Resultados do escaneamento da Pirâmide Romboidal

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Ontem, 26 de abril de 2016, a equipe do Scan Pyramids Mission (Missão para Escanear as Pirâmides) apresentou ao atual Ministro das Antiguidades Dr. Khaled El-Enany e ao ex-Ministro das Antiguidades Dr. Mamdouh Eldamaty os resultados do escaneamento da pirâmide Romboidal (localizada em Dashur) através da detecção de múons.

A Pirâmide Romboidal de Senefru. Imagem disponível em < http://richard-seaman.com/Wallpaper/Travel/Egypt/index.html#BentPyramidFromTheWest >. Acesso em 26 de junho de 2013.

— Leia mais: Conheça a “Scan Pyramids Mission”

Em 2015 os pesquisadores responsáveis pelo projeto depositaram na primeira câmara da pirâmide placas capazes de realizar esta detecção. Elas foram retiradas do local agora em 2016 após 40 dias, tempo suficiente para se adaptar as condições do edifício e recolher dados mais precisos.

O número “1” aponta a câmara onde foram postas as placas. Fonte: Scan Pyramids Mission.

Ilustração 3D demonstrando onde as placas foram depositadas. Fonte: Scan Pyramids Mission.

Placas já posicionadas dentro da pirâmide. Fonte: Scan Pyramids Mission.

Análise dos dados em laboratório. Fonte: Scan Pyramids Mission.

Apesar de em seu comunicado oficial o ministério sugerir que o resultado é “espetacular”, as estatísticas disponibilizadas por essas placas não foram suficientes para mostrar alguns espaços já conhecidos da pirâmide. Contudo, várias simulações foram feitas para tentar detectar novas câmaras e a conclusão é a de que não existem novas seções no entorno.

Ainda neste comunicado não foram relatadas informações sobre as condições estruturais do edifício. Provavelmente essa informação e outras mais especificas e técnicas serão publicadas em um artigo acadêmico futuro (ao menos espero). No vídeo a seguir a equipe aponta os passos da pesquisa:

A Pirâmide Romboidal, também conhecida como “Pirâmide Curva”, foi a primeira construída pelo faraó Senefru, que viveu durante o Antigo Reino. É um exemplo de “tentativa e erro” da antiguidade, uma vez que não contente com o resultado da Romboidal, esse governante ainda mandou que fossem edificadas mais duas pirâmides. Todas são antecessoras das pirâmides do platô de Gizê.

Dicas de links:

As mudanças no formato das pirâmides egípcias ao longo do antigo império. Disponível em < http://www.marciajamille.com.br/2014/10/as-mudancas-no-formato-das-piramides.html >. Acesso em 27 de abril de 2016.

Scan Pyramids Mission. Disponível em < http://www.scanpyramids.org/ >. Acesso em 27 de abril de 2016.

Conheça a “Scan Pyramids Mission”

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Endossados pelo Egyptian Ministry of Antiquities (Ministério das Antiguidades do Egito) e sob a coordenação da Faculty of Engineering of Cairo (Faculdade de Engenharia do Cairo) e o instituto Heritage Innovation Preservation (Inovação na Preservação do Patrimônio), um grupo de pesquisadores egípcios, canadenses, franceses e japoneses anunciaram em outubro de 2015 uma iniciativa para investigar as pirâmides de Khafre e Khufu, do platô de Gizé, e a Vermelha e a Romboidal em Dashur.

Pirâmide de Khufu. Foto: Nina Aldin Thune via Wikimedia Commons.

O projeto chama-se Scan Pyramids Mission (Missão para Escanear as Pirâmides) e como o nome indica a proposta é usar drones com scanners de tecnologia 3D, termografia infravermelha, termografia modulada, fotogrametria e laser e uma ferramenta que torna possível a detecção de múons. Esta última é capaz de modelar áreas internas e inclusive já foi utilizada para observar o interior de vulcões e edifícios contemporâneos (a exemplo da usina de Fukushima, no Japão).

Estas técnicas não são invasivas, ou seja, não será necessário realizar perfurações nas pirâmides, o que não compromete a integridade dos edifícios analisados.

A detecção de múons já foi empregada no Egito em outra ocasião, na década de 1960, pelo pesquisador Luis Walter Alvarez (1911 – 1988), que a aplicou na pirâmide de Khufu. Ele foi capaz de identificar alguns espaços vazios, mas não pôde ter uma noção abrangente do que se tratava, deixando a questão em aberto para as gerações seguintes. Por isso, graças as inovações tecnológicas poderemos ter mais respostas do que o pioneiro Alvarez.

A primeira fase do projeto já passou, onde os pesquisadores fizeram a calibragem dos equipamentos e identificaram algumas anomalias térmicas. Porém, não é possível interpretar corretamente o que são tais anomalias que tanto podem se tratar de uma possível câmara, talvez uma rachadura e ou até mesmo nada. É exatamente por este motivo que a equipe está empregando a união de diferentes ferramentas, pois, uma poderá complementar o “defeito” da outra, ou seja, unidas poderão disponibilizar dados mais consistentes (e consequentemente mais fáceis de interpretar) do que se fosse utilizado somente um equipamento.

Lembrando que já são conhecidas câmaras nas pirâmides, mas a ideia deste projeto é conhecer detalhes estruturais do edifício e se existem salas isoladas.

Planta lateral da Grande Pirâmide (Khufu). Foto: DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007. pág. 78.

Os primeiros resultados provavelmente sairão nas primeiras semanas de 2016 e futuramente o projeto será estendido para a tumba de Tutankhamon.

Fonte:

A New High-Tech Project Aims to Unearth the Secrets of the Pyramids. Disponível em < http://magazine.good.is/articles/cosmic-ray-muons-pyramids >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Scan Pyramids Mission. Disponível em < http://www.scanpyramids.org/ >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.