Egiptólogo David Silverman comenta o clipe Dark Horse” de Katy Perry

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram | Link da matéria enviado por Jonathan Machado de Souza, via Facebook.

Para muitos de vocês o nome pode soar desconhecido, mas o professor David Silverman, egiptólogo da Universidade de Pensilvânia e curador da seção egípcia do Penn Museum, é famoso no meio acadêmico por seus artigos e livros. Com a repercussão do clipe “Dark Horse” da cantora Katy Perry, que remete a vários símbolos da cultura faraônica, ele e o professor Robert K. Ritner, docente de Egiptologia da Universidade de Chicago, teceram uma análise acerca do vídeo.

Como comentei recentemente, existem no clipe vários elementos para a discussão. Abaixo a lista elaborada pelos professores e traduzida pelo portalkatyperry.com.br:

1° – A cor turquesa visto na maquiagem de Perry foi usada no Egito Antigo, que muitas vezes usou cores inspiradas na natureza, como o céu e água. Tumbas seladas preservaram as cores de suas pinturas.

2° – Rainhas como Cleópatra realmente tinham uma quantidade significativa de energia e, apesar de não incluir a magia de estilo em forma de raio que é visto no vídeo, havia uma crença na realeza divina.

3° – A letra sobre Afrodite e o vestido no estilo grego de Katy Perry terem sido chamados de fora de moda por fãs exigentes, mas na verdade, eles fazem todo sentido: Cleópatra não era propriamente Egípcia, mas sim, ela era descendente de uma linha Macedônia-Grega, e sua cultura era uma mistura de Helênica com elementos egípcios. Na verdade, Afrodite é o analógico para a deusa egípcia Ísis, que é representada pela ascensão alada de Katy no vídeo.

4° – A pose “andar como um egípcio” tem um ponto de referência nas pinturas antigas. Os artistas não usaram esboço, então a pose icônica foi uma tentativa de “cubismo” para retratar pessoas tridimensionais, mostrando-lhes de diferentes ângulos. Não foi, no entanto, uma dança.

5° – As pinturas na parede atrás de Katy quando ela está no trono estão claramente baseadas em desenhos de tumbas reais.

6°- A cena com Katy e as serpentes sugere uma referência ao suicídio de Cleópatra por víboras. No momento da sua morte, Cleópatra estava vestida como Ísis, que também há um correlação com as asas crescentes dela no vídeo.

7° – O objeto ventilador/monóculo de Perry que se mantém, mostra o símbolo do Olho de Hórus, um símbolo de saúde e estabilidade. (Não tem nada a ver com o Illuminati: “As muitas discussões sobre os Illuminati são um absurdo”, diz Ritner. Em vez disso, as imagens maçônica associadas ao Illuminati são elaboradas a partir de imagens do Egito).

8° – As referências do gato e cenas com Boo, o cão, podem fazer referência a propaganda anti-romano de Cleópatra, o que indicavam que ela fez de Marc Antony seu cão de colo.

Cena do clipe “Dark Horse”, da cantora Katy Perry. 2014.

Retirado do site PortalKatyPerry.com.br: Explicações e razões para o clipe de Dark Horse. Disponível em < http://portalkatyperry.com.br/explicacoes-e-razoes-para-o-clipe-de-dark-horse/ >. Acesso em 23 de fevereiro de 2014.

Katy Perry lança clipe com tema egípcio

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 20/02/2014 anunciei na página do Arqueologia Egípcia, no Facebook, o vídeo promocional da música “Dark Horse” (abaixo), da cantora Katy Perry. Nele é contada a história do futuro clipe: “De acordo com a lenda, existiu uma rainha feiticeira em Mênfis, Egito. Durante as eclipses, reis viajavam do Brooklyn à Babilônia para tentar ganhar seu coração. Se ela cair de amores, você seria o cara. Se não, sua ira iria deixá-lo choramingando. Seu nome é Katy-Patra”.

 

 

Hoje anuncio aqui o clipe propriamente dito:

 

 

Este vídeo, assim como muitos outros que possuem como tópico a antiguidade egípcia, serve para os teóricos da Egiptomania conhecer o que o senso comum recebe, entende ou interpreta como “Antigo Egito”. Existem vários elementos para a discussão neste caso, desde a clara referência visual da personagem Cleópatra, interpretada em 1963 pela atriz Elizabeth Taylor,  ou do filme Stargate (1994), até a idealização de um Egito fabuloso.