Após 20 horas de viagem monumento dedicado ao faraó Ramsés II ganha novo lar

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Semana passada um obelisco pertencente ao faraó Ramsés II foi retirado do Jardim Al-Andalus, no Cairo, e enviado para El Alamein, na Costa Norte. Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, disse que o obelisco foi intensamente estudado para avaliar sua condição antes que a decisão de movê-lo fosse tomada. E acrescentou que a decisão de realocar o obelisco de Ramsés II foi tomada após a aprovação do Comitê Permanente para Antiguidades Egípcias Antigas. Entretanto, ele não deixou claro dos motivos da decisão de mudar o obelisco de lugar. 

Foram necessários 20 dias para que arqueólogos, restauradores, engenheiros e trabalhadores pudessem desmontar e embalar o obelisco. Para garantir seu transporte seguro, partes do artefato foram cobertas com espumas e colocadas em uma gaiola de ferro para evitar que se movessem. Unidades antivibratórias foram usadas ao longo do trajeto de 300 km (cerca de 20 horas de viagem) até El Alamein.

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Esculpido em granito vermelho, decorado com os nomes e títulos do rei Ramsés II e possuindo 14 metros de altura e pesando 90 toneladas, não foi a primeira vez que este artefato foi movido. Anteriormente ele se encontrava em Tanis e foi retirado de lá em 1956, momento em que foi enviado para o Jardim Al-Andalus.

Fotos: Ministério das Antiguidades

Fonte: 

In Photos: Ramses II obelisk moved from Cairo’s Andalusia Garden to New Alamein City. Disponível em < https://khentiamentiu.blogspot.com/2019/08/in-photos-ramses-ii-obelisk-moved-from.html?fbclid=IwAR1BQ1tBlx-1yO5ymPZb6LkKQNIuQ_pNOqKlFUCp87a4xosnDmEJUWXpeTw >. Acesso em 11 de agosto de 2019. 

Arqueólogos no Egito descobrem o maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia). As escavações são coordenadas por Philippe Collombert da Universidade de Genebra.

O objeto possui inscrições que parecem ser o início dos títulos e o nome da rainha. “Ela provavelmente é a primeira rainha a ter Textos das Pirâmides registrados em sua pirâmide”, explicou Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo das Antiguidades, ao Ahram Online. Ainda de acordo com ele antes esses textos eram esculpidos somente nas pirâmides dos reis. Após Ankhnespepy II algumas esposas de Pepi II fizeram o mesmo.

Parte do obelisco da rainha Ankhnespepy II. Foto: Divulgação.

De acordo com Collombert, que também falou ao Ahram Online, a parte do obelisco que foi desenterrada é esculpida em granito vermelho e tem 2,5 metros de altura. Jamais foi encontrado um fragmento desse tipo de artefato desta magnitude proveniente dessa época, embora o Antigo Reino seja a “era de ouro” da construção das grandes pirâmides. “Podemos estimar que o tamanho total do obelisco foi de cerca de cinco metros quando estava intacto”, explicou. Ele ainda aponta que no topo do obelisco existe uma pequena deflexão que indica que a ponta foi coberta com lajes de metal, provavelmente de cobre ou de folha dourada, para que o obelisco brilhasse no sol.

Foto: Divulgação.

O artefato foi encontrado no lado leste da pirâmide da rainha, onde está localizado também o seu complexo funerário, o que sugere que o seu local original era a entrada do seu templo funerário. “As rainhas da 6ª dinastia geralmente tinham dois pequenos obeliscos na entrada do seu templo funerário, mas este obelisco foi encontrado um pouco longe da entrada do complexo de Ankhnespepy II”, apontou Waziri. Ele acredita que isto sugere que o obelisco pode ter sido arrastado por cortadores de pedra de um período posterior, uma vez que a maior parte da necrópole de Saqqara foi usada como uma pedreira durante o Novo Império e Período Final.

Quem foi Ankhnespepy II:

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

Com Merenre ela teve Pepi II, que possuía seis anos quando o seu pai faleceu, o que levou Ankhnespepy II a se tornar co-regente e, por pouco, quase faraó. “Provavelmente é por isso que sua pirâmide é a maior da necrópole depois da pirâmide do próprio rei”, disse Collombert.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção de uma grande estátua.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Archaeologists unearth largest-ever discovered obelisk fragment from Egypt’s Old Kingdom. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/278261.aspx >. Acesso em 05 de outubro de 2017.