Arqueólogos descobrem tumba de sacerdotisa egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi anunciado no último sábado a descoberta de uma tumba que provavelmente pertence a uma oficial de alto escalão que viveu durante a 5º Dinastia (Antigo Reino). Ela se chamava Hatbet e possuía os títulos de “sacerdotisa da deusa Hathor” e “alta funcionária ligada à realeza”. Sua sepultura encontra-se na área do Cemitério Ocidental a oeste da Grande Pirâmide do Platô de Gizé[1][2].

Foto: AFP/Mohamed El-Shahed

A notícia foi dada durante uma conferência do Ministério das Antiguidades no platô, onde foi dito que blocos do túmulo foram desenterrados em 1909 por um explorador britânico que os enviou para Berlim e Frankfurt. “O túmulo nunca foi descoberto até outubro de 2017, quando a missão egípcia começou a escavação no cemitério ocidental de Gizé”, disse o Ministro das Antiguidades, Khaled El-Enany[2].

Foto: AFP/Mohamed El-Shahed

O ministro também explicou que o cemitério já havia sido escavado por várias missões arqueológicas desde 1843 e as mais destacadas e importantes foram feitas pelo ex-ministro das antiguidades, Zahi Hawass[2].

O sepulcro possui alguns detalhes interessantes, a exemplo da iconografia de um macaco doméstico dançando em frente a uma banda. Assim como inscrições únicas e imagens cotidianas como cenas de pastoreio, abates, bandas musicais e dançarinas[1][2]. Outro detalhe é que ele é feito de tijolos de barro com uma camada de argamassa. Por conta deste pormenor o Secretário Geral do Conselho Supremo das Antiguidades, Mostafa Waziri, acredita que esse não é o túmulo principal da Hatbet[1]. Então, existe a esperança de se encontrar outra estrutura funerária também pertencente a essa mulher[3].

Foto: AFP/Mohamed El-Shahed

O Platô de Gizé hospeda algumas das mais antigas tumbas do Egito. A maioria delas eram destinadas a reis e suas esposas, assim como funcionários de alto escalão e sacerdotes, como é o caso da Hatbet[1].

 

Fonte:

[1] 4,400 year-old tomb of top pharaoh official discovered in Egypt. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/4400-year-old-tomb-of-top-pharaoh-official-discovered-in-egypt/ >. Acesso em 03 de fevereiro de 2018.

[2]Tomb of 5th Dynasty top official Hetpet discovered near Pyramid of Khafre on Giza Plateau. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/289277/Heritage/Ancient-Egypt/Tomb-of-th-Dynasty-top-official-Hetpet-discovered-.aspx >. Acesso em 04 de fevereiro de 2018.

[3]Egypt says 4,400-year-old tomb discovered outside Cairo. Disponível em < http://abcnews.go.com/Technology/wireStory/egypt-4400-year-tomb-discovered-cairo-52814551 >. Acesso em 04 de fevereiro de 2018.

Egypt: Archaeologists discover priestess’ 4,400-year-old tomb near pyramids outside Cairo. Disponível em < http://www.independent.co.uk/news/science/archaeology/egypt-pyramid-giza-4400-tomb-hetpet-cairo-archeology-a8192926.html >. Acesso em 04 de fevereiro de 2018.

As 9 melhores descobertas arqueológicas de 2017 sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.

Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

 

1: Descoberta de imagens de embarcações:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Foto: Josef Wegner

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

 

2: Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada:

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

 

3: Fragmentos de uma estátua colossal:

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

Foto: Reuters.

4: Descoberta de tumba de princesa egípcia:

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Foto: MSA

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

 

5: Descoberta de faraó pouco conhecido:

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

 

6: Os mais antigos hieróglifos egípcios:

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Foto: MSA.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

 

7: Cabeça de faraó encontrada em Israel:

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

 

8: O maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino:

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Foto: MSA

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

 

9: Descoberta da localização de um templo de Ramsés II

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.

Foto: MSA

A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

 

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:

Agora é a vez de vocês! Qual é a sua descoberta arqueológica do ano de 2017 favorita?

Múmia praticamente intacta é descoberta em tumba de 3.500 anos no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No início deste mês foi anunciada a abertura de mais alguns túmulos em Dra 'Abu el-Naga, Luxor (Egito). Os sepulcros, datados da 18ª Dinastia (Novo Império), pertencem a funcionários que atuavam na cidade de Tebas, na época capital do Egito.

Essas tumbas já tinham sido identificadas e numeradas pelo egiptólogo alemão Friederike Kampp-Seyfried na década de 1990. Um dos túmulos, denominado pelo pesquisador como “Kampp 161”, até então não tinha sido aberto por arqueólogos, enquanto o túmulo “Kampp 150” só teve a sua entrada escavada. Contudo, agora eles estão recebendo a devida atenção por parte de uma equipe de arqueólogos egípcios.

Foto: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Os nomes dos seus antigos donos ainda são desconhecidos. Entretanto, acredita-se que a Kampp 150 seja datada do reinado de Tutmés I e muitos selos funerários com os nomes de um homem chamado Maati e sua esposa Mohi foram encontrados na área do pátio. Isso pode sugerir a identificação do ocupante do túmulo. Os arqueólogos também encontraram estátuas de madeira colorida, máscaras funerárias e uma múmia ainda enrolada por suas bandagens, porém, sem a sua cabeça.

Foto: EPA

Foto: Stringer / AFP

A parede ocidental do túmulo apresenta uma imagem retratando um evento social, possivelmente um banquete, com um homem apresentando oferendas ao ocupante do túmulo e sua esposa. Máscaras funerárias de madeira, restos de móveis e um caixão decorado também foram descobertos no túmulo.

Foto: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Já a Kampp 161 acredita-se que seja datada do reinado de Amenhotep II ou Tutmés IV. Isso com base em comparações estilísticas e arquitetônicas com outras tumbas da região.

Fotos: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Ainda existem tumbas esperando ser pesquisas em Luxor, apesar de já conhecidas pelo Ministério de Antiguidades do Egito.

Foto: Stringer / AFP

Fontes:

El-Mofty, Nariman. 3,500-Year-Old Tombs Uncovered in Egypt. One Has a Mummy. In: National Geographic. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/2017/12/egypt-tomb-mummy-naga-archaeology-ancient/ >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

EFE. Encontrados nuevos tesoros egipcios en dos tumbas del Imperio Nuevo. In: La Vanguardia. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20171209/433525385521/una-momia-mascaras-o-frescos-entre-los-tesoros-de-2-tumbas-del-imperio-nuevo.html >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

Egypt uncovers ancient tombs at Luxor. In: BBC. Disponível em < http://www.bbc.com/news/world-middle-east-42295162 >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

Esposa de Tutankhamon talvez foi sepultada em tumba recém-descoberta

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo e ex-ministro das Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, com a sua equipe de pesquisadores, afirma ter evidências de que encontrou uma tumba que possivelmente pertenceu a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon — cuja sepultura foi descoberta praticamente intacta em 1922 — e filha do casal Nefertiti e Akhenaton.

Ankhesenamon e Tutankhamon e Ankhesenamon. Foto: Fonte: STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

A tumba, que está localizada no Vale dos Reis, próximo a sepultura do faraó Ay [1] (a qual alguns egiptólogos acreditam que a priori pertenceria a Tutankhamon), ainda não foi escavada, mas existe um projeto para tal.

Ankhesenamon em Luxor. Foto: Lionel Leruste. 2007.

Em 7 de julho a National Geographic italiana publicou um artigo que sugere que uma equipe liderada por Hawass tinha encontrado uma nova tumba no Vale dos Reis e agora o pesquisador confirmou esta descoberta. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. Apesar disso ele afirmou que acredita se tratar da tumba de Ankhesenamon dada a proximidade com a tumba de Ay[1], com quem ela possivelmente foi casada após a morte de Tutankhamon.

“Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações” e complementou explicando que estas fundações seriam “caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas como um sinal de que uma construção de uma tumba foi iniciada”. Um contexto parecido já foi encontrado em outros lugares, como o próprio Hawass explica: “Os antigos egípcios usualmente faziam quatro ou cinco fundações depósitos sempre que iniciavam a construção de um túmulo”[1].

 

Quem foi Ankhesenamon?

Não é tarefa fácil saber o que ocorreu durante os anos finais da vida da rainha Ankhesenamon: sabemos que ela sobreviveu a Tutankhamon e que o sepultou. Com ele teve certamente um bebê que só viveu alguns dias e um possível natimorto (ambas as crianças foram sepultadas com Tutankhamon) (DAVID; DAVID, 1992; BUNSON, 2002; HAWASS et al, 2010). Um anel encontrado na década de 1920 mostra o nome dela ao lado do nome de Ay, sucessor do seu marido, o que propõe uma co-regencia ou que ela casou-se com ele. Contudo, na tumba dele não há indícios dela como sua esposa, mas sim Ty, sua mulher desde a época do reinado de Akhenaton (CARTER; MARCE, 1977; GRIMAL, 2012).

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

A busca pela tumba desta rainha já perdura há alguns anos. A priori acreditou-se que ela poderia ter sido sepultada na KV-63, sugestão que foi abandonada após se descobrir que o local era um cache de mumificação [2]. Depois que teria sido na KV-21 (PÉREZ-ACCINO, 2003; PARRA, 2011). Agora temos esta possível KV-65. A resposta? Teremos que esperar mais algum tempo para descobrir.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[2] Documentários: King Tut’s Mystery Tomb Opened (Discovery Channel; 2006); Egypt’s Mystery Chamber (Discovery Channel; 2009).

BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts on File, 2002.

CARTER, Howard; MACE, Arthur. The Discovery of the Tomb of Tutankhamen. London: Dover Publications, 1977.

DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

HAWASS, Zahi;  GAD, Yehia Z;  ISMAIL, Somaia; KHAIRAT, Rabab; FATHALLA, Dina; HASAN, Naglaa; AHMED, Amal; ELLEITHY, Hisham; BALL, Markus; GABALLAH, Fawzi; WASEF, Sally; FATEEN, Mohamed; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; SELIM, Ashraf; ZINK, Albert; PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón. “Primeros cuerpos, primeras tumbas. En torno a los orígenes del valle de los Reyes”. In: POLO, Miguel Ángel Molinero. Arte y sociedad del Egipto antiguo. Encontro, 2000.

Arqueólogos encontram tumba de princesa egípcia em Dashur

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur, cuja descoberta foi anunciada mês passado (abril/2017). No local foram encontrados uma inscrição religiosa e um nome em um fragmento de vaso de cerâmica que guardou outrora cerveja.

Entrada para a sepultura. Foto: MSA.

— Saiba mais: A cerveja no Egito Antigo: desde a intoxicação ao seu uso religioso.

Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Caixa de vasos canópicos. Foto: MSA

— Saiba mais: Vasos canópicos + Vídeo

Não se conhece muito sobre Ameny Qemau e sua filha. Ele reinou por dois anos como o 5º faraó da sua dinastia e era possivelmente o pai do faraó seguinte.

Fonte:

Archaeologists uncover ancient Egyptian princess’s tomb in Dahshur. Disponível em < https://www.historyofroyalwomen.com/the-royal-women/archaeologists-uncover-ancient-egyptian-princesss-tomb-dahshur/ >. Acesso em 12 d maio de 2017.

Egypt Continues Its Discoveries With a 3,700-Year Burial Chamber in Dahshur. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2017/05/11/egypt-continues-its-discoveries-with-a-3700-year-burial-chamber-in-dahshur/ >. Acesso em 12 d maio de 2017.

Nome encontrado em pirâmide da 13ª Dinastia é do faraó Ameny Qemaw

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No último dia 03/04/17 anunciei aqui no A.E. a descoberta de restos de uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário em Dashur. Também noticiei que o nome do dono da tumba era desconhecido. Contudo, ele já foi identificado: chamava-se Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Essa conclusão foi alcançada após o site Live Science entrar em contato com dois egiptólogos e apresentar a foto do bloco de alabastro com as inscrições: James Allen, professor de egiptologia da Universidade Browne e Aidan Dodson, pesquisador da Universidade de Bristol.

Ambos disseram que a inscrição no bloco é um tipo de texto religioso usado nas paredes das pirâmides e que o nome escrito é do faraó Ameny Qemau, quinto rei da 13ª Dinastia e que governou somente por dois anos. Outro egiptólogo, Thomas Schneider, professor de egiptologia e estudos do Oriente Próximo na Universidade da Colúmbia Britânica, também concordou com a conclusão dos colegas.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

Os motivos para Ameny Qemau ter duas pirâmides é um mistério, mas Dodson, que é coautor de um artigo sobre a descoberta de 57, sugeriu que talvez ele tenha usurpado a segunda pirâmide encontrada. Ele se apoia na baixa qualidade das inscrições hieroglíficas que estão nos cartuchos, indicando que o escultor teve que escrevê-los sobre uma área que foi cinzelada (possivelmente para apagar o que existiu anteriormente lá).

O Ministério das Antiguidades do Egito anunciou que pesquisas ainda estão sendo realizadas na área.

Fonte:

[1] 2nd Pyramid Bearing Pharaoh Ameny Qemau’s Name Is Found. Disponível em < http://www.livescience.com/58531-second-pyramid-pharaoh-ameny-qemau-discovered.html >. Acesso em 05 de abril de 2017.

Studies on newly discovered pyramid point to 13th Dynasty King Kamaw. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/262348.aspx >. Acesso em 05 de abril de 2017.

Restos de pirâmide egípcia da 13ª Dinastia são descobertos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi divulgada hoje (03/04/2017) a descoberta de uma pirâmide egípcia até então desconhecida datada da 13ª Dinastia (Médio Reino), em Dashur, próxima a uma das pirâmides de Snefru.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

— Saiba mais sobre as pirâmides de Snefru: Arquitetura egípcia | Pirâmides, moradias e o Vale dos Reis 

A tumba está sem a sua estrutura exterior, deixando sua parte interna exposta. Ela compreende um corredor que leva para uma câmara.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

No local também foi encontrado uma inscrição em um bloco de alabastro de 15 cm por 17 cm. Os hieróglifos ainda serão traduzidos e por foto já é possível ver que um nome de um(a) faraó está presente, mas os símbolos estão danificados.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

As pesquisas, realizadas por uma equipe egípcia, continuarão a ser feitas, inclusive para desenterrar mais estruturas.

Fonte:

Remains of 13th Dynasty pyramid discovered in Dahshur Necropolis. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/262156.aspx >. Acesso em 03 de fevereiro de 2017.

Tumba de um escriba é descoberta no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No último dia 31 de janeiro foi anunciada a descoberta de uma tumba do Periodo Ramsessida, pertencente a um homem chamado Khonsu, identificado na sepultura como “Escriba Real”.

Localizada em El Khokha, Luxor, ela foi encontrada por uma equipe de arqueologia da Universidade de Waseda, coordenada pelo professor Jiro Kondo, responsável pela limpeza de um túmulo de um homem chamado Userhat. “Durante a limpeza da parte oriental do pátio da frente da tumba de Userhat, um grande buraco esculpido na parte norte foi encontrado. Depois de rastejar pelo buraco, foi descoberto que ele levava à parede sul da saída do túmulo de Khonsu.”[1], comentou o arqueólogo ao Luxor Times.

Entrada da tumba. Foto: Divulgação.

O locar possui uma forma de “T”, sendo composto por um corredor que leva à câmara funerária. Ele está ricamente adornado com textos e imagens religiosas, a exemplo da Barca Solar precedida por quatro babuínos, que remete a passagem do dia.

Barca Solar e babuínos. Foto: Divulgação.

Khonsu, em outra decoração, é identificado como “Verdadeiro escriba de renome”. A sua esposa também aparece em uma das imagens do sepulcro, o acompanhando em uma reverência aos deuses Osíris e Ísis.

O casal representado na tumba. Foto: Divulgação.

A tumba ainda se encontra coberta com pedras, então certamente mais iconografias serão reveladas no futuro.

Fontes:

[1] Royal scribe tomb discovered in Luxor. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/01/royal-scribe-tomb-discovered-in-luxor.html?m=1 >. Acesso em 03 de fevereiro de 2017.

Tomb of Ramesside-era royal scribe uncovered in Luxor. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/257292.aspx >. Acesso em 03 de fevereiro de 2017.