(Parte 2) Bookshelf tour: Livros de Arqueologia e Antiguidade Egípcia #1 (2015)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instragram

Abaixo está a segunda, e última, parte do meu passeio por minha estante de livros de Arqueologia e antiguidade egípcia. Caso queiram me ouvir mostrar e comentar o meu humilde acervo é só dar o play no vídeo abaixo. Mas se ainda não viu a primeira parte é só clicar aqui.

Este foi o pedido da Lohana Oliveira e vocês podem realizar pedidos também aqui no site, no blog ou nos meus perfis nas redes sociais. Mais uma vez peço desculpas por não ter citado o nome de muitos dos autores e editoras, mas podem perguntar acerca lá nos comentários do próprio vídeo. 

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Aha: o “Falcão Guerreiro”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Aha, faraó do Período Arcaico, 1ª Dinastia, provavelmente foi o pioneiro das práticas das quais emergiram a monarquia, como a construção de templos votivos aos deuses e campanhas militares de unificação do Sul e Norte do Egito (RICE, 1999). A identidade dos seus pais é motivo de debates, uma vez que não se sabe se era filho de Narmer ou somente um sucessor escolhido a dedo por ele ou mesmo se era o próprio (RICE, 1999); em relação a sua mãe não sabemos se era filho, consorte [1] ou ambos da rainha Neithotep (BUNSON, 2002; WILKINSON, 2010).

Governo e atividades políticas:

Também chamado de Hor-Aha (Hórus Aha), o “Falcão Guerreiro” (DAVID, R.; DAVID, A., 1992; BUNSON, 2002), durante o seu reinado a arquitetura começou a ser de uma notável qualidade; em adição aos templos que ele diz ter construído, existem evidências de monumentos funerários substanciais, de um tamanho e caráter marcadamente diferente dos do Período Pré-dinástico (RICE, 1999).

Vaso cilíndrico do rei Aha, por Einsamer SchützeObra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons.

Seu nome é citado nas placas de marfim que foram usadas para registrar os eventos mais significativos do governo dos primeiros reis (RICE, 1999). Na “placa de Abidos”, por exemplo, o seu nome já é mostrado dentro de um serekh e menciona a fundação do templo da deusa Neith, um santuário, a captura de um touro selvagem e uma representação de barcos que navegaram indo para antigas cidades nas margens do Nilo (RICE, 1999).

No topo, bem no centro, está um serekh com o nome do rei Aha. TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág. 42.

Datado do seu período também está a tumba 3503 de Saqqara que provavelmente pertenceu a um dos seus ministros. Nela foi encontrada uma maquete mostrando celeiros e outras construções do tipo que teriam estado em uso na época do rei (RICE, 1999).

Morte e sepultamento:

De acordo com a cronografia de Manetho, Aha viveu até os seus 63 ou 64 anos de idade e diz-se que faleceu devido aos ferimentos sofridos durante uma caça a um hipopótamo (RICE, 1999; BUNSON, 2002). Foi enterrado em Saqqara, em uma tumba com 27 armazéns no nível do solo e cinco câmaras subterrâneas. No local foi encontrado um barco solar (BUNSON, 2002), o que o torna um dos mais antigos indícios deste tipo de prática funerária. No local foi encontrado igualmente o corpo de um homem jovem, que acredita-se que tenha praticado suicídio para acompanhar o rei. Outro detalhe é que ele foi sepultado também com leões, animal que viria a compor um importante simbolismo para a manutenção do poder monárquico (BUNSON, 2002; MORRIS, 2010; COSTA, 2014).

Parte da tumba de Aha. B10-B15-B19 em Umm el Ga’ab em Abydos. Foto disponível em < http://profidom.com.ua/poleznoe/148-vseobshhaja-istorija-arkhitektury/489-drevnij-jegipet-ranneje-carstvo-period-i-ii-dinastij-nachalo-iii-tys-do-ne >. Acesso em 29 de junho de 2015.

Entretanto ele erigiu também um cenotáfio, mas em Abidos, onde um considerável número de pessoas jovens, presumivelmente serviçais do rei, todos eles com menos de 25 anos de idade, foram sepultados — não se sabe se assassinados ou se cometeram suicídio —, para atendê-lo no além-vida. Este costume foi difundido durante a 1ª Dinastia (RICE, 1999; BUNSON, 2002).

Com a sua morte o trono foi assumido por seu filho Djer, cuja mãe provavelmente foi uma rainha chamada Khenthap.

Seria ele Narmer?

De acordo com os registros escritos egípcios, a união das “Duas Terras” foi alcançada com a vitória de um rei do Alto Egito (Sul), sob o Baixo Egito (Norte). Tal rei seria um homem chamado Meni (em grego, Menés), que após a sua vitória inaugurou Ineb-hedj, mais conhecida entre nós como Menphis, como capital do reino (DAVID, R.; DAVID, A., 1992; LESKO, 2002; MOKHTAR; VERCOUTTER, 2011; COSTA, 2014). Contudo, outros dois nomes surgiram como possíveis unificadores: Namer e Aha (LESKO, 2002; COSTA, 2014).

Fragmento de faiança vitrificada com o nome de Aha.  Fotografia licenciada sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons.

Namer foi sugerido como unificador devido a “Paleta de Namer”, descoberta em 1897 pelo arqueólogo James Quibell (DAVID, R.; DAVID, A., 1992; DAVID, R., 2011). Nesse artefato o rei é apresentado em dois momentos distintos, usando separadamente as coroas do Alto e Baixo Egito, que, nos anos seguintes, passaram a ser representadas sobrepostas. É em razão da existência deste artefato que alguns pesquisadores apontam que Meni seria em verdade Narmer (BAINES; MALEK, 2008; COSTA, 2014).

Por outro lado, outros pesquisadores apontam que seria Aha o rei Meni, isto porque foi encontrada em Nagada, através das pesquisas de Jean-Jacques de Morgan em 1897, uma tábua onde o nome de ambos foram grafados no mesmo objeto (DAVID, R.; DAVID, A., 1992; BUNSON, 2002; COSTA, 2014).

Para aumentar a confusão foram encontrados em Abidos alguns artefatos com o nome de Meni e Narmer associados (David 1992).

A relação entre Aha com Narmer é totalmente especulativa (DAVID, R.; DAVID, A., 1992; BUNSON, 2002; WILKINSON, 2010; COSTA, 2014). O túmulo da sua mãe — ou esposa — encontra-se em Abidos e trata-se de uma longa e elaborada estrutura. Dentre os artefatos remanescentes foi encontrada uma pequena placa de marfim que mostra Aha e Meni lado a lado (BUNSON, 2002).

Outro rótulo parece ligar Aha com Meni. Ele foi o primeiro rei egípcio a usar o nome nebty em honra “às duas senhoras”, deusas do Alto e Baixo Egito, em sua titulação: neste caso o nome escolhido aparentemente foi Men, o que contribui para que alguns egiptólogos acreditem que ele em verdade seja o lendário Meni (RICE, 1999; BUNSON, 2002).

Referências bibliográficas:

BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts On File, 2002.

COSTA, Márcia Jamille Nascimento. Uma viagem pelo Nilo. Aracaju: Site Arqueologia Egípcia, 2014.

DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

LESKO, Leonard. “Cosmogonias e Cosmologia do Antigo Egito”. In: SHAFER, Byron; BAINES, John; LESKO, Leonard; SILVERMAN, David. As religiões no antigo Egito (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

MOKHTAR, Gamal; VERCOUTTER, Jean. “Introdução Geral”. In: MOKHTAR, Gamal (Org.). História Geral da África Vol. II: África Antiga (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

MORRIS, Ellen F. “The Pharaoh and Pharaonic Office”. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999

WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.

WILKINSON, Toby. “The Early Dynastic Period”. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.


[1] Provavelmente também foi casado com outras duas rainhas: Khenthap e Benerib.

(Palestra) Por dentro da Arqueologia Egípcia: história e desafios

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 28 de janeiro, (quarta-feira), a partir das 20h00 (Horário de Brasília), darei uma palestra na sede da Contextos Arqueologia e ela será transmitida online, ou seja, ao vivo, através do canal do Youtube deles. O tema é “Por dentro da Arqueologia Egípcia: história e desafios” e ela será dividida em duas partes: (1) apresentação da palestra e (2) um bloco para perguntas.

Vocês podem enviar suas questões com antecedência ou na hora da apresentação através do chat do Youtube Live. Este é o link — inclusive é através dele que vocês poderão assistir a palestra —: https://www.youtube.com/watch?v=GZ8mZcYY24Q (é necessário logar no Youtube para enviar mensagens).

Aqueles que desejam assistir a palestra na própria sede da Contextos basta enviar um e-mail para contextos.arqueologia@gmail.com e reservar uma das 7 vagas.

A palestra será gratuita. Para mais informações:

e-mail → contextos.arqueologia@gmail.com
Facebookhttps://www.facebook.com/arqueologiacontextos
Canalwww.youtube.com/user/contextosarqueologia

【Artigo】 Aplicação da Arqueologia de Ambientes Aquáticos no contexto do Egito Antigo

Dádiva do Nilo: um ensaio da Aplicação da Arqueologia de Ambientes Aquáticos no contexto do Egito Antigo | Márcia Jamille Nascimento Costa e Gilson Rambelli (em português):

As investigações relacionadas com sítios arqueológicos de natureza aquática no Egito tiveram início há mais de um século, com a descoberta dos barcos de Dashur e o antigo porto de Pharos, contudo os estudos sobre essa temática ainda estão se desenvolvendo no país. A falta desse conhecimento voltado especificamente para os ambientes aquáticos fez com que o Nilo, por exemplo, fosse compreendido como um local de captação de recursos, ignorando-o como rota fluvial e espaço de socialização, prejudicando a aplicação das pesquisas e debates acerca dos artefatos relacionados com o meio aquático, ou seja, existe como em toda a Arqueologia a tendência por uma visão agrocêntrica do passado, que coloca em um segundo plano a cultura material e imaterial associada à água, apesar da antiguidade egípcia ter um preceito aquático.

Obtenha o artigo: Dádiva do Nilo: um ensaio da Aplicação da Arqueologia de Ambientes Aquáticos no contexto do Egito Antigo ou clicando aqui.

Seminário: História e Arqueologia do Egito Faraônico (Blumenau – SC)

Por Márcia Jamille | @Mjamille | Instagram

Estarei em Blumenau nos dias 21 e 22 de maio para realizar duas palestras durante o “Seminário de Pesquisa LABEAM/Nº V: Diálogos de egiptologia entre a História e a Arqueologia Pública”. Serão elas:

Ataúde Egípcio. Foto: Rob Koopman. 2009.

– Introdução à Arqueologia Egípcia: História e debates;
– Arqueologia de Ambientes Aquáticos aplicada ao contexto do Egito faraônico.

Ambas estarão abertas para todos os públicos, mas os interessados em receber os certificados devem entrar em contato com o LABEAM (Laboratório Blumenauense de Estudos Antigos e Medievais): (47) 3321-0289.

Contato pelo site do LABEAM: http://www.furb.br/web/3909/grupos-de-pesquisa-em-historia/labeam/fale-conosco

No evento também estarei apresentando o meu livro “Uma Viagem pelo Nilo” (https://www.facebook.com/umaviagempelonilo). Então, aguardarei vocês lá!

 

Seti I: o primeiro ramséssida

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

 

Imagem de Seti I na KV-17. Imagem disponível em . Acesso em 05 de agosto de 2013.

Imagem de Seti I na KV-17. Imagem disponível em < http://www.flickr.com/ photos/oar /52193 11780/ >. Acesso em 05 de agosto de 2013.

Seti I (Sethos, em grego), segundo faraó da 19ª Dinastia (Novo Império), cujo nome de batismo era Seti Mery-en-ptah (Do deus Seth, amado de Ptah) [1], foi filho de Paramessu, um homem proveniente do Delta – território o qual tradicionalmente o deus Seti (Seth) era padroeiro – e sem ligações com a realeza, mas que foi designado, apesar do cargo de vizir, como “príncipe hereditário da terra” pelo faraó Horemheb (Novo Império; 18ª Dinastia), pelo fato do rei não ter tido herdeiros (O’CONNOR  et al (b),  2007).

Ao assumir o trono, Paramessu mudou seu nome para Ramsés (I) e incluiu o seu filho, Seti (I), nos assuntos administrativos do país (O’CONNOR  et al (b), 2007; DESPLANCQUES, 2011), e tornando-o co-regente, de acordo com uma estátua de Medamud [1]. O então príncipe assumiria o trono um ou dois anos depois, devido a morte do pai (O’CONNOR  et al (b), 2007), por este motivo Seti I é considerado o derradeiro fundador da dinastia ramsessida [2].

Ele foi casado com Tuya (Toya), a mãe de Ramsés II, a qual não recebeu muito destaque no seu governo até a morte do esposo, mas com a viuvez ela foi presenteada com construções e um templo em sua honra a mando de seu filho (O’CONNOR  et al (b), 2007). O Casal Real teve mais outras três crianças: um primogênito (mas falecido jovem), Tia e Hanutmiré (que casou-se mais tarde com o irmão Ramsés II) [1].

 

Governo e atividades militares:

Seti I já era nascido, inclusive um oficial e pai de Ramsés (II), quando Horemheb ainda era vivo, e teve educação nas artes bélicas, provavelmente por influencia da distinção que uma carreira militar tinha entre a alta nobreza egípcia. Esta educação foi bem a calhar em seu governo, que era herdeiro de uma ideologia que pregava o discurso de que acima de tudo o faraó deveria proteger as fronteiras do Egito e assim manter a maat.

Imagem de Seti I na KV-17. Imagem disponível em . Acesso em 05 de agosto de 2013.

Imagem de Seti I na KV-17. Imagem disponível em < http://www.flickr.com/photos/soloegipto/4092548965/ >. Acesso em 05 de agosto de 2013.

Em uma inscrição em sua biografia conservada em uma das paredes da sala hipostila de Karnak possuímos a narrativa de uma batalha com o Seti I como protagonista:

Sua majestade exulta no princípio da batalha, compraz-se em participar; seu coração regozija-se com a visão do sangue. Ele corta as cabeças dos dissidentes. Mais que a celebração da vitória, ama o momento de abater o inimigo (O’CONNOR  et al (b), 2007, pág. 17).

Assim como seus antecessores ele entrou em choque com os hititas, batalhando contra o rei Muwatallis, momento em que estabeleceu a fronteira de Kadesh no rio Orontes entre o Líbano e as montanhas do Anti-Líbano [2]. Também ordenou incursões bélicas no norte da Palestina e Síria e fortificou as fronteiras egípcias [2].

 

Algumas construções:

Seti I seguiu a tradição de construtor, mas uma das suas mais emblemáticas obras é o seu templo funerário em Abidos, no Alto Egito, onde se retratou, mais o filho Ramsés (II), como herdeiro legítimo de Amenhotep III, excluindo todos os faraós desde Akhenaton até Ay. Esta atitude provavelmente se deu pela a experiência amarniana que viria a ser condenada por Horemheb, iniciando assim o desmantelamento de templos votivos ao deus Aton e aos sucessores de Akhenaton (O’CONNOR et al (a), 2007; DESPLANCQUES, 2011). Por outro lado, o seu catálogo é impreciso em outro sentido, listando somente 75 monarcas a partir de Meni (Menés, em grego), o qual, de acordo com a tradição egípcia, acreditava-se ser o fundador do Egito unificado e da primeira dinastia (O’CONNOR  et al (b),  2007).

Templo de Seti I em Abidos. Imagem disponível em . Acesso em 05 de agosto de 2013.

Templo de Seti I em Abidos. Imagem disponível em < http://www.flickr.com/photos/soloegipto/5451575592/ >. Acesso em 05 de agosto de 2013.

Também reabriu minas e pedreiras, restaurou templos e capelas que estavam degradados, dando especial atenção aos templos danificados por Akhenaton (18ª Dinastia; Novo Império) e concluindo construções de Tutankhamon (BRAND, 2009). Seus programas de reparos foram gravados com o uso da palavra sm3wymnw, marca de renovação bastante empregada para registrar sua autoria nestes restauros (BRAND, 2009). Ele também ampliou a Grande Sala Hipóstila de Karnak e construiu edifícios para a sua honra também na Núbia (atual Sudão) e na Ásia Ocidental (BRAND, 2009).

Seti I e o jovem Ramsés II em Abidos. Foto: O’CONNOR, David; FREED, Rita; KITCHEN, Kenneth (b). Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007. Pág. 35.

Seti I e o jovem Ramsés II em Abidos. Foto: O’CONNOR, David; FREED, Rita; KITCHEN, Kenneth (b). Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007. Pág. 35.

O maior problema em relação a este assunto é se entender a cronologia de acontecimentos dentro do seu reinado, especialmente em relação ao seu programa de construção (BRAND, 2009), uma vez que após a sua morte alguns dos seus predecessores imediatos, especialmente seu filho Ramsés II, dedicaram templos em seu nome (BRAND, 2009).

 

Sepultamento:

Ele governou possivelmente por 13 anos (existindo uma divergência de opiniões que põe seu fim entre 17 e 20 anos de reinado) [1], provavelmente de causas naturais, e foi sepultado no Vale dos Reis, na tumba KV17, descoberta em outubro de 1817, pelo explorador Giovanni Battista Belzoni (1778 — 1823), e se constitui de um dos maiores túmulos da necrópole.

 

Para saber mais:

Livro: The Monuments of Seti I: Epigraphic, Historical and Art Historical Analysis, de Peter J. Brand.

Livro: The Monuments of Seti I.

Livro: The Monuments of Seti I.

Embora caro (€210,00, no valor do título na língua original), este livro é o resultado das pesquisas para a tese de doutorado do professor Brand acerca dos monumentos realizados por Seti I e os que foram associados a ele mesmo após a sua morte. Apresenta metodologias de análises, como o reino de Seti I influenciou na instituição do discurso ramséssida e um ensaio acerca da família do faraó. Não é um livro dedicado para amadores, embora possua uma leitura fácil, mesmo em inglês.

 

Referências:

BRAND, Peter. The Monuments of Seti I: Epigraphic, Historical and Art Historical Analysis. Brill, 2009.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark (a). Grandes civilizações do passado: Terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2007.

O’CONNOR, David; FREED, Rita; KITCHEN, Kenneth (b). Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007.

[1] “Seti I by Jimmy Dunn”. Disponível em < http://www.touregypt.net/featurestories/seti.htm >. Acesso em 14 de novembro de 2013.

[2] “Seti I”. Disponível em < http://global.britannica.com/EBchecked/topic/536230/Seti-I >. Acesso em 12 de novembro de 2013.

Sugestões de livros sobre o Antigo Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamilleInstagram

Devido ao número excessivo de mensagens que eu recebo de pedidos de sugestões de livros (embora ao final de cada texto eu deixe uma pequena lista de referências), resolvi escrever um post acerca.

Escolhi livros com temas gerais tanto em português como em inglês e planejo por updates sempre que possível.

Por favor, nos comentários não perguntem onde podem comprar, não tenho tais informações.

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Lista:

◘ ALLEN, James. The Ancient Egyptian Pyramid Texts. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2005.

◘ BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

◘ BAGNALL, Roger; BRODERSEN, Kai; CHAMPION, Craige; ERSKINE, Andrew; HUEBNER, Sabine. The Encyclopedia of Ancient History. Oxford: Wiley-Blackwell, 2012.

◘ BARD, Kathryn. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Oxford: Blackwell, 2007.

◘ BRANCAGLION Jr., Antonio. Tempo, material e permanência: o Egito na coleção Eva Klabin Rapaport. Rio de Janeiro: Casa da Palavra – Fundação Eva Klabin Rapaport, 2001.

◘ BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts On File, 2002.

◘ COSTA, Márcia Jamille Nascimento. Uma viagem pelo Nilo. Aracaju: Site Arqueologia Egípcia, 2014.

Estela de pedra de Iuny e Renut representando Khay na parte inferior realizando uma oferenda juntamente a um escriba. Imagem disponível em . Acesso em 25 de fevereiro de 2013.

Estela de pedra de Iuny e Renut. Imagem disponível em < http://www.ancient-egypt.co.uk/ashmolean/ pages/ashmolean_ sep2006_%20327.htm >. Acesso em 25 de fevereiro de 2013.

◘ David O’CONNOR, Rita FREED e Kenneth KITCHEN. Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007.

◘ DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

◘ DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

◘ DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

◘ DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

◘ GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

◘ IKRAM, Salima. Divine Creatures: Animal Mummies in Ancient Egypt. Cairo: The American University in Cairo, 2005.

◘ KEMP, Barry. El Antiguo Egipto: Anatomía de uma civilización (Tradução de Mònica Tusell). Barcelona: Crítica, 1996.

◘ KI-ZERBO, Joseph (Org.). História Geral da África I: Metodologia e Pré-história da África. (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

◘ LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

◘ MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.

◘ MOKHTAR, Gamal. História Geral da África Vol. II: África Antiga (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

◘ MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). Barcelona: Folio, 2006.

◘ REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 2008.

◘ SHAFER, Byron. Sociedade, moralidade e práticas religiosas (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

◘ SILIOTTI, Alberto. Viajantes e Exploradores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira). Barcelona: Editora, 2007.

◘ SILIOTTI, Alberto. Primeiros Descobridores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Editora, 2007.

◘ STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

◘ TALLET, Pierre. A culinária no Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Júlia Braga, Joana Bergman). Barcelona: Folio, 2006.

◘ TOLEDANO, Joseph; EL-QHAMID. Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito (Suzel Santos, Carlos Nougué). Barcelona, Folio, 2007.

◘ WENDRICH, Willeke (Ed). Blackwell Studies in Global Archaeology: Egyptian Archaeology. New Jersey: Wiley-Blackwell, 2010.

◘ WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.

Finalmente foi ofertada a disciplina Arqueologia Egípcia na UFS

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram 

 

Finalmente foi ofertada a disciplina Arqueologia Egípcia para a graduação do Núcleo de Arqueologia da UFS.

Fico extremamente feliz com a notícia porque eu estava no dia em que a nova grade – na qual esta matéria foi agregada – tinha sido apresentada pela primeira vez e agora finalmente posso vê-la sendo oferecida para o próximo período.

O responsável pela disciplina é o Prof. Dr. José Roberto Pellini, arqueólogo egiptólogo e especialista em Arqueologia Sensorial.

Print da oferta realizada através do SIGAA. Captura: Thauan Silva. 2013.

Print da oferta realizada através do SIGAA. Captura: Thauan Silva. 2013.

Igualmente estou satisfeita em saber do entusiasmo dos alunos em se matricular na disciplina. Espero que usem também toda esta animação para se dedicarem ao estudo desta civilização impar.

Em complemento:

Placa na cidade de Luxor: “Olhe para a glória do antigo”. Past Preservers.

Placa na cidade de Luxor: “Olhe para a glória do antigo”. Past Preservers.

[Vídeo] Entrevista com Márcia Jamille sobre a Arqueologia Egípcia

 

Abaixo está o vídeo feito comigo onde sou entrevistada pelo João Carlos Moreno de Sousa (estudante de Arqueologia no MAE-USP e administrador do Arqueologia e Pré-História) acerca de assuntos tais como a Arqueologia Egípcia, os egiptólogos que mais admiro, algumas pesquisas no Egito, minhas próprias pesquisas e um pouco acerca do meu site.

Também faço o anuncio do tema do meu primeiro livro que será lançado em breve. Abaixo o vídeo: