A princesa Ahmanet de “A Múmia” existiu?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em 2017 estreou um filme chamado “A Múmia”, que caso você não seja muito antenado no mundo do cinema, faz parte de uma franquia quase centenária. Franquia esta que se apoia em um enredo em que múmias egípcias, por algum acidente ou acaso do destino, acabam sendo trazidas de volta à vida e caminham por aí espalhando o mal ou a destruição.

O primeiro filme “A Múmia” foi lançado 1932 estrelando Boris Karloff e Zita Johann. Nele o sacerdote Imhotep, por meio de um encantamento, acaba sendo trazido de volta a vida e descobre que seu amor do Egito Antigo reencarnou. Nas décadas seguintes a Universal Studios lançou vários filmes usando parte dessa premissa. Dois dos mais famosos é o “A Múmia” de 1999 e “O Retorno da Múmia” de 2001. Neles vemos a reutilização de parte da história e do nome do personagem Imhotep. 

A franquia então ficou no congelador por um tempo até que foi anunciado o novo filme. A proposta era que esse novo “A Múmia” seria a porta de entrada para o Dark Universe; inspirado nas franquias de super-heróis, esperava-se que fosse criado um universo de monstros clássicos da Universal Studios. O filme porém não agradou e o sonho da Dark Universe parece ter descido pelo ralo. 

Nele, temos a personagem Ahmanet interpretada pela Sofia Boutella. Trata-se de uma princesa egípcia que após cometer assassinato é punida sendo enterrada viva. Milênios depois seu sarcófago é encontrado por um uma dupla de soldados que fazem bico como caçadores de tesouros (ou seja são corruptos, por que caça tesouros, nesse caso artefatos arqueológicos, em alguns países é crime). 

E já que falei anteriormente de Imhotep: o nome dele é inspirado em uma personalidade do Egito Antigo e que ao contrário do filme, onde ele é um sacerdote, na vida real ele foi um arquiteto. Mas e a princesa Ahmanet? Ela  foi inspirada em alguém que existiu?

A resposta é não. Em termos de egiptologia não conhecemos ninguém que tenha tido um destino parecido com o dela, mas seu nome provavelmente foi inspirado no da deusa Amonet, que era uma contraparte do Deus Amon, uma das divindades principais do panteão egípcio. Por acaso cheguei a falar sobre Amonet em um vídeo lá do canal, já que ela faz uma pontinha na série Penny Dreadful.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]