20 May 2012

Tumba de Maya na National Geographic

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 14 - novembro - 2011 2 COMMENTS

Esta matéria publicada em 2003 na revista National Geographic Brasil conta um pouco sobre a tumba de Maya, o tesoureiro real de Tutankhamon (e que provavelmente foi o responsável pela supervisão do encerramento da tumba do faraó).

Confira o texto com as palavras de Alain Zivie, o arqueólogo responsável pelas pesquisas no sepulcro:

 

 

O guardião do tesouro do deus-sol (Edição 43/Novembro de 2003)

A descoberta do túmulo do guardião das finanças do faraó Akhenaton intriga cientistas

 

Por Alain Zivie

Fonte: National Geographic Brasil

 

 

O túmulo do guardião do patrimônio dos templos do Egito, no reino do Deus-Sol Akhenaton, há mais de 3,3 mil anos

 

Muita experiência, intuição e um pouco de sorte fizeram com que eu chegasse até esse túmulo no antigo cemitério de Saqqara.

 

Com o apoio do Ministério de Assuntos Exteriores da França, eu já encontrara sítios funerários num penhasco da região, inclusive um que pertencera a um alto funcionário de Ramsés, o Grande (consulte “O enviado de paz do faraó”, outubro de 2002) e outro preparado para Maïa, ama-de-leite de Tutankhamon. À medida que minha equipe trabalhava, as pás iam revelando uma abertura na rocha. Assim que a areia foi removida, vi uma capela mortuária sustentada por uma colunata, com uma estela de pedra entalhada. Na escarpa atrás dela, descobrimos dois aposentos cobertos de relevos e uma escadaria levando a uma câmara sepulcral inacabada. Inscrições revelam que o proprietário tinha dois nomes: Raïay e Hatiay. Ele foi um importante administrador dos templos de Aton em Akhetaton (a nova capital) e em Mênfis (a antiga). Ou seja, esse homem cuidava do ouro e das oferendas para Aton em duas das principais cidades egípcias. Suas relações com Akhenaton eram próximas: relevos na tumba refletem a devoção de Raïay à religião extremista do faraó. Mas alguns deles foram modificados, e isso aconteceu provavelmente durante a vida de Raïay. Agora, a pergunta que fica no ar é: por quê?

 

Lindos relevos, executados pelos melhores artistas do país, enfeitam a tumba de Raïay. Mas sua função não é só decorativa. Envoltos em magia, facilitavam o caminho dele de volta à vida após a morte. Na cerimônia de “abrir a boca,” um sacerdote devolve os sentidos à múmia de Raïay, segura por um parente de luto. Esta imagem mostra que preparativos tradicionais para a vida eterna eram feitos mesmo durante o reinado nada ortodoxo de Akhenaton. Mas, como os textos que acompanham a cena estão de acordo com a adoração do faraó ao deus Aton, referências normais a Osíris, o deus da morte, foram omitidas. De fato, os relevos das paredes da tumba homenageiam apenas Aton.

 

A estela da entrada da tumba, porém, menciona diversos deuses egípcios. Num painel, Raïay e sua mulher fazem oferendas a Osíris. Inscrições mencionam deuses como Ptah, patrono de Mênfis, e Amon, a quem a esposa de Raïay ofereceu canções sagradas. Essa estela é fundamental para interpretar a tumba. Teria sido colocada depois que Akhenaton morreu, quando Raïay e seus contemporâneos retomaram antigos costumes, sob a autoridade de um novo faraó, Tutankhamon.

 

Raïay construiu essa tumba para sua mulher e para si mesmo. A esposa aparece sentada atrás dele ofertando flores. Mas ninguém foi enterrado nesse local.

 

A imagem de Raïay vigia a entrada de uma câmara mortuária inacabada. À medida que o povo deixou de lado as obsessões de Akhenaton, essa tumba provavelmente transformou-se numa ameaça, apesar das alterações feitas. Ao sentir o perigo iminente, Raïay parece ter abandonado o complexo funerário. Inscrições revelam que o nome de sua mulher era Maïa. Seria Maïa a que foi a ama-de-leite do rei Tutankhamon? Se for, será que a influência dela ajudou Raïay a recuperar a confiança real? E será que ele foi, afinal, enterrado em uma tumba ao lado da mulher? As respostas podem estar escondidas no penhasco de Saqqara.

 

Disponível em < http://viajeaqui.abril.com.br/materias/egito-tumba >. Acesso em 02/11/2011.

 

 

Revista online com entrevista e artigos

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 20 - agosto - 2011 4 COMMENTS

Enviado por Rennan Lemos (Via Facebook):

 

Está disponível on-line a primeira edição da revista discente Plêthos, de História Antiga e Medieval. Nessa edição há dois artigos egiptológicos e uma entrevista com a arqueóloga Anna Stevens, do Amarna Project, sobre as escavações recentes que estão sendo realizadas na antiga cidade de Akhetaton.

 

 

Link para a revista online: www.historia.uff.br/revistaplethos

Entrevista com Anna Stevens (em português): http://www.historia.uff.br/revistaplethos/arquivos/numero1/annastevens%20portugues.pdf

 

Artigos:

Urbanismo e cidade no antigo Egito: algumas considerações teóricas: http://www.historia.uff.br/revistaplethos/arquivos/numero1/liliane.pdf

O senhor da ação ritual: um estudo da relação faraó-oferenda divina durante a reforma de Amarna (1353-1335 a.c): http://www.historia.uff.br/revistaplethos/arquivos/numero1/gisela.pdf

 

 

Revista especial sobre o Egito Antigo

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 26 - junho - 2011 4 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Está nas bancas deste mês (Junho) a Edição Especial Egito da Aventuras na História.

 

 

Edição Especial Egito. Aventuras na Historia. Junho de 2011.

 

 

A capa, mais uma vez, saiu da mesmice de sempre ser o Tutankhamon e  a revista está vindo com curiosidades pertinentes. O material está extremamente organizado, começando com uma seção para falar sobre a origem da civilização egípcia, com imagens explicativas e quadros de informações complementares. Depois o leitor é levado ao cotidiano, guerras e religião (onde trouxeram a hierarquia de nascimentos dos deuses). Alguns dos textos foram escritos pela jornalista Cláudia de Castro Lima, que escreveu a matéria “A última faraó” na edição de Abril de 2011 da revista Aventuras na História.

 

 

Edição Especial Egito da Revista Aventuras na História. Junho de 2011. Foto: Márcia Jamille Costa. 2011

 

 

Duas das páginas nesta edição são as mesmas da revista Super Interessante especial “Arqueologia” de Agosto de 2008, sendo que foi mudado o designer e algumas informações estão atualizadas, exceto a do quadro que fala da descoberta da KV-63: eles repetiram o erro onde escrevem que a KV-63 foi descoberta em 2005 com seis sarcófagos dentro, na verdade a informação correta é 2006 com sete sarcófagos. Em uma página para o faraó Tutankhamon também existe um errinho, ele não é o ultimo faraó da XVIII Dinastia, quem fecha é o Ay, seu sucessor.     

 

 

Capa da Edição Especial Egito da Aventuras na História (2011) e Super Interessante Especial Arqueologia (2008). Foto: Márcia Jamille Costa. 2011.

 

 

Mesmas páginas, mas isto em nada diminui a qualidade da revista. Edição Especial Egito da Revista Aventuras na História. Junho de 2011. Foto: Márcia Jamille Costa. 2011

 

 

De uma forma geral a edição é muito boa e bem organizada não só graficamente como em termos de conteúdo. Fiquei bem satisfeita com a compra.

 

Ficha técnica:

 

Revista: Aventuras na História: Especial Egito

Autor:  Vários

Ano de publicação (Brasil): 2011

Distribuição: Editora Abril

Tema: Arqueologia, Antigo Egito, Egiptologia.

Rei Tut: segredos de família (Nat Geo)

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 28 - maio - 2011 8 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Ano passado (2010) saiu uma matéria na National Geographic Brasil sobre o exame de DNA de 11 múmias para poder ser encontrada a família do faraó Tutankhamon. O resultado foi divulgado previamente no jornal cientifico JAMA e só depois espalhado pelo o mundo (inclusive com um documentário dividido em duas partes da Discovery Channel).  

Muitas pessoas já enviaram mensagens perguntando sobre este exame, e para não ficar me repetindo estou colocando aqui os links do site da National Geographic Brasil falando sobre o assunto:

 

Rei Tut: segredos de família

Rei Tut: segredos de família (fotos)

Nobres relações: a genealogia do faraó Tutankhamon

Tutankhamon na Leituras da História

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 15 - maio - 2011 14 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille


Agora, na edição de maio da revista Leituras da História (da Editora Escala), está disponível nas bancas brasileiras a matéria com o faraó Tutankhamon na capa. O preço é R$8,90. Na edição, além da matéria ligada a Arqueologia Egípcia, encontramos também um texto para discussão em sala de aula sobre a Revolta da Chibata, e uma matéria que gostei [1] sobre as cápsulas do tempo (a autora, Morgana Gomes, cita até a Arqueologia). Alguns dos textos vêm com uma lista de bibliografia, muito interessante.


Tutankhamon na revista Leituras da História. Maio de 2011


Fiquei bastante animada em ver novamente uma matéria de capa com o Tutankhamon, mas logo de cara ela traz um erro em seu subtítulo quando lemos “Leituras da História apresenta os mistérios que restam aos arqueólogos – e à Ciência – desvendar”, a Arqueologia é tratada como ciência, então não faz muito sentido desvincular.

A proposta da matéria é apontar cinco mistérios acerca da vida e da morte de Tutankhamon, no “Mistério um” não entendi a relevância de mencionar um dos muitos achados de estátuas do faraó Amenhotep III no momento de se falar quem seria o pai do Tutankhamon, ao ler esta parte só se passou por minha cabeça a pergunta “Sim… E daí?”. Então, falar sobre esta descoberta em Kom Al Hitan, na minha opinião, foi muito desnecessária. No “Mistério dois” não vi problemas, pelo o contrário, trouxe até uma adição com um comentário sobre uma das novas propostas de quem seria a mãe do faraó.


Tutankhamon na revista Leituras da História. Maio de 2011. Captura: Márcia Jamille N. Costa. 15 de maio de 2011.


No “Mistério cinco” é necessário um esclarecimento sobre a ausência de ossos em um dos pés do faraó. Isto teria sido causado por uma osteonecrose, que se mostrou nos anos finais da vida do Tutankhamon, em suma, não é que ele tenha tido dificuldade de se locomover a vida inteira, mas somente no final dela.

Os erros mais bizarros da matéria estão nas imagens disponibilizadas. Na página 42 eu sinceramente não sei dizer se a foto com a legenda apontando para o Akhenaton é ele mesmo, mas na imagem com a legenda do Smenkhare, em verdade, é o Akhenaton, por acaso é uma das estátuas mais famosas dele, este foi um erro totalmente desnecessário. Na página 43, na imagem de um dos fetos encontrados na tumba do Tutankhamon ambas as legendas estão erradas, os fetos foram encontrados em sarcófagos próprios na Câmara do Tesouro, que fica um cômodo ao lado da Câmara do Sarcófago, onde está o corpo do rei, e ambos os bebês estão em Kasr El Ainy, a Faculdade de Medicina do Cairo, e não no Museu Egípcio de Berlim. Na imagem da página 44 vocês poderão observar a foto de uma múmia com a legenda “A valiosa múmia de Tutankhamon (…)”, mas na imagem está a imagem da “Jovem Dama” (YL) da KV-35, mulher que de acordo com o DNA, cujo resultado foi liberado em 2010, é a mãe de Tutankhamon. No detalhe da mesma imagem a redação aponta para o que na legenda diz ser a fratura do osso esquerdo do faraó, mas o que vemos é a foto de parte da luva de coroação de Tutankhamon.


Tutankhamon na revista Leituras da História. Maio de 2011. Captura: Márcia Jamille N. Costa. 15 de maio de 2011.


Na página 45 tem um quadro falando sobre a Maldição de Tutankhamon, nele diz que na parede da tumba existe uma inscrição amaldiçoando quem perturbar o local. Na verdade não existe nenhuma inscrição do gênero lá.

Não faço a menor ideia se este texto recebeu a correção de um arqueólogo especializado em egiptologia ou um egiptólogo (creio que não, já que não há menção), mas devo falar que infelizmente esta matéria não se tornou lá a minha favorita.

[1] Não li toda a revista ainda.

Cleópatra em Aventuras na História

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 06 - abril - 2011 2 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Está disponível neste mês (Abril de 2011) na revista Aventuras na História da Editora Abril uma matéria sobre a rainha Cleópatra.

 

 

Capa da revista de Abril de 2011 da revista Aventuras na História.

 

Escrito por Cláudia de Castro Lima, o texto possui comentários de vários egiptólogos, inclusive os brasileiros Maurício Schneider e Júlio Gralha (este último já mencionado aqui no site). Esta primeira parte não traz nenhuma novidade sobre as últimas pesquisas realizadas em sítios egípcios, mas obviamente é atraente para os amantes da história da rainha ou para quem ainda não a conhece, e é neste ponto onde o material torna-se bem útil já que em poucas páginas a autora explana muito bem alguns dos acontecimentos da vida desta figura do final do período faraónico.

 

 

Páginas da revista Aventuras na História. Matéria sobre a rainha Cleópatra. Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

A segunda parte da matéria é escrita por Maria Thereza David João (cuja dissertação está disponível aqui no Arqueologia Egípcia). Ela escreveu um texto muito moderno no que diz respeito ao estudo da figura feminina no Egito, tal vertente de pesquisa que hoje está sendo abordado com mais atenção pelos egiptólogos.
Sobre os desenhos foi usada a mesma formula da edição de agosto de 2008 que trouxe o faraó Tutankhamon na capa, inclusive as ilustrações da matéria pertencem a Sattu (ver mais aqui).

 

 

Revistas Aventuras na História. Capa com Tutankhamon (Agosto de 2008) e Cleópatra (Abril de 2011). Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

É uma matéria ótima, principalmente porque trouxe pontos e opniões de pesquisadores diferentes. Observem a bibliografia recomendada, o primeiro livro, devido as expectativas, provavelmente será bem recebido pelo o público brasileiro.

 

Ficha técnica:

Título: A última faraó

Revista: Aventuras na História

Autor:  Cláudia de Castro Lima e Maria Thereza David João

Ano de publicação (Brasil): 2011

Distribuição: Editora Abril

Tema: Egiptologia, Antigo Egito, Cleópatra VII

Egiptomania na Revista HBN

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 24 - fevereiro - 2011 ADD COMMENTS

Saiu no número de fevereiro da Revista de História da Biblioteca Nacional uma matéria do prof. Julio Gralha sobre a egiptomania.

Como fiquei sabendo muito tarde não pude fazer um texto com comentários, mas felizmente a revista deixou disponível no site o material para que possa ser feita uma leitura. Clique aqui e confira este e outros textos ou leia a matéria abaixo:

 

 

 

Egiptomania: O fascínio pelo Egito Antigo é algo inexplicável, diz professor de História antiga

Por Julio Gralha

 

Ir ao Egito era um sonho distante para qualquer pesquisador brasileiro solitário na década de 1970. Era uma época em que não se pensava em Internet, o luxo dos documentários via TV a cabo era inimaginável e a Egiptologia chegava até nós por intermédio de algumas livrarias, pequenos eventos e conversas. O Museu Nacional era um dos poucos lugares de “salvação”.

O fascínio pelo Egito Antigo é algo meio inexplicável, independente do mistério que o cinema e a literatura fantástica têm criado. O que acontece é que somos tocados na alma por alguma coisa. É um momento mágico quando verbalizamos nossa decisão: “É isso que vou estudar!” Em 1976, aos 15 anos, iniciei essa jornada.

Pesquisei muito, li tudo e fiz todos os cursos que podia sobre o tema. Meu fascínio não era a grandeza das pirâmides, mas as práticas religiosas; não era a riqueza dos faraós, mas a vida naquela época e a sua magia. Em 1995, quase vinte anos depois, fiz minha primeira viagem ao Egito.

Olhar as construções milenares no horizonte foi fascinante, e lembro bem que, quando estava diante da Grande Pirâmide, me senti engolido por sua “monumentalidade”. Os livros e documentários não têm como transmitir tamanha magnitude: é preciso estar lá. Dentro da pirâmide, muitas coisas me vieram à mente. Eu a conhecia, sabia onde estava tudo, podia explicar e falar das teorias sobre o monumento e suas câmaras. Mas os livros não fazem com que você sinta o toque na pedra, o frescor do ar, a dificuldade de se locomover, a sensação de grandeza, a atmosfera de paz e de aventura – é inevitável sentir-se um Indiana Jones.

Esta sensação se repetiu em várias partes do Egito. O complexo templário de Karnak – seguindo para Luxor, ao sul – é de deixar qualquer um desconcertado. Não só pela altura das colunas, mas pela dimensão e complexidade da área construída, a quantidade de capelas, templos e obeliscos. É fascinante sentir o clima e a atmosfera locais, que também não podem ser totalmente apreendidos nas fontes tradicionais de estudo.

Visitei sozinho a tumba do faraó Mer-em-Ptah, meu objeto de estudo na época. Ele era filho de Ramsés II e ficou conhecido pela “Estela de Israel”, inscrição na qual cita a conquista dos israelitas.  Enquanto descia, via as paredes com figuras e inscrições. É incrível poder ler parte delas e reconhecer divindades e cenas familiares. Estar só, descer dezenas de metros à meia-luz e chegar à câmara do sarcófago foi muito emocionante. Sentei em uma pedra diante do sarcófago e ali fiquei por quase uma hora.

Tentei, na medida do possível, levar estas sensações para os meus estudos e para as minhas aulas. Hoje em dia, em um projeto que estuda Egiptomania – o uso de elementos egípcios em outros contextos, desde a Antiguidade até a modernidade – e Egiptosofia – o uso das práticas religiosas egípcias pela modernidade –, tentamos compreender o fascínio que esta civilização desperta em nossas mentes. Será o mistério das lendas? Esse mistério é gerado pela mídia, pelo cinema, pela literatura ou pela grandeza dos monumentos? Será que existe algo que não conseguimos apreender? Talvez eu ainda esteja querendo encontrar uma resposta para o meu encanto pelo Antigo Egito.

Julio Gralha é professor de História Antiga e Medieval da Universidade Federal Fluminense (UFF-PUCG Campos) e autor de Deuses, faraós e o poder: legitimidade e imagem do Deus dinástico e do monarca no Antigo Egito (1550-1070 a.C.) (Barroso Produções, 2002).

 

História Viva especial Arqueologia

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 20 - janeiro - 2011 ADD COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Está disponível nas bancas neste mês a revista História Viva especial Arqueologia. Olhei o material de uma forma geral, não me preocupei em observar os textos que não dizem respeito à Arqueologia Egípcia, então assim elaborei meus comentários. De antemão deixo claro que a edição foi dividida em partes de acordo com a geografia: a primeira é dedicada a Arqueologia Européia, e segunda a Arqueologia Americana, e a terceira a Arqueologia Africana e Asiática.

 

Capa da revista História Viva especial Arqueologia. A capa anima... Já o conteúdo nem tanto.

 

Logo de cara não gostei das primeiras palavras que li no momento da apresentação da revista (no texto Os Indiana Jones pós-modernos), não foi interessante encarar aqueles que escavam por conta própria como algo normal, principalmente por que não só aqui no Brasil, mas em outras partes do mundo (a exemplo do próprio Egito) é crime fazer escavações em sítios sem permissão. O trabalho de arqueologia vai muito além de amor e curiosidade, é uma ação que requer responsabilidade e qualificação.

Em Mapas do tesouro foi feito algo bem bacana: colocaram um mapa e pontos mostrando as descobertas mais recentes da Arqueologia com um quadro de informações e o número da página em que se encontra a matéria.

O texto A tumba de Cleópatra, de Claudine Le Tourneur d’lson, fala sobre as pesquisas da arqueóloga dominicana Kathleen Martinez no sítio onde está situado o templo Taposiris Magna. Infelizmente, para um texto que deveria ser só informativo, tratou o SCA e Zahi Hawass como se fossem figuras presunçosas (embora, no caso do último tenha sido mesmo, ao alertar a imprensa sobre a suposta presença do túmulo de Cleópatra na região – erro levemente semelhante ao provocado em 2003 pela pesquisadora Joann Fletcher no caso do documentário “Nefertiti Revelada”, produzido e distribuído pela Discovery Channel). A chamada para o texto de cara não me agradou nenhum pouco, nele estão os dizeres “Os pesquisadores têm certeza de que estão prestes a encontrar a sepultura da rainha egípcia e de seu ilustre amante. Seria a descoberta mais importante desde a do túmulo de Tutancâmon” e no meio do texto a autora menciona que seria “uma descoberta mais fabulosa do que a de Tutancâmon” de acordo com o Zahi Hawass -. Independente de quem tenha sido a opinião, é muito triste que alguém publique isto, não é saudável aplicar valores a descoberta “x” ou “y” como se a arqueologia fosse um jogo de caça ao tesouro. O assunto “Cleópatra” é um tema polêmico, e quando a egiptóloga Claudine põe em um dos pontos que a então princesa Cleópatra vivia a sombra do pai e era a sua filha favorita também não me agradou, não sabemos de detalhes precisos da vida da governante, o que chegou até nós são frutos de opiniões de segunda mão, por que encher os leitores com ilusões? Acho que seria mais interessante se ela deixasse obvio no texto que o que ela escreveu faz parte da lenda, e não o reflexo de uma realidade que nem sequer sabemos qual era. São aspectos assim que não me agradam em um texto. 

 

Páginas da revista História Viva especial Arqueologia. Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

Em Indiscrições da família real logo em sua chamada encontrei um problema, lá fala que os bebês de Tutankhamon eram gêmeos. Esta é uma teoria de uma segunda equipe a qual ainda não tenho confirmação se foi tomado como verdade. A matéria é composta por somente duas páginas com um breve resumo dos resultados do exame de DNA feito com amostras retiradas do faraó Tutankhamon e outras múmias desconhecidas. Muito curto? Sim. Impreciso? Não. Gostei, pois em poucas palavras mostrou as deduções atuais acerca da pesquisa feita com o corpo do faraó e sua família. Só uma correção, a XVIII Dinastia termina com Horemheb, sucessor de Ay, que por sua vez foi sucessor de Tutankhamon, não sei qual foi a intenção da revista ao fechar a dinastia com os bebês mortos do faraó.

 

Páginas da revista História Viva especial Arqueologia. Foto: Márcia Jamille N. Costa. 2011.

 

Em Funeral Egípcio, também muito curto, dava para colocar mais informações, decepcionou um pouquinho, mas apontaram a descoberta recente da cama para desidratação encontrada na KV-63, o que de certa forma me animou.

Estas três foram as únicas matérias sobre descobertas recentes feitas no Egito. Se eu precisasse dar uma nota para o conteúdo daria 7,5. Tentei, mas não consegui me agradar com o texto A tumba de Cleópatra. Se a revista tivesse trazido somente esta matéria eu confesso que seria decepcionante. Mas preciso fazer uma ressalva importante: História Viva especial Arqueologia trouxe para nós uma entrevista com o arqueólogo Jean-Paul Jacob, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas arqueológicas Preventivas da França. Isto ajudou, até certo ponto, a perdoar os erros iniciais.  

     

Ficha técnica:

 

Título: História Viva especial Arqueologia

Autor: Vários

Ano de publicação (Brasil): 2011

Distribuição: Duetto

Tema: Arqueologia, descobertas recentes, Arqueologia Mundial

 

Revista: Meridiani Egito

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 10 - janeiro - 2011 2 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Lançada em 2010, a Meridiane: Egito é provavelmente uma das melhores revistas sobre roteiros egípcios que já tive em mãos. Ela levanta um breve histórico e mostra aspectos curiosos de alguns dos sítios arqueológicos às margens do Nilo, assim como também questões modernas como, por exemplo, a interferência do lixo doméstico na vida e subsistência dos ribeirinhos que ali vivem.

 

Revista: Meridiani Egito

 

O que chama a atenção de primeira para a revista é o seu designer, ela é muito bem organizada, algo que é difícil de se ver quando falamos de um material cujas primeiras páginas trazem tantas informações como sugestões de filmes e livros para quem quiser se aprofundar no assunto, e sobre esta parte preciso fazer uma ressalva: eles sugeriram materiais que de fato são de uma ótima qualidade e não só ligado ao Egito faraônico como também ao moderno, dentre eles os filmes Um estranho em minha casa, como o celebre Omar Sharif e a Prece do Rouxinol, ambos clássicos da década de 50.

 

Página da revista Meridiani Egito. Ano de publicação (Brasil): 2010

 

As matérias são ótimas, uma delas é A grande mãe, de Enrico Martino, que fala sobre a moderna cidade do Cairo e sua população, a qual, em termos de divisão de classe social, são diferentes ao extremo, ou seja, ou você é bem de vida, ou luta para morar e sobreviver na capital, que é um aglomerado de sons caóticos. Outras duas matérias interessantes são sobre os bazares cairotas e a raqs sharqi – como inapropriadamente chamamos de dança do ventre – mas que infelizmente, principalmente no caso da segunda, poderia ter tido um pouco mais de discussão, coisa que com certeza daria para fazer em poucas páginas.

A sedução do café, também de Enrico Martino, é outro ótimo texto, ele nos faz enxergar como os ahwa (cafeteria) caminharam lado a lado com algumas das mudanças culturais egípcias. A Alex renasce de Fabrizio Ardito fala um pouco sobre a Arqueologia de Emergência – a nossa Arqueologia de Contrato – realizada na cidade de Alexandria onde os arqueólogos se defrontam dia a dia com o fato de que a antiga cultura está aos “trancos e barrancos” para caminhar ao lado do progresso da cidade. 4 obras para a eternidade de Renzo Bassi traz uma proposta interessante, lista quatro dos complexos de edifícios religiosos “monumentais” do Egito com a declaração de pessoas da época faraônica, a pena é que não deu informações de onde estão estes escritos. Outra “decepção” é com a matéria Segredos das Múmias de Jasmina Trifoni, o texto tem problemas com as colocações, até entendo a posição da Jasmina, mas muito arqueólogo vai lê-lo e torcer o nariz. Uma das colocações dela é “claro que tumbas e múmias estão entre as descobertas favoritas de arqueólogos que se dedicam a escavações no Egito”, afirmação que vai ofender muita gente, arqueólogos não são obsessivos pelo o mundo funerário. Outra colocação que será mal vista é quando ela fala “Diz-se que adorava transvestir-se de homem”, em um tópico sobre a rainha Hatshepsut. De fato a rainha se vestia de homem, mas e o contexto político? Ela não se transvestia por puro hobby. Nem todos conhecem a história da monarca. Outra da escritora é citar a Europa como “inventora das artes”, não preciso nem mencionar que é uma denominação extremamente equivocada. Sobre a KV-63 (citada no tópico Levaram a mulher do Rei), Jasmina fala que lá foi a sepultura de Ankhesenamon, lamento dizer, mas não foi (inclusive fiz um trabalho sobre o assunto em 2008), o local era um “depósito de embalsamador”.

 

Página da revista Meridiani Egito. Ano de publicação (Brasil): 2010

 

A matéria Cruzeiro faraônico de Manuel Villa a princípio me fez pensar que se tratava de uma orientação para turistas sobre as expedições no Nilo, mas em verdade conta um breve histórico do Eugênie, o primeiro cruzeiro a navegar no Nasser em 1993, e que está em funcionamento até hoje, além de explanar as paisagens do território da antiga Núbia, hoje o atual Sudão.

Nas páginas finais há um guia voltado para os interessados em fazer um tour pelo o Egito, com listas de endereços e telefones para aqueles que querem conhecer esta região da África. Para finalizar há um mapa dobrável em anexo com a revista, se ele é exato, eu não sei, mas que foi uma ótima idéia isto foi.

 

Ficha técnica:

 

Título: Meridiani – Egito

Autor: Vários

Tradução (Cord.): Maria Bresighello

Ano de publicação (Brasil): 2010

Distribuição: Nastari Editora

Tema: descrição de paisagens, turismo, história

Larousse: dos faraós até Roma

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 06 - janeiro - 2011 1 COMMENT

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

 

Capa de Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma

 

Foi anunciada aqui no site em 26/04/09 [1] a obra Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma. Hoje já soube que o material ainda pode ser encontrado em algumas bancas.

Ele foi escrito sob a direção de Catherine Sales da Universidade de Paris X-Nanterre com o apoio de Francisco Joannès (Universidade de Paris I-Sorbonne), Catherine Chadefaud (Liceu La Bruyére de Versailles), Jérôme Kerlouegan (Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais), Sophie Royer (jornalista), Éric taladoire (Universidade de Paris I-Sorbonne), María del Rosario Acosta Nieva (Universidade de Guadalajara) e Patrice Lecoq (Universidade de Paris I-Sorbonne).

 

Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma.

 

Catherine Chadefaud é a especialista em história antiga do Egito do grupo que tem em seu currículo o livro No tempo dos faraós (1986).  

Este é o primeiro volume da coleção e apresenta as realizações de algumas das civilizações do passado, sendo neste caso, como o título bem mostra, até os primórdios de Roma.

Didático na medida do possível ele ilustra e mostra quadros para melhor passar as informações. No entanto, minha maior queixa contra a revista são os momentos em que são feitas descrições de alguns artefatos, mas não são postas fotos destes, o que deixa o leitor várias vezes só imaginando o que o autor está a falar. Fora isto é bem apresentado, e o mais importante de tudo, feito por gente da área.     

 

Ficha técnica:

Título: Egito: Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma

Autor: Catherine Sales

Tradução: Antonio Geraldo da Silva e Ciro Mioranza

Ano de publicação (Brasil): 2008

Distribuição: Larousse do Brasil

Tema: Literatura infanto-juvenil; Antiguidade Egípcia em termos gerais.

[1] Não está mais arquivado.

Boletim informativo de Egiptologia

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 20 - dezembro - 2010 3 COMMENTS

O Boletim Informativo dos Amigos da Egiptologia (BIAE) é uma publicação eletrônica e gratuita de caráter científico. Sua periodicidade é trimestral e tem como objetivo a difusão em castelhano do conhecimento do antigo Egito, assim como a divulgação de notícias de relevância, novidades editoriais ou como estão as pesquisas (Texto retirado da página da BIAE).

Boletim Informativo de Arqueologia. Nº 70

Caso queira baixar o arquivo clique aqui (documento em PDF).

Para Baixar os demais volumes: http://www.egiptologia.com/boletin-informativo-biae.html

Egito: deuses, pirâmides, faraós

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 17 - junho - 2010 5 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa

 

 

A arqueologia egípcia é um dos temas mais populares nas bancas quando o assunto é história antiga, por este motivo não é incomum encontrar publicações que passam meses ou até anos no mercado aparecendo em temporadas. Este é o caso da revista “Egito: deuses, pirâmides, faraós” da Larousse do Brasil que foi impressa em 2007 tendo sua primeira publicação sido escrita em 2003 na França com o título Larousse Junior de L’Egypte, título que tem mais cabimento, afinal, visualmente o conteúdo da revista demonstra que o público alvo é crianças. O texto é limpo e bem didático, além de ter várias figuras cômicas sobre alguns dos aspectos do antigo Egito.  

 

Imagem do material.

 

É um ótimo material para a criançada e para alguns adultos que ainda estão conhecendo a antiguidade egípcia. Acabou se destacando dentre os materiais desta semana por se tratar de uma revista bastante divertidíssima. Há até uma parte bem legal sobre curiosidades denominada de “Alguns números interessantes” que faz uma rápida listagem das coisas mais intrigantes da antiguidade egípcia.

 

Imagem do material.

 

Ficha técnica:

Título: Egito: deuses, pirâmides, faraós

Distribuição: Larousse do Brasil

Tradução: Tommaso Besozzi

Tema: Literatura infanto-juvenil; Antiguidade Egípcia em termos gerais.

Os primórdios da Arqueologia Histórica

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 15 - junho - 2010 ADD COMMENTS

Está nas bancas o nº 30 (do ano de 2010) da revista Leituras da História com uma entrevista com o professor Pedro Paulo Funari sobre a Arqueologia Histórica, sua origem, acessão no meio acadêmico e perspectiva de estudo no Brasil. Há também uma matéria sobre os Navegadores Antigos (dividido em partes, cuja próxima será lançada na edição 31) com tópicos sobre a exploração do Nilo por marinheiros do imperador romano Nero.

Ainda nas bancas: Hieróglifos Modernos

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 11 - junho - 2010 ADD COMMENTS

Está nas bancas o nº 29 (do ano de 2010) da revista Leituras da História que trás a última parte do artigo da egiptóloga Profa. Dra. Margaret Bakos (uma das colaboradoras do Arqueologia Egípcia) que fala sobre a origem mitológica dos hieróglifos, a fusão do deus Thot com o deus grego Hermes originando a figura de Hermes Trimegisto além de como o Egito e os seus símbolos estão presentes na cultura brasileira atual.