Exposição explica os poderes mágicos do Livro dos Mortos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Começa no dia 3 de outubro (2017), no Oriental Institute da Universidade de Chicago, a exposição “Book of the Dead: Becoming God in Ancient Egypt” (O livro dos Mortos: Tornando-se deus no antigo Egito). Ela é composta por alguns artefatos funerários egípcios tais como uma múmia de uma antiga mulher da cidade de Akhmim, estátuas, estelas, escaravelhos, tijolos mágicos, ushabtis e alguns textos funerários, como no caso de duas cópias do Livro dos Mortos. Acerca destas, elas estão em exibição na sua totalidade pela primeira vez em um museu.

Foto: Jean Lachat

Os dois papiros do Livro dos Mortos em exibição saíram de duas regiões diferentes do Egito e serão expostos de ponta a ponta. Vale lembrar que cada livro do Livro dos Mortos é uma coleção de feitiços compilados em um único manuscrito que pode ter metros de comprimento.

“A exposição demonstra como os antigos egípcios desenvolveram o Livro dos Mortos para enfrentar a ansiedade mortal da humanidade”, disse Foy Scalf, curador da exposição. “Eles acreditavam que o Livro dos Mortos estava imbuído de poder mágico e quando este poder mágico foi combinado com os rituais funerários apropriados, cada indivíduo poderia se tornar um deus imortal na vida após a morte e assumir a identidade de Osíris, o deus dos mortos”.

Foto: Jean Lachat

“O antigo livro egípcio dos mortos foi frequentemente descrito como um ‘mapa’ do próximo mundo, mas, na realidade, é muito mais do que isso”, disse Scalf. “Cópias do Livro dos Mortos poderiam ter somente um feitiço ou mesmo 165. O conteúdo desses feitiços cobre muitas facetas da espiritualidade dos egípcios: a existência da alma, o que nos espera no pós vida, como seremos julgados, a natureza de deus e a relação contínua com amigos e familiares na Terra”. E complementa “O que descobrimos é que o Livro dos Mortos é sobre a vida eterna, não a morte”.

A exposição apresenta 76 artefatos que demonstram como as crenças religiosas moldaram a vida e a cultura material no Egito durante um período de mais de 2.000 anos. A maioria é da coleção permanente do Instituto Oriental, cujo museu possui a maior coleção de arte egípcia da área de Chicago, bem como galerias dedicadas às outras culturas do antigo Oriente Médio.

 

Fonte:

Exhibit illustrates magical powers of Book of the Dead in ancient Egypt. Disponível em < https://news.uchicago.edu/article/2017/09/22/exhibit-illustrates-magical-powers-book-dead-ancient-egypt >. Acesso em 25 de setembro de 2017.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro “Uma viagem pelo Nilo”.
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