Quais são os principais deuses do Egito Antigo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Certamente você já ouviu falar de Anúbis, Ísis, Osíris e Hórus. Mas sabe quem é Atum? Hapi? Khepri? Veja este post até o final e conheça algumas das mais importantes divindades do Egito Antigo.

Entender a função de cada deus e deusa ajuda e conhecer mais obre o pensamento de uma determinada sociedade. No caso da Antiguidade egípcia, por exemplo, só de dar uma simples olhada na composição dos deuses, formas e funções já podemos arrecadar várias informações. Uma delas é que certamente os egípcios eram bastante ligados à natureza e outra é que não tinham tabus em relação a morte, tentando até dar algum significado para ela.

No nosso episódio piloto da série “Deuses do Egito Antigo” explico de uma forma geral e didática sobre o surgimento e aparência das divindades egípcias. Também ensino como é que os egípcios chamavam os seus deuses:

Rá, Atum, Khepri

Estas três divindades eram relacionadas com o Sol. Atum era um deus criador, nascido no Mar Primordial e quem iniciou a criação de todas as outras divindades e os humanos. Khepri era a manifestação do sol nascente, representado por um escaravelho e Rá a manifestação do Sol do meio-dia.

Sekhmet, Thot, Amon

Sekhmet era filha de Rá e deusa da cura e das artes bélicas, sua forma era a de uma mulher com a cabeça de uma leoa. Já Thot um deus lunar, senhor da sabedoria e escrita, sendo assim o padroeiro dos escribas. E Amon, outrora um deus menor, foi transformado em divindade suprema do Egito a partir do Novo Império.

Tefnut, Shu, Nut, Geb

O casal Tefnut e Shu eram filhos de Atum. A primeira era a representação da umidade e o segundo o deus do ar. Ambos eram os pais de Nut e Geb. Nut era a divindade do céu noturno e Geb o deus que representava a terra. Os dois eram os pais de Ísis, Osíris, Néftis e Seth.

Ísis, Osíris, Seth e Néftis

Estes quatro deuses fazem parte de um dos mitos mais importantes do Egito. Ísis e Osíris era um casal, assim como Seth e Néftis. Os primeiros eram governantes do Egito, até que Osíris foi assassinado por seu irmão invejoso Seth. Para reverter isso Ísis ressuscita o seu esposo que passa a ser o deus do mundo dos mortos.

Hórus, Anúbis, Hathor

Hórus era o filho de Ísis e Osíris e a representação do faraó. Já Anúbis filho de Néftis e Osíris. Seu papel era o de ser o senhor da mumificação e guardião dos cemitérios. Hathor era a deusa do amor, das festas e do desejo sexual.

Maat, Hapi

Maat era a personificação do equilíbrio de tudo. Era a ela quem o faraó deveria responder, assim como todos os humanos. Inclusive está presente durante a pesagem do coração, onde a sua pena deveria ser pesada contra o coração do falecido. Hapi era a divindade que enviava as cheias do Nilo.

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Os deuses do Egito Antigo: o que você precisa saber!

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Após uma longa espera finalmente os leitores e seguidores do site Arqueologia Egípcia podem assistir ao primeiro episodio (ou melhor: episódio piloto) da nossa série “Deuses do Egito Antigo“.

Neste capítulo é feito um apanhado bem geral sobre as divindades desta icônica civilização. É basicamente uma prévia para preparar vocês para a nossa primeira série oficial:

Os pequenos e simpáticos escaravelhos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Tenho uma pequena história de amor com os escaravelhos, alguns são pequeninos e adoráveis, só não os tenho em casa porque seria uma perversidade digna de comparação com a criação de hamsters em gaiolas. O desenho do corpo deles é perfeito e existem milhares de espécies e elas possuem algo em comum: são coprófagas, ou seja, comem fezes (esqueçam as estórias de escaravelhos que comem pessoas vivas).

Os escaravelhos eram identificados pelos egípcios como o deus solar Khepri (Khepra), o senhor do sol nascente e do renascimento de Rá. Cultuado em Heliópolis, a sua relação com o nascer e pôr do sol vem de uma visível analogia a um ato comum na natureza: a prática do escaravelho de fazer bolas de excremento e empurrar estas por longas distâncias. Plutarco cita isto em sua obra “Ísis e Osíris”:

(…) a raça dos escaravelhos não tem fêmea [1], são todos machos. Eles ejetam seus espermas em uma pelota redonda de material que eles saem rolando usando suas patas traseiras, do mesmo modo que o sol aparenta girar nos céus na direção oposta ao seu próprio curso, a qual é do leste para o oeste. (Plutarco; Ísis e Osíris)

A questão do “renascer” é também devido ao fato de que neste excremento é onde são postos os ovos do escaravelho, então tempos depois de enterrar o esterco filhotes deste animal apareciam. Os egípcios antigos acreditavam que este acontecimento era fruto de alguma capacidade misteriosa destes animais de nascerem do “nada”. Daí é retirada mais uma assimilação do escaravelho com Khepri, uma das formas de Atum, um deus demiurgo, ou seja, que surgiu do nada. Outra ligação estabelecida com o sol está em sua viagem realizada enquanto empurra a bola de excremento, associada com a jornada do sol no céu.

Khepri alado. Imagem disponível em: http://ancienthistory.about.com/od/egypt/ig/Ancient-Egypt/Khepri-Scarab.htm

 

Num (representado na forma de um homem) ergue a barca solar com Khepri. Imagem disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Egyptian_mythology#mediaviewer/File:Nun_Raises_the_Sun.jpg

O Coração e a Eternidade

O Coração e a Eternidade: o símbolo tema do Arqueologia Egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Para quem está acompanhado o Arqueologia Egípcia desde a sua criação já deve ter percebido que um símbolo bem incomum prevaleceu no site a partir do tema de 2009. Com sua forma ovulada e uma ave pintada ao centro logo começou a chamar a atenção:

 

 

 

Pertencente aos artefatos da tumba de Tutankhamon, este objeto representa um coração com o tema votivo ao Benu (Bennu).

O nome benu vem do verbo egípcio “brilhar” e na mitologia ele remete aos tempos da criação, tendo o seu grito quebrado o silêncio do início dos tempos, assim como também ao renascimento, o que lhe garantiu comparações com a Fenix, embora o mito do primeiro não possa ser relacionado com a criação do mito da segunda.

Em muitos casos ele é ligado aos deuses e Atum (como também ao ba de Osíris), criando então uma associação com o Sol.

Esta ave é uma das formas utilizadas pelo o falecido para sair de sua tumba, como explica o trecho a seguir do “Livro dos Mortos”:

 

entrei como falcão, mas sai como Benu.

 

No primeiro tema do site escolhi o papiro de Ani, mas agora acredito que o coração (onde os egípcios acreditavam que estaria o centro de todas as suas emoções e ações) e o Benu (símbolo do renascimento e eternidade) podem dar uma idéia melhor do sentimento dos egípcios quanto ao motivo de todas as coisas que construíram e para que fim.

Veja também: Benu, 30/01/2010 <http://www.touregypt.net/featurestories/benu.htm>
Fonte para a imagem: 30/01/2010 <http://www.flickr.com/photos/11787607@N02/3596040207/>