiais certificados pelo Ministério da Saúde. 

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na tumba da rainha Nefertari (Vale das Rainhas)

E está sendo uma exigência os pagamentos aos trabalhadores da área de turismo que estão em quarentena. Inclusive o Ministério cancelou recentemente as licenças de dois hotéis nas cidades de Hurghada e Sharm al-Sheikh, porque o primeiro não tinha pago as dívidas dos trabalhadores e o segundo tinha demitido alguns trabalhadores.

Fonte das notícias e fotos: Comunicado de Imprensa do Ministério das Antiguidades.