Ourives e carpinteiros em tumba da XVIII Dinastia

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

A divisão de trabalho não é algo recente. Conhecemos atividades advindas da Antiguidade egípcia que eram exercidas por indivíduos extremamente especializados. Quando pensamos em uma parede de uma tumba, por exemplo, cremos que raramente a pessoa que realizou os rascunhos é a mesma que fez o acabamento da iconografia, que incluiu os hieróglifos ou que finalizou com a tinta.

A mesma situação poderia ser aplicada a outras funções, sabemos disso porque as tumbas egípcias estão repletas de registros de ações cotidianas, como no caso da seguinte imagem:

Foto: BAINES, J. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito. Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué. Barcelona: Ed. Folio, 2008. p 194.

Aqui observamos uma oficina de ourives e carpinteiros da XVIII Dinastia em pleno trabalho.

 Alguns pontos para a observação:

(1) O rapaz está pesando um objeto em forma de uma cabeça de bovídeo contra peças de ouro chamadas de deben, que, explicando de forma bem simples, era um tipo de unidade básica;

(2) Aqui temos uma dupla realizando um acabamento de amuletos djed, um artefato osiríaco para  a renovação tanto espiritual como do poder real;

(3) Este homem carrega em uma bandeja dois amuletos: um tyet, símbolo votivo à deusa Ísis, e um djed;

(4) Aqui uma dupla está realizando retoques em algumas peças, entre elas, uma esfinge.

 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]