“Cabeça de cristal” foi encontrada em naufrágio próximo de antiga cidade da rainha Cleópatra VII

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Arqueólogos descobriram na Baía de Abu Qir, próximo a Alexandria, três naufrágios que remontam há cerca de 2.000 anos (COLLINS, 2017). Era neste local onde se encontrava a antiga cidade de Thonis–Heracleion (Thonis, como era conhecida pelos egípcios, e Heracleion, pelos gregos), uma das maiores da região e onde na atualidade estão sendo realizados vários descobrimentos arqueológicos.

As descobertas foram feitas durante as escavações do Departamento de Arqueologia Subaquática do Ministério das Antiguidades Egípcias em associação com o Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática.

Moedas de Augusto encontradas. Foto: MSA.

Dentre os artefatos encontrados estão três moedas de ouro que remontam ao primeiro imperador de Roma, Augusto, que governou de 27 a.E.C. a 14 d.E.C. e um busto de cristal que acredita-se representar o general romano Marco Antônio (COLLINS, 2017). Esse personagem histórico é bastante conhecido por sua aliança política e amorosa com a rainha Cleópatra VII. De acordo com os autores da antiguidade ele tirou a própria vida após uma grande derrota contra Octaviano, que mais tarde viria a ser conhecido como Augusto. Ainda de acordo com essas fontes sua morte antecedeu a de Cleópatra VII, que era a única pessoa no poder que conseguia efetivamente manter o Egito longe do domínio romano. Então, com o falecimento da rainha o país passou a ser colônia de Roma.

Cabeça feita em cristal provavelmente pertencente ao general romano Marco Antônio. Foto: MSA.

Existe uma grande possibilidade de que um novo naufrágio seja encontrado nas proximidades graças a presença de várias pranchas de madeira e cerâmicas. Certamente provenientes de outra embarcação da antiguidade (COLLINS, 2017).

 

O passado submerso de Alexandria:

Embora esta região do Egito seja conhecida graças a cidade submersa de Alexandria, ainda existem a já citada Thonis–Heracleion e a cidade de Canopus. As três foram cobertas pelas águas do Mar Mediterrâneo após uma série de catástrofes naturais — entre elas um maremoto — para serem redescobertas somente na década de 1990 (COLLINS, 2017). Foi neste período que as investigações arqueológicas de sítios submersos no Egito tiveram início, tendo como seu primeiro achado a descoberta do antigo porto de Pharos, em Alexandria (JONDET, 1912 apud KHALIL, 2008).

A Arqueologia Subaquática e a busca por… Tesouros?

Acreditar que a Arqueologia Subaquática preocupa-se em adquirir tesouros naufragados tais como baús com dobrões de ouro é um erro comum propagado por anos. E lendo as reportagens sobre esta descoberta em questão o que se nota é que de uma forma geral a visão que ainda se tem desta Arqueologia é que ela é exercida por mergulhadores aventureiros, além de ter como preocupação o resgate do que “estava perdido”. Isto não condiz com a realidade, já que ela deve ser praticada por arqueólogos com certificado de mergulho autônomo e especializados em pesquisas arqueológicas submersas (RAMBELLI, 2002: 32-3).

Cabeça de estátua encontrada em Thonis–Heracleion. Foto: Franck Goddio.

A arqueologia subaquática, independente do país em que é exercida, recebe menos destaque (principalmente em termos de preservação do patrimônio subaquático) que a arqueologia convencional — a realizada em terra —. Sempre confundida com atividades de caça ao tesouro ou vista como algo perigoso, por anos não foi reconhecida por muitos acadêmicos. No Egito a situação é mais complicada graças a uma visão muito “funerária” do país, cuja arqueologia está mais concentrada na limpeza e restauro de sepulturas de Período faraônico.

Contudo, os artefatos encontrados em sítios submersos possuem o mesmo potencial de análise que os encontrados em áreas secas. A diferença é a metodologia utilizada tanto durante as escavações como durante os trabalhos de preservação dos artefatos coletados.

6 missões de Arqueologia Subaquática serão realizadas no Egito este ano (2017)

(Márcia Jamille; Arqueologia Egípcia)

Para saber mais sobre os trabalhos da Arqueologia Subaquática e como ingressar nesta área:

Fontes:

COLLINS, Tim. 2,000-year-old Roman shipwrecks with stunning gold coins and a ‘royal head of crystal’ are discovered off the coast of Alexandria. In: Daily Mail. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-5104297/Archeologists-Roman-shipwrecks-Egypts-north-coast.html >. Publicado em: 21 de Novembro de 2017. Acesso em 29 de novembro de 2017.

KHALIL, Emad K.Education in Maritime Archaeology: The Egyptian Case Study. Journal of Maritime Archaeology. v. 3, n. 2, 2008, p. 85–91.

RAMBELLI, G. Arqueologia até debaixo d’água. São Paulo: Ed. Maranta, 2002.

6 missões de Arqueologia Subaquática serão realizadas no Egito este ano (2017)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Notícia enviada por Fernanda Libório, via Facebook.

O Ministério das Antiguidades do Egito liberou a realização de pesquisas subaquáticas para seis missões de arqueologia. Nelas estão inclusas tanto equipes estrangeiras como uma egípcia.

Essas missões trabalharão na baía de Alexandria e no Mar Vermelho.

De acordo com o chefe do Departamento de Arqueologia Subaquática, Mohamed Abdel Maguid, as missões apresentaram os seus documentos para a aprovação em dezembro, mas somente duas das seis exercerão os seus trabalhos agora em abril. Uma delas é a do Centro de Estudos Alexandrinos, liderado por Isabelle Hairy (França), que completará os seus trabalhos no Fort Qaitbay até 20 de maio. A outra é uma missão egípcia que irá trabalhar ao longo da costa do Mar Vermelho de 15 de abril até 7 de maio, liderada por Mohamed Mostafa.

Foto: Revista Veja. 14 de Janeiro de 1998.

As demais irão iniciar os seus trabalhos somente no outono egípcio. Elas são a do o Instituto Europeu de Antiguidades Subaquáticas na França com Frank Goddio, a do Instituto de Arqueologia Subaquática Helênica na Grécia com Harry E. Tzalas, a do Instituto Russo de Estudos de Arqueologia e Egiptologia com Galina A. Belova e a da Universidade de Turim (Itália) com Paolo Gallo.

 

A importância de mais missões de arqueologia subaquática no Egito

A arqueologia subaquática, independente do país em que é exercida, recebe menos destaque (principalmente em termos de preservação do patrimônio subaquático) que a arqueologia convencional — a realizada em terra —. Sempre confundida com atividades de caça ao tesouro ou vista como algo perigoso, por anos não foi reconhecida por muitos acadêmicos. No Egito a situação é mais complicada graças a uma visão muito “funerária” do país, cuja arqueologia está mais concentrada na limpeza e restauro de sepulturas de Período faraônico.

Foto: Revista Scuba; Maio/1996.

Contudo, os artefatos encontrados em sítios submersos possuem o mesmo potencial de análise que os encontrados em áreas secas. A diferença é a metodologia utilizada tanto durante as escavações como durante os trabalhos de preservação dos artefatos coletados. Para saber mais sobre a arqueologia subaquática no canal do AE temos um vídeo bem completo sobre o assunto. Nele, inclusive, mostramos um sítio subaquático brasileiro de naufrágio para explicar melhor o assunto:

Fonte:

6 archeological missions to resume underwater excavations in Egypt. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/news/6-archeological-missions-resume-underwater-excavations-egypt >. Acesso em 02 de abril de 2017.

A notícia da descoberta de restos de exército egípcio no Mar Vermelho é falsa

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Eu já tinha ouvido falar desse hoax várias vezes, inclusive recebo o tempo todo sugestões de pessoas pedindo para eu dar uma olhada nos trabalhos realizados com os artefatos encontrados no Mar Vermelho, mas nunca indicavam artigos científicos e nem mesmo nomes de pesquisadores. Contudo, eu não imaginava que essa farsa ia começar a ser tomada como verdade até entre alguns pesquisadores em compartilhamentos na internet.

Isso ocorre porque o pessoal está compartilhando notícias sem procurar saber a fonte real, como é o caso da matéria “Mar Vermelho: Arqueólogos descobrem restos do exercito egípcio do Êxodo bíblico” do site “Sempre Questione” que, como o nome bem diz, convida o leitor a se perguntar se o que está ali é real.

O fato é que o “Sempre Questione” é um site ao estilo “Sensacionalista” e esta matéria sobre o exército foi retirada do World News Daily Report, outro site do seguimento, ou seja, é tudo é só uma brincadeira. Abaixo parte do print da notícia original:

Para quem ficou curioso a foto utilizada é de uma pesquisa de Arqueologia Subaquática realizada no México. Para saber mais sobre a pesquisa veja aqui: Was Naia the first American? Teenage girl’s skeleton found deep in underwater Mexican cave dates from the last ice age 13,000 years ago and is oldest ever found in the Americas.