Buscando pela tumba da esposa de Tutankhamon… Ou não!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês de julho (2017) foi lançada a notícia de que o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, teria encontrado evidências que apontam para a existência de uma tumba não analisada, próximo a área do Vale dos Reis, famoso sítio arqueológico que abriga as tumbas dos faraós do Novo Império. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. “Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações”[1], fundações estas que seriam caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos tais como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas, nas palavras do próprio arqueólogo.

Ancient Egypt Dr. zahi Hawass

Dr. Zahi Hawass na tumba da rainha Nefertari

A área visada por Hawass é o chamado Vale Oeste (ou Vale Ocidental), um espaço um pouco mais afastado das tumbas principais do Vale dos Reis, tais como a do faraó Tutankhamon (KV-62), Seti I (KV-17), Ramsés II (KV-7), etc. Embora o Vale Oeste seja pouco conhecido pelo público comum, é lá onde foram sepultados o faraó Amehotep III (WV22) e ainda mais afastado o Ay (WV23), esta última é a mais próxima desta possível tumba identificada por Hawass.

Dada a esta proximidade com a WV23, Hawass sugeriu em entrevista que o dono do sepulcro poderia ser a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon. Esta sugestão não é infundada, já que existem ao menos três fatores que apontam para ela ser a melhor possibilidade como a dona do local:

Pair Statue of Tutankhamun and AnkhesenamunTutankhamon e Ankhsenamon

☥ A proximidade com a tumba de Ay que possivelmente foi seu esposo ou co-regente;

☥ Que a tumba de Ay, a priori, pode ter pertencido a Tutankhamon;

☥ Ela não foi sepultada no Vale das Rainhas, porque este cemitério possivelmente foi inaugurado pela rainha Sitra (QV-38), consorte de Ramsés I.

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

Mas, é importante que não se leve esta possibilidade como a única, como o próprio Hawass salientou no início de agosto: “Quero deixar claro, porque se tem publicado informações erradas nos últimos dias. A escavação não começou e nem ocorreu descoberta alguma ainda[2]. Eu confio em poder iniciar a missão em breve e que os trabalhos nos levem a este enterramento escondido” [3].

137 In the Valley of the KingsVale dos Reis

Existe alguma possibilidade de que esta tumba esteja intacta?

Sim, existe. Entretanto, ao longo dos séculos vários saques ocorreram em sítios arqueológicos egípcios, a exemplo do Vale dos Reis e o Vale Oeste, que foram duas das áreas mais visadas pelos ladrões de antiguidades. Por isso, é pouco provável que caso exista uma sepultura neste espaço ela esteja intacta. Porém, nunca se sabe, já que a Arqueologia é sempre cheia de surpresas.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[3] En busca de la tumba de la esposa de Tutankamón. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia-y-salud/ciencia/2017/08/09/5989f96946163f3c418b45d4.html >. Acesso em 10 de agosto de 2017.


[2] Negrito meu.

 

Governantes do Antigo Egito têm tumbas documentadas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Centro de Documentação de Antiguidades do Egito completou o seu projeto para documentar a necrópole de Al-Maala, localizada em Esna (Luxor).

A importância arqueológica desse lugar é devido ao fato de ter sido o cemitério dos governantes do terceiro nomo do Egito durante o Terceiro Período Intermediário.

Foto: MSA. Divulgação.

Al-Maala é o segundo sítio ter uma documentação integral. O primeiro foi o Templo de Esna. O diretor-geral do projeto explicou que a proposta é registrar informações sobre cada centímetro de cada monumento:

Os métodos de documentação reais consistem em conjuntos de dados de computador, planos e sessões, bem como fotografias, desenhos e ilustrações, formulários de registro, caderno de notas, cadernos do sítio, diários e registro de mergulho.

Sistema de GIS, reconstruções 3D e pesquisas geofísicas também foram adotados.

Os túmulos:

Foto: MSA. Divulgação.

O cemitério é composto por sete tumbas que foram divididas pelos pesquisadores em dois grupos. Um deles é composto por três sepulturas sendo a principal pertencente a Ankh-Tify, que foi governador de Nekhen. A exemplo de outros túmulos, o seu está decorado com a sua biografia. Não se sabe a identidade dos donos das outras tumbas. Em uma delas é possível ver detalhes do processo de armazenamento de grãos e o dono do local representado várias vezes, mas nenhum nome conservado. Na outra não existem decorações.

Foto: MSA. Divulgação.

Foto: MSA. Divulgação.

O outro grupo possui as quatro tumbas restantes, onde a principal é a de Sobek-Hotep, que se acredita ser filho de Ankh-Tify. O seu túmulo está decorado com cenas do cotidiano. Já as três demais não estão decoradas e não possuem identificação.

 

Fonte:

Al-Maala necropolis site in Upper Egypt is scientifically documented. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/271375/Heritage/Ancient-Egypt/AlMaala-necropolis-site-in-Upper-Egypt-is-scientif.aspx >. Acesso em 23 de junho de 2017.

 

1ª missão brasileira no Egito encontra restos de múmias e sarcófagos em tumba

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Na necrópole tebana dedicada aos antigos nobres do Egito, com vista para o Ramesseum e relativamente próximo ao Vale dos Reis, o Brasil está começando a deixar sua marca na Arqueologia Egípcia. O Amenemhet Project, um projeto que está dentro do Brazilian Archaeological Program in Egypt (BAPE), já fez algumas descobertas notáveis.

Os estudos estão sendo liderados por um pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o Prof. Dr. José Roberto Pellini, que espera que o BAPE seja nos próximos anos um ponto de referência para estudantes brasileiros de Arqueologia.

“A missão [terceiro-mundista] em um país em desenvolvimento recebeu apoio do Conselho Superior de Antiguidades do Egito e do Centro de Documentação, quebrando a lógica da arqueologia egípcia que sempre foi dominada pelos europeus”, disse Pellini ao G1, (Clique aqui para ler a matéria completa).

Foto: BAPE.

O BAPE detém uma concessão para pesquisar duas tumbas tebanas: a TT 123 e a TT 368.

Na temporada passada a equipe trabalhou na TT- 123, a tumba de um homem chamado Amenenhet, que viveu durante o Novo Império, mais especificamente no reinado do faraó Tutmés III. Nela foram descobertos restos ósseos e partes de múmias assim como fragmentos de sarcófagos e outros artefatos de cunho funerário tais como ushabtis e vasos canópicos. Eles também encontraram uma entrada para uma terceira tumba, a — 294 —.

Foto: BAPE.

Recentemente uma reportagem em vídeo sobre a missão foi gravada pelo jornal SE TV e é possível ver a parte externa da TT-123, para conferir clique aqui, ou no gif abaixo:

A matéria do SE TV deu destaque a importância do BAPE em um contexto nacional.

Aos curiosos acerca do programa o BAPE possui uma página no Facebook assim como um site.

Arqueólogos da primeira missão brasileira no Egito já voltaram para casa

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em março comentei aqui no A.E. que o Brasil, pela primeira vez em toda a história da Egiptologia, assinou uma pesquisa de arqueologia no Egito. A equipe, denominada de Brazilian Archaeological Program in Egypt (Programa Arqueológico Brasileiro no Egito), deu início aos trabalhos do Amenemhet Project, que está responsável por duas tumbas tebanas que pertenceram a nobres da época dos faraós: a TT 123 e a TT 368.

Foto: BAPE.

Dr. José Roberto Pellini, diretor do programa. Foto: BAPE.

Dr. Julián Alejo Sánchez, vicediretor. Foto: BAPE.

O “TT” faz referência ao termo “Theban Tomb” (Tumba Tebana). Tebas — chamada pelos antigos egípcios de Aset — foi capital do Egito durante o Novo Império, época em que ambas as sepulturas foram construídas.

É conhecido o nome dos donos da TT 123 e da TT 368: um era Amenemhet e o outro Amenhotep Huy, respectivamente.

Foto: BAPE.

Foto: BAPE.

Essas sepulturas, até então, só foram catalogadas, mas jamais analisadas. Dentre os itens encontrados estão partes de múmias, pedaços de sarcófagos e cartonagem, fragmentos de vasos canópicos e ushabtis.

Foto: BAPE.

Mas, as novidades não param por aí: quando estavam realizando os trabalhos de limpeza, escavação e catalogação do que foi encontrado, os membros do projeto deram de cara com a descoberta de mais uma sepultura, que está interligada com a TT 123: a — 294 —.

Entrada para a — 294 —. Foto: BAPE.

Aproveitando o fim dos trabalhos e o retorno para o Brasil, fiz uma entrevista com o diretor da equipe, o Dr. Prof. José Roberto Pellini (UFS). O resultado desse encontro sairá no canal do A.E. no YouTube, então aguardem.

Update: 20 de abril (2017)
A notícia em grandes portais:

Arqueólogo da UFS comanda primeira missão do Brasil no Egito
Cientistas brasileiros vão ao Egito comandar missão arqueológica

O Brasil tem a sua primeira missão de Arqueologia no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Finalmente o Brasil tem uma missão de Arqueologia no Egito sob a direção de um pesquisador brasileiro, o Dr. Prof. Jose Roberto Pellini. Trata-se da Brazilian Archaeological Program in Egypt (Programa Arqueológico Brasileiro no Egito), que está responsável pela análise das tumbas tebanas TT-123 e TT-368. Esse é um momento único porque embora o país tenha pesquisadores trabalhando ou participando de escolas de campo no Egito, jamais, em toda a história da Egiptologia mundial, assinou uma missão.

A equipe deus início aos seus trabalhos no último dia 11/03/17 em parceria com o Centro de Documentação do Serviço de Antiguidades Egípcio. Abaixo algumas fotografias:

Foto: Reprodução.

Foto: Reprodução.

Foto: Reprodução.

 Veja os comentários sobre essa notícia no nosso Facebook.

Update: 20 de abril (2017)
A notícia em grandes portais:

Arqueólogo da UFS comanda primeira missão do Brasil no Egito
Cientistas brasileiros vão ao Egito comandar missão arqueológica

O surpreendente esconderijo de múmias de faraós encontrado no século XIX em Deir el-Bahari (TT320)

Quando os primeiros exploradores europeus chegaram ao Egito em busca dos seus tesouros arqueológicos —  fossem eles estátuas, imagens parietais, sarcófagos e, claro, joias — descobriram que todas as tumbas reais tinham sido saqueadas em algum momento da antiguidade[1].  Desta forma, foi uma surpresa quando nas décadas de 1870-80 artefatos com nomes de faraós e alguns dos seus parentes começaram a aparecer no mercado de antiguidades (DAVID, 2011).

Os registros dessa época somente passam uma ideia geral dos acontecimentos, mas, temos ciência de que a polícia egípcia, após algumas investigações, chegou até um homem chamado Ahmed Abd er-Rassul, que àquela altura era suspeito de violar sepulturas antigas (O’CONNOR et al, 2007).

— Saiba um pouco mais sobre essa história assistindo ao vídeo “Esconderijo de múmias reais de Deir el-Bahari.

Ahmed em frente a tumba. Foto disponível em REEVES, 2008.

Apesar de ter sofrido um duro interrogatório —  que incluiu tortura — Ahmed negou a acusação.  Porém, um parente seu, um senhor chamado Mohamed, o denunciou para as autoridades e revelou de onde estavam saindo os artefatos:  eles tinham sido encontrados dez anos antes, em 1871, em uma sepultura da época dos faraós, que possuía vários corpos (HAGEN et al, 1999; O’CONNOR et al, 2007; DAVID, 2011). A revelação foi um grande choque, em especial porque quando os arqueólogos entraram no lugar descobriram que dentro dos caixões estavam pouco mais de 40 múmias [2] e algumas delas eram as de grandes personalidades do passado tais como Ahmés-Nefertari, Seti I e Ramsés II (O’CONNOR et al, 2007).

A sepultura, cujo dono é desconhecido — parte dos egiptólogos estão divididos entre Inhapi ou Ahmose Merytamen —, foi construída próximo ao templo mortuário da faraó Hatshepsut, em Deir el-Bahari, literalmente do outro lado do Vale dos Reis e possui dois corredores e duas câmaras. Por conta da sua localização a priori foi catalogada como DB320 (Deir el-Bahari 320), mas na atualidade ela é chamada de TT320 (Tumba Tebana 320).

Ilustração representando Gaston Maspero em frente da tumba.

Localização da sepultura do ponto de vista dos templos mortuários de Hatshepsut e Mentuhotep. Fonte: Wikimedia.

Entrada da TT320. Fonte: Wikimedia.

Apesar da magnitude do achado o arqueólogo responsável pela remoção dos corpos e dos artefatos, Emil Brugsch (1842 – 1930), não realizou nenhum registro do sítio (O’CONNOR et al, 2007), algo que é impensável nos dias de hoje. Isso acaba comprometendo as análises futuras e consequentemente retira as chances de conseguir respostas para questões feitas atualmente acerca do sepulcro e das múmias e artefatos depositados lá dentro.

Entrando na Sepultura:

Para entrar no tal sepulcro, Brugsch precisou descer um poço com uma corda e passar por uma abertura com cerca de um metro de altura. O primeiro ataúde que viu pertencia a um sumo-sacerdote e mais adiante encontrou mais outros três. Necessitou avançar passando por um corredor com algumas pequenas antiguidades e seguiu por um pequeno lance de escadas até uma saleta.  Foi lá que, sob a luz de velas, encontrou enormes ataúdes e em alguns deles com o nome de grandes faraós.  Mais tarde ele declarou:

“Percebi a situação com o ofego e apressei-me a sair ao ar livre a fim de não me deixar vencer pelo o que via e que o glorioso achado, ainda não revelado, se perdesse para a ciência” [3] (O’CONNOR et al, 2007, p. 23).

Após esta saleta existe mais um corredor que leva até a câmara mortuária onde estavam mais corpos.

Temendo mais saques ele contratou cerca de 300 homens e embarcou todos os objetos em embarcações com destino ao Cairo.  Mas, não foi uma viagem silenciosa:  ao longo do Nilo homens atiravam com seus rifles para o céu e as mulheres lamentavam alto, um sinal de respeito e luto pelos antigos governantes falecidos. Já no Cairo a resposta foi menos respeitosa:  na alfândega o funcionário responsável pelo recebimento da carga registrou as múmias como ” peixe seco” (O’CONNOR et al, 2007).

Autópsia e análise das múmias:

Tempos depois da chegada dos corpos, Gaston Maspero (1846 – 1916), supervisor geral do Serviço de Antiguidades, liberou as autópsias —  que no caso das múmias é o que chamamos comumente de “desenfaixar” —.  O primeiro faraó a passar por esse processo foi Tutmés III.  As bandagens do Rei já tinham sido perturbadas em outro momento pelos Abd er-Rassul, que fizeram um buraco no seu peito.  Quando os arqueólogos abriram o restante do envoltório encontraram a múmia quebrada na área do pescoço e nas pernas (O’CONNOR et al, 2007).

Múmia de Tutmés III ainda coberta. Na área do seu peito está um buraco, feito por saqueadores.

Dias depois foi a vez de Ramsés II, que ao contrário do seu antecessor longínquo estava inteiro, em perfeito estado de conservação, inclusive contendo cabelos. Ramsés II tinha sido posto em um sarcófago de madeira que o identificava através de inscrições escritas em negro (O’CONNOR et al, 2007).

Primeiras notas sobre a múmia de Ramsés II. Fonte: Wikimedia.

A próxima múmia possuía um enorme sarcófago bem trabalhado. Descobriu-se que o grande artefato pertenceu à Rainha Ahmés-Nefertari.  Porém, quando as bandagens foram retiradas do corpo o que se seguiu foi uma surpresa desagradável.  Nas palavras do próprio Maspero:

“Mas, assim que o corpo foi exposto ao ar externo, desapareceu literalmente num estado de putrefação, dissolvendo-se numa matéria escura que exalou um odor insuportável” (O’CONNOR et al, 2007, p. 25).

Existem duas fotografias que nos mostram a múmia da rainha na época em que foi descoberta, mas o destino do corpo na atualidade é incerto. De acordo com um relato da época, por conta do mau cheiro a múmia foi sepultada no interior do Museu Egípcio. Algo que não foi confirmado na atualidade e nenhuma das bibliografias consultadas deu uma resposta definitiva.

Ahmés-Nefertari. Foto: E. Smith.

Sarcófago de Ahmés-Nefertari.

Ramsés III foi o próximo, contudo, o seu rosto estava coberto por um revestimento betuminoso que escondia suas feições (O’CONNOR et al, 2007). Nos últimos dez anos o rei passou por análise que apontam que antes da sua morte ele sofreu um ataque violento que certamente teria causado a sua morte [4].

Nos dias seguintes mais oito múmias da realeza foram desembrulhadas.  O arqueólogo francês Eugène Lefebure escreveu sobre esse trabalho, enaltecendo as emoções da época: “Quase todas as múmias estavam cobertas com grinaldas secas e lótus murchos que tinham permanecido intocados durante milhares de anos, e não havia melhor forma de compreender a suspensão do tempo e o freio a decomposição que ver essas flores imortais sobre os corpos eternizados” e complementou ” era a imagem de um sono interminável” (O’CONNOR et al, 2007, p. 26).

Alguns dos corpos que se encontram no sepulcro não foram identificados, outros, porém, com o auxílio de métodos invasivos e não invasivos, foram relacionados com outras múmias reais, a exemplo do “Homem Desconhecido E”, identificado através de um exame de DNA como um dos filhos de Ramsés III. Abaixo está uma tabela apontando o número de múmias e seus respectivos nomes, quando possível:

Nome Dinastia Título Observações
Ahmés-Inhapi 17ª Rainha Irmã de esposa de Seqenenre Tao II.
Ahmés-Henutemipet 17ª Princesa Filha de Seqenenre Tao II.
Ahmés-Henuttamehu 17ª Princesa Filha de Seqenenre Tao II.
Ahmés-Meritamon 17ª Princesa Provavelmente filha de Seqenenre Tao II.
Ahmés-Nefertari 18ª Rainha
Ahmés-Sipair 17ª Principe Provável filho de Seqenenre Tao II ou Ahmose I.
Ahmés-Sitkamose 17ª Princesa Provavelmente filha de Kamose, é possível que tenha casado com Ahmose I.
Amenhotep I 18ª Faraó
Ahmose I 18ª Faraó
Baket/Baketamon? 18ª Princesa
Djedptahiufankh 21ª Quarto Profeta de Amon Casou com a filha de  Pinudjem II e Neskhons,  Nesitanebetashru.
Duathathor-Henuttawy 21ª Rainha Esposa de Pinedjem I
Isetemkheb 21ª Chefe do harém de Amon-Rá Irmã e esposa de Pinedjem II.
Maatkare 21ª Esposa Divina de Amon Filha de Pinedjem I.
Masaharta 21ª Sumo Sacerdote de Amon Filho de Pinedjem I.
Nebseni
Neskhos
Nesitanebetashru 21ª Rainha Esposa de Djedptahiufankh.
Nodjmet 21ª Rainha Esposa de Herihor.
Pinedjem I 21ª Sumo Sacerdote de Amon
Pinedjem II 21ª Sumo Sacerdote de Amon
Rai 18ª Enfermeira Real Enfermeira de Ahmés-Nefertari.
Ramsés II 19ª Faraó
Ramsés III 20ª Faraó
Ramsés IX 20ª Faraó
Seqenenre Tao II 17ª Faraó
Seti I 19ª Faraó
Siamon 18ª Príncipe Filho de Ahmés-Nefertari e Ahmés I.
Sitamon 18ªª Princesa Filha de Ahmés e irmã de Amenhotep I
Tayuheret 21ª Cantora de Amon Possível esposa de Masaharta.
Tutmés I 18ª Faraó
Tutmés II 18ª Faraó
Tutmés III 18ª Faraó
Desconhecido Desconhecido E
Desconhecida Possivelmente rainha Tetisheri, mãe de Tao II, Ahmose Nefertari e possivelmente Kamose.
Desconhecida
Desconhecido
Desconhecido
Desconhecido
Desconhecido

Tabela realizada de acordo com REEVS, 2008 e RICE 1999.

Resquícios de outros indivíduos, tais como sarcófagos, vasos canópicos, joias, etc, foram identificados espalhados pela tumba. Tudo o que foi encontrado posteriormente a denúncia de Mohamed encontra-se hoje no Museu do Cairo. Entretanto, os objetos saqueados pelos Abd er-Rassul jamais foram recuperados. Provavelmente atualmente estão em alguma coleção particular ou na galeria de um grande museu identificado como possuindo “procedência desconhecida”.

Referências bibliográficas:

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.

O’CONNOR, D.; FORBES, D.; LEHNER, M. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. Tradução de Francisco Manhães. 1ª Edição. Barcelona: Ed. Folio, 2007.

REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 2008.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. 1ª Edição. Londres: Editora Routledg. 1999.


[1] Foi somente no início do século 20 que este quadro mudou com a descoberta da tumba do faraó Tutankhamon e parte do acervo fúnebre de Psusenes I

[2] Contando aqui tanto os corpos inteiros, como partes, como são o caso dos órgãos dentro dos vasos canópicos.

[3] Ele declarou isso possivelmente com medo de que as velas que o grupo carregava pudesse causar um incêndio.

[4] Ramsés III foi morto durante um ataque de mais de um assassino, diz pesquisadores.

Se encante com estas fotos da tumba do faraó Seti I

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Seti I foi o segundo faraó da 19ª Dinastia (Novo Império) e por conta das realizações do seu governo é considerado por alguns egiptólogos como o governante que estreou o Período Ramséssida, em vez do seu pai, Ramsés I. Sua Grande Esposa Real foi Tuya, a mãe de Ramsés II e de possivelmente mais outras três crianças: um primogênito (mas falecido jovem), Tia e Hanutmiré (que se casou mais tarde com Ramsés II).

— Saiba mais: Seti I: o primeiro ramséssida.

Não se sabe por quantos anos ele governou o Egito. Alguns acadêmicos apontam que foi por 13, outros que foi por 17 ou 20 anos. A análise da sua múmia não aponta nenhuma violência, por isso acredita-se que ele faleceu provavelmente de causas naturais.

A sua sepultura está localizada no Vale dos Reis, uma das maiores necrópoles reais do país. Ela recebeu o código tombo KV-17. Descoberta em outubro de 1817, pelo explorador Giovanni Battista Belzoni (1778 — 1823), ela já tinha sido saqueada na antiguidade, mas, não deixou de ser um maravilhoso achado arqueológico, graças ao nível de conservação de suas pinturas parietais. Confiram abaixo algumas delas:

Tumba de Seti I , Sethi I , Luxor Egipto , Egypt. 27-05-2016 .

Tumba de Seti I , Tomb of Seti I , Sethi I -Sala de la "Vaca Celestial"- Luxor Egipto , Egypt. 27-05-2016 .

Fonte de todas as fotografias: Soloegipto.com

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12 tumbas provavelmente datadas do tempo dos faraós Tutmosis III e Amenhotep III são descobertas no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No dia 11/01/2017 foi anunciado que uma equipe de arqueólogos suecos descobriu em Gebel el-Silsila, próximo a Assuã, doze tumbas escavadas na rocha datadas da 18ª Dinastia, mais especificamente provavelmente dos reinados dos faraós Tutmosis III e Amenhotep III [1][2].

Foto: Divulgação/MSA

Observando o comunicado de imprensa apresentado pelo Ministério das Antiguidades do Egito é possível ver que alguns aparatos funerários (a exemplo de sarcófagos de arenito, caixões de cerâmica, cartonagem pintada, recipientes têxteis e orgânicos, vasos de cerâmica, uma variedade de joias e amuletos) ainda estão presentes no local. Três sepultamentos de crianças e de animais (fósseis de ovelhas e cabras, assim como um par de perca do Nilo e um crocodilo quase completo) também estão presentes [1].

Foto: Divulgação/MSA

A descoberta foi realizada por uma equipe de arqueólogos suecos coordenados pela professora Dra. Marial Nilsson e John Ward, da Lund Universit. Eles trabalham no local desde 2012 e já tinham realizado outras descobertas, como a de um templo em 2015 [1][2].

Foto: Divulgação/MSA

Foto: Divulgação/MSA

Já olhando o cemitério de forma geral, a Dra. Nilsson afirmou que entre a maioria dos dos restos humanos recuperados foi visto que muitos dos indivíduos eram saudáveis, apesar das análises bioarqueologicas apontar que eles possuem indícios de que exerceram trabalhos intensos. Em soma, pouca evidência de desnutrição e infecção foi descoberta, assim como muitas lesões possuem traços de cura, apontando que após se machucar seriamente essas pessoas receberam atendimento médico [1].

Fontes:

[1] Swedish mission discovered 12 New Kingdom tombs in Upper Egypt. disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/01/swedish-mission-discovered-12-new.html?m=1 >. Acesso em 11 de janeiro 2017.

[2] Hallan en Egipto una docena de tumbas excavadas en roca de tiempos de Tutmosis III y Amenhotep III. disponível em < http://www.abc.es/cultura/abci-hallan-egipto-docena-tumbas-excavadas-roca-tiempos-tutmosis-y-amenhotep-201701111354_noticia.html >. Acesso em 11 de janeiro 2017.

(Vídeo) Portas Falsas: uma ligação entre os mortos e os vivos

Não! Definitivamente as “portas falsas” do Egito Antigo não tem nada a ver com armadilhas escondidas em pirâmides! Na verdade, foi um componente religioso muito importante para a religião egípcia.

Porta Falsa de Mereruka. Foto: Wikimedia Commons.

A sua ideia era simular uma ligação entre o mundo dos vivos e dos mortos, ou seja, que através dela o Ka (uma das partes que constitui o indivíduo; no vídeo explico) poderia passear livremente.

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