O enigma dos “Dois Irmãos” do tempo dos faraós

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Museu de Manchester (Reino Unido) possui algumas das coleções egípcias mais notáveis. E dentre as peças estão os artefatos funerários e as múmias de dois homens que tinham sido sepultados juntos. Eles foram identificados como Khnum-nakht e Nakht-ankh e as pesquisas revelaram que viveram durante a 12ª Dinastia.

Os ataúdes dos Dois Irmãos. Khnum-nakht é o da esquerda e Nakht-ankh o da direita. 2011.

O túmulo deles foi encontrado em 1907, em Dir Rifeh (próximo do Cairo), por um trabalhador egípcio chamado Erfai.  Ele estava trabalhando para os arqueólogos britânicos Ernest Mackay e Flinders Petrie, que enviaram toda a coleção funerária para Manchester.

Chegando ao museu em 1908 as múmias foram desembrulhadas pela primeira egiptóloga do Reino Unido a trabalhar em uma universidade, a Dra. Margaret Murray. Ela e seu auxiliar concluíram que a morfologia dos esqueletos de ambos os homens era diferente o que a fez sugerir que eles não seriam parentes. A pesquisadora ainda tinha dado uma estimativa de idade onde o Khnum-nakht teria cerca de 40 anos no momento de sua morte e Nakht-ankh cerca de 60.

Dra. Margaret Murray com a sua equipe exumando Nakht-ankh. 1908.

Apesar da conclusão de Margaret de que eles não seriam parentes, os ataúdes de ambos contavam uma outra história. De acordo com os textos eles eram filhos de um governante local com uma mulher chamada Khnum-aa. Por isso do apelido “Dois Irmãos”.

Ainda assim, alguns pesquisadores mais contemporâneos propuseram que um ou os dois homens fossem em verdade adotados.

Para sanar esta dúvida, foram extraídas amostras dos dentes de ambos em 2015 para que um exame de DNA pudesse ser realizado e o resultado saiu este ano (2018) na revista cientifica Journal of Archaeological Science. De acordo com o resultado eles pertenciam ao haplótipo mitocondrial M1a1, sugerindo uma relação maternal, portanto, seriam filhos da mesma mãe. Entretanto, as sequências do cromossomo Y foram menos completas e apresentaram variações entre as duas múmias, indicando que eles tinham pais diferentes, ou seja, muito provavelmente eram meio irmãos.

 

Fonte:

DNA confirms the Two Brothers’ relationship. Disponível em < https://egyptmanchester.wordpress.com/2018/01/16/dna-confirms-the-two-brothers-relationship/ >. Acesso em 17 de janeiro de 2018.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]