No Egito estrada por onde caminharam faraós está sendo renovada para receber turistas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Entre os dias 5 e 6 de novembro ocorreu uma obra na Avenida das Esfinges (Estrada Kebbash), que nada mais é que um corredor de esfinges que conecta o Complexo de Templos de Karnak com o Templo de Luxor, ambos extremamente importantes durante a era dos faraós. Por ela passaram vários festivais relevantes, a exemplo da Bela Festa Opet.

Foto: Hiveminer

Aberta ao público desde 2013, essa estrada tem 2,7 quilômetros de extensão. É uma caminhada rodeada por cerca de 1.200 crioesfinges (esfinges com cabeças de carneiro) esculpidas em arenito, alinhadas em cada lado da estrada.

Veja a extensão da estrada saindo do Templo de Luxor para Karnak. Fonte: Google Earth.

O secretário-geral do Supremo Conselho de Antiguidades, Mostafa Waziri, inspecionou as obras e explicou que essa será a maior passarela para museus a céu aberto do mundo. Ele também afirmou que 70% da obra da estrada foi concluída.

Foto: Mostafa Waziri supervisiona a obra.

A renovação da Avenida das Esfinges tem como objetivo enaltecer ainda mais Luxor (e Karnak) no mapa turístico, atraindo cada vez mais turistas.

Fonte:

Egypt’s Mostafa Waziri inspects work at Kebbash road. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/93955/Egypt%E2%80%99s-Mostafa-Waziri-inspects-work-at-Kebbash-road >. Acesso em 06 de novembro de 2020.

SILIOTTI, Alberto. Egito (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Editora, 2006.

Antiga estátua quebrada em invasão a museu do Egito passou por restauro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No ano de 2013, o Egito presenciou tristes acontecimentos. O Museu de Mallawi foi invadido, saqueado e em seguida parcialmente incendiado no início do mês de agosto pelo grupo auto intitulado Irmandade Muçulmana. Vários artefatos foram avariados ou totalmente destruídos, assim como um dos seguranças do local foi assassinado. 

Soma-se a tragédia o roubo de 1040 objetos arqueológicos dos 1089 que estavam no prédio; nos dias seguintes a própria população local saiu em busca das peças roubados, conseguindo recuperar algumas.

Hoje, quase 7 anos após o ocorrido, o Museu de Mallawi continua a se reerguer e até criou atividades, a exemplo da competição do “artefato do mês”. Nela, quatro artefatos estavam competindo nas páginas oficiais do museu nas mídias sociais. A peça vencedora é uma estátua de pedra calcária representado um homem e uma mulher sentados e que remonta à 6ª Dinastia (Antigo Reino). Mas ela tem algo muito especial: é um dos artefatos que tinham sido danificados durante a invasão de 2013

Imagem publicada nas redes sociais do museu.

No nosso post da época é possível ver fotografias tiradas horas após o incêndio ter sido contido e dentre os artefatos avariados ou totalmente destruídos está ela, a estátua em questão. Ela está tombada de lado coberta por cinzas e chamuscada. As faces do homem e da mulher estão quebradas e as partes arrancadas estão espalhadas pelo chão. 

Porém, a equipe de restauro conseguiu cuidar do objeto e dar quase o mesmo brilho que ele tinha antes da invasão. 

Agora, a estátua está disponível para visitação no próprio museu. 

O Museu do Mallawi foi fundado em 23 de junho de 1962 em Minya durante o governo do presidente Gamal Abdel Nasser. Ele tinha dois andares com quatro salas mostrando artefatos da era faraônica e períodos greco-romano, assim como coptas e do Egito medieval. Foram necessários mais de três anos para restaurar o museu, que foi reaberto em 22 de setembro de 2017. Agora ele contém 944 artefatos, incluindo 441 das exposições antigas.

Fonte:

Ancient statue damaged by MB restored, exhibited in Malawi Museum. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/79432/Ancient-statue-damaged-by-MB-restored-exhibited-in-Malawi-Museum >. Acesso em 11 de janeiro de 2020. 

Antigos túmulos são abertos para visitas turísticas no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito abriu para visitação na segunda-feira passada duas tumbas na área arqueológica de Gizé, onde se encontram as Grandes Pirâmides do Egito. Estas sepulturas pertencem, cada uma, a um homem chamado Qar e a outra a Idu. Elas estavam em um processo de restauro e com os trabalhos concluídos podem agora receber turistas[1].

O diretor da área arqueológica das pirâmides, Ashraf Mohie-Eldin, disse que a restauração no túmulo de Qar, por exemplo, incluía limpeza, fortalecimento do teto e o restauro das paredes do salão principal. Esculpido em rocha, o sepulcro remonta à 6ª Dinastia, mais especificamente o reinado do rei Pepi I. Os títulos de Qar incluíam “diretor das cidades das pirâmides de Khufu e Menkaura”, “inspetor dos sacerdotes wab da pirâmide de Khafren” e “diretor da pirâmide de Pepi I Meryre”[1].

A tumba de Idu, que era filho de Qar, também foi submetida a limpeza e o telhado foi reforçado. Igualmente ao do pai, a sua sepultura foi esculpida em rocha e é da época de Pepi I. Os títulos de Idu incluíam “o escriba dos documentos reais na presença do rei”, “inquilino da pirâmide de Pepi I Meryre” e “inspetor dos sacerdotes wab das pirâmides de Khufu e Khafren” [1].

O que ocorrerá agora:

Com as tumbas de Qar e Idu liberadas para os turistas, o governo egípcio fechou agora as de Seshem-Nefer IV e Khufukhaf I. O intuito é também realizar trabalhos de restauros e futuramente abri-los para visitas[2].

Seshem-Nefer IV possuía os títulos de “superintendente dos dois assentos da Casa da Vida” e de “guardião dos segredos do rei”. Sua tumba é a maior de Gizé e contém cenas funerárias, de caçadas e de oferendas, além de uma descrição da vida cotidiana de Seshem-Nefer [2].

Já Khufukhaf era um sacerdote que viveu durante a 4ª Dinastia. Sua tumba é uma mastaba dupla cuja uma das capelas é dedicada à sua esposa (cujo nome não foi anunciado no comunicado da imprensa) e a outra a si mesmo. A única parte decorada do vestíbulo é a parede ocidental a partir da qual um corredor leva à câmara principal[2].

Fontes:

[1] Photos: Egypt opens Old Kingdom tombs Idu, Qar for visitation. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/photos-egypt-opens-old-kingdom-tombs-idu-qar-for-visitation/ >. Acesso em 20 de novembro de 2019.

[2] Giza tombs of Qar and son Idu open after restoration. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/356136/Heritage/Ancient-Egypt/Giza-tombs-of-Qar-and-son-Idu-open-after-restorati.aspx >. Acesso em 20 de novembro de 2019.

Pesquisadores estão trabalhando com roupas de Tutankhamon

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A tumba do faraó Tutankhamon foi descoberta praticamente intacta em 1922 e até os dias atuais os artefatos retirados de seu interior estão rendendo questionamentos e pesquisas. Um ótimo exemplo são os objetos feitos de tecido, que devido a sua fragilidade, estão agora nas mãos de restauradores do Grande Museu Egípcio, que por sua vez, trata-se de uma das principais promessas museológicas do país, uma vez que será o maior museu do mundo dedicado exclusivamente à história do Egito.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Contudo, sua inauguração foi cancelada várias vezes por motivos de verbas escassas e instabilidades políticas:

Entretanto, alguns dos seus laboratórios já estão funcionando, a exemplo daqueles justamente dedicados a conservação e restauro de peças arqueológicas, como é o caso dos artefatos retirados da tumba do faraó Tutankhamon.

— Veja também: Restauradores egípcios estão recuperando roupa de Tutankhamon

Artefatos de origem têxteis saídos de sítios arqueológicos tendem a se fragmentar com mais facilidade e por isto são de difícil manipulação e conservação. Mesmo os encontrados na tumba de Tutankhamon não fogem a regra. Desta forma, para evitar sua fragmentação, os pesquisadores têm construído suportes com encaixes internos (como se fossem negativos) para eles, com materiais livres de ácido ou qualquer outro material que os danifique.

Eles basicamente estão medindo e traçando cada artefato fazendo uso do Auto CAD para construir moldes que comportem com exatidão os formatos e tamanhos das peças. Tais moldes permitirão não só a exibição destes artefatos nas vitrines do museu, como também a sua conservação por muito mais anos.

Fonte:

The mounting process starts for Tutankhamun’s textiles. Disponível em < http://www.jicagem.com/blog/2019/04/the-mounting-process-starts-for-tutankhamuns-textiles >. Acesso em 03 de maio de 2019

Um passeio pela tumba da rainha Nefertari

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este ano a empresa Experius VR lançou um passeio virtual para que o público possa “caminhar” pela tumba de Nefertari, rainha que reinou no Egito durante o Novo Império, na 19ª Dinastia. Não se sabe qual a sua origem, mas é certo que ela se casou com o faraó Ramsés II antes da coroação dele e que possivelmente foi mãe de quatro meninas e quatro meninos.

Foto via.

Alguns egiptólogos acreditam que ela faleceu no 25º ano do reinado de Ramsés II, contudo, as circunstâncias são um mistério. Porém, ao menos se sabe que ela foi sepultada em uma necrópole que fica ao lado do Vale dos Reis, o chamado atualmente de Vale das Rainhas. A sua tumba foi encontrada por um arqueólogo italiano chamado Ernesto Schiaparelli (1856 – 1928) em 1904 e foi tombada como a QV-66. Infelizmente ela já tinha sido saqueada ainda na antiguidade e a múmia da governante possivelmente destruída [1].

Por ser ricamente decorada a QV-66 chamou a atenção de vários visitantes, mas, tragicamente alguns vandalizaram as imagens. Isso levou o Serviço de Antiguidades do Egito (atualmente o Ministério das Antiguidades) a permitir que 1986 fosse realizado um trabalho de restauro por parte do Instituto Getty de Conservação de Los Angeles. Ele se seguiu por cinco anos e a equipe recusou-se a fazer, por mais mínima que fosse, uma intervenção moderna nas pinturas (completar desenhos faltosos, por exemplo) para não abalar a integridade delas.

Entretanto, para preservá-las pós-restauro, a tumba foi fechada para visitações por alguns anos. Mas, atualmente ela se encontra aberta, porém a visita pode durar somente alguns minutos.

Já aqueles que não podem ir ao Egito tem outras alternativas para “conhecer” o lugar. São os passeios virtuais tais como da Experius VR (que exige o uso de óculos de realidade virtual HTC Vive) ou do Patola Games, um site de jogos educacionais hoje inexistente, mas, cujo arquivo do passeio ainda pode ser rodado mesmo em sistemas operacionais mais novos, tais como Windows 10. Saiba mais sobre ele no vídeo a seguir:

As imagens na tumba de Nefertari são belíssimas e totalmente dignas da esposa mais amada de Ramsés II, cujo nome significa “A Mais bela de Todas”. Mas, estas ilustrações não foram desenhadas sozinhas. Várias pessoas precisaram trabalhar nelas durante dias.

Então, se você quiser rememorar este momento e for um ávido colecionador de imagens a Coleções DelPrado possui uma cena que retrata os antigos pintores egípcios durante um trabalho em uma tumba. Tem alguns homens fazendo rabiscos na parede, preenchendo alguns hieróglifos com tinta e uma mesinha próxima com uns potinhos. Confiram clicando aqui.

Leia outros textos sobre a rainha Nefertari:

[1] A múmia da Rainha Nefertari foi mesmo encontrada?

http://arqueologiaegipcia.com.br/2016/12/03/a-mumia-da-rainha-nefertari-foi-mesmo-encontrada/

A restauração na tumba de Nefertari

http://arqueologiaegipcia.com.br/2010/10/13/a-restauracao-na-tumba-de-nefertari/

Veja estas fotos impressionantes da tumba da rainha Nefertari

http://arqueologiaegipcia.com.br/2017/04/21/veja-estas-fotos-impressionantes-da-tumba-da-rainha-nefertari/