A rainha Ahhotep é a protagonista de um game brasileiro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não é nenhuma novidade que o Egito Antigo tem sido usado e reutilizado por mídias da cultura pop. Basta ligar a TV ou abrir alguma revista para encontrá-lo em propagandas, filmes, desenhos e games. Temos o recente Assassin’s Creed Oringis, mas podemos contar com muitos outros, a exemplo do Pharaoh e Luxor.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Aqui no Brasil um grupo de desenvolvedores de games de Francisco Beltrão, Paraná, o Adhoc Games, também tem bebido dessa inspiração. Eles estão organizando o Echoes of the Gods (Ecos dos Deuses), que tem como protagonista a rainha Ahhotep I.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

O game não tem data de lançamento, mas caso queiram dar uma força para o grupo clique aqui para acessar a página deles no Facebook. Abaixo está um vídeo de apresentação de como está ficando o jogo:

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Quem era Ahhotep I:

Esta rainha, que viveu durante o final da 17ª Dinastia (Segundo Período Intermediário) e viu nascer a 18ª Dinastia (Novo Império), foi a esposa do rei Seqenenre Tao II, que possivelmente morreu durante alguma batalha contra os hicsos, que governavam o Norte do Egito. Na época em que eles viveram o país era comandado por ao menos três dinastias: A tebana, a qual Ahhotep I pertencia, a hicsa, no Norte do país e a de Abidos, que não teve uma longa existência.

Em uma tentativa de tomar o controle de todo o Egito Seqenenre Tao II iniciou companhas contra os estrangeiros e com a sua morte foi substituído por seu filho Kamose. Porém, o príncipe não sobreviveu muito, então o seu irmão mais novo, Ahmose, foi declarado o novo rei. Contudo ele ainda era uma criança quando isso ocorreu, então a sua mãe assumiu a regência do reino.

Esse período da história egípcia ainda é muito nebuloso, mas sabemos que a guerra se seguiu por anos e Ahhotep I precisou proteger o seu território não só contra os hicsos, mas também contra os núbios[1], ao sul do Nilo. No fim, Ahmose finalmente chegou até a idade ideal para reinar e ao lado da mãe conseguiu expulsar os estrangeiros e reunificar o país, abrindo o Novo Império e dando inicio a elevação do deus Amon como patrono do Egito.

Por sua atuação, Ahhotep I recebeu, mesmo anos após a sua morte, honrarias divinas e um culto foi estabelecido em sua memória. O seu próprio filho, Ahmose, a definiu em uma estela como sendo “alguém que pacificou o Alto Egito[2] e expulsou os rebeldes”.

 

O colar de ouro da honra:

Em 1859 um colar de 59 centímetros foi encontrado em Dra Abu el-Naga em um lugar em que se acreditava ser a tumba da rainha Ahhotep I. Contudo, por conta da natureza de alguns dos artefatos encontrados no local, que eram de cunho militar, alguns pesquisadores custam a acreditar que essas peças, inclusive o colar, tenha pertencido à rainha. Este colar, que é feito em ouro, possui três pingentes de 9 centímetros que representam moscas.

Foto: EINAUDI, 2009.

Este tipo de joia era dada a pessoas que realizaram proezas militares. Talvez por incapacidade de alguns pesquisadores em acreditar que uma rainha possa ter atuado como comandante leve a tal dúvida, que, por sua vez, não é de toda infundada, uma vez que no local também foram encontrados artefatos com o nome de seus filhos.

Saiba mais: Há alguns anos escrevi um artigo intitulado “Gênero invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, onde discuto como pesquisadores têm subestimado a participação social das mulheres egípcias em sua sociedade. Ele pode ser lido gratuitamente clicando aqui.

Fontes:

DABBS, Gretchen R; SCHAFFER, William C. Akhenaten’s Warrior? An Assessment of Traumatic Injury at the South Tombs Cemetery. Paleopathology Newsletter. No. 142, June, 2008.

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

SINGER, Graciela Noemí Gestoso. Queen Ahhotep and the “Golden Fly”. Cahiers Caribéens d’Egyptologie. nº 12, février-mars, p. 75 – 88, 2009.


[1] Reino que se encontrava onde hoje é o Sudão.

[2] O Alto Egito refere-se ao Sul do país. Ahmose, então, estava falando sobre os núbios.

(Palestras) História da Arqueologia egípcia e múmias (BA)

Texto via Assessoria de Comunicação da UFOB

Nos dias 5, 6 e 8 de julho, a UFOB de Barreiras realizará o “Ciclo de Estudos sobre o Antigo Egito: perspectivas para a Arqueologia“, ministrado pela egiptóloga Márcia Jamille Nascimento Costa, autora do site Arqueologia Egípcia e pesquisadora do Laboratório de Arqueologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Federal de Sergipe.

O evento é promovido pelo Núcleo Docente de História do Centro das Humanidades e vai abordar a atividade arqueológica sob a perspectiva do estudo da Arqueologia Egípcia partindo do século XVIII até os dias atuais.

Desde os seus primórdios, a Arqueologia tem sido confundida com uma atividade de aventura, impulsionada pelo fascínio de escavar templos antigos em busca de ‘tesouros’ milenares. Porém, esta é uma disciplina que atualmente passa por importantes mudanças no cenário internacional”, destaca a egiptóloga Márcia Jamille.

Entre as apresentações, destacam-se temas como a Arqueologia Egípcia ao longo dos séculos e as perspectivas para o futuro, a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica e as múmias como evidências bioculturais.

Foto via.

O Ciclo de Estudos será realizado no Auditório do Pavilhão de Aulas II, no campus Reitor Edgard Santos, a partir das 19h30. Os interessados devem se inscrever somente no local, uma hora antes do início das atividades.

Datas de cada atividade:

05/07/2016 – Palestra – A Arqueologia Egípcia ao longo dos séculos e as perspectivas para o futuro.

06/07/2016Aula aberta com a turma de História Antiga – Gênero Invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica. Moderação do Prof. Bruno Casseb Pessoti.

08/07/2016Palestra – As múmias no Antigo Egito: do antiquarismo à Arqueologia Funerária.

Para mais informações escreva para arqueologia.ufob@gmail.com ou acesse www.facebook.com/arqueologiadooestedabahia/.

Organização: Núcleo Docente de História, Centro das Humanidades, UFOB.

(Capítulo de livro) Como a Arqueologia tem minimizado o papel das mulheres egípcias que viveram na Antiguidade faraônica

Gênero Invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica | Márcia Jamille N. C.

A Arqueologia ao longo dos anos tem sido utilizada para justificar relações de poder, minimizando a participação social de grupos subalternos e privilegiando artefatos dos segmentos dominantes da sociedade, a exemplos dos homens egípcios, beneficiados pela hierarquia de gênero característica da antiguidade faraônica, mas o que não justifica atualmente as mulheres egípcias serem estudadas desprovidas de uma identidade, sendo relacionadas usualmente com a existência de seus maridos ou pais. Desta forma, é de interesse deste artigo pontuar como a Arqueologia egípcia tem minimizado a participação tanto das grandes líderes egípcias como das mulheres comuns da história do Egito se utilizando de conceitos androcêntricos e a necessidade de que este quadro seja mudado.

Obtenha o capítulo Gênero Invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica.