O Grande Museu Egípcio está quase completo!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Saiu oficialmente a notícia de que o Grande Museu egípcio está quase pronto, ele será o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização. De acordo com Atef Moftah, o Supervisor Geral do GEM project, 99% dos trabalhos na região estão encaminhados, mas o edifício em si já está pronto. As suas declarações foram feitas durante a reunião do Conselho de Administração do GEM, que foi presidida pelo Ministro do Turismo e Antiguidades, Khaled El-Anany. 

96% dos acabamentos das principais salas de exposição também foram concluídas e mais de 55.500 artefatos foram transferidos até agora para o museu. A transferência de alguns deles vocês puderam acompanhar aqui no Arqueologia Egípcia. 

Outro anúncio feito durante a reunião é o de que as obras de concreto e estruturas metálicas do Museu do Barco Khufu já estão concluídas e que os acabamentos necessários para a construção do prédio estão em andamento. 

Outra novidade é que 99% dos acabamentos do Salão do Rei Tutankhamon foram concluídos. Vale lembrar que será a primeira vez que os mais de 5 mil de artefatos pertencentes a este rei serão exibidos juntos.   

 

Fonte: 

Grand Egyptian Museum almost complete: Official. Disponível em < https://dailynewsegypt.com/2022/01/08/grand-egyptian-museum-almost-complete-official/ >. acesso em 08 de janeiro de 2022. 

 

 

Mais restos humanos com “línguas de ouro” foram encontrados no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma equipe de arqueologia da Espanha encontrou duas tumbas ainda com restos humanos em um sítio arqueológico em El-Vahnasa, em Minya (Egito). Os estudos estão sendo feitos por pesquisadores da Universidade de Barcelona e do IPOA. Neste trabalho, a exemplo de Taposiris Magna, foram encontrados restos com “línguas de ouro”. Porém, são da Dinastia Saíta, ou seja, a 26ª Dinastia, que tinha como capital Sais.


Os remanescentes com as línguas estavam bem na entrada da primeira tumba. Essas línguas faziam parte de um ritual para garantir que os falecidos pudessem falar na outra vida. Ao que parece elas foram se tornando populares no final da era dos faraós.


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Ainda nesta tumba foi encontrado em seu interior um grande sarcófago de calcário. Após uma análise, a equipe constatou que ele foi saqueado durante a antiguidade.


Já a segunda tumba, localizada ao lado da primeira, estava ainda selada, disse Hassan Amer, professor do departamento greco-romano da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo e diretor de escavações da missão. Em seu interior foram encontrados equipamentos funerários em dois nichos onde estavam vasos canópicos, 402 ushabtis feitos com faiança verde, amuletos e contas.

Quer saber sobre o significado e serventia desses tipos de artefatos egípcios? Nos vídeos abaixo explico com detalhes:


Fonte:
In Photos: Human remains with golden tongues unearthed in archaeological site in southern Egypt. Disponível em < https://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/443817/Antiquities/Ancient-Egypt/In-Photos-Human-remains-with-golden-tongues-uneart.aspx >, acesso em 05 de dezembro de 2021.

Acompanhe ao vivo a celebração da Inauguração da Avenida das Esfinges!

Esta semana será meio agitada por conta da Black Friday e já sabemos que ocorrerá uma série de lives apresentando ofertas de produtos, etc. Porém, vocês poderão acompanhar também uma sequência de lives muito especiais que acompanharão a celebração da inauguração da Avenida das Esfinges, evento que comentei nesse post: Egito fará festa de abertura de antiga avenida usada pelos faraós.  

O evento, que ocorrerá amanhã (25/11), terá início às 12h00, mas vocês poderão entender um pouco sobre a história de Luxor e da Avenida das Esfinges através de uma live no canal Arqueologia pelo Mundo e acompanhar a transmissão do evento ao vivo através de minha Twitch (https://www.twitch.tv/marciajamille). Veja o cronograma abaixo (atualizado):

Quer destacar uma mensagem sua durante o evento? Você poderá fazer via pix!

Essa transmissão será feita de forma independente ao evento do Governo Egípcio e com recursos próprios, então, caso queira ajudar, você poderá enviar uma mensagem para ser destacada durante a transmissão, você poderá fazê-lo através de um pix no valor mínimo de R$3,00. Para isso se cadastre nesse site: https://livepix.gg/marciajamille

E se inscreva nesses links para não perder o evento: 

https://www.youtube.com/arqueologiaegipcia

https://www.twitch.tv/marciajamille

E falando em Black Friday, a Lolja está preparando muitos descontos e condições especiais de pagamentos em seus produtos durante a BLACK LOLJA. E dentre esses produtos estão as estampas do Arqueologia pelo Mundo. São estampas que remetem à arqueologia e ao Egito Antigo. A linha estará com produtos entre 60% e 80% de desconto. Só que para participar é necessário se cadastrar NESSE site aqui (https://oferta.lolja.com.br/black-friday-2021) para pegar uma senha de acesso. Ele também será o site exclusivo para as compras da Black Friday. 

Outra “língua de ouro” foi encontrada em cemitério onde pode estar Cleópatra VII

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Depois de quase um ano temos mais uma notícia da arqueóloga Kathleen Martinez e seus trabalhos em Taposiris Magna (Egito) onde iniciou uma grande busca pela tumba da rainha Cleópatra VII.

Em 29 de janeiro de 2021 anunciei aqui que sua equipe tinha encontrado alguns artefatos curiosos praticamente desconhecidos pela arqueologia egípcia: tratam-se de línguas feitas com folham de ouro e que foram encontradas na área da boca de alguns restos humanos. Na fotografia a seguir é possível ver esse tipo de artefato com muita clareza.

E recentemente ela liberou mais uma fotografia, mas de uma outra língua que foi encontrada no mesmo cemitério:

Pela fotografia não é possível identificar se a língua está na área onde estava a boca do falecido ou se o sepultamento sofreu alguma perturbação no passado. O que podemos falar por hora é sobre a singularidade desse cemitério e a ocorrência dessas línguas que, de acordo com a crença, faziam parte de um ritual para garantir que os falecidos pudessem falar na outra vida.

Já em relação à Cleópatra VII? Ainda segue sem sinais de sua sepultura.

Dica de leitura:

☥ Cleopatra: The Search for the Last Queen of Egypt

Egito renova detenção de empresário acusado de financiar escavações de antiguidades

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este mês de novembro, o Egito renovou o pedido de detenção do empresário Hassan Rateb por suspeita de financiamento de escavações ilegais em áreas de sítios arqueológicos. Rateb possui um grupo de investimentos no norte da Península do Sinai, incluindo a Universidade do Sinai, a Sinai White Cement Factory, o Sama Sinai Investment Group e a Sinai Development Foundation. Ele permanecerá mais 45 dias em cárcere enquanto aguarda a investigação. Outros dois nomes estão sendo acusados pela promotoria: Alaa Hassanein e seu irmão (não identificado pela reportagem).

No momento de sua prisão, Hassanein estava em posse de artefatos arqueológicos tais como estátuas, pedras e moedas. Objetos que podem pertencer a diferentes períodos egípcios desde o pré-dinástico à época islâmica, ou seja, um intervalo temporal que abrange mais de 5.000 anos de história.

Fonte:
Egypt renews detention of businessman in funding antiquities excavation case.
Disponível em < https://www.middleeastmonitor.com/20211105-egypt-renews-detention-of-businessman-in-funding-antiquities-excavation-case/>. Acesso em 14 de novembro de 2021.

Antigos manuscritos religiosos são recuperados por funcionários de aeroporto egípcio

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Semana passada, a unidade arqueológica do Terminal 1 e da Polícia do Aeroporto do Cairo (Egito) conseguiram impedir uma tentativa de contrabando de manuscritos arqueológicos dos séculos 17, 18 e 19. A notícia foi dada pelo Ministério de Turismo e Antiguidades, que relatou que a apreensão incluiu três rolos de papiro e um molde de moeda de metal com uma tughra que data da era otomana. Os textos tratam de uma jurisprudência islâmica, medicina espiritual do bispo Mikhail de Atrib e Orações da Grande Quaresma em copta e em árabe.

O crime foi descoberto após as autoridades receberem um relatório da Polícia de Segurança de Passageiros, que suspeitou de artefatos arqueológicos na posse de um viajante. O comunicado acrescentou que um comitê arqueológico especializado foi formado pelo Conselho Supremo de Antiguidades e pela Biblioteca e Arquivos Nacionais Egípcios, chefiado por Malak Noshy, um inspetor do Setor de Antiguidades Islâmicas. Assim que o crime foi confirmado, os artefatos foram enviados imediatamente para o Museu Copta para restauro. 

Vale lembrar de um caso que ocorreu em 2019, onde um contrabandista tentou tirar do Egito pedaços de múmias escondidas em uma caixa de alto-falantes, mas foi descoberto por funcionários do aeroporto. 

Fonte:

Photos: Egyptian authorities foil attempt to smuggle archaeological manuscripts. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/photos-egyptian-authorities-foil-attempt-to-smuggle-archaeological-manuscripts/ >. Acesso em 7 de novembro de 2021. 

Egito fará festa de abertura de antiga avenida usada pelos faraós

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito anunciou no último dia 5 de novembro que iria inaugurar a Avenida das Esfinges (Estrada Kebbash), que basicamente é um longo corredor de crioesfinges (esfinges com cabeças de carneiro) que liga o templo de Karnak e Luxor. Essa estrada tem 2,7 quilômetros de extensão e passou por um longo programa de restauros. Agora ocorrerá sua inauguração, que será uma celebração de várias semanas. 

Foto: Hiveminer

Os trabalhos para a elaboração desses eventos estão em andamento no momento e ruas e praças estão sendo preparadas para essa cerimônia. O Ministério espera receber personalidades internacionais e locais.

Mas, a parte mais incrível vem agora: o supervisor do projeto de restauração explicou que essa cerimônia vai remeter a uma festa que era realizada nos tempos dos faraós, o Festival Opet. O Opet era realizado anualmente no início do ano egípcio, especialmente durante o Novo Império e envolvia sacerdotes carregando embarcações que levavam em seu interior divindades egípcias, mais especificamente Amon, Mut e Khonsu. Nesse evento era celebrada a regeneração do faraó como filho de Amon. 

O restauro do corredor das esfinges incluiu a remontagem de estátuas que estavam quebradas, assim como a instalação de imagens que foram descobertas durante os trabalhos que foram realizados na região.

As datas exatas para essas celebrações ainda não foram dadas, mas certamente cobrirei por aqui todos os detalhes. 

Fontes: 

Inauguração da Rams Road de Luxor dentro de algumas semanas: oficial. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/luxors-rams-road-inauguration-to-take-place-in-a-few-weeks-official/ >. Acesso em 6 de novembro de 2021. 

Al-Kebbash Road renovation: The largest world project. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/109553/Al-Kebbash-Road-renovation-The-largest-world-project >. Acesso em 6 de novembro de 2021. 

As histórias de múmias egípcias em museus estão agora em livro inédito

As discussões sobre a exibição de múmias egípcias em museus e o papel que essas instituições tiveram na exploração de artefatos arqueológicos estão cada vez mais frequentes. Foi pensando nisso que a historiadora cultural Angela Stienne desde 2016 tem levantado na internet as controvérsias sobre a presença de restos humanos em museus, tudo isso em seu site mummystories.com.

Porém, agora essas histórias estão alcançando o papel, chegando no seu livro “Mummified: the stories behind egyptian mummies in museums”. Nele ela explora casos curiosos e controversos sobre múmias mantidas em museus franceses e britânicos indo desde o pó de múmia à dissecação de corpos para fins de análises raciais.

Mas os interessados precisarão esperar um pouquinho, já que o lançamento do livro está previsto para depois de junho de 2022. Entretanto, é possível comprá-lo antecipadamente.

Link para a compra antecipada: 

Mummified: the stories behind egyptian mummies in museums: https://amzn.to/3nOCW8p

Tumba de tesoureiro do faraó Ramsés II é encontrada em Saqqara

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em Saqqara, área que na antiguidade foi a primeira capital do Egito, uma equipe de pesquisa da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo, chefiada pela arqueóloga Ola El-Ajezy, escavou a região onde está a tumba de Ptah-M-Wia, homem que era tesoureiro-chefe do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia).

A descoberta foi anunciada por Mustafa Waziri, Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades, que explicou que no local outras tumbas foram identificadas, como a do governador de Mênfis, Ptah-Mas, o Embaixador Real de Países Estrangeiros, Basir, e o Comandante Supremo do Exército, Eurkhi.

No caso de Ptah-M-Wia a sua descoberta é de grande interesse porque ele possuía cargos importantes como “tesoureiro chefe”, “escriba real”, “supervisor chefe do gado” e “responsável pelas oferendas divinas” no templo de Ramsés II em Tebas.

Pesquisas arqueológicas desde a década de 70:

Ahmed Ragab, Reitor da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo, explicou para imprensa que as escavações da faculdade tiveram início na década de 1970 e o objetivo inicial era procurar e estudar mosteiros coptas. Entretanto, sepulcros dos tempos dos faraós começaram a surgir, fazendo com que o foco da pesquisa mudasse. Isso levou a equipe direto para a descoberta de muitas tumbas do Período Ramséssida, incluindo a tumba do vizir real Nefer-Ranpet.

Já a missão chefiada pela Ola Al-Ajezi, começou em 2005 e segue firme até os dias de hoje. Ela explicou que esse cemitério tem um estilo próprio, denominado tumba-templo, pois consiste numa entrada em forma de edifício, seguida de um ou mais pátios.

No caso da sepultura de Ptah-M-Wia o descoberto até o momento foi uma entrada de pedra (onde foram esculpidas cenas mostrando o dono do túmulo) e um corredor com paredes de gesso pintadas e coloridas onde é possível ver uma procissão mostrando oferendas, que termina com o abate de um bezerro.

Além das paredes a equipe também encontrou restos de blocos de pedra contendo inscrições, assim como fragmentos de colunas osirianas. Tudo isso será examinado e restaurado ao longo da pesquisa.

Fonte:

Cairo Uni. Mission Discovers Tomb of Treasury Chief during King Ramses II Reign. Disponível em < https://see.news/cairo-uni-mission-discovers-tomb-of-treasury-chief-during-king-ramses-ii-reign/ >. Acesso em 30 de outubro de 2021.

A Barca Solar do faraó Khufu foi transferida para o Grande Museu Egípcio: conheça todos os detalhes!

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Para vocês que me seguem nas redes sociais, não é surpresa alguma que a Barca Solar do faraó Khufu tenha sido transferida da área arqueológica das pirâmides do platô de Gizé durante uma pequena, mas solene, passeata para o Grande Museu Egípcio (GME), a 8,5 km de distância. Essa notícia, ao contrário do que ocorreu durante o desfile das múmias reais, foi recebida com mais timidez pelos veículos de imprensa, mas isso não diminui a importância do feito, que teve a duração de 48 horas. Todo o processo de transferência teve início no dia 5 de agosto e só teve fim na manhã do dia 7. 

Khufu Boat Museum, Giza, Egypt.

A embarcação, que tem 43,6 metros de comprimento, 5,9 metros de largura e 45 toneladas, foi posta dentro de um enorme caminhão e saiu do seu local original, no Museu da Barca Solar, que fica ao lado da Grande Pirâmide e seguiu para o seu novo destino, chegando ao Grande Museu Egípcio nas primeiras horas da manhã. 

Mas, afinal, que barco é esse? Por que o Egito está dando tanta importância para ele?

A Barca Solar de Khufu é uma embarcação em madeira que possui mais de 4.600 anos, ou seja, é uma das mais antigas, se não a mais antiga do mundo. Ela foi encontrada desmontada dentro de um fosso escavado ao lado da Grande Pirâmide (sepultura de Khufu) em 1954. Não se sabe exatamente o motivo dessa embarcação (e uma “gêmea” dela, enterrada em um segundo fosso) ter sido sepultada ao lado da pirâmide. Alguns acadêmicos sugerem que ela fez parte de uma frota pessoal do faraó, outros acreditam que ela tem um valor simbólico. Isso porque os antigos egípcios acreditavam que o deus sol navegava pelo céu usando uma barca, fazendo assim a mudança do dia para a noite e vice-versa.

A descoberta e restauro:

A descoberta foi feita durante uma limpeza de rotina nos arredores da Grande Pirâmide. A princípio a equipe tinha pensado se tratar de algum muro que um dia cercou a sepultura, mas, após escavações coordenadas pelo arqueólogo Kamal El Mallakh, descobriram que na verdade estavam olhando para dois fossos. E essas estruturas continham, cada um, um amontoado de madeiras de cedro: eles tinham acabado de encontrar duas barcas pertencentes ao faraó Khufu (O’CONNOR et al., 2007).

Restauro do primeiro barco de Khufu (ano desconhecido). Disponível em < http://skunkincairo.blogspot.com/2007/05/solar-boats.html> acesso em 25 de Junho de 2011.

O passo seguinte foi pensar no trabalho de restauro e montagem, então o restaurador egípcio Hag Ahmed Youssef Moustafa foi o escolhido para a empreitada. E também foi decidido que somente uma das barcas (a Khufu I) seria retirada, enquanto a outra permaneceria em seu local original.

2ª Barca solar de Khufu será revelada

Quando os pesquisadores retiraram todos os pedaços da embarcação, tomaram uma surpresa: ela foi montada com 1224 peças de madeira, cordas de linho e esteiras de junco. Tudo material orgânico, o que tornaria sua conservação um desafio.

No final, sua montagem durou dezesseis anos.   

O polêmico museu e a transferência

Com a embarcação finalmente montada, ela foi posta em exposição em um museu construído exclusivamente para ela, sobre o fosso onde esteve por séculos (O’CONNOR et al., 2007). Entretanto, o Museu da Barca Solar foi alvo de críticas por anos, porque “estragou” a paisagem arqueológica da região, além de não possuir os equipamentos necessários para manter a segurança do grande artefato e sua manutenção. Sobre esse último era imperativa a sua retirada para um lugar devidamente climatizado e com a presença de laboratórios de restauro, já que a madeira da embarcação estava começando a se deteriorar, o que tornava urgente seu envio para o Grande Museu Egípcio. Após a aprovação do Comitê Permanente de Antiguidades do Egito Antigo e seguindo a Lei de Proteção às Antiguidades, a transferência do barco foi aprovada [1]. 

Os estudos e debates sobre como ocorreria a transferência se seguiram por cerca de um ano. Cogitou-se, a princípio, desmontar toda a embarcação e remontá-la no GME. Porém, essa ideia se mostrou arriscada. Depois de muita discussão foi visto que mover o barco inteiro era a única solução adequada. 

Depois veio a proposta de se usar um veículo especializado controlado remotamente que foi encomendado diretamente da Bélgica. Ele contém uma tecnologia que absorve vibrações e se adapta às mudanças no terreno [4]. Isso foi feito usando um transportador modular autopropelido (SPMT) e exigiu levar em consideração vários fatores locais, a exemplo da velocidade do vento durante a manobra da relíquia até a gaiola e da gaiola até o caminhão [3]. Ou seja, teve muita ciência envolvida, onde arqueólogos e engenheiros colaboraram entre si.

Foto: Besix-Orascom Construction

Mas, antes da ideia ser posta em prática, três simulações foram realizadas nos últimos meses, para garantir que tudo funcionasse [1] e uma empresa de engenharia, a Besix-Orascom Construction (responsável pela construção do Grande Museu Egípcio), foi contratada para organizar e realizar o transporte que foi feito em meio a rígidas medidas de segurança. 

A barca então foi envolvida como espumas científicas especiais e colocada dentro de uma gaiola de ferro, projetada exclusivamente para ela, para resguardá-la durante o transporte [1], amortecendo qualquer impacto que viesse a ocorrer durante o trajeto.  

Durante a transferência, ruas e pontes foram preparadas e fechadas para a passagem do caminhão que continha a carga preciosa [1][2]. O caminho não é longo, mas ele teve que ser feito lentamente, para proteger a frágil carga de danos. Assim, só a viagem de um museu para o outro durou dez horas, tendo início na sexta à noite e terminando na manhã do sábado [4].  

Foto: Besix-Orascom Construction

Já para colocar a embarcação dentro do novo museu foi uma nova jornada: um guindaste, normalmente utilizado para mover pontes, sobre esteiras de 800 toneladas levantou a gaiola a uma altura de 30 metros para que ela pudesse entrar no edifício pelo telhado e o barco ser instalado em seu novo lugar de exibição [3]. 

Foto: Besix-Orascom Construction

Essa embarcação estará em exibição ao lado de sua gêmea (que foi retirada de seu fosso em 2011), que já está no Grande Museu Egípcio. E tem mais novidades vindo por aí, já que o governo egípcio planeja realizar uma cerimônia de inauguração do barco no novo museu, mas uma data ainda não foi definida. 

Dica de leitura:

Pyramids of Ancient Egypt: https://amzn.to/3B7NAMz

Fontes:

[1] Khufu’s Boat to begin long journey to Grand Egyptian Museum. Disponível em < https://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/418527/Egypt/Politics-/Khufus-Boat-to-begin-long-journey-to-Grand-Egyptia.aspx >. Acesso em 6 de agosto de 2021. 

[2] King Khufu’s boat to be transferred to GEM Today. Disponível em < https://lomazoma.com/breaking-news/8781553.html >. Acesso em 6 de agosto de 2021. 

In Photos: Egypt transports King Khufu’s first boat to Grand Egyptian Museum. Disponível em < https://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/418538/Egypt/Politics-/In-Photos-Egypt-transports-King-Khufus-first-boat-.aspx >. Acesso em 7 de agosto de 2021. 

[3] Egyptian engineers harness bridge transport methods to move world’s oldest ship. Disponível em < https://www.newcivilengineer.com/latest/egyptian-engineers-harness-bridge-transport-methods-to-move-worlds-oldest-ship-12-08-2021/ >. Acesso em 12 de agosto de 2021. 

[4]Why King Khufu’s Solar Boat Is on the Move After 4,600 Years. Disponível em < https://www.smithsonianmag.com/smart-news/egypts-ancient-king-khufus-boat-moved-pyramids-giza-new-grand-egyptian-museum-180978413/ >. Acesso em 12 de agosto de 2021. 

BESIX-Orascom Construction: Successful Transport of the King Khufu Solar Boat to the Grand Egyptian Museum. Disponível em < https://press.besix.com/besix-orascom-construction-successful-transport-of-the-king-khufu-solar-boat-to-the-grand-egyptian-museum- >. Acesso em 25 de agosto de 2021. 

MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.

O’CONNOR, D.; FORBES, D.; LEHNER, M. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. Tradução de Francisco Manhães. 1ª Edição. Barcelona: Ed. Folio, 2007.