Inscrições indianas foram encontradas em tumbas de cerca de 2.000 anos no Egito!

Será que pessoas vindas da Índia visitaram o Vale dos Reis, no Egito, há cerca de dois mil anos? Bom, uma descoberta arqueológica recente sugere que sim! Inscrições antigas escritas em línguas indianas foram encontradas em tumbas localizadas nessa famosa necrópole egípcia, revelando a presença de visitantes estrangeiros que passaram por ali durante a Antiguidade. Entre esses nomes, um em especial chama a atenção por ter repetido sua assinatura várias vezes: o nome dele era Cikai Korran.

Basicamente o que aconteceu é que pesquisadores identificaram cerca de 30 inscrições escritas em três línguas indianas diferentes, distribuídas em seis tumbas localizadas no Vale dos Reis. Essas mensagens foram deixadas por visitantes que estiveram no local entre o século I e mais ou menos o século III da nossa era, período em que o Egito era uma província do Império Romano.

Inscrições indianas encontradas em tumbas de cerca de 2.000 anos no Egito

Para quem não está familiarizado com essa fase da história, após a morte da rainha Cleópatra VII, o Egito deixou de ser governado por faraós e passou a integrar o domínio do império romano. Nesse contexto, o Vale dos Reis já funcionava como um destino turístico bastante conhecido na Antiguidade, onde visitantes costumavam registrar seus nomes nas paredes das tumbas.

Naquele período, a maioria dos túmulos do Vale dos Reis já haviam sido saqueados. Uma exceção conhecida é a tumba do faraó Tutankhamon, que foi encontrada praticamente intacta em 1922.

Pode parecer estranho imaginar pessoas vindas da Índia visitando o Egito naquele tempo, mas esses contatos não são novidade na egiptologia. Existem outras evidências arqueológicas, além dessas inscrições identificadas no Vale dos Reis, que indicam a presença de pessoas do sul da Ásia em território egípcio. Um exemplo é a descoberta de uma imagem de um Buda no porto de Berenice.

Inscrição em sânscrito registrada na KV 1, escrita por um homem chamado Indranandin, que se identificava como mensageiro de um rei da dinastia Kshaharata, governante de parte da Índia no século I d.E.C. Pesquisadores sugerem que ele pode ter chegado ao Egito pelo porto de Berenice, no mar Vermelho, e atravessado o país possivelmente em rota para Roma, revelando conexões surpreendentes entre o subcontinente indiano e o mundo mediterrânico na Antiguidade.

Esse interesse de pessoas vindas do sul da Ásia pelo território controlado por Roma está relacionado a contatos comerciais que existiram desde por volta do século I até aproximadamente o século IV — possivelmente chegando ao século V — da nossa era.

Das 30 inscrições encontradas no Vale dos Reis, cerca da metade foi escrita em tâmil antigo, uma língua originária do sul da Índia. Essas inscrições já haviam sido notadas por egiptólogos do passado, mas não tinham sido traduzidas, principalmente porque os pesquisadores não conseguiam identificar corretamente qual era o idioma utilizado.

No Vale dos Reis, devido ao grande número de visitantes que passaram pelo local ao longo da Antiguidade, existem diversos grafites deixados por turistas antigos. A maioria desses registros, especialmente aqueles escritos em grego, foram registradas e estudados ao longo do tempo. Entretanto, havia essas outras inscrições que simplesmente não eram compreendidas e, por isso, acabavam passando despercebidas.

Segundo os pesquisadores em uma palestra apresentada na Índia, no “The International conference on Tamil epigraphy” (vídeo abaixo), existe um antigo material advindo da Egiptologia em que algumas destas inscrições indianas são registradas, no entanto, o pesquisador na época sugeriu que se trataria de uma escrita em egípcio antigo em uma forma cursiva. Porém, durante uma visita ao Vale dos Reis, um dos pesquisadores da descoberta atual observou atentamente as paredes e conseguiu reconhecer que se tratava de idiomas indianos.

Uma das inscrições identificadas em sânscrito foi escrita por um homem chamado Indranandin, que afirmou ser mensageiro de um rei da dinastia Kshaharata, que governou parte da Índia durante o século I da nossa era.

Os pesquisadores acreditam que esse homem, assim como outros visitantes, chegou ao Egito através do porto de Berenice, com o objetivo de alcançar o território do Império Romano. Essas inscrições específicas foram encontradas na KV-01, que corresponde à tumba de Ramsés VII.

No entanto, um dos autores mais notórios desses grafites é justamente o visitante mencionado no início desta história: Cikai Korran. O nome dele aparece em oito inscrições espalhadas por cinco tumbas diferentes do Vale dos Reis. Todas foram escritas em tâmil antigo e trazem uma mensagem simples: “Cikai Korran esteve aqui e viu”.

Um detalhe curioso destacado pelos pesquisadores é que algumas das inscrições atribuídas a ele aparecem em locais muito altos nas paredes das tumbas. Na tumba de Ramsés IX, por exemplo, sua assinatura foi registrada a aproximadamente cinco ou seis metros acima da entrada. Outro registro foi encontrado na KV-14, que originalmente era a tumba da faraó Tausert e que posteriormente foi reutilizada pelo faraó Setnakhte.

Um dos autores dos grafites mais notórios desse conjunto foi um homem chamado Cikai Korran. Ele deixou oito inscrições distribuídas por cinco tumbas diferentes. Escritas em tâmil antigo, suas palavras são simples e diretas: “Cikai Korran esteve aqui e viu.”

Apesar dessas descobertas, ainda não se sabe exatamente quem foi Cikai Korran. As poucas informações disponíveis vêm principalmente do idioma utilizado em suas inscrições, o que indica que ele poderia ter vindo do sul da Índia. A partir disso, os pesquisadores especulam que ele poderia ter sido um chefe local, um mercador ou um mercenário.

Outra questão que permanece sem resposta é o motivo pelo qual ele se dedicou tanto a registrar seu nome repetidas vezes e, especialmente, por que escolheu locais tão altos para fazer isso.

Mesmo com essas incertezas, a descoberta é considerada importante porque reforça a ideia de que o Egito não deve ser estudado de forma isolada. Ao longo de sua história, tanto durante a Era dos Faraós quanto no período de dominação romana, o Egito manteve conexões com diferentes regiões do mundo, incluindo áreas do Mediterrâneo, da região do Sudão, do Mar Vermelho, do Oriente Próximo e, neste caso, partes da Ásia.

  • A fonte deste post é justamente as palestras disponíveis no vídeo presente no corpo do texto.