Filme com cena de sexo no topo da Grande Pirâmide? O governo egípcio está investigando! (+12)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Na tarde de ontem foi liberada a notícia de que um vídeo contendo uma cena de sexo foi enviado para um procurador egípcio. A grande questão aqui é que o citado vídeo supostamente foi gravado no topo da Grande Pirâmide de Gizé, que além de ser uma estrutura arqueológica com mais de 3.000 anos é Patrimônio da Humanidade. Escaladas até o topo destas e das demais pirâmides do platô de Gizé são totalmente proibidas não somente por conta da importância histórica destes edifícios, mas por conta do perigo.

O vídeo teria sido feito por um fotógrafo dinamarquês chamado Andreas Hvid, que por sua vez o postou no YouTube. Em seu Instagram, Hvid se define com os seguintes termos: “Exploração urbana; Arte nua; Coisas de viagens”. E dentre as fotografias presentes na rede social e em seu site estão algumas tiradas do topo de edifícios e mulheres seminuas.

Publicação de Hvid, mas que posteriormente foi apagada. Fonte: Identity Mag.

De fato, existe um vídeo circulando pela internet cuja autoria é dada a Hvid. Nele o vemos juntamente com uma mulher escalando a Grande Pirâmide na calada da noite e ao chegar no topo tiram uma fotografia lado a lado. Em um outro momento do vídeo ela retira e blusa e no momento seguinte uma fotografia é mostrada onde o casal parece estar em um enlaço sexual.

Andreas Hvid e companheira. Esta fotografia ainda está disponível no site dele.

Até o momento em que concluo este texto não achei nenhuma declaração vinda do próprio Hvid. Porém, de acordo com o site Egypt Today ele teria declarado o seguinte na descrição do vídeo original: “No final de novembro de 2018, uma amiga e eu escalamos a Grande Pirâmide de Gizé (também conhecida como Pirâmide de Khufu, Pirâmide de Quéops). Temendo ser notado pelos muitos guardas, não filmei por várias horas enquanto esgueirava-me no Planalto de Gizé, o que levou à subida “. Ainda de acordo com o site o diretor da área arqueológica das pirâmides de Gizé, Asharf Mohey, irá apresentar um relatório à promotoria exigindo uma investigação oficial sobre o vídeo. Ele não acredita que o vídeo seja real, alegando que é impossível escalar as pirâmides devido a grande segurança que existe atualmente no local. Ele ainda salientou que suspeita da autenticidade das imagens porque as luzes que aparecem na gravação não se assemelham a visão real que o sítio arqueológico tem.

 

Esta não foi a 1ª vez: um filme pornográfico russo foi gravado na região

Em 2015 foi liberada a notícia de que um curto filme contendo cenas de sexo explícito foi gravado ilegalmente na região das Pirâmides de Gizé, o que levou o governo egípcio a abrir uma investigação para apurar o caso. O vídeo é russo, mas contém legendas em inglês. Nele uma atriz chamada Aurita reclama de ter que visitar os locais históricos. “Esta p***a é uma porcaria”, disse ela em relação às Pirâmides. “O que tem para olhar? É realmente uma porcaria, até nossos resorts são melhores”.

Aurita em screenshot do vídeo citado.

Enquanto isso, a co-estrela masculina, que não é identificada, expressa descontentamento semelhante, dizendo que ele queria que as pirâmides fossem destruídas. “O que há para ver? Eu odeio estas p***as de pirâmides”. Ele também usa termos homofóbicos para descrever os vendedores que atuavam na área das pirâmides.

Aurita em screenshot do vídeo citado.

Fonte:

Egypt investigates porn video allegedly shot atop Giza Pyramid. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/1/61567/Egypt-investigates-porn-video-allegedly-shot-atop-Giza-Pyramid >. Acesso em 07 de dezembro de 2018.

“Porn Filmed At Egypt’s Pyramids Sparks Outrage”. Disponível em < http://egyptianstreets.com/2015/03/07/porn-filmed-at-egypts-pyramids-sparks-outrage/ >. Acesso em 07/03/2015.

Múmias intactas de cantora de Amon e sacerdote são encontradas em sala selada

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma equipe composta por arqueólogos egípcios encontrou um túmulo com cerca de 3.000 anos contendo vários ataúdes intactos em Luxor, Egito. As pesquisas arqueológicas na área tinham ocorrido entre março e maio (2018) e retomado em agosto (2018) até o momento.

Foto: Luxor Times

Durante os trabalhos de escavações mais de 300 metros cúbicos de detritos foram retirados. Dentre as descobertas estão representações da rainha “Ahmos-Nefertari” e seu filho “Amenhotep I”, que governaram durante do Primeiro Período Intermediário.

Foto: Luxor Times

Em uma conferência de imprensa, o Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Dr. Mostafa Waziri, revelou qual era o nome do dono da sepultura: era um homem chamado “Shu En Khet.ef” que significa “Vento Norte nas suas costas”, que era um “Escriba da capela de mumificação no templo Mut”.

Foto: Luxor Times

No local foram encontrados 1000 ushabtis, máscaras mortuárias de madeira, estatuetas de faiança e papiros contendo parte do capítulo 125 do Livro dos Mortos. E em uma sala lateral selada com tijolos de barro foram encontrados dois caixões de madeira cobertos com flores. Ambos os caixões são datados da 25ª ou 26ª dinastias, que estão situadas no final do Novo Império, centenas de anos após o fim do Primeiro Período Intermediário. Ambos os ataúdes não são do dono da tumba e sim de um sumo sacerdote de Amon chamado “Padiese” e de uma mulher que era cantora de Amon.

Foto: Luxor Times

Fonte:

Breaking News: 3000-year Tomb Contains Intact Coffins discovered in Luxor. Disponível em <https://luxortimesmagazine.blogspot.com/2018/11/breaking-news-3000-year-tomb-contains.html >. Acesso em 24 de novembro de 2018.

 

Arqueologia no YouTube NextUp 2018

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Caros seguidores, o canal Arqueologia Egípcia é um dos ganhadores do Youtube NextUp 2018. O NextUp é uma premiação organizada anualmente pelo YouTube onde são escolhidos canais os quais acredita-se que possuam potencial de agregar algo de inovador para a plataforma.

Como um dos prêmios, passarei uma semana no Rio de Janeiro, no YouTube Space Rio, para participar do acampamento de criadores onde ocorrerá workshops de produção, aulas sobre técnicas de câmera, iluminação e som, além de consultorias individuais sobre estratégia de canais. Infelizmente não poderei encontrar nenhum seguidor por conta do horário apertado.

Este é um grande feito pelo fato de que, de acordo com o próprio YouTube Brasil, ocorreu um recorde de inscrições.

Para entender do que se trata este prêmio e a sua importância acesse este link: https://brasil.googleblog.com/2018/11/youtube-nextup-2018.html

Aliens construíram as pirâmides!

Esta é a minha tradução do texto Aliens built the pyramids!” (Aliens construíram as pirâmides!) escrito pelo arqueólogo egípcio Zahi Hawass para o site Egypt Independent. Aqui o Hawass discute sobre o fascínio de algumas pessoas em relação às pirâmides egípcias e sobre a descoberta dos Papiros Wadi al-Jarf, que falam sobre a construção da Grande Pirâmide.

Aliens construíram as pirâmides!

Por Zahi Hawass

Pirâmides do Paltô de Gizé. Foto: Ricardo Liberato.

As pirâmides ainda estimulam a imaginação das pessoas de todo o mundo e geram fãs que ficam obcecados com elas dia após dia!

Muitos, especialmente nos EUA, acreditam que existem criaturas espaciais que vieram de Marte e construíram as pirâmides. Isso não é científico de forma alguma. As teorias ainda aparecem em um show transmitido e produzido pelo canal norte americano History[1], intitulado “Ancient Aliens”[2].

Muitos cidadãos dos EUA e de outros países me enviam e-mails (como qualquer pessoa pode fazer através do meu site). Acusam-me de mascarar todos os fatos que descubro e que, no seu ponto de vista, mostram que os egípcios não são os construtores das pirâmides! Eles erroneamente acreditam que sob a Esfinge estão evidências de Atlântida! Todas essas mentiras levantam a muitas ideias falsas sobre as pirâmides e os fatos reais e contos associados.

E eu escavo embaixo da Esfinge não apenas para saber o nível das águas subterrâneas, mas para provar a ausência de qualquer evidência para essa bobagem.

Infelizmente, alguns egípcios também pregam temas infundados como a “mentira da segunda Esfinge” e outras mentiras que distorcem a grande civilização egípcia antiga, nas mãos de alguns de seus filhos que anseiam por uma fama que não é baseada em trabalho duro, ciência e diligência. Deus salve o Egito e seus grandes monumentos dessas pessoas imprudentes!

Há uma semana, fiz uma ligação para um canal estrangeiro. Expliquei que, infelizmente, o público em toda parte não sabe nada sobre a maior descoberta arqueológica do século 21, que é a descoberta dos papiros “Wadi al-Jarf” perto de Suez.

É o maior e mais antigo papiro em todo o mundo, que remonta ao reinado do rei Khufu, e a primeira descrição conhecida de como a pirâmide de Khufu foi construída. Este papiro foi escrito tanto em linguagem hieroglífica como hierática, e publicado com tradução. Atualmente está no Museu Egípcio em Tahrir.

Nela, o inspetor Merer transcreve o diário de seu trabalho na construção da Grande Pirâmide. Merer era o chefe de 40 trabalhadores, que ele levou para as pedreiras de Tora.

Por sua descrição, Merer preparou um grande barco para transportar as pedras pelo Nilo. Ele descreve o método de transporte até as pedras atingirem a área de construção em Gizé. Ele indica que o peso da pedra chega a 2,5 toneladas cada, e registra que essas pedras, que foram cortadas, foram arrastadas para os barcos.

Então ele nos conta sobre o rei Khufu, e que ele estava morando em seu palácio em Gizé – em vez de viver em Memphis, como alguns livros de história afirmam. Merer aponta que ele tinha um chefe chamado Dede e que o principal responsável pela entrada das pedras e itens alimentares era Ankh-Haf.

A área ao redor da pirâmide foi denominada “Ankh – Khufu”, que significa “a vida do rei Khufu”, enquanto as áreas de sepultamento foram denominadas “Akht Khufu”, que significa “horizonte de Khufu”.

O trabalho foi registrado durante o vigésimo sétimo ano do governo do rei Khufu, o que pode indicar que Khufu governou por cerca de 32 anos.

Isso é o que a ciência nos diz sobre o maior edifício do Egito faraônico, a Grande Pirâmide.

Por outro lado, infelizmente, alguns falam palavras estranhas sem nenhuma evidência científica, como a de que a pirâmide foi usada para gerar eletricidade! Existe quem diga que o rei estava armazenando trigo dentro da pirâmide para uso em tempos de fome! Essas alegações são inválidas, porque há evidências escritas indicando que a pirâmide foi feita especificamente para enterrar o rei e transformá-lo em um deus na vida após a morte.

Eu diria também que a pirâmide foi o projeto nacional do Egito, e que as pirâmides construíram o Egito.

Alguém pode dizer então que existem aliens espaciais que construíram as pirâmides?

Eu digo a todos aqueles que estão obcecados com as pirâmides do Egito: você tem o direito de se surpreender e até mesmo se impressionar com as nossas pirâmides atemporais, mas não vamos permitir que você distorça nossos monumentos, que é a nossa mais querida posse. Pare com esse absurdo. Deus te abençoe!


[1] Provavelmente ele está falando do canal History Channel.

[2] “Alienígenas do Passado”, aqui no Brasil.

Texto original: 

Aliens built the pyramids! Disponível em < https://www.egyptindependent.com/aliens-built-the-pyramids/ >. Acesso em 11 de novembro de 18.

Antiga sepultura de mulher grávida é encontrada no sul do Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma missão conjunta entre arqueólogos egípcios e italianos trabalhando em Kom Ombo, Assuã, sul do Egito, encontrou o sepultamento de uma mulher grávida. “O enterro quase intacto foi descoberto no cemitério. Foi usado por nômades que vieram para o Egito através do deserto do sul da Núbia durante o Segundo Período Intermediário”, disse o Ministro das Antiguidades ao Luxor Times.

O Segundo Período Intermediário é a época que antecede os reinados de faraós tais como Hatshepsut, Tutankhamon e Ramsés II.

Em destaque está a fotografia do bebê. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Os estudos preliminares indicam que esta mulher possuía cerca de 25 anos de idade. Também apontam que o esqueleto do bebê foi encontrado na área pélvica de sua mãe na posição “cabeça para baixo”, sugerindo a possibilidade de que a mãe e o bebê faleceram durante o trabalho de parto, ou seja, a criança nem sequer nasceu.

A mulher também possui um desalinhamento em sua pélvis, que provavelmente é o resultado de uma fratura que curou incorretamente. Possivelmente foi esta anomalia o que causou problemas durante o parto e consequentemente a sua morte.

Seu corpo foi sepultado diretamente na areia sendo coberto somente por uma mortalha de couro. Como acompanhamento funerário foram encontrados dois potes cerâmicos: O menor deles era uma jarra egípcia desgastada por anos de uso e o outro era uma bacia fina com uma superfície polida vermelha e de interior preto, produzida pelas comunidades nômades núbias.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Contas inacabadas feitas com casca de ovo de avestruz também foram encontradas, o que o ministro sugeriu ser uma oferenda para a falecida. De acordo com a teoria, esta moça teria sido uma confeccionadora de contas e a sua família, para honrar sua memória, incluiu tais contas inacabadas em sua sepultura.

Contas feitas com casca de ovo de avestruz. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Fonte:

3500-year Burial of a Pregnant Woman Discoered in Aswan. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com/2018/11/3500-year-burial-of-pregnant-woman.html >. Acesso em 14 de novembro de 2018.

Descoberta rara de várias múmias de escaravelhos chama atenção de arqueólogos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último sábado (10/11/18) arqueólogos divulgaram a descoberta de um conjunto de escaravelhos mumificados, algo que é extremamente raro. Os besouros estavam entre os artefatos encontrados em sete tumbas descobertas nos últimos seis meses, à beira do complexo da pirâmide do rei Userkaf (Antigo Reino), na antiga necrópole de Saqqara, onde se encontrava a primeira capital do Egito: Memphis.

Foto: REUTERS / Mohamed Abd El Ghany

Dentro de um sarcófago de calcário com uma tampa abobadada e decorada estavam dois grandes escaravelhos envoltos em linho. Assim como dentro de um sarcófago pequeno estava uma coleção de múmias de escaravelhos menores. De acordo com a antiga religião egípcia, os escaravelhos eram a representação do deus Khepri, uma das formas do deus Sol.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

Os antigos egípcios mumificavam os humanos para preservar seus corpos para a vida após a morte, enquanto múmias de animais eram feitas para um dos três propósitos a seguir: servir como alimento no além, fazer companhia para seus donos ou como oferendas religiosas. Os escaravelhos, nesta situação, poderiam servir como este último.

 

Uma possível tumba intacta:

Enquanto preparavam o local para apresentar estas recentes descobertas, a equipe de arqueologia acabou encontrando a porta de mais um túmulo, que por sua vez ainda está lacrada. Esta sepultura data da 5º Dinastia (Antigo Reino), dinastia seguinte a construção da Grande Pirâmide e da Grande Esfinge. Os pesquisadores planejam abrir o sepulcro nas próximas semanas.

 

Fonte:

Ancient Egyptian tombs yield rare find of mummified scarab beetles. < https://www.reuters.com/article/us-egypt-archaeology-discovery/ancient-egyptian-tombs-yield-rare-find-of-mummified-scarab-beetles-idUSKCN1NF0KY >. Acesso em 10 de novembro de 2018.

O Egito comemorará durante 1 mês a descoberta da tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último dia 04 de novembro foi comemorado os 96 anos da descoberta da tumba do faraó Tutankhamon. Porém, dada a importância deste acontecimento, a comemoração do aniversário se estenderá até o final deste mês e as celebrações incluirão a abertura de novos projetos arqueológicos, palestras de professores e cientistas, exposições de arte e shows folclóricos na província de Luxor, onde se encontra o cemitério onde o faraó foi sepultado: o Vale dos Reis.

Imagem da tumba na época da descoberta. Foto: Harry Burton.

Tudo está sendo organizado por instituições tais como a Biblioteca de Luxor, A Faculdade de Belas Artes, o Museu de Mumificação, Antiguidades da região do Alto Egito, a Autoridade dos Palácios Culturais e o Museu de Luxor.

A ideia do evento é discutir a descoberta desde o seu início até a sua conclusão. Assim, como mostrar ao público a sua importância.

Aqui no Arqueologia Egípcia temos vários textos e vídeos sobre o Tutankhamon. Clique aqui e veja alguns deles. Abaixo vocês podem conferir um vídeo onde separei 7 fotos da época da descoberta. Todas as fotografias, sem exceção, são de autoria do fotografo Harry Burton:

E neste vocês poderão conferir a conclusão das buscas por “câmaras ocultas” na tumba dele:

Fonte:

Luxor celebrates 96th anniversary of Tutankhamun discovery. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/luxor-celebrates-96th-anniversary-of-tutankhamun-discovery/ >. Acesso em 09 de novembro de 2018.

As antigas egípcias influenciando uma designer de joias da atualidade

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nascida e criada no Egito, Jude Benhalim é uma designer de joias que usa a sua cidade natal, o Cairo e a história egípcia como inspiração para as suas criações. Entretanto, apesar de olhar muito para o passado com entusiasmo, ela assume que algumas mudanças sociais conservadoras devem ser abandonadas. “Eu emprego uma talentosa equipe de mulheres artesãs e me sinto muito agradecida por ter dado oportunidades às mulheres para ajudá-las a realizar seu potencial e quebrar as limitações sociais.” disse à revista Harpers Bazaar Arabia, “O que nossa sociedade menospreza na maior parte do tempo é que as mulheres têm a capacidade criativa de incorporar cultura, patrimônio e artesanatos egípcios e eu adoro ajudar a lançar luz sobre o trabalho de artesãos que está morrendo lentamente em nosso mundo impulsionado pela tecnologia.”

Questionada pela Harpers Bazaar Arabia sobre do que mais se orgulha em relação as mulheres egípcias ela respondeu: “Está no sangue delas serem fortes e empoderadas desde o tempo de Nefertiti. As mulheres egípcias não têm limites, provendo suas famílias e se destacando em todas as áreas de suas vidas com grande força e determinação. Os egípcios sempre foram pioneiros na região, desafiando as normas existentes e lutando pela igualdade, educação e direitos básicos. É verdadeiramente inspirador.”

E ainda realizou uma reflexão sobre as pessoas do Egito atual: “Também é muito humilhante quando você vê tantas pessoas ao seu redor lutando e lutando para perseguir seus sonhos. A vida pode ficar difícil quando você enfrenta as lutas diárias de um país do terceiro mundo como o Egito, mas faz valer cada pequena conquista.”

Saiba mais sobre ela: www.judebenhalim.com

Fonte:

At just 25 years old, jewellery designer Jude Benhalim is wise beyond her years. Disponível em < https://www.harpersbazaararabia.com/fashion/the-style/jude-benhalim-the-heart-of-cairo >. Acesso em 21 de outubro de 2018.

Uma forma de encarar a morte: O que são múmias?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

As milhares de comunidades espalhadas pelo mundo — do presente ou do passado mais remoto — tinham cada uma a sua própria forma de tentar entender a morte. Muitas sociedades ocidentais atuais, por exemplo, tentam torná-la “invisível”, excluindo-a do dia a dia, tratando, consequentemente, os assuntos relacionados com ela como um tabu.

Contudo, este não é um pensamento unânime e em algumas sociedades a dor da separação pode ser contornada ou aliviada através de práticas funerárias distintas. Uma delas é a mumificação de cadáveres.

Múmia do faraó Ramsés II. Fotografo desconhecido (Wikimedia Commons).

A adoção de estruturas funerárias tais como pirâmides ou jazigos costuma apontar para uma resistência à morte e a tentativa de perpetuar, mesmo que simbolicamente, a existência do falecido como uma figura social (SOUZA, 2015). E a mumificação entra aqui como uma destas tentativas de permanência (RADLEY, 1992 apud SOUZA, 2015).

A mumificação pode ser definida como a paralisação do processo cadavérico antes da esqueletização total ou parcial. A intenção de preservar os cadáveres é manter a individualidade depois da morte e ter a pessoa falecido mais próximo do mundo dos vivos.

Embora tenham se popularizado em filmes hollywoodanos e mesmo em documentários como peças de curiosidades, as múmias, quando analisadas do ponto de vista biológico, podem contribuir para o conhecimento arqueológico, proporcionando informações sobre condições de vida, dieta, saúde, modificações corporais (utilização de alargadores, tatuagens, estilos de cortes de cabelos ou penteados, etc), ou sobre produtos de origem animal ou vegetal usados como ornamentos ou vestimenta (cores de tecidos, padrões de costuras, padrões de desenhos, tampões vaginais, sapatos, etc) que por ventura tenham sido conservados com o corpo.

Corpo com mais de 5.000 anos encontrado nos Alpes de Venoste. Estas marcas são tatuagens. Foto: The South Tyrol Museum of Archeology.
Os envólucros de múmias egípcias, por exemplo, dão detalhes da manufatura têxtil. Fotografo desconhecido (Wikimedia Commons).

Em termos simples, os tipos de múmias são divididos em dois grupos: múmias naturais e múmias antrópicas (AUFDERHEIDE, 2010).

Múmias naturais:

Nesse grupo de múmia entram os corpos preservados total ou parcialmente de forma natural devido a diferentes fatores que podem ter relação com o clima, o tipo de solo, o tipo de morte ou mesmo o tipo de involucro. Alguns exemplos são as múmias de Palermo (Itália), Otzi (Itália), as múmias do vulcão Llullaillaco (Argentina e Chile), múmias Pré-dinásticas do Egito e as Sokushinbutsu (Japão).


O “Homem de Tollund” é um exemplo de múmia natural. Foto: Robert Clark; National Geographic.

Múmias culturais ou antrópicas:

Tendo em vista que a própria denominação “cultura material” tem como objetivo ressaltar os artefatos como resultado do trabalho humano (MATTHEW, 2004 apud SOUZA, 2015), as múmias culturais são consideradas artefatos arqueológicos, já que para serem criadas necessitaram da manipulação humana (AUFDERHEIDE, 2010). São várias as formas de se criar múmias culturais, mas os espécimes mais populares indiscutivelmente advêm do Egito.

A confecção de múmias possui vários motivos que vão desde o religioso ao prático, como foi o caso de alguns dos corpos resgatados da área do naufrágio do Titanic, que foram embalsamados para que pudessem ficar reconhecíveis o maior tempo possível, facilitando assim a sua identificação. Ou dos soldados mortos durante a Guerra Civil Norte-americana.

Homem da época da Guerra Civil Norte-americana sendo embalsamado. Foto: Library Congress.

E nos dias atuais a mumificação ainda é empregada, seja para fins científicos — as múmias feitas durante as pesquisas de Arqueologia Experimental —, para uso estético ou higiênico — fazendo uso da Tanatopraxia — ou para manter a memória do falecido viva, a exemplos de líderes políticos ou religiosos.


Evita Peron. Foto: Getty Images.

Referências bibliográficas:

AUFDERHEIDE, Arthur. The Scientific Study of Mummies. Nova York: University of Cambridge, 2010.

SOUZA, Camila Diogo de. As práticas mortuárias na região da Argólida entre os séculos XI e VIII a. C. Tese (Doutorado em Arqueologia) – Museu de Arqueologia e Etnologia, USP, São Paulo, 2010.

SOUZA. Camila Diogo de. Aportes arqueológicos na produção do conhecimento histórico. Vol. XII | n°24 | 2015.

VIDAL, Irma Ason; OLIVEIRA, Claudia; VERGNE, Cleonice. SOUZA, Sheila Maria Ferraz Mendonça de. Mumificação natural na Toca da Baixa dos Caboclos, sudeste do Piauí: uma interpretação integrada dos dados. Canindé, Aracaju, v. 2, p. 83-102, 2002.

(Evento – SE) I Semana UFS de Arqueologia de Ambientes Aquáticos

Entre os dias 07 e 10 de Novembro ocorrerá a “I Semana UFS de Arqueologia de Ambientes Aquáticos: A prática arqueológica das profundezas à superfície” na cidade de Laranjeiras, Sergipe. Os interessados poderão prestigiar o minicurso “Arqueologia da Praia” com o arqueólogo Leandro Duran, a oficina “Comunicação e Arqueologia de Ambientes Aquáticos” com o arqueólogo Bruno Ranzani, conhecer um pouco mais sobre a prática de mergulho na Arqueologia com o arqueólogo Gilson Rambelli, além de assistir a uma série de comunicações.

 

Naufrágio do E. Russ na Estônia. Imagem: Creative Commons.

Informações como a programação e inscrições vocês podem conferir no site do evento: www.semanaufsarqueoambientesaquaticos.weebly.com.