Cervejaria de mais de 5.000 anos é encontrada no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma equipe de arqueologia (composta por egípcios e norte-americanos) que está trabalhando em Abidos (Egito), mais especificamente em Sohag, descobriu evidências do que pode ser o mais antigo espaço de produção de cerveja em escala industrial do mundo [1]. Indícios de elaboração de cerveja já é encontrado no Egito datado de cerca de 6.000 anos, mas não em uma escala industrial como a dessa descoberta.

Essa cervejaria já era conhecida por arqueólogos britânicos que a escavaram no início do século 20, contudo, a localização exata foi perdida [1][2].

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mostafa Waziri, esclareceu que a cervejaria consiste em, pelo menos, oito grandes instalações semi-subterrâneas e possui cerca de 5.000 anos (ou seja, pertencendo à Dinastia Tinita) [1].

Seu tamanho (cerca de 20 m de comprimento × 2,5 m de largura × 40 cm de profundidade) é sem precedentes para a época. Ela certamente produziu milhares de litros de cerveja (aproximadamente 22.000 litros por lote), que provavelmente era fornecida para os cultos funerários dos primeiros reis do Egito. Cada instalação da cervejaria continha cerca de 40 grandes cubas de cerâmica (cerca de 65-70 cm de diâmetro, 70 cm de profundidade), dispostas em duas filas e mantidas no lugar por anéis de escoras de barro (imagem 3)” [1]. Essas cubas eram usadas para aquecer a mistura de grãos e água em um processo chamado “maceração”, momento em que os ingredientes fermentavam para produzir a cerveja [1].

De acordo com a arqueóloga e egiptóloga Deborah Vischak, da Universidade de Princeton, essa cervejaria estava localizada em uma vasta área desértica reservada exclusivamente para o uso dos primeiros reis do Egito; incluindo Narmer, possível unificador do Egito (representado pelo mítico Menés). Esses antigos reis utilizaram Abidos para estabelecer sua necrópole real e seus templos funerários, os “recintos cúlticos” [1]. Outro ponto importante é que a equipe encontrou provas do uso de cerveja em rituais de sacrifício (o comunicado de impressa do Ministério de Turismo e Antiguidades não esclareceu se tratam-se de sacrifícios humanos ou de animais).

Caso tenham curiosidade em saber sobre a produção de cerveja na antiguidade egípcia, tenho um texto (e vídeo) sobre: http://arqueologiaegipcia.com.br/2017/03/06/a-cerveja-no-egito-antigo-desde-a-intoxicacao-ao-seu-uso-religioso/

Vale conhecer:

Fragmentos de cerâmica usados ​​pelos egípcios para fazer cerveja e datados de 5.000 anos foram descobertos em um canteiro de obras em Tel Aviv (Israel). A notícia foi dada pelas Autoridades de Antiguidades de Israel em 2015.[2]

Fonte:

[1] In Photos: The world’s oldest industrial-scale brewery may have been uncovered in Egypt. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/403976/Heritage/Ancient-Egypt/The-world%E2%80%99s-oldest-industrialscale-brewery-may-hav.aspx >, acesso em 13 de fevereiro de 2021.

[2] Egypt unearths ‘world’s oldest’ mass-production brewery. Disponível em < https://www.aljazeera.com/amp/news/2021/2/14/egypt-unearths-worlds-oldest-mass-production-brewery >, Acesso em 14 de fevereiro de 2021.

الكشف عن ما يعتقد أنه أقدم مصنع لصناعة الجعة بأبيدوس. Disponível em < http://www.antiquities.gov.eg/DefaultAr/pages/NewsDetails.aspx?newsid=2491 >, acesso em 14 de fevereiro de 2021.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]