Pesquisadores estão trabalhando com roupas de Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A tumba do faraó Tutankhamon foi descoberta praticamente intacta em 1922 e até os dias atuais os artefatos retirados de seu interior estão rendendo questionamentos e pesquisas. Um ótimo exemplo são os objetos feitos de tecido, que devido a sua fragilidade, estão agora nas mãos de restauradores do Grande Museu Egípcio, que por sua vez, trata-se de uma das principais promessas museológicas do país, uma vez que será o maior museu do mundo dedicado exclusivamente à história do Egito.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Contudo, sua inauguração foi cancelada várias vezes por motivos de verbas escassas e instabilidades políticas:

Entretanto, alguns dos seus laboratórios já estão funcionando, a exemplo daqueles justamente dedicados a conservação e restauro de peças arqueológicas, como é o caso dos artefatos retirados da tumba do faraó Tutankhamon.

— Veja também: Restauradores egípcios estão recuperando roupa de Tutankhamon

Artefatos de origem têxteis saídos de sítios arqueológicos tendem a se fragmentar com mais facilidade e por isto são de difícil manipulação e conservação. Mesmo os encontrados na tumba de Tutankhamon não fogem a regra. Desta forma, para evitar sua fragmentação, os pesquisadores têm construído suportes com encaixes internos (como se fossem negativos) para eles, com materiais livres de ácido ou qualquer outro material que os danifique.

Eles basicamente estão medindo e traçando cada artefato fazendo uso do Auto CAD para construir moldes que comportem com exatidão os formatos e tamanhos das peças. Tais moldes permitirão não só a exibição destes artefatos nas vitrines do museu, como também a sua conservação por muito mais anos.

Fonte:

The mounting process starts for Tutankhamun’s textiles. Disponível em < http://www.jicagem.com/blog/2019/04/the-mounting-process-starts-for-tutankhamuns-textiles >. Acesso em 03 de maio de 2019

Um passeio pela tumba da rainha Nefertari

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este ano a empresa Experius VR lançou um passeio virtual para que o público possa “caminhar” pela tumba de Nefertari, rainha que reinou no Egito durante o Novo Império, na 19ª Dinastia. Não se sabe qual a sua origem, mas é certo que ela se casou com o faraó Ramsés II antes da coroação dele e que possivelmente foi mãe de quatro meninas e quatro meninos.

Foto via.

Alguns egiptólogos acreditam que ela faleceu no 25º ano do reinado de Ramsés II, contudo, as circunstâncias são um mistério. Porém, ao menos se sabe que ela foi sepultada em uma necrópole que fica ao lado do Vale dos Reis, o chamado atualmente de Vale das Rainhas. A sua tumba foi encontrada por um arqueólogo italiano chamado Ernesto Schiaparelli (1856 – 1928) em 1904 e foi tombada como a QV-66. Infelizmente ela já tinha sido saqueada ainda na antiguidade e a múmia da governante possivelmente destruída [1].

Por ser ricamente decorada a QV-66 chamou a atenção de vários visitantes, mas, tragicamente alguns vandalizaram as imagens. Isso levou o Serviço de Antiguidades do Egito (atualmente o Ministério das Antiguidades) a permitir que 1986 fosse realizado um trabalho de restauro por parte do Instituto Getty de Conservação de Los Angeles. Ele se seguiu por cinco anos e a equipe recusou-se a fazer, por mais mínima que fosse, uma intervenção moderna nas pinturas (completar desenhos faltosos, por exemplo) para não abalar a integridade delas.

Entretanto, para preservá-las pós-restauro, a tumba foi fechada para visitações por alguns anos. Mas, atualmente ela se encontra aberta, porém a visita pode durar somente alguns minutos.

Já aqueles que não podem ir ao Egito tem outras alternativas para “conhecer” o lugar. São os passeios virtuais tais como da Experius VR (que exige o uso de óculos de realidade virtual HTC Vive) ou do Patola Games, um site de jogos educacionais hoje inexistente, mas, cujo arquivo do passeio ainda pode ser rodado mesmo em sistemas operacionais mais novos, tais como Windows 10. Saiba mais sobre ele no vídeo a seguir:

As imagens na tumba de Nefertari são belíssimas e totalmente dignas da esposa mais amada de Ramsés II, cujo nome significa “A Mais bela de Todas”. Mas, estas ilustrações não foram desenhadas sozinhas. Várias pessoas precisaram trabalhar nelas durante dias.

Então, se você quiser rememorar este momento e for um ávido colecionador de imagens a Coleções DelPrado possui uma cena que retrata os antigos pintores egípcios durante um trabalho em uma tumba. Tem alguns homens fazendo rabiscos na parede, preenchendo alguns hieróglifos com tinta e uma mesinha próxima com uns potinhos. Confiram clicando aqui.

Leia outros textos sobre a rainha Nefertari:

[1] A múmia da Rainha Nefertari foi mesmo encontrada?

http://arqueologiaegipcia.com.br/2016/12/03/a-mumia-da-rainha-nefertari-foi-mesmo-encontrada/

A restauração na tumba de Nefertari

http://arqueologiaegipcia.com.br/2010/10/13/a-restauracao-na-tumba-de-nefertari/

Veja estas fotos impressionantes da tumba da rainha Nefertari

http://arqueologiaegipcia.com.br/2017/04/21/veja-estas-fotos-impressionantes-da-tumba-da-rainha-nefertari/