Outra “língua de ouro” foi encontrada em cemitério onde pode estar Cleópatra VII

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Depois de quase um ano temos mais uma notícia da arqueóloga Kathleen Martinez e seus trabalhos em Taposiris Magna (Egito) onde iniciou uma grande busca pela tumba da rainha Cleópatra VII.

Em 29 de janeiro de 2021 anunciei aqui que sua equipe tinha encontrado alguns artefatos curiosos praticamente desconhecidos pela arqueologia egípcia: tratam-se de línguas feitas com folham de ouro e que foram encontradas na área da boca de alguns restos humanos. Na fotografia a seguir é possível ver esse tipo de artefato com muita clareza.

E recentemente ela liberou mais uma fotografia, mas de uma outra língua que foi encontrada no mesmo cemitério:

Pela fotografia não é possível identificar se a língua está na área onde estava a boca do falecido ou se o sepultamento sofreu alguma perturbação no passado. O que podemos falar por hora é sobre a singularidade desse cemitério e a ocorrência dessas línguas que, de acordo com a crença, faziam parte de um ritual para garantir que os falecidos pudessem falar na outra vida.

Já em relação à Cleópatra VII? Ainda segue sem sinais de sua sepultura.

Dica de leitura:

☥ Cleopatra: The Search for the Last Queen of Egypt

Língua de ouro é encontrada onde acredita-se estar sepultada a rainha Cleópatra VII

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

E temos notícias da arqueóloga Kathleen Martinez, aquela que está há alguns anos procurando pela tumba da rainha Cleópatra VII em Taposiris Magna (Egito), que fica a uns 30 quilômetros de Alexandria. Não! Ela não encontrou a tumba de Cleópatra, mas encontrou restos humanos e artefatos datados do Período Greco-Romano.

Kathleen Martinez

Martinez é dominicana e comanda uma missão de arqueologia no Egito através da Universidade de Santo Domingo. O anúncio é de que ela encontrou na área da necrópole de Taposiris Magna o total de 16 catacumbas cortadas na rocha. O que esperamos é que esses corpos, que datam do período greco-romano, nos dê detalhes sobre a vida, saúde e alimentação durante o Período Ptolomaico.

Um dos detalhes mais interessantes dessa descoberta é que foram encontradas línguas feitas de ouro, na foto abaixo vocês poderão ver uma entre o maxila e mandíbula desse esqueleto. Esses artefatos faziam parte de um ritual para garantir que os falecidos pudessem falar na outra vida.

Esqueleto com língua de ouro.

A arqueóloga chegou a explicar que entre os achados mais importantes estão duas múmias que estão acompanhadas por restos de pergaminhos e partes de cartonagem (um material feito de gesso e linho) possuem a representação do deus Osíris, senhor do mundo do além vida. Uma das múmias está usando a Coroa Atef (que vocês podem ver nas representações do deus Osíris), acompanhada de chifres dourados e uma cobra na testa. Também usa um colar usekh e um peitoral retangular dourado. Imagens desse sepultamento não estão disponíveis.

Outro detalhe interessante que ela salientou é que todos os corpos encontrados tinham as cabeças orientadas a oeste, em direção ao templo. O oeste tinha uma conotação religiosa bastante importante para os antigos egípcios, já que era o território dos mortos.

Oito esculturas de retratos em mármore, representando características faciais, também foram descobertas. Todas também datam do período greco-romano.

Esculturas de retratos em mármore.

Vale ressaltar que durante a última década essa missão encontrou uma série de moedas com o nome e a imagem da rainha Cleópatra VII (encontradas dentro das paredes do templo), além de muitas partes de estátuas.

Dica de leitura:

☥ Cleopatra: The Search for the Last Queen of Egypt

Fonte:

New artefacts unearthed at Taposiris Magna in Alexandria. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/399915/Egypt/Politics-/New-artefacts-unearthed–at-Taposiris-Magna-in-Ale.aspx >. Acesso em 29 de janeiro de 2021.

Novas descobertas arqueológicas em antigos naufrágios egípcios

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O ano de 2017 terminou com o anúncio da descoberta de antigos naufrágios egípcios. E nesses naufrágios foram encontrados alguns artefatos interessantes: um deles foi uma cabeça de cristal que provavelmente retrata o general Marco Antônio, amante da rainha Cleópatra VII.

Cabeça de estátua encontrada em Thonis–Heracleion. Foto: Franck Goddio.

5 mães famosas do Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não foi fácil escolher poucas mulheres, mas está aí uma modesta lista com cinco nomes da antiguidade egípcia que chegaram até nós graças aos trabalhos de Arqueologia e Egiptologia. Notem que a minha escolha não se baseou em mães mais amáveis ou maternais, mas as famosas no meio acadêmico graças a feitos notáveis.

Originalmente Hatshepsut fazia parte da lista, mas retirei por respeito, já que a sua única filha faleceu muito jovem e na hora da organização do roteiro esqueci completamente de Tutmés III.

— Leia também: Ser mãe no Egito Antigo

A Rainha Cleópatra versus a História

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Cleópatra VII foi uma rainha que viveu durante o Período Ptolomaico, cuja história inspirou vários mitos, filmes e documentários. Embora muitas biografias pitorescas tenham sido inventadas por seus desafetos, aparentemente a real Cleópatra VII foi uma líder única, educada com as melhores fontes de informação e articulada.

No vídeo abaixo, que faz parte do TED-Ed (um projeto que reúne educadores com animadores), temos um resumo das realizações dessa rainha e como a história tem sido muito injusta com ela. Vale muito a pena assistir. Ele está em inglês, mas é possível habilitar a legenda para o português, é só ir na aba do play que vocês encontrarão um quadradinho ao lado de uma engrenagem: clique nela e escolha o idioma do seu interesse.

Sugiro também que leiam o meu artigo “Como a Arqueologia tem minimizado o papel das mulheres egípcias que viveram na Antiguidade faraônica”. Em um dado momento uso a Cleópatra como exemplo.

(Vídeo) Horrible Histories – Cleopatra Song

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este vídeo foi enviado pelo estudante de Arqueologia, o Marcel Raely Fontes, que estuda na mesma instituição em que me formei. Quando o abri demorei um pouco para processar as informações (eu ficava pensando “se tem gente que achou o clipe da Katy Perry ruim, imagina só isto!”) até perceber que se trata de um programa de humor que faz paródias com figuras históricas.

Na música Cleópatra é a mulher mais poderosa do seu tempo, mas também “rainha dos romances ruins”. O clipe está em inglês, mas possui legenda para o português. No Brasil os vídeos dessa coleção passam atualmente na TV Escola no “Deu a Louca na História”.

A letra da música foi inspirada na propaganda anti-Cleopatra de Otavio, então naturalmente cita vários aspectos da sua lenda.

Foram os ossos da irmã de Cleópatra VII encontrados? O mais provável é que não

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Link enviado por Jacy Martins via Facebook [4].

Na ultima semana de fevereiro (2013), a arqueóloga da Austrian Academy of Sciences, Hilke Thür, durante sua palestra Who Murdered Cleopatra’s Sister? And Other Tales from Ephesus, no Museum of History in Raleigh na Carolina do Norte, afirmou ter identificado os ossos da irmã de Cleópatra VII, Arsinoe IV, princesa que de acordo com a historiografia teria traído a irmã e organizado uma rebelião se proclamando rainha. No entanto, Cleópatra VII venceu Arsinoe IV e com o auxílio de Júlio Cesar a enviou para o exílio, mas por ser uma rival ao trono teria sido assassinada em 41 antes da Era Cristã, sob as ordens da irmã e Marco Antônio.

. Acesso em 14 de março de 2013.” src=”http://arqueologiaegipcia.com.br/wp-content/uploads/imagem_do_ocumentario_cleopatra_o_retrato_corpo_encontrado_em_efeso.jpg” alt=”” width=”446″ height=”251″> Imagem do documentário Cleopatra: Portrait of a Killer (BBC). Disponível em < http://alexiabassi.blogspot.com.br/2010/09/assista-bbc-cleopatra-portrait-of.html >. Acesso em 14 de março de 2013.

Os ossos foram encontrados em 1926 nas ruínas de Éfeso, uma antiga cidade grega na Turquia, especificamente dentro de uma estrutura arquitetônica denominada “O Octógono”, e teve o crânio separado do restante do conjunto. O corpo só foi reencontrado em 1985, já o crânio está desaparecido.

 

Uma polêmica desde 2009:

De acordo com a pesquisa, a mulher, hora identificada pela impressa como uma jovem de 15 a 16 anos, hora como uma de 18 a 20, teria vivido em algum momento no século I antes da Era Cristã, período em que Cleópatra VII viveu, e Éfeso seria o local em que a princesa teria sido exilada. Munida destas informações, Thür deduziu que tais ossos seriam Arsinoe IV porque eles foram sepultados em uma localização ilustre e pelo desenho octogonal da tumba ele remeteria ao formato do farol da ilha de Pharos, o hoje chamado “Farol de Alexandria”. Porém, suas evidencias são circunstanciais.

. Acesso em 03 de março de 2013.” src=”http://arqueologiaegipcia.com.br/wp-content/uploads/ossos_encontrados_em_efeso.jpg” alt=”” width=”224″ height=”426″> Ossos encontrados em Éfeso. Imagem disponível em < http://bonesdontlie.wordpress.com/2013/02/28/have-archaeologists-found-cleopatras-half-sister/ >. Acesso em 03 de março de 2013.

A professora de assuntos clássicos de Cambridge, Mary Beard, confirma que a princesa teria sido assassinada em Éfeso, mais especificamente na escada do templo de Diana, mas este seria o único episódio que a ligaria ao local. Já a tumba octogonal, que não faz inferência nominal acerca de quem a ocupa, não tem o que remeta de fato ao farol de Alexandria [2].

Para aumentar a polêmica, o crânio foi submetido a uma reconstituição facial realizada pela equipe do Scotland’s University Of Dundee. A imagem foi lançada em 2009 no documentário Cleopatra: Portrait of a Killer (BBC), apresentada como sendo Arsinoe IV, mesmo sem nenhum dado conclusivo.

. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.” src=”http://arqueologiaegipcia.com.br/wp-content/uploads/cleopatra_arsinoe_reconstituicao_facial_2009.jpg” alt=”” width=”260″ height=”190″> Reconstituição facial do crânio encontrado na Turquia apresentada no documentário “Cleopatra: Portrait of a Killer” (2009) da BBC. Imagem disponível em < http://www.huffingtonpost.com/2013/02/26/cleopatra-half-sister-bones-murdered_n_2766739.html?utm_hp_ref=fb&src=sp&comm_ref=false >. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.

A equipe também tentou aplicar testes de DNA, mas os ossos estão contaminados devido a manipulação por parte de várias pessoas.

De acordo com o classicista David Meadows tal reconstituição foi realizada com dados de medidas do crânio retiradas em 1920 [3], uma vez que sua atual localização é desconhecida desde a Segunda Guerra Mundial. Isto nos dá mais um problema metodológico. Em seu blog www.rogueclassicism.com, em 2009, ele realiza um apanhado de artigos de jornais que comentaram sobre o crânio e fez questão de denotar a importância da impressa para a disseminação equivocada (embora “irresponsável” seja a melhor definição) desta notícia.

 

Minha opinião:

Dado o que foi apresentado pela a equipe é impossível não concordar com os demais pesquisadores que não aceitam a proposta de Thür e seus colegas. As evidencias organizadas são extremamente circunstanciais e deixa uma “dúvida razoável” entre os leigos e isto justamente com um assunto tão polêmico, já que se trata de algo associado com Cleópatra VII.

Quando indagada acerca das críticas que vem recebendo dos colegas, Thür afirma que se trata de ciúmes[1][4]. Inveja na academia é um dos sentimentos mais corriqueiros, mas nesta situação os questionamentos e críticas possuem validade.

David Meadows, ainda em seu post, faz uma abordagem interessante e que precisa ser levada em conta: não se sabe como se deu o sepultamento. Teria sido da forma tradicional egípcia ou não? E aqui deixo o meu complemento: mesmo que ela não tenha recebido um sepultamento egípcio, o acompanhamento funerário poderia dizer algo acerca, no entanto, aparentemente não foi divulgado nada sobre.

Meadows faz outra chamada: de acordo com a descrição o crânio teria sofrido um tratamento de alongamento durante a infância, mas são traços encontrados em crânios da Turquia e Arsinoe IV nasceu e cresceu em Alexandria. Existem debates acerca da prática do alongamento craniano entre os egípcios e até onde posso afirmar nenhum entre sociedades influenciadas pela cultura grega (como foi a família ptolomaica).

O irônico na teoria de Hilke Thür é que ela está se empenhando muito em defender que se trata de Arsinoe IV, mas ignora a possibilidade de que esta descoberta possa vir a esclarecer um pouco da história de outro indivíduo que em nada tem relação com a sociedade egípcia e que graças a esta exploração da história da princesa exilada continuará sem identidade.

 

Fonte da notícia:

[1] Bones Of Cleopatra’s Murdered Half-Sister Identified, Archaeologist Says. Disponível em < http://www.huffingtonpost.com/2013/02/26/cleopatra-half-sister-bones-murdered_n_2766739.html?utm_hp_ref=fb&src=sp&comm_ref=false >. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.

[2] The skeleton of Cleopatra’s sister? Steady on. Disponível em < http://timesonline.typepad.com/dons_life/2009/03/the-skeleton-of.html >. Acesso em 02 de março de 2013.

[3] Cleopatra, Arsinoe, and the Implications. Disponível em < http://rogueclassicism.com/2009/03/15/cleopatra-arsinoe-and-the-implications/ >. Acesso em 02 de março de 2013.

[4] Archaeologist: Bones found in Turkey are probably those of Cleopatra’s half-sister. < http://www.newsobserver.com/2013/02/24/2697973/archaeologist-says-bones-found.html#storylink=rss >. Acesso em 27 de fevereiro de 2013.

Have Archaeologists Found Cleopatra’s Half-Sister?. Disponível em < http://bonesdontlie.wordpress.com/2013/02/28/have-archaeologists-found-cleopatras-half-sister/ >. Acesso em 03 de março de 2013.

Ícones do mau comportamento: Cleópatra

Nova série da The History Channel irá procurar mostrar alguns dos lideres estatais mais cruéis da antiguidade, e de quebra a Cleópatra VII foi incluída no meio. Sua estréia será amanhã, dia 04 de Novembro, 23h00 (sendo que 22h00 será uma parte com o Julio César).

 

Imagem em moeda de Cleópatra segurando seu primeiro filho.

 

 

Documentário: Ícones do mau comportamento: Cleópatra

Canal: The History Channel (Brasil)

Data: 04 de Novembro de 2011.

Horário: 23h00

 

Abaixo a sinopse disponibilizada pelo canal:

 

1 – JULIO CÉSAR E CLEÓPATRA

Herói de Roma, fundador de um império e um dos maiores generais da história. Neste episódio, vamos revelar como o sucesso de Júlio César foi realizado com muito mais do que genialidade militar. O genocídio, as conquistas sexuais e a sua volta política orquestrada por ele mesmo, revelam muito de sua vida. A sua avaliação psiquiátrica também revela um homem tão aficionado por alcançar o sucesso, que foi capaz de matar para tentar consegui-lo. Não estamos falando de algumas mortes, e sim de mais de um milhão de pessoas assassinadas, para que Júlio César conseguisse o poder.
Análises históricas e psiquiátricas revelam que Cleópatra foi trazida ao mundo para acreditar que o poder era tudo, já que em sua família particularmente, esta era a melhor maneira de consegui-lo. Ser um dos irmãos de Cleópatra significava obter uma passagem grátis para ter uma vida curta. Cleópatra é considerada uma das operadoras políticas mais sábias da história, feliz por utilizar o sexo e a morte para conseguir o que queria.

 

 *Assunto sugerido pela leitora Natália Barcelos.

 

Julho na NatGeo: Em busca de Cleópatra

Estará nas bancas neste mês de julho, como matéria de capa na National Geographic, o artigo “Em busca de Cleópatra”, escrita por Chip Brown. A capa está simplesmente genial e já pode ser visualizada no site da National Geographic Brasil.

Em Busca de Cleópatra - NatGeo 2011

As fotografias estão assinadas por Kenneth Garrett, que é bastante popular entre os egiptólogos, já que é o responsável pela maioria das imagens da National relacionadas ao Egito.

A National Geographic Brasil já liberou a matéria em seu site. Clieque aqui e confira.

[Vídeo] Livro Cleópatra

Arlete Salvador, autora do livro “Cleópatra” (que está em promoção para os leitores do Arqueologia Egípcia. Clique aqui e saiba como participar) fala sobre o seu livro neste vídeo publicado pela Editora Contexto.

 

Sinopse do livro  

 

 

A famosa rainha egípcia ganhou uma biografia escrita pela jornalista Arlete Salvador e está em uma promoção exclusiva para os leitores do Arqueologia Egípcia.

 

Reproduzida pelos pintores, biografada por escritores, representada por estrelas de cinema, Cleópatra é um dos grandes mitos da História. Optando por um olhar inovador e contemporâneo, a autora deste livro capta uma Cleópatra sedutora e fascinante, mas também culta e inteligente, uma mulher do nosso tempo no Egito de 20 séculos atrás. Cleópatra possuía uma cultura invejável: grande negociante, estrategista militar, falava pelo menos oito línguas e era versada em filosofia, alquimia e matemática. Distante da imagem de simples objeto sexual, que certos filmes e livros tentaram passar, Cleópatra era uma política hábil e uma líder respeitável, em um período fundamental para a consolidação do poder de Roma.
Ao optar por um olhar desmistificador, Arlete Salvador, jornalista especializada em política, nos apresenta um livro fascinante. Ao se decidir por uma narrativa leve, sem erudição desnecessária, nos revela uma rainha mais próxima do leitor, com dúvidas e inquietações que poderiam ser de qualquer um(a) de nós. Daí que o livro, escrito com surpreendente bom humor, é daqueles que se deixa ler com grande prazer (Ed. Contexto).