Templo do Período Tardio é encontrado no Delta do Nilo (Egito)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma equipe de arqueólogos egípcios encontrou restos de paredes de tijolos de barro e uma série de artefatos datados de diferentes épocas do Egito Antigo, assim como quatro fornos do Período Tardio, espaço de tempo referente as últimas épocas do Período Faraônico. As descobertas ocorreram no sítio arqueológico de Tell el-Farain, também conhecido como “antiga Buto”, em Kafr Al-Sheikh, Delta.

Foto: MSA

Ayman Ashmawy, chefe do setor de Antiguidades do Egito Antigo do Ministério das Antiguidade, relatou ao Ahram Online que os estudos nas paredes de tijolos sugerem que elas podem ter sido o principal eixo do antigo templo de Buto. Já sobre os fornos, eles poderiam ter sido usados para a preparação das oferendas que eram dadas para as divindades dentro do templo.

Ele ainda explicou que a missão também encontrou as fundações de duas colunas de calcário, que poderiam ter feito parte de um salão. Parte de uma estátua de pedra calcária do rei Psamético I também foi descoberta. Um grande fragmento de outra estátua real, desta vez esculpida em granito negro, também foi encontrado. Não se sabe quem está representando, mas um exame preliminar sugere que também poderia pertencer ao rei Psamético I. Este faraó foi notícia ano passado (2017) quando uma estátua colossal sua foi encontrada em uma periferia do Cairo.

— Saiba mais: Estátua colossal de faraó não pertence a Ramsés II, mas provavelmente a Psamético I

Foto: MSA

Foto: MSA

Foto: MSA

Já a cidade de Buto, chamada na era dos faraós de Per- Wadjet, era tida como a cidade natal da deusa protetora do Baixo Egito, a serpente Wadjet. Sua importância se dá por ter sido uma das cidades mais antigas do Egito, abrigando alguns dos primeiros reis.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção de uma grande estátua.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Remains of royal ancient Egyptian artefacts uncovered in Tel Al-Pharaeen. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/286388/Heritage/Ancient-Egypt/Remains-of-royal-ancient-Egyptian-artefacts-uncove.aspx >. Acesso em 02 de janeiro de 2018.

As 9 melhores descobertas arqueológicas de 2017 sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.

Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

 

1: Descoberta de imagens de embarcações:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Foto: Josef Wegner

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

 

2: Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada:

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

 

3: Fragmentos de uma estátua colossal:

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

Foto: Reuters.

4: Descoberta de tumba de princesa egípcia:

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Foto: MSA

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

 

5: Descoberta de faraó pouco conhecido:

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

 

6: Os mais antigos hieróglifos egípcios:

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Foto: MSA.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

 

7: Cabeça de faraó encontrada em Israel:

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

 

8: O maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino:

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Foto: MSA

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

 

9: Descoberta da localização de um templo de Ramsés II

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.

Foto: MSA

A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

 

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:

Agora é a vez de vocês! Qual é a sua descoberta arqueológica do ano de 2017 favorita?

Templo da deusa Ísis é desenterrado por construtores em Banha (Egito)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

As ruínas de um antigo templo egípcio votivo à deusa Ísis, divindade da magia e protetora do trono real, foram descobertas em medos de novembro (2017) por trabalhadores em um projeto residencial na cidade de Banha, capital da governança de Qalyubiya.

Death and All His Friends

Ísis é a segunda da esquerda para a direita. Imagem meramente ilustrativa.

Os trabalhadores notificaram o ocorrido ao Ministério das Antiguidades, que enviou uma equipe de arqueólogos ao local da descoberta para dar início aos trabalhos de Arqueologia. Tais pesquisas identificaram inscrições que descrevem antigos alimentos egípcios. Também foram identificadas imagens de Ísis e do seu filho, o deus-falcão Hórus.

Horus, Temple of Isis, Philae

Hórus. Imagem meramente ilustrativa.

De acordo com o Egypt Independent, essa descoberta tem a capacidade de colocar esse sítio arqueológico no mapa turístico.

Um historiador local, Ahmed Kamal, professor de História da Universidade de Banha, apontou o potencial histórico dessa área, declarando que é um sítio rico em antiguidades, apesar de ser negligenciado pelo Ministério das Antiguidades. Ele ainda acusou o Ministério de “sabotagem deliberada”, uma vez que, de acordo com ele, o órgão tem negligenciado o local, que possivelmente tem 4.500 anos.

Ísis é uma das divindades mais importantes da Antiguidade egípcia. Seu mito é apresentado quase que na integra na obra “Moralia”, de um grego chamado Plutarco (66 d.E.C.–67 d.E.C.), que visitou o Egito nos anos finais do faraônico. Se você tiver interesse em divindades egípcias no canal do Arqueologia Egípcia irá estrear uma série dedicada aos deuses do Egito Antigo. Fique de olho para conferir. Para saber quando o primeiro capítulo sairá inscreva-se no canal e ative o sino. Link: https://www.youtube.com/arqueologiaegipcia

 

Fonte:

Al-Youm, Al-Masry. Isis temple unearthed by builders in Banha. In: Egypt Independent. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/isis-temple-unearthed-builders-banha/ >. Publicado em 17 de novembro de 2017. Acesso em 8 de dezembro de 2017.

 

Arqueólogos descobrem localização de templo de Ramsés II em Abusir

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir. A descoberta foi anunciada pelo Dr. Mostafa Waziry, Secretário Geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Foto: MSA

Dr. Waziry explicou que a missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

Foto: MSA

O Dr. Mohammed Megahed, diretor-adjunto da missão, disse que o templo tem 32×51 metros de largura e consiste em fundações de tijolos de barro que compõem uma de suas torres e um grande pátio que leva ao pilar cujas algumas partes de seus corredores são pintadas em azul. E na extremidade traseira do pátio, foi encontrada uma escada ou uma rampa para um santuário em que o espaço final é dividido em três câmaras paralelas. Os restos deste edifício foram cobertos por enormes depósitos de areia e cascalhos de pedras que podem conter fragmentos de relevos policromados.

Foto: MSA

O Dr. Miroslav Barta, o chefe da missão checa, explicou que os diferentes títulos do rei Ramsés II foram encontrados gravados em fragmentos de relevos que estão ligados ao culto a deidades solares, a exemplo de Rá. Vale salientar que a adoração do deus do sol “Ra” na região de Abusir começou durante a 5ª dinastia e continuou até o Novo Império. Barta ainda complementa que este templo é a única evidência de Ramsés II na necrópole de Memphis, o que o caracteriza como uma descoberta importante.

 

Fonte:

Czech archaeologists discover Ramses II temple remains south of Cairo. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/10/czech-archaeologists-discover-ramses-ii.html >. Acesso em 15 de outubro de 2017.