Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo

Por Márcia Jamile | @MJamille | Instagram

 

Roubada no dia 14 de agosto de 2013, a estatueta da filha de Akhenaton, a até então princesa Ankhesenpaaton, esteve desaparecida até ter sido confirmado o seu retorno ontem (08 de dezembro de 2013).

Abaixo imagens do objeto, que estava levemente danificado quando foi encontrado:

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

 

A princesa Ankhesenpaaton foi uma das herdeiras de Akhenaton. Ao abandonar a cidade idealizada por seu pai trocou seu nome por “Ankhesenamon”. Foi casada com o faraó Tutankhamon.

Estátua de filha de Akhenaton roubada do Museu de Mallawi foi recuperada

Por Márcia Jamile | @MJamille | Instagram

Saqueado em 14 de agosto de 2013, durante os protestos pró e contra o ex-presidente Mohamed Mursi, o Museu de Mallawi teve 1040 objetos roubados dos 1089 que estavam no museu. 49 ainda permaneciam no edifício quando o mesmo foi incendiado ainda naquela semana.

Dentre os artefatos roubados estava uma estatueta de uma das filhas de Akhenaton, identificada como Ankhesenpaaton (futura Ankhesenamon), um dos objetos mais famosos da coleção:

http://www.elaosboa.com/show.asp?id=7107&vnum=elaosboa&page=Arts#.UgwJEWQ_n-u Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid=675137912516273&set=a. 675090315854366.1073741831. 648057078557690&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Ao longo dos meses, com o auxilio da INTERPOL, mais da metade dos objetos saqueados já tinham sido recuperados (800 no total), exceto a estatueta amarniana. No entanto, hoje (08 de dezembro de 2013), foi confirmada a notícia de que este artefato finalmente foi encontrado, mas não foi divulgado onde ele estava.

Na ocasião da invasão do Museu de Mallawi, além das perdas físicas, um guarda que tentava proteger o local foi assassinado.

Fonte da notícia:

Statue of Pharaoh Tutankhamun’s sister recovered. Disponível em < http://english.alarabiya.net/en/life-style/art-and-culture/2013/12/08/Statue-of-Pharaoh-Tutankhamun-s-sister-recovered.html >. Acesso em 08 de dezembro de 2013.

Imagens do Museu de Mallawi após os saques e incêndio

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Invadido e saqueado no dia 14 de agosto de 2013 e parcialmente incendiando no dia seguinte (15 de agosto de 2013), o Museu de Mallawi sofreu uma série de perdas onde soma-se a uma vida humana (um dos seguranças do local foi assassinado), a danificação do edifício e o roubo de 1040 objetos arqueológicos dos 1089 que estavam no prédio.

Durante o incêndio os 49 artefatos restantes ainda permaneciam no local, resultando no comprometimento de alguns pelo fogo. Abaixo imagens:

Sarcófago de madeira jogado no chão após invasão ao Museu Nacional de Mallawi. Foto: Marwa Ahmed. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=575852482453523&set =a.253473151358126.58859. 226475497391225&type =1&relevant_count=1011  >. Acesso em 17 de agosto de 2013.

Sarcófago de madeira jogado no chão após invasão ao Museu Nacional de Mallawi. Foto: Marwa Ahmed. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=575852482453523&set =a.253473151358126.58859. 226475497391225&type =1&relevant_count=1011 >. Acesso em 17 de agosto de 2013.

Museu de Mallawi após roubo 02

Fundo de um sarcófago de madeira em meio aos artefatos e moveis quebrados no Museu Nacional de Mallawi. Foto: Monica Hanna. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=575867929118645&set= pb.226475497391225.-2207520000. 1377024030.&type=3&src= https%3A%2F%2Ffbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net% 2Fhphotos-ak- ash3%2F1174676_575867929118645_ 236904660_n.jpg&size=634%2C404 >. Acesso em 17 de agosto de 2013.

Vitrines quebradas. Outrora elas exibiam os artefatos do Museu Nacional de Mallawi.

Vitrines quebradas. Outrora elas exibiam os artefatos do Museu Nacional de Mallawi.

Artefatos danificados do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em . Acesso em 20 de agosto de 2013.

Artefatos danificados do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em < http://egyptianstreets.com/2013/08/20/the-allegory-of-the-mallawi-museum-history-lost/ >. Acesso em 20 de agosto de 2013.

Artefato danificado do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em . Acesso em 20 de agosto de 2013.

Artefato danificado do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=576423879063050&set= pb.226475497391225.-2207520000. 1377024030.&type=3&theater>. Acesso em 20 de agosto de 2013.

 

Vídeo mostrando o Museu Nacional de Mallawi após invasão e saque: 

Felizmente algumas das peças roubadas já foram reavidas. Civis egípcios estão se dedicando na recuperação dos artefatos levados e o governo está trabalhando conjuntamente com a INTERPOL para barrar quaisquer tentativas de vendas ilegais de artefatos arqueológicos.

O MSA também já iniciou o trabalho de remoção dos artefatos remanescentes do local (14 ao todo) os quais serão transferidos para os depósitos do Al-Ashmounein onde estão recebendo o tratamento adequado por parte de uma equipe de restauro.

 

Remoção de alguns dos artefatos do Museu Nacional de Mallawi. Foto: Monica Hanna. Imagem disponível em . Acesso em 20 de agosto de 2013.

Remoção de alguns dos artefatos do Museu Nacional de Mallawi. Foto: Monica Hanna. Imagem disponível em < https://www.facebook.com /photo.php?fbid=676172394286&set= a.578759400706.2043916.134500521&type 1&theater >. Acesso em 20 de agosto de 2013.

 

Fonte:

Malawi Museum artefacts being restored. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/44/79392/Heritage/Museums/Malawi-Museum-artefacts-being-restored.aspx >. Acesso em 20 de agosto de 2013.

 

URGENTE – Confirmado: o Museu de Mallawi foi saqueado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Ontem eu tinha anunciado na página do Arqueologia Egípcia no Facebook que existiam denuncias de que o Museu de Mallawi, no Médio Egito, tinha sido roubado. Hoje pela manha o MSA confirmou em nota que de fato o edifício foi atacado e saqueado esta terça-feira (14 de agosto de 2013).

De acordo com informações não oficiais o diretor do museu foi agredido e um guarda assassinado.

Mohamed Ibrahim, ministro das antiguidades, está tomando medidas legais para evitar que quaisquer artefatos arqueológicos sejam levados por contrabandistas para fora do país.

Um inventário oficial das peças roubadas ainda não está disponível, mas a página Egypt’s Heritage Task Force está organizando, com o auxílio de internautas, um álbum de peças que se encontravam no museu e que podem estar desaparecidos agora. Dentre muitos dos objetos levados está uma estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton (Novo Império; 18ª Dinastia; Período Amarniano).

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid=675137912516273&set=a. 675090315854366.1073741831. 648057078557690&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Infelizmente roubos e furtos de peças arqueológicas ocorrem principalmente porque existem pessoas dispostas a comprar estes objetos.

Update – 17h54 | 15 de Agosto

 

◘  Correm relatos não confirmados de que a estátua da filha de Akhenaton foi encontrada por moradores. A INTERPOL já foi acionada em relação aos artefatos roubados.

◘ Outro relato é que o Museu de Mallawi está em chamas e ainda existem artefatos lá dentro.

 

Update – 19h27 | 15 de Agosto

 

◘ Os objetos roubados da coleção somam 1040, dos 1089 que estavam no museu, ou seja, 49 ainda permaneciam no edifício no momento do incêndio, o qual, ainda não se sabe a gravidade ou se fez vítimas.

 

Updates via Luxor Times e Monica Hanna.

URGENTE – Sítios arqueológicos e museus serão fechados por tempo indeterminado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Os sítios arqueológicos e museus de todo o país ficarão fechados indefinidamente. Esta é uma medida preventiva em resposta à onda de violência que está ocorrendo no Egito desde a expulsão de Mohammed Morsi da presidência e a seguinte tentativa do exército egípcio em dissolver a Irmandade Muçulmana.

Museu Egípcio do Cairo. Disponível em  Acesso em 28 de Janeiro de 2011.

Museu Egípcio do Cairo. Disponível em < http://wingstoafrica.com/egyptian-museum-cairo-2.html > Acesso em 28 de Janeiro de 2011.

A liminar definida pelo Ministry of State for Antiquities (MSA) tem por objetivo evitar futuros saques aos museus e sítios arqueológicos.

Fonte:
Egypt’s archaeological sites and museums closed indefinitely. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/79035.aspx >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Hawass fala sobre os artefatos furtados

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Publicado blog do Dr. Zahi Hawass (no dia 16 ou 17 de fevereiro de 2011, infelizmente as mensagens do site dele não são mais datadas) temos mais um texto com dados dos trabalhos do SCA para averiguar os danos realizados por quaisquer atividades de furtos de antiguidades e a busca pelas peças sumidas do Museu Egípcio. Abaixo a tradução integral, mas caso tenha alguma sugestão para o texto, por favor, escreva para marcia@arqueologiaegipcia.com.br:

 

Atualização sobre o estado atual das antiguidades

Dr. Zahi Hawass, Ministro do Estado para as Antiguidades, anunciou hoje que uma comissão de arqueólogos completou uma busca preliminar no Museu Egípcio e seus arredores. O desaparecido Escaravelho do Coração de Yuya foi encontrado na zona oeste dos jardins do museu perto da livraria nova. Fragmentos de madeira pertencente ao danificado sarcófago do Novo Império, repousado no segundo piso do museu, também foram encontrados nesta mesma área. A equipe de busca também encontrou um dos onze shabts faltosos de Yuya e Tuya debaixo de uma vitrine. Fragmentos pertencentes a estátua de Tutankhamon sendo transportado pela deusa Menkaret foram encontrados; Todos os fragmentos localizados pertencem à figura de Menkaret. A pequena figura do rei não foi encontrada.

Dr. Zahi Hawass disse que ao que parece os saqueadores deixaram cair objetos durante a fuga, e cada centímetro do museu deve ser vasculhado antes do Registro, Gestão de Coleção, e Departamento de Catalogação, que está supervisionando o inventário, pode produzir um relatório final completo do que está faltando exatamente. A equipe do museu não está ainda em condições de deslocar-se livremente dentro do museu, e tem, até agora, que andar em grupos de 10 – 15 pessoas, acompanhados por soldados. Infelizmente, isto tem deixado as buscas lentas, e tornado muito difícil a realização de um inventário final. O exército está permitindo pouquíssimas pessoas entrar no museu, e a primeira vez que o pessoal do escritório do museu foi permitido entrar foi em 6 de Fevereiro de 2011. A lista anunciada em um comunicado a impressa em 12 de Fevereiro, 2011, é preliminar e continuará a ser atualizada a medida que novas informação vêm à luz. Como o Dr. Zahi Hawass declarou anteriormente até que a completa e exaustiva busca no museu e seus arredores esteja completa e todas as vitrines danificadas inventariadas, a lista de objetos desaparecidos não estará finalizada.

Um dos onze shabti ausentes pertencentes a Yuya. Foto: Museu Egípcio do Cairo. Retirado de dr.Hawass. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/update-current-state-antiquities > Acesso em 17 de fevereiro de 2011.

Dr. Zahi Hawass gostaria de esclarecer suas declarações anteriores de que nada estava faltando. Durante a primeira passagem do grupo de busca pelo o museu, objetos que primeiramente pensava-se que estavam faltando foram encontrados jogados dentro de latas de lixo e cantos mais distantes de seu local original, e ele tinha sido levado a acreditar que uma varredura completa do museu poderia ter sucesso em localizar os objetos desaparecidos. Contrabandistas* normalmente seriam cuidadosos para não danificar os objetos que planejam tomar. Assim a impressão inicial era de que os atacantes eram vândalos em vez de ladrões. Ele foi também mal informado por um dos funcionários do museu sobre a estátua de Akhenaton com uma bandeja de oferendas; foi-lhe dito que ela foi somente danificada enquanto, de fato, desaparecida. Em acréscimo para expressar o que ele então firmemente acreditava, que a equipe do museu continuaria** a localizar os objetos desaparecidos. Suas intenções com estas declarações anteriores foram para tranqüilizar o mundo de que o dano no museu, apesar de trágico, foi muito menos terrível do que o temido de início, e para deixar claro que a maioria das maiores obras-primas do museu, incluindo a máscara de outro de Tutankhamon, estavam salvas.

AFP (não, como reportado na impressa egípcia, CNN) veiculou que a famosa máscara de ouro de Tutankhamon foi roubada. Isto é totalmente falso. Semana passada, Dr. Zahi Hawass levou vários representantes da impressa, incluindo ABC World News, NBC, Associated Press, e Reuters, dentre outros, para o Museu Egípcio, Cairo. Todos os repórteres e jornalistas puderam ver, fotografar, e filmar a máscara situada segura em sua galeria que está atrás de um portão de ferro que os ladrões foram incapazes de adentrar. Em acréscimo, os dois sarcófagos de ouro e os itens encontrados por Howard Carte na múmia em 1925, todos os quais estão na mesma galeria, estão bem seguros. Dr. Hawass expressou seu desapontamento com a AFP por anunciar uma história tão sensacionalista sem antes verificar os fatos. As 13h30 de ontem, Dr. Hawass recebeu uma ligação do Sr. Riad Abu Awad, o chefe do escritório da AFP no Egito. Ele negou que sua agência negligenciou a história. No entanto, muitos jornais online parecem ter citado diretamente a AFP (North Korean News, Caribbean News, All Voices, Nvision UG Monitr, Nevada State News). Hoje, Dr. Zahi Hawass levou membros da impressa para o museu para mostrar que a máscara está salva.

No domingo, Dr. Hawass recebeu o relatório preparado pelo comitê que ele tinha enviado para verificar o depósito De Morgan em Dahshur; de acordo com este relatório todos os grandes e pequenos blocos estão salvos. Os únicos itens que faltam parecem ser pequenos amuletos. Arqueólogos no local tinham instalado previamente um portão de ferro e garantiu que vigias guardassem o depósito. Apesar destas precauções, Dr. Hawass anunciou que o depósito foi atacado pela segunda vez segunda-feira à noite, e os ladrões foram capazes de dominar e amarrar os guardas. Dr. Hawass nominou um novo comitê para averiguar o atual estado do depósito.

Um comitê para revisar o depósito de Qantara Oeste no Sinai, também foi nomeado pelo Dr. Hawass. Este depósito sofreu um arrombamento na noite de 28 de Janeiro, 2011; ladrões roubaram caixas cheias de objetos, dos quais, até a data, 298 foram devolvidos***. O comitê conduzirá um inventário completo e comparará com o inventário anterior para determinar se tudo ou não foi devolvido.

Dr. Hawass disse que as notícias mais importantes de hoje foi a que o Escaravelho do Coração e o shabit foram encontrados nas dependências do museu ele tem fé que o comitê que ainda fazem a busca no museu possam localizar mais dos objetos perdidos.

 *Professionals out to steal would (…)” Não entendi o que ele quis passar com a frase, “contrabandistas” parecia fazer sentido.

** “ (…) which was that museum staff would continue (…)”.

*** Não sei julgar se é a mesma história, mas um boato que rondou na época dos protestos era de que tuaregues teriam entregado cerca de 200 artefatos, que segundo dizem teriam sido roubados outrora, ao conselho de antiguidades.

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

A revolta virou contra Hawass

Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Discovery Channel, BBC, The History Channel National Geographic, estas são só algumas das emissoras que já receberam Dr. Zahi Hawass para lhes dar algumas de suas palavras. Famoso por suas investidas em nome da repatriação de peças arqueológicas já foi dado como uma das pessoas mais influentes do mundo. Polêmico e arrogante, Hawass ao nível que ganhava uma legião de fãs embolsava detratores.

 

Historicamente o Supremo Conselho de Antiguidades era regido por estrangeiros. Quando Mostafa Amer tornou-se o primeiro egípcio a tomar a posição de diretor do SCA o acontecimento tornou-se notório, desde então somente egípcios têm assumido o cargo, e uma Arqueologia Imperialista deu lugar a uma Arqueologia Nacionalista desesperada pelos fundos retirados do turismo e preocupada com a preservação do passado dos faraós. Hawass – ou Big Boss como anos atrás era chamado – surgiu neste cenário primeiramente recatado e com o objetivo maior de levar de volta ao Egito as peças arqueológicas tidas como “únicas” como a Pedra de Roseta e o busto de Nefertiti, esta sua determinação o tornou famoso e requisitado, principalmente com a descoberta do sepulcro das chamadas “múmias douradas”. Em menos de dez anos Hawass tornou-se o arqueólogo mais conhecido do mundo e era o favorito para aparecer em programas de TVs e entrevistas.

 

 

Dr. Zahi Hawass. Foto: Meghan E. Strong. Retirado de: Dr. Hawass. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 13 de Janeiro de 2011.

 

 

Hoje sua popularidade o coloca na berlinda, muitos acadêmicos ligados a área da Arqueologia Egípcia olham com repudia suas freqüentes aparições na impressa que não raramente são seguidas por algum comentário polêmico. O apelido Big Boss hoje foi substituído por recriminações ligadas ao seu “estrelismo”, críticos começaram a surgir de todos os lados, inclusive de pessoas que nunca sequer trabalharam em escavações no país. Mas a crítica maior surgiu esta semana no próprio Egito saindo dos seus próprios conterrâneos: jovens arqueólogos preocupados com o desemprego na sua área de atuação.

 

Um dos grandes problemas no Egito é a falta de emprego que atinge também vários arqueólogos do país, profissionais que na teoria deveriam trabalhar para o governo, mas que na prática, alegam, nunca receberem uma oportunidade por parte de Hawass. “Ele não quer saber de nós”, disse o recém formado Gamal El-Hanafy de 22 anos – que se formou na Universidade do Cairo em 2009 – carregando em uma pasta seus certificados, “Ele só se preocupa com a propaganda”. Gamal El-Hanafy, assim como cerca de 150 formandos em arqueologia se reuniram nesta segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011, em frente a cede do Supremo Conselho de Antiguidades onde Hawass tem um escritório. Eles argumentam que a indústria de turismo alimenta a economia, mas não sabem como é que este dinheiro é gasto e assim acusam o Ministério de corrupção.

 

Embora não exista afirmações que confirmem, sugere-se que parte da revolta tem amarração com a ligação de Hawass com Mubarak. Hawass aceitou o cargo de Ministro das Antiguidades durante a paralisação quando o ex-presidente tentava amenizar os ânimos dos protestantes demitindo o antigo conselho e criando um novo. Outro problema está em alguns dos comentários de Hawass que pareciam apoiar Mubarak a exemplo do último dado após a saída do ditador e Hawass constatar que peças do Museu Egípcio do Cairo estariam sumidas: “Eu disse que se o Museu Egípcio é seguro, então o Egito é seguro. No entanto, eu agora temo que o Egito não é seguro” frase que acabou coincidido com algumas das afirmações de Mubarak de que manteria o Egito protegido. Especulações à parte, muitas das críticas contra Hawass são de cunho pessoal, mas que tomaram carona na onda de protestos que cercaram o Egito. Não se sabe ainda qual a posição dos demais trabalhadores da área da arqueologia que estão espalhados pelo o resto do país, mas o grupo reunido da segunda-feira, e que foi disperso, prometeu retornar para frente do Supremo Conselho de Antiguidades e protestar de forma pacifica pelo o direito a uma oportunidade de trabalho.

 

[cincopa A4CA-c6znaQQ]

 

Fonte:

Protesters target Egypt’s antiquities chief. Disponível em: http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5gNv6IKRhurEYPmjAzVk86a0tsX8g?docId=d818e386afeb449d988b51bc767e96d7 Acesso em 15 de Fevereiro de 2011.

 

  

Restauração das peças do Museu Egípcio

Com a vitória de ontem (11 de Fevereiro de 2011) da população em expulsar Hosni Mubarak do poder os egípcios começam pouco a pouco a retornar a normalidade. Muitos já voltaram ao trabalho, outros fazem mutirões para limpar as ruas. Mas desde que os protestos estavam ocorrendo restauradores já estavam trabalhando para tentar consertar os estragos feitos pelos criminosos que entraram no Museu do Cairo no dia 28 de Janeiro de 2011.

 

[cincopa AkBABf6_VqUe]

Triste Notícia – Por Zahi Hawass

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Vendo o blog do Dr. Zahi Hawass agora temos uma notícia desconcertante sobre a invasão ao Museu Egípcio do Cairo. Fiz a tradução integral da mensagem e caso tenha alguma sugestão para a tradução, por favor, escreva para marcia@arqueologiaegipcia.com.br :

Triste Notícia

Os auxiliares do departamento de banco de dados do Museu Egípcio do Cairo me deram seu relatório do inventário dos objetos do museu após o arrombamento. Infelizmente, eles descobriram que objetos do museu estão sumidos. Os objetos desaparecidos são os seguintes:

1 – Estátua dourada de madeira de Tutankhamon sendo carregado por uma deusa;

2 – Estátua dourada de madeira de Tutankhamon com arpão. Apenas o torso e membros superiores do rei estão em falta;

3 – Estátua de calcário de Akhenaton segurando uma bandeja de oferendas;

4 – Estátua de Nefertiti fazendo oferendas;

5 – Cabeça de arenito de princesa de Amarna;

6 – Estátua de pedra de um escriba de amarna;

7 – Shabtis de madeira de Yuya (11 peças);

8 – Escaravelho do coração de Yuya.

Investigadores começaram a procurar pelas pessoas que roubaram estes objetos, e a polícia com o exército planejam ter com os criminosos já presos. Eu disse que se o Museu Egípcio é seguro, então o Egito é seguro. No entanto, eu agora temo que o Egito não é seguro.

Em outra terrível cadeia de acontecimentos, noite passada um depósito em Dahshur foi arrombado; ele chama-se De Morgan’s. Este depósito contém grandes blocos e pequenos artefatos.

 

Texto no original: Sad News. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/sad-news > Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

 Update

Desde ontem (14 de Fevereiro de 2011) estão rondando alguns boatos de que três das oito peças listadas foram encontradas dentro do próprio Museu Egípcio na área da bilheteria (provavelmente largadas durante a bagunça). Segundo os mesmos uma das peças são os pedaços faltosos da estátua de Tutankhamon e o escaravelho de Yuya.

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

“Seja bem vindo Egito”

Ontem quando fiquei sabendo da renuncia de Mubarak a ficha demorou a cair por vários minutos. Fiquei de olho na CNN o tempo todo esperando que alguém desmentisse, mas o que vi foram fogos de artifício, gritos de alegria e por fim muitas pessoas voltando para casa com os seus carros sendo “abençoados” pela bandeira egípcia.

Euforia, revolução e vitória, estas são, dentre tantas, as palavras que descreveram o dia de ontem… Ontem que já tinha sido decidido que iria se chamar “dia dos mártires” em homenagem as pessoas que morreram durante os confrontos e que agora muitos acreditam que por um intermédio divino olharam pela revolução.

 

Este foi um protesto legítimo e, apesar de alguns grupos que usaram de má fé o propósito, foi simplesmente elegante no sentido que todos mantiveram um respeito mútuo e pessoas de várias idades e ambos os sexos dormiram durante dezoito dias debaixo do mesmo Sol e da mesma Lua, astros que outrora abençoaram os seus antecessores otomanos, romanos, macedônios, persas, núbios e egípcios da era faraônica. O Cairo se mostrou grande, mas não por sua universidade antiga, sua linguagem ou cultura, mas por seu povo que na esperança de um futuro mais justo rezou lado a lado com pessoas de religiões distintas. Foi lindo ver católicos e mulçumanos, um ao lado do outro, como verdadeiros irmãos olhando para o céu segurando seu crucifixo e corão. Há algo mais legítimo do que isto?

Mubarak fez muito por seu país, isto não podemos negar, mas ele tirou muito mais do seu próprio povo: prisões, inflação, salários desonestos, corrupção e mentiras. Maldades irreparáveis que alimentaram ainda mais o sentimento de impunidade no coração de muitos jovens que estavam crescendo sonhando com uma melhor perspectiva de vida.

O dia 25 de Janeiro (como agora carinhosamente mencionamos de #25JAN – uma tag no Twitter -) será lembrado como o dia em que um povo pacífico e surrado foi as ruas e levaram consigo variados tipos de gente com a esperança de uma vida mais digna e o dia 11 de Fevereiro como o dia em pessoas que gritavam pela a liberdade e esperavam pacientemente em uma praça, agora mundialmente famosa, receberam a notícia do fim de três décadas de um governo repressor.

Fiquei feliz ontem por dois motivos, um pela a coragem egípcia e outro durante a entrevista de um egípcio que dizia que eles logo vão conseguir se reerguer e dentre tantas coisas iriam recuperar quaisquer peças arqueológicas que tenham sido roubadas. Seu nome é Mohamed Habib e ele é só uma fina linha de toda a emoção destes maravilhosos africanos que neste início de ano surpreenderam o mundo de diversas formas.

Talvez seja muito cedo falar “seja bem vido a democracia Egito”, mas foi a esperança que deu sucesso aos protestos e ela tem que continuar em vigor em nome de um bem maior, que é a liberdade.

 

Parabéns Egito (#CongratsEgypt), vocês conseguiram!

 

Márcia Jamille N. Costa