(Vídeo) Um novo museu e com peças egípcias

Notícia relativamente antiga, mas que graças a problemática que está levantando ainda serve para entrar a apreciação:

Após causar danos a um sítio arqueológico na cidade de São Paulo, uma empresa de engenharia deverá financiar parte da construção de um complexo de museus, onde serão depositados para estudo e exposição artefatos arqueológicos, dentre eles peças egípcias.

As peças pertencem ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) que atualmente encontra-se na Avenida Professor Almeida Prado (Cidade Universitária). A medida foi aprovada pelo Ministério Público que determinou que a empresa deverá ressarcir a sociedade através da construção do “Parque dos Museus”.Veja o vídeo abaixo:

 

 

Apesar de ir de acordo com a lei, uma vez que a destruição total ou parcial dos sítios arqueológicos no Brasil é crime, o projeto poderá vir a comprometer o patrimônio ambiental, já que será erguido no Butantã:

Considerado um dos locais com mais áreas verdes na capital paulista, o câmpus da Universidade de São Paulo (USP) no Butantã, zona oeste, vai perder 1.328 árvores nos próximos meses. Essa pequena mata, equivalente a um Parque Trianon ou da Aclimação, vai dar lugar a um conjunto de museus planejado pela reitoria desde 2001. O corte é um dos maiores aprovados neste ano pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Para se ter ideia do tamanho do desmatamento, toda a obra de duplicação da Marginal do Tietê em 2009 derrubou cerca de 800 árvores, pouco mais da metade do que será cortado na USP. A universidade será obrigada a manter no local apenas 217 árvores, além de plantar outras 6 mil mudas no local. “O problema é que serão cortadas árvores adultas, robustas, que trazem um grande benefício para o clima daquela região. Já essas mudas só trarão efeito similar daqui a 20 ou 30 anos”, disse o ambientalista Carlos Bocuhy.

A área fica do lado da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, próximo da Avenida Corifeu de Azevedo Marques. Para Bocuhy, o local é inadequado para uma obra desse porte. “Existem várias outras áreas na USP com bem menos árvores, que trariam um impacto muito menor. É impossível que esse local, onde será necessário cortar mais de 1.300 árvores, seja a melhor alternativa nesse caso”, afirma o ambientalista.

Texto disponível em < http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/usp-perdera-um-parque-trianon-em-arvores/ >. Acesso em 08 de Outubro de 2012. Publicado em 22 de setembro de 2011 | 23h25 |. 

Em outra matéria:

O custo da obra será coberto pelo TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), assinado em 26 de novembro de 2010 pelo Ministério Público Federal em São Paulo, a Brookfield Incorporações, a Maragogipe Investimentos e Participações, além da USP e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O compromisso visa a reparação do dano ao patrimônio histórico constatado no sítio arqueológico da Casa Bandeirista do Itaim, no Itaim Bibi. O acordo estende-se até dezembro de 2015 e, por ele, a cidade vai ganhar o Parque de Museus, que incluirá uma nova sede para o MAE, que deve ser inaugurada em janeiro de 2013. Acolherá também o Museu de Zoologia, um edifício de exposições temporárias, uma praça coberta e uma passarela suspensa de interligação, segundo o projeto de Paulo Mendes Rocha.

A Brookfield e a Maragogipe serão responsáveis pelo projeto executivo de engenharia do complexo e também realizarão obras de estrutura de concreto, esquadrias externas e impermeabilização da cobertura do Museu de Arqueologia e Etnologia, e parte da estrutura de concreto da passarela de ligação da nova sede do museu, na avenida Professor Lineu Prestes. As empresas se encarregarão de promover uma festa de inauguração e divulgação do museu, além de patrocinar a edição de um livro sobre o patrimônio arqueológico bandeirante, paulista e brasileiro. Maior beneficiária do acordo, a USP terá a responsabilidade de construir, até 2015, o restante do complexo Parque dos Museus. A instituição vai arcar também com o acabamento da obra, mobiliário, mudança e manutenção do MAE, a ainda da realização da exposição inaugural do museu.

Texto disponível em < http://www.ipiranganews.inf.br/arquivo_materias/742/2.asp >. Acesso em 08 de Outubro de 2012. EDIÇÃO 742 – 16/08 A 22/08/2012

Espera-se que até 2015 o parque seja inaugurado.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]