Os deuses do Egito Antigo: o que você precisa saber!

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Após uma longa espera finalmente os leitores e seguidores do site Arqueologia Egípcia podem assistir ao primeiro episodio (ou melhor: episódio piloto) da nossa série “Deuses do Egito Antigo“.

Neste capítulo é feito um apanhado bem geral sobre as divindades desta icônica civilização. É basicamente uma prévia para preparar vocês para a nossa primeira série oficial:

Os pequenos e simpáticos escaravelhos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Tenho uma pequena história de amor com os escaravelhos, alguns são pequeninos e adoráveis, só não os tenho em casa porque seria uma perversidade digna de comparação com a criação de hamsters em gaiolas. O desenho do corpo deles é perfeito e existem milhares de espécies e elas possuem algo em comum: são coprófagas, ou seja, comem fezes (esqueçam as estórias de escaravelhos que comem pessoas vivas).

Os escaravelhos eram identificados pelos egípcios como o deus solar Khepri (Khepra), o senhor do sol nascente e do renascimento de Rá. Cultuado em Heliópolis, a sua relação com o nascer e pôr do sol vem de uma visível analogia a um ato comum na natureza: a prática do escaravelho de fazer bolas de excremento e empurrar estas por longas distâncias. Plutarco cita isto em sua obra “Ísis e Osíris”:

(…) a raça dos escaravelhos não tem fêmea [1], são todos machos. Eles ejetam seus espermas em uma pelota redonda de material que eles saem rolando usando suas patas traseiras, do mesmo modo que o sol aparenta girar nos céus na direção oposta ao seu próprio curso, a qual é do leste para o oeste. (Plutarco; Ísis e Osíris)

A questão do “renascer” é também devido ao fato de que neste excremento é onde são postos os ovos do escaravelho, então tempos depois de enterrar o esterco filhotes deste animal apareciam. Os egípcios antigos acreditavam que este acontecimento era fruto de alguma capacidade misteriosa destes animais de nascerem do “nada”. Daí é retirada mais uma assimilação do escaravelho com Khepri, uma das formas de Atum, um deus demiurgo, ou seja, que surgiu do nada. Outra ligação estabelecida com o sol está em sua viagem realizada enquanto empurra a bola de excremento, associada com a jornada do sol no céu.

Khepri alado. Imagem disponível em: http://ancienthistory.about.com/od/egypt/ig/Ancient-Egypt/Khepri-Scarab.htm

 

Num (representado na forma de um homem) ergue a barca solar com Khepri. Imagem disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Egyptian_mythology#mediaviewer/File:Nun_Raises_the_Sun.jpg

O Coração e a Eternidade

O Coração e a Eternidade: o símbolo tema do Arqueologia Egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Para quem está acompanhado o Arqueologia Egípcia desde a sua criação já deve ter percebido que um símbolo bem incomum prevaleceu no site a partir do tema de 2009. Com sua forma ovulada e uma ave pintada ao centro logo começou a chamar a atenção:

 

 

 

Pertencente aos artefatos da tumba de Tutankhamon, este objeto representa um coração com o tema votivo ao Benu (Bennu).

O nome benu vem do verbo egípcio “brilhar” e na mitologia ele remete aos tempos da criação, tendo o seu grito quebrado o silêncio do início dos tempos, assim como também ao renascimento, o que lhe garantiu comparações com a Fenix, embora o mito do primeiro não possa ser relacionado com a criação do mito da segunda.

Em muitos casos ele é ligado aos deuses e Atum (como também ao ba de Osíris), criando então uma associação com o Sol.

Esta ave é uma das formas utilizadas pelo o falecido para sair de sua tumba, como explica o trecho a seguir do “Livro dos Mortos”:

 

entrei como falcão, mas sai como Benu.

 

No primeiro tema do site escolhi o papiro de Ani, mas agora acredito que o coração (onde os egípcios acreditavam que estaria o centro de todas as suas emoções e ações) e o Benu (símbolo do renascimento e eternidade) podem dar uma idéia melhor do sentimento dos egípcios quanto ao motivo de todas as coisas que construíram e para que fim.

Veja também: Benu, 30/01/2010 <http://www.touregypt.net/featurestories/benu.htm>
Fonte para a imagem: 30/01/2010 <http://www.flickr.com/photos/11787607@N02/3596040207/>