Quem é o real Rei Múmia aqui?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Várias pessoas se questionam (e com razão) sobre qual a importância de se entender o Egito Antigo. Uma vez que esta civilização, embora extremamente famosa, não tem muito a ver com a nossa identidade. Contudo, graças a Egiptomania — reinterpretação dos artefatos egípcios — a vemos o tempo todo, seja no cinema, em games, nas propagandas do jornal e brinquedos.

Este é o caso do “Rei Múmia” da Imaginext (Fisher-Price). Nele podemos observar alguns pontos de Egiptomania tais como na ideia de um morto-vivo, no caso a própria múmia. Outro ponto é ela estar usando uma máscara de Anúbis, enquanto que este artefato originalmente era utilizado por um sacerdote no momento do embalsamamento.

Na embalagem do brinquedo podemos ler o seguinte questionamento, “Quem é o real Rei Múmia aqui?”. Isso porque o boneco possui um mecanismo que faz a sua máscara se erguer mostrando o seu rosto, que por sua vez se move revelando um espaço vazio em seu interior (onde ele engole seus inimigos).

Além do Rei Múmia a franquia possui outros personagens também inspirados no Egito Antigo. Inclusive uma grande cabeça de faraó que quando aberta revela uma serpente.

Conheça mais sobre estes brinquedos nos vídeos abaixo (em espanhol):

 

Artefatos egípcios são encontrados em esconderijo da 2ª Guerra Mundial

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Foi anunciado no dia 04/07/18 a descoberta de centenas de objetos de cerâmica. Eles datam das eras greco-romana, copta e islâmica e foram encontrados em um esconderijo possivelmente construído durante a Segunda Guerra Mundial, no interior de um museu em Alexandria.

De acordo com um comunicado do Ministério de Antiguidades, as peças foram encontradas durante trabalhos de restauração no jardim interno do Museu Greco-romano de Alexandria.

Foto: MSA.

“Muito provavelmente foram escondidas pelo arqueólogo (britânico) Alan Rowe e pelos funcionários do museu durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945”, disse o chefe do Setor de Antiguidades egípcias, Ayman Ashmawi. Segundo ele, o objetivo era “proteger os objetos da pilhagem e dos bombardeios frequentes durante a guerra”. As antiguidades certamente foram escondidas “rapidamente” e, por isso, não foram registradas na lista do museu.

Foto: MSA.

“O esconderijo contém uma coleção de cerâmica de tamanhos e formas diferentes”, indicou a chefe do Departamento Central de Antiguidades egípcias e greco-romanas, Nadia Jadre. Entre elas, estão urnas funerárias, chamadas “Hidari”, onde eram guardadas as cinzas dos mortos após sua cremação no período grego. Também foram encontrados recipientes, vasilhas e pratos das épocas greco-romana e bizantina.

 

Fonte:

Maior sarcófago já encontrado em Alexandria é uma das duas descobertas arqueológicas anunciadas no Egito. Disponível em < https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/ministerio-do-egito-anuncia-duas-novas-descobertas-arqueologicas-em-julho.ghtml >. Acesso em 12 de julho de 2018.

Como foi o evento da “Lua de Sangue” no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No início da noite de ontem (27/07) muitos brasileiros puderam presenciar um eclipse lunar total (o segundo do ano no Brasil) e a oposição do planeta Marte (ou seja, ele ficou bem mais visível no nosso céu noturno). Já outros não tiveram tanta sorte, devido ao tempo nublado em uma grande porção do país.

O grande chamariz desta ocorrência é que durante o eclipse a Lua assumiu um tom avermelhado, por isso que entre a imprensa ela tem sido chamada vulgarmente de “Lua Sangrenta” ou “Lua de Sangue”.

Os sortudos conseguiram registrar o ocorrido através de vídeos e fotografias e outros, mesmo com o tempo fechado, puderam assistiram ao evento através de lives tais como da NASA ou do canal Ciência e Astronomia (que comentou o eclipse e retirou várias dúvidas da audiência).

Mas, naturalmente, o eclipse não esteve visível somente no Brasil: em vários outros países foi possível acompanhar o fenômeno. Um deles foi o Egito, que, por não possuir muitas nuvens, basicamente teve um show no céu. E para nossa boa sorte algumas pessoas registraram. Alguns destes registros compartilho com vocês:

Fotografias tiradas no Platô de Gizé. Fonte: ADÓN // Scientific Investigations (não foi possível confirmar se o crédito das imagens de fato é da página)

O pontinho amarelo é o planeta Marte.

Publicado por ADÓN // Scientific Investigations em Sexta, 27 de julho de 2018

Vídeo feito no Cairo.

Mas atenção! Algumas das fotos que estão rondando pela internet são falsas. Cuidado especialmente com aquelas que mostram templos egípcios com luas gigantes do lado.

 

O significado dos eclipses para os antigos egípcios:

Embora sejam eventos incríveis e muitas vezes visíveis a olho nu, como foi o caso do de ontem, eclipses no Egito Antigo não parecem ter sido algo muito digno de nota nos registros oficiais do país. Ao menos não foram encontrados textos muito explícitos advindos das épocas mais antigas[1]. O que é irônico, vindo de uma civilização que tirava inspiração de muitos aspectos da natureza e que tomava eventos astronômicos (como é o caso do surgimento da estrela Sirius) para organizar seu calendário.

Quando vemos citações de eclipses durante a antiguidade egípcia elas eram escritas em demótico e com certa associação com alguma tradição estrangeira tal como a babilônica ou a grega (RIHLL, 2010 ; RYHOLT, 2010). Contudo, existem sim tentativas de egiptólogos de se identificar termos relacionados com tais eventos, entretanto, este ainda é um campo nebuloso. Quem estiver mais curioso acerca do tema pode consultar o texto “Total solar eclipses in Ancient Egypt – a new interpretation of some New Kingdom texts” de David G. Smith.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a “barca solar de Quéops. Para os antigos egípcios as estrelas seriam, em verdade, embarcações.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

Morenz, Ludwig D. Popko, Lutz. The Second Intermediate Period and the New Kingdom. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

Rihll, T. E. Science and Technology: Alexandrian. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

Ryholt, Kim. Late Period Literature. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

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[1] Durante o Período Romano um estudioso chamado Heron registrou a ocorrência de um eclipse no ano 62 durante a Era Cristã (RIHLL, 2010).

 

A ciência e a presidência do Brasil: participe deste evento histórico!

Ocorrerá no próximo dia 29 de julho (2018) o evento “Conhecer – Eleições Presidenciais 2018”, onde pré-candidatos à Presidência estarão frente a frente com sabatinadores. A parte importante é que os sabatinadores serão criadores de conteúdo sobre ciência na internet e pesquisadores.

O evento será realizado na Casa de Portugal (Avenida da Liberdade, 602), em São Paulo. Não está aberto ao público, mas serão realizadas lives: uma no canal do ScienceVlogs Brasil (que reúne em seu selo de qualidade 37 canais, incluindo o Arqueologia Egípcia) no Youtube e na página do Dispersciência no Facebook. Não estarei presente na sabatina, mas, por favor, deem todo apoio ao pessoal que estará lá!

Mas, e o que isto tem a ver com a Arqueologia? Tudo! Afinal, Arqueologia também é ciência e saber das propostas dos presidenciáveis sobre o seu futuro é de suma importância. Em tempos de destruição de sítios arqueológicos o que esperar deles sobre tombamentos de patrimônios históricos, Arqueologia de contrato ou fomentação de pesquisas?

Contamos com a presença de vocês, que poderão enviar suas perguntas através do Facebook (http://bit.ly/ConhecerEleições) ou da hashtag #ConhecerEleições2018. E para inspirá-los gravei um vídeo convite:

Hoje a pessoa do Science Vlogs Brasil que divulga o evento é a Márcia Jamille!Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia: https://www.youtube.com/channel/UCKR7fdwXSVNBJVXVVMyE3iA

Publicado por Dispersciência em Terça-feira, 10 de julho de 2018

E clique aqui para confirmar a sua participação.

— Aproveite e leia também: Presidenciáveis enfrentarão pesquisadores e divulgadores em debate sobre Ciência

Informações importantes:

Organização: Conhecer, ScienceVlogs Brasil (https://www.youtube.com/channel/UCqiD87j08pe5NYPZ-ncZw2w), Dispersciência (https://www.facebook.com/dispersciencia/)

Apoio: Vocs, HuffPost Brasil

Patrocínio: Eppendorf

Explore ruínas antigas em um novo jogo que traz o Egito Antigo, Grécia e muitos monstros

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A Antiguidade egípcia é um grande poço de inspiração para os desenvolvedores de jogos. Temos vários títulos lançados ao longo das últimas décadas que vão desde games de ação e luta, estratégia, quebra-cabeças, etc. O mais popular do momento, por exemplo, é Assassin’s Creed Origins, que já foi comentado em nosso canal duas vezes. E o Brasil também está seguindo a onda através de Echoes of the Gods (Ecos dos Deuses), que tem como protagonista a rainha Ahhotep I (sem lançamento previsto).

Agora teremos o jogo Strange Brigade, cuja estreia está prevista para o dia 28 de agosto (2018). Produzido e distribuído pela Rebellion, Strange Brigade é do gênero aventura e ação. Ele se passará no Egito da década de 1930 e tem como enredo a descoberta da tumba de uma rainha-feiticeira chamada Seteki (personagem e nome ficcional), que volta à vida e traz consigo um exército de monstros. Para lutar contra essas criaturas malignas uma tropa especial chamada Strange Brigade entra em ação.

Assista o vídeo abaixo para saber mais sobre:

 

Mais imagens do jogo:

Ilustrações: Divulgação.

Restauradores egípcios estão recuperando roupa de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O centro de restauro do Grand Egyptian Museum (GEM; Grande Museu Egípcio) recuperou uma túnica descoberta na tumba do faraó Tutankhamon, que por sua vez foi encontrada em 1922. Esta peça jamais foi mostrada ao público devido ao seu mau estado de conservação.

Osama Abou El-Khier, diretor da seção de restauro do GEM, disse que uma grande revelação foi feita: os pesquisadores descobriram que ela, em verdade, não seria de Tutankhamon, mas que poderia ter pertencido a Akhenaton ou Smenkhara, ambos seus antecessores, e que de alguma forma foi parar entre os pertences do rei.

Esta túnica, dentre tantas coisas, é importante porque, segundo Abu El Kheir, (…) lançará luz sobre a indústria têxtil no antigo Egito, como as antigas peças de roupas estão sendo coletadas para determinar o comprimento e a cor do item histórico da roupa”.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

 

E existe uma história interessante por trás da descoberta desta roupa: Howard Carter, descobridor da tumba do rei, em suas memórias deixou um conselho para os egípcios, pedindo para que no futuro eles a estudasse, uma vez ela seria capaz de fornecer dados acerca da história têxtil do Egito.

O que certamente Carter não imaginou é que a tecnologia de restauros avançaria tanto e que agora essa roupa não só será restaurada, como muito possivelmente será um dia exposta para o público.

Fonte:

GEM to reveal King Tut’s tunic. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/1/44952/GEM-to-reveal-King-Tut%E2%80%99s-tunic >. Acesso em 20 de março de 2018.

Guerras ao modo antigo: resenha do livro “Fortificar o Nilo”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não possuímos muitos títulos acadêmicos em português sobre a Antiguidade egípcia e quando um surge precisamos aproveitar a oportunidade. Este é o caso da obra “Fortificar o Nilo: a ocupação militar egípcia da Núbia na XII Dinastia (1980-1790 A.C.)”, do historiador e arqueólogo Eduardo Ferreira, que é mestre em História Militar.

Publicado pela Chiado Editora, editora parceira do nosso site, esse livro é o resultado de uma dissertação de mestrado cujo foco são as fortificações egípcias da 12ª Dinastia; como eram usadas, construídas, etc. As fortalezas abordadas são aquelas da Segunda Catarata do Nilo, na Baixa Núbia, atual Sudão, e que passaram por um resgate de emergência na década de 1970, por conta da construção da Represa de Assuã. E é graças a essa represa que alguns desses edifícios hoje encontram-se em baixo da água, estando somente duas ainda visíveis.

O autor, já de início, deixa claro que os pesquisadores, no geral, têm pouco interesse em História Militar, preferindo então focar em temas culturais ou religiosos. Esclarecendo isso é possível entender melhor a importância desta obra.

O livro é dividido em 4 capítulos, todos possuindo subcapítulos. E ao longo de suas páginas vocês encontrarão termos que não são muito comuns para o público não acadêmico, como é o caso de “Grupo C”, “Uauat”, que se refere a Baixa Núbia, “Kerma”, “ta-seti”, que significa “Terra do Arco” e que era um dos nomes dados pelos egípcios para Núbia, etc. No canal do Arqueologia Egípcia no Youtube fiz uma resenha bem completa deste livro. Confira a seguir:

No primeiro capítulo ele fala sobre o papel de alguns faraós da 12ª Dinastia na construção de fortes e a ameaça bélica da Núbia. Também apresenta os medjay e os satu. Os primeiros, a priori, eram relacionados com os núbios, até que o termo se tornou uma designação para qualquer tipo de militar. É tanto que nesse livro são citadas as mulheres medjay, mas isso em relação a sua etnia. E os segundos eram os arqueiros núbios.

Um dos pontos que o autor salienta é que os exércitos núbios, em especial o de Kerma, usualmente são subestimados por alguns pesquisadores, que os tomam como inferiores em relação aos egípcios. É aí que ele explica a sofisticação militar desses povos que, inclusive, faziam uso de frotas.

No segundo capítulo um dos primeiros tópicos abordados é sobre a demografia no Egito e as cidades muradas. E então o autor parte para as fortalezas, explicando que não se sabe muito sobre como os habitantes delas viviam nem sobre a sua organização.

O motivo de se fixar fortes na fronteira com a Núbia também é explicado: em termos simples era para controlar e fixar uma fronteira, além de, claro, servir de apoio e base para as operações militares.

Ele também explica muito brevemente a presença de artefatos arqueológicos pertencentes aos núbios dentro dessas estruturas, e esclarece que algumas populações nativas levantaram residências próximas as fortalezas. A conclusão do autor do porquê da presença dessas pessoas em um “território hostil” como esse é de que essa proximidade com as fortalezas teria relação com a busca por proteção contra outros grupos também nativos da Núbia.

No terceiro capítulo ele trata dos elementos arquitetônicos dessas estruturas, abordado pontos como proteção e captação de água. Assim como questões sobre a vida dos soldados egípcios que viviam nesses lugares. As discussões sobre as formas de acesso, como portas e escadas, claro que também estão inclusas, assim como a existência, ou suposta existência, de espaços como quartel-general, arsenal, celeiros e casas de banho.

Já sobre a residência de generais e dos soldados comuns é uma grande incógnita e em complemento o autor se pergunta quantos indivíduos poderiam viver lá e qual a capacidade agrícola de um lugar desses.

Então no quarto capítulo é levantada a questão de quem eram as pessoas destacadas para ir para os fortes, discutindo o número de contingentes. Que tipo de pessoa aceitaria esse trabalho? O que eles ganhariam em troca? Eles recebiam algum incentivo financeiro? Novos cargos? Sabe-se que no Médio Reino os comandantes possuíam o cargo de “Generalíssimo” e no Novo Império eles passaram a ser vice-reis da Núbia, e isso seria um grande estímulo para ir morar em um lugar tão isolado. Porém, não está comprovado a existência física de um generalíssimo nas fronteiras.

Ele igualmente aborda como o recrutamento era realizado, explicando que a cada 100 jovens de um determinado local, um era levado para servir. E ele complementa falando que os recrutas poderiam exercer funções de policiamento ou escolta. Então temos a apresentação do cargo de patrulheiro, que também eram chamados de “caçadores”. Eles patrulhavam o deserto, as fronteiras e as cidades.

Em seguida ele faz uma abordagem sobre os armamentos, locais para a sua manufatura e materiais usados para fazê-los. Dentre as armas citadas estão as lanças, arcos, flechas, maçãs, machado, punhais e espadas.

E finalmente chegamos as conclusões finais, onde ele faz um resumo do que levantou no livro.

 

Uma abordagem geral sobre “Fortificar o Nilo”:

Em um livro cujo foco está em estruturas arquitetônicas, senti muita falta de boas reconstituições das fortalezas, muralhas, torres de vigia e postos sinaleiros. Na verdade, a obra contém ilustrações, mas algumas estão com a qualidade comprometida ou não possuem muitas informações. Por isso, acredito que quem é só um curioso que está interessado em conhecer um pouco mais sobre a história egípcia pode ter certa dificuldade, enquanto que um acadêmico se sentirá mais à vontade.

Eu também queria ver uma lista com os nomes das fortalezas em um mapa maior e com uma qualidade melhor. Alguns dos encontrados no livro infelizmente possuem letras pequenininhas.

Tirando esses detalhes, a obra é bem referenciada, ou seja, os interessados no assunto terão várias sugestões de bibliografia. Sem contar que ele é uma ótima base para quem quer estudar o tema militar, até porque está em português. É desnecessário dizer que isso é um grande bônus.

Esteticamente é um livro bonito e as folhas amareladas tornam a leitura agradável. Isso me deixa ansiosa para saber qual será a próxima publicação sobre o Egito Antigo da Chiado Editora. Lembrando que eles publicaram também o livro “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico”.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas você poderá ver o faraó pronto para a batalha em seu carro de guerra.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

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Quais são os principais deuses do Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Certamente você já ouviu falar de Anúbis, Ísis, Osíris e Hórus. Mas sabe quem é Atum? Hapi? Khepri? Veja este post até o final e conheça algumas das mais importantes divindades do Egito Antigo.

Entender a função de cada deus e deusa ajuda e conhecer mais obre o pensamento de uma determinada sociedade. No caso da Antiguidade egípcia, por exemplo, só de dar uma simples olhada na composição dos deuses, formas e funções já podemos arrecadar várias informações. Uma delas é que certamente os egípcios eram bastante ligados à natureza e outra é que não tinham tabus em relação a morte, tentando até dar algum significado para ela.

No nosso episódio piloto da série “Deuses do Egito Antigo” explico de uma forma geral e didática sobre o surgimento e aparência das divindades egípcias. Também ensino como é que os egípcios chamavam os seus deuses:

Rá, Atum, Khepri

Estas três divindades eram relacionadas com o Sol. Atum era um deus criador, nascido no Mar Primordial e quem iniciou a criação de todas as outras divindades e os humanos. Khepri era a manifestação do sol nascente, representado por um escaravelho e Rá a manifestação do Sol do meio-dia.

Sekhmet, Thot, Amon

Sekhmet era filha de Rá e deusa da cura e das artes bélicas, sua forma era a de uma mulher com a cabeça de uma leoa. Já Thot um deus lunar, senhor da sabedoria e escrita, sendo assim o padroeiro dos escribas. E Amon, outrora um deus menor, foi transformado em divindade suprema do Egito a partir do Novo Império.

Tefnut, Shu, Nut, Geb

O casal Tefnut e Shu eram filhos de Atum. A primeira era a representação da umidade e o segundo o deus do ar. Ambos eram os pais de Nut e Geb. Nut era a divindade do céu noturno e Geb o deus que representava a terra. Os dois eram os pais de Ísis, Osíris, Néftis e Seth.

Ísis, Osíris, Seth e Néftis

Estes quatro deuses fazem parte de um dos mitos mais importantes do Egito. Ísis e Osíris era um casal, assim como Seth e Néftis. Os primeiros eram governantes do Egito, até que Osíris foi assassinado por seu irmão invejoso Seth. Para reverter isso Ísis ressuscita o seu esposo que passa a ser o deus do mundo dos mortos.

Hórus, Anúbis, Hathor

Hórus era o filho de Ísis e Osíris e a representação do faraó. Já Anúbis filho de Néftis e Osíris. Seu papel era o de ser o senhor da mumificação e guardião dos cemitérios. Hathor era a deusa do amor, das festas e do desejo sexual.

Maat, Hapi

Maat era a personificação do equilíbrio de tudo. Era a ela quem o faraó deveria responder, assim como todos os humanos. Inclusive está presente durante a pesagem do coração, onde a sua pena deveria ser pesada contra o coração do falecido. Hapi era a divindade que enviava as cheias do Nilo.

Saiba mais: Para uma lista mais completa adquira o livro “Uma Viagem pelo Nilo”. Lá você encontrará um glossário com dezenas de divindades, inclusive as estrangeiras que foram cultuadas no Egito.

Acesse este link para comprar: www.arqueologiaegipcia.com.br/compras/

É oficial: Tumba do faraó Tutankhamon não possui câmaras ocultas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após anos de espera finalmente possuímos uma resolução acerca dos trabalhos de busca por câmaras ocultas na tumba do faraó Tutankhamon, que reinou durante a 18ª Dinastia (Novo Império).

Desde 2015 o público acadêmico e curiosos têm esperado uma conclusão acerca desta teoria, que surgiu após a publicação de um artigo do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, que sugeriu que a pequena tumba do rei, tombada como “KV-62”, possuiria indícios de entradas para outras câmaras funerárias. Ainda, de acordo com a teoria, estas câmaras seriam nada mais, nada menos, que pertencentes ao sepultamento da rainha Nefertiti, sogra do jovem governante.

Apesar de ser uma sugestão um tanto excêntrica o Ministério das Antiguidades do Egito a considerou plausível e por isso autorizou análises com radares na sepultura. A primeira ocorreu em 2016, liderada pelo próprio Reeves e apontou que existiria “70% de chances”, nas palavras do Ministro das Antiguidades da época, de que existiria câmaras ocultas na sepultura. No entanto, os resultados desta pesquisa foram questionados devido a sua imprecisão e a negativa do seu executor, o Hirokatsu Watanabe em liberar seus dados para que pudessem ser apreciados por outros acadêmicos e a imprensa (o que é comum com pesquisas científicas). Então uma segunda análise foi feita, desta vez pela National Geographic, que desconsiderou qualquer hipótese de existência de tais espaços vazios. Ambas estas pesquisas foram comentadas no nosso vídeo “Sobre as supostas câmaras ocultas na tumba de Tutankhamon” (clique aqui para assistir).

Então no final de 2017 o Ministério aprovou uma nova análise, desta vez liderada por uma equipe italiana. As pesquisas tiveram início em fevereiro (2018) e suas conclusões foram disponibilizadas agora no início de maio (2018) (e já comentada em nossa página no Facebook). O resultado? Não existem câmaras ocultas alguma na sepultura.

Agora poderemos fechar mais um capítulo relacionado com as pesquisas realizadas na tumba de Tutankhamon. Mas, vindo deste rei, agora é só esperar qual nova teoria surgirá sobre ele.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas você poderá ver egípcios pintando a parede de uma tumba, tal como teriam pintado as paredes da sepultura de Tutankhamon.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

Supreme Council of Antiquities denies claims of new discovery in King Tutankhamun’s tomb. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/290670.aspx >. Acesso em 09 de fevereiro de 2018.
Desvendado o grande mistério sobre as câmaras secretas na tumba de Tutancâmon. Disponível em < http://www.bbc.com/portuguese/internacional-44029049 >. Acesso em 07 de maio de 2018.

Fotos: Wikimedia Commons.

Conheça as novas atrações turísticas da cidade de Akhenaton

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito deu início a um projeto para desenvolver o Centro de Visitantes de Amarna, em Minya, em parceria com o Instituto McDonald de Pesquisa Arqueológica da Universidade de Cambridge.

O projeto intitulado “Entrega de Estratégias do Patrimônio Sustentável para o Egito Rural: Comunidade e Arqueologia” é financiado pelo Fundo Newton-Mosharafa e organizado pelo British Council juntamente com o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

english.ahram.org.eg

A principal finalidade do projeto é desenvolver, dentre várias coisas o centro de visitantes existente em Amarna, que tinha sido inaugurado em 2016. Também um adequado treinamento para funcionários do centro de visitantes, o desenvolvimento de programas de extensão, a preparação de um guia local, material educativo para crianças, um filme e um aplicativo para uso no local em associação com o centro.

É em Amarna onde outrora esteve a cidade do faraó Akhenaton, que reinou no Egito durante uma época chamada de Período Amarniano. Destacado pelas mudanças artística e a elevação do deus Aton, as iniciativas tomadas durante o Período Amarniano levou, erroneamente, a crença de muitos de que Akhenaton teria sido monoteísta.

O suposto monoteísmo de Akhenaton inclusive foi tema de um dos vídeos do nosso projeto no Apoia.se: www.arqueologiaegipcia.com.br/apoie/

Uma das coisas que certamente chamará a atenção dos visitantes é a réplica da tumba do rei, assim como a exibição dos palácios e casas do distrito real de Amarna. Isso porque os sítios arqueológicos de Amarna não são tão chamativos quanto os demais do Egito. Poder ter algo para visualizar tornará mais fácil aos visitantes entender a magnitude daquela época e ter uma ideia dos ambientes dos edifícios do tempo dos faraós. E já adianto que podemos esperar boas novidades desse local.

Akhenaton, Nefertiti e três das suas seis filhas. Foto: Wikimedia Commons.

 

Fonte:

Tel Al-Amarna Visitors’ Centre in Minya to receive upgrade. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/300133.aspx >. Acesso em 27 de maio de 2018.