1.000 peças foram roubadas do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

O resultado final do número de peças roubadas do Egito durante os protestos para o afastamento Mubarak do governo já saiu. De acordo com o Dr. Zahi Hawass cerca de 1.000 artefatos foram levados do país, a maioria deles não são peças de interesse do público geral, mas possui valor para o patrimônio, assim como toda e qualquer peça arqueológica.

O resultado do relatório será enviado para a UNESCO e ONU na esperança de recuperá-las. Dentre alguns dos locais invadidos pelos saqueadores estão o Museu Egípcio do Cairo, Saqqara e o platô de Giza.

 

 

Museu Egípcio do Cairo. Disponível em < http://wingstoafrica.com/egyptian-museum-cairo-2.html > Acesso em 28 de Janeiro de 2011.

 

 

Hawass tem esperança de que os objetos não consigam sair do país. Alguns já foram entregues e prisões foram feitas, mas existe ainda um longo caminho para se percorrer.  

 

 

Um histórico de roubos

 

Os roubos de peças arqueológicas egípcias não ocorreram somente porque o país estava em uma crise política. Tais crimes fazem parte da história da Arqueologia Egípcia, tanto que existem quadrilhas especializadas para tal, são famílias inteiras ou associações que sabem o valor incalculável do patrimônio egípcio. O problema é que são crimes que normalmente pouco interessa para a imprensa.

Antes da invasão Napoleônica o país já era alvo de saques tanto internos como externos e permaneceu assim até que pessoas como Rifa’a el-Tahtawy (1801 – 1873) conseguiram despertar em muitos egípcios o respeito ao patrimônio antigo obrigando então o vice-rei Mohammed Ali (1769-1849) a emitir uma portaria em 1835  que proibia o excesso de exportação de peças arqueológicas. O decreto foi falho, mas a situação mudou com a presença do egiptólogo francês Auguste Mariette (1821 – 1881) no Egito. Mariette também era um “caçador de tesouros” até que resolveu mudar de lado e tentar proteger o patrimônio egípcio tornano-se então 1858 o primeiro diretor do Service des Atiquités (Hoje SCA) onde procurou combater os roubos e organizar espaços de reservas técnicas para as peças retiradas das escavações. Livros tombos foram realizados e ladrões de tumbas penalizados.

 

 

Imagem de Rifa'a el-Tahtawy. Disponível em Acesso em 14 de Abril de 2011.

 

 

Os diretores egípcios do SCA, em especial Zahi Hawass que está atualmente no cargo, possuem vínculos com a UNESCO e a ONU o que possibilita um dialogo internacional para a devolução de peças roubadas.

Como os saques aos sítios arqueológicos ainda é um mercado em expansão o SCA junto ao governo egípcio busca intervir em aeroportos para tentar impedir que peças saiam do país não só pelas mãos de quadrilhas, como também por turistas buscando levar consigo um objeto proveniente dos sítios.   

 

Notícia retirada de “About ‘1,000 Relics’ Stolen During Egypt Uprising”. Disponível em < http://news.discovery.com/archaeology/egypt-uprising-looted-artifacts-110410.html> Acesso em 14 de Abril de 2011.

 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]