Nefertiti viveu mais anos do que antes se supunha

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Notícia enviada por Robson Cruz, via Facebook.

Assim que um novo faraó assumia o trono, uma nova contagem de ano se iniciava. É possível fazer estas datações pela própria cultura material escrita em iconografias, documentos oficiais ou etiquetas de vinho (algumas cerâmicas que continham este líquido poderiam ter algo escrito como “vinho das uvas coletadas no ano 10 do reinado do faraó ‘x’”). É desta forma que muitas das datações do Período Amarniano, época do reinado do faraó Akhenaton até a morte de Tutankhamon (alguns Egiptólogos sugerem que este tempo poderia ser estendido até a morte de Ay) também são realizadas.

Ordem de sucessão: Ainda não está claro de que forma ocorreu o decurso de Akhenaton até Tutankhamon.

Alguns dos eventos ocorridos neste período podem ser afirmados, outros, no entanto, ainda são alegados com ressalvas. Um exemplo são aqueles ocorridos no ano 14 do reinado de Akhenaton, que é conhecido por ter sido a época em que seguramente a segunda filha do faraó, Meketaton, faleceu, já que a cerimônia relativa ao seu sepultamento é registrada na tumba da família real, localizada em Amarna. Porém, outro evento não desperta tanta certeza, é o ano de morte da rainha Nefertiti, a qual tem o seu nome substituído em edifícios por o de sua filha mais velha, Meriaton, também no ano 14. Pelo motivo de o seu nome torna-se ausente nos registros arqueológicos supôs-se que ela teria falecido.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.csmonitor.com/World/Global-News/2009/1102/germany-time-for-egypts-nefertiti-bust-to-go-home >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

No dia 06 de Dezembro (2012) foi anunciada a descoberta anterior, pelo Dayr al-Barsha Project de uma inscrição proveniente de uma pedreira de calcário datado do ano 16 do reinado de Akhenaton e que traz o nome da rainha Nefertiti e do esposo, o que abre novas interpretações para este período, principalmente porque Ankhenaton morre no seu 17º ano de reinado, para então ser substituído por sua filha Meriaton, casada com uma figura incógnita chamada Smenkhara.

Alguns arqueólogos e historiadores, dentre eles Nicholas Reeves, defendem que a rainha Nefertiti, em algum momento após do ano 14 teria mudado o seu nome e reinado como faraó, para depois ser substituída por Tutankhamon e outra de suas filhas, Ankhesenamon. Suas suposições, em alguns casos, são ligadas a artefatos pertencentes a KV-62 (tumba de Tutankhamon) que antes de mudar de dono foram dedicados a um indivíduo denominado Ankhkheperura, nome de batismo de Neferneferuaton. Porém “Ankhkheperura” e “Neferneferuaton” diz-se ter sido o nome de Smenkhara, enquanto o de Nefertiti era “Neferneferuaton Nefertiti”.

Provavelmente Nefertiti casou-se na sua infância e com o título de Grande Esposa Real deu a luz a seis meninas. Na ordem de nascimento (as com o nome em negrito tornaram-se rainhas): Meriaton, Meketaton, Ankhesenpaton (mais tarde Ankhesenamon), Neferneferuaton Tasherit, Neferneferura e Setepenra.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro “Uma viagem pelo Nilo”.
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