Arqueólogos no Egito fizeram uma descoberta intrigante: sepultamentos completos de javalis em um cemitério humano

Uma missão arqueológica do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, durante escavações na região de Tell Kom Aziza, na província de Beheira, descobriu parte de uma necrópole do período greco-romano. No entanto, a necrópole foi construída sobre assentamentos muito mais antigos, que remontavam ao Antigo Reino e continuaram ocupados por diferentes períodos até chegar ao Período Tardio, uma época em que a região do Delta ganhou grande importância política.

Três sepultamentos organizados lado a lado, encontrados na região de Beheira. Não foi esclarecido se a parte inferior deles foi removida recentemente ou se corresponde a um processo de degradação ocorrido no passado. Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Muitos vestígios relacionados ao antigo uso da região como uma vila foram encontrados, incluindo cerâmicas, vasos de pedra, formas de pão, fornos e recipientes de armazenamento. Além disso, também foram identificados restos de animais, como peixes e aves, que ajudam a reconstruir o cotidiano das pessoas que viveram ali antes da transformação do local em uma necrópole.

Elementos domésticos encontrados em Beheira. Provavelmente, eles estão relacionados aos assentamentos que existiam no local antes da implantação do cemitério. Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Ao analisarem as sepulturas, os pesquisadores encontraram diferentes tipos de enterramentos: desde covas simples, onde os corpos foram depositados diretamente no solo, até sepulturas revestidas com tijolos de barro. Mas a diversidade da necrópole não aparece apenas na estrutura dos túmulos. A posição dos corpos também variava: alguns indivíduos foram enterrados com os braços cruzados sobre a pélvis, enquanto outros tinham os braços posicionados sobre o peito.

Exemplos das diferentes posições funerárias identificadas nos corpos encontrados no cemitério de Beheira, no Egito. Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Mas, uma das descobertas mais intrigantes certamente foi a presença de sepultamentos de javalis.

Embora os porcos tenham sido domesticados pelos antigos egípcios e seus ossos sejam encontrados em diversos sítios arqueológicos, os javalis, por outro lado, tinham um papel um tanto diferente: eram criados na região do Delta e aqueles que viviam nos pântanos eram caçados pela elite.

Sepultamento de javali. É possível observar que o corpo do animal está completo e com os ossos em ótimo estado de conservação. Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Mas, o que estes animais estavam fazendo em um cemitério humano?

A presença desses animais em um cemitério pode ter alguma relação com o mito do deus Seth. De acordo com a mitologia egípcia, os porcos eram associados a essa divindade, considerada inimiga de Hórus. Por isso, em alguns textos egípcios, eles aparecem sendo sacrificados justamente por representarem uma figura tão controversa.

Estrutura arqueológica encontrada durante as escavações em Beheira. Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Então fica a pergunta: esses javalis teriam alguma relação com esse mito? Ainda não temos uma resposta definitiva.
Inclusive, eu explico melhor essa história no vídeo abaixo.

Fontes:

Beheira discovery sheds light on settlement and burial practices in Greco-Roman period. Disponível em < https://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/41/570199/Antiquities/GrecoRoman/Beheira-discovery-sheds-light-on-settlement-and-bu.aspx >. Acesso em 6 de junho de 2026.

Rare wild boar burials and Greco-Roman cemetery uncovered at Egypt’s Tell Kom Aziza site. Disponível em < https://archaeologymag.com/2026/06/wild-boar-burials-and-greco-roman-cemetery-tell-kom-aziza/ >. Acesso em 18 de junho de 2026.