Busca por novas evidências ocultas na tumba de Tutankhamon tem início

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após quase um ano de espera o Ministério das Antiguidades do Egito finalmente liberou a realização de mais uma analise para a busca por câmaras ocultas na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. Localizada no Vale dos Reis, a  sua descoberta ocorreu em 1922, pelo egiptólogo britânico Howard Carter.

Tut Ankh Amon Sarcophagus, Egyptian Museum, Cairo, Egypt

A nova pesquisa será feita com um radar (GPR) de uma equipe da Universidade Politécnica de Turim, coordenada pelo Francesco Porcelli. Também participarão uma equipe egípcia, a Universidade de Turim e três empresas privadas, a Geostudi Astier, 3DGeoimaging e Terravision.

KV-62. As partes amareladas são sugestões do que existiria atrás das paredes. Imagem: Theban Mapping Project (com adições).

A esperança é que esta seja a última de três pesquisas realizadas na sepultura. A proposta desse novo trabalho é sustentar ou desmentir de vez a teoria do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, lançada em 2015, sobre a possibilidade de existência de câmaras ocultas por trás das paredes da KV-62. Isso porque as duas pesquisas anteriores (uma feita em 2015 e a outra em 2016) foram consideradas inconclusivas e discordavam entre si, como vocês podem conferir no vídeo abaixo e através do artigo “Tutankhamon, Zahi Hawass e Nicholas Reeves: quais são as últimas novidades sobre a tumba do faraó”:

Apesar das esperanças contidas nesse projeto, os especialistas advertem que um radar só pode apontar anomalias, ou seja, “espaços vazios”. Pesquisas adicionais são necessárias para definir se tais anomalias seriam câmaras ocultas ou não.

Eles já estão trabalhando no Vale dos Reis há um tempo. As análises ocorrem no horário da noite, quando o lugar está fechado para turistas. As medidas já começaram no último dia 31 de janeiro (2018) e seguiram até o dia 06 de fevereiro. Segundo o professor Porcelli, três diferentes sistemas de radar de última geração serão usados ​​para revelar estruturas escondidas com 99% de confiabilidade. As medidas do GPR serão comparadas com dados obtidos em maio passado usando uma técnica não-invasiva, com base no mapeamento tridimensional do subsolo localizado ao redor do túmulo.

Trabalho realizado pela National Geograhic em 2016. Foto: Kenneth Garrett.

É importante explicar que as pesquisas de maio sugeriram a presença de cavidades suspeitas na rocha a poucos metros da tumba. O GPR ajudará a entender se essas cavidades suspeitas são reais e se elas estão diretamente conectadas a KV62.

Depois que esses dados são coletados, leva semanas para que eles sejam processados e analisados. Como comentei no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”. A ciência é demorada assim mesmo.

Para saber o que mais publiquei aqui no Arqueologia Egípcia sobre o assunto clique aqui.

 

Fontes:

Exclusive Photos: Search Resumes for Hidden Chambers In King Tut’s Tomb. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/2018/02/king-tut-tomb-hidden-chamber-scan-egypt/ >. Acesso em 02 de fevereiro de 2018.

Luz verde para encontrar cámaras secretas en la tumba de Tutankamón. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20180201/44451753981/camara-secreta-tumba-tutankamon-egipto.html >. Acesso em 02 de fevereiro de 2018.

Radar revela localização de antiga cidade

Por Márcia Jamille Costa

 

Uma equipe de arqueólogos austríacos, com o auxilio de um radar, determinou a extensão das ruínas de uma cidade de 3.500 que foi habitada pelos Hicsos, um povo guerreiro da Ásia que dominou o Egito por um século.

Irene Mueller, chefe da equipe, disse que o objetivo da pesquisa é determinar qual a extensão da cidade, que fazia parte de Avaris (ocupada pelos asiáticos durante o final da 12ª até a 13ª Dinastia). As imagens reveladas pelo radar mostram os contornos das ruas, casas e templos, tudo isto está soterrado por lavouras da atual Tell el Dab’a.

As imagens do radar mostram os contornos das casas, ruas e templos sob a lavoura. Mapa divulgado pelo Conselho Supremo Egípcio de Antiguidades no domingo 20 de junho de 2010 (Fonte: AP/Supreme Council of Antiquities)

 

Técnicas não invasivas, em situações como esta, são extremamente importantes, uma vez que o delta do Egito é densamente povoado e tem várias terras usadas para a agricultura

 

(AP/Google)