(Artigo) Vida por toda eternidade: Tothmea renascida pelas novas tecnologias

Vida por toda eternidade: Tothmea renascida pelas novas tecnologias – Moacir Elias Santos e Cícero Moraes | Português |

Para os egípcios antigos a morte não representava um fim, mas o começo de uma nova existência que seria múltipla, a exemplo daquela que permitiria o morto viajar com o deus-sol Ra, ou na qual ele habitaria o mundo de Osíris. Para tanto, era condição sine qua non a preservação do corpo por meio da mumificação. Uma egípcia, que conhecemos atualmente como “Tothmea”, com mais de 2500 anos, e que se encontra conservada no Museu Egípcio e Rosacruz, em Curitiba, certamente compartilhava a ideia de que poderia voltar à vida. Neste artigo apresentamos um estudo que permitiu, em parte, o
almejado renascimento que Tothmea buscava, contudo, não nos moldes da religião egípcia, mas com o uso de diversas tecnologias.

Obtenha o artigo Vida por toda eternidade: Tothmea renascida pelas novas tecnologias.

Reconstrução Facial da Múmia Tothmea

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Depois da popularização da realização de reconstituições faciais em programas de documentários, provavelmente muitos já chegaram a ver alguma. Nomes já conhecidos receberam um rosto: Ramsés II, Tutankhamon (que gerou uma série de polêmicas) e até mesmo Cleópatra, cujo corpo nem sequer foi encontrado e sua reconstituição teve como base uma moeda com sua face cunhada, o que não tem validade.

Embora seja uma ideia empolgante, reconstituições faciais não são de fato totalmente precisas, desta forma o rosto que o espectador observa provavelmente não é o real do indivíduo falecido, ele só nos dá um conceito da aparência. Aspectos essenciais como cor da pele, cor dos olhos, cabelos, orelhas e em alguns casos até mesmo o nariz tendem a ser frutos da subjetividade do pesquisador.

Uma das múmias agraciadas por esta técnica foi a da “Tothmea”, uma dama que viveu entre o Terceiro Período Intermediário e a Baixa Época e que, de acordo com a pesquisa realizada pelo o Museu Egípcio e Rosacruz (Curitiba-PR), teria sido uma servidora de Ísis. “Tothmea” é somente um apelido dado em 1888 em homenagem aos faraós tutmessidas, mas o seu verdadeiro nome é desconhecido. Seu corpo está atualmente disponível para a visita no Museu Egípcio e Rosacruz.

Reconstituição facial de Thotmea. Imagem disponível em < http://www.ciceromoraes.com.br/?p=1096 >. Acesso em 06 de março de 2014.

Abaixo está um texto indicado pela leitora Blenda Amarilis (via Facebook) sobre a reconstituição da sua face:

Reconstrução Facial da Múmia Tothmea

RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE

A reconstrução facial é um dos ramos da arte forense, cujos trabalhos formais remontam o final do século XIX.

Para que uma face seja reconstruída, inicialmente se estima o sexo, tipo racial e idade do indivíduo, em seguida, com base nesses dados se recorre a níveis de profundidade de tecido mole, que são posicionados em pontos pré definidos ao longo do crânio.

Esses níveis representados por pequenas estacas fornecem a forma básica da face. O posicionamento dos olhos é estipulado por alguns pontos da órbita ocular. Os lábios seguem a projeção dos dentes ou dos olhos. A projeção do nariz pode ser adquirida por várias técnicas, algumas levam em conta a dimensão da espinha nasal e outras o seu ângulo.

Em seguida, são reconstruídos os músculos, ou dependendo do método utilizado e do conhecimento do escultor é modelada diretamente a pele.

Diferente do que muitas pessoas imaginam, a reconstrução facial forense é na verdade uma aproximação do que poderia ser o rosto do indivíduo. Mesmo os artistas/cientistas mais preparados não conseguem gerar uma face 100% compatível com o que era em vida. Mas isso não significa que o nível de precisão não seja o suficiente para lembrar as características do rosto em questão, o número de casos bem sucedidos de reconhecimento de vítimas a partir dessa técnica falam por si.

RECONSTRUÇÃO FACIAL DA MÚMIA TOTHMEA

Em dezembro de 2012, o arqueólogo Moacir Elias Santos e o 3D Artist e Animator Cícero Moraes reuniram seus conhecimentos para dar um rosto à Tothmea – múmia com cerca de 2700 anos da coleção do Museu Egípcio e Rosacruz.

A partir da restauração da face de Tothmea realizada pelo arqueólogo Moacir Elias Santos foram feitas uma série de fotografias que juntamente com os dados da tomografia de 1999 proporcionaram dados para a realização da segunda fase do projeto.

Com base nas imagens fez-se o escaneamento 3D parcial do crânio e em conjunto com os dados de uma tomografia computadorizada e raios-X feitos em 1999 o crânio completo foi reconstruído. Com o crânio em mãos o artista 3D pode reconstruir a face da múmia, lançando mão de programas de software livre, como o Blender 3D, Gimp e outros.

Assim, ciência e tecnologia uniram-se para que pudéssemos conhecer a face de uma ilustre egípcia que habita nosso país desde 1995.

Cícero Moraes

Texto no link original: Reconstrução Facial da Múmia Tothmea. Disponível em < http://www.amorc.org.br/museu-egipcio-3.html >. Acesso em 06 de março de 2014.

Update 25 de julho de 2014
Saiba mais sobre a técnica de reconstrução facial no site de um dos membros da equipe: http://www.ciceromoraes.com.br/?p=1632