20 May 2012

Bubastis: a antiga capital dos gatos

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 31 - julho - 2010 2 COMMENTS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

O Egito, ao longo de seus séculos de existência, possuiu várias capitais onde se destacaram Tebas, Mênfis, Akhetaton e atualmente o Cairo. Dentre estas uma floresceu no Baixo – Egito e só teve sua decadência nos primórdios do período cristão: Bubastis.

Bubastis encontrava-se próximo a Aváris e Tânis, duas das cidades mais prosperas da antiguidade egípcia. Sua posição estratégica permitia controlar as rotas de Mênfis ao Sinai e consequentemente as vias que levavam à Síria (MALEK, 2008). Na literatura clássica o local era chamado de Bubasteion, mas dentre os egípcios a cidade era conhecida como Per-Bastet, “casa de Bastet” ou “pertencente à Bastet”. Já hoje, o lugar chama-se Tell-Basta e é popular pelas pesquisas na necrópole dos gatos. Importantes descobertas foram realizadas nos sítios arqueológicos da cidade como as sepulturas de alguns dos nobres da época do faraó Akhenaton e da tumba semi-rupestre de um dos dignitários de Ramsés II, Netcherouymes, que foi, possivelmente, um dos homens envolvidos no tratado de paz assinado entre os egípcios e hititas.

 

 

Relevo com imagem do faraó Osorkon II durante a festa 'heb-Sed'. Terceiro Período Intermediário, XXII Dinastia. Foto: Dietrich Wildung

 

Sua acessão como sede do governo se deu durante o Terceiro Período Intermediário (cerca de 1076 – 712 a.C, XXI – XXIV Dinastias), num tempo em que várias famílias de diferentes governantes comandaram simultaneamente o Egito. Foram os invasores líbios que transformaram Bubastis na capital, na medida em que a antiga sede, Tebas, entrava em declínio. (SILIOTTI, 2006)

Embora a cidade seja relacionada à deusa Bastet, em sua necrópole também existiam múmias de outros animais além do gato, cujo culto tornou-se popular durante a Baixa Época e principalmente período Ptolomaico. A figura do gato desempenhava um papel importante na cultura religiosa egípcia: além de representar a doçura ele também poderia ser considerado um dos símbolos do combate do bem contra o mal, já que existem representações de felinos lutando contra a serpente maligna Apophis.

 

Imagem de ruínas de um templo de Ramsés III em Bubastis. Foto: Dietrich Wildung.

 

Tamanha era a estima dos antigos egípcios pelos gatos que quando mumificados o corpo destes animais era depositado em pequenos esquifes de madeira, não raramente com o seu exterior coberto de estuque e pintado imitando-o em vida, e guardados em catacumbas. Devido ao culto muitos deste tipo de múmias eram vendidos a devotos que esperavam que o bichano intercedesse por eles aos deuses, o que acabou por se tornar uma atividade extremamente rentável aos sacerdotes.

 

Esquife de gato na coleção de Eva Klabin. Foto: Sérgio Zales. OBS: foto com o fundo modificado.

 

Bubastis experimentou a decadência com o início da era cristã no Egito, quando as antigas crenças dos faraós tornaram-se blasfêmias. A cidade não mais seria conhecida pelo o culto aos gatos e as pequenas múmias destes felídeos acabaram por ser negligenciadas nos séculos seguintes sendo vendidas como souvenir ou fertilizante e não muito raramente deixadas para traz pelos pesquisadores responsáveis pelas áreas de necrópoles de animais durante parte do século XIX. Apesar de abandonada outrora, hoje a cidade recebe a dedicação merecida por parte da academia, a exemplo da Missão Arqueológica Francesa (MafB) e seu trabalho no local. Já as múmias felinas hoje não são usadas mais como adubo, e sim como importantes objetos de estudo tal como as múmias humanas e até recebem tratamento não invasivo. O progresso no campo da arqueologia não alcançou só homens e mulheres, mas também os animais que conviveram com eles em sua capital.   

 

Referências:

MÁLEK, J; BAINES, J. Deuses templos e faraós: atlas cultural do Antigo Egito. Barcelona: Ediciones Folio, p 174 – 175. 2008

SILIOTTI, A. Egito. Barcelona: Ediciones Folio, p 59. 2006

(Imagem) Beijando a Esfinge de Giza

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 27 - julho - 2010 3 COMMENTS

Alguns dos turistas que visitaram o platô de Giza resolveram tirar uma foto mais que especial para guardar como lembrança da ida ao Egito. Com um pouco de empenho se posicionaram ao lado da Grande Esfinge e, criando uma ilusão, beijaram a face da imagem. Estas são fotos muito populares (e divertidíssimas) que rodam pela a internet e como não existia só uma interessante resolvi colocar as mais legais neste painel.

(Documentário) Enigmas da Esfinge

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 25 - julho - 2010 ADD COMMENTS

As ações do homem e as forças da natureza estão ameaçando destruir a Grande Esfinge. Para salvá-la, os cientistas precisam descobrir como e por que ela foi construída. Sonhos alucinógenos, sacrifício humano e alinhamento solar são algumas das pistas para a solução dos enigmas da Esfinge e para o resgate desta maravilha da humanidade.

 

 

Título: Os Enigmas da Grande Esfinge

Canal: National Geographic Brasil

Quarta-Feira 28 de Julho 08:00

 

Reprises:

Quarta-Feira 28 de Julho 23:00

Quinta-Feira 29 de Julho 03:00

Sexta-Feira 30 de Julho 16:00

Quarta-Feira 4 de Agosto 09:00

(Documentário) Cleópatra

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 25 - julho - 2010 2 COMMENTS

Cleópatra, a última governante do Egito. Uma bela rainha que seduziu Júlio César e Marco Antônio, os dois homens mais poderosos do mundo. E mesmo assim, por toda uma terra repleta de estátuas e templos antigos, existe apenas uma escultura de Cleópatra que continua intacta. Então, por que a imagem da rainha mais famosa da história desapareceu da face da Terra e quem é o responsável por sua remoção? Uma equipe internacional de especialistas revela como o lendário poder de sedução de Cleópatra fez sua memória ser sistematicamente apagada. (National Geographic Channel Brasil)

 

Imagem em moeda de Cleópatra segurando seu primeiro filho.

 

Canal: National Geographic (Brasil)

Segunda-Feira 26 de Julho 12h30min

 

Reprise:

Segunda-Feira 2 de Agosto 12h30min

(Livro) Egito: um olhar amoroso

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 20 - julho - 2010 1 COMMENT

Por Márcia Jamille Costa

 

Robert Solé é natural do Egito, mas só foi após ter ido morar na França, aos dezessete anos de idade, que percebeu o fascínio que sua terra natal estava exercendo no Ocidente. “Egito: um olhar amoroso” (Dictionnaire Amoureux de l’Egypte no original) não foi publicado somente para reparar os anos de desatenção de Solé em relação ao Egito, mas para atestar uma declaração de amor do autor ao seu país de origem.

A publicação nos mostra muito além do Egito faraônico, ela refere-se às várias manifestações e desejos contemporâneos como a curiosidade que o continente americano exerce sob o imaginário egípcio ou os jogos de futebol nos vilarejos. Solé retrata os fatos com um ar bucólico e nostálgico remetendo várias vezes a sua infância.

 

 

Este livro, em verdade, é um dicionário, mas é escrito de uma forma extremamente pessoal, o que acaba transformando-o não só em um guia, mas em uma obra de literatura com alguns requintes quase autobiográficos. A linguagem é simples, o que possibilita ser lido por aqueles que tenham interesse em conhecer um Egito muito além das pirâmides e faraós.

A introdução da edição brasileira foi feita pelo o Prof. Dr. Antonio Brancaglion Júnior do Museu Nacional do Rio de Janeiro e o corpo do livro foi traduzido pela Dra. Bluma Waddington Vilar, que possui licenciatura em português-francês pela a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Fixa técnica:

Título original: Dictionnaire Amoureux de l’Egypte

Autor: Robert Solé

Tradução: Bluma Waddington Vilar

Ano de publicação (Brasil): 2003

Editora: Ediouro

Cidade: Rio de Janeiro

ISBN: 85-00-01302-8

Palavras-chave: Egito, civilização, dicionário

 

Para quem quer saber mais:

No dia 22/07/2010, as 14h00, estarão disponíveis através do meu Twitter algumas das citações do livro, para receber as atualizações é só se cadastrar no twitter.com, entrar na minha página e clicar em “seguir” (follow).

O patrimônio do Lord Carnarvon à venda?

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 19 - julho - 2010 ADD COMMENTS
 Por Márcia Jamille Costa

 

Sir Andrew Lloyd Webber, empresário musical e multi-milionário, manifestou o desejo de comprar o Castelo de Highclere, edifício onde viveu o Quinto Conde de Carnarvon, patrocinador da descoberta da tumba de Tutankhamon, cuja pesquisa foi realizada pelo o arqueólogo inglês Howard Carter. A propriedade pertence aos Carnarvons desde 1670 e foi um dos palcos das negociações entre o arqueólogo e o conde, e é onde este último está sepultado.

 

Quinto Conde de Carnarvon

 

A oferta de Andrew Webber veio após o atual Conde de Carnarvon solicitar uma permissão para vender terrenos da periferia da propriedade. Webber está em busca de um local para expor suas obras de arte, e demonstrou ao The Basingstoke Gazette um grande apresso pelo o Highclere.

 

Sir Andrew Lloyd Webber

 

No entanto a Lady de Carnarvon anunciou no Telegraph que eles não possuem intenção alguma de vender o edifício falando que valoriza a “a grande propriedade” e conclui “Meu marido e sua família investiram dinheiro, tempo, amor e paixão há séculos. Eu ouvi que ele (Webber) quer um lugar para pendurar suas pinturas. Mas definitivamente não é para venda. Temos toda a intenção de estar aqui durante os próximos 150 anos“.

 

Lord e Lady de Carnarvon

 

Atualmente o castelo está aberto para visitação e possui um site com espaço para notícias e para agendamento de visitas. Algumas das obras expostas pelos Carnarvons remetem a réplicas de objetos egípcios, pinturas e fotos da época da descoberta da tumba de Tutankhamon.

(Fonte: Heritage Key)

(Imagem) Egípcio toca bola em Giza

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 18 - julho - 2010 ADD COMMENTS

O fotografo Caio Villela já fotografou inúmeras cenas de jogos de futebol pelos seis continentes e na National Geographic Brasil de Junho (2010) foi publicado um dos momentos inusitados deste esporte capturado por suas lentes. A imagem mostra um condutor de camelos dando alguns toques na bola no platô de Giza. (Foto: Caio Villela)   

Culto aos animais no EREARQ-NE

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 11 - julho - 2010 3 COMMENTS

Na próxima terça-feira (13/07/2010) irei apresentar no EREARQ-NE a comunicação “Ligação com os deuses: a criação, culto e mumificação de animais durante a antiguidade egípcia” no período da noite. O EREARQ-NE será realizado no Campus de Laranjeiras onde está localizado o Laboratório do Núcleo de Arqueologia da UFS. Abaixo o resumo da comunicação:

“Ligação com os deuses: a criação, culto e mumificação de animais durante a antiguidade egípcia” apresenta as principais características da criação de animais no Nordeste da África, em especial os que estão ligados aos territórios provenientes da sociedade egípcia antiga.

Do Período Pré-dinástico (Cerca de 5500 a.C. a 3050 a.C.) até a Segunda Dinastia (Período Tinita – cerca de 2920 a.C. a 2649 a.C) as divindades centrais começaram a receber uma forma, ao mesmo tempo em que algumas foram associadas com animais. (…)

 

Mais informações sobre o evento vocês podem ver no link http://erearqne.wordpress.com/

III Semana de Estudos Clássicos

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 11 - julho - 2010 3 COMMENTS

A III Semana de Estudos Clássicos (SEC) na Universidade Federal de Sergipe (UFS) ocorrerá durante os dias 20 a 24 de Setembro de 2010. O tema deste ano, “O Mito entre culturas”, alerta para a curiosa relação da mitologia em diferentes povos desde Antiguidade.

 

 

Presença Confirmada:

Profa. Dra. Giuliana Ragusa – USP;

Profa. Dra. Zélia L. V. de Almeida Cardoso – USP;

Prof. Dr. Henrique Graciano Murachco – UFPB.

Datas para inscrições:

Inscrição de Resumos: de 05/07/10 a 30/07/10

Divulgação dos trabalhos selecionados: 19/08/10

Data limite para o encaminhamento da íntegra dos trabalhos aceitos para serem publicados: 31/08/10.

Inscrições no evento: 16/08/10 a 04/09/10.

Mais informações:

www.secufs.blogspot.com

sec.ufs@hotmail.com;

(79) 2105-6734, (79) 9942-7241 (Mel), (79) 8814-7093 (Elynne).

(Imagem) Cone Funerário

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 05 - julho - 2010 ADD COMMENTS

Pouco se sabe sobre a sua finalidade, mas uma teoria sugere que estes objetos em forma de cone serviam para a gravação de texto, como se fossem carimbos. Seu conteúdo pode variar de nomes de pessoas a inscrições de cunho religioso. Foto e acervo: desconhecidos.

(Imagem) Turista sobe em pirâmide

Publicado por Márcia Jamille Costa Em 03 - julho - 2010 2 COMMENTS

No Século XIX o Egito era um dos destinos favoritos de aristocratas europeus que buscavam um clima mais seco do que o do seu país natal ou ansiavam por um pouco de aventura. Nesta foto, nativos egípcios auxiliam um turista a subir nas pedras de uma pirâmide. Foto: Henri Béchard. Cerca de 1800.