Sítios arqueológicos e a arte dos turistas sem noção

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Semana passada algumas fotos turísticas foram publicadas pelo o usuário do Facebook د. محمد قاسم em um grupo de discussões sobre o antigo Egito. A problemática de tais fotografias é que nelas são mostradas pessoas aproveitando a sua visita ao país para fazer poses que consideraram “legais” com artefatos arqueológicos, tocando-os (ignorando as faixas de contenção) e até mesmo subindo neles.

No referido grupo a atitude dessas pessoas foi criticada porque elas não estariam respeitando o teor sagrado de tais peças. Eu acho essa uma justificativa lúdica, mas não dou razão de forma alguma para essas turistas e muito menos tiro a responsabilidade do governo egípcio em vários aspectos como de segurança nas áreas históricas para evitar atos de vandalismo e a ausência de projetos de “educação patrimonial” efetivos. — Clique aqui e leia mais sobre Sítios arqueológicos em perigo.

As mensagens passadas pela a organização turística no Egito são dúbias, por exemplo, em Gizé é permitido aos visitantes subirem alguns degraus da Grande Pirâmide (mas são proibidos subir todo o edifício por motivos de segurança). Em uma pequena escala não existe risco para a estrutura, mas como explicar aos visitantes mais desavisados que não podem fazer a mesma coisa em outros lugares?

Muitos turistas só querem conhecer uma cultura nova, realizar o sonho de conhecer o Egito, mas é inegável que existem aqueles com a “síndrome do aventureiro”, inspirados por filmes como Indiana Jones e Tomb Raider. Por outro lado também temos as relações de poder que vem de meados do século XVIII e foram se desenvolvendo, como podemos observar várias e várias vezes nos registros fotográficos históricos e até mesmo em ilustrações, onde temos o turista ou o explorador mostrando sua superioridade ou simplesmente sua insensibilidade apoiando os pés sobre um artefato arqueológico.

Rememoremos o caso da estátua centenária do filólogo francês Jean-François Champollion (1790 — 1832), que está em exibição no Collège de France, em Paris. Embora esteja no local desde 1878, a imagem causou em 2013 grande comoção entre alguns egípcios e em especial no Ministério de Antiguidades porque o pesquisador foi retratado pisando na cabeça de uma imagem faraônica. Esta representação foi vista como um ataque à dignidade e a reputação do patrimônio cultural e arqueológico do Egito [1].

Fonte: commons.wikimedia.org

Fonte: French Post-Colonial Arrogance prompts Cultural Row with Egypt

Queixar-se sobre esse tipo de representação não é exagero; essa atitude de pisar ou subir em artefatos arqueológicos foi por muitos anos utilizada como um discurso que vendia a imagem de um poder cultural e/ou econômico de uma classe diletante que se considerava superior em relação ao Egito, além de uma falsa ideia de posse. Esse último creio que é o caso dessas turistas

Update 22 de agosto de 2015 – Mensagem enviada por Juliana Paraizo, via Facebook:

Estive no Egito em julho e é exatamente isso o que acontece, infelizmente os próprios funcionários que trabalham nos templos, sarcófagos e pirâmides autorizam e ate incentivam esse tipo de atitude em troca de dinheiro, os poucos policiais que ali trabalham tentam conter esse assedio por parte dos funcionários, porem o numero de policiais e pequeno. O problema e que esse tipo de turista não tem a real noção da importância desses monumentos.


‘Derogatory’ Champollion statue in Paris angers Egyptians. Acesso em 18 de agosto de 2015. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/65660/Heritage/Ancient-Egypt/De%20rogatory-Champollion-statue-in-Paris-angers-Egyp.aspx>.

Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias comentei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook que esta semana foi realizada uma denuncia sobre a possibilidade de terem posto cola epóxi (um tipo de super cola) na máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que o Ministério de Antiguidades negou estar ciente, mas que segundo as fontes da denuncia eles já sabiam há meses.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Máscara mortuária de Tutankhamon antes da intervenção de 2014. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015.

De acordo com os denunciantes, restauradores que preferem permanecer anônimos, durante a manutenção do expositor da peça a barba da máscara mortuária soltou e foi colada de volta em seu lugar com um material inadequado, uma super cola. Ainda nas palavras deles a ordem de intervenção na peça partiu de superiores.

Caso esses eventos sejam reais o incidente é trágico por tais motivos:

O uso de um material inadequado para o restauro, a cola epóxi, já que uma das regras mais básicas do restauro é que sejam utilizados materiais de fácil remoção e que não comprometa a integridade da peça. O que não é o caso da epóxi.

As pessoas que manipularam o artefato para por a barba no lugar, de acordo com as denuncias tentaram suavizar a aparência da cola lixando a área e assim teriam arranhado o queixo da imagem.

A ignorância em acreditar que a peça estava quebrada ao ponto de colar o objeto no lugar, visto que a barba é um item que já foi removido na década de 1920, como aponta os registros fotográficos. Porém, caso esse fato já fosse conhecido no momento da intervenção, então a ordem partiu da má fé.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em Acesso em 26 de setembro de 2011.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Visita do rei Farouk I ao Museu Egípcio do Cairo em 1949. Nesta época a barba ainda era exposta separada. Disponível em < https://www.flickr.com/photos/kelisli/8511041153/in/photostream/ >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Barba e colar de Tutankhamon separados da máscara mortuária. Arquivo Griffith Institute. Disponível em < http://www.griffith.ox.ac.uk/php/am-makepage1.php?&db=burton&view=gall&burt&card&desc=mask&strt=1&what=Search&cpos=15&s1=imagename&s2=cardnumber&s3&dno=25 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

A ausência de sensibilidade daqueles que deram a ordem para colar a peça. Isso pode ser um reflexo de um dos grandes problemas do turismo arqueológico, que é quando o artefato deixa de ser um registro para a ciência e passa a ser um bem de consumo. Quantas vezes vocês já não ouviram ou leram semelhante frase “A tumba de Tutankhamon é tão pequena e sem graça que não valeu o dinheiro que paguei”?

Com a polêmica, no sábado, 24 de janeiro de 2015, ocorreu no Museu Egípcio do Cairo uma conferência para a imprensa onde foi apresentada a questão da intervenção com a super cola na máscara mortuária. O conservador alemão, Christian Eckmann, especialista em conservação de materiais arqueológicos feitos de vidro e metal, analisou na manhã daquele mesmo sábado a máscara para saber que tipo de aderente de fato foi utilizado e garantiu durante a reunião que mesmo sem saber especificamente qual o tipo da super cola o material utilizado neste caso está de acordo com as normas internacionais de restauro, ou seja, seu uso é reversível, porém ainda não é possível relatar se o objeto sofreu algum dano, a exemplo dos arranhões; no caso deles será realizada uma investigação para saber se são antigos ou se foram feitos no momento em que colocaram a cola.

Eckmann ainda esclareceu que a cola anterior, que foi colocada no objeto em 1941 (caso a visita do rei Farouk I tenha sido mesmo em 1949 então existe um equivoco nessa afirmação) para fixar barba, pode ter simplesmente se deteriorado e que por isso o item teria caído.

Durante o evento o Ministério das Antiguidades e os coordenadores do Museu Egípcio do Cairo pediram desculpas pelo o ocorrido e ao final os representantes de ambos pediram ponderação à imprensa ao relatar o acontecimento e que as pessoas parem com as especulações agressivas.

Entretanto, essa questão parece ir mais além. Jackie Rodriguez, uma turista que visitou o Museu Egípcio em 12 de agosto de 2014, forneceu para a agência de notícias AP uma fotografia de dois homens que estão a executar os trabalhos de reparo no artefato, enquanto a galeria estava aberta. “Todo o trabalho parecia palhaçada”, disse ela que complementou “Foi desconcertante porque o procedimento ocorreu em frente a uma grande multidão e, aparentemente, sem as ferramentas adequadas”.

Registro fotográfico realizado pela turista Jacqueline Rodriguez em 2014. Foto: AP.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, também realizou denuncias: através do seu Twitter comentou que cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 eles foram demitidos.

Horas após a reunião entrei em contato com a Hanna para saber se os ativistas egípcios do Egypt’s Heritage Task ainda têm planos de denunciar o Museu Egípcio para o Ministério Público e ela respondeu que sim, eles irão seguir em frente com a denúncia.

Composta por incrustações de vidro e pedras semipreciosas, a máscara mortuária de Tutankhamon é um objeto feito em ouro maciço martelado e somente a barba pesa cerca de 2 quilos. Ela foi vista pela primeira vez por olhos modernos em 1926 — quatro anos após a descoberta da KV-62 —, protegendo a cabeça e os ombros do faraó Tutankhamon.

Fonte:

Máscara de Tutancâmon é danificada após restauração com material errado. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/mascara-de-tutancamon-danificada-apos-restauracao-com-material-errado-15118812?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O+Globo >. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
Botched repair of Tut mask ‘reversible’: German conservator. Disponível em < http://www.france24.com/en/20150124-botched-repair-tut-mask-reversible-german-conservator/?aef_campaign_date=2015-01-24&aef_campaign_ref=partage_aef&ns_campaign=reseaux_sociaux&ns_linkname=editorial&ns_mchannel=social&ns_source=twitter >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.
Archaeologists Want Egyptian Officials Charged for Damage to Tutankhamen’s Burial Mask. Disponível em < http://www.nytimes.com/2015/01/24/world/middleeast/archaeologists-want-egyptian-officials-charged-for-damage-to-tutankhamens-burial-mask.html?smid=tw-NYTOpenSource&seid=auto&_r=0 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Exposição “Segredos do Egito” está agora em Brasília

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

 

No dia 21 de outubro de 2013 anunciei aqui a chegada da exposição “Segredos do Egito” em São Paulo. Agora, seguindo o cronograma deles, a mostra está no Park Shopping em Brasília do dia 13 de janeiro até 9 de fevereiro de 2014.

Segredos do Egito no Park Shopping em Brasília. 2014.

As próximas cidades agraciadas serão:

◘ BH Shopping

Belo Horizonte – MG/ 19 de fevereiro de 2014 e 16 de março de 2014

◘ Morumbi Shopping

São Paulo – SP/ 25 de março de 2014 e 20 de abril de 2014

◘ Ribeirão Shopping

Ribeirão Preto – SP/ 29 de abril de 2014 e 25 de maio de 2014

◘ Barra Shopping Sul

Porto Alegre – RS/ 17 de julho de 2014 e 17 de agosto de 2014

Para retirar quaisquer dúvidas, por favor, acesse http://www.segredosdoegito.com.br/, uma vez que o site Arqueologia Egípcia não possui nenhum vínculo com a organização.

Saiu o caderno de resumos da 1ª Semana de Egiptologia do Museu Nacional (RJ)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A SEMNA – Semana de Egiptologia do Museu Nacional é um evento promovido pelo Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu Nacional (RJ). No início do mês fiz a divulgação acerca: [Evento] Semana de Egiptologia do Museu Nacional (Rio de Janeiro).

Semana de Egiptologia do Museu Nacional. 2013.

Semana de Egiptologia do Museu Nacional. 2013.

O evento ocorrerá entre os dias 2 e 5 de Dezembro de 2013, no auditório da biblioteca do Museu Nacional no Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista.

Abaixo está o link para o caderno de resumos com detalhes do que serão apresentados:
http://semna2013.files.wordpress.com/2013/11/caderno-de-resumos-semna.pdf

Informações adicionais:

Site: http://semna2013.wordpress.com/
Contato: semna2013@gmail.com

[Evento] Semana de Egiptologia do Museu Nacional (Rio de Janeiro)

Estão abertas as inscrições para a I Semana de Egiptologia do Museu Nacional, que ocorrerá entre os dias 2 e 5 de Dezembro de 2013.

Sobre o evento:

A SEMNA – Semana de Egiptologia do Museu Nacional é uma atividade promovida pelo Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu Nacional.

Semana de Egiptologia do Museu Nacional. 2013.

Semana de Egiptologia do Museu Nacional. 2013.

Semna era a designação, na Antiguidade, da fortaleza construída pelo faraó Senusret I, que governou entre c. 1965-1920 a. C., na Núbia. Tal como uma fortificação, nosso evento busca lançar bases sólidas na integração e divulgação da Egiptologia no Brasil.

O objetivo do evento é reunir pesquisadores da área de Egiptologia oriundos de diversas áreas em um ambiente propício ao debate e à cooperação acadêmica. Além disso, a SEMNA tem como objetivo divulgar o conhecimento sobre o Egito Antigo à comunidade não acadêmica. Dessa forma, é possível promover o desenvolvimento da Egiptologia no Brasil também para além dos muros da universidade, aproximado o grande público dos pesquisadores [texto divulgação].

Local: auditório da biblioteca do Museu Nacional no Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista.

Mais informações: http://semna2013.wordpress.com/

Contato: semna2013@gmail.com

Exposição: Segredos do Egito (SP)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram | Notícia enviada por Adriane Natacci, via Facebook.

Estreou no dia 17/10, na cidade de São Paulo, a exposição “Segredos do Egito”. A mostra conta com mais de 100 peças originais e réplicas de artefatos espalhados em museus pelo mundo e que retratam vários aspectos da vida, e da morte, no Antigo Egito.

Exposição: Segredos do Egito (SP)

Exposição: Segredos do Egito (SP)

 

Detalhes da exposição:

Período: 17 de outubro a 03 de novembro

Local: Shopping Anália Franco; Praça de eventos.

Horário: das 10h às 22h

Visitação gratuita

 

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Exposição: Segredos do Egito (SP). Foto: Multiplan. 2013.

Em outras cidades:

◘ Park Shopping

Brasília – DF/ 13 de janeiro de 2014 e 9 de fevereiro de 2014

◘ BH Shopping

Belo Horizonte – MG/ 19 de fevereiro de 2014 e 16 de março de 2014

◘ Morumbi Shopping

São Paulo – SP/ 25 de março de 2014 e 20 de abril de 2014

◘ Ribeirão Shopping

Ribeirão Preto – SP/ 29 de abril de 2014 e 25 de maio de 2014

◘ Barra Shopping Sul

Porto Alegre – RS/ 17 de julho de 2014 e 17 de agosto de 2014

 

Site da exposição: http://www.segredosdoegito.com.br/

 

Imagem das costas do busto de Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Nefertiti é uma das figuras mais icônicas para os (as) fãs do Antigo Egito e é tomada por muitos (as) como um exemplo da beleza egípcia antiga graças ao seu busto encontrado em 06 de dezembro de 1912 no ateliê do artista Tutmés, em Aketaton (atual Amarna).

 

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em . Acesso em 02 de Outubro de 2012.

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em <http://www.google.com/hostednews/afp/article/ ALeqM5hdhUI4kP9k3k4OlCPPxsxKIKID_Q>. Acesso em 02 de Outubro de 2012.

 

Já apresentei no post “(Imagem) Busto de Nefertiti” a imagem deste artefato propriamente dito e em “Alguns detalhes do busto da rainha Nefertiti” comento acerca de determinados pontos interessantes a serem observados neste objeto.

Porém, a curiosidade que trago hoje é acerca das costas do item, uma das partes deste artefato que raramente, ao menos para quem nunca viu esta peça pessoalmente, é possível dar uma olhada:

Costas do busto da rainha Nefertiti. Foto de Teresa Soria Trastoy.

Costas do busto da rainha Nefertiti. Foto de Teresa Soria Trastoy.

O busto de Nefertiti pode ser visitado atualmente no Neues Museum de Berlim.

 

FAQ: As perguntas frequentes realizadas pelos leitores do A.E.

Criei este FAQ inspirada em algumas das questões que já recebi de algumas (ns) leitoras (es) do A.E.. Caso seja necessário farei up-dates.
As respostas que coloquei aqui são superficiais. Não procurei destacar as visões e contribuições de escolas teóricas porque o intuito desta lista é sanar dúvidas iniciais acerca da Arqueologia, especialmente para aquelas (es) que não possuem muita noção da disciplina.

  1. O que é Arqueologia?

Ela encontra-se na enseada das Ciências Humanas. A definição varia de acordo com a escola teórica ou a política de gestão do artefato. A que eu sigo a define como o estudo do passado humano através da sua Cultura Material e Imaterial. A ideia de “passado” também varia com a escola, para alguns é válido somente aquele de cem (100) anos atrás, mas na minha definição, como de muitos outros colegas, o “passado” se constrói a cada segundo, assim, deste ponto de vista, não é feita uma distinção onde “o mais antigo é o mais importante”, mas que devemos tratar todos os artefatos com respeito e dedicação.

Limpeza de urnas funerárias egípcias. Imagem disponível em . Acesso em 21 de setembro de 2013.

Limpeza de urnas funerárias egípcias. Imagem disponível em < http://minufiyeh.tumblr.com/post/30410299584/a-good-days-work >. Acesso em 21 de setembro de 2013.

Uma das coisas que o interessado na Arqueologia precisa manter clara é que esta ciência estuda as relações humanas, ou seja, tudo o que tem a ver/esteve em contato com o ser humano entra no campo de estudo da Arqueologia.

  1. O que são artefatos?

Eles são os produtos das mãos e mente humanas e as principais evidências utilizadas para as análises (as quais se espera que sejam sistemáticas). Não é totalmente aceito, mas algumas escolas teóricas definem como artefatos ossos trabalhados (que foram pintados, raspados, etc), múmias e paisagens (fisicamente modificadas ou que atendem um propósito simbólico).

  1. O que são sítios arqueológicos?

São os lugares onde estão os artefatos, mas embora pareça simples defini-los, o seu conceito, assim como a Arqueologia, depende da escola teórica e também da política de gestão de artefatos do país. A UNESCO só considera sítios arqueólogos os espaços que tenham se formado em um intervalo anterior a cem (100) anos, o que é um problema, uma vez que auxilia nas atividades de Caçadores de Tesouros. Um exemplo foi o que sofreu o Titanic que antes do naufrágio ser transformado em um sítio arqueológico recebia visitas de saqueadores. No próprio filme “Titanic”, de 1997, os homens que estão atrás do colar “Coração do Oceano” são saqueadores de sítios (existe inclusive um pequeno debate moral no filme do personagem do caçador Brock Lovett que se mostrava somente interessado na joia que procurava, mas nunca tinha parado para pensar na história das pessoas que tinham morrido no naufrágio).

Sítio arqueológico submerso em Alexandria (Egito). Imagem disponível em . Acesso em 21 de setembro de 2013.

Sítio arqueológico submerso em Alexandria (Egito). Imagem disponível em < https://www.facebook.com/photo. php?fbid=151769511413&set=a. 151764136413.141030.150542331413 &type=3&theater >. Acesso em 21 de setembro de 2013.

Sítio arqueologico na área de Quesna (Egito). Imagem disponível em . Acesso em 21 de setembro de 2013.

Sítio arqueologico na área de Quesna (Egito). Imagem disponível em < http://minufiyeh.tumblr.com/post/30264937911/walkabout-at-quesna >. Acesso em 21 de setembro de 2013.

O senso comum considera sítios arqueológicos espaços de amplas necrópoles como o platô de Gizé, mas isto é um erro comum. A presença de somente um artefato já define o local como um sítio arqueológico.

  1. Arqueólogos (as) escavam dinossauros?

Sinto muito, mas não escava dinossauros, este é o trabalho dos (as) Paleontólogos (as). Felizmente eu raramente escuto/leio esta pergunta, na verdade como estou estudando tudo voltado mais para o Antigo Egito a pergunta mais corriqueira é se “Ainda tem o que se descobrir?”, mas os meus colegas das demais Arqueologias são sempre questionados acerca dos dinossauros. Eu até que gosto de ossos de dinossauros, mas o máximo que cheguei perto foi em um museu. Definitivamente não faz parte da enseada da Arqueologia.

  1. Onde posso estudar Arqueologia?

Aqui no Arqueologia Egípcia disponibilizei uma lista de Universidades onde é possível cursar. Não coloquei um link direto para os Núcleos e Departamentos porque não é incomum que os endereços mudem: http://arqueologiaegipcia.com.br/category/onde-estudar/cursos-de-arqueologia%E3%80%8C-brasil-%E3%80%8D/

  1. Como faço para entrar nestas Universidades?

Depende. Na página de cada uma delas provavelmente existe uma explicação acerca do meio de ingresso e se elas são pagas.

  1. Qual a melhor Universidade para se estudar Arqueologia no Brasil?

Depende do que você planeja estudar. Naturalmente não conheço o nível de todas as Universidades e não sei dizer qual é a melhor porque é relativo. Acho a Universidade onde estudei maravilhosa, mas outros acreditam que ela é horrível, então é subjetivo.

  1. O que precisamos fazer para ser um (a) bom (boa) arqueólogo (a)?

Isto também é subjetivo. Particularmente acredito que para ser um (a) bom (a) arqueólogo (a) primeiramente tem que ter ética, já que na maioria das vezes somos as vozes de pessoas que já morreram. Em segundo tem que estudar muito porque a Arqueologia não é somente escavar, é todo um trabalho que envolve conhecimentos de bases legais, teóricas, metodológicas e técnicas. Por último tem que ter engajamento para aprender com os seus próprios erros e os erros dos outros.

Mohamed Abd el-Maguid em sua palestra acerca das escavações em Alexandria. Imagem disponível em . Acesso em 21 de setembro de 2013.

Mohamed Abd el-Maguid em sua palestra acerca das escavações em Alexandria. Imagem disponível em < http://deltasurvey.tumblr.com/post/46073975675/the-problems-of-archaeology-in-alexandria >. Acesso em 21 de setembro de 2013.

  1. Qual a diferença entre Egiptologia e Arqueologia?

Já expliquei isto neste texto: http://arqueologiaegipcia.com.br/2013/08/31/egiptologia/

  1. Preciso cursar uma Universidade para me especializar em Egiptologia?

Claro, caso contrário você será considerado um (a) amador (a). No Brasil não existe uma cadeira de Egiptologia, mas é possível se especializar na área apresentando uma conclusão de curso com um assunto da Egiptologia.

  1. E no Brasil existem sítios Arqueológicos?

Naturalmente qualquer lugar que foi ou é habitado por humanos possuem sítios arqueológicos.

  1. Quanto ganha um profissional da Arqueologia?

De uma forma generalista entre R$1.300,00 a R$3.000,00.

  1. Devo estudar História primeiro para depois cursar Arqueologia?

Antigamente era assim porque não existiam graduações em Arqueologia (exceto o extinto curso da Estácio de Sá), mas a verdade era que um (a) graduado (a) em qualquer área poderia ingressar em uma Pós-Graduação em Arqueologia. História era o comumente escolhida devido ao objeto de estudo em comum, o passado. Porém é mito acreditar que ambas estas disciplinas são iguais. História e Arqueologia são diferentes, especialmente nos métodos de trabalho. Somado a isto atualmente com as graduações não existem mais justificativas em se adentrar em um curso aleatório para somente depois ir para a Arqueologia.

  1. Só homens podem estudar Arqueologia?

Este é mais um mito. Qualquer um pode estudar Arqueologia. Além do mais é surpreendente notar que a maioria dos profissionais da Arqueologia costuma ser do sexo feminino (muito se comenta acerca, mas isto é dedução, seria interessante a realização de uma pesquisa), mas mesmo assim é considerada pelo senso comum uma profissão exclusivamente masculina.

Lisa Yeomans (zooarqueologa). Exploration Society's Expedition. Imagem disponível em . Acesso em 21 de setembro de 2013.

Lisa Yeomans (zooarqueologa). Exploration Society’s Expedition. Imagem disponível em < http://minufiyeh.tumblr.com/post/31815542135/a-busy-first-week >. Acesso em 21 de setembro de 2013.

Na ordem: Joanne Rowland, Salima Ikram e Lisa Yeomans. Todas arqueólogas. Imagem disponível em . Acesso em 21 de setembro de 2013.

Na ordem: Joanne Rowland, Salima Ikram e Lisa Yeomans. Todas arqueólogas. Imagem disponível em < http://minufiyeh.tumblr.com/post/32825953749/the-last-week >. Acesso em 21 de setembro de 2013.

  1. Encontrei um artefato que acredito ser antigo. O que devo fazer?

Entrar em contato com o órgão responsável pela fiscalização dos sítios arqueológicos do país. No Brasil é o IPHAN, no Egito é o MSA.

  1. Mas o meu interesse é vender este artefato.

O comércio e posse de artefatos arqueológicos é um crime previsto por lei tanto no Brasil, como no Egito. Por tanto, quando você encontrar pessoas em sites de compras tentando vender o que alega ser um artefato deve denunciar o mesmo. Sites como Ebay e Mercado Livre possuem tópicos para denúncia mais ou menos assim: “Tentativa de venda de objetos cujo comércio é proibido”. No MASP (São Paulo) possuem feiras que alegam ser de antiguidades, o que é antiético. Eu ainda não entendo qual o motivo delas ainda serem permitidas, e justamente em um dos cartões postais da cidade.

  1. Mas quero muito vender artefatos, comprei até um detector de metais. Eu assisti programas na TV em que as pessoas comercializam coisas antigas.

O comércio de artefatos arqueológicos é considerado amoral. Eles fazem parte da história de toda uma comunidade, desta forma é egoísmo comprá-los e mantê-los como um objeto de apresso pessoal. Além do mais, estes artefatos costumam ser frutos de roubos ou lavagem de dinheiro. Para variar os saqueadores (Caçadores de Souvenir ou Caçadores de Tesouros) sempre deixam um rastro de destruição em sítios arqueológicos e comprometem parcialmente ou totalmente a interpretação do passado. Tanto os saqueadores, como os compradores fazem um desfavor para a Ciência e para a Humanidade.

Porém existem casos em que as peças faziam parte de um acervo adquirido antes da Convenção da UNESCO de 1972, o que permite seu comércio. Alguns colecionadores responsáveis e de acordo com a lei são capazes de manter a integridade de um artefato arqueológico.

Existem pessoas que se entregam ao fascínio de ter uma peça antiga em casa, mas raramente se dão conta de que alguns objetos necessitam de uma manutenção constante e não dificilmente cara, uma vez que deve ser realizada por profissionais.

 18. Tenho uma graduação em outra área, mas eu quero trabalhar com Arqueologia. Devo fazer vestibular novamente?

Depende:

a)      Você pode optar por uma formação base em Arqueologia, então naturalmente tem que prestar vestibular para cursar Arqueologia.

b)      Ou você observa nos editais dos cursos de Pós-graduação se é possível se inscrever mesmo sendo de outra área. No entanto, alguns cursos pedem que o aluno apresente um projeto de pesquisa no ato da matrícula, desta forma, um conhecimento prévio de Arqueologia se faz necessário.